Como realizar a Avaliação das Cicatrizes no paciente

Como realizar a Avaliação das Cicatrizes no paciente

O corpo humano é marcado por diversas experiências que passamos ao longo da vida e, em alguns casos, podemos ver essas marcas claramente. As cicatrizes são expressões daquilo pelo qual o corpo passou e podem influenciar muito na organização corporal.

Por acaso você observa as cicatrizes do seu paciente ou aluno quando está realizando a avaliação estática? Espero que a resposta tenha sido sim, porque elas são importantíssimas para entender as compensações realizadas por esse corpo, como você pode conferir abaixo.

Importância de fazer a avaliação das cicatrizes

Enquanto realizamos a avaliação das cicatrizes na estática, precisamos ter os olhos atentos para todas as pequenas alterações no corpo do avaliado. Comece procurando por toda a extensão do seu corpo por cicatrizes. Barral foi o primeiro a mostrar que essas marcas podem ter consequência.

A má formação na teia de matriz cicatricial pode alterar o funcionamento mecânico do corpo. Portanto, devemos buscar essas marcas com atenção, já que elas podem ser algumas das causas que estão intoxicando o sistema musculoesquelético.

Cicatrizes tóxicas

Esse tipo de cicatriz é aquele que altera o funcionamento mecânico corporal. Elas são formadas após um ferimento ou intervenção cirúrgica, assim como boa parte das cicatrizes. No entanto, elas permanecem em reação com estímulos internos e externos depois de sua formação.

A cicatriz tóxica é capaz de causar uma contração muscular do músculo em questão. Ela também consegue modificar o tecido conjuntivo e o líquido extracelular que o circunda. Portanto, transforma-se numa área reativa, que chamamos de campo perturbador. Algumas das áreas onde essas marcas aparecem são:

  • Face;
  • Laterais do tronco;
  • Medianas da parede anterior do abdômen.

Preste muita atenção a cicatrizes horizontais, já que elas são mais nocivas para o desarranjo biomecânico. Só não se engane, não é o tamanho da cicatriz que define se ela é tóxica ou não.

Em alguns casos, marcas grandes não representam disfunções corporais, enquanto uma pequena cicatriz pode causar modificações teciduais no tecido conjuntivo e desregulação exteroceptiva. Ela implica em obstáculos para a correção postural durante o tratamento que elaboramos mais tarde.

Por que cicatrizes são tão importantes?

Para entender a desorganização corporal causada pelas cicatrizes basta observar o papel da pele. Ela é o maior órgão do corpo humano e é dotada de inúmeras terminações nervosas livres. Entre elas encontramos também grande qualidade de exteroceptores, como órgãos de Ruffini e Discos de Merkel. Essas células atuam como mecanorreceptores e são extremamente sensíveis.

Uma cicatrizes anterior de tronco pode, por exemplo, provocar uma projeção anterior do corpo. Isso acontece na tentativa de relaxar o estiramento do exteroceptor para conseguir um ajustamento no tônus muscular.

A pele também é um dos maiores órgãos do corpo que está exposto diretamente a estímulos do meio ambiente. Assim, ela realiza uma troca contínua de informações. O sistema de entrada pode ser perturbado em algumas ocasiões, como é o caso de uma cicatriz. Quando isso ocorre sua capacidade de interação com o ambiente interno e externo fica prejudicada.

Como saber se estamos diante de uma cicatriz tóxica?

Como mencionei, algumas cicatrizes são tóxicas independente do tamanho dela. Se o tamanho não é o suficiente, como podemos identificá-las durante nossa avaliação das cicatrizes? Confira alguns aspectos que você pode utilizar para identificar os tipos de cicatriz.

Aspectos de uma cicatriz normotrófica (que não causa distúrbios):

  • Cor próxima ao tom da pele;
  • Textura fina.

Agora, veja os aspectos de uma cicatriz tóxica, aos quais você deve estar muito atento durante a avaliação das cicatrizes:

  • Cor em tons de vermelho, variando entre tons claros, escuros e acastanhados;
  • Retrações;
  • Quelóides;
  • Alto relevo;
  • Trofismo, atrófica ou hipertrófica.

No entanto, não basta ver o aspecto da cicatriz para conseguir ter certeza se estamos diante de uma cicatriz tóxica. Ainda precisamos realizar testes adequados para ver se aquela marca consegue tornar-se um bloqueio para a correção postural ou não.

Testes para avaliação das cicatrizes

Os testes abaixo podem ser utilizados para avaliar a toxicidade de suas cicatrizes.

1. Baseado na cinesiologia aplicada

Para realizar esse teste podemos eleger qualquer músculo do corpo. Aqui exemplificarei usando o músculo bíceps braquial. O aluno deve manter o cotovelo em flexão enquanto o avaliador mantém as mãos na face anterior do antebraço avaliado.

