3 Erros na Avaliação Postural que você não pode cometer!

3 Erros na Avaliação Postural que você não pode cometer!

Erros na avaliação postural são extremamente problemáticos para você e seu aluno. Quer garantir um trabalho com qualidade e resultados? Então continue lendo para entender esses erros e conseguir preveni-los ao avaliar seu aluno.

Por que não podemos cometer erros na avaliação postural?

Só existe um motivo para seu aluno estar trabalhando com você: ele quer resultados. Pode ser para a recuperação de alguma lesão ou dor, retorno às atividades físicas ou melhorar a qualidade de vida, por exemplo. Para conseguir isso, você precisa entender exatamente o que está acontecendo no seu corpo.

Sem esse conhecimento torna-se impossível realizar um tratamento realmente eficiente. Então por que muitos profissionais tratam a avaliação como parte de um protocolo que precisam fazer rapidamente?

Erros na avaliação postural são extremamente prejudiciais para seu aluno ou paciente. Todo o resultado do tratamento pode ser perdido porque você esqueceu de observar alguns detalhes durante esse processo! Quer evitar isso? Separei alguns erros que ninguém pode cometer durante a avaliação.

1. Não avaliar cadeias musculares do movimento

Se você acompanha meu trabalho sabe a importância que dou para as cadeias musculares no atendimento. Inclusive tenho um curso inteiro sobre esse tema, se você quer detalhes mais aprofundados recomendo conferir.

Um dos erros na avaliação postural que não pode acontecer é deixar de lado a avaliação das cadeias musculares. As cadeias cruzadas são as cadeias do movimento. Portanto, solicitamos que o indivíduo, que está em pé, leve seus membros superiores a noventa graus de flexão em adução complementar. Portanto, as duas mãos ficam na linha média corporal do aluno.

Nesse momento, observe qual mão está à frente. É ela que indica uma tensão na cadeia cruzada anterior do lado oposto. Ela segue do quadril oposto da mão à frente e segue até o ombro do mesmo lado.

Outra possibilidade é que exista uma tensão na cadeia cruzada posterior do mesmo lado. Essa cadeia sai do ombro oposto até o ilíaco do mesmo lado. Ela gera a rotação do tronco para o lado da cadeia muscular cruzada anterior do tronco, movimento de rotação complementado pela cadeia muscular de abertura na unidade tronco.

2. Esquecer o teste renal

Sabemos que questões viscerais regulam o corpo. Toda a estrutura se adapta para corrigir um problema causado pelas vísceras. Por isso, precisamos realizar uma avaliação completa que considere as vísceras, entre elas os rins.

Para evitar os erros na avaliação postural, realize testes específicos. O avaliado deve estar em pé, nós nos posicionamos atrás dele e apoiamos nosso polegar abaixo das últimas costelas flutuantes de um lado, paralelo a coluna vertebral e fora dos processos transversos. É aí que se encontram os rins.

Exercemos uma leve pressão na região, realizando passivamente uma flexão lateral do tronco do aluno para o mesmo lado do polegar. Caso o paciente reclame de dor no local onde o polegar está posicionado, estaremos diante de uma tensão renal que se reflete para os quadrados lombares.

O teste deve ser realizado de ambos os lados, testando assim os dois possíveis pontos de tensão renal. O teste provoca tensão na cadeia muscular de extensão. É importante lembrar que testes viscerais não são um diagnóstico para doenças, mas sim possíveis tensões geradas por questões viscerais de um corpo que guarda tudo em sua memória. O aluno também precisa estar ciente disso para evitar preocupações desnecessárias.

3. Não avaliar a pressão intra cavitária (PIA)

A pressão intra cavitária pode alterar diversos processos no organismo. Muitos alunos possuem problemas relacionados a ela e o profissional não consegue resolvê-los por problemas de avaliação.

Durante a avaliação das cadeias musculares, seguimos o conceito de um corpo viscerado. Portanto, proponho a vocês uma avaliação da pressão intra cavitária (PIA) para identificarmos um possível aumento de pressão interna nas vísceras e órgãos internos.

Para isso, começamos posicionando o avaliado em decúbito dorsal na maca com os membros superiores ao longo do corpo. Os membros inferiores ficam relaxados e, a partir desse posicionamento, apoiamos uma de nossas mãos sobre a região infra umbilical da região abdominal do paciente ou aluno e exercermos uma pressão em direção a maca.

Quando o resultado do teste é normal, a mão penetra sem tensões ou qualquer tipo de restrição bloqueando-a. O paciente também não pode sentir dor para um exame normal.

Também devemos testar a região supra umbilical do avaliado. O resultado normal é caracterizado por um resultado idêntico ao anterior, sem restrição ou dor durante o exame. Se observarmos algum tipo de resistência ou dor na região supra umbilical, estamos diante de tensões dos órgãos da cavidade peritoneal. Caso o teste se apresente positivo para a região infra umbilical, estamos diante de tensões dos órgãos da cavidade pélvica.

Se, durante a avaliação estática, observarmos pregas cutâneas indicativas de um aumento de tensão na cadeia muscular de flexão e o teste de avaliação da PIA for positivo, teremos um pouco de trabalho à frente. Nesse caso, estamos lidando com retrações dos órgãos por causa de forças centrípetas.

Também é possível que as pregas cutâneas não sejam observadas durante a avaliação estática. Nesse caso, se o teste de avaliação da PIA estiver positivo, temos uma tensão de cadeia de extensão. Ela acontece pela congestão abdominal.

Na cadeia de extensão podemos ainda encontrar um ponto de retração visceral, gerado pela tensão dos rins, caso o avaliado tome muitos medicamentos, suplementação protéica, ou simplesmente pelo fato de beber pouca água.

