Na avaliação postural estática observamos somente os pontos anatômicos de forma estática. Só depois juntamos todos nossos achados à avaliação dinâmica, entrevista, testes específicos, dentre outros. Costumo brincar que a avaliação é um divertido jogo de quebra cabeça. Nele as peças vão se juntando uma a uma para que entendamos o corpo que nos pediu ajuda.

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Critérios para a avaliação postural

A avaliação postural estática deve seguir alguns critérios importantes:

  • Posição do invidívuo: posicionaremos o indivíduo de forma que consigamos dar a volta por seu corpo. Não devemos mexe-lo durante a avaliação para não alterarmos suas influencias tônicas.
  • Posição do profissional: devemos nos posicionar exatamente na linha média do avaliado para que não haja nenhum tipo de interferência visual.
  • Início: começamos com o indivíduo em pé, da maneira mais confortável possível e sempre começamos nossa análise de baixo para cima.
  • Duração: devemos ser o mais rápidos possível em nossa análise. Também é preciso explicar ao avaliado que todos temos assimetrias, nosso objetivo é tentar deixar o avaliado o menos constrangido possível.
  • Vestimenta: a vestimenta ideal para a avaliação para as mulheres é um biquíni, já para os homens sunga. É impossível se realizar uma boa avaliação de top (que esconde parte dos processos espinhosos) ou de bermudas, no caso dos homens (a observação dos joelhos é imprescindível para nossa análise).
  • Mãos: a apresentação das nossas mãos ao avaliado é muito importante, portanto elas devem estar aquecidas e serem firmes, para gerar segurança. Sobretudo, quando formos toca-lo devemos pedir sua permissão.
  • Maneira de falar: fale tranquilamente com o avaliado, mas com firmeza, explicando a necessidade de cada manobra da avaliação que será realizada.

Unidades corporais importantes na avaliação

unidades corporais importantes para avaliação postural estáticaAntes de começarmos nossa avaliação estática faz-se necessário alguns conhecimentos anatômicos de cada unidade corporal:

O membro inferior é formado por três unidades de coordenação segundo Bézieres e Piret:

  • O pé, que dirige o movimento;
  • A unidade ilíaca, que se divide entre o papel de apoio ligado ao tronco e o papel dinâmico do membro. Ou seja, faz o membro inferior participar do tronco. É a perna, que transmite a tensão e movimento ao pé.

Estas três unidades citadas acima caracterizam na realidade a única Unidade de Membro Inferior.

A base do esqueleto do membro inferior é formado pelos dois ossos do quadril, sendo os ilíacos (direito e o esquerdo) que são unidos então pela sínfise púbica e pelo sacro. O cíngulo do membro inferior e o sacro formam juntos a Pelve Óssea.

Os ossos do membro inferior podem ser divididos em quatro segmentos:

  • Cintura pélvica: ilíacos direito e esquerdo
  • Coxa: fêmur e patela
  • Perna: tíbia e fíbula
  • Pé: ossos do pé

Funções do membro inferior

funções do membro inferior na avaliação postural estáticaO membro inferior tem função de sustentação do peso corporal, da locomoção e a manutenção do equilíbrio. Também tem a função de transferência estável de peso durante a marcha ou corrida por exemplo.

Mais precisamente falando dos joelhos, esta é considerada a mais complexa articulação do corpo humano do ponto de vista anatômico e funcional. É formada pela articulação Tibiofemoral e Patelofemoral.

Na articulação Tibiofemoral em sua extremidade distal do fêmur encontram-se os côndilos, que se articulam com:

  • Tíbia;
  • Grandes;
  • Convexos.

São divididos por um sulco central que forma a superfície articular da patela. Os côndilos são cobertos por cartilagem hialina espessa. Assim eles são capazes de suportar as forças extremas sobre as superfícies articulares durante a descarga de peso.

Na porção proximal da tíbia, conhecida como “platô tibial”, encontram-se duas conchas achatadas que são niveladas anteriormente pela diáfise da tíbia. Esta superfície está alinhada com cartilagem hialina onde se acomodam os côndilos femorais. Na divisão entre os platôs medial e lateral, encontra-se a região intercondilar.

Já a articulação patelofemoral é formada pela cavidade troclear e as facetas posteriores da patela (o maior osso sesamóide ), onde se interpõem o quadríceps. Do vértice inferior da patela até a tuberosidade anterior da tíbia, encontra-se o tendão patelar.

