Por muito tempo uma ideia reducionista foi propagada. Imaginava-se que o fator causal de uma disfunção musculoesquelética ou a chave para preveni-la seria um músculo específico, o “músculo chave”. Porém, novas pesquisas vêm à tona o tempo todo mostrando que não é bem dessa maneira.

E isso se aplica principalmente a cadeias musculares. Segundo Madame Meziérès as cadeias são o conjunto de músculos pluriarticulares de mesmo sentido e direção que se comportam como um único músculo. Elas se recobrem como se fossem telhas de um telhado. Se você reparar bem, esse conceito já faz cair por terra muitas visões reducionistas que temos por aí. É claro que não podemos descartá-las por completo, mas elas não podem ser determinantes.

Tudo tem início com a ação de uma musculatura. Essa força tende a se propagar por toda a cadeia muscular. Para ter essa visão mais global do comportamento biomecânico do organismo precisamos compreender primeiro a ação cinesiológica desse determinado músculo.

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Madame Godeliève Denys Struyf acreditava que o indivíduo se estrutura sobre a sua história de vida. As Cadeias Musculares irão se moldar ao indivíduo de acordo com suas necessidades de expressão corporal. Madame Godeliève acreditava que nosso corpo poderia se modelar através de questões psicofísicas, comportamentais, idiossincráticas que aquele determinado indivíduo demonstrava durante a sua vida.

Podemos dizer que GDS (Godeliève Denys Struyf) revolucionou a forma de avaliar o nosso aluno ou paciente. Ela mostrou que o nosso corpo como um todo “tem memória”. Os acontecimentos que ocorreram em um passado distante, ou não, pode ter afetado de forma a gerar desarranjos biomecânicos naquele corpo. Isso é fantástico!

Segundo Léopold Busquet, as Cadeias Musculares são circuitos anatômicos que circulam o corpo através das forças organizadoras. Tom Mayers descreve como trilhos anatômicos. Mas vocês devem estar se perguntando agora, o que isso tudo tem a ver com globalidade? O que de fato faz com que todos esses músculos, ou cadeias musculares se relacionem e trabalhem em igualdade, conjuntas, em determinados planos, eixos e movimentações? Pois aí eu lhes respondo, todo esse sistema é engendrado por um tecido conjuntivo, mais conhecido como, fáscia.

“O termo “fáscia” representa o tecido conjuntivo membranoso, um verdadeiro esqueleto fibroso que inclui o tecido muscular e funciona como peça única”. Marcel Bienfait.

Qual é o verdadeiro papel da fáscia?

papel das cadeias musculares na musculação

Por muito tempo se pensou que, a fáscia era um tecido que recobria apenas um músculo. Ou seja, cada músculo era recoberto por uma fáscia. Porém com a publicação de novas pesquisas, descobrimos que isso é uma inverdade. Hoje sabemos que a fáscia, é um tecido que recobre todo nosso sistema profundo (todas as nossas vísceras) como também nossa camada fisiológica mais superficial (músculos, ossos, ligamentos, tendões, nervos, vasos, etc.)

Agora peço a todos meus leitores que, pensemos juntos na seguinte linha de raciocínio: uma musculatura usada excessivamente está ligada a fáscia, que dá ao sistema músculo esquelético biotensegridade ao nosso corpo. Essa tensão que ocorreu nesse determinado músculo, não irá desencadear tensões bioelétricas ou cargas de piezeletricidade por toda a cadeia muscular?

Agora pensemos o que aconteceria se todo profissional de movimento tivesse os seguintes conhecimentos:

  • Tiver o conhecimento e ciência dessas cadeias;
  • Entender de fato o caminho e por onde essas “linhas de tração” percorrem.

Com esses conhecimentos os profissionais poderão reabilitar e avaliar de forma mais fidedigna para o aluno ou paciente? Se lembrarmos da biomecânica básica, entenderemos que um músculo com tensões hiperativas não é um músculo forte. Na verdade, é um músculo que não trabalha de forma adequada pensando na sua curva de comprimento-tensão biomecânica. Assim, ele desencadeia tensões distribuídas por toda a cadeia muscular. Nossa faz perfeitamente o papel de engendrar e por isso essas tensões são desencadeadas. Apagar tudo

Thomas Myers descreve isso perfeitamente em seu livro “trilhos anatômicos”: “quando o estresse passa por um material, ele acaba deformando-o, nem que seja apenas um pouco, por isso ‘estica’ as ligações entre as moléculas. Nos materiais biológicos, entre outros, isso cria um ligeiro fluxo elétrico através do material conhecido como carga piezelétrica (pressão). Essa carga, representativa da tensão através do tecido, pode ser ‘lida’ pelas células vizinhas da carga, e as células do tecido conjuntivo são capazes de responder aumentando, reduzindo ou alternando os elementos intracelulares na área”.