Conclusão

Percebeu como nunca podemos cometer erros na avaliação postural? Eles podem alterar completamente nossa visão sobre o aluno, fazendo com que deixemos de identificar causas musculares ou viscerais para problemas de movimento.

Quer evitar possíveis erros na avaliação postural? Recomendo que você continue estudando a respeito do assunto. Conhecimento nunca é demais e só pode nos tornar profissionais mais completos. Por isso, recomendo meu artigo com mais 4 erros que você talvez esteja cometendo sem perceber.

Avaliação dos pés: o erro que você não pode cometer no Pilates

Avaliação dos pés: o erro que você não pode cometer no Pilates

Durante a avaliação estamos tão concentrados na coluna e postura do nosso aluno que podemos esquecer os pés. Na realidade, eles são essenciais para movimento e precisam de atenção, especialmente no Pilates.

Joseph Pilates sabia disso quando criou seu método. Por isso, possuímos tantos exercícios que ajudam a organizar a mecânica dos pés e proporcionar uma melhor organização corporal. No entanto, só saberemos usá-los se soubermos avaliar o paciente.

Hoje falarei um pouco sobre a biomecânica dos pés e como ela influencia na prática do Pilates. Assim, você terá uma melhor base para sua avaliação durante as aulas.

Por que os pés são tão importantes?

Todos os corpo físicos, inclusive o humano, são regidos por leis gravitacionais. De acordo com essas lei, um corpo só está em equilíbrio quando a vertical traçada partindo de seu centro gravitacional cai em sua base de sustentação. Essa é a base da fisiologia estática.

É fácil de entender isso em corpos mais simples, mas como funciona no corpo humano? Somos complexos e nosso centro de gravidade geral é resultado de diversos fatores. Posições variadas e sequenciais no espaço formam os centros de gravidade de cada unidade funcional do corpo.

A lei da estática nos direciona para compreender a lei das compensações, tão importante na prática do Pilates. Quando estamos em posição ortostática não acontece desequilíbrio segmentar de uma unidade corporal sem que existe compensação sequencial. Ou seja, uma área desequilibrada no corpo causa compensações em outras.

A postura humana pode ser considerada como um desequilíbrio permanente que se corrige e se compensa com complexos mecanismos. Quando estamos em bipedestação o corpo nunca está parado. Ele oscila sobre sua base, alterando postura e posição.

Como ocorre o equilíbrio do corpo

Antes de explicar mais sobre o equilíbrio, precisamos relembrar as três unidades funcionais do corpo humano. Os membros inferiores consistem na base de todo o movimento, por isso dediquei esse texto à avaliação dos pés.

Também existe a unidade tronco, que é responsável pelo desequilíbrio. Por último, temos a unidade cabeça e pescoço, que possui órgãos de orientação espacial e coordena o conjunto.

Sabendo que os membros inferiores são a base do corpo, podemos entender que o apoio dos pés no solo resulta numa boa estática. Para isso, os pés utilizam seus próprios mecanismos, como a articulação do tornozelo.

Tornozelo

O tornozelo é composto por dois ossos:

  • Tíbia;
  • Fíbula.

Esses ossos estão ligados a uma polia que conhecemos como tálus. É esse encaixe em forma de polia que é responsável por formar os maléolos interno e externo. Eles permitem ao tornozelo dois movimentos, a flexão dorsal (anterior) e flexão plantar (posterior.

O tornozelo precisa ser uma articulação bastante estável, por isso possui sua flexão plantar naturalmente diminuída. Na prática conseguimos perceber isso muito bem, já que diminuímos substancialmente nossa base de equilíbrio.

Existe outra estrutura, o sub tornozelo, que permite os movimentos laterais. Ele é formado pelo tálus e ossos do metatarso. É a articulação que realiza os movimentos de inversão e eversão do pé.

Além disso, os pés também possuem uma região anterior, o ante-pé, que possui a articulação tarsometatarsial com cinco metatarsos. São eles que permitem os movimentos anteriores, apesar de terem mobilidade diminuta.

Física do movimento nos pés

Durante o movimento os pés recebem a descarga da nossa massa corporal a todo momento. Nessa etapa, eles têm a importante função de amortecimento. Quando estamos em bipedestação, existem trações musculares partindo do pé que transformam a força gravitacional em energia cinética.

Os músculos dos pés possuem a ação de uma mola. Portanto, realizam o armazenamento da energia cinética em sua fibra e a liberam quando a contração muscular na região for solicitada.

Para a física, a energia é a capacidade de realizar trabalho. Nesse escopo, a energia cinética é aquilo que um corpo adquire quando está na dinâmica, em movimento. Ela é dependente de duas grandezas matemáticas que o corpo em movimento possui: massa e velocidade.

Por isso é tão importante respeitar a sincronia muscular que nos rege. Os pés servem como molas propulsoras para o restante do corpo. Quando organizamos os arcos plantares conseguimos melhorar a utilização de forças físicas e mecânicas que nos regem, melhorando o movimento.

Como a avaliação dos pés influencia no Pilates

Realizar uma boa avaliação dos pés pode mudar completamente sua aula de Pilates. Joseph Pilates sabia dessa sincronia muscular, portanto criou métodos de trabalhar os pés muito eficientes. Na série dos Footworks ele exigiu de forma inteligente um bom trabalho dos pés. Assim, seria possível evitar a desorganização dessas bases do corpo nas aulas.

Os Footworks também possuem aplicabilidade física. Eles utilizam a extensão e flexão de quadris e joelhos para auxiliar a organizar e até tratar os pés. Essa série é fundamental para sua aula e você, profissional, precisa saber quando usá-la.

Existem muitas lesões corporais músculoesqueléticas ascendentes que surgem por causa de má organização plantar. Em idosos esse trabalho também auxilia a prevenir quedas, mas falarei mais a respeito disso em outro artigo.