Por sustentar altas forças e estar situada entre os dois braços de alavanca mais longos do corpo, sendo estes, fêmur e tíbia, torna esta articulação particularmente mais suscetível a agravos.

Em flexão de joelho, sendo esta a posição de movimento de maior instabilidade, esta articulação está sujeita a lesões ligamentares e meniscais.

Em extensão de joelho, sendo esta a posição de movimento onde há maior estabilidade, torna esta articulação mais sujeita, mais vulnerável a fraturas e rupturas ligamentares.

Relação do joelho com exercícios

avaliação postural estática para determinar a relação entre joelhos e exercíciosTratando-se de joelhos e sua relação com exercícios, alguns estudos mostram que em um agachamento, por exemplo, existe a cocontração dos músculos isquiotibiais e quadríceps. Em pequenos ângulos de flexão, essa cocontração diminui a translação anterior da tíbia e a rotação interna causada pelo quadríceps.

Contudo, em ângulos acima de 60º essa cocontração faz com que a tíbia se desloque posteriormente e rode externamente. Esse deslocamento posterior e a rotação externa aumentam a pressão na patela. Também aumentam a força de contato articular é maior acima de 50º e a cocontração dos isquiotibiais aumenta a pressão a partir de 60º.

Powers et al analisou exercícios de agachamento para análise de onde haveria maior estresse da articulação femoropatelar.  Mostrou que as angulações que produziram maior força de estresse desta articulação acima citada significativamente foram nas seguintes angulações de flexão de joelho:

  • 90º;
  • 75º;
  • 60º.

Sendo assim concluíram pela pesquisa realizada que para minimizar o estresse femoropatelar ,os dados sugerem que o exercício de agachamento deve ser realizado de 45 ° a 0 ° de flexão do joelho e não chegando a flexão de 90º onde há grande compressão articular.

Desequilíbrios nos membros inferiores

avaliação postural estática determina desequilíbrios de membros inferioresO membro inferior pode ser considerado como uma cadeia cinética. Como tal, pressupõe-se que uma alteração biomecânica em um dos complexos articulares dessa cadeia pode influenciar negativamente a biomecânica e função dos demais complexos.

O alinhamento do joelho no plano frontal tem sido alvo de pesquisas, principalmente por conta de sua importância clínica. A incongruência dos membros inferiores, em especial a do joelho, pode estar relacionada com instabilidades e dores articulares.

Desordens nessas estruturas podem trazer, ainda, problemas na:

  • Sustentação muscular;
  • Tendões;
  • Ligamentos;
  • Retináculos.

Assim ocorrem alternações do joelho em varo ou valgo. Portanto, altera a função dos joelhos e sobrecarga compressiva em algum ponto da articulação dependente de qual desalinhamento apresentar.

A literatura tem demonstrado que um moderado desalinhamento frontal do joelho piora o prognóstico de doenças degenerativas, como a osteoartrite por exemplo. Dependendo da orientação do desvio do joelho, se em valgo ou em varo, mesmo que de apenas 10 (dez) graus, as forças articulares tanto estática quanto dinâmica não mais homogeneamente distribuídas favoreceriam o surgimento de processos disfuncionais e até mesmo patológicos desta articulação. Articulações próximas também seriam afetadas.

Sabemos que o corpo tem unidades de cadeias musculares separadas didaticamente. Na verdade, elas se complementam na realidade corporal perante um desarranjo, seja articular, seja fascial, muscular e/ou outros tecidos moles.

Os pés

influência dos pés na avaliação postural estáticaA frente de nosso avaliado iniciamos a nossa busca por:

  • Artelhos em flexão;
  • Cravados ao solo;
  • Indicativo de uma cadeia de flexão;
  • Artelhos em extensão.

Ao contrário:

  • Indicativo de uma cadeia de extensão;
  • Indicativo de halux valgos (cadeia de abertura dos membros inferiores);
  • Indicativos de possíveis doenças reumatológicas.

