3 Erros na Avaliação Postural que você não pode cometer!

3 Erros na Avaliação Postural que você não pode cometer!

Erros na avaliação postural são extremamente problemáticos para você e seu aluno. Quer garantir um trabalho com qualidade e resultados? Então continue lendo para entender esses erros e conseguir preveni-los ao avaliar seu aluno.

Por que não podemos cometer erros na avaliação postural?

Só existe um motivo para seu aluno estar trabalhando com você: ele quer resultados. Pode ser para a recuperação de alguma lesão ou dor, retorno às atividades físicas ou melhorar a qualidade de vida, por exemplo. Para conseguir isso, você precisa entender exatamente o que está acontecendo no seu corpo.

Sem esse conhecimento torna-se impossível realizar um tratamento realmente eficiente. Então por que muitos profissionais tratam a avaliação como parte de um protocolo que precisam fazer rapidamente?

Erros na avaliação postural são extremamente prejudiciais para seu aluno ou paciente. Todo o resultado do tratamento pode ser perdido porque você esqueceu de observar alguns detalhes durante esse processo! Quer evitar isso? Separei alguns erros que ninguém pode cometer durante a avaliação.

1. Não avaliar cadeias musculares do movimento

Se você acompanha meu trabalho sabe a importância que dou para as cadeias musculares no atendimento. Inclusive tenho um curso inteiro sobre esse tema, se você quer detalhes mais aprofundados recomendo conferir.

Um dos erros na avaliação postural que não pode acontecer é deixar de lado a avaliação das cadeias musculares. As cadeias cruzadas são as cadeias do movimento. Portanto, solicitamos que o indivíduo, que está em pé, leve seus membros superiores a noventa graus de flexão em adução complementar. Portanto, as duas mãos ficam na linha média corporal do aluno.

Nesse momento, observe qual mão está à frente. É ela que indica uma tensão na cadeia cruzada anterior do lado oposto. Ela segue do quadril oposto da mão à frente e segue até o ombro do mesmo lado.

Outra possibilidade é que exista uma tensão na cadeia cruzada posterior do mesmo lado. Essa cadeia sai do ombro oposto até o ilíaco do mesmo lado. Ela gera a rotação do tronco para o lado da cadeia muscular cruzada anterior do tronco, movimento de rotação complementado pela cadeia muscular de abertura na unidade tronco.

2. Esquecer o teste renal

Sabemos que questões viscerais regulam o corpo. Toda a estrutura se adapta para corrigir um problema causado pelas vísceras. Por isso, precisamos realizar uma avaliação completa que considere as vísceras, entre elas os rins.

Para evitar os erros na avaliação postural, realize testes específicos. O avaliado deve estar em pé, nós nos posicionamos atrás dele e apoiamos nosso polegar abaixo das últimas costelas flutuantes de um lado, paralelo a coluna vertebral e fora dos processos transversos. É aí que se encontram os rins.

Exercemos uma leve pressão na região, realizando passivamente uma flexão lateral do tronco do aluno para o mesmo lado do polegar. Caso o paciente reclame de dor no local onde o polegar está posicionado, estaremos diante de uma tensão renal que se reflete para os quadrados lombares.

O teste deve ser realizado de ambos os lados, testando assim os dois possíveis pontos de tensão renal. O teste provoca tensão na cadeia muscular de extensão. É importante lembrar que testes viscerais não são um diagnóstico para doenças, mas sim possíveis tensões geradas por questões viscerais de um corpo que guarda tudo em sua memória. O aluno também precisa estar ciente disso para evitar preocupações desnecessárias.

3. Não avaliar a pressão intra cavitária (PIA)

A pressão intra cavitária pode alterar diversos processos no organismo. Muitos alunos possuem problemas relacionados a ela e o profissional não consegue resolvê-los por problemas de avaliação.

Durante a avaliação das cadeias musculares, seguimos o conceito de um corpo viscerado. Portanto, proponho a vocês uma avaliação da pressão intra cavitária (PIA) para identificarmos um possível aumento de pressão interna nas vísceras e órgãos internos.

Para isso, começamos posicionando o avaliado em decúbito dorsal na maca com os membros superiores ao longo do corpo. Os membros inferiores ficam relaxados e, a partir desse posicionamento, apoiamos uma de nossas mãos sobre a região infra umbilical da região abdominal do paciente ou aluno e exercermos uma pressão em direção a maca.

Quando o resultado do teste é normal, a mão penetra sem tensões ou qualquer tipo de restrição bloqueando-a. O paciente também não pode sentir dor para um exame normal.

Também devemos testar a região supra umbilical do avaliado. O resultado normal é caracterizado por um resultado idêntico ao anterior, sem restrição ou dor durante o exame. Se observarmos algum tipo de resistência ou dor na região supra umbilical, estamos diante de tensões dos órgãos da cavidade peritoneal. Caso o teste se apresente positivo para a região infra umbilical, estamos diante de tensões dos órgãos da cavidade pélvica.

Se, durante a avaliação estática, observarmos pregas cutâneas indicativas de um aumento de tensão na cadeia muscular de flexão e o teste de avaliação da PIA for positivo, teremos um pouco de trabalho à frente. Nesse caso, estamos lidando com retrações dos órgãos por causa de forças centrípetas.

Também é possível que as pregas cutâneas não sejam observadas durante a avaliação estática. Nesse caso, se o teste de avaliação da PIA estiver positivo, temos uma tensão de cadeia de extensão. Ela acontece pela congestão abdominal.

Na cadeia de extensão podemos ainda encontrar um ponto de retração visceral, gerado pela tensão dos rins, caso o avaliado tome muitos medicamentos, suplementação protéica, ou simplesmente pelo fato de beber pouca água.

