Dor Pélvica Crônica: Saiba tudo sobre essa patologia pouco conhecida

Dor Pélvica Crônica: Saiba tudo sobre essa patologia pouco conhecida

A Dor Pélvica Crônica (DPC) não é muito conhecida pela população, principalmente por afetar uma região em que as pessoas ainda tem limitações em falar.

Além disso, o profissional de saúde sente dificuldades em avaliar o assoalho pélvico, tanto em homens como mulheres.

Como em qualquer quadro de dor, a DPC altera a postura, qualidade de vida e até afastamento das atividades pessoais e diárias de quem sofre com ela.

Neste artigo iremos abordar esse assunto, com o objetivo de alertar os profissionais a avaliar a região de assoalho de seus pacientes pois temos que olhar globalmente para eles.

Além de que pode-se achar alterações posturais em que apresenta a dor pélvica crônica e como esses achados são importantes para o processo de reabilitação de nossos pacientes.

Quer saber mais sobre o assunto? Então continue lendo o texto!

Entendendo a Dor Pélvica Crônica (DPC)

A dor pélvica crônica (DPC) é definida como dor pélvica não menstrual ou não cíclica, com duração de pelo menos seis meses, suficientemente intensa para interferir em atividades habituais e que necessita de tratamento clínico ou cirúrgico.

A etiologia não é clara e, usualmente, resulta de uma complexa interação entre os sistemas gastrintestinais, urinário, ginecológico, músculo-esquelético, neurológico, psicológico e endócrino, influenciado ainda por fatores socioculturais. (1)

Nos Estados Unidos a prevalência maior se dá em mulheres na faixa etária de 15 a 73 anos de idade.

Dessas, 60% nunca receberam o diagnóstico de forma correta e 20% não receberam qualquer investigação sobre a causa da dor. Com isso, são gastos cerca de 2 bilhões de dólares por ano para o tratamento – seja clínico ou cirúrgico.

No Brasil não se tem um número exato dessa prevalência, provavelmente pela falta de diagnóstico preciso e também pela falta de tratamento a esse tipo de queixa, mas estima-se que seja superior do que nos países desenvolvidos.

Alguns estudos tentam identificar fatores de risco para a doença, mas os resultados são conflitantes, o que é, em parte, explicado pela particularidade dos dados epidemiológicos de cada localidade e pela falta de qualidade no acesso as informações de estudos. (1)

De etiologia multifatorial, a dor pélvica crônica (DPC) vem sendo associada a várias patologias pela interação de múltiplos sistemas e pelo fato da pelve ser composta de inúmeras vísceras.

A dor pode ser irradiada para toda a pelve, refletindo-se em dor vaginal, perineal ou nas articulações sacroilíacas, o que pode induzir ao desenvolvimento de trigger points e dor miofascial.

Principalmente na musculatura do assoalho pélvico. Além disso, a dor pélvica crônica (DPC) pode receber influência de fatores psicológicos e socioculturais. (2)

Fisiopatologia

Há fortes indícios de que a fisiopatologia da dor pélvica crônica (DPC) e de outras condições dolorosas crônicas envolve a presença de fatores geradores de dor periféricos, muitas vezes não identificados no momento do diagnóstico.

Além da sensibilização do Sistema Nervoso Central (SNC), no qual ocorre uma alteração do processo central da dor.

Observa-se a amplificação da percepção da dor, alodinia, sensibilização de outras estruturas anatômicas, e uma série de respostas emocionais e cognitivas que participam da manutenção da dor. (3)

Vários são os mecanismos que corroboram para a manutenção e/ou evolução da dor pélvica crônica (DPC). Entre eles podemos citar:

  1. Mudanças neuroplásticas que ocorrem no corno posterior da medula espinhal em consequências das mudanças eletrofisiológicas, bioquímicas e metabólicas promovidas pelo estímulo nocivo inicial, o que leva a inflamação neurológica devido a liberação de fator de crescimento neural e substância P na periferia, local de origem do estímulo, exacerbando o mesmo; (1)
  2. Sensibilidade cruzada entre vísceras que compartilham uma mesma inervação ( reflexo víscero-visceral); (1)
  3. Desenvolvimento de um reflexo víscero-muscular que pode culminar não só em repercussões disfuncionais, como dificuldade miccional ou incontinência urinária, mas também no desenvolvimento de síndrome miofascial e geração de novos pontos de dor. (1)

Diagnóstico

Quem sofre com a dor pélvica crônica pode chegar até o profissional do movimento quando indicado pelo médico, ou já é nosso cliente e relata queixas como dor em locais como lombar, cócxix, quadril – por exemplo -, e o profissional, trata e ao reavaliar ver que não houve melhora do quadro.

E isso nos intriga, não é verdade ?

Como falado anteriormente, por ser de etiogenia multifatorial, o diagnóstico fica difícil, mas sabemos que deve ter um diferencial, para retirar doenças e começar a tratar de forma que traga benefício ao paciente.

A seguir, você pode conferir um quadro com essas patologias que inserem a dor pélvica crônica como sintoma.

No caso da dor pélvica crônica, o profissional do movimento deve encaminhar seu paciente ao médico para ter um diagnóstico nosológico mais preciso e trabalhar em equipe. Pois em casos mais graves pode entrar a ajuda do psicólogo quando afeta o dia a dia do paciente.