Como o Reformar trabalha a biomecânica dos pés

Depois de realizar uma avaliação dos pés é preciso encontrar formas de trabalhá-los em aula. Felizmente, temos tudo que precisamos no Pilates, mesmo que exista uma tendência a negligenciar os pés nas aulas diárias. Como uma boa organização corporal depende do seu alinhamento, não podemos esquecê-los.

Muitos exercícios de Pilates expõem a fragilidade dos tornozelos e exigem atenção especial. Eles incluem:

  • Footwork;
  • Running;
  • Stomach massage;
  • Longo stretch;
  • Up stretch;
  • Arabesque;
  • Frontsplits;
  • Semicircle;
  • Leg pull front;
  • Push up series.

Todos esses exercícios são realizados no Reformer e existe um motivo simples para isso. Esse equipamento foi desenvolvido por Joseph Pilates especificamente para melhorar a organização dos pés. Para Joseph, exercícios na posição horizontal eram imprescindíveis em nossas aulas.

De acordo com ele, esses movimentos ajudavam a aliviar o estresse e tensão articular, assim como melhorar o alinhamento corporal. Esses benefícios são ainda melhor aplicados aos pés, já que boa parte dos exercícios no Reformer exigem sua boa organização.

Quando realizar um exercício no Reformer com seu aluno nunca deixe que se movimente com compensações iniciando pela base de sustentação.

Devemos corrigir as compensações, inclusive as que surgem acima. De acordo com Joseph Pilates, as aulas deveriam sempre começar deitado. Era uma forma de seguir a lógica de movimentos que o aluno realiza durante o dia, começando com o acordar.

Conclusão

A avaliação dos pés tem um papel especial no Pilates, mesmo que muita gente esqueça. Existem mais de 100 movimentos que foram criados por Joseph Pilates especialmente para o Reformer e que exigem uma boa organização dos pés.

Para Pilates, treinar com a carga externa das molas do Reformer tornaria o corpo humano e seu movimento mais eficiente. Assim, conseguimos preparar o corpo para a retirada da carga na sua condição habitual, longe da aula de Pilates.

A resistência oferecida para os pés pelas molas incentiva uma adaptação mais rápida do sistema neuromuscular. Em outros casos, ele pode facilitar os exercícios para que seu aluno consiga corrigir sua mecânica corporal e obter melhores resultados.

Como faço Avaliação Respiratória em meu aluno?

Como faço Avaliação Respiratória em meu aluno?

Sabemos que os hábitos modernos causam diversas alterações em nosso padrão de vida. Desde a postura até o movimento, tudo sofre por causa dos hábitos sedentários, inclusive a respiração. Os padrões respiratórios de nossos pacientes estão alterados com frequência.

No momento da avaliação postural também precisamos analisar o padrão respiratório do indivíduo. Neste momento, é primordial a realização da Avaliação Respiratória.

Assim, conseguimos saber se o diafragma está livre de suas tensões, se a respiração é torácica ou abdominal e se o diafragma trabalha em inspiração ou expiração.

Considerando que o diafragma tem suas inserções fixas na lombar, sempre precisamos desse músculos inspiratórios com boa mecânica de funcionamento.

Como acontece a respiração?

O ato respiratório acontece com a ação de diversas estruturas. Elas proporcionam a entrada e saída de ar das vias áereas no conjunto que chamamos de sistema respiratório. Ele é dividido em duas partes:

  • Parede torácica: funciona como uma bomba, cuja função é movimentar gás para dentro e para fora dos pulmões;
  • Pulmões: tem por função trocar oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2) entre o organismo e o meio ambiente.

Assim como ocorre em qualquer outro músculo do corpo, os respiratórios possuem dois tipos de fibra.

Podem ser de tipo I, fibras vermelhas para trabalho tônico e de baixa intensidade. Ou podem ser de tipo II, brancas ou fásicas, que são fibras de contração rápida.

A caixa torácica também é parte essencial desse sistema e está diretamente ligada aos pulmões. Portanto, precisamos de sincronismo entre pulmão e musculatura respiratória para garantir um bom ciclo.

Padrão respiratório

No início desse artigo mencionei como o padrão respiratório de nossos alunos pode estar alterado. Basicamente, um indivíduo com padrão normal tem os movimentos torácico e/ou abdominal com presença ou ausência de musculatura acessória. Também existem algumas variáveis, como:

  • Volume Corrente (Vt);
  • Frequência Respiratória( Fr);
  • Volume Minuto (Ve);
  • Relação Inspiração/ Expiração (I:E).

Durante um ciclo respiratório satisfatório, o centro respiratório dorsal do bulbo envia estímulos inspiratórios através da via parassimpática. Assim, os músculos inspiratórios se contraem da seguinte maneira:

  • 60% a 70% da inspiração: diafragma. Ele abaixa sua cúpula e dá início ao movimento de “alça de balde” das costelas inferiores, que aumenta o diâmetro látero-lateral da caixa torácica;
  • Músculos intercostais externos: são responsáveis por atuar sobre as costelas superiores e realizar o movimento de “alça de bomba”. Com isso, o diâmetro ântero-posterior da caixa torácica aumenta. O movimento inspiratório desse músculo diminui a pressão pleural (Ppl) e altera o gradiente transpulmonar;
  • Alvéolos: se expandem e diminuem a pressão alveolar (Palv – lei de Boyle), o que altera o gradiente transrespiratório. O ar é deslocado da atmosfera, onde existe maior pressão, para os alvéolos, com menor pressão. Para isso, ele precisa primeiro passar pelas vias aéreas superiores, onde é umidificado, aquecido e filtrado.

No fim do ciclo de inspiração a energia elástica armazenada é usada para que a expiração ocorra. Ele é um evento passivo.

