Qual é a melhor forma de prevenir a cervicalgia?

Qual é a melhor forma de prevenir a cervicalgia?

A cervicalgia é um problema comum que deve afetar cerca de 48% da população de acordo com o Global Burden of Disease Study. Na maioria dos casos essas alterações acontecem por causa do processo de envelhecimento natural do corpo, mas também pode surgir por causa de alterações posturais, patologias, traumas e lesões.

Após um episódio de cervicalgia, existem grandes chances que nosso paciente volte a sofrer com o problema. Por isso, é essencial desenvolver um programa preventivo eficiente. Quer aprender a melhor forma de prevenir a cervicalgia? Continue a leitura para relembrar um pouco da anatomia e movimentos dessa importante região e entender o que pesquisas dizem sobre a prevenção.

Anatomia da coluna cervical

A coluna cervical tem uma função bastante essencial: sustentar e movimentar a cabeça, além de proteger diversas estruturas neurais e vasculares. Movemos a cervical quase continuamente durante o dia, chegando a realizar cerca de 600 movimentos por hora ou um a cada 6 segundos.

Essa estrutura é feita de 7 vértebras. As duas primeiras vértebras, atlas e axis, possui propriedades bastante distintas das restantes. O atlas tem forma de anel sem possuir corpo vertebral, ela se articula com a base do crânio através da articulação occipito-axial. É ela que é responsável por boa parte dos movimentos sagitais da cervical.

O axis é a segunda vértebra cervical e tem proeminência que emerge de seu corpo vertebral. Ela se chama processo odontóide, estrutura que se projeta para o interior do atlas, onde forma um pivô sobre o qual a articulação atlanto-axial consegue realizar a rotação do crânio.

Essas duas vértebras não possuem disco intervertebral. Elas são separadas e sustentadas por ligamentos internos.

O restante das vértebras cervicais, de C3 até C7, são mais homogêneas. Elas possuem corpo vertebral anterior e arco neural posterior. Elas se diferenciam das vértebras torácicas e lombares por apresentarem o forame transverso, pelo qual passa a artéria vertebral.

Disco intervertebral

Esses corpos vertebrais são separados por discos intervertebrais, formados pelas partes:

  1. Central – chamada de núcleo pulposo, o qual é constituído em 90% água e proteoglicanos, e
  2. Periférica – denominada ânulo fibroso, formada por fibras resistentes dispostas em lamelas concêntricas.

Essas estruturas realizam a absorção de impacto e dispersam a energia mecânica, sofrendo constantemente com processos degenerativos.

Conforme o corpo envelhece a quantidade de água do núcleo pulposo diminui consideravelmente. Assim, a capacidade de embebição do disco diminui, junto a um aumento do número de  fibras colágenas, determinando uma menor elasticidade e compressibilidade.

Por causa dessas alterações o ânulo fibroso torna-se mais suscetível a rupturas. Isso pode produzir herniações discais e outros tipos de processos degenerativos.

Movimentos da Coluna Cervical

A coluna cervical é responsável pelos movimentos de :

  • Flexão e Extensão
  • Inclinação Lateral à Esquerda e à Direita
  • Rotação à Esquerda e à Direita

Flexão ou Flexão Anterior

Acontece no plano sagital quando o mento se aproxima da parede anterior do tórax. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideos Direito e Esquerdo

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Pré-Vertebrais (longo da cabeça, longo do pescoço, reto anterior da cabeça e reto lateral da cabeça) de ambos os lados. A amplitude articular normal varia de 60º  a 90º.

Extensão

Movimento, no plano sagital, em que a nuca se aproxima do dorso.

Os músculos motores primários são:

  1. Trapézio (Fibras Superiores)
  2. Esplênio da Cabeça
  3. Esplênio do Pescoço
  4. Semi-Espinhal da Cabeça – de ambos os lados

Os motores secundários são:

  1. Extensões Cervicais e Craniais do Eretor da Espinha (iliocostal cervical, longuíssimo da cabeça, longuíssimo do pescoço, espinhal da cabeça, espinhal do pescoço).
  2. Reto Posterior Maior da Cabeça
  3. Reto Posterior Menor da Cabeça – de ambos os lados. A amplitude de movimento articular normal varia entre 50º a 70º .

Flexão ou Inclinação Lateral

Movimento no plano frontal em que a cabeça e o pescoço se aproximam do ombro direito ou esquerdo. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do Lado do Movimento.

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Esplênios da Cabeça e do Pescoço
  3. Oblíquos Superior e Inferior da Cabeça – do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 20 e 40º.

Rotação

Movimento no qual o pescoço e a cabeça giram para direita ou para esquerda em torno de um eixo vertical (50% do movimento ocorre na articulação atlantoaxial). Os motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do lado oposto ao movimento;
  2. Escalenos e Esplênios do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 60 e 90º.

No eixo sagital:

  • Flexão e a Extensão atingem uma amplitude de aproximadamente 70 graus
  • Rotação compreende 90 graus e a lateralização 45 graus, sendo que estas amplitudes são reduzidas com a idade e na vigência de processos inflamatórios.

Exame e diagnóstico da cervicalgia

Ao recebermos um aluno reclamando de cervicalgia ou outros tipos de desconfortos cervicais precisamos realizar:

  • Inspeção;
  • Palpação;
  • Mobilização ativa e passiva;
  • Manobras especiais.

Durante essa inspeção precisamos observar se existem deformidades na coluna. Isso inclui:

  • Alterações da lordose cervical;
  • Posições antálgicas;
  • Anormalidades posturais;
  • Sinais traumáticos.

Durante esse diagnóstico também precisamos realizar a palpação da tireoide e dos pulsos carotídeos. A mobilização ativa e passiva tem como objetivo fornecer a amplitude de movimento e indicar qual deve ser o segmento cervical acometido.

Quando existir dor irradiada para o ombro, escápula e membro superior também precisamos fazer uma avaliação neurológica cuidadosa. A ênfase é nas alterações de reflexos, presença de parestesias ou paresias e distribuição dermatomérica.