Isso é muito interessante pois, com esse pensamento, já podemos começar a imaginar que tensões geradas em um local podem desencadear consequências longes daquela zona que está sofrendo. Ou seja, a causa de todo o problema. A biotensegridade corporal é o termo que designa a explicar qualquer força externa que atue sobre o corpo. Este é um sistema único de tensão que pode alterar qualquer estrutura corporal como se fosse uma rede mesmo à distância como uma rede única de tensão. E a fáscia que permite a continuidade de forças existentes nas Cadeias Musculares.

Pesquisas recentes apontam para uma nova propriedade da fáscia que é a de se contrair sozinha, sem ação muscular. O terapeuta Robert Schliep, licenciado em psicologia, juntou-se ao neurofisiologista Heike Jaeger e desde 2003 na Universidade de Ulm e montaram um laboratório de estudo fascial. Lá descobriram que o estresse pode contrair a fáscia sem os músculos, através do SNC ativando uma parasimpaticonia Os pesquisadores estudam ainda a possibilidade de a fáscia possuir seus próprios receptores e já descobriram que a fáscia é portadora de mecanorreceptores.Apagar o que esta em vermelho

Por que nossos músculos tendem a entrar em hiperatividade?

cadeias musculares na musculação e hiperatividade dos músculos

O tecido conjuntivo é formado logicamente por células conjuntivas, os blastos.  Segundo Marcel Bienfait (1995), os blastos em sua fisiologia produzem a secreção de duas proteínas de constituição: o colágeno e a elastina. Porém, além dessas substâncias o tecido fascial é formado por um composto denominado de substância fundamental, que é uma espécie de gel viscoso (daí já podemos começar a imaginar que esse composto ajuda na lubrificação ou hidratação local) além de água, eletrólitos e proteínas multi adesivas.

Entendamos o seguinte contexto de que, teoricamente não existe a estática. A nossa estática está baseada em um desequilíbrio anterior, ora, todos os nossos movimentos são baseados em um movimento levando-nos à anterioridade. A maioria de nossas vísceras se localizam na região anterior, alguém já viu alguma pessoa que anda para trás? Já viram alguém estender uma roupa no varal por trás? Um simples aperto de mão? Quase 100% de nossos movimentos são baseados na anterioridade.

Então seria loucura concordar que, se todos os nossos movimentos são baseados em uma anterioridade. Vai existir sempre um conjunto de musculaturas que irá estar trabalhando de forma excêntrica? Faço a seguinte pergunta a todos vocês quantas pessoas têm tensões exacerbadas em trapézio? Eretores espinhais? Grande dorsal? Já se perguntaram por que? Fica aí esse questionamento e raciocínio a todos.

Voltando à nossa substância fundamental, esse componente serve para promover uma hidratação adequada em nosso tecido fascial e consequentemente em todo nosso tecido musculoesquelético. Inclui o colágeno quanto a substância fundamental, em um corpo livre de tensões. A tendência é que esses componentes estejam distribuídos de forma igualitária.

Porém, como já falamos, nossa estática é baseada em um desequilíbrio anterior. Na maioria das vezes infelizmente ou felizmente, poderemos encontrar essa musculatura extremamente tensa, trabalhando de forma exacerbada para nos equilibrarmos em nosso polígono de sustentação. Por um lado, isso é bom, porém a partir daí começam a ocorrer alguns problemas. Principalmente quando vamos analisar a distribuição desses compostos (colágeno x substância fundamental).

Em um corpo cheio de tensões, poderemos muitas vezes encontrar uma musculatura rígida. Vamos raciocinar novamente, hoje muito se fala em “stiffness” de uma musculatura. Isso desencadeia uma inibição recíproca na musculatura antagônica, isso ocorre muitas vezes na comparação de uma musculatura fásica (produtora de força, fibras brancas) e uma musculatura tônica (músculos anti-gravitacionais, prioritariamente fibras oxidativas). Porém temos que analisar que, estamos tratando recentemente a reabilitação de forma global, e não em uma visão tão mecanicista ou reducionista.