Ao final da expiração a retração elástica dos pulmões atua desinsuflando-os no volume pulmonar (capacidade residual funcional – CRF). Ela é compensada pela retração elástica do tórax, que age para fora.

Esse é o ponto de equilíbrio do sistema respiratório. Para conseguir vencer a retração elástica dos pulmões e a resistência ao atrito ao fluxo de ar, é preciso a contração muscular inspiratória.

Assim, inicia-se um novo ciclo respiratório. A respiração torna-se ativa quando realizamos algum esforço, como no exercício físico, ou se a saída de ar dos pulmões estiver dificultada.

Passo a Passo da Avaliação Respiratória

Para conseguir realizar a avaliação respiratória, começamos pela posição inicial adequada. O paciente deve estar em decúbito dorsal com os joelhos fletidos e com a cabeça em leve flexão.

Então posicionamos nossos polegares abaixo do apêndice xifóide e pedimos para o paciente realizar uma inspiração e expiração profunda.

Quando o teste é normal e o diafragma está livre de tensões nossos polegares sobem no momento da inspiração e desce na expiração. Isso acontece em sincronia na mesma excursão, tanto na inspiração quanto na expiração.

Podemos encontrar as seguintes alterações durante esse teste:

  • No momento da inspiração os polegares são muito elevados e não abaixam durante a expiração. Isso nos mostra um diafragma que trabalha em baixa, gerando uma respiração torácica. Estaremos diante de um diafragma hipertônico. Ele pode inclusive alterar a conformação óssea do manúbrio, observamos então um peito escavatum.
  • No momento da inspiração os polegares não sobem, porém quando na expiração os polegares descem muito. Assim percebemos que esse diafragma trabalha em alta, funcionando em expiração. Estamos de um diafragma hipotônico e possivelmente diante de de um peito de pombo.

Em alguns casos as alterações são muito discretas para perceber com o teste mencionado acima. Nesse caso, podemos ainda realizar um teste de cinesiologia aplicada.

Durante a avaliação respiratória o indivíduo permanece em decúbito dorsal e com os membros inferiores e a cabeça relaxados e apoiados na maca.

Escolhemos qualquer músculo no corpo para testar sua força. Vou usar o bíceps como um exemplo para poder explicar o teste para a avaliação respiratória.

Mantenha um dos membros superiores em flexão de cotovelo e solicite ao avaliado que não deixe que seu cotovelo estique. Assim, ele mantém uma contração isométrica.

Depois, pedimos ao avaliado sua respiração. Se ele for capaz de manter a força isométrica do bíceps na inspiração e na expiração o teste está normal.

Em alguns casos, o avaliado perde sua força na inspiração, portanto estamos diante de um diafragma hipotônico que trabalha em alta.

Em outros, ele perde sua força na expiração e estamos diante de um diafragma hipertônico que trabalha em baixa.

Conclusão

Assim como outros tipos de avaliação sobre os quais falei aqui no blog, os dados da avaliação respiratória devem coincidir com o histórico clínico do nosso aluno.

Quando percebemos um diafragma hipertônico que trabalha em baixa podemos perguntar sobre possíveis doenças pulmonares.

Elas geram uma força centrípeta nos pulmões e solicitam maior entrada de ar. Alguns exemplos são atelectasias e quadros asmáticos.

Ao contrário, quando estamos diante de um diafragma hipotônico é possível que o corpo tenha passado por um quadro patológico.

Isso pode ter acontecido há algum tempo e, mesmo durante um curto período, pode gerar compensações importantes.

Uma pericardite, um quadro infeccioso pulmonar ou até um quadro bacteriano hepático podem prejudicar o sistema respiratório.

A patologia pode exigir que o diafragma se contraia menos durante a inspiração. Assim, o músculo diafragmático diminui sua contração inspiratória para que o corpo não sofra ainda mais.

Até estresse, angústia, ansiedade e depressão e outras alterações somáticas podem causar um ato respiratório mais superficial ou ainda mais profundo.

Nunca devemos ignorar a avaliação de patologias psiquiátricas ou alterações somáticas. Elas alteram completamente nosso diagnóstico.

Avaliação Postural: da Entrevista até Lesões Ascendentes/Descendentes

Avaliação Postural: da Entrevista até Lesões Ascendentes/Descendentes

A avaliação postural é uma fase importante do tratamento. Podemos considerar que, se ela não for realizada corretamente, o indivíduo não terá o tratamento eficiente que merece. Podemos até acabar errando nos exercícios se não formos cuidadosos.

Portanto, é essencial relembrar alguns dos passos iniciais desse processo para conseguirmos melhorar nosso atendimento. Nesse artigo falo a respeito da avaliação: desde quando o aluno chega no seu espaço até a identificação de lesões ascendentes ou descendentes.

Como iniciar a avaliação?

Assim que o aluno chega ao studio ou consultório. Preste atenção na forma como ele se senta, seus gestos, modos de falar e expressões de dor. Tudo o que é importante deve ser anotado para você conseguir elaborar uma proposta de tratamento muito mais eficiente.

Uma dica importante aqui é: busque seu aluno na recepção ou sala de espera. Não peça para um colega ou secretária buscá-lo. Ao encontrar o aluno esperando por você, é possível encontrá-lo “despreparado”, ou seja, ele ainda não sabe que está sendo avaliado. É a oportunidade perfeita para descobrir seus problemas.

Por exemplo, como sabemos que a cadeia muscular de flexão ou antero mediana tem sua origem no assoalho bucal, segundo madame Godelieve Denys Struf e Leopold Busquet. Quando o aluno nos comprimenta podemos perceber alterações na fala.

Entre elas encontramos possível prognatismo, ankiloglossia (língua presa). Portanto, já temos uma pista importante para uma possível tensão nessa cadeia muscular, o que nos servirá para ao final da avaliação fecharmos nossos objetivos, diagnósticos e condutas diante do caso.