Conclusão

Percebeu como nunca podemos cometer erros na avaliação postural? Eles podem alterar completamente nossa visão sobre o aluno, fazendo com que deixemos de identificar causas musculares ou viscerais para problemas de movimento.

Quer evitar possíveis erros na avaliação postural? Recomendo que você continue estudando a respeito do assunto. Conhecimento nunca é demais e só pode nos tornar profissionais mais completos. Por isso, recomendo meu artigo com mais 4 erros que você talvez esteja cometendo sem perceber.

Avaliação dos pés: o erro que você não pode cometer no Pilates

Avaliação dos pés: o erro que você não pode cometer no Pilates

Durante a avaliação estamos tão concentrados na coluna e postura do nosso aluno que podemos esquecer os pés. Na realidade, eles são essenciais para movimento e precisam de atenção, especialmente no Pilates.

Joseph Pilates sabia disso quando criou seu método. Por isso, possuímos tantos exercícios que ajudam a organizar a mecânica dos pés e proporcionar uma melhor organização corporal. No entanto, só saberemos usá-los se soubermos avaliar o paciente.

Hoje falarei um pouco sobre a biomecânica dos pés e como ela influencia na prática do Pilates. Assim, você terá uma melhor base para sua avaliação durante as aulas.

Por que os pés são tão importantes?

Todos os corpo físicos, inclusive o humano, são regidos por leis gravitacionais. De acordo com essas lei, um corpo só está em equilíbrio quando a vertical traçada partindo de seu centro gravitacional cai em sua base de sustentação. Essa é a base da fisiologia estática.

É fácil de entender isso em corpos mais simples, mas como funciona no corpo humano? Somos complexos e nosso centro de gravidade geral é resultado de diversos fatores. Posições variadas e sequenciais no espaço formam os centros de gravidade de cada unidade funcional do corpo.

A lei da estática nos direciona para compreender a lei das compensações, tão importante na prática do Pilates. Quando estamos em posição ortostática não acontece desequilíbrio segmentar de uma unidade corporal sem que existe compensação sequencial. Ou seja, uma área desequilibrada no corpo causa compensações em outras.

A postura humana pode ser considerada como um desequilíbrio permanente que se corrige e se compensa com complexos mecanismos. Quando estamos em bipedestação o corpo nunca está parado. Ele oscila sobre sua base, alterando postura e posição.

Como ocorre o equilíbrio do corpo

Antes de explicar mais sobre o equilíbrio, precisamos relembrar as três unidades funcionais do corpo humano. Os membros inferiores consistem na base de todo o movimento, por isso dediquei esse texto à avaliação dos pés.

Também existe a unidade tronco, que é responsável pelo desequilíbrio. Por último, temos a unidade cabeça e pescoço, que possui órgãos de orientação espacial e coordena o conjunto.

Sabendo que os membros inferiores são a base do corpo, podemos entender que o apoio dos pés no solo resulta numa boa estática. Para isso, os pés utilizam seus próprios mecanismos, como a articulação do tornozelo.

Tornozelo

O tornozelo é composto por dois ossos:

  • Tíbia;
  • Fíbula.

Esses ossos estão ligados a uma polia que conhecemos como tálus. É esse encaixe em forma de polia que é responsável por formar os maléolos interno e externo. Eles permitem ao tornozelo dois movimentos, a flexão dorsal (anterior) e flexão plantar (posterior.

O tornozelo precisa ser uma articulação bastante estável, por isso possui sua flexão plantar naturalmente diminuída. Na prática conseguimos perceber isso muito bem, já que diminuímos substancialmente nossa base de equilíbrio.

Existe outra estrutura, o sub tornozelo, que permite os movimentos laterais. Ele é formado pelo tálus e ossos do metatarso. É a articulação que realiza os movimentos de inversão e eversão do pé.

Além disso, os pés também possuem uma região anterior, o ante-pé, que possui a articulação tarsometatarsial com cinco metatarsos. São eles que permitem os movimentos anteriores, apesar de terem mobilidade diminuta.

Física do movimento nos pés

Durante o movimento os pés recebem a descarga da nossa massa corporal a todo momento. Nessa etapa, eles têm a importante função de amortecimento. Quando estamos em bipedestação, existem trações musculares partindo do pé que transformam a força gravitacional em energia cinética.

Os músculos dos pés possuem a ação de uma mola. Portanto, realizam o armazenamento da energia cinética em sua fibra e a liberam quando a contração muscular na região for solicitada.

Para a física, a energia é a capacidade de realizar trabalho. Nesse escopo, a energia cinética é aquilo que um corpo adquire quando está na dinâmica, em movimento. Ela é dependente de duas grandezas matemáticas que o corpo em movimento possui: massa e velocidade.

Por isso é tão importante respeitar a sincronia muscular que nos rege. Os pés servem como molas propulsoras para o restante do corpo. Quando organizamos os arcos plantares conseguimos melhorar a utilização de forças físicas e mecânicas que nos regem, melhorando o movimento.

Como a avaliação dos pés influencia no Pilates

Realizar uma boa avaliação dos pés pode mudar completamente sua aula de Pilates. Joseph Pilates sabia dessa sincronia muscular, portanto criou métodos de trabalhar os pés muito eficientes. Na série dos Footworks ele exigiu de forma inteligente um bom trabalho dos pés. Assim, seria possível evitar a desorganização dessas bases do corpo nas aulas.

Os Footworks também possuem aplicabilidade física. Eles utilizam a extensão e flexão de quadris e joelhos para auxiliar a organizar e até tratar os pés. Essa série é fundamental para sua aula e você, profissional, precisa saber quando usá-la.