Quais são as possíveis formas de prevenir a cervicalgia?

Precisamos lembrar que dor cervical é um problema bastante comum e grave. Ela causa incapacidades que impedem o indivíduo de trabalhar e realizar suas atividades diárias e merece muita atenção.

É exatamente por isso que devemos trabalhar para prevenir a cervicalgia, evitando tais problemas e ajudando nossos pacientes a não repetirem a experiência da cervicalgia.

Para isso, podemos utilizar exercícios de fortalecimento, alongamento, flexibilidade, entre outros. Outra alternativa é utilizar a instrução do aluno para melhorar as condições ergonômicas do seu espaço de trabalho e a realizar alongamentos e outros exercícios laborais para a prevenção.

Entre as estratégias ergonômicas é possível citar:

  • Ajuste da estação de trabalho;
  • Redesenho ou modificação ergonômica;
  • Avaliação da postura durante tarefas diárias;
  • Ajustes dos instrumentos de trabalho;
  • Mudança de função.

Certamente, ao recomendar exercícios preventivos para nossos alunos, queremos oferecer a eles as opções com melhores resultados. Por isso, selecionei uma revisão sistemática baseada no systematic reviews and meta-analysis of studies that evaluate physical healthcare interventions (PRISMA). O estudo comparou a intervenção com exercícios e ergonômica para prevenir a cervicalgia e pode trazer insights importantes para nossos próprios tratamentos.

Qual forma de tratamento é mais eficiente?

A revisão utilizou 5 estudos com um total de 3852 participantes com média de idade de 40 anos. 42% deles eram mulheres. Esses estudos investigaram duas estratégias para prevenir a cervicalgia: programas de ergonomia e exercícios.

Um dos estudos avaliou exercícios de alongamento e resistência que deveriam ser realizados durante o horário de trabalho duas vezes ao dia. Ele era combinado com exercícios domiciliares que deveriam ser adotados por 12 meses.

Outro sugeriu um programa aeróbio geral que incluía:

  • Exercícios de fortalecimento;
  • Estabilização;
  • Alongamento;
  • Informações sobre saúde;
  • Treinamento do controle do estresse;
  • Atividades práticas no local de trabalho.

Esse programa era realizado por 1 hora, 3 vezes na semana ao longo do período de 9 meses.

Os outros 3 estudos analisados estudaram os efeitos de programas de ergonomia quando comparados a nenhuma intervenção ou intervenção mínima. Infelizmente, os resultados não se mostraram muito satisfatórios. Existem poucos indícios de que somente o programa de ergonomia interfira para prevenir a cervicalgia.

Esses resultados também indicam que talvez existam outros fatores relacionados ao desenvolvimento de dor cervical além de adaptações ergonômicas no trabalho e na vida diária.

Os estudos que analisaram um programa de exercício, no entanto, mostraram evidência moderada do efeito benéfico de exercícios na prevenção. De acordo com eles, esse tipo de programa preventivo para prevenir a cervicalgia reduz o risco de dor cervical em 53%.

Conclusão

Apesar dos resultados apontarem exercícios como a forma mais eficiente de prevenir a cervicalgia, isso não nos deixa um tratamento definido. Os exercícios utilizados podem e devem variar de acordo com o caso, indo de abordagens focadas na cervical até exercícios de fortalecimento, alongamento e flexibilidade global.

Portanto, posso encerrar esse artigo recomendando que sempre avalie seu aluno para compreender melhor o que causou o primeiro episódio de dor. Talvez ele tenha uma combinação de desequilíbrios que um protocolo feito para outro indivíduo não atende.

Quer aprender ainda mais a respeito de avaliação do movimento para proporcionar o melhor tratamento e prevenção para seu aluno? Então confira meu curso de avaliação postural, que te dá informações ainda mais completas sobre o assunto.

Qual é o Melhor Posicionamento da Coluna no Pilates?

Qual é o Melhor Posicionamento da Coluna no Pilates?

Sabemos que o Pilates não é uma receita pronta, com comandos mágicos que consertam o problema de qualquer aluno. Então, o que será que eu quero tentar atingir nesse texto falando do melhor posicionamento da coluna nas aulas?

Quero mudar ideias já ultrapassadas sobre a coluna ideal sendo ereta, algo que pode proporcionar apagamento de suas curvas fisiológicas. Quem trabalha com Pilates precisa aprender a trabalhar a coluna do aluno para conseguir equilibrar sua mobilidade e equilíbrio. Quer aprender melhor? Continue lendo esse artigo.

Estabilidade da coluna

Antes de qualquer coisa, precisamos entender a estabilidade da coluna, já que ela é fundamental nos nossos atendimentos. Joseph Pilates foi genial na criação de seu método com a estabilização segmentar.

De acordo com Pilates, precisamos fortalecer o Power House para ter efeitos positivos no Método. Quanto mais forte for esse núcleo, mais estável estará a coluna vertebral. Apesar de não estar exatamente errado pela física, esse conceito é bastante mal entendido no meio das atividades físicas.

Atualmente, muitos confundem a estabilidade com rigidez. Mas a rigidez é um problema que pode gerar diversas patologias e desvios, precisando ser corrigido com mobilidade. Infelizmente, a mobilidade vem sendo bastante ignorada.

De acordo com a física, a estabilidade é a energia potencial de um corpo que pode ser armazenada nele. Um corpo equilibrado consegue transformar a energia potencial em energia cinética. Em geral, transformamos energia potencial gravitacional em cinética usando nossos tendões, que também geram estabilidade para manter o corpo em movimento.

Mas o que exatamente é a estabilidade?

A estabilidade é o mesmo que rigidez vezes mobilidade. Portanto, ao fortalecer o Power House em excesso conseguiremos muita rigidez e a mobilidade ficará prejudicada. Dessa maneira, o corpo perde a energia potencial elástica que poderiam ser geradas nos músculos.

Só tome cuidado: muita mobilidade também é problemática. Com um excesso dessa característica perdemos a estabilidade e a energia potencial elástica.