Resista ao movimento em direção à função do músculo escolhido para teste e solicite que o avaliado faça uma força em sentido da flexão de cotovelo enquanto resistimos.

Durante a resistência, o avaliador deve tocar suavemente com a outra mão a cicatriz do avaliado. Caso a pessoa perca a força e permita que seu cotovelo seja levado à extensão o teste é considerado positivo. Ou seja, estamos lidando com uma cicatriz tóxica. Se não acontecerem alterações na resistência aplicada ao músculo temos uma cicatriz normotrófica.

2. Baseado no teste de pulsologia de nogier (teste da reação autonômica circulatória)

Esse é o teste de pulso radial. Nele, o avaliador toca o pulso radial do avaliado suavemente com o dedo indicador e médio. Ele percebe por alguns segundos a pulsação e, depois, toca a cicatriz em toda sua extensão com a outra mão.

Quando a cicatriz é tóxica o pulso diminui ou desaparece no momento do toque. Caso isso não aconteça é uma cicatriz normotrófica. A diminuição do pulso acontece por causa de uma desregulação humoral através da secreção do hormônio adrenalina que se liga ao receptor Beta 2 nos vasos das artérias musculoesqueléticas, que provoca vasodilatação e consequente redução da amplitude da onda do pulso.

Conclusão

Todos os aspectos do corpo do avaliado podem indicar motivos de um desequilíbrio postural. Por isso, o avaliador deve ter olhos atentos a qualquer alteração. As cicatrizes são problemas comuns que muitas vezes esquecemos de observar por estarmos muito atentos ao movimento.

Minha dica é aproveitar o momento da avaliação postural estática para realizar uma avaliação das cicatrizes mais detalhadas. Tente identificar se são tóxicas ou não.

Caso o resultado dos testes seja positivo e você esteja diante de uma cicatriz tóxica precisará trabalhar antes para melhorar sua matriz cicatricial. Se não fizer isso, o aluno será incapaz de manter os ganhos posturais que conseguirmos com o tratamento.

 

Bibliografia
  • Cadernos de Saúde Pública
  • On-line version ISSN 1678-4464
  • Cad. Saúde Pública vol.7 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 1991
  • http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1991000200003
  • ANÁLISE/ANALYSIS
  • AbcMed  –  Exames e Procedimentos
  • Atalho: 70NEWKL
  • Raquianestesia: o que é? Quais os preparos necessários? Como é feita? Quais são as vantagens e as desvantagens?
  • Livro Cadeias Musculares do Tronco, Janaina Cintas
  • Nogier, Raphael, Boucinhas, J.C. – Prática Fácil de Auriculoterapia e Auriculomedicina, Editora: Ícone, 3ª edição, 2006
Melhores do Ano 2018 – 5 Matérias Mais Acessadas Sobre Avaliação Postural

Melhores do Ano 2018 – 5 Matérias Mais Acessadas Sobre Avaliação Postural

Quando estava pensando no que eu poderia fazer para comemorar, no final de 2018, o sucesso do meu blog, várias opções especiais passaram pela minha cabeça.

Não posso deixar de comentar que foram 629.450 visualizações durante todo o ano! Mais de meio milhão em 12 meses, dá pra acreditar? É muito acesso em tão pouco tempo!

Isso me deixa extremamente feliz e, por esse motivo, preparei 4 especiais com os Melhores de Ano em 2018!

Cada especial é dedicado à uma categoria diferente do meu blog. São elas:

  • Hipopressiva;
  • Biomecânica;
  • Avaliação Postural;
  • Cadeias Musculares.

Abaixo, você pode encontrar os textos mais acessados e comentados da categoria Avaliação Postural! Espero que você aproveite todo o conhecimento que esse Top 5 pode trazer para a sua vida profissional.

Um feliz ano novo, e até o ano que vem! Aproveitem!

#5 – Avaliação Postural Estática X Avaliação Postural Dinâmica

Já que conhecemos as Cadeias Musculares gostaria de propor para vocês uma abordagem de avaliação diferente. Claro que a avaliação postural estática é importante, mas não vivemos na estática.

Aliás, sabemos que a estática não existe, visto que nosso equilíbrio é baseado em um desequilíbrio anterior. Levando isso em consideração, nada mais lógico que também avaliemos de forma simples e rápida esse corpo através das suas dinâmicas Cadeias Musculares que levam o nosso corpo para o movimento.

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Informações Gerais

  • Data da Publicação: 23 de junho de 2017
  • Visualizações: 3.598

#4 – Tudo que você precisa saber sobre avaliação postural estática

Na avaliação postural estática observamos somente os pontos anatômicos de forma estática. Só depois juntamos todos nossos achados à avaliação dinâmica, entrevista, testes específicos, dentre outros.

Costumo brincar que a avaliação é um divertido jogo de quebra cabeça. Nele as peças vão se juntando uma a uma para que entendamos o corpo que nos pediu ajuda.