Existem muitas lesões corporais músculoesqueléticas ascendentes que surgem por causa de má organização plantar. Em idosos esse trabalho também auxilia a prevenir quedas, mas falarei mais a respeito disso em outro artigo.

Como o Reformar trabalha a biomecânica dos pés

Depois de realizar uma avaliação dos pés é preciso encontrar formas de trabalhá-los em aula. Felizmente, temos tudo que precisamos no Pilates, mesmo que exista uma tendência a negligenciar os pés nas aulas diárias. Como uma boa organização corporal depende do seu alinhamento, não podemos esquecê-los.

Muitos exercícios de Pilates expõem a fragilidade dos tornozelos e exigem atenção especial. Eles incluem:

  • Footwork;
  • Running;
  • Stomach massage;
  • Longo stretch;
  • Up stretch;
  • Arabesque;
  • Frontsplits;
  • Semicircle;
  • Leg pull front;
  • Push up series.

Todos esses exercícios são realizados no Reformer e existe um motivo simples para isso. Esse equipamento foi desenvolvido por Joseph Pilates especificamente para melhorar a organização dos pés. Para Joseph, exercícios na posição horizontal eram imprescindíveis em nossas aulas.

De acordo com ele, esses movimentos ajudavam a aliviar o estresse e tensão articular, assim como melhorar o alinhamento corporal. Esses benefícios são ainda melhor aplicados aos pés, já que boa parte dos exercícios no Reformer exigem sua boa organização.

Quando realizar um exercício no Reformer com seu aluno nunca deixe que se movimente com compensações iniciando pela base de sustentação.

Devemos corrigir as compensações, inclusive as que surgem acima. De acordo com Joseph Pilates, as aulas deveriam sempre começar deitado. Era uma forma de seguir a lógica de movimentos que o aluno realiza durante o dia, começando com o acordar.

Conclusão

A avaliação dos pés tem um papel especial no Pilates, mesmo que muita gente esqueça. Existem mais de 100 movimentos que foram criados por Joseph Pilates especialmente para o Reformer e que exigem uma boa organização dos pés.

Para Pilates, treinar com a carga externa das molas do Reformer tornaria o corpo humano e seu movimento mais eficiente. Assim, conseguimos preparar o corpo para a retirada da carga na sua condição habitual, longe da aula de Pilates.

A resistência oferecida para os pés pelas molas incentiva uma adaptação mais rápida do sistema neuromuscular. Em outros casos, ele pode facilitar os exercícios para que seu aluno consiga corrigir sua mecânica corporal e obter melhores resultados.

Como fazer uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Como fazer uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Avaliar é o primeiro passo dentro do planejamento de um atendimento, seja para reabilitação ou treinamento. Avaliar as condições inicias do seu aluno pode ser o diferencial entre em um trabalho bem-sucedido com resultados consistentes e meses de esforço sem progresso.

Atualmente encontramos inúmeros protocolos de avaliação – muitos deles bastante consistentes -, que nos oferecem os mais diferentes scores para componentes da aptidão física.

Ou seja, se você está planejando um treinamento de força é possível avaliar exatamente qual a carga correspondente aos percentuais de uma repetição máxima e, então, prescrever seu treinamento.

Ter como base bons parâmetros garante que você não subestime seu cliente, levando para treinamentos sem resultados significativos, ou que você superestime, ocasionando em práticas com alto risco de lesão. Entendido isso fica a dúvida: como avaliar as habilidades do meu aluno de Pilates?

Continue comigo e você vai entender tudo sobre a importância de uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates especifica para os seus alunos de Pilates e como isso pode mudar para melhor a qualidade e segurança do seu trabalho com os alunos.

Como funciona uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Um dos mais importantes princípios do treinamento físico é a especificidade. Se quero desenvolver as capacidades físicas de um corredor, treinamentos que envolvam o gesto da corrida são essenciais e as transferências dos ganhos de treinamentos específicos são sempre mais efetivas.

Além disso, em outro exemplo, se eu procuro avaliar a velocidade de um nadador não adianta analisar o tempo de uma prova de 2 mil metros, que reflete muito mais a capacidade de resistência aeróbica. Dito isso, a especificidade da Avaliação com Exercícios de MAT Pilates também é essencial. Para tanto é necessário utilizarmos o Método Pilates como ferramenta de avaliação do próprio método.

Normalmente na nossa prática nos Studios de Pilates temos como costume realizar avaliações posturais, funcionais e antropométricas em busca das abordagens principais que teremos em relação aos objetivos dos nossos alunos. Você já parou para pensar que essas avaliações deveriam ser, na realidade, uma prática em qualquer modalidade?

Elas não são específicas para o método e não levam em consideração qual modalidade iremos utilizar a seguir – elas não embasam o planejamento de forma especifica!

E quais parâmetros você usa como base para escolher qual o nível de dificuldade dos exercícios que você vai prescrever para seu aluno? Começar pelo mais fácil e ir progredindo parece a resposta lógica, certo? Até pode ser a abordagem mais segura, mas certamente não é a mais eficiente.

Essa parece a melhor opção, mas você já parou pensar que seu aluno pode ser subestimado e que você vai perder tempo utilizando exercícios que não irão gerar adaptação? Ou pior, escolhendo exercícios abaixo da necessidade do seu aluno pode até mesmo levá-lo ao destreino.

Protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates

Outro ponto, os exercícios do Método Pilates são, na sua maioria, globais. Considerando isso, e se o seu aluno tem flexibilidade para realizar um exercício avançado, mas não possui estabilidade lombo-pélvica para sustentar aquela posição? Você estaria aceitando colocá-lo em uma posição que pode representar risco de lesão? Quando é a hora certa de progredir nos exercícios?

Para responder essas e outras perguntas criei, com base na literatura científica disponível, um protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates que utiliza exercícios do próprio Método Pilates para dar essas respostas e indicar em qual nível de habilidade seu aluno se encontra.

Levando em consideração diferentes aspectos como força de membros superiores, força de membros inferiores, mobilidade, flexibilidade da coluna, flexibilidade de extensores do quadril, força e funcionalidade abdominal, força de extensores da coluna e estabilidade lombo-pélvica.

Cada componente da avaliação exige a análise de mais de um exercício gerando scores que poderão ser acompanhados para garantir a evolução do seu aluno e o ganho de resultados consistes em menos tempo do que um treinamento sem a utilização de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates.

Estamos falando de eficiência, melhores resultados em menos tempo o que levará a maior fidelização dos seus clientes e a entrega do resultado final prometido agregando muito mais valor ao seu trabalho. A comparação da evolução do seu aluno através de uma boa avaliação é primordial quando falamos em retenção de clientes e potencial de indicação.

Além de ver o retorno do seu trabalho de uma forma gratificante, você apresenta os resultados de tal maneira gerando vínculos e confiança. Só existe benefícios em incorporar um bom protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates na sua metodologia de atendimento.

O que se deve observar durante a avaliação?

A Avaliação com Exercícios de MAT Pilates baseia-se na observação das habilidades do avaliado ao realizar uma série de exercícios de MAT Pilates. Para cada exercício estaremos observando aspectos específicos que representam uma ou mais das categorias avaliadas.

Cada exercício possui um número máximo de pontos possíveis e, ao final da avaliação, poderemos calcular se seu aluno é classificado como nível básico, intermediário ou avançado. Isso de forma geral e de maneira específica, entre as categorias citadas anteriormente.

As categorias são compostas pelos scores de um conjunto específico de exercícios e traz um olhar importante. Nossos alunos podem ter diferentes níveis entre as habilidades: muitas vezes um aluno com força pode não ser flexível e classificá-los somente de forma global pode acarretar em erros na hora de prescrever.

Esses resultados vão ajudar a planejar e escolher o nível de dificuldade apropriado dos exercícios, garantindo um trabalho individualizado e prescrito de forma adequada.

Além disso – tendo essa ferramenta em mãos -, será possível planejar os aumentos de dificuldade de forma periódica, períodos de regeneração e reavaliar para realizar os ajustes e apresentar os resultados.

Entre os aspectos observados estão:

  • Capacidade de mobilização da coluna;
  • Capacidade de controlar o movimento em fases excêntricas;
  • Capacidade de manter a organização da cintura escapular;
  • Capacidade de manter a sinergia na contração dos flexores e estabilizadores da coluna.

Conclusão

Avaliar é o primeiro passo de um trabalho responsável, de qualidade e eficiente. Entregar os resultados prometidos no menor tempo possível é o que representa um bom profissional que sabe exatamente o que está fazendo. Existem muitas prescrições realizadas sem planejamento, resultados que vem de forma lenta e muitas vezes por acaso.

Para ter base em um trabalho de sucesso que irá conquistar seus clientes de forma gratificante, tanto para você avaliar e quanto reavaliar seus alunos de forma específica é essencial. A palavra chave que uma boa Avaliação com Exercícios de MAT Pilates pode lhe trazer é EFICIÊNCIA.

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Este artigo foi escrito por Paula Finatto

É atualmente aluna de Doutorado Acadêmico no Programa de Pós Graduação em Ciências do Movimento Humano (UFRGS) realizando o programa Doutorado Sanduíche na Sacramento State University nos Estados Unidos. Mestre em Ciências do Movimento Humano (UFRGS) com ênfase em biomecânica e fisiologia da locomoção humana e Método Pilates. Também é Especialista no Método Pilates (UFRGS) e Bacharel em Educação Física (UFRGS) no ano de 2015/01. Formou-se em 2011/2 em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), integrante do Grupo de Pesquisa Locomotion e do Grupo de Pesquisas em Atividades Aquáticas e Terrestres da UFRGS e do Grupo GPCine (UFRGS). Certificada no Método Pilates pela Espaço Vida Pilates e possui formação no Método Pilates Original pela Associação Brasileira de Pilates atuando como instrutora há 8 anos.

Qual é a melhor forma de prevenir a cervicalgia?

Qual é a melhor forma de prevenir a cervicalgia?

A cervicalgia é um problema comum que deve afetar cerca de 48% da população de acordo com o Global Burden of Disease Study. Na maioria dos casos essas alterações acontecem por causa do processo de envelhecimento natural do corpo, mas também pode surgir por causa de alterações posturais, patologias, traumas e lesões.

Após um episódio de cervicalgia, existem grandes chances que nosso paciente volte a sofrer com o problema. Por isso, é essencial desenvolver um programa preventivo eficiente. Quer aprender a melhor forma de prevenir a cervicalgia? Continue a leitura para relembrar um pouco da anatomia e movimentos dessa importante região e entender o que pesquisas dizem sobre a prevenção.

Anatomia da coluna cervical

A coluna cervical tem uma função bastante essencial: sustentar e movimentar a cabeça, além de proteger diversas estruturas neurais e vasculares. Movemos a cervical quase continuamente durante o dia, chegando a realizar cerca de 600 movimentos por hora ou um a cada 6 segundos.