Caso o corpo estiver em equilíbrio ele consegue utilizar sua energia potencial de forma econômica, seja na rigidez ou mobilidade. Tudo isso sem qualquer risco de lesão.

Portanto, se quisermos considerar o Pilates um exercício completo, ele precisa proporcionar tanto mobilidade quanto rigidez para o corpo. Uma rápida dica: o Pilates é extremamente completo, basta saber utilizar o posicionamento da coluna e outros fatores corretamente.

Precisamos aplicar alguns ajustes para usar menos força na ideia de estabilização segmentar para continuar proporcionando seus benefícios à coluna vertebral sem prejudicar o restante dos sistemas.

Posição da coluna para diferentes tipos de pacientes

Acredite ou não, a respiração é um ponto essencial na nossa estratégia para garantir mobilidade e estabilidade à coluna. De acordo com Joseph Pilates, precisamos de respiração profunda durante os exercícios do seu Método. Ainda segundo ele, a respiração ajuda a oxigenar todos os átomos do corpo. Quero acrescentar que precisamos de tipos diferentes de respiração de acordo com a necessidade do seu aluno.

Nos tempos de Joseph, a ideia de uma coluna ereta era o mais aceito como saudável. Mas atualmente já sabemos que existem curvaturas que são fisiológicas e precisam ser respeitadas. Por isso, devemos utilizar comandos respiratórios que ajudem nosso aluno a manter suas curvaturas fisiológicas ao mesmo tempo que corrigem os desvios posturais.

Quero destacar aqui os hipercifóticos e retificados. No primeiro caso eles precisam levar o ar inalado para o peito, facilitando o movimento da curvatura prejudicada da coluna. Os alunos retificados possuem um apagamento das curvas fisiológicas e precisam respirar levando o ar inalado para as costas.

A respiração continua sendo um dos fundamentos do Pilates e uma parte essencial dos tratamentos feitos com ele. Mas ela é realizada de maneira mais sutil, respeitando o ritmo, fluência e sequência dos exercícios. Adaptando o processo respiratório de acordo com a necessidade do aluno conseguimos melhoria significativa na sua postura, estabilidade e mobilidade.

Posicionamento da Coluna no Pilates

Pilates buscava a coluna ereta através do seu método, algo que ainda é aplicado por quem pratica o Pilates original. Novas pesquisas indicam que a retroversão é ainda mais prejudicial, aumentando muito a pressão sobre os discos intervertebrais. Por isso, o conceito aceito atualmente é que devemos sempre buscar a coluna neutra.

O que muitos profissionais fazem é ficar de olho no posicionamento da pelve, como indicativo da posição do restante da coluna. Assim, em alguns exercícios o aluno mantém a pelve neutra, mas a dorsal e cervical em sofrimento.

Durante as aulas, começamos levando o aluno para a pelve ideal para ele. Ou seja, não é o que nossa visão profissional dita, mas sim a posição mais confortável para seu corpo. Aos poucos podemos realizar adaptações na sua pelve e postura para deixá-lo mais perto da nossa própria ideia de neutro ideal.

Para conseguir chegar ao posicionamento correto da coluna precisamos de uma boa progressão de exercícios. O aluno não deixará de ser retificado e hipercifótico da noite para o dia, portanto, tenha paciência e avance com passos pequenos.

O que chamo de neutro ideal aqui nesse artigo pode ser resumido em:

  • Cervical lordótica neutra;
  • Dorsal cifótica neutra;
  • Lombar lordótica neutra.

Quando alguém está em decúbito dorsal é preciso manter a base do crânio, da coluna dorsal, as costelas flutuantes e a base do sacro no solo.

Conclusão

Joseph Pilates realmente foi genial ao criar seu método. Seus equipamentos, por exemplo, não foram criados de maneira aleatória. Na verdade, cada um foi criado como um verdadeiro emaranhado físico, com seus vetores de forças e forças elásticas capazes de moldar o corpo de um indivíduo.

Mas para conseguir obter o maior benefício desses equipamentos, ainda precisamos de uma coluna em ordem, que possui sua mobilidade e estabilidade garantidas. Tente ensinar ao seu aluno maneiras de adotar a coluna neutra ideal, nem que ele demore a desenvolver essa postura. Através disso conseguimos prevenir lesões e até tratá-las.

Alinhamento postural: como o Pilates pode ajudar?

Alinhamento postural: como o Pilates pode ajudar?

Os desvios posturais são um problema frequente em nosso Studio de Pilates. Eles podem causar dor, lesão e perda de mobilidade para o paciente e devem ser resolvidos. Sabia que podemos tratar alinhamento postural utilizando o Pilates? Confira tudo no artigo abaixo.

O que é alinhamento postural?

Ao contrário do que nossas mães pensavam quando nos mandavam manter a coluna reta, não existe uma postura perfeita. Na verdade, cada corpo possui adaptações e características únicas que fazem com que sua postura ideal seja um pouco diferente da do outro. O que precisamos entender a respeito do alinhamento postural é que ele deve acontecer de maneira a exigir a menor ação muscular possível para manter o corpo na posição ereta.

Para isso, a coluna não deve estar retificada com suas curvaturas fisiológicas apagadas ou com elas exageradas. Já sabemos que boa parte dos nossos pacientes se encaixa em um desses dois grupos, o que é um problema.

O controle postural é um sistema complexo que exige ajustes por parte de nosso corpo a todo momento. É preciso receber informações sobre o posicionamento dos segmentos corporais e logo em seguida realizar ajustes da tensão muscular para manter o equilíbrio e a posição. Pensa que é tarefa fácil? Não, seu corpo está utilizando um sistema complexo de feedback e feedforward para te manter em pé.

Para isso, esses sistemas utilizam informações sensoriais e de atividade muscular que regulam a postura. Isso acontece em todos os movimentos. Sempre precisamos de contrações musculares que sejam baseadas em informações dos sistemas:

  • Visuais;
  • Vestibulares;
  • Auditivos;

Esse sistema de adaptações complexa precisa de um corpo com funcionamento perfeito para funcionar. O sistema nervoso central (SNC) só consegue realizar os ajustes posturais corretos quando não existe qualquer tipo de desvio prejudicando a posição. As fraquezas musculares também fazem com que o alinhamento postural fique prejudicado.