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  • Data da Publicação: 13 de dezembro de 2017
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#3 – Dor lombar e suas possíveis origens viscerais

Já falamos na nossa série de artigos sobre dor lombar a respeito de cesáreas tratamento da dor lombar. Agora chegou a hora de falar sobre as dores de origens viscerais.

Andrew Taylor Still, criador da osteopatia, acreditava que todos os sistemas do corpo estavam interligados. Portanto, a doença de um sistema afetaria os outros. Usaremos essa visão da osteopatia para discutir a dor lombar visceral.

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  • Data da Publicação:29 de setembro de 2017
  • Visualizações: 4.994

#2 – Avaliação de ombro: testes para os principais músculos

O ombro é uma zona bastante lesionada em todos os tipos de alunos. Por ser muito instável e complexo, esse conjunto articular geralmente acaba com pouca estabilidade ou mobilidade. Além disso, existem diversos tipos de lesões e patologias que podemos encontrar no complexo do ombro.

Por isso é extremamente importante saber realizar uma boa avaliação de ombro e suas musculaturas. É exatamente esse o foco desse artigo. Entenda melhor como realizar alguns testes musculares no ombro e as musculaturas mais importantes na avaliação. Para entender tudo isso é só continuar lendo.

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  • Data da Publicação: 22 de janeiro de 2018
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#1 – 6 dicas para uma avaliação postural eficiente

Assim que o aluno entra em nosso espaço ele está sob avaliação, mesmo que não saiba. O motivo é simples: uma boa avaliação postural consegue garantir o sucesso de um tratamento.

Da mesma maneira, se avaliarmos aquele corpo de maneira incompleta ou errada a reabilitação será pouco eficiente. É durante a avaliação que descobrimos praticamente tudo sobre o aluno que terá importância no nosso trabalho mais tarde.

Portanto, fazer essa etapa de qualquer jeito é pedir para suas aulas fracassarem. Um bom profissional deve conhecer muito bem as técnicas para aplicar uma boa avaliação postura. Se você está em dúvida sobre esse assunto ou só quer melhorar seus conhecimentos continue lendo.

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  • Data da Publicação: 11 de agosto de 2017
  • Visualizações: 7.259

 

*Dados computados até o dia 11/12

 

Qual é a melhor forma de prevenir a cervicalgia?

Qual é a melhor forma de prevenir a cervicalgia?

A cervicalgia é um problema comum que deve afetar cerca de 48% da população de acordo com o Global Burden of Disease Study. Na maioria dos casos essas alterações acontecem por causa do processo de envelhecimento natural do corpo, mas também pode surgir por causa de alterações posturais, patologias, traumas e lesões.

Após um episódio de cervicalgia, existem grandes chances que nosso paciente volte a sofrer com o problema. Por isso, é essencial desenvolver um programa preventivo eficiente. Quer aprender a melhor forma de prevenir a cervicalgia? Continue a leitura para relembrar um pouco da anatomia e movimentos dessa importante região e entender o que pesquisas dizem sobre a prevenção.

Anatomia da coluna cervical

A coluna cervical tem uma função bastante essencial: sustentar e movimentar a cabeça, além de proteger diversas estruturas neurais e vasculares. Movemos a cervical quase continuamente durante o dia, chegando a realizar cerca de 600 movimentos por hora ou um a cada 6 segundos.

Essa estrutura é feita de 7 vértebras. As duas primeiras vértebras, atlas e axis, possui propriedades bastante distintas das restantes. O atlas tem forma de anel sem possuir corpo vertebral, ela se articula com a base do crânio através da articulação occipito-axial. É ela que é responsável por boa parte dos movimentos sagitais da cervical.

O axis é a segunda vértebra cervical e tem proeminência que emerge de seu corpo vertebral. Ela se chama processo odontóide, estrutura que se projeta para o interior do atlas, onde forma um pivô sobre o qual a articulação atlanto-axial consegue realizar a rotação do crânio.

Essas duas vértebras não possuem disco intervertebral. Elas são separadas e sustentadas por ligamentos internos.

O restante das vértebras cervicais, de C3 até C7, são mais homogêneas. Elas possuem corpo vertebral anterior e arco neural posterior. Elas se diferenciam das vértebras torácicas e lombares por apresentarem o forame transverso, pelo qual passa a artéria vertebral.

Disco intervertebral

Esses corpos vertebrais são separados por discos intervertebrais, formados pelas partes:

  1. Central – chamada de núcleo pulposo, o qual é constituído em 90% água e proteoglicanos, e
  2. Periférica – denominada ânulo fibroso, formada por fibras resistentes dispostas em lamelas concêntricas.

Essas estruturas realizam a absorção de impacto e dispersam a energia mecânica, sofrendo constantemente com processos degenerativos.