Além, de calosidades que nos guiarão por pontos de maior apoio desses pés ao solo. Porém, nesse caso, devemos ficar bem atentos por conta da má ergonomia proporcionada pelos sapatos. Em geral, são de bicos finos gerando uma força externa capaz de gerar essa alteração. Isso é especialmente comum em mulheres com o advento do salto alto que diminui o polígono de sustentação consideravelmente.

papel dos membros inferiores na avaliação postural estáticaMembros inferiores

Analisamos as tíbias, se são varas ou ligeiramente valgas. Ande avaliaremos: possíveis questões racionais, indicativas de uma tíbia mais vara, no caso dos orientais, patelas, se estão em rotação externa, cadeia de abertura dos membros inferiores, ou se elas encontram-se em rotação interna.

Esse sinal nos dá indícios de uma cadeia de fechamento dos membros inferiores. Seguimos nossa busca por uma possível tensão excessiva do quadríceps, indicativo de uma patela trabalhando em alta, sendo uma das possíveis causas de dores fêmuro-patelares.

Pelve

pelve na avaliação postural estática

Na pelve buscaremos os seus pontos ósseos através da palpação. Identificaremos qual lado da crista ilíaca e da Espinha ilíaca Antero superior se encontram mais altos comparativamente ao lado oposto. A crista ilíaca é subcutânea, sendo ponto de origem e de inserção de vários músculos. Nenhum músculo a cruza o que torna a crista facilmente palpável.

Devemos nos posicionar agachados a frente do avaliado onde repousaremos nossas mãos paralelamente ao solo, na altura da cintura do avaliado. Caso o paciente seja obeso e tenhamos dificuldade de encontra-las solicitamos que o indivíduo tussa acionando o músculo transverso. Seguidamente penetramos com nossas mãos por sobre a crista ilíaca, no momento do relaxamento muscular. Apoiamos firmemente nossas mãos sobre as cristas onde buscaremos encontrar qual dos lados encontra-se mais alto.

Para um exame normal as cristas devem estar na mesma altura. A partir desse ponto ósseo deslizamos nossos polegares ao redor da crista onde encontraremos uma discreta depressão óssea. Encaixamos nossos polegares nessa depressão aí estaremos nas espinhas ilíacas Antero superiores (EIAS) que para um exame normal devem estar alinhadas. Caso não estejam anotaremos qual EIAS encontra-se mais alta em comparação ao lado oposto.

como usar a pelve na avaliação postural estática

Unidade Tronco

Pela vista frontal buscaremos em nossa análise por:

  • Pregas cutâneas abdominais, indicativas de uma possível tensão dos retos abdominais, pertencentes a cadeia muscular de flexão do tronco.

Subindo nosso olhar analisaremos o ângulo de Tales. Buscaremos num exame normal a simetria dos ângulos, caso um deles encontre-se mais agudo (menor que 90 graus). Pode nos suscitar a pensar numa possível escoliose de concavidade para esse lado. Essa análise deverá ser confirmada na vista posterior.

Devemos também observar a articulação dos ombros, buscando por possíveis enrolamentos internos. Eles nos apontam encurtamento dos músculos acessórios (peitorais maior e menor, e rotadores internos). Devemos analisar na altura dos ombros qual das articulações acrômio-claviculares encontra-se mais alta. Nesse momento faz-se necessário seguirmos uma boa metodologia. Esse ponto articular é fundamental para definirmos se estamos diante de uma lesão que ascende ou descende.

Para palpar a articulação acrômio-clavicular posicionamos nossos dedos na porção média da clavícula e caminhamos cerca de 2 cm lateralmente. Nesse ponto encontraremos a articulação acrômio clavicular, para confirmarmos se estamos no lugar exato do ponto articular buscado.

Solicitamos que o indivíduo flexione e estenda seu membro superior algumas vezes. Certificando-nos de estarmos corretos em nossa análise com a movimentação desse ponto, pois o mesmo é articular. A partir de então, também de forma comparativa anotaremos qual das articulações encontra-se mais alta, indícios de escolioses ou translações de tronco.

Seguimos nosso olhar em busca de rotações de pelve e tronco (indícios de cadeias cruzadas na unidade pelve e tronco respectivamente).

Unidade Cervical

avaliação postural estática da unidade troncoNa unidade cervical, observamos se existem desvios laterais na cervical. Eles nos indicam possíveis compensações compensatórias na busca do equilíbrio corporal em função de escolioses, além do posicionamento da cabeça.

Pés

avaliação postural estática dos pés

Começaremos nossa análise pela avaliação dos arcos plantares que são dois:

  • Arco longitudinal;
  • Arco transversal, que devem estar preservados para um exame normal.