Problemas causados pelo mau alinhamento

Estudos indicam que a incidência de desvios posturais e dores relacionadas à má postura vem aumentando nos últimos anos. O controle postural é essencial para que o corpo consiga:

  • Proteger-se de lesões;
  • Favorecer a funcionalidade;
  • Melhorar o conforto;
  • Diminuir o consumo energético.

Quando o indivíduo não possui bom alinhamento postural, ele estará exposto a desvios posturais e até ao desenvolvimento de patologias. Quando um segmento corporal está em desequilíbrio ele força adaptações do SNC que levam ao desenvolvimento de desequilíbrios posturais.

Sabemos que o corpo nunca deixa de se mover por causa de um segmento desequilibrado. Portanto, ele realiza alterações musculares para compensar essa região alterada e adota posturas incorretas. Ou seja, o corpo acaba exposto a maior tensão muscular e até pressão exercida sobre as articulações para continuar se movendo.

Para identificar o que seria considerado como mau alinhamento postural podemos utilizar o conceito de Kendall et all. Para ele, a postura está relacionada a um estado de equilíbrio articular. Uma boa postura favorece movimentos simétricos que não realizam gasto excessivo de energia.

Mesmo quando seu paciente não reclama de dor ou possui evidências de uma patologia do sistema musculoesquelético, ele pode ter problemas de alinhamento postural. Apesar desses problemas não gerarem problemas imediatos, eles aumentam a probabilidade de desenvolver uma lesão ou patologia no futuro.

Através da avaliação postural que você realiza nos seus pacientes assim que eles começam a treinar com você indica a presença de tais desvios. Depois de identificá-los, chega a hora de começar a correção. Isso pode ser feito através do movimento, incluindo o movimento do método Pilates.

Influência das cadeias musculares nos problemas posturais

Quem me acompanha no blog sabe que sou forte defensora do conceito de cadeias musculares para realizar um tratamento globalizado e eficiente do corpo. Nos desalinhamentos posturais não poderia ser diferente.

Durante a própria avaliação precisamos buscar tensões e encurtamentos nas cadeias musculares para conseguir realizar um tratamento eficiente. Precisamos considerar inclusive o posicionamento de regiões periféricas do corpo, como mãos e pés. Os pés são inclusive parte importante do alinhamento postural. Seus desvios causam alterações importantes em todo o corpo.

As cadeias musculares agem de maneira a atingir um correto alinhamento postural. Isso acontece através da associação entre o tecido conjuntivo fibroso e tecido contrátil. Os músculos contraem-se de forma conjunta em antecipação ao movimento.

Portanto, as alterações posturais levam a desequilíbrios por toda a cadeia muscular.

Como Pilates ajuda a melhorar a postura

O Pilates é conhecido por seu eficiente trabalho de todos os músculos corporais, chamado de princípio da contrologia no método. O Pilates trabalha com movimentos realizados com perfeição, utilizando o centro de gravidade e sua eficiência da cadeia cinética. Portanto, quanto maior for a ativacao muscular, mais o individuo consegue manter os movimentos do corpo e prevenir lesões.

Na maioria das modalidades o indivíduo raramente presta atenção na qualidade do movimento realizado. Ele quer fazer as séries rapidamente e passar para o próximo. Bem, isso é algo que pode levar ao surgimento de lesões, e não podemos permitir que aconteça no método Pilates

O Pilates trabalha também com forte ênfase na respiração. Coincidentemente, a respiração é bastante relacionada à coluna vertebral. Precisamos inclusive adotar tipos de respiração diferente para indivíduos hipercifóticos, retificados ou com excesso de mobilidade, mas isso é assunto para outro artigo.

As principais vantagens de utilizar o método para o alinhamento postural são:

  • Trabalho global do corpo;
  • Alívio das tensões musculares;
  • Progressão do movimento;

Conclusão

Podemos perceber que o Pilates é um método eficiente para trabalhar a força muscular, alinhamento postural, flexibilidade, entre outros. Conseguimos utilizar o fortalecimento muscular para melhorar o alinhamento e também corrigir diversos tipos de desvios posturais.

Só gostaria de lembrar que devemos tomar cuidado com o trabalho imposto durante o Pilates. Muitos dão foco unicamente para o fortalecimento, que pode provocar rigidez em excesso sem sequer resolver os desalinhamentos. Precisamos combinar mobilidade e fortalecimento para garantir uma coluna com movimentos fisiológicos.

 

Bibliografia
  • TEIXEIRA, Ana Luiza Menezes et al. Os efeitos do método Pilates no alinhamento postural: estudo piloto. Fisioterapia Ser, Rio de Janeiro, v. 3, n. 4, p. 210-215, set. 2008. Disponível em: <http://www.pilatesfisios.it/ricerche%20pdf/Os%20efeitos%20do%20metodo%20pilates%20no%20alinhamento.pdf>. Acesso em: 04 set. 2018.
  • Sinzato, C., Taciro, C., Pio, C., Toledo, A., Cardoso, J., & Carregaro, R. (2013). Efeitos de 20 sessões do método Pilates no alinhamento postural e flexibilidade de mulheres jovens: estudo piloto . Fisioterapia E Pesquisa20(2), 143-150. https://doi.org/10.1590/S1809-29502013000200008
Conheça os 3 Melhores Tipos de Avaliação Postural

Conheça os 3 Melhores Tipos de Avaliação Postural

Seria muito fácil simplesmente dizer que devemos realizar a avaliação postural porque o tratamento ou planejamento de aulas depende disso. É verdade, porém os tipos de avaliação postural não se baseiam em uma explicação tão simplista como essa.

Quero que você realmente compreenda os efeitos que os melhores tipos de avaliação postural têm em nossos alunos.