Conforme o corpo envelhece a quantidade de água do núcleo pulposo diminui consideravelmente. Assim, a capacidade de embebição do disco diminui, junto a um aumento do número de  fibras colágenas, determinando uma menor elasticidade e compressibilidade.

Por causa dessas alterações o ânulo fibroso torna-se mais suscetível a rupturas. Isso pode produzir herniações discais e outros tipos de processos degenerativos.

Movimentos da Coluna Cervical

A coluna cervical é responsável pelos movimentos de :

  • Flexão e Extensão
  • Inclinação Lateral à Esquerda e à Direita
  • Rotação à Esquerda e à Direita

Flexão ou Flexão Anterior

Acontece no plano sagital quando o mento se aproxima da parede anterior do tórax. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideos Direito e Esquerdo

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Pré-Vertebrais (longo da cabeça, longo do pescoço, reto anterior da cabeça e reto lateral da cabeça) de ambos os lados. A amplitude articular normal varia de 60º  a 90º.

Extensão

Movimento, no plano sagital, em que a nuca se aproxima do dorso.

Os músculos motores primários são:

  1. Trapézio (Fibras Superiores)
  2. Esplênio da Cabeça
  3. Esplênio do Pescoço
  4. Semi-Espinhal da Cabeça – de ambos os lados

Os motores secundários são:

  1. Extensões Cervicais e Craniais do Eretor da Espinha (iliocostal cervical, longuíssimo da cabeça, longuíssimo do pescoço, espinhal da cabeça, espinhal do pescoço).
  2. Reto Posterior Maior da Cabeça
  3. Reto Posterior Menor da Cabeça – de ambos os lados. A amplitude de movimento articular normal varia entre 50º a 70º .

Flexão ou Inclinação Lateral

Movimento no plano frontal em que a cabeça e o pescoço se aproximam do ombro direito ou esquerdo. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do Lado do Movimento.

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Esplênios da Cabeça e do Pescoço
  3. Oblíquos Superior e Inferior da Cabeça – do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 20 e 40º.

Rotação

Movimento no qual o pescoço e a cabeça giram para direita ou para esquerda em torno de um eixo vertical (50% do movimento ocorre na articulação atlantoaxial). Os motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do lado oposto ao movimento;
  2. Escalenos e Esplênios do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 60 e 90º.

No eixo sagital:

  • Flexão e a Extensão atingem uma amplitude de aproximadamente 70 graus
  • Rotação compreende 90 graus e a lateralização 45 graus, sendo que estas amplitudes são reduzidas com a idade e na vigência de processos inflamatórios.

Exame e diagnóstico da cervicalgia

Ao recebermos um aluno reclamando de cervicalgia ou outros tipos de desconfortos cervicais precisamos realizar:

  • Inspeção;
  • Palpação;
  • Mobilização ativa e passiva;
  • Manobras especiais.

Durante essa inspeção precisamos observar se existem deformidades na coluna. Isso inclui:

  • Alterações da lordose cervical;
  • Posições antálgicas;
  • Anormalidades posturais;
  • Sinais traumáticos.

Durante esse diagnóstico também precisamos realizar a palpação da tireoide e dos pulsos carotídeos. A mobilização ativa e passiva tem como objetivo fornecer a amplitude de movimento e indicar qual deve ser o segmento cervical acometido.

Quando existir dor irradiada para o ombro, escápula e membro superior também precisamos fazer uma avaliação neurológica cuidadosa. A ênfase é nas alterações de reflexos, presença de parestesias ou paresias e distribuição dermatomérica.

Quais são as possíveis formas de prevenir a cervicalgia?

Precisamos lembrar que dor cervical é um problema bastante comum e grave. Ela causa incapacidades que impedem o indivíduo de trabalhar e realizar suas atividades diárias e merece muita atenção.

É exatamente por isso que devemos trabalhar para prevenir a cervicalgia, evitando tais problemas e ajudando nossos pacientes a não repetirem a experiência da cervicalgia.

Para isso, podemos utilizar exercícios de fortalecimento, alongamento, flexibilidade, entre outros. Outra alternativa é utilizar a instrução do aluno para melhorar as condições ergonômicas do seu espaço de trabalho e a realizar alongamentos e outros exercícios laborais para a prevenção.

Entre as estratégias ergonômicas é possível citar:

  • Ajuste da estação de trabalho;
  • Redesenho ou modificação ergonômica;
  • Avaliação da postura durante tarefas diárias;
  • Ajustes dos instrumentos de trabalho;
  • Mudança de função.

Certamente, ao recomendar exercícios preventivos para nossos alunos, queremos oferecer a eles as opções com melhores resultados. Por isso, selecionei uma revisão sistemática baseada no systematic reviews and meta-analysis of studies that evaluate physical healthcare interventions (PRISMA). O estudo comparou a intervenção com exercícios e ergonômica para prevenir a cervicalgia e pode trazer insights importantes para nossos próprios tratamentos.