Sendo assim, será mesmo se um músculo entra em hiperatividade e inibe reciprocamente uma musculatura. Seriam as cadeias que contraem em excentricidade para “segurar” nosso corpo diante de um movimento? Seria mais coerente pensarmos dessa forma, não acham?

O que deveria ocorrer de fato era esse conjunto de músculos (cadeia) a partir de um movimento, se alongar segurando a movimentação em excentricidade e logo depois relaxar. Porém em um corpo que não é livre de tensões, isso não ocorre. A consequência é aquela determinada cadeia “adoecer”, começar um processo de hiperatividade. Como consequência a perda local de substância fundamental e o depósito (uma espécie de retroalimentação) de colágeno, tende a deixar aquela cadeia mais rígida e daí começar a criar os incômodos pontos gatilhos ou pontos de tensões musculares.

É isso que mais vemos em nossa cadeia posterior. Repito novamente, praticamente todos os nossos movimentos são provindos de uma anterioridade. Podemos afirmar que os músculos tônicos, deveriam trabalhar em rajadas, contrair-se para reequilibra-nos e logo depois se relaxar. Caso isso não aconteça o tecido se tornará mais denso e rígido, adoecendo.

As cadeias musculares

como funcionam as cadeias musculares na musculação

Podemos dizer que as cadeias musculares são uma espécie de circuito de forças que circundam todo o nosso corpo. Assim, transmite tensões através da fáscia.

Tudo começou com Madame Meziérès que nasceu em 1909 em Hanoy. Em 1937 ela formou-se em fisioterapia pela Escolei Francoise d Ortopedie. Ensinou seu método a mais de 1500 fisioterapeutas (onde alguns deles citaremos aqui nesse artigo. Alguns têm métodos que são mais utilizados e outros nem tanto. O Método das Cadeias Musculares foi lançado em um postulado em 1947. Madame Meziérès era pura prática e tinha dons de observação fora da curva habitual, por isso encontramos pouca literatura e escritos autorais da mesma.

Seu método nasceu durante um atendimento, onde ela estava tratando de uma paciente hipercifótica. Ao retirar o colete de estabilização dessa paciente e tentou mobilizar sua cifose em decúbito dorsal. Ela notou que ao posicionar melhor sua torácica na maca sua lombar realizou uma anteversão. Por isso, solicitou então uma retroversão ativa pela paciente. Ao realizá-la, a paciente gerou uma hiperextensão cervical, solicitou então um crescimento axial ativo de sua paciente. Assim ela a levou a um bloqueio respiratório, nesse momento um universo se abriu na mente de Madame Meziérès. Isso possibilitou que ela chegasse às seguintes conclusões.

Meziérès concluiu então que a sua paciente possuía tal rigidez muscular. Seus segmentos haviam perdido a autonomia individual a ponto de que quando fosse solicitado uma correção local de cada segmento individualmente, para essa paciente era impossível sem o comprometimento de todo o sistema.

Depois disso Mezièrès definiu algumas leis que hoje já caíram por terra. Algumas delas são que só existiam lordoses. Hoje sabemos que são existem apenas essas curvaturas e em outra lei ela dizia que: Essa musculatura da Cadeia Muscular Posterior (cadeia de músculos que realiza a extensão do tronco) é sempre forte demais, potente demais e curta demais, pois está sempre em contração contra a gravidade.

A Cadeia Muscular Posterior funcionalmente é estática (tônica) e de controle neural inconsciente, feita para a sustentação gravitacional. Porém, sabemos que se uma cadeia é curta demais, ela consequentemente não deverá ser forte demais. Lembremos novamente da biomecânica de comprimento-tensão da nossa musculatura. Se um músculo está curto demais, ele provavelmente está em insuficiência ativa perdendo assim a capacidade de produzir força para vencer uma determinada resistência.

Porém Madame Françoise Mezièrès contribuiu demais para essa nova visão de avaliação e reabilitação de uma forma global. É assim que na verdade tem que ser, e se hoje as pesquisas sobre fáscia estão avançadas, com certeza ela contribuiu generosamente para isto.

Como foi falado anteriormente, Madame Françoise Mezièrès formou cerca de 1.500 fisioterapeutas, sendo os principais:

  • Marcel Bienfait;
  • Madame Thérèse Bertherat;
  • Phiipe Souchard com seu método de Reeducação Postural Global (RPG);
  • Outros.