Caso utilize, ou já tenha utilizado, aparelho nos dentes é outro fator de extrema importância. A partir desse dado saberemos que estamos lidando com um corpo que já possui suas próprias tensões internas, externas e outra força que lhe está sendo imposta atuando em seus dentes e crânio.

Nada pode escapar aos nossos instintos nessa hora. Lembrando que as grandes descobertas, foram feitas em insights de conhecimentos através da observação atenta dos nossos grandes gênios antecessores, já que a tecnologia de avaliação não era algo desenvolvido há pouquíssimo tempo atrás.

Como realizar a entrevista?

Quero te avisar que, durante a entrevista, o profissional do movimento precisa ser persistente. O aluno muitas vezes deixa de mencionar informações que não considera relevantes ou que não lembra. Sabemos, por exemplo, que lidamos com um corpo viscerado. Portanto, precisamos coletar dados a seu respeito.

Quando perguntamos ao aluno como anda sua saúde no geral, ele dirá que está tudo bem. Quem concorda com a resposta e segue com a avaliação perde informações essenciais. Insista e fragmente sua pergunta para facilitar o trabalho do paciente.

Não somos médicos e não conseguimos diagnosticar doenças viscerais. Por isso, muitos profissionais podem ignorar essa parte da entrevista. No entanto, estamos em busca de tensões viscerais que possam influenciar no quadro do indivíduo. Além disso, mesmo identificando tensões viscerais nada prova que o paciente possui uma patologia no local.

Importância de realizar uma anamnese completa

Durante a anamnese devemos avaliar eventos que possam perturbar as leis que o corpo obedece. Elas são as leis do conforto, economia e equilíbrio. Uma patologia, mesmo que antiga, pode ser o começo para o corpo se reequilibrar e gerar desequilíbrios.

Quando temos uma pneumonia, por exemplo, o corpo está sujeito – durante determinado período – a uma força centrífuga. Os sinais flogísticos no caso são dor, calor, rubor e edema. De acordo com o dr. Andrew Taylor Still, criador da Osteopatia, o órgão sempre é prioridade.

Além disso, a estrutura determina a função. Portanto, percebemos que esse arcabouço costo vertebral foi obrigado a ceder espaço para o aumento da massa pulmonar causado pela doença. Um quadro asmático geraria ao contrário, um corpo que esteve ou está sob tensão centrípeta desde então.

De acordo com Madame Thérèse Bertherat, nossos músculos são como paredes de uma casa. Essas paredes tudo ouvem e tudo guardam, acumulando  memória de todo o ocorrido em nossa vida. Nessa bela frase, ela se refere brilhantemente a nossa memória corporal, que está ligada à imagem mental.

Problemas viscerais podem gerar desequilíbrios importantes, mesmo que não estejam aparentemente ligados a problemas musculoesqueléticos. Os problemas viscerais pulmonares, por exemplo, geram falta de mobilidade torácica. Como consequência, também temos enrijecimento dos tecidos circundantes osteomusculares.

O corpo fica privado de oxigênio localmente e tem como resposta a dor e retrações diafragmáticas importantes. Isso interfere diretamente na nossa relação respiratória. Os desequilíbrios gerados afetam a entrada do ar (forças centrípetas) ou eliminação de CO2 (forças centrífugas).

Também podemos aproveitar o momento da entrevista para avaliar como o indivíduo respira. Com o aumento de estresse gerado pela vida moderna muitas pessoas respiram mal simplesmente por ansiedade. Outro fator a avaliar é se a respiração ocorre em ins ou ex.

Realizando a avaliação postural estática

Após a entrevista damos início à avaliação postural estática. Nessa avaliação observamos somente os pontos anatômicos de forma estática. Mais tarde, juntamos todos os achados com aqueles da avaliação dinâmica, entrevista, testes específicos e outros.

Costumo brincar que a avaliação é um divertido jogo de quebra cabeça. Nele, as peças vão se juntando uma a uma para entender melhor o corpo que nos pediu ajuda. A avaliação postural estática precisa seguir os seguintes critérios para ter sucesso:

  • Posicione o indivíduo de forma que consiga dar a volta por seu corpo sem precisar mexê-lo. Movimentos, mesmo que pequenos, podem alterar suas influências tônicas;
  • Posicione-se exatamente a linha média do avaliado para não gerar interferências visuais.
  • Comece com o indivíduo em pé sempre da maneira mais confortável possível;
  • Comece a avaliação de baixo para cima;
  • Seja o mais rápido possível em sua análise;
  • Explique ao avaliado que todos temos assimetrias. Nosso objetivo é deixá-lo o menos constrangido possível;
  • Mulheres devem usar um biquíni durante a avaliação e homens devem usar sunga. Não realize a avaliação postural de top (esconde parte dos processos espinhosos) ou bermuda (impede observar o joelho);
  • As mãos do avaliador devem estar aquecidas e serem firmes para passar segurança;
  • Sempre peça a permissão do avaliado para tocá-lo;
  • Fale tranquilamente, mas com firmeza.

Analisando as lesões descendentes e ascendentes

Durante a avaliação postural estática conseguimos começar a identificar as lesões do indivíduo. Trabalhamos com dois tipos de lesões bastante distintas: ascendentes e descendentes. Abaixo defino o que são cada uma delas para que você consiga identificá-las com mais facilidade.

Lesões Ascendentes

Originam-se sempre abaixo da dor relatada. Ou seja, caso estejamos diante de uma lesão ascendente, em uma possível lombalgia o esquema de compensação postural que se esgotou causando a dor surgiu de uma estrutura inferior, como por exemplo, pés, joelhos, ou ainda, quadril.