Qual forma de tratamento é mais eficiente?

A revisão utilizou 5 estudos com um total de 3852 participantes com média de idade de 40 anos. 42% deles eram mulheres. Esses estudos investigaram duas estratégias para prevenir a cervicalgia: programas de ergonomia e exercícios.

Um dos estudos avaliou exercícios de alongamento e resistência que deveriam ser realizados durante o horário de trabalho duas vezes ao dia. Ele era combinado com exercícios domiciliares que deveriam ser adotados por 12 meses.

Outro sugeriu um programa aeróbio geral que incluía:

  • Exercícios de fortalecimento;
  • Estabilização;
  • Alongamento;
  • Informações sobre saúde;
  • Treinamento do controle do estresse;
  • Atividades práticas no local de trabalho.

Esse programa era realizado por 1 hora, 3 vezes na semana ao longo do período de 9 meses.

Os outros 3 estudos analisados estudaram os efeitos de programas de ergonomia quando comparados a nenhuma intervenção ou intervenção mínima. Infelizmente, os resultados não se mostraram muito satisfatórios. Existem poucos indícios de que somente o programa de ergonomia interfira para prevenir a cervicalgia.

Esses resultados também indicam que talvez existam outros fatores relacionados ao desenvolvimento de dor cervical além de adaptações ergonômicas no trabalho e na vida diária.

Os estudos que analisaram um programa de exercício, no entanto, mostraram evidência moderada do efeito benéfico de exercícios na prevenção. De acordo com eles, esse tipo de programa preventivo para prevenir a cervicalgia reduz o risco de dor cervical em 53%.

Conclusão

Apesar dos resultados apontarem exercícios como a forma mais eficiente de prevenir a cervicalgia, isso não nos deixa um tratamento definido. Os exercícios utilizados podem e devem variar de acordo com o caso, indo de abordagens focadas na cervical até exercícios de fortalecimento, alongamento e flexibilidade global.

Portanto, posso encerrar esse artigo recomendando que sempre avalie seu aluno para compreender melhor o que causou o primeiro episódio de dor. Talvez ele tenha uma combinação de desequilíbrios que um protocolo feito para outro indivíduo não atende.

Quer aprender ainda mais a respeito de avaliação do movimento para proporcionar o melhor tratamento e prevenção para seu aluno? Então confira meu curso de avaliação postural, que te dá informações ainda mais completas sobre o assunto.

Qual é o Melhor Posicionamento da Coluna no Pilates?

Qual é o Melhor Posicionamento da Coluna no Pilates?

Sabemos que o Pilates não é uma receita pronta, com comandos mágicos que consertam o problema de qualquer aluno. Então, o que será que eu quero tentar atingir nesse texto falando do melhor posicionamento da coluna nas aulas?

Quero mudar ideias já ultrapassadas sobre a coluna ideal sendo ereta, algo que pode proporcionar apagamento de suas curvas fisiológicas. Quem trabalha com Pilates precisa aprender a trabalhar a coluna do aluno para conseguir equilibrar sua mobilidade e equilíbrio. Quer aprender melhor? Continue lendo esse artigo.

Estabilidade da coluna

Antes de qualquer coisa, precisamos entender a estabilidade da coluna, já que ela é fundamental nos nossos atendimentos. Joseph Pilates foi genial na criação de seu método com a estabilização segmentar.

De acordo com Pilates, precisamos fortalecer o Power House para ter efeitos positivos no Método. Quanto mais forte for esse núcleo, mais estável estará a coluna vertebral. Apesar de não estar exatamente errado pela física, esse conceito é bastante mal entendido no meio das atividades físicas.

Atualmente, muitos confundem a estabilidade com rigidez. Mas a rigidez é um problema que pode gerar diversas patologias e desvios, precisando ser corrigido com mobilidade. Infelizmente, a mobilidade vem sendo bastante ignorada.

De acordo com a física, a estabilidade é a energia potencial de um corpo que pode ser armazenada nele. Um corpo equilibrado consegue transformar a energia potencial em energia cinética. Em geral, transformamos energia potencial gravitacional em cinética usando nossos tendões, que também geram estabilidade para manter o corpo em movimento.

Mas o que exatamente é a estabilidade?

A estabilidade é o mesmo que rigidez vezes mobilidade. Portanto, ao fortalecer o Power House em excesso conseguiremos muita rigidez e a mobilidade ficará prejudicada. Dessa maneira, o corpo perde a energia potencial elástica que poderiam ser geradas nos músculos.

Só tome cuidado: muita mobilidade também é problemática. Com um excesso dessa característica perdemos a estabilidade e a energia potencial elástica.

Caso o corpo estiver em equilíbrio ele consegue utilizar sua energia potencial de forma econômica, seja na rigidez ou mobilidade. Tudo isso sem qualquer risco de lesão.