Na flexão plantar: a combinação da flexão plantar do tornozelo se dá em conjunto pela supinação da borda interna do pé e pela supinação do arco plantar. Isso acontece porque grande parte dos músculos que realizam a flexão plantar são também supinadores.

A organização dos pés é fundamental para nosso equilíbrio estático, nossa marcha, e para toda a construção da nossa postura. A tíbia leva sozinha o peso do corpo ao pé e é desprovida de músculos. A fíbula conduz a maior parte dos músculos que seguem até o pé. Os fibulares passam por detrás dos maléolos, e realizam por direcionamento trações para trás e para fora, para que essas trações musculares não gerem o deslocamento gravitacional para fora o retropé se basculará em direção ao halux contribuindo para a formação do arco anterior do pé.

unidade pés na avaliação postural estáticaEm contrapartida todas as trações sobre a cabeça femoral acionam o polígono de sustentação e asseguram ao mesmo tempo:

  • Flexão e extensão;
  • Tração de inversão de rotação externa dada pelos glúteos.

O Sartório será responsável por girar a tíbia em rotação interna colocando os tibiais em ação, levando o pé para a adução. O quadril girará para fora e essa sincronia mecânica muscular:

  • Sartório;
  • Tibiais;
  • Fibulares.

Esses são condutores do movimento gera um tensionamento de todo membro inferior, mantendo sua forma, organizando a flexão e extensão do quadril, joelho e tornozelo. Sendo os responsáveis pela formação do arco longitudinal do pé.

Em resumo, o mecanismo de enrolamento dos metas do primeiro ao quinto constituem a formação do arco anterior do pé. Já o arco longitudinal (arco plantar) é formado pela mecânica de tensionamento do arco anterior e pelo sistema de flexão-extensão-torção que reduz a ação do arco anterior, alinhando e organizando os pés.

A partir de então avaliaremos a angulação tíbia társica que para um exame normal deverá estar próxima a 90 graus. Caso esteja diminuída, indicativo de uma possível propulsão corporal, que pode ser gerado pelo encurtamento dos músculos isquiotibiais. Caso esteja acima de 90 graus já pensaremos em uma retro pulsão corporal indicativo de um possível encurtamento do tríceps sural.

Membros inferiores

avaliação postural estática dos membros inferioresSeguimos analisando o posicionamento dos membros inferiores, se estão em extensão (cadeia de extensão dos membros inferiores) gerando falsos varos ou falsos valgos.

Caso estejam em flexão fator preponderante para a indicação de que os membros inferiores funcionam em solidariedade a cadeia muscular de flexão originando verdadeiros varos ou valgos. Lembrando que podemos encontrar então 4 tipos de joelhos:

  • Verdadeiro Varo: uma cadeia de flexão + uma cadeia de abertura, ou seja, um flexo de joelho associado a uma rotação externa do fêmur e demais conformações ao longo do membro inferior.
  • Verdadeiro Valgo:  uma cadeia de flexão + uma cadeia de fechamento, ou seja, um flexo de joelho associado a uma rotação interna do fêmur e demais conformações ao longo do membro inferior.
  • Falso Varo:  uma cadeia de extensão + uma cadeia de fechamento, ou seja, uma hiperextensão de joelho associada a uma rotação interna de fêmur e demais conformações ao longo do membro inferior.
  • Falso Valgo:  uma cadeia de extensão + uma cadeia de abertura, ou seja, uma hiperextensão de joelho associada a uma rotação externa do fêmur e demais conformações ao longo do membro inferior.

Unidade Pelve

Precisaremos observar o posicionamento da unidade pélvica, que deve apresentar a conservação da curvatura lordótica na vista lateral. Caso ela esteja ausente, excesso de tensão dos isquiotibiais e abdominais geram uma retroversão. No caso da curvatura aumentada, excesso de tensão dos quadrados lombares e quadríceps gerando a hiperlordose lombar.

É preciso observar o posicionamento do sacro. Se estivermos diante de um aumento da curvatura lordótica encontrar-se-á horizontalizado. Esse é o indicativo de uma tensão em toda cadeia de extensão unidade tronco que se insere no sacro.

Unidade Tronco

Seguiremos nossa observação em busca da preservação ou não das curvaturas vertebrais esperadas: cifose torácica, lordose lombar, e cifose craniana.