É de extrema importância que o profissional do movimento faça a consulta que seja composta de:

  1. Entrevista com toda história clínica;
  2. Mensuração do quadro de dor (seja por escala visual de dor ou através de questionários);
  3. Exame físico e avaliação postural – pois devido a dor podemos encontrar alterações posturais por proteção, como também  pode ser a causa da dor em caso da dor miofascial, por exemplo.

Devemos encaminhar se possível ao fisioterapeuta que possua formação em uroginecologia para um exame mais detalhado do assoalho em caso de dúvida (recomendo esse encaminhamento), pois o tratamento será mais bem direcionado.

Tratamento da Dor Pélvica Crônica

Após todas a avaliações, a dor pélvica crônica pode ser tratada, com :

Conclusão

A dor pélvica crônica (DPC) tem que ser levada a sério por todos os profissionais do movimento, ao se fazer uma avaliação adequada e trabalhar em equipe a qualidade de vida de nossos pacientes melhorará, fazendo que realizem suas atividades diárias e profissionais.


Este artigo foi escrito por: Waleska Braga Buarque

  • Formação superior em Fisioterapia – Universidade de Ciências da Saúde (Maceió/AL)
  • Termoscopia e Termografia Clínica – Mundo da Fisioterapia – 2019.
  • Cadeias Musculares e Avaliação Postural – Voll Pilates – 2019.
  • Biomecânica do Pilates – Janaína Cintas – 2018
  • Programa de Educação e Treinamento em Dor – Artur Padão – 2018
  • Congresso Norte Nordeste de Ortopedia e Traumatologia – SBOT – 2018
  • Congresso Voll Pilates – Voll Pilates – 2018
  • Formação em Fisioterapia Uroginecológica – Clinfis – 2018
  • Terapia Psicosomática da Dor – Mundo da Fisioterapia – 2018
  • Formação em Liberação Miofascial por Instrumentos – Mundo da Fisioterapia – 2017
  • Ventosaterapia – Mundo da Fisioterapia – 2017
  • Crochetagem Mioaponeurótica – Mundo da fisioterapia – 2016
  • Dry Needling – Mundo da Fisioterapia – 2016
  • Pilates Kids – Fisiociência Pilates – 2012
  • Pilates na Saúde da Mulher – CECC Cursos – 2011
  • Pilates Clássico Científico – Fisiociência Pilates –  2008
  • Massagem Ayuvérdica – Senac Cursos – 2008
  • Drenagem Linfática manual – Senac Cursos – 2008

Bibliografia

1 – NOGUEIRA, AA; REIS FJC: POLI NETO OB. Abordagem da Dor Pélvica Crônica em mulheres. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2006; 28 (12); p733-740.
2- RIBEIRO, Larissa Loyola Pereira; FORNARI, Cristiane Carbori. A Importância da Fisioterapia na Dor Pélvica Crônica Miofascial : Uma Revisão de Literatura. Revista Biomotriz, v.11, n.3, p.33-50, dez/2017.
3-  BRASIL, Ana Patrícia Avancini; ABDO, Carmita Helena Najjar. Transtornos Sexuais Dolorosos Femininos. Revista Diagnóstico e Tratamento, 2016; 21(2);89-92.
4- MIRANDA, Renata; SCHOR, Eduardo; GIRÃO, Manoel João Batista Castello. Avaliação Postural em mulheres com Dor Pélvica Crônica. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia,2009; 31(7);p.353-360.

Qual é a melhor forma de prevenir a cervicalgia?

Qual é a melhor forma de prevenir a cervicalgia?

A cervicalgia é um problema comum que deve afetar cerca de 48% da população de acordo com o Global Burden of Disease Study. Na maioria dos casos essas alterações acontecem por causa do processo de envelhecimento natural do corpo, mas também pode surgir por causa de alterações posturais, patologias, traumas e lesões.

Após um episódio de cervicalgia, existem grandes chances que nosso paciente volte a sofrer com o problema. Por isso, é essencial desenvolver um programa preventivo eficiente. Quer aprender a melhor forma de prevenir a cervicalgia? Continue a leitura para relembrar um pouco da anatomia e movimentos dessa importante região e entender o que pesquisas dizem sobre a prevenção.

Anatomia da coluna cervical

A coluna cervical tem uma função bastante essencial: sustentar e movimentar a cabeça, além de proteger diversas estruturas neurais e vasculares. Movemos a cervical quase continuamente durante o dia, chegando a realizar cerca de 600 movimentos por hora ou um a cada 6 segundos.

Essa estrutura é feita de 7 vértebras. As duas primeiras vértebras, atlas e axis, possui propriedades bastante distintas das restantes. O atlas tem forma de anel sem possuir corpo vertebral, ela se articula com a base do crânio através da articulação occipito-axial. É ela que é responsável por boa parte dos movimentos sagitais da cervical.

O axis é a segunda vértebra cervical e tem proeminência que emerge de seu corpo vertebral. Ela se chama processo odontóide, estrutura que se projeta para o interior do atlas, onde forma um pivô sobre o qual a articulação atlanto-axial consegue realizar a rotação do crânio.

Essas duas vértebras não possuem disco intervertebral. Elas são separadas e sustentadas por ligamentos internos.

O restante das vértebras cervicais, de C3 até C7, são mais homogêneas. Elas possuem corpo vertebral anterior e arco neural posterior. Elas se diferenciam das vértebras torácicas e lombares por apresentarem o forame transverso, pelo qual passa a artéria vertebral.

