Você lembra de analisar os padrões respiratórios dos seus alunos e pacientes? Ela é tão importante quanto todo o restante do processo de avaliação. Se deixar realizar a avaliação respiratória também deixamos de entender como funciona o diafragma desse aluno.

Durante qualquer exercício o aluno trabalha sua respiração. Sem compreendermos como ela funciona nesse corpo corremos o risco de errar nas aulas e tratamento. Quer realmente aprender a avaliar a respiração do seu aluno? Continue lendo.

Nesse artigo ensino uma maneira simples de realizar a avaliação respiratória e obter resultados eficientes para sua aula. Você também vai aprender como identificar como trabalha o diafragma do aluno, deixando seus atendimentos muito mais eficientes.

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Importância da avaliação respiratória

A vida moderna e os fatores de stress que aumentam a cada dia são bastante prejudiciais para a respiração. Em primeiro lugar temos os hábitos como o tabagismo que prejudicam todo o sistema respiratório. Mas não é deles que vamos falar nesse artigo. Falaremos de algo bem mais sutil que precisa de uma boa avaliação para ser identificado: os padrões respiratórios. Hoje em dia encontramos cada vez mais padrões respiratórios alterados e devemos saber identificá-los.

Durante uma avaliação para começar com um programa de atividades físicas devemos avaliar e identificar o padrão respiratório do indivíduo. Através dessa etapa você, o instrutor, consegue identificar:

  • Tensões que afetam o diafragma;
  • Respiração torácica ou abdominal;
  • Se trabalha em expiração ou inspiração.

Por que preciso saber tudo isso? Não chego a trabalhar diretamente com o diafragma a não ser que trabalhe com fisioterapia respiratória, certo? Não! A respiração é uma parte essencial da nossa prática, seja com Pilates ou com fisioterapia. O diafragma é um músculo que possui suas inserções fixas na coluna lombar e é de vital importância para mantermos uma boa mecânica de funcionamento do nosso principal músculo inspiratório.

Dicas para avaliar

Posicionaremos o avaliado em decúbito dorsal, com os joelhos fletidos e a cabeça em leve flexão. Posicionaremos então nossos polegares abaixo do apêndice xifoide e solicitamos para o indivíduo inspirar e expirar profundamente. Para um diafragma livre de tensões num teste normal, os polegares deverão subir no momento da inspiração e descer na expiração. Isso acontece de forma sincrônica e com a mesma excursão, tanto na inspiração como na expiração.

Alterações no teste

Observaremos no teste as seguintes possíveis alterações:

  • No momento da inspiração os polegares são muito elevados e não abaixam quando na expiração. Isso nos traduz um diafragma que trabalha em baixa, gerando uma respiração torácica. Estaremos diante de um diafragma hipertônico. Podendo inclusive alterar a conformação óssea do manúbrio, observaremos então um peito escavatum.
  • No momento da inspiração os polegares não sobem, porém quando na expiração os polegares descem muito. Traduzimos assim que esse diafragma trabalha em alta, funcionando em expiração, logo estaremos diante de um diafragma hipotônico. Poderemos estar diante de um peito de pombo.

No caso de dúvidas, quando as alterações são muito discretas podemos ainda realizar um teste de cinesiologia aplicada. Neste teste o indivíduo permanece em decúbito dorsal, com os membros inferiores e cabeça relaxados e apoiados na maca. Escolheremos qualquer músculo do corpo para testarmos sua força. Elegerei aqui o bíceps somente como forma de explicitar o teste.

Manteremos um dos membros superiores em flexão de cotovelo, solicitando ao avaliado que não permita que o avaliador estique seu cotovelo. Assim mantemos assim uma contração isométrica, a partir de então solicitamos sua respiração. Caso o avaliado consiga manter a forca isométrica do bíceps tanto na inspiração como na expiração o teste é interpretado como normal. Caso o avaliado perca sua força na inspiração estaremos diante de um diafragma que trabalha em baixa, no caso hipertônico.

Caso o avaliado perca sua força no momento da expiração estaremos diante de um diafragma que trabalha em alta, no caso hipotônico.

Resultados da avaliação respiratória

Os dados colhidos na avaliação respiratória deverão coincidir com a história pregressa de nosso aluno. Ou seja, caso estejamos diante de um diafragma hipertônico que trabalha em posicionamento baixo, questionaremos ao nosso aluno a possível presença de doenças pulmonares, que geraram uma forca centrípeta nesses pulmões, portanto solicitando maior entrada de ar, como por exemplo, atelectasias ou quadros asmáticos.

E ao contrário, caso estejamos diante de uma diafragma hipotônico, poderemos estar diante de um corpo, que mesmo durante um curto período de sua existência, tenha passado por qualquer quadro patológico que gerou uma necessidade, de que esse diafragma se contraísse menos durante a inspiração, como por exemplo, uma pericardite, um quadro infeccioso pulmonar, ou ainda, um quadro bacteriano hepático, impedindo que o músculo diafragmático descesse durante sua contração inspiratória, afim de não gerar desconforto para esse corpo.

Podemos ainda, encontrar alterações de padrões respiratórios gerados por estresse, quadros de angustia, ansiedade, depressão, ou qualquer, alteração somática que gerou um ato respiratório mais superficial, ou ainda, mais profundo. Não podemos negligenciar em nossa avaliação as patologias psiquiátricas, ou simplesmente as alterações somáticas.