Unidade Cabeça

Analisaremos aqui o posicionamento da cabeça, se a mesma se encontra em protrusão, indicativo de uma cadeia muscular de flexão na unidade cervical.

Vista posterior:

Unidade Pé

unidade pé na avaliação postural estática

Começamos nossa análise pelo posicionamento do retro pé do indivíduo, e pela busca de possíveis varos ou valgos de tornozelo que podem ser compensatórios ou não.

Unidade membros inferiores

Somente confirmaremos as conformações já destacadas anteriormente, de possíveis varos ou valgos de joelhos.

Unidade Pelve

Subimos nossa visão até a prega glútea, que em caso de desalinhamentos poderão estar ligadas a diferenças reais de comprimentos dos membros inferiores ou fraqueza muscular, gerada pelo desequilíbrio pélvico. Além da palpação do posicionamento da espinha ilíaca póstero superior (EIPS), onde o profissional se posicionara atrás do avaliado, as EIPS são facilmente palpáveis, pois repousam imediatamente abaixo das depressões circulares encontradas logo acima das nadegas. Palparemos comparativamente a direita e a esquerda, em seguida anotaremos qual dos lados encontra-se as EIPS mais altas.

 

Unidade Cervical

O exame se conclui pelo posicionamento da coluna cervical, se a mesma se encontra translada, ou inclinada para alguns dos lados.

Cicatrizes no corpo

Ainda na avaliação estática nossos olhos atentos percorrerão pelo corpo do avaliado buscando por cicatrizes. Barral foi o primeiro a afirmar em suas pesquisas que uma cicatriz de má formação em sua teia de matriz cicatricial poderá alterar o funcionamento mecânico de um corpo. Logo se faz de extrema necessidade que em nossa avaliação busquemos por essas cicatrizes que podem estar intoxicando o sistema musculoesquelético.

As cicatrizes tóxicas, estas que são capazes de alterar o funcionamento mecânico corporal, são formadas depois de um ferimento ou intervenção cirúrgica. Elas ficam em constante reação com estímulos internos e externos.

Identificando cicatrizes tóxicas

Uma cicatriz tóxica pode induzir uma contratura muscular do músculo em questão, pode também por vez, modificar o tecido conjuntivo e o líquido extracelular que o circunda, comportando-se como uma área reativa, denominada “campo perturbador”.

As cicatrizes da face, as laterais de tronco e as medianas da parede anterior do abdômen são as mais reativas. As cicatrizes horizontais são as mais nocivas para o desarranjo biomecânico.

Podemos ter uma cicatriz grande em sua extensão e não representar nenhuma disfunção corporal, bem como podemos ter uma pequena cicatriz e ser esta a desencadear modificações teciduais no conjuntivo, causar também uma desregulação exteroceptiva, implicando um obstáculo na correção postural.

A pele é o maior órgão do corpo humano, esta dotada de muitas terminações nervosas livres, dentre elas encontramos grande quantidade de exteroceptores como por exemplo, os órgãos de Ruffini e Discos de Merkel atuando também como mecanorreceptores, eles são extremamente sensíveis. Por exemplo em uma cicatriz anterior de tronco provoca uma projeção anterior do corpo buscando relaxar o estiramento do exteroceptor, a fim de que haja um ajustamento no tônus muscular.

A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano exposto ao meio ambiente, está sujeita a uma troca continua de informações. Quanto este sistema de entrada é perturbado por uma cicatriz, sua função e capacidade de interação com o ambiente interno e externo ficam prejudicadas.

Algumas dicas podem ser importantes no momento de avaliar se a cicatriz é tóxica (patologica) ou não.

Aspectos de uma cicatriz normotrófica:

  • Coloração: próxima ao tom da pele.
    • Textura fina.Aspectos de uma cicatriz tóxica:
  • Coloração: tons de vermelho, variando entre tons claros e escuros – e acastanhado;
    • Retrações;
    • Quelóides;
    • Alto relevo;
    • Trofismo: atrófica, hipertrófica.

Mas esta avaliação ainda não se faz o suficiente para obtermos a assertividade se estamos diante de uma cicatriz capaz de se tornar um bloqueio à correção postural ou não; assim seguem duas técnicas a fim de assegurarmos sobre sua toxicidade.