Disco intervertebral

Esses corpos vertebrais são separados por discos intervertebrais, formados pelas partes:

  1. Central – chamada de núcleo pulposo, o qual é constituído em 90% água e proteoglicanos, e
  2. Periférica – denominada ânulo fibroso, formada por fibras resistentes dispostas em lamelas concêntricas.

Essas estruturas realizam a absorção de impacto e dispersam a energia mecânica, sofrendo constantemente com processos degenerativos.

Conforme o corpo envelhece a quantidade de água do núcleo pulposo diminui consideravelmente. Assim, a capacidade de embebição do disco diminui, junto a um aumento do número de  fibras colágenas, determinando uma menor elasticidade e compressibilidade.

Por causa dessas alterações o ânulo fibroso torna-se mais suscetível a rupturas. Isso pode produzir herniações discais e outros tipos de processos degenerativos.

Movimentos da Coluna Cervical

A coluna cervical é responsável pelos movimentos de :

  • Flexão e Extensão
  • Inclinação Lateral à Esquerda e à Direita
  • Rotação à Esquerda e à Direita

Flexão ou Flexão Anterior

Acontece no plano sagital quando o mento se aproxima da parede anterior do tórax. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideos Direito e Esquerdo

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Pré-Vertebrais (longo da cabeça, longo do pescoço, reto anterior da cabeça e reto lateral da cabeça) de ambos os lados. A amplitude articular normal varia de 60º  a 90º.

Extensão

Movimento, no plano sagital, em que a nuca se aproxima do dorso.

Os músculos motores primários são:

  1. Trapézio (Fibras Superiores)
  2. Esplênio da Cabeça
  3. Esplênio do Pescoço
  4. Semi-Espinhal da Cabeça – de ambos os lados

Os motores secundários são:

  1. Extensões Cervicais e Craniais do Eretor da Espinha (iliocostal cervical, longuíssimo da cabeça, longuíssimo do pescoço, espinhal da cabeça, espinhal do pescoço).
  2. Reto Posterior Maior da Cabeça
  3. Reto Posterior Menor da Cabeça – de ambos os lados. A amplitude de movimento articular normal varia entre 50º a 70º .

Flexão ou Inclinação Lateral

Movimento no plano frontal em que a cabeça e o pescoço se aproximam do ombro direito ou esquerdo. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do Lado do Movimento.

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Esplênios da Cabeça e do Pescoço
  3. Oblíquos Superior e Inferior da Cabeça – do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 20 e 40º.

Rotação

Movimento no qual o pescoço e a cabeça giram para direita ou para esquerda em torno de um eixo vertical (50% do movimento ocorre na articulação atlantoaxial). Os motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do lado oposto ao movimento;
  2. Escalenos e Esplênios do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 60 e 90º.

No eixo sagital:

  • Flexão e a Extensão atingem uma amplitude de aproximadamente 70 graus
  • Rotação compreende 90 graus e a lateralização 45 graus, sendo que estas amplitudes são reduzidas com a idade e na vigência de processos inflamatórios.

Exame e diagnóstico da cervicalgia

Ao recebermos um aluno reclamando de cervicalgia ou outros tipos de desconfortos cervicais precisamos realizar:

  • Inspeção;
  • Palpação;
  • Mobilização ativa e passiva;
  • Manobras especiais.

Durante essa inspeção precisamos observar se existem deformidades na coluna. Isso inclui:

  • Alterações da lordose cervical;
  • Posições antálgicas;
  • Anormalidades posturais;
  • Sinais traumáticos.

Durante esse diagnóstico também precisamos realizar a palpação da tireoide e dos pulsos carotídeos. A mobilização ativa e passiva tem como objetivo fornecer a amplitude de movimento e indicar qual deve ser o segmento cervical acometido.

Quando existir dor irradiada para o ombro, escápula e membro superior também precisamos fazer uma avaliação neurológica cuidadosa. A ênfase é nas alterações de reflexos, presença de parestesias ou paresias e distribuição dermatomérica.

Quais são as possíveis formas de prevenir a cervicalgia?

Precisamos lembrar que dor cervical é um problema bastante comum e grave. Ela causa incapacidades que impedem o indivíduo de trabalhar e realizar suas atividades diárias e merece muita atenção.

É exatamente por isso que devemos trabalhar para prevenir a cervicalgia, evitando tais problemas e ajudando nossos pacientes a não repetirem a experiência da cervicalgia.

Para isso, podemos utilizar exercícios de fortalecimento, alongamento, flexibilidade, entre outros. Outra alternativa é utilizar a instrução do aluno para melhorar as condições ergonômicas do seu espaço de trabalho e a realizar alongamentos e outros exercícios laborais para a prevenção.

Entre as estratégias ergonômicas é possível citar:

  • Ajuste da estação de trabalho;
  • Redesenho ou modificação ergonômica;
  • Avaliação da postura durante tarefas diárias;
  • Ajustes dos instrumentos de trabalho;
  • Mudança de função.

Certamente, ao recomendar exercícios preventivos para nossos alunos, queremos oferecer a eles as opções com melhores resultados. Por isso, selecionei uma revisão sistemática baseada no systematic reviews and meta-analysis of studies that evaluate physical healthcare interventions (PRISMA). O estudo comparou a intervenção com exercícios e ergonômica para prevenir a cervicalgia e pode trazer insights importantes para nossos próprios tratamentos.

Qual forma de tratamento é mais eficiente?