Essa estrutura é feita de 7 vértebras. As duas primeiras vértebras, atlas e axis, possui propriedades bastante distintas das restantes. O atlas tem forma de anel sem possuir corpo vertebral, ela se articula com a base do crânio através da articulação occipito-axial. É ela que é responsável por boa parte dos movimentos sagitais da cervical.

O axis é a segunda vértebra cervical e tem proeminência que emerge de seu corpo vertebral. Ela se chama processo odontóide, estrutura que se projeta para o interior do atlas, onde forma um pivô sobre o qual a articulação atlanto-axial consegue realizar a rotação do crânio.

Essas duas vértebras não possuem disco intervertebral. Elas são separadas e sustentadas por ligamentos internos.

O restante das vértebras cervicais, de C3 até C7, são mais homogêneas. Elas possuem corpo vertebral anterior e arco neural posterior. Elas se diferenciam das vértebras torácicas e lombares por apresentarem o forame transverso, pelo qual passa a artéria vertebral.

Disco intervertebral

Esses corpos vertebrais são separados por discos intervertebrais, formados pelas partes:

  1. Central – chamada de núcleo pulposo, o qual é constituído em 90% água e proteoglicanos, e
  2. Periférica – denominada ânulo fibroso, formada por fibras resistentes dispostas em lamelas concêntricas.

Essas estruturas realizam a absorção de impacto e dispersam a energia mecânica, sofrendo constantemente com processos degenerativos.

Conforme o corpo envelhece a quantidade de água do núcleo pulposo diminui consideravelmente. Assim, a capacidade de embebição do disco diminui, junto a um aumento do número de  fibras colágenas, determinando uma menor elasticidade e compressibilidade.

Por causa dessas alterações o ânulo fibroso torna-se mais suscetível a rupturas. Isso pode produzir herniações discais e outros tipos de processos degenerativos.

Movimentos da Coluna Cervical

A coluna cervical é responsável pelos movimentos de :

  • Flexão e Extensão
  • Inclinação Lateral à Esquerda e à Direita
  • Rotação à Esquerda e à Direita

Flexão ou Flexão Anterior

Acontece no plano sagital quando o mento se aproxima da parede anterior do tórax. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideos Direito e Esquerdo

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Pré-Vertebrais (longo da cabeça, longo do pescoço, reto anterior da cabeça e reto lateral da cabeça) de ambos os lados. A amplitude articular normal varia de 60º  a 90º.

Extensão

Movimento, no plano sagital, em que a nuca se aproxima do dorso.

Os músculos motores primários são:

  1. Trapézio (Fibras Superiores)
  2. Esplênio da Cabeça
  3. Esplênio do Pescoço
  4. Semi-Espinhal da Cabeça – de ambos os lados

Os motores secundários são:

  1. Extensões Cervicais e Craniais do Eretor da Espinha (iliocostal cervical, longuíssimo da cabeça, longuíssimo do pescoço, espinhal da cabeça, espinhal do pescoço).
  2. Reto Posterior Maior da Cabeça
  3. Reto Posterior Menor da Cabeça – de ambos os lados. A amplitude de movimento articular normal varia entre 50º a 70º .

Flexão ou Inclinação Lateral

Movimento no plano frontal em que a cabeça e o pescoço se aproximam do ombro direito ou esquerdo. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do Lado do Movimento.

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Esplênios da Cabeça e do Pescoço
  3. Oblíquos Superior e Inferior da Cabeça – do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 20 e 40º.

Rotação

Movimento no qual o pescoço e a cabeça giram para direita ou para esquerda em torno de um eixo vertical (50% do movimento ocorre na articulação atlantoaxial). Os motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do lado oposto ao movimento;
  2. Escalenos e Esplênios do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 60 e 90º.

No eixo sagital:

  • Flexão e a Extensão atingem uma amplitude de aproximadamente 70 graus
  • Rotação compreende 90 graus e a lateralização 45 graus, sendo que estas amplitudes são reduzidas com a idade e na vigência de processos inflamatórios.

Exame e diagnóstico da cervicalgia

Ao recebermos um aluno reclamando de cervicalgia ou outros tipos de desconfortos cervicais precisamos realizar:

  • Inspeção;
  • Palpação;
  • Mobilização ativa e passiva;
  • Manobras especiais.

Durante essa inspeção precisamos observar se existem deformidades na coluna. Isso inclui:

  • Alterações da lordose cervical;
  • Posições antálgicas;
  • Anormalidades posturais;
  • Sinais traumáticos.

Durante esse diagnóstico também precisamos realizar a palpação da tireoide e dos pulsos carotídeos. A mobilização ativa e passiva tem como objetivo fornecer a amplitude de movimento e indicar qual deve ser o segmento cervical acometido.

Quando existir dor irradiada para o ombro, escápula e membro superior também precisamos fazer uma avaliação neurológica cuidadosa. A ênfase é nas alterações de reflexos, presença de parestesias ou paresias e distribuição dermatomérica.

Quais são as possíveis formas de prevenir a cervicalgia?

Precisamos lembrar que dor cervical é um problema bastante comum e grave. Ela causa incapacidades que impedem o indivíduo de trabalhar e realizar suas atividades diárias e merece muita atenção.

É exatamente por isso que devemos trabalhar para prevenir a cervicalgia, evitando tais problemas e ajudando nossos pacientes a não repetirem a experiência da cervicalgia.

Para isso, podemos utilizar exercícios de fortalecimento, alongamento, flexibilidade, entre outros. Outra alternativa é utilizar a instrução do aluno para melhorar as condições ergonômicas do seu espaço de trabalho e a realizar alongamentos e outros exercícios laborais para a prevenção.