Vou começar com uma avaliação rápida a respeito de LERs: Lesões por Esforço Repetitivo. Sabemos que muitos pacientes e alunos desenvolvem LER por causa das atividades laborais. Esse é um grupo de doenças que é apontado como um dos principais motivos de afastamento do trabalho e incluem disfunções como:

  • Tendinite
  • Tenossivite
  • Epicondilite
  • Bursite
  • Síndrome do Túnel do Carpo
  • Síndrome do Desfiladeiro Torácico

Como você pode perceber, existem muitos problemas considerados LERs, inclusive algumas patologias sobre as quais já falei aqui no blog. E muitos indivíduos estão expostos ao desenvolvimento dessas doenças. Estudos realizados no Reino Unido indicaram que cerca de 2,6% dos trabalhadores tem o problema e espera-se que esse número aumente.

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Avaliação Postural Eficiente

Agora você talvez se pergunte: por que estou falando a respeito de LER em um artigo sobre tipos de avaliação postural? Porque conseguimos prevenir boa parte desses problemas através de uma avaliação postural eficiente e completa.

Sabemos também que não basta uma avaliação postural, pois as disfunções biomecânicas encontram-se dentro de um contexto bio-psico-social, sendo que o bio não pode ser negligenciado, mas as questões psico-comportamentais vêm em uma crescente científica de grande importância nas dores crônicas.

Posturas inadequadas são somente um fator de risco para o surgimento de lesões, seja no esporte ou no trabalho, mas se o indivíduo gosta de seu trabalho, está com problemas pessoais, psicológicos também devem ganhar importância em nossa anamnese.

Por que alguns indivíduos passam anos em um trabalho de repetição motora e nunca sofreram de nenhum tipo das LERs citadas?

Essa é a incógnita que a ciência vem desvendando nos últimos tempos. Aqui quero dar também uma ênfase para a anamnese, pois a entrevista realizada antes da avaliação, deve nos ajudar a entender a atividade laboral do aluno e como ele pode estar em risco, para depois darmos a devida atenção aos determinados aspectos da sua bio-psico-sociais.

Neste artigo, daremos ênfase aos desequilíbrios posturais, pois também não podemos cair no rol de que toda dor se encontra no contexto psico-social.

Uma lesão de manguito rotador, pode estar incluída nos contextos sociais, porém, a lesão mecânica ocorreu e devemos entender como isso aconteceu, sob o aspecto postural. Afinal, somos profissionais do movimento, e as novas visões científicas não excluíram os fatores biológicos, somente diminuíram sua importância.

Sabemos também que a sensibilização central é o grande chefe e mentor das dores crônicas, sabemos que devemos pensar mais além, e em artigo próximo discutiremos essas questões, sob o risco de cairmos num aspecto muito perigoso diante de nossas profissões, de que tudo que não funcionou em nossa função e porque estar nas questões psico-sociais.

Devemos estar atentos também a essa importante questão. Bom, voltemos ao tema do artigo.

1) Avaliação Postural Estática

Você já conhece esse tipo de avaliação. O aluno entra na sala, logo ele já está sendo avaliado e o colocamos na posição correta. A análise é feita com o indivíduo em bipedestação, com o segundo dedo do pé alinhado com a linha média do joelho. Essa linha deve estar alinhada com as espinhas ilíacas ântero superiores.

Durante a avaliação estática devemos identificar:

  • Lesões Ascendentes/Descendentes
  • Posição do Quadril
  • Posição das Espinhas Ilíacas
  • Unidade Tronco
  • Pés
  • Joelhos
  • Coluna
  • Cabeça
  • Ombro e Escápulas

Esse é o momento no qual você buscará desvios das curvas fisiológicas da coluna quando o aluno encontra-se em bipedestação. Ele também te indica alguns tipos de desvios de joelho, mas alguns deles só serão encontrados em movimento.

Enquanto anotamos o resultado dessa avaliação devemos lembrar que a estática é enganosa.

Na verdade, não existe estática. O que realmente existe é uma série de adaptações posturais realizadas pré-programadas pelo sistema nervoso central, para que o reequilíbrio postural aconteça, respeitando três leis:

  1. Equilíbrio
  2. Conforto
  3. Economia

Portanto, um possível desvio que encontramos nos tipos de avaliação postural estática pode se alterar completamente na dinâmica. Minha dica é: somente anote os esquemas adaptativos desse corpo para depois confirmá-los na avaliação dinâmica. Assim, você evita falsos positivos ou negativos que poderiam comprometer o tratamento e seus resultados.

2) Avaliação Postural Dinâmica

A avaliação postural dinâmica usa o movimento para sua análise. Como vimos anteriormente, a estática é enganosa, portanto, devemos complementá-la com o movimento.

Na avaliação dinâmica incluímos movimentos assistidos e realizados pelo paciente. Nosso objetivo é identificar os esquemas adaptativos realizados pelo corpo para proteger suas estruturas. O corpo sempre estará buscando posturas de readaptabilidade para respeitar as  3 leis biomecânicas:

  1. Lei do Equilíbrio: o corpo prioriza sempre o equilíbrio corporal;
  2. Lei do Conforto: o funcionamento do corpo deve sempre ser confortável, caso não esteja ele realizará compensações para alcançar esse estado;
  3. Lei da Economia: o corpo sempre busca a economia energética, mesmo que isso signifique compensações e perda de mobilidade.

Além disso, as estruturas corporais sempre priorizam as vísceras. Por isso, é possível que um esquema compensatório (como uma escoliose) surja por conta de problemas viscerais, ou pelos campos interferenciais que não param de crescer em nossa aérea.

Durante a avaliação dinâmica devemos estar atentos a todos os esquemas criados dentro do corpo. Também devemos procurar descobrir quando e como surge a dor, especialmente se esse paciente já tiver alguma patologia.

Outro ponto importante na avaliação dinâmica são as cadeias musculares. É nesse momento que você consegue identificar quais delas estão em tensão, suprindo um papel que seria de outra cadeia muscular. Isso será mostrado claramente através de desvios no quadril, joelhos, coluna, entre outros.

3) Fotogrametria

A fotogrametria é uma técnica que utiliza uma câmera e softwares de avaliação para identificar pontos anatômicos em desequilíbrio.