Portanto, se quisermos considerar o Pilates um exercício completo, ele precisa proporcionar tanto mobilidade quanto rigidez para o corpo. Uma rápida dica: o Pilates é extremamente completo, basta saber utilizar o posicionamento da coluna e outros fatores corretamente.

Precisamos aplicar alguns ajustes para usar menos força na ideia de estabilização segmentar para continuar proporcionando seus benefícios à coluna vertebral sem prejudicar o restante dos sistemas.

Posição da coluna para diferentes tipos de pacientes

Acredite ou não, a respiração é um ponto essencial na nossa estratégia para garantir mobilidade e estabilidade à coluna. De acordo com Joseph Pilates, precisamos de respiração profunda durante os exercícios do seu Método. Ainda segundo ele, a respiração ajuda a oxigenar todos os átomos do corpo. Quero acrescentar que precisamos de tipos diferentes de respiração de acordo com a necessidade do seu aluno.

Nos tempos de Joseph, a ideia de uma coluna ereta era o mais aceito como saudável. Mas atualmente já sabemos que existem curvaturas que são fisiológicas e precisam ser respeitadas. Por isso, devemos utilizar comandos respiratórios que ajudem nosso aluno a manter suas curvaturas fisiológicas ao mesmo tempo que corrigem os desvios posturais.

Quero destacar aqui os hipercifóticos e retificados. No primeiro caso eles precisam levar o ar inalado para o peito, facilitando o movimento da curvatura prejudicada da coluna. Os alunos retificados possuem um apagamento das curvas fisiológicas e precisam respirar levando o ar inalado para as costas.

A respiração continua sendo um dos fundamentos do Pilates e uma parte essencial dos tratamentos feitos com ele. Mas ela é realizada de maneira mais sutil, respeitando o ritmo, fluência e sequência dos exercícios. Adaptando o processo respiratório de acordo com a necessidade do aluno conseguimos melhoria significativa na sua postura, estabilidade e mobilidade.

Posicionamento da Coluna no Pilates

Pilates buscava a coluna ereta através do seu método, algo que ainda é aplicado por quem pratica o Pilates original. Novas pesquisas indicam que a retroversão é ainda mais prejudicial, aumentando muito a pressão sobre os discos intervertebrais. Por isso, o conceito aceito atualmente é que devemos sempre buscar a coluna neutra.

O que muitos profissionais fazem é ficar de olho no posicionamento da pelve, como indicativo da posição do restante da coluna. Assim, em alguns exercícios o aluno mantém a pelve neutra, mas a dorsal e cervical em sofrimento.

Durante as aulas, começamos levando o aluno para a pelve ideal para ele. Ou seja, não é o que nossa visão profissional dita, mas sim a posição mais confortável para seu corpo. Aos poucos podemos realizar adaptações na sua pelve e postura para deixá-lo mais perto da nossa própria ideia de neutro ideal.

Para conseguir chegar ao posicionamento correto da coluna precisamos de uma boa progressão de exercícios. O aluno não deixará de ser retificado e hipercifótico da noite para o dia, portanto, tenha paciência e avance com passos pequenos.

O que chamo de neutro ideal aqui nesse artigo pode ser resumido em:

  • Cervical lordótica neutra;
  • Dorsal cifótica neutra;
  • Lombar lordótica neutra.

Quando alguém está em decúbito dorsal é preciso manter a base do crânio, da coluna dorsal, as costelas flutuantes e a base do sacro no solo.

Conclusão

Joseph Pilates realmente foi genial ao criar seu método. Seus equipamentos, por exemplo, não foram criados de maneira aleatória. Na verdade, cada um foi criado como um verdadeiro emaranhado físico, com seus vetores de forças e forças elásticas capazes de moldar o corpo de um indivíduo.

Mas para conseguir obter o maior benefício desses equipamentos, ainda precisamos de uma coluna em ordem, que possui sua mobilidade e estabilidade garantidas. Tente ensinar ao seu aluno maneiras de adotar a coluna neutra ideal, nem que ele demore a desenvolver essa postura. Através disso conseguimos prevenir lesões e até tratá-las.

Alinhamento postural: como o Pilates pode ajudar?

Alinhamento postural: como o Pilates pode ajudar?

Os desvios posturais são um problema frequente em nosso Studio de Pilates. Eles podem causar dor, lesão e perda de mobilidade para o paciente e devem ser resolvidos. Sabia que podemos tratar alinhamento postural utilizando o Pilates? Confira tudo no artigo abaixo.

O que é alinhamento postural?

Ao contrário do que nossas mães pensavam quando nos mandavam manter a coluna reta, não existe uma postura perfeita. Na verdade, cada corpo possui adaptações e características únicas que fazem com que sua postura ideal seja um pouco diferente da do outro. O que precisamos entender a respeito do alinhamento postural é que ele deve acontecer de maneira a exigir a menor ação muscular possível para manter o corpo na posição ereta.