Entre as estratégias ergonômicas é possível citar:

  • Ajuste da estação de trabalho;
  • Redesenho ou modificação ergonômica;
  • Avaliação da postura durante tarefas diárias;
  • Ajustes dos instrumentos de trabalho;
  • Mudança de função.

Certamente, ao recomendar exercícios preventivos para nossos alunos, queremos oferecer a eles as opções com melhores resultados. Por isso, selecionei uma revisão sistemática baseada no systematic reviews and meta-analysis of studies that evaluate physical healthcare interventions (PRISMA). O estudo comparou a intervenção com exercícios e ergonômica para prevenir a cervicalgia e pode trazer insights importantes para nossos próprios tratamentos.

Qual forma de tratamento é mais eficiente?

A revisão utilizou 5 estudos com um total de 3852 participantes com média de idade de 40 anos. 42% deles eram mulheres. Esses estudos investigaram duas estratégias para prevenir a cervicalgia: programas de ergonomia e exercícios.

Um dos estudos avaliou exercícios de alongamento e resistência que deveriam ser realizados durante o horário de trabalho duas vezes ao dia. Ele era combinado com exercícios domiciliares que deveriam ser adotados por 12 meses.

Outro sugeriu um programa aeróbio geral que incluía:

  • Exercícios de fortalecimento;
  • Estabilização;
  • Alongamento;
  • Informações sobre saúde;
  • Treinamento do controle do estresse;
  • Atividades práticas no local de trabalho.

Esse programa era realizado por 1 hora, 3 vezes na semana ao longo do período de 9 meses.

Os outros 3 estudos analisados estudaram os efeitos de programas de ergonomia quando comparados a nenhuma intervenção ou intervenção mínima. Infelizmente, os resultados não se mostraram muito satisfatórios. Existem poucos indícios de que somente o programa de ergonomia interfira para prevenir a cervicalgia.

Esses resultados também indicam que talvez existam outros fatores relacionados ao desenvolvimento de dor cervical além de adaptações ergonômicas no trabalho e na vida diária.

Os estudos que analisaram um programa de exercício, no entanto, mostraram evidência moderada do efeito benéfico de exercícios na prevenção. De acordo com eles, esse tipo de programa preventivo para prevenir a cervicalgia reduz o risco de dor cervical em 53%.

Conclusão

Apesar dos resultados apontarem exercícios como a forma mais eficiente de prevenir a cervicalgia, isso não nos deixa um tratamento definido. Os exercícios utilizados podem e devem variar de acordo com o caso, indo de abordagens focadas na cervical até exercícios de fortalecimento, alongamento e flexibilidade global.

Portanto, posso encerrar esse artigo recomendando que sempre avalie seu aluno para compreender melhor o que causou o primeiro episódio de dor. Talvez ele tenha uma combinação de desequilíbrios que um protocolo feito para outro indivíduo não atende.

Quer aprender ainda mais a respeito de avaliação do movimento para proporcionar o melhor tratamento e prevenção para seu aluno? Então confira meu curso de avaliação postural, que te dá informações ainda mais completas sobre o assunto.

Qual é o Melhor Posicionamento da Coluna no Pilates?

Qual é o Melhor Posicionamento da Coluna no Pilates?

Sabemos que o Pilates não é uma receita pronta, com comandos mágicos que consertam o problema de qualquer aluno. Então, o que será que eu quero tentar atingir nesse texto falando do melhor posicionamento da coluna nas aulas?

Quero mudar ideias já ultrapassadas sobre a coluna ideal sendo ereta, algo que pode proporcionar apagamento de suas curvas fisiológicas. Quem trabalha com Pilates precisa aprender a trabalhar a coluna do aluno para conseguir equilibrar sua mobilidade e equilíbrio. Quer aprender melhor? Continue lendo esse artigo.

Estabilidade da coluna

Antes de qualquer coisa, precisamos entender a estabilidade da coluna, já que ela é fundamental nos nossos atendimentos. Joseph Pilates foi genial na criação de seu método com a estabilização segmentar.

De acordo com Pilates, precisamos fortalecer o Power House para ter efeitos positivos no Método. Quanto mais forte for esse núcleo, mais estável estará a coluna vertebral. Apesar de não estar exatamente errado pela física, esse conceito é bastante mal entendido no meio das atividades físicas.

Atualmente, muitos confundem a estabilidade com rigidez. Mas a rigidez é um problema que pode gerar diversas patologias e desvios, precisando ser corrigido com mobilidade. Infelizmente, a mobilidade vem sendo bastante ignorada.

De acordo com a física, a estabilidade é a energia potencial de um corpo que pode ser armazenada nele. Um corpo equilibrado consegue transformar a energia potencial em energia cinética. Em geral, transformamos energia potencial gravitacional em cinética usando nossos tendões, que também geram estabilidade para manter o corpo em movimento.

Mas o que exatamente é a estabilidade?

A estabilidade é o mesmo que rigidez vezes mobilidade. Portanto, ao fortalecer o Power House em excesso conseguiremos muita rigidez e a mobilidade ficará prejudicada. Dessa maneira, o corpo perde a energia potencial elástica que poderiam ser geradas nos músculos.

Só tome cuidado: muita mobilidade também é problemática. Com um excesso dessa característica perdemos a estabilidade e a energia potencial elástica.

Caso o corpo estiver em equilíbrio ele consegue utilizar sua energia potencial de forma econômica, seja na rigidez ou mobilidade. Tudo isso sem qualquer risco de lesão.