Para realizá-lo você deve posicionar o paciente próximo à câmera com os pés na posição correta. Na verdade, a fotogrametria também pode ser considerada como um tipo de avaliação estática.

A câmera tira uma sequência de fotos que depois passa pelo software, que marca uma série de pontos anatômicos. Os principais pontos analisados pela fotogrametria são:

  • Acrômio
  • Maléolos
  • Espinha Ilíaca
  • Trocânter Maior
  • Patela
  • Linha Articular do Joelho
  • Tuberosidade da Tíbia
  • Ângulo Inferior da Escápula
  • C7 e T3
  • Calcâneo
  • Ponto Médio entre Maléolos
  • Ponto Médio da Perna

Por ser um método de avaliação estática computadorizado a fotogrametria apresenta diversas limitações. Em primeiro lugar, ela é incapaz de realizar uma avaliação eficiente de membros superiores. Ela também realiza uma análise bidimensional, sem considerar todos os planos existentes no corpo.

O relatório gerado pela fotogrametria deve ser utilizado somente como um complemento para as outras avaliações realizadas em aula. Ele é incompleto e inconfiável demais para servir como base para planejar todo o tratamento ou identificar a causa dos desequilíbrios.

Qual dos 3 Tipos de Avaliação Postural devo escolher?

Apresentei 3 tipos de avaliação postural nesse artigo, mas nenhum deles pareceu completo sozinho para avaliar o aluno. O que usar durante a aula então?

Nunca confie somente num tipo de avaliação!

Para realmente entender o corpo do aluno, suas compensações e como a dor surgiu ou o que pode levar ao surgimento da dor, precisamos combinar avaliações. A avaliação dinâmica é essencial para confirmar seus achados na avaliação estática. Da mesma forma, uma boa avaliação estática complementa os achados da fotogrametria. Ou seja, nunca devemos avaliar o aluno de maneira isolada.

Conclusão

Apesar de mostrar aqui vários tipos de avaliação postural, não quero que você escolha seu preferido e passe a avaliar todos alunos com ele. As avaliações são complementares e devem ser usadas em conjunto.

Durante a avaliação postural estática, por exemplo, o corpo do aluno se tensiona e se altera. Ele sabe que está sob avaliação e isso lhe dá uma ideia de teste que precisa passar. Avaliá-lo durante movimentos ajuda a eliminar essa tensão que alteraria os resultados.

Mas também precisamos ter conhecimento dos pontos anatômicos para confirmar nossas hipóteses geradas durante a avaliação dinâmica. Hoje em dia, os artigos científicos levantam a hipótese de um grande viés, inclusive nas avaliações dinâmicas, por isso, temos que estar atrelados aos achados científicos, e de mente aberta para as mudanças que estão acontecendo na aérea do movimento.

Bibliografia


Como os Desvios Posturais causam Dores Músculo-Esqueléticas

Como os Desvios Posturais causam Dores Músculo-Esqueléticas

Boa parte das pessoas já sentiu dor na coluna e nunca foi buscar ajuda médica. Imagino que até você, mesmo sendo profissional do movimento, acabe ignorando uma dor de vez em quando. Estamos condicionados a ignorar dores que ocorrem de vez em quando sem pensar duas vezes. Se a dor for de intensidade moderada a média então, dificilmente alguém buscará tratamento.

Existe um problema sério de subnotificação dos desvios posturais. A maioria das pessoas que sofre com eles (que é muita gente) não percebe que existe um problema. A dor lombar no fim do dia é atribuída ao cansaço. “Talvez seja culpa de algum esforço físico diferente, de um jeito de abaixar errado. Daqui a pouco vai passar”, pensam.

Depois de ignorar a dor como algo pequeno, a pessoa toma um medicamento para a dor, geralmente analgésicos ou relaxantes musculares, e descansa um pouco. Realmente, o desconforto passa por causa do descanso e do efeito medicamentoso.

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Porém, os desvios posturais que foram a causa não desapareceram.

Desvios da postura são mais comuns do que a maioria imagina. Estima-se que cerca de 93% da população mundial possua algum tipo, mesmo que seja bastante moderado. O mesmo se pode dizer das dores da coluna vertebral. A dor lombar é a mais comum e quase todo mundo experimenta um episódio pelo menos uma vez na vida.

Sabendo de tudo isso, quero te fazer uma pergunta: quantos alunos ou pacientes te procuram para corrigir desvios posturais buscando a prevenção ou cura de dores musculares moderadas? Não muitos, certo?

A maioria dos pacientes só percebem que precisam de ajuda quando a dor é constante ou forte demais para ser resolvida com um relaxante muscular. Entenderemos nesse artigo como os desvios musculares podem causar dor e porque devemos identificá-los e tratar antes mesmo da dor surgir.

Causas dos Desvios Posturais

Existem diversos motivos que levam ao surgimento de um desvio postural, mas a maior parte dos casos está relacionado a hábitos modernos. O corpo, criado para o movimento e a ação, está tornando-se cada vez mais sedentário.

Longos períodos em uma única posição fazem com que algumas musculaturas fiquem tensas enquanto outras se encurtam. Um caso bastante comum, por exemplo, é o da amnésia glútea, uma causa frequente da dor lombar inespecífica.

Usando o exemplo da amnésia glútea, é possível entender por que a dor surge em um corpo que deixa de se mover. Os músculos glúteos possuem uma função de suporte que permitem a bipedestação. Ou seja, eles nos ajudam a ficar em pé enquanto realizamos outras tarefas.

Mas a vida moderna incentiva pouco movimento com muito tempo sentado ou em repouso. Mesmo nos momentos de lazer as pessoas optam por ficarem sentados em frente a uma televisão ou computador. Com o tempo, a falta de uso do glúteo máximo gera perda de tônus muscular e força.

Além disso, o quadril perde sua função e passa a realizar compensações para manter o movimento. Como resultado, vemos também uma alteração na posição lombar que surge com o maior uso de musculaturas acessórias do quadril. É uma série de compensações que leva a desvios posturais e mais tarde dor, tudo causado pela falta de movimento.