Para isso, a coluna não deve estar retificada com suas curvaturas fisiológicas apagadas ou com elas exageradas. Já sabemos que boa parte dos nossos pacientes se encaixa em um desses dois grupos, o que é um problema.

O controle postural é um sistema complexo que exige ajustes por parte de nosso corpo a todo momento. É preciso receber informações sobre o posicionamento dos segmentos corporais e logo em seguida realizar ajustes da tensão muscular para manter o equilíbrio e a posição. Pensa que é tarefa fácil? Não, seu corpo está utilizando um sistema complexo de feedback e feedforward para te manter em pé.

Para isso, esses sistemas utilizam informações sensoriais e de atividade muscular que regulam a postura. Isso acontece em todos os movimentos. Sempre precisamos de contrações musculares que sejam baseadas em informações dos sistemas:

  • Visuais;
  • Vestibulares;
  • Auditivos;

Esse sistema de adaptações complexa precisa de um corpo com funcionamento perfeito para funcionar. O sistema nervoso central (SNC) só consegue realizar os ajustes posturais corretos quando não existe qualquer tipo de desvio prejudicando a posição. As fraquezas musculares também fazem com que o alinhamento postural fique prejudicado.

Problemas causados pelo mau alinhamento

Estudos indicam que a incidência de desvios posturais e dores relacionadas à má postura vem aumentando nos últimos anos. O controle postural é essencial para que o corpo consiga:

  • Proteger-se de lesões;
  • Favorecer a funcionalidade;
  • Melhorar o conforto;
  • Diminuir o consumo energético.

Quando o indivíduo não possui bom alinhamento postural, ele estará exposto a desvios posturais e até ao desenvolvimento de patologias. Quando um segmento corporal está em desequilíbrio ele força adaptações do SNC que levam ao desenvolvimento de desequilíbrios posturais.

Sabemos que o corpo nunca deixa de se mover por causa de um segmento desequilibrado. Portanto, ele realiza alterações musculares para compensar essa região alterada e adota posturas incorretas. Ou seja, o corpo acaba exposto a maior tensão muscular e até pressão exercida sobre as articulações para continuar se movendo.

Para identificar o que seria considerado como mau alinhamento postural podemos utilizar o conceito de Kendall et all. Para ele, a postura está relacionada a um estado de equilíbrio articular. Uma boa postura favorece movimentos simétricos que não realizam gasto excessivo de energia.

Mesmo quando seu paciente não reclama de dor ou possui evidências de uma patologia do sistema musculoesquelético, ele pode ter problemas de alinhamento postural. Apesar desses problemas não gerarem problemas imediatos, eles aumentam a probabilidade de desenvolver uma lesão ou patologia no futuro.

Através da avaliação postural que você realiza nos seus pacientes assim que eles começam a treinar com você indica a presença de tais desvios. Depois de identificá-los, chega a hora de começar a correção. Isso pode ser feito através do movimento, incluindo o movimento do método Pilates.

Influência das cadeias musculares nos problemas posturais

Quem me acompanha no blog sabe que sou forte defensora do conceito de cadeias musculares para realizar um tratamento globalizado e eficiente do corpo. Nos desalinhamentos posturais não poderia ser diferente.

Durante a própria avaliação precisamos buscar tensões e encurtamentos nas cadeias musculares para conseguir realizar um tratamento eficiente. Precisamos considerar inclusive o posicionamento de regiões periféricas do corpo, como mãos e pés. Os pés são inclusive parte importante do alinhamento postural. Seus desvios causam alterações importantes em todo o corpo.

As cadeias musculares agem de maneira a atingir um correto alinhamento postural. Isso acontece através da associação entre o tecido conjuntivo fibroso e tecido contrátil. Os músculos contraem-se de forma conjunta em antecipação ao movimento.

Portanto, as alterações posturais levam a desequilíbrios por toda a cadeia muscular.

Como Pilates ajuda a melhorar a postura

O Pilates é conhecido por seu eficiente trabalho de todos os músculos corporais, chamado de princípio da contrologia no método. O Pilates trabalha com movimentos realizados com perfeição, utilizando o centro de gravidade e sua eficiência da cadeia cinética. Portanto, quanto maior for a ativacao muscular, mais o individuo consegue manter os movimentos do corpo e prevenir lesões.

Na maioria das modalidades o indivíduo raramente presta atenção na qualidade do movimento realizado. Ele quer fazer as séries rapidamente e passar para o próximo. Bem, isso é algo que pode levar ao surgimento de lesões, e não podemos permitir que aconteça no método Pilates

O Pilates trabalha também com forte ênfase na respiração. Coincidentemente, a respiração é bastante relacionada à coluna vertebral. Precisamos inclusive adotar tipos de respiração diferente para indivíduos hipercifóticos, retificados ou com excesso de mobilidade, mas isso é assunto para outro artigo.