A revisão utilizou 5 estudos com um total de 3852 participantes com média de idade de 40 anos. 42% deles eram mulheres. Esses estudos investigaram duas estratégias para prevenir a cervicalgia: programas de ergonomia e exercícios.

Um dos estudos avaliou exercícios de alongamento e resistência que deveriam ser realizados durante o horário de trabalho duas vezes ao dia. Ele era combinado com exercícios domiciliares que deveriam ser adotados por 12 meses.

Outro sugeriu um programa aeróbio geral que incluía:

  • Exercícios de fortalecimento;
  • Estabilização;
  • Alongamento;
  • Informações sobre saúde;
  • Treinamento do controle do estresse;
  • Atividades práticas no local de trabalho.

Esse programa era realizado por 1 hora, 3 vezes na semana ao longo do período de 9 meses.

Os outros 3 estudos analisados estudaram os efeitos de programas de ergonomia quando comparados a nenhuma intervenção ou intervenção mínima. Infelizmente, os resultados não se mostraram muito satisfatórios. Existem poucos indícios de que somente o programa de ergonomia interfira para prevenir a cervicalgia.

Esses resultados também indicam que talvez existam outros fatores relacionados ao desenvolvimento de dor cervical além de adaptações ergonômicas no trabalho e na vida diária.

Os estudos que analisaram um programa de exercício, no entanto, mostraram evidência moderada do efeito benéfico de exercícios na prevenção. De acordo com eles, esse tipo de programa preventivo para prevenir a cervicalgia reduz o risco de dor cervical em 53%.

Conclusão

Apesar dos resultados apontarem exercícios como a forma mais eficiente de prevenir a cervicalgia, isso não nos deixa um tratamento definido. Os exercícios utilizados podem e devem variar de acordo com o caso, indo de abordagens focadas na cervical até exercícios de fortalecimento, alongamento e flexibilidade global.

Portanto, posso encerrar esse artigo recomendando que sempre avalie seu aluno para compreender melhor o que causou o primeiro episódio de dor. Talvez ele tenha uma combinação de desequilíbrios que um protocolo feito para outro indivíduo não atende.

Quer aprender ainda mais a respeito de avaliação do movimento para proporcionar o melhor tratamento e prevenção para seu aluno? Então confira meu curso de avaliação postural, que te dá informações ainda mais completas sobre o assunto.

Dificuldades de trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates

Dificuldades de trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates

Por acaso você já usou o comando de “segure o xixi” para sua aluna durante a aula? Isso é um problema bastante sério que acontece quando muitos profissionais tentam trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

Recomendo não utilizar esse comando e deixar o assoalho pélvico livre para prevenir sobrecarga. Quer entender por quê? É só continuar lendo e entender os motivos científicos para tantas dificuldades ao trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

Anatomia do Assoalho Pélvico

Quero mostrar algumas das principais dificuldades que profissionais do Pilates têm ao trabalhar o assoalho pélvico. Por isso, vale a pena fazer uma rápida revisão dele, que é formado por estruturas responsáveis por encerrar a pelve anteriormente, como:

As musculaturas do assoalho pélvico (MAP) são organizadas em músculos profundos e superficiais. Na camada superficial encontramos o períneo. Ele é constituído pelos órgãos genitais externos e o ânus. No MAP masculino, o períneo começa na bolsa escrotal e termina no ânus. Já nas mulheres, eles começa na vulva e termina também no ânus.

Encontramos os seguintes músculos na camada superficial do MAP:

  • Bulboesponjoso;
  • Isquicavernoso;
  • Transverso superficial;
  • Profundo períneo;
  • Esfíncter uretral externo;
  • Esfíncter anal externo.

Função das Musculaturas do Assoalho Pélvico (MAP)

A principal função das estruturas dessa camada é manter o fluxo urinário. Eles também promovem a ereção do clitóris e do pênis, além de proporcionar a ejaculação e as contrações da vulva durante o organismo. Outra importante função é proporcionar o parto.

A camada profunda do MAP é formada pelas seguintes musculaturas:

  • Isquioscoccígeos;
  • Levantadores do ânus (puborretal, pubococcígeo);
  • Levantador da próstata e pubovaginal;
  • Iliococcígeo.

Nessa cama encontramos as estruturas que formam o diafragma pélvico. Elas sustentam os órgãos internos, permanecendo contraídos durante todo o tempo.

Em eventos que causam aumento da PIA, como a tosse ou espirro, essas musculaturas realizam uma contração rápida. É esse reflexo que mantém os órgãos na posição normal. Sua atuação também controla a defecação e a micção. Os músculos possuem esfíncteres que permanecem fechados, só abrem quando a musculatura se relaxa.

Biomecânica do Assoalho Pélvico

Pesquisas corroboram com a descrição do músculos levantador do ânus como uma forma de cúpula dupla. Estima-se que o fascículo iliococcígeo tem uma forma de cúpula de convexidade superior.

Considerando que a maioria da população apresenta a nível de musculatura do assoalho pélvico uma morfologia de duplo cúpula de concavidade inferior, é possível imaginar que essa seria a morfologia normal para um MAP saudável.

Com a presença de duas cúpulas horizontais, é possível distribuir as forças exercidas pela cavidade torácica do abdômen em quatro pilares. Eles são:

  • Arco tendíneo da aponeurose obturante;
  • Núcleo fibroso central;
  • Anococcígeo raphia;
  • Cóccix.

Manter essa morfologia normal das cúpulas pélvicas é essencial para conseguir manter também a função insubstituível do assoalho pélvico. O fascículo iliococcígeo tem uma função especialmente importante que precisamos preservar ao trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

O que é o Fascículo Iliococcígeo?