Lesões Descendentes

São o contrário, originam-se sempre acima da dor relatada. Na mesma lombalgia citada anteriormente, a lesão primária teve origem em uma estrutura superior, podemos citar aqui: a região torácica, cervical, ou importante, visceral.

Avaliando a lesão

Avaliarmos se a lesão é ascendente ou descendente é bem simples: Traçamos uma linha imaginária de um acrômio até o outro, e da mesma forma, traçamos também uma linha imaginária de uma crista ilíaca até a outra. Dados esses que já foram colhidos durante a avaliação postural estática.

Caso as linhas se encontrem em algum ponto estaremos diante de uma lesão ascendente, já se estivermos diante de um caso em que as linhas imaginárias nunca se encontram estaremos diante de uma lesão descendente.

Esse procedimento é importantíssimo para traçarmos nossa estratégia com esse indivíduo, para identificarmos, por onde começaremos a mobilizá-lo, fortalecê-lo, ou ainda relaxá-lo.

Concluindo…

O que mencionei aqui foi um breve resumo dos passos iniciais da avaliação postural que devemos realizar antes de qualquer tratamento. Cada um desses passos te ajuda a compreender melhor as compensações do corpo e dá insights para conseguirmos a melhora efetiva do indivíduo.

Vale a pena lembrar que nenhuma avaliação está completa sem a avaliação dinâmica e testes específicos da patologia. É através deles que conseguimos comprovar as hipóteses criadas durante a avaliação estática e determinar o tratamento mais eficiente.

Como fazer uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Como fazer uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Avaliar é o primeiro passo dentro do planejamento de um atendimento, seja para reabilitação ou treinamento. Avaliar as condições inicias do seu aluno pode ser o diferencial entre em um trabalho bem-sucedido com resultados consistentes e meses de esforço sem progresso.

Atualmente encontramos inúmeros protocolos de avaliação – muitos deles bastante consistentes -, que nos oferecem os mais diferentes scores para componentes da aptidão física.

Ou seja, se você está planejando um treinamento de força é possível avaliar exatamente qual a carga correspondente aos percentuais de uma repetição máxima e, então, prescrever seu treinamento.

Ter como base bons parâmetros garante que você não subestime seu cliente, levando para treinamentos sem resultados significativos, ou que você superestime, ocasionando em práticas com alto risco de lesão. Entendido isso fica a dúvida: como avaliar as habilidades do meu aluno de Pilates?

Continue comigo e você vai entender tudo sobre a importância de uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates especifica para os seus alunos de Pilates e como isso pode mudar para melhor a qualidade e segurança do seu trabalho com os alunos.

Como funciona uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Um dos mais importantes princípios do treinamento físico é a especificidade. Se quero desenvolver as capacidades físicas de um corredor, treinamentos que envolvam o gesto da corrida são essenciais e as transferências dos ganhos de treinamentos específicos são sempre mais efetivas.

Além disso, em outro exemplo, se eu procuro avaliar a velocidade de um nadador não adianta analisar o tempo de uma prova de 2 mil metros, que reflete muito mais a capacidade de resistência aeróbica. Dito isso, a especificidade da Avaliação com Exercícios de MAT Pilates também é essencial. Para tanto é necessário utilizarmos o Método Pilates como ferramenta de avaliação do próprio método.

Normalmente na nossa prática nos Studios de Pilates temos como costume realizar avaliações posturais, funcionais e antropométricas em busca das abordagens principais que teremos em relação aos objetivos dos nossos alunos. Você já parou para pensar que essas avaliações deveriam ser, na realidade, uma prática em qualquer modalidade?

Elas não são específicas para o método e não levam em consideração qual modalidade iremos utilizar a seguir – elas não embasam o planejamento de forma especifica!

E quais parâmetros você usa como base para escolher qual o nível de dificuldade dos exercícios que você vai prescrever para seu aluno? Começar pelo mais fácil e ir progredindo parece a resposta lógica, certo? Até pode ser a abordagem mais segura, mas certamente não é a mais eficiente.

Essa parece a melhor opção, mas você já parou pensar que seu aluno pode ser subestimado e que você vai perder tempo utilizando exercícios que não irão gerar adaptação? Ou pior, escolhendo exercícios abaixo da necessidade do seu aluno pode até mesmo levá-lo ao destreino.

Protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates

Outro ponto, os exercícios do Método Pilates são, na sua maioria, globais. Considerando isso, e se o seu aluno tem flexibilidade para realizar um exercício avançado, mas não possui estabilidade lombo-pélvica para sustentar aquela posição? Você estaria aceitando colocá-lo em uma posição que pode representar risco de lesão? Quando é a hora certa de progredir nos exercícios?

Para responder essas e outras perguntas criei, com base na literatura científica disponível, um protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates que utiliza exercícios do próprio Método Pilates para dar essas respostas e indicar em qual nível de habilidade seu aluno se encontra.

Levando em consideração diferentes aspectos como força de membros superiores, força de membros inferiores, mobilidade, flexibilidade da coluna, flexibilidade de extensores do quadril, força e funcionalidade abdominal, força de extensores da coluna e estabilidade lombo-pélvica.

Cada componente da avaliação exige a análise de mais de um exercício gerando scores que poderão ser acompanhados para garantir a evolução do seu aluno e o ganho de resultados consistes em menos tempo do que um treinamento sem a utilização de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates.

Estamos falando de eficiência, melhores resultados em menos tempo o que levará a maior fidelização dos seus clientes e a entrega do resultado final prometido agregando muito mais valor ao seu trabalho. A comparação da evolução do seu aluno através de uma boa avaliação é primordial quando falamos em retenção de clientes e potencial de indicação.

Além de ver o retorno do seu trabalho de uma forma gratificante, você apresenta os resultados de tal maneira gerando vínculos e confiança. Só existe benefícios em incorporar um bom protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates na sua metodologia de atendimento.

