O quadril é essencial para identificar as causas de uma patologia já que é nele que se anulam forças durante o movimento. Essa articulação é composta pelos dois ilíacos e o sacro, que forma  a articulação sacroilíaca. Vamos aprender a como avaliar pontos do quadril de seu paciente?

É essa articulação que realiza a transferência de carga e forças entre os membros inferiores e a parte superior do corpo, além de transferir forças para a sínfise púbica.

Pequenos desequilíbrios são o suficiente para influenciar a região e levar ao surgimento de patologias ou dores. Por isso, devemos prestar tanta atenção ao avaliar pontos do quadril.

No quadril existe uma estrutura chamada de acetábulo. Ela é uma parte óssea côncava formada pela fusão dos seguintes ossos:

  • Ilíaco;
  • Ísquio;
  • Púbis.

O acetábulo é aprofundado por um anel de fibrocartilagem que garante mais estabilidade, o lábio do acetábulo. Mesmo assim, existe uma ligeira mobilidade nos ossos que o formam. Apesar de ser pequena, a mobilidade na região pode levar a desequilíbrios, desarranjos musculares, desvios posturais e patologias.

A mobilidade ilíaca é especialmente importante em condicionar a estática e dinâmica dos membros inferiores. Que tal aprender a como avaliar pontos do quadril corretamente? Leia este texto!

Como avaliar os Pontos do Quadril

Como mencionei anteriormente, os ilíacos são alguns dos principais pontos do quadril no nossos diagnóstico. Devemos observar o posicionamento dos pontos abaixo para entender melhor os ilíacos e o próprio quadril num contexto geral:

  • Espinha ilíaca antero-superior (EIAS): devemos observar na análise postural estática qual está mais alta ou mais baixa, à direita ou à esquerda;
  • Crista ilíaca: também precisamos identificar qual das cristas ilíacas está mais alta ou mais baixa, á direita ou esquerda;
  • Espinha ilíaca postero-superior (EIPS): anotamos qual delas está mais alta ou baixa comparativamente ao lado esquerdo ou direito.

É através desses pontos que compreendemos o posicionamento da pelve e dos ilíacos.

Alteração postural dos ilíacos

Existem quatro esquemas de alteração postural possíveis para os ilíacos. Comecemos falando da anterioridade, que surge com a tensão do reto femoral. O músculo traciona o ilíaco anteriormente e para baixo. O quadro lombar também gera tração posterior e para cima.

ilíaco em anterioridade

O próximo esquema compensatório é a posterioridade. Ela é gerada pela tensão do isquiotibial que traciona o ilíaco posteriormente e para baixo. O reto abdominal tenciona esse ilíaco de maneira anterior e para cima, fazendo-o girar.

ilíaco em posterioridade

Também existe o fechamento ilíaco, que ocorre com a tensão do oblíquo abdominal e adutores que trazem a asa ilíaca para dentro em sua parte superior.

ilíaco em fechamento

Quando temos ilíacos em abertura a compensação é gerada pela tensão do glúteo médio e assoalho pélvico tracionando o ilíaco em sua asa superior para fora.

ilíaco em abertura

Percebeu que quase todos os músculos citados acima correspondem aos músculos do Power House? Portanto, isso é essencial para observar desequilíbrios tratados no atendimento, seja de Pilates ou Treinamento Funcional.

Quando temos dois ilíacos em anterioridade encontramos um caso de hiperlordose, lembrando que o sacro sempre acompanha o movimento do ilíaco, nesse caso fica horizontalizado.

Se tivermos dois ilíacos em posterioridade estamos diante de uma retificação ou apagamento da curvatura lombar. Nesse caso o sacro está em verticalização excessiva.

Avaliação do Assoalho Pélvico

Como vimos, a abertura dos ilíacos pode ser causada pela tensão excessiva do assoalho pélvico. Desde que assumimos a bipedestação há cerca de 120 mil anos, todo o peso do nosso saco visceral passou a repousar sobre o fraco assoalho pélvico. É assustador perceber o aumento no número de mulheres jovens incontinentes, especialmente entre as que praticam esportes de alto impacto.

Como o assoalho pélvico é composto de fibras do tipo II, fásicas, precisamos realizar o seguinte questionamento na avaliação: ele está tenso ou fraco?