Ele é o detentor dos órgãos pélvicos, a mesma função exercida pela aponeurose pélvica. Além disso, ele realiza o amortecimento da pressão exercida pelas vísceras no local durante esforços que causam hiperpressão na região abdominotorácica.

Durante tais esforços, as vísceras da pelve sofrem um deslocamento para baixo e para trás. Durante esse deslocamento, eles seguem a rota de um arco de círculo com um raio correspondente aos ligamentos útero sacros. Assim, forças oblíquas para baixo e para trás são aplicadas nas estruturas do MAP.

A força acontece em direção perpendicular às cúpulas pélvicas. Portanto, temos uma boa explicação para a forma do elevador do ânus sendo côncava para baixo e para trás. Ele auxilia na divisão de forças, deixando-as iguais em seus pilares.

A função de amortecimento do elevador do ânus permite também proteção dos plexos nervosos pudendo e hipogástrico. Se existe um problema nos pilares do MAP, as cúpulas provavelmente estarão lesionadas.

Como podemos trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates?

As dificuldades encontradas no trabalho de assoalho pélvico no Pilates são completamente justificáveis. Para entender isso, precisamos compreender também como o MAP é formado.

Ele tem uma elevada quantidade de tecido conjuntivo em sua formação. O tônus muscular necessário para todas suas funções e para amortecer o deslocamento das vísceras acontece com o uso de fibras musculares muito pequenas.

Assim, temos um pavimento pélvico formado por 80% de tecido conjuntivo e 20% de fibras musculares estriadas. Além disso, 80% dessas fibras musculares são de tipo I e 20% são de tipo II.

O músculo elevador do ânus é um excelente exemplo do funcionamento do assoalho pélvico. Ele é formado especialmente por fibras lentas, que são 70% da sua composição.

Musculatura Perineal

A filogênese nos indica que a pelve vem evoluindo para que consigamos nos adaptar à bipedestação. Assim, ela sofreu mudanças nas suas funções fundamentais de gestação e suporte das vísceras.

As mudanças de pressão também tiveram um efeito importante na pelve e no assoalho pélvico. Atualmente, um sistema complexo de fáscias e ligamentos são responsáveis pelo suporte dos órgãos da pelve menor. Com a nova distribuição de forças, a região passou a ser submetida a cargas diferentes.

A musculatura perineal sofre em especial com os frequentes aumentos da PIA. As alterações pressóricas podem gerar alterações na composição muscular na região, podendo até diminuir o número de fibras tipo II no elevador do ânus.

Caso o assoalho pélvico passe por essa alteração de composição muscular ele perde boa parte da sua função. Assim, os pacientes sofrem com o surgimento de diversas patologias, como:

Capacidade de controle da parede abdominal

Outro problema que encontramos ao tentar trabalhar o assoalho pélvico no Pilates é o controle da parede abdominal. Durante a força, ela deve mobilizar-se para dentro. Assim, as vísceras deslocam-se para baixo e para trás em direção ao pavimento, que realiza seu suporte.

Só existe um probleminha: ao longo da maturação dos músculos abdominais nós perdemos boa parte da nossa capacidade de controlar a parede abdominal. Ao redor dos 8 anos de idade já começamos a perder a eficiência dessa musculatura

Como resultado, a parede abdominal sofre um deslocamento anterior e a parede anterior da vagina se desloca para baixo e para a frente durante a contração do transverso do abdômen. Isso pode ou não estar relacionado à hipotonia do assoalho pélvico que existe em boa parte dos indivíduos.

A cavidade abdomino-pélvica está cercada pelo:

  • Diafragma (acima);
  • Coluna vertebral (atrás);
  • Costelas (na porção superior);
  • Pelve (abaixo).
  • Diafragma pélvico (encerramento inferior).

A PIA aumenta para realizar algumas ações fisiológicas, como espirrar, tossir, defecar, vomitar e fazer outros tipos de esforços. Para diminuir a PIA, a área do abdômen diminui através da ação sinérgica de estabilizadores da coluna e músculos profundos do abdômen.

Esse mecanismo é o responsável por distribuir a pressão aumentada pelas paredes do assoalho pélvico. Com a contração do diafragma e dos músculos do abdômen a PIA também aumenta. Em situações normais e com o MAP em seu funcionamento fisiológico, a PIA sofre elevação para conter as vísceras no seu posicionamento.

Porém nem todos têm músculos abdominais com força e controle o suficiente para gerar o movimento para baixo das vísceras e uma contração sinérgica do assoalho pélvico. Alguns fatores de risco alteram esse mecanismo, incluindo:

  • Gravidez;
  • Parto;
  • Disfunções do pavimento pélvico;
  • Disfunções do diafragma torácico;
  • Dor lombar.

Desafios para o Pilates

Quem trabalha com movimento tem um grande desafio pela frente. A vida moderna proporciona a hiperpressão no corpo por causa da bipedestação e diversos outros fatores. Além disso, o conforto trazido pela tecnologia aplicada à vida diária criou uma vida que é gerida pelo sistema nervoso parassimpático. Portanto, existem diversas alterações no sistema corporal.

O sedentarismo fez com que as musculaturas do assoalho pélvico se tornassem mais relachadas. Para resolver esse problema, muitos usam o comando de “segure o xixi” durante as aulas de Pilates. Mas isso é um erro que pode causar ainda mais dificuldades no futuro.