O que se deve observar durante a avaliação?

A Avaliação com Exercícios de MAT Pilates baseia-se na observação das habilidades do avaliado ao realizar uma série de exercícios de MAT Pilates. Para cada exercício estaremos observando aspectos específicos que representam uma ou mais das categorias avaliadas.

Cada exercício possui um número máximo de pontos possíveis e, ao final da avaliação, poderemos calcular se seu aluno é classificado como nível básico, intermediário ou avançado. Isso de forma geral e de maneira específica, entre as categorias citadas anteriormente.

As categorias são compostas pelos scores de um conjunto específico de exercícios e traz um olhar importante. Nossos alunos podem ter diferentes níveis entre as habilidades: muitas vezes um aluno com força pode não ser flexível e classificá-los somente de forma global pode acarretar em erros na hora de prescrever.

Esses resultados vão ajudar a planejar e escolher o nível de dificuldade apropriado dos exercícios, garantindo um trabalho individualizado e prescrito de forma adequada.

Além disso – tendo essa ferramenta em mãos -, será possível planejar os aumentos de dificuldade de forma periódica, períodos de regeneração e reavaliar para realizar os ajustes e apresentar os resultados.

Entre os aspectos observados estão:

  • Capacidade de mobilização da coluna;
  • Capacidade de controlar o movimento em fases excêntricas;
  • Capacidade de manter a organização da cintura escapular;
  • Capacidade de manter a sinergia na contração dos flexores e estabilizadores da coluna.

Conclusão

Avaliar é o primeiro passo de um trabalho responsável, de qualidade e eficiente. Entregar os resultados prometidos no menor tempo possível é o que representa um bom profissional que sabe exatamente o que está fazendo. Existem muitas prescrições realizadas sem planejamento, resultados que vem de forma lenta e muitas vezes por acaso.

Para ter base em um trabalho de sucesso que irá conquistar seus clientes de forma gratificante, tanto para você avaliar e quanto reavaliar seus alunos de forma específica é essencial. A palavra chave que uma boa Avaliação com Exercícios de MAT Pilates pode lhe trazer é EFICIÊNCIA.

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Este artigo foi escrito por Paula Finatto

É atualmente aluna de Doutorado Acadêmico no Programa de Pós Graduação em Ciências do Movimento Humano (UFRGS) realizando o programa Doutorado Sanduíche na Sacramento State University nos Estados Unidos. Mestre em Ciências do Movimento Humano (UFRGS) com ênfase em biomecânica e fisiologia da locomoção humana e Método Pilates. Também é Especialista no Método Pilates (UFRGS) e Bacharel em Educação Física (UFRGS) no ano de 2015/01. Formou-se em 2011/2 em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), integrante do Grupo de Pesquisa Locomotion e do Grupo de Pesquisas em Atividades Aquáticas e Terrestres da UFRGS e do Grupo GPCine (UFRGS). Certificada no Método Pilates pela Espaço Vida Pilates e possui formação no Método Pilates Original pela Associação Brasileira de Pilates atuando como instrutora há 8 anos.

Como fazer uma Boa Avaliação Estática de Membros Inferiores

Como fazer uma Boa Avaliação Estática de Membros Inferiores

Uma das etapas da avaliação postural que utilizamos é a estática. Quero começar avisando: esse tipo de avaliação não é o suficiente para compreender nosso aluno por completo.

Depois de avaliarmos todos os pontos anatômicos estaticamente, conseguimos juntar nossos achados para a avaliação dinâmica. Também conseguimos aplicar os conhecimentos obtidos nessa fase na entrevista e nos testes específicos.

Gosto de comparar a avaliação com um jogo de queda cabeça. Nele, as peças se juntam uma a uma para compreendermos melhor o corpo que precisamos melhorar. Para conseguir realizar a avaliação estática com resultados positivos precisamos seguir os seguintes critérios:

  1. Posicionamento do avaliado: o indivíduo deve estar posicionado de forma a conseguirmos dar a volta no seu corpo sem movê-lo. Um movimento sequer pode alterar suas influências tônicas e o resultado da avaliação;
  2. Posicionamento do avaliador: o profissional deve ficar exatamente na linha média do avaliado. Caso contrário, corremos o risco de sofrer com algum tipo de inferência visual;
  3. Início: a avaliação estática começa com o indivíduo em pé e na posição mais confortável possível. Sempre começamos a avaliar de baixo para cima;
  4. Tempo: a avaliação deve ser o mais rápida possível. O profissional também deve explicar ao indivíduo que todos possuímos assimetrias para deixá-lo menos constrangido;
  5. Vestimenta: mulheres devem usar um biquíni durante a avaliação. Homens devem usar sunga. É impossível avaliar bem um aluno de top, já que ele esconde parte dos processos espinhosos, ou bermuda, que impede a observação dos joelhos;
  6. Mãos: durante a avaliação precisamos tocar o avaliado. Portanto, elas devem estar aquecidas para evitar desconforto e serem firmes. Assim, conseguirmos passar mais segurança. Sempre peça permissão ao avaliado antes de tocá-lo;
  7. Forma de falar: devemos falar tranquilamente, mas com firmeza, ao avaliado. Cada manobra deve ser explicada com seu devido objetivo.

Unidades corporais avaliadas

Antes de começar a falar sobre a avaliação estática em si, preciso relembrar um pouco das unidades corporais que iremos analisar. Começamos sempre pelo membro inferior, que é formado pelas seguintes unidades, como explicaram Béziers e Piret:

  • Pé: responsável por dirigir o movimento;
  • Unidade ilíaca: possui papel de apoio ligado ao tronco e papel dinâmico do membro. Faz o membro inferior participar do tronco, utilizando a perna para transmitir a tensão e movimento ao pé;

As unidades que citei acima compõem a única unidade de membro inferior. A base do esqueleto do membro inferior é formado pelos dois ossos do quadril.