Portanto, se quisermos considerar o Pilates um exercício completo, ele precisa proporcionar tanto mobilidade quanto rigidez para o corpo. Uma rápida dica: o Pilates é extremamente completo, basta saber utilizar o posicionamento da coluna e outros fatores corretamente.

Precisamos aplicar alguns ajustes para usar menos força na ideia de estabilização segmentar para continuar proporcionando seus benefícios à coluna vertebral sem prejudicar o restante dos sistemas.

Posição da coluna para diferentes tipos de pacientes

Acredite ou não, a respiração é um ponto essencial na nossa estratégia para garantir mobilidade e estabilidade à coluna. De acordo com Joseph Pilates, precisamos de respiração profunda durante os exercícios do seu Método. Ainda segundo ele, a respiração ajuda a oxigenar todos os átomos do corpo. Quero acrescentar que precisamos de tipos diferentes de respiração de acordo com a necessidade do seu aluno.

Nos tempos de Joseph, a ideia de uma coluna ereta era o mais aceito como saudável. Mas atualmente já sabemos que existem curvaturas que são fisiológicas e precisam ser respeitadas. Por isso, devemos utilizar comandos respiratórios que ajudem nosso aluno a manter suas curvaturas fisiológicas ao mesmo tempo que corrigem os desvios posturais.

Quero destacar aqui os hipercifóticos e retificados. No primeiro caso eles precisam levar o ar inalado para o peito, facilitando o movimento da curvatura prejudicada da coluna. Os alunos retificados possuem um apagamento das curvas fisiológicas e precisam respirar levando o ar inalado para as costas.

A respiração continua sendo um dos fundamentos do Pilates e uma parte essencial dos tratamentos feitos com ele. Mas ela é realizada de maneira mais sutil, respeitando o ritmo, fluência e sequência dos exercícios. Adaptando o processo respiratório de acordo com a necessidade do aluno conseguimos melhoria significativa na sua postura, estabilidade e mobilidade.

Posicionamento da Coluna no Pilates

Pilates buscava a coluna ereta através do seu método, algo que ainda é aplicado por quem pratica o Pilates original. Novas pesquisas indicam que a retroversão é ainda mais prejudicial, aumentando muito a pressão sobre os discos intervertebrais. Por isso, o conceito aceito atualmente é que devemos sempre buscar a coluna neutra.

O que muitos profissionais fazem é ficar de olho no posicionamento da pelve, como indicativo da posição do restante da coluna. Assim, em alguns exercícios o aluno mantém a pelve neutra, mas a dorsal e cervical em sofrimento.

Durante as aulas, começamos levando o aluno para a pelve ideal para ele. Ou seja, não é o que nossa visão profissional dita, mas sim a posição mais confortável para seu corpo. Aos poucos podemos realizar adaptações na sua pelve e postura para deixá-lo mais perto da nossa própria ideia de neutro ideal.

Para conseguir chegar ao posicionamento correto da coluna precisamos de uma boa progressão de exercícios. O aluno não deixará de ser retificado e hipercifótico da noite para o dia, portanto, tenha paciência e avance com passos pequenos.

O que chamo de neutro ideal aqui nesse artigo pode ser resumido em:

  • Cervical lordótica neutra;
  • Dorsal cifótica neutra;
  • Lombar lordótica neutra.

Quando alguém está em decúbito dorsal é preciso manter a base do crânio, da coluna dorsal, as costelas flutuantes e a base do sacro no solo.

Conclusão

Joseph Pilates realmente foi genial ao criar seu método. Seus equipamentos, por exemplo, não foram criados de maneira aleatória. Na verdade, cada um foi criado como um verdadeiro emaranhado físico, com seus vetores de forças e forças elásticas capazes de moldar o corpo de um indivíduo.

Mas para conseguir obter o maior benefício desses equipamentos, ainda precisamos de uma coluna em ordem, que possui sua mobilidade e estabilidade garantidas. Tente ensinar ao seu aluno maneiras de adotar a coluna neutra ideal, nem que ele demore a desenvolver essa postura. Através disso conseguimos prevenir lesões e até tratá-las.

Alinhamento postural: como o Pilates pode ajudar?

Alinhamento postural: como o Pilates pode ajudar?

Os desvios posturais são um problema frequente em nosso Studio de Pilates. Eles podem causar dor, lesão e perda de mobilidade para o paciente e devem ser resolvidos. Sabia que podemos tratar alinhamento postural utilizando o Pilates? Confira tudo no artigo abaixo.

O que é alinhamento postural?

Ao contrário do que nossas mães pensavam quando nos mandavam manter a coluna reta, não existe uma postura perfeita. Na verdade, cada corpo possui adaptações e características únicas que fazem com que sua postura ideal seja um pouco diferente da do outro. O que precisamos entender a respeito do alinhamento postural é que ele deve acontecer de maneira a exigir a menor ação muscular possível para manter o corpo na posição ereta.

Para isso, a coluna não deve estar retificada com suas curvaturas fisiológicas apagadas ou com elas exageradas. Já sabemos que boa parte dos nossos pacientes se encaixa em um desses dois grupos, o que é um problema.

O controle postural é um sistema complexo que exige ajustes por parte de nosso corpo a todo momento. É preciso receber informações sobre o posicionamento dos segmentos corporais e logo em seguida realizar ajustes da tensão muscular para manter o equilíbrio e a posição. Pensa que é tarefa fácil? Não, seu corpo está utilizando um sistema complexo de feedback e feedforward para te manter em pé.