Comecemos entendendo que Joseph ou Clara Pilates nunca utilizaram esse comando no seu método original. Foi Paul Hodges que trouxe esse conceito para nossas aulas e, atualmente, ele mesmo admite que errou e que muitos também erraram na sua interpretação.

A pesquisa de Paul Hodges sobre o reflexo antecipatório postural ficou conhecida e recebeu poucas críticas. Ele mostrou que o transverso abdominal se contra cerca de 20 milissegundos antes de outras atividades musculares. Portanto, imaginava que seria necessário fortalecer todas as musculaturas que realizam suporte da coluna para protegê-la.

Como parte das musculaturas de suporte da coluna, o assoalho pélvico precisaria de um trabalho de fortalecimento nas aulas de Pilates. Mas lembra da composição muscular do MAP que mencionei anteriormente? Essas musculaturas só conseguem ficar contraídas por cerca de 6 segundos, talvez até menos na maioria dos indivíduos.

Passado esse tempo, elas ficam fadigadas e relaxam, deixando que as vísceras e o aumento da PIA desabem sobre o assoalho pélvico. Assim, sua contração por tempo elevado só causa mais carga, o que pode levar a incontinência urinária de esforço.

Para conseguir uma boa estimulação do MAP, precisamos ativar e tonificar as fibras do tipo I. Não é tão simples conseguir essa estabilização segmentar e, se ela for feita da forma errada, pode trazer problemas sérios.

Conclusão

O fortalecimento de assoalho pélvico no Pilates que alguns profissionais buscam é bastante problemático. Caso seja mal compreendido ou aplicado, nossa aluna será prejudicada e pode até desenvolver incontinência urinária. Além disso, boa parte das mulheres não consegue contrair o assoalho pélvico somente com comando verbal. Cerca de 80% delas empurram as vísceras para baixo quando recebem o comando, o que aumenta a sobrecarga do MAP.

Algumas vezes, pedir para a aluna “segurar o xixi” só vai prejudicar ainda mais seu assoalho pélvico e aumentar a sobrecarga. Na dúvida, é melhor abolir esse comando das nossas aulas e deixar o trabalho de MAP para profissionais da fisioterapia especializados em uro-gineco. Nesse método, é possível controlar a estimulação do períneo com o biofeedback.

 

 

Bibliografia
  • Marcel Caufriez1, 2, 3, 4, Juan Carlos Fernández Domínguez5, Benjamin Bouchant4, Marc Lemort6 y Thyl Snoeck1, 4, 7.
  • Université Libre de Bruxelles1. Bruxelles. Belgique. Universidad Castilla-la-Mancha2. Toledo. España. Universitat Gimbernat3. Barcelona. España. Laboratoire de Physiologie environnementale et occupationnelle4. Bruxelles. Belgique. Universitat Illes Balears5. Palma de Mallorca. España. Institut Jules Bordet6. Bruxelles. Belgique. Vrije Universiteit Brussel7. Bruxelles. Belgique.
Utilidade de Exercícios de Pilates para Reeducação Postural

Utilidade de Exercícios de Pilates para Reeducação Postural

Meu amor pelo Pilates vai bem além da prática e muita gente sabe disso. Estudar os exercícios de Pilates é a melhor maneira de investir na sua formação profissional e conseguir melhores resultados para seu aluno.

Por isso, separei aqui algumas análises cinesiológicas e biomecânicas de exercícios do Pilates. Em especial, foquei em movimentos usados na reeducação postural para conseguir melhorar a reabilitação de nossos pacientes. Falarei em especial do Hamstring Stretch, Spine Stretch, Torso Press Sit, Teaser, Short Box e variações do Hundred.

Por que devo conhecer os exercícios de Pilates?

Sabia que a biomecânica do Pilates pode melhorar muito sua aula? Dominando esse assunto, te garanto que sua aula deve melhorar muito! Além de conseguir melhores resultados para seus pacientes e alunos, você ainda consegue melhorar sua autoridade diante os alunos.

Quando eles reclamarem ou perguntarem por que precisam fazer esse exercício que não gostam, você terá a resposta! Nada impõe mais confiança do que um instrutor que sabe o que está fazendo e a única forma de conseguir isso é através do conhecimento.

Muita gente que, hoje em dia, trabalha com Pilates não conhece o método e suas nuances biomecânicas. Seu crescimento rápido e acelerado deixou furos no entendimento de boa parte dos praticantes. Por isso, não podemos deixar de estudar os exercícios de Pilates.

Hoje em dia temos métodos mais avançados para estudar o movimento. Por isso, conseguimos compreender ainda melhor a genialidade de Joseph Pilates.

Para complementar ainda mais a necessidade de estudo, é ele que cria pensamento crítico e analítico. Conhecendo como cada exercício funciona, você consegue escolher o protocolo de aula mais certo para seu aluno específico.

Te convenci a continuar estudando esse maravilhoso método? Então continue lendo para entender melhor alguns exercícios de Pilates.

Como comparar exercícios de Pilates?

Não vou comparar exercícios de forma a dizer que X exercício é melhor que Y para sua aula. Isso seria até impossível, porque todos eles são extremamente úteis em momentos específicos. O que podemos fazer é entender como cada movimento afeta as cadeias musculares, vetores articulares e outras estruturas do corpo.