Aplicabilidade das cadeias musculares na musculação

aplicabilidade das cadeias musculares na musculação

Fora esses fisioterapeutas citados acima, como sabemos Madame Françoise Mezièrès formou muitos outros. Porém, três eu quero citar aqui, pois vemos que são os cadeístas mais utilizados para uma fidedigna avaliação postural e prescrição de exercícios na musculação.

Porém jamais devemos negligenciar os outros cadeístas. Digo que, muitas pessoas os utilizam para terem um norte em sua avaliação e tem sucesso. Porém nesse texto irei relatar à vocês as cadeias de Leopold Busquet, Madame Goledieve Denys Struyf e por último mas não menos importante, Thomas Myers.

Antes de mais nada é importante salientar que o sucesso de um começo de tratamento para reabilitação proporcionado pelas cadeias musculares (o qual não é o único método) depende de uma avaliação. Costuma-se falar que o difícil não é tratar, mas sim avaliar. Se ocorrer um erro na sua avaliação, você com certeza está fadado ao fracasso em seu programa de reabilitação postural.

Outro fator que temos que ter em mente é que o tratamento com as cadeias serve até certo ponto. Depois dele, devemos com o nosso tratamento devolver o indivíduo para continuar realizando suas AVDs normalmente e alinhados biomecanicamente para realizar o seu treinamento.

Madame Godelieve Denys Struyf

Essa fisioterapeuta e osteopata revolucionou a forma de avaliar através das cadeias musculares. A partir daí, desenvolveu um conjunto de posturas designativas de estados psicofísicos, personalísticos específicos e idiossincráticos.

Cadeia AM (Ântero mediana): é composta pelo:

  • Períneo;
  • Reto abdominal;
  • Peitoral maior;
  • Triangular do esterno;
  • Esternocleidomastoideo;
  • Hioideos e músculos da estrutura bucal.

São os músculos responsáveis pelo enrolamento do tronco. O indivíduo apresentará o corpo inclinado para trás, cabeça em protrusão com apoio nos calcanhares.

As cadeias musculares de AM são responsáveis pelo bom posicionamento feito na ancoragem de T8. A Cadeia Muscular AM está ligada a:

  • Afetividade;
  • Necessidade de ser amado;
  • Necessidade de toque essencial para a construção do Ego e da consciência corporal.

Comportar-se em AM é viver em espera, constrói suas decisões do futuro com base nas suas aquisições do passado e a busca pela mãe.

Agora vocês devem estar se perguntando: mas e aí!? Qual a aplicabilidade dessas cadeias musculares enquanto o meu desenvolvimento de performance na musculação? Imaginem que um indivíduo apresente essa cadeia AM em tensão. Essa cadeia não realiza o enrolamento do tronco? Quais consequências negativas esse desarranjo biomecânico poderia ocasionar durante a prática da musculação? Inúmeros!

Se um indivíduo apresentar a tensão dessa a cadeia, provavelmente o mesmo apresentará uma discinese escapular. O peitoral maior faz parte dessa cadeia, e sabemos que esse músculo em tensão ocasionará um tilte anterior da escápula. Assim, aumentam as chances assim de uma síndrome do impacto. Isso ocasionaria com toda a certeza uma síndrome cruzada de ombros, onde temos a hiperatividade de peitoral menor e trapézio descendente com inibição de:

  • Trapézio inferior;
  • Romboides;
  • Serrátil;
  • Músculos profundos cervicais.

Nessas condições pode ocorrer um pinçamento constante nos tecidos moles que passam pelo espaço sub-acromial, ocasionando dores e consequentemente limitando o indivíduo até mesmo para suas AVDs. Por isso o conhecimento de cadeias é tão importante quando vamos avaliar o indivíduo. Elas ajudam a consequentemente entender o que se passa em seu corpo, suas tensões para poder montar o seu treino da forma mais eficaz possível.

Lembrem-se que, a avaliação por cadeias é apenas um método para identificar disfunções no corpo daquele indivíduo. Também pode ser um preditivo para poder entender o que devemos relaxar (tenso) e o que temos que fortalecer (inibido).

Podendo então melhorar a postura do aluno para que ele consiga através do treino dele desempenhar o melhor movimento possível. Ele deve realizá-lo sem ou quase sem apresentar inúmeras compensações. Óbvio que, uma melhora estética, simétrica, deve ser notada quando o trabalho com cadeias musculares é proposto com qualidade.