O sedentarismo é parte importante das causas de desvios posturais. Também encontramos outros motivos, como:

Algumas vezes também vemos diversos fatores se combinando para gerar o desvio que mais tarde se torna uma patologia. Para compreender bem o problema do corpo, você precisará trabalhar com uma boa avaliação postural para identificar os principais motivos.

Como surge a Dor?

Entendemos como os desvios posturais aparecem, mas não significa que isso necessariamente leva à dor. Lembra que boa parte das pessoas não busca tratamento do desvio até surgir uma lesão ou dor aguda? Isso acontece porque muitas vezes os resultados demoram a aparecer.

Precisamos lembrar nesse momento que o corpo está sempre em busca de equilíbrio e conforto. A intenção é se movimentar gastando a menor quantidade de energia, garantindo conforto às vísceras e protegendo estruturas vitais.

Nem sempre isso é possível, especialmente quando existe um desvio postural. Quando a postura está comprometida, o corpo perde sua mobilidade e estabilidade. Mas ainda existe necessidade de continuar se movendo. Assim, surge algo que já conhecemos bem: desequilíbrios e compensações musculares.

Voltarei ao exemplo da amnésia glútea aqui. O glúteo está incapaz de realizar suas ações corretamente. Só para lembrar: a amnésia glútea não é um desvio postural em si, mas causa desvios do quadril e da coluna lombar.

Para que os movimentos continuem, os isquiotibiais entram em ação. É a ação desse extensor de quadril que faz com que os principais desvios posturais apareçam e se mantenham.

A dor lombar em casos de um glúteo disfuncional surge por causa da compressão de estruturas da coluna. Isso acontece pela perda de estabilidade e sustentação da coluna, além de exagero da curvatura lombar.

Teremos nos casos de desvio postural tensões musculares que com frequência causam pontos-gatilho, uma das fontes de dor. Também existem fraquezas que levam ao desequilíbrio articular e compressão de outras estruturas.

Tudo é uma série de compensações que o corpo faz para conseguir voltar ao estado de equilíbrio e continuar se movendo.

Tratamento de Desvios Posturais

Na verdade, não existe um protocolo padrão para tratamento de desvios posturais que eu possa te oferecer. De nada adianta você querer pegar uma sequência de exercícios, aplicar em aula e esperar um resultado igual para todos os pacientes.

Já passou da hora de entender que cada corpo é único e que precisamos tratá-los dessa maneira. Portanto, o tratamento ideal começa com uma avaliação postural detalhada. Precisamos saber por que aquele desvio surgiu e quais compensações ele gerou.

A escoliose é um bom exemplo. Você precisa analisar se existem fatores externos que geraram o desvio da coluna.

Será que o paciente possui algum aparelho corretivo dentário causando tensões e um esquema de forças alterado? Ou uma hérnia de disco que faz com que o corpo se altere para evitar a dor? Tudo precisa ser considerado!

Depois de identificar as causas, chega a hora de corrigi-las. Vá aos poucos e comece a dar mobilidade à coluna. Ela também precisa de estabilidade, mas nada que comprometa seus movimentos.

É importante tomar cuidado com a tendência de só estabilizar e tirar os movimentos da coluna vertebral.

Para isso você pode utilizar os inúmeros exercícios do Método Pilates. Cada um deles possui sua maneira única de flexibilizar, mobilizar e estabilizar a coluna vertebral. Só lembre-se de adaptá-los para cada tipo de coluna trabalhada.

Conclusão

Não dei uma visão detalhada sobre cada desvio postural porque esse não era o objetivo desse artigo. Mas tenho boas notícias: já falei em detalhes sobre alguns problemas da coluna bastante importantes no blog.

Quer aprender mais sobre os principais desvios posturais? Então vou deixar uma lista de sugestões de leitura abaixo para você continuar estudando.

Bibliografia
https://portalseer.ufba.br/index.php/cmbio/article/view/4150
Lafond D, Normand MC e Gosselin G, Rapport force, Journal of Canadian Chiropractor Association 42 (2), 90-100, 1998.
Vakos JP, Nitz AJ, Threlkeld AJ, Shapiro R e Horn T (1994): atividade eletromiográfica de músculos selecionados do tronco e quadril durante um elevador agachado. Spine 19 (6), 687-695.
Noe DA, Mostardi RA, Jackson, ME, Porterfield JA e Askew MJ (1992): Actividade miioeléctrica e sequenciação de músculos de tronco seleccionados durante levantamento isocinético. Spine 17 (2), 225-229.


Qual o Erro que todos cometem no Tratamento de Hérnia de Disco?

Qual o Erro que todos cometem no Tratamento de Hérnia de Disco?

Será que você comete esse erro fatal no tratamento de hérnia de disco?

Muitos profissionais ainda erram por acreditarem no mito da estabilização do núcleo, mas nossos pacientes herniados não precisam de ainda mais rigidez. Entenda porque trabalhar com contração excessiva do Core pode ser ruim para seu paciente herniado e como melhorar o tratamento.

Vamos lá?

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O que é Hérnia de Disco?

A hérnia acontece quando existe a projeção do núcleo pulposo do disco intervertebral para além do anel fibroso.

Originalmente, o disco intervertebral tem como papel amortecer o atrito entre os corpos vertebrais durante o movimento. Com anos de uso e diversos traumas a cartilagem pode sofrer lesões, como:

  • Quedas
  • Acidentes Automobilísticos
  • Esforços ao Levantar
  • Encurtamentos Musculares
  • Outros

Uma lesão na região vertebral pode gerar compressões nervosas. Como resultado, o paciente terá perda de sensibilidade na altura do dermátomo correspondente. Também podemos perceber fraqueza muscular e alteração de trofismo muscular na altura da herniação.

Podemos dividir as hérnais nos seguintes tipos:

  1. Hérnia de Disco Protrusa: ocorre quando o núcleo do disco permanece intacto, mas a cartilagem perde seu formato oval;
  2. Hérnia de Disco Extrusa: ocorre deformação do núcleo, formando uma gota;
  3. Hérnia de Disco Sequestrada: é quando existe muito dano no núcleo, que pode até ser dividido em duas partes.