Os ilíacos (esquerdo e direito) são unidos pela sínfise púbica e pelo sacro. A pelve óssea é formada pelo cíngulo do membro inferior e sacro.

Podemos dividir os ossos do membro inferior nos seguintes segmentos:

  • Cintura pélvica: ilíacos direito e esquerdo;
  • Coxa: fêmur e patela;
  • Perna: tíbia e fíbula;
  • : ossos do pé.

Avaliação estática do joelho

O membro inferior é responsável por sustentar o peso corporal e auxiliar na locomoção e manutenção do equilíbrio. Além disso, ele realiza a transferência estável de peso durante uma marcha ou corrida.

Quando falamos mais especificamente dos joelhos, estamos considerando a articulação mais complexa do corpo humano, anatômica e funcionalmente. Ela é formada pela articulação tibiofemoral e patelofemoral.

A extremidade distal do fêmur, na articulação tibiofemoral, possui os côndilos. Eles articulam-se com a tíbia e dividem-se por um sulco central que forma a superfície articular da patela. Esses côndilos são cobertos de cartilagem hialina espessa. Ela suporta forças extremas sobre as superfícies articulares durante o movimento.

A porção proximal da tíbia é conhecida como platô tibial. Nela encontram-se duas conchas achatadas niveladas anteriormente pela diáfise da tíbia. A superfície está alinhada com a cartilagem hialina, onde acomodam-se os côndilos femorais. A região intercondilar encontra-se na divisão entre platôs medial e lateral.

O joelho também possui a articulação patelofemoral, formada pela:

  • Cavidade troclear;
  • Facetas posteriores da patela (maior osso sesamóide).

É nessa articulação que se interpõe o quadríceps. O tendão patelar também está nessa região e vai do vértice inferior da patela até a tuberosidade da tíbia.

Encontramos inúmeras lesões e patologias no joelho durante a prática clínica. Isso é facilmente compreensível, especialmente quando consideramos que a articulação está situada entre os dois braços de alavanca mais longos do corpo. Eles são o fêmur e a tíbia, que tornam o joelho tão suscetível a lesões.

Lesões do joelho

Quando o joelho encontra-se em flexão ele está no seu movimento de maior instabilidade. É nessa posição que ocorrem lesões de ligamentos e meniscos.

Em extensão de joelho, sendo esta a posição de movimento onde há maior estabilidade, torna esta articulação mais sujeita, mais vulnerável a fraturas e rupturas ligamentares.

Quando alguém realiza um agachamento acontece a cocontração dos músculos isquiotibiais e quadríceps. Em pequenos ângulos, essa cocontração é responsável por diminuir a translação anterior da tíbia e a rotação interna causada pelo quadríceps.

Em ângulos acima de 60º a cocontração muscular leva a tíbia a se deslocar posteriormente e a realizar uma rotação externa. Esse movimento aumenta a pressão exercida sobre a patela. A força de contato articular é maior acima de 50º e a cocontração dos isquiotibiais aumenta a pressão a partir de 60º.

Powers et. al analisou onde existiria maior estresse da articulação femoropatelar. Em seu estudo, mostrou que durante exercícios de agachamento as angulações que produziam mais força de estresse na articulação foram 90º, 75º e 60º de flexão de joelhos.

Portanto, para diminuir o estresse femoropatelar o sugerido é realizar agachamento de 45º a 0º. Não devemos chegar a flexão de 90º, onde existe grande compressão articular.

Alterações do membro inferior

Podemos considerar o membro inferior como uma cadeia cinética. Assim, é possível pressupor que qualquer alteração biomecânica em um dos seus complexos articulares consegue influenciar a biomecânica e função do restante.

O alinhamento do joelho no plano frontal é bastante pesquisado por conta de sua importância clínica. Quando existe incongruência de membros inferiores, especialmente do joelho, é possível existirem dores articulares e instabilidade relacionadas.

Desordens nessas estruturas ainda podem trazer problemas, como:

  • Dificuldade de sustentação muscular;
  • Problemas sobre os tendões;
  • Problemas em ligamentos e retináculos.

Isso ocorre principalmente quando existe alternância de alinhamento do joelho em varo ou valgo. Assim, a função dos joelhos fica alterada e gera sobrecarga compressiva em algum ponto da articulação, dependente de qual desalinhamento apresentar.

Um moderado desalinhamento frontal de joelho, por exemplo, pode piorar o prognóstico de doenças degenerativas, como osteoartrite.

Dependendo da orientação, que pode estar em varo ou valgo, as forças articulares estáticas e dinâmicas deixam de estar homogeneamente distribuídas. Assim, elas favorecem o surgimento de processos disfuncionais e até mesmo patologias na articulação e articulações próximas.

Como sabemos, o corpo funciona em cadeias musculares que separamos para o bem da didática, mas que são complementares na realidade corporal. Caso ocorra um desarranjo, seja fascial, muscular ou de tecidos moles, todo o sistema fica comprometido.

Conclusão

Durante a avaliação estática conseguimos começar a identificar alguns desequilíbrios do corpo. Para entendê-los bem, precisamos avaliar cuidadosamente os membros inferiores, dando destaque aos joelhos. Seu posicionamento pode afetar toda a cadeia dos membros inferiores e gerar lesões, patologias e aumentar as chances de doenças degenerativas.

No entanto, volto a lembrar que somente a avaliação estática não é o suficiente para conseguir uma análise completa do aluno. Para entender mais sobre esse assunto sugiro conferir meu artigo sobre os dois tipos de avaliação, estática e dinâmica. Se quiser saber mais sobre avaliações do membro inferior, confira meu guia completo sobre a avaliação estática.