Para isso, esses sistemas utilizam informações sensoriais e de atividade muscular que regulam a postura. Isso acontece em todos os movimentos. Sempre precisamos de contrações musculares que sejam baseadas em informações dos sistemas:

  • Visuais;
  • Vestibulares;
  • Auditivos;

Esse sistema de adaptações complexa precisa de um corpo com funcionamento perfeito para funcionar. O sistema nervoso central (SNC) só consegue realizar os ajustes posturais corretos quando não existe qualquer tipo de desvio prejudicando a posição. As fraquezas musculares também fazem com que o alinhamento postural fique prejudicado.

Problemas causados pelo mau alinhamento

Estudos indicam que a incidência de desvios posturais e dores relacionadas à má postura vem aumentando nos últimos anos. O controle postural é essencial para que o corpo consiga:

  • Proteger-se de lesões;
  • Favorecer a funcionalidade;
  • Melhorar o conforto;
  • Diminuir o consumo energético.

Quando o indivíduo não possui bom alinhamento postural, ele estará exposto a desvios posturais e até ao desenvolvimento de patologias. Quando um segmento corporal está em desequilíbrio ele força adaptações do SNC que levam ao desenvolvimento de desequilíbrios posturais.

Sabemos que o corpo nunca deixa de se mover por causa de um segmento desequilibrado. Portanto, ele realiza alterações musculares para compensar essa região alterada e adota posturas incorretas. Ou seja, o corpo acaba exposto a maior tensão muscular e até pressão exercida sobre as articulações para continuar se movendo.

Para identificar o que seria considerado como mau alinhamento postural podemos utilizar o conceito de Kendall et all. Para ele, a postura está relacionada a um estado de equilíbrio articular. Uma boa postura favorece movimentos simétricos que não realizam gasto excessivo de energia.

Mesmo quando seu paciente não reclama de dor ou possui evidências de uma patologia do sistema musculoesquelético, ele pode ter problemas de alinhamento postural. Apesar desses problemas não gerarem problemas imediatos, eles aumentam a probabilidade de desenvolver uma lesão ou patologia no futuro.

Através da avaliação postural que você realiza nos seus pacientes assim que eles começam a treinar com você indica a presença de tais desvios. Depois de identificá-los, chega a hora de começar a correção. Isso pode ser feito através do movimento, incluindo o movimento do método Pilates.

Influência das cadeias musculares nos problemas posturais

Quem me acompanha no blog sabe que sou forte defensora do conceito de cadeias musculares para realizar um tratamento globalizado e eficiente do corpo. Nos desalinhamentos posturais não poderia ser diferente.

Durante a própria avaliação precisamos buscar tensões e encurtamentos nas cadeias musculares para conseguir realizar um tratamento eficiente. Precisamos considerar inclusive o posicionamento de regiões periféricas do corpo, como mãos e pés. Os pés são inclusive parte importante do alinhamento postural. Seus desvios causam alterações importantes em todo o corpo.

As cadeias musculares agem de maneira a atingir um correto alinhamento postural. Isso acontece através da associação entre o tecido conjuntivo fibroso e tecido contrátil. Os músculos contraem-se de forma conjunta em antecipação ao movimento.

Portanto, as alterações posturais levam a desequilíbrios por toda a cadeia muscular.

Como Pilates ajuda a melhorar a postura

O Pilates é conhecido por seu eficiente trabalho de todos os músculos corporais, chamado de princípio da contrologia no método. O Pilates trabalha com movimentos realizados com perfeição, utilizando o centro de gravidade e sua eficiência da cadeia cinética. Portanto, quanto maior for a ativacao muscular, mais o individuo consegue manter os movimentos do corpo e prevenir lesões.

Na maioria das modalidades o indivíduo raramente presta atenção na qualidade do movimento realizado. Ele quer fazer as séries rapidamente e passar para o próximo. Bem, isso é algo que pode levar ao surgimento de lesões, e não podemos permitir que aconteça no método Pilates

O Pilates trabalha também com forte ênfase na respiração. Coincidentemente, a respiração é bastante relacionada à coluna vertebral. Precisamos inclusive adotar tipos de respiração diferente para indivíduos hipercifóticos, retificados ou com excesso de mobilidade, mas isso é assunto para outro artigo.

As principais vantagens de utilizar o método para o alinhamento postural são:

  • Trabalho global do corpo;
  • Alívio das tensões musculares;
  • Progressão do movimento;

Conclusão

Podemos perceber que o Pilates é um método eficiente para trabalhar a força muscular, alinhamento postural, flexibilidade, entre outros. Conseguimos utilizar o fortalecimento muscular para melhorar o alinhamento e também corrigir diversos tipos de desvios posturais.

Só gostaria de lembrar que devemos tomar cuidado com o trabalho imposto durante o Pilates. Muitos dão foco unicamente para o fortalecimento, que pode provocar rigidez em excesso sem sequer resolver os desalinhamentos. Precisamos combinar mobilidade e fortalecimento para garantir uma coluna com movimentos fisiológicos.

 

Bibliografia
  • TEIXEIRA, Ana Luiza Menezes et al. Os efeitos do método Pilates no alinhamento postural: estudo piloto. Fisioterapia Ser, Rio de Janeiro, v. 3, n. 4, p. 210-215, set. 2008. Disponível em: <http://www.pilatesfisios.it/ricerche%20pdf/Os%20efeitos%20do%20metodo%20pilates%20no%20alinhamento.pdf>. Acesso em: 04 set. 2018.
  • Sinzato, C., Taciro, C., Pio, C., Toledo, A., Cardoso, J., & Carregaro, R. (2013). Efeitos de 20 sessões do método Pilates no alinhamento postural e flexibilidade de mulheres jovens: estudo piloto . Fisioterapia E Pesquisa20(2), 143-150. https://doi.org/10.1590/S1809-29502013000200008