Quando pensamos na cadeia PM (póstero mediana) também pensamos da mesma forma. Porém agora sabemos que teoricamente teremos à nossa frente um indivíduo mais retificado principalmente à nível de tronco. Daí já temos que raciocinar que existe uma cadeia teoricamente sob tensão.

Leopold Busquet

 Em minha opinião esse é um dos cadeístas que conseguimos colocar mais em prática todo o seu conhecimento relacionado às cadeias. Para Busquet as fáscias ligam as vísceras ao sistema musculoesquelético. Elas não permitem serem alongadas, mas sim relaxadas.

Sendo assim uma disfunção musculoesquelética compromete alguma das funções viscerais, ou vice-versa. Ele denomina isso da relação contentor (músculos, articulações e ossos) conteúdo (vísceras e tensões cranianas) trabalham a serviço da fáscia.

Para Busquet as fáscias ligam as vísceras ao sistema musculoesquelético. Elas não permitem serem alongadas, mas sim relaxadas. Sendo assim uma disfunção musculoesquelética compromete alguma das funções viscerais, ou vice-versa, o que ele denomina da relação contentor (músculos, articulações e ossos) conteúdo (vísceras e tensões cranianas) trabalham a serviço da fáscia. Agora vocês devem estar se perguntando: poxa, mas são tantos cadeístas, quais eu sigo? Calma que você vai clarear sua mente um pouco mais agora.

Como aplicar os cadeístas na prática

como aplicar os cadeístas na prática

Algumas cadeias de alguns estudiosos cadeístas, acabam que sendo a mesma. Isso mesmo, o mesmo trajeto, como é por exemplo a cadeia AM de Godelieve e a cadeia de fechamento do tronco de Busquet. Entendam que, apenas o nome muda, mas o trajeto e os músculos são os mesmos. Os movimentos em nosso corpo também são os mesmos.

Porém não para por aí, essa cadeia AM de Godelieve e a cadeia de fechamento do tronco de Busquet não terminam na pelve. Elas fazem tanto o enrolamento ou flexão da coluna cervical, e vão descendo e realizando flexão em todas as articulações.

Flexão de quadril, joelho, flexão de tornozelo e dedos. Ou seja, dependendo da situação, podemos tratar o enrolamento do tronco que teoricamente limitaria uma abdução glenoumeral começando a relaxar a cadeia pelo membro inferior e vice-versa.

Busquet tem mais cadeias além da cadeia de fechamento do tronco, as demais são:

  • Cadeia de extensão;
  • Cadeia cruzada anterior à direita;
  • Cadeia cruzada anterior à esquerda;
  • Cadeia cruzada posterior à esquerda;
  • Cadeia cruzada posterior à direita;
  • Cadeia estática;
  • Cadeia visceral;
  • Cadeia neuromeníngea.

Apesar dessas muitas cadeias, iremos falar apenas de mais uma, que é a cadeia de extensão, dita assim por Busquet, ou cadeia PM (póstero-mediana) colocada assim por Godelieve. Novamente, apesar de nomes diferentes são o mesmo segmento de linha muscular que percorre nosso corpo nesse sentido longitudinal. Ela passa pela região posterior do tronco, cruzando anteriormente pelo quadríceps, posteriormente pelo sóleo, arco plantar e se inserindo logo acima dos dedos, para extendê-los.

Uma das alterações que essa cadeia em tensão pode desencadear é a hiperlordose lombar. Nesse caso, teremos quadrados lombares tensos levando a pelve à anterioridade. Assim, aumentamos a nossa curvatura lombar, e consequentemente aumentando o cisalhamento principalmente em L4-L5 e L5-S1.

Na pelve essa alteração desencadeará o que chamamos de síndrome cruzada da pelve. Teremos a inibição glúteo máximo e abdômen e hiperatividade de quadrados lombares e iliopsoas, segundo Vladimir Janda.

Uma das alterações que essa cadeia em tensão pode estar ligada é a amnésia glútea (pois teremos um glúteo fortemente inibido fazendo com que essa pelve incline-se anteriormente). Novamente vocês devem estar se perguntando: mas o glúteo máximo não faz parte da cadeia de extensão? Então… exatamente por isso que ocorre a inibição do mesmo. Lembremos que, músculo tenso é músculo fraco, que não trabalha adequadamente em sua curva de comprimento tensão.