É uma forma de compreender melhor os recursos praticamente infinitos que temos no Pilates e como aplicá-los. Para isso, usarei um estudo clínico aplicado em duas instrutoras de Pilates que realizou análises cinesiológicas qualitativas do movimento. Os observadores também calcularam ângulos de movimento, curvaturas e torques de resistência durante o exercício.

Hamstring Stretch na Chair e Spine Stretch no Cadillac

A primeira comparação que realizamos é entre o Hamstring Stretch na Chair e Spine Stretch no Cadillac. Ambos os movimentos são alongamentos direcionados à cadeia muscular posterior. Portanto, eles têm um uso importante nas correções posturais.

Durante o Hamstring Stretch o alongamento de cadeia posterior é um pouco mais limitado. Isso acontece por causa da posição inicial, com o corpo em bipedestação. Nessa posição os músculos da cadeia posterior trabalham para estabilizar a pelve e sustentar o peso do corpo. Portanto, encontram-se mais tensos e com menos potencial para alongamento.

Na posição em sedestação do Spine Stretch conseguimos um alongamento mais completo. Nela, os membros inferiores estão relaxados e são mais passíveis de alongamento. Isso significa que devemos escolher um no lugar do outro? Certamente não, só é importante conhecer seus principais usos.

Além do alongamento, esses exercícios de Pilates realizam um fortalecimento de músculos extensores de cotovelo. Isso acontece ao empurrar os pedais da Chair para baixo no Hamstring Stretch quando a flexão de tronco está completa. No Spine Stretch isso acontece no movimento de extensão do cotovelo que acontece junto da flexão de tronco para levar a barra para a frente.

Torso Press Sit na Chair, Teaser no Mat e Short Box no Reformer

Esses três exercícios de Pilates são conhecidos por seu excelente trabalho de fortalecimento, estabilidade e consciência corporal. Alunos iniciantes que ainda não têm força nas musculaturas trabalhadas dificilmente conseguem realizar as posições por muito tempo.

Durante os movimentos, o torque de resistência aplicado sobre as musculaturas é máximo. Portanto, os músculos precisam aplicar seu maior torque de potência para conseguir igualar ou vencer o torque de resistência. Nesse momento, conseguimos o melhor trabalho de musculatura abdominal.

Durante os exercícios Torso Press Sit e Teaser os membros inferiores oferecem o torque de resistência. Isso acontece por causa de sua posição que trabalha contra a gravidade. Para mantê-los estendidos no ar, o aluno precisa fortalecer as estruturas do tronco.

O Short Box exige um pouco menos da musculatura abdominal porque mantém os membros inferiores permanecem apoiados no Reformer.

O exercício Torso Press Sit ainda possui um trabalho de fortalecimento de extensores de ombro. No início do movimento o aluno deve realizar uma extensão contra a resistência da barra da Chair.

Hundred no Mat, Reformer e Cadillac

O Hundred no Mat pode ser considerado o mais simples de realizar. Nele o aluno possui apoio fixo para todo o corpo e só precisa realizar o movimento. No Cadillac o apoio é igualmente fixo, porém ainda existe a necessidade de segurar a barra, o que deixa o exercício um pouco mais difícil.

Além disso, no Cadillac o exercício começa a partir da posição neutra dos ombros, o que não ocorre nas outras duas variações.

O Reformer apresenta maior dificuldade por causa da resistência das molas. Nesse movimento o aluno começa com a cabeça apoiada no equipamento (algo que não ocorre no Cadillac e no Reformer) para depois entrar na posição do Hundred. Por causa da maior resistência, a amplitude de movimento também tende a ser menor.

Conclusão

O Método Pilates é uma ótima forma de proporcionar ao seu aluno a melhor Reeducação Postural possível. Espero que você tenha gostado dos exercícios que separei levando em consideração algumas análises cinesiológicas e biomecânicas de exercícios do Pilates.

Qual é o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Qual é o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Quem trabalha com alunos com dor no joelho certamente já encontrou um caso de tratamento de dor patelofemoral. Ela é tão comum, mas mesmo assim continuamos confusos a respeito do seu tratamento.

Alguns sugerem que a dor seja causada principalmente por um desequilíbrio de quadríceps. Por isso, seu tratamento deveria ser feito focando nesse grupo muscular. Outros, afirmam que uma fraqueza e falta de ativação de Core e músculos do quadril também está envolvida e eles devem fazer parte do tratamento.

Mas como será que realmente podemos fazer o tratamento da dor patelofemoral? Continue lendo para aprender.

O que é dor patelofemoral?

A dor patelofemoral é uma das causas mais comuns de dor no joelho. Sua principal característica é dor na região anterior do joelho que piora durante as atividades físicas. Pacientes com a patologia frequentemente reclamam da dor ao agachar, subir escadas, pular e correr. Alguns também sentem o sintoma depois de muitas horas sentados.

Estima-se que 20% dos casos de dor no joelho em clínicas de ortopedia correspondam a essa síndrome. Ela também está presente em ao redor de 30% a 33% dos casos nas clínicas de reabilitação esportiva. Ou seja, é fundamental entendermos as melhores opções de tratamento para nossos pacientes.

Os mais afetados pela síndrome da dor patelofemoral são as pessoas ativas. Por isso, corredores, militares e atletas estão entre nossos principais pacientes com o problema.

Fatores de Risco

Os fatores etiológicos da patologia não são completamente conhecidos. O que podemos observar são alguns fatores de risco, que incluem:

  • Diferenças estruturais na pelve feminina;
  • Anterversão femoral;
  • Ângulo Q aumentado;
  • Torção tibial;
  • Fraqueza do quadríceps;
  • Frouxidão ligamentar do joelho.