Existe uma forma rápida e simples de identificar o tipo de alteração à qual o assoalho pélvico está submetido.

Avaliação da Tensão do Assoalho Pélvico

O avaliado deve estar deitado em decúbito ventral sobre uma maca. Começamos solicitando uma leve abdução dos seus membros inferiores. A partir de então posicionamos nossa mão sobre a prega glútea seguindo seu contorno anatômico. Seguimos com nosso polegar deslizando sobre o contorno de sua prega glútea a fim de posicioná-lo um pouco acima da origem dos adutores.

Nesse momento encontraremos os músculos do assoalho pélvico. Faremos então uma digito pressão nessa região. No entanto, peço que você explique antes a necessidade da avaliação que pode ser muito desagradável para o avaliado. Peça sua permissão para tal procedimento.

Quando o polegar estiver nos músculos do assoalho pélvico mantenha a digito pressão e avalie a tonicidade dos músculos do compartimento pélvico.

Quero lembrar aqui que temos três diafragmas: o craniano, o torácico e o pélvico. Logo, o ato da respiração deve percorrer esses 3 diafragmas. Com a percepção do nosso polegar conseguimos observar se a inspiração expande também o último diafragma, o pélvico.

Se isso não acontecer estamos diantes de músculos tensos. No entanto, vale a pena deixa claro que essa avaliação é subjetiva e superficial. Se permanecer com dúvida é preciso recomendar ao nosso avaliado procedimentos mais fidedignos que podem ser realizados por profissionais de uroginecologia.

Por que os ilíacos podem mexer-se separadamente?

Os ilíacos têm capacidade de mover-se separadamente para que o cíngulo pélvico não perca sua continuidade. Caso contrário, todas as forças atuantes na pelve paralisariam o corpo e fariam com que perdêssemos nossa autonomia.

Por isso, nosso corpo é separado por unidades funcionais que conseguem realizar as mais variadas compensações. Assim, o movimento permanece existindo, mesmo que alterado. Os ilíacos podem mexer-se separadamente por causa de uma tensão de um hemicorpo.

Diagnóstico diferencial para o quadril

Para realizar o diagnóstico diferencial ao avaliar os pontos do quadril utilizaremos o teste de flexão em pé (TFP).

Para realizá-lo, o indivíduo deve iniciar em pé e com os pés paralelos e com o segundo dedo do pé alinhado na linha média do joelho e EIAS. Estaremos posicionados através do avaliado com os polegares apoiados nas articulações EIPS, nosso polegar direito (D) sobre a EIPS direita (D), e o polegar esquerdo (E) sobre a EIPS esquerda (E).

Solicitamos que o aluno ou paciente realize uma flexão de tronco e acompanhamos as espinhas com nossos polegares. O polegar que subir indica o ilíaco que se movimentou, porque o sacro sempre acompanha o ilíaco que se move para manter a continuidade pélvica.

Considerando o esquema acima, se o polegar que se mover para cima for o direito, supomos que temos três pontos baixos. Ou seja, EIAS D mais baixa, crista ilíaca D mais baixa e EIPS D mais baixa, ou seja, um fechamento ilíaco à direita.

Se o polegar que subir for o esquerdo, teremos uma poterioridade à esquerda. Encontraremos EIAS E mais alta, crista ilíaca E mais alta e EIPS E mais baixa.

Se encontrarmos três pontos altos estaremos diante de uma abertura. Assim, o paciente também apresentará um varo no membro inferior que pode nos induzir ao diagnóstico de uma falsa perna longa.

Ao encontrarmos três pontos baixos estamos diante de um esquema de fechamento que gera um valgo, com possível falsa perna curta.

Conclusão

Certamente a avaliação não termina quando conseguimos avaliar os pontos do quadril e o assoalho pélvico. Essa é somente uma parte de uma avaliação realmente completa que consegue diagnosticar os desequilíbrios do seu aluno.

Ao prestar atenção nos pontos mencionados nesse artigo você consegue identificar não somente desequilíbrios do quadril, mas também de todo o esquema corporal. Portanto, estude com cuidado os ilíacos, mesmo que exija alguns testes a mais para seu paciente. Espero que tenha aprendido a avaliar pontos do quadril de um paciente!