Falsas Hérnias de Disco

Alguns casos de hérnia de disco são, na verdade, o que chamamos de falsas hérnias de disco.

Você pode identificá-las facilmente através dos sintomas. Elas são muito parecidas com o da hérnia, mas não correspondem fidedignamente a elas.

Leopold Busquet indica que 95% das hérnias podem ser consideradas falsas. Elas não apresentam o quadro completo, como é o caso com as 5% mais graves. As hérnias discais verdadeiras só podem ser tratadas através de métodos cirúrgicos.

Uma hérnia de disco falsa causa dor intensa na região da herniação. Quando está na região cervical pode diminui a mobilidade cervical e de membros superiores. Em alguns casos também existe parestesia dos membros superiores.

Uma hérnia de disco lombar falsa também causa dor e dificuldade para os movimentos. Sua parestesia, no entanto, acontece pela compressão do ciático. Ações como tossir e evacuar podem agravar bastante as dores.

As herniações são bem mais comuns nas curvaturas lordóticas da coluna. As cifoses são mais estáveis e menos móveis. Mas encontramos hérnias de disco torácicas em indivíduos retificados.

Como acontecem as Hérnias

Alguns médicos indicam seus pacientes a não realizarem certos movimentos porque podem causar hérnias vertebrais. Na verdade, estou cada vez mais convencida de que o verdadeiro problema está na falta de movimento.

Falta de movimento gera alterações nos padrões de movimento fisiológico. Ela também leva a limitações articulares e fraqueza muscular. No fim das contas, o sistema musculoesquelético fica sobrecarregado e desenvolve patologias.

Antes mesmo da hérnia ocorrer o corpo envia um sinal de socorro, uma dor lombar que ocorre cerca de 10 anos antes da herniação. Quando o indivíduo busca corrigir a lombalgia através de exercícios e modalidades como o Pilates, os sintomas desaparecem e a possibilidade de desenvolver hérnia diminuem muito.

Mas sabemos o que quase todo mundo faz quando sente uma “simples” dor lombar, certo? Toma um analgésico e um relaxante muscular e fica uns dias em casa descansando. Se o indivíduo visitar um médico já é mais do que a maioria faz.

Por não tomar atitudes para corrigir a alteração mecânica ela permanece e pressiona constantemente os discos. As cadeias musculares ficam tensionadas e, mesmo à noite, o estado de hidrofilia não acontece. Os discos intervertebrais deixam de repor corretamente a água que gastou durante o dia e se tornam mais frágeis.

Depois de cerca de 10 anos o disco sucumbe e forma a hérnia de disco. Por isso sempre digo, precisamos mobilizar nossos alunos herniados. É claro que eles têm medo no início, mas entenderão os benefícios.

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O Erro que todos cometem: Não trabalhar mobilidade!

Quando trabalhamos com um aluno que sofre de hérnia de disco falsa ou qualquer outro problema, logo resolvemos estabilizar essa coluna. Na verdade, o que deveríamos fazer é mobilizar a região e não incentivar contração excessiva de Core para estabilidade.

De acordo com Eyal Lederman, o princípio de estabilidade do núcleo tornou-se amplamente aceito na reabilitação de lesões musculoesqueléticas. Mas o autor percebeu que as críticas da abordagem eram raras e passou a pesquisar mais a fundo.

Lederman se perguntava se realmente deveríamos tornar as colunas lesionadas ou com patologias mais rígidas através da ativação em excesso do Core. Por muito tempo a crença era de que o Core forte forneceria sustentação para a coluna e resolveria dores lombares. Realmente, o transverso do abdômen, uma das musculaturas do Core, ajuda a manter a postura ereta.

Ele também possui a função de controlar a pressão intra-abdominal (PIA) para realizar funções de fonação. Outra importante função é formar a parede posterior do canal inguinal e impedir a formação de hérnias viscerais na região.

Mesmo sendo aparentemente tão importante para a estabilização e prevenção de dor, ele perde forças durante a gravidez. As alterações no corpo da mulher causam seu alongamento e enfraquecimento, diminuindo a capacidade de estabilização.

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Então todas as mulheres grávidas teriam dor lombar, certo? Errado.

Nem todas as gestantes sentem dor lombar, mesmo sem contar com o apoio do principal estabilizador da coluna. Os efeitos adversos da contração excessiva do powerhouse é admitido até pelo próprio Paul Hodges, criador do conceito.

Contrair esse conjunto muscular é custoso para o corpo, que, ao contrário do que muitos imaginaram, não possui só um estabilizador. Na verdade, existe um conjunto de estabilizadores que precisam trabalhar corretamente e em sintonia.

A estabilização acontece através da ativação do músculo correto na hora certa e com a quantidade de força certa. Só contrair com força máxima é uma ótima maneira de aumentar a PIA e gerar todos seus efeitos prejudiciais.

Conclusão

Apesar do treinamento de estabilidade ajudar na manutenção do equilíbrio e controle neuromuscular, ele não é o único foco do tratamento. Um bom tratamento de hérnia de disco inclui o uso de estabilização e também mobilidade.

Um trabalho excessivo de estabilidade de núcleo não deve acontecer de maneira que deixe as colunas rígidas. A hérnia de disco surgiu exatamente porque não existia movimento o suficiente para manter suas estruturas saudáveis.

 

Bibliografia

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  • BMC Musculoskelet. Disord. 7(1), 19.
  • História natural das hérnias do disco lombar : o aprimoramento do gadolínio tem algum valor prognóstico? [Artigo em espanhol] Ramos Amador Um 1, Alcaraz Mexía H, González Preciado JL, Fernández Zapardiel S, Salgado R, Paez.
  • Princípios básicos em termos de força, flexibilidade e exercícios de estabilidade. Micheo W 1, Baerga G, Miranda L.
  • LEDERMEN, Eyal. The Myth of Core Stability. Journal of Bodywork & Movement, 14 edicao, 2010

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