Thomas W. Myers

Thomas é na opinião de muitos, um dos estudiosos que mais cai em contradição em suas linhas. O mesmo as chama de trilhos anatômicos em seu livro. Porém existe uma aplicabilidade dessas linhas de Thomas quando pensamos em correção postural e simetria de hemicorpos. Uma dessas linhas de Thomas são as linha do braço, chamadas por ele de:

  • Linha superficial anterior do braço (LSAB);
  • Linha profunda anterior do braço (LPAB);
  • Linha profunda posterior do braço (LPPB);
  • Linha superficial posterior do braço (LSPB).

Pois para (Thomas, 2014), os padrões comuns de compensação postural associados às Linhas do Braço provocam todos os tipos de problemas no ombro, bem como problemas no braço e na mão. Geralmente eles envolvem ombros que estão sendo protraídos, retraídos, levantados ou “curvados” (rotação medial e inclinação anterior da escápula).

A Linha Superficial Anterior do Braço (LSAB) encontra-se então na parte anterior do seu braço:

  • Músculos palmares;
  • Flexores inferiores do braço;
  • Septo intermuscular do peitoral maior.

A Linha Superficial Posterior do Braço (LSPB) encontra-se ao longo da parte posterior do braço:

  • Trapézio;
  • Deltóide;
  • Septo intermuscular lateral;
  • Extensores.

A Linha Profunda Anterior do Braço (LPAB) encontra-se ao longo da parte anterior:

  • Músculos de eminência tenar;
  • Rádio;
  • Bíceps;
  • Peitoral menor (sob o maior).

A Linha Profunda Posterior do Braço (LPPB braço):

  • Músculos de eminência hipotênar;
  • Ulna;
  • Tríceps;
  • Manguito rotador;
  • Romboides (sob o trapézio);
  • Levantador da escápula.

A LPAB é principalmente uma linha de estabilização. Em termos de músculos, começa nas faces anteriores costais com o músculo peitoral menor, músculos qual, cursa sob o peitoral maior. Dois músculos que continuam a partir daí são, a cabeça curta do bíceps braquial e o coracobraquial.

Há claramente uma continuidade miofascial entre o peitoral menor e esses dois músculos mais distais. Segundo (Thomas, 2014) um excessivo encurtamento nessa unidade miofascial pode afetar negativamente:

  • Respiração;
  • Postura do pescoço e da cabeça;
  • Funcionamento adequado do ombro.

Imaginem que durante um movimento de supino para peitorais, onde realizaremos o movimento de adução no plano transverso, geralmente o que se observa é que o braço que está com a LPAB tensa. Tende a ir mais acima em relação ao outro braço. Agora imaginem esse aluno realizando tal exercício com a barra, nitidamente vocês poderão perceber a barra de um lado mais alto em relação ao outro. A mesma coisa será percebida quando o aluno realizar o mesmo exercício com halter.

Lembre-se que, um dos músculos chave dessa linha fascial é o peitoral menor. Esse músculo tem sua inserção distal no processo coracóide da escápula e inserção proximal em 3ª, 4ª e 5ª costela.

Quando essa musculatura se encontra tensa ela tende a tracionar inferiormente a cintura escapular a partir do acrômio. Isso ocasiona um tilte anterior de escápula e consequentemente uma síndrome do impacto (chances altas, além também da rotação interna do úmero (glenoumeral), retirando nitidamente a estética do músculo peitoral maior (que é um músculo estético).

Conclusão

Entendamos que, o olhar deve ser global-local-global. Ou seja, temos que avaliar nosso aluno sempre de forma global. Levemos em consideração a fáscia que é responsável por toda coligação entre nossos sistemas. Encontrar a causa chave ou zona alvo daquela disfunção, liberando-a de tensões para só então, tornar nosso cliente globalmente funcional para realizar suas AVDs. Treinamentos (quaisquer que sejam), sendo que não podemos esquecer que, o trabalho de cadeias ou qualquer que seja para alívio da dor e realinhamento postural é de certa forma “limitado”. Essa é a primeira parte de todo o trabalho que deve ser feito em seu aluno. Posteriormente os alunos têm que ser treinados para performance, independente se não relativamente ativos ou atletas. Todos têm que ser treinados da mesma maneira, óbvio que com suas adequadas progressões de carga e periodização específica. Bons estudos!

Autores: Janaína Cintas e Rafael Danilo

Faculdade: Instituto de Ensino Superior Múltiplo (IESM)

Período: 5/6

Experiência: Academia Ricardo Paraguassu (unidade Sintufpi)

Estagiário Janaína Cintas Cursos