Tais fatores geram alterações anatômicas e biomecânicas a nível de membros inferiores. Como resultado, o paciente desenvolve a síndrome da dor patelofemoral e toda a limitação de movimentos que a acompanha. Considerando os fatores de risco, podemos destacar aqui dois grupos mais suscetíveis à patologia: mulheres e atletas.

Tratamento tradicional

Tradicionalmente, o tratamento da dor patelofemoral está relacionado ao desequilíbrio entre os músculos vasto medial e vasto lateral. Como resultado desse desequilíbrio, a articulação patelofemoral acabaria sobrecarregada. Portanto, o tratamento mais indicado seria fortalecimento de quadríceps.

Estudos mostram que realmente, indivíduos com síndrome da dor patelofemoral possui padrões de ativação dos vastos diferente daqueles de pessoas saudáveis. Mas isso não significa que o único tratamento possível para a síndrome estaria no quadríceps.

Relação entre dor e fraqueza muscular

Como sabemos, o corpo possui compensações que não ficam contidas somente na região lesionada ou com dor. Portanto, algumas teorias também estimam que exista uma conexão entre fraqueza de musculaturas do quadril e do Core a dor patelofemoral.

No tratamento da dor patelofemoral mais usado, a maioria dos exercícios seriam atividades em cadeia cinética fechada para fortalecer estabilizadores do joelho. Esses movimentos teriam como objetivo proporcionar alívio da dor e retorno às atividades diárias. Por isso, também existe um foco nos exercícios que simulam atividades como corrida e agachamento.

Mas, considerando a possibilidade de também existir fraqueza de quadril e Core, será que devemos complementar esse protocolo de tratamento?

Proposta de tratamento com Core e quadril

Algumas teorias consideram que existe mais que fraqueza muscular de quadríceps por trás dos casos de dor patelofemoral. É possível que desequilíbrio, déficit ou fraqueza dos estabilizadores do quadril e Core também estejam entre as causas.

Portanto, podemos utilizar uma nova proposta de orçamento que envolva essas musculaturas de maneira global. Na tentativa de entender qual seria a melhor maneira de tratar nossos pacientes com a síndrome, um estudo comparou as duas opções de tratamento.

Protocolo de tratamento da dor

No estudo, utilizou-se um protocolo de tratamento da dor patelofemoral focado no fortalecimento de músculos do joelho para um grupo. O segundo grupo recebeu exercícios para fortalecimento de músculos estabilizadores do quadril e Core.

Ambos os protocolos do estudo aconteceram por 6 semanas, avaliando 146 pacientes ao total no fim do experimento. Como esperado, o tratamento para fortalecimento de joelho obteve resultados para alívio da dor e retorno da função nos pacientes com a síndrome. Porém, ele não foi o único. O tratamento utilizando exercícios para Core e quadril conseguiu resultados bastante similares.

Portanto, é possível que realmente exista uma conexão entre fraqueza dessas estruturas e a síndrome da dor patelofemoral. Conforme percebido no estudo, trabalhar com fortalecimento dessas musculaturas é interessante para quem busca o alívio da dor do aluno.

Qual tratamento é mais eficiente?

Ok, deu para entender que o quadril e Core têm alguma relevância no tratamento da dor femoropatelar. Mas existe um deles que é mais eficiente que o outro?

O estudo que mencionei também tentou responder essa pergunta. Para compreendermos melhor, vale a pena conferir os resultados. 80% dos pacientes tratados com protocolo para quadril conseguiram melhora. No grupo de fortalecimento de joelho, 77% conseguiu melhora. A diferença é praticamente insignificante entre os dois grupos.

Quando a questão é dor, os pacientes no grupo de quadril conseguiram alívio dentro de 3 semanas de tratamento. Quem estava se tratando com fortalecimento de joelho teve alívio em 4 semanas de tratamento.

Resultados

Assim, percebemos que o tratamento incluindo músculos do quadril e Core foi um pouco mais eficiente no alívio da dor. Isso não significa que a outra opção não tenha resultados, mas pacientes conseguiram esse resultado com 1 semana de diferença.

Com o avançar do tratamento, os resultados tornaram-se bastante similares. Em 6 semanas os dois programas conseguiram a reabilitação dos pacientes, apesar da porcentagem levemente menor do grupo de joelho.

Considerando a semelhança de resultados, sobre uma dúvida: qual seria o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Conclusão

Quem segue meu blog sabe que falo muito em avaliação. Na verdade, tenho até um curso direcionado especificamente para avaliação postural. Existe um motivo simples para isso: sem avaliação, nosso aluno não conseguirá o tratamento que merece.

Antes de dizer para você usar esse ou outro protocolo de tratamento, quero que você avalie seu aluno. O melhor tratamento da dor patelofemoral é aquele que está melhor adaptado para suas circunstâncias únicas.

Sabendo que trabalhar fortalecimento de quadril e Core nos trazem resultados similares ao fortalecimento de joelho, podemos misturar as propostas para conseguir melhores tratamentos.

 

 

Bibliografia
  • Atividade eletromiográfca do vasto medial oblíquo e vasto lateral durante atividades Funcionais em sujeitos com síndrome da dor patelofemural. São Carlos: [s.n.], 2008. Disponível em: <http://www.redalyc.org/html/2350/235016539009/>. Acesso em: 12 nov. 2018.