As principais vantagens de utilizar o método para o alinhamento postural são:

  • Trabalho global do corpo;
  • Alívio das tensões musculares;
  • Progressão do movimento;

Conclusão

Podemos perceber que o Pilates é um método eficiente para trabalhar a força muscular, alinhamento postural, flexibilidade, entre outros. Conseguimos utilizar o fortalecimento muscular para melhorar o alinhamento e também corrigir diversos tipos de desvios posturais.

Só gostaria de lembrar que devemos tomar cuidado com o trabalho imposto durante o Pilates. Muitos dão foco unicamente para o fortalecimento, que pode provocar rigidez em excesso sem sequer resolver os desalinhamentos. Precisamos combinar mobilidade e fortalecimento para garantir uma coluna com movimentos fisiológicos.

 

Bibliografia
  • TEIXEIRA, Ana Luiza Menezes et al. Os efeitos do método Pilates no alinhamento postural: estudo piloto. Fisioterapia Ser, Rio de Janeiro, v. 3, n. 4, p. 210-215, set. 2008. Disponível em: <http://www.pilatesfisios.it/ricerche%20pdf/Os%20efeitos%20do%20metodo%20pilates%20no%20alinhamento.pdf>. Acesso em: 04 set. 2018.
  • Sinzato, C., Taciro, C., Pio, C., Toledo, A., Cardoso, J., & Carregaro, R. (2013). Efeitos de 20 sessões do método Pilates no alinhamento postural e flexibilidade de mulheres jovens: estudo piloto . Fisioterapia E Pesquisa20(2), 143-150. https://doi.org/10.1590/S1809-29502013000200008
Conheça os 3 Melhores Tipos de Avaliação Postural

Conheça os 3 Melhores Tipos de Avaliação Postural

Seria muito fácil simplesmente dizer que devemos realizar a avaliação postural porque o tratamento ou planejamento de aulas depende disso. É verdade, porém os tipos de avaliação postural não se baseiam em uma explicação tão simplista como essa.

Quero que você realmente compreenda os efeitos que os melhores tipos de avaliação postural têm em nossos alunos.

Vou começar com uma avaliação rápida a respeito de LERs: Lesões por Esforço Repetitivo. Sabemos que muitos pacientes e alunos desenvolvem LER por causa das atividades laborais. Esse é um grupo de doenças que é apontado como um dos principais motivos de afastamento do trabalho e incluem disfunções como:

  • Tendinite
  • Tenossivite
  • Epicondilite
  • Bursite
  • Síndrome do Túnel do Carpo
  • Síndrome do Desfiladeiro Torácico

Como você pode perceber, existem muitos problemas considerados LERs, inclusive algumas patologias sobre as quais já falei aqui no blog. E muitos indivíduos estão expostos ao desenvolvimento dessas doenças. Estudos realizados no Reino Unido indicaram que cerca de 2,6% dos trabalhadores tem o problema e espera-se que esse número aumente.

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Avaliação Postural Eficiente

Agora você talvez se pergunte: por que estou falando a respeito de LER em um artigo sobre tipos de avaliação postural? Porque conseguimos prevenir boa parte desses problemas através de uma avaliação postural eficiente e completa.

Sabemos também que não basta uma avaliação postural, pois as disfunções biomecânicas encontram-se dentro de um contexto bio-psico-social, sendo que o bio não pode ser negligenciado, mas as questões psico-comportamentais vêm em uma crescente científica de grande importância nas dores crônicas.

Posturas inadequadas são somente um fator de risco para o surgimento de lesões, seja no esporte ou no trabalho, mas se o indivíduo gosta de seu trabalho, está com problemas pessoais, psicológicos também devem ganhar importância em nossa anamnese.

Por que alguns indivíduos passam anos em um trabalho de repetição motora e nunca sofreram de nenhum tipo das LERs citadas?

Essa é a incógnita que a ciência vem desvendando nos últimos tempos. Aqui quero dar também uma ênfase para a anamnese, pois a entrevista realizada antes da avaliação, deve nos ajudar a entender a atividade laboral do aluno e como ele pode estar em risco, para depois darmos a devida atenção aos determinados aspectos da sua bio-psico-sociais.

Neste artigo, daremos ênfase aos desequilíbrios posturais, pois também não podemos cair no rol de que toda dor se encontra no contexto psico-social.

Uma lesão de manguito rotador, pode estar incluída nos contextos sociais, porém, a lesão mecânica ocorreu e devemos entender como isso aconteceu, sob o aspecto postural. Afinal, somos profissionais do movimento, e as novas visões científicas não excluíram os fatores biológicos, somente diminuíram sua importância.

Sabemos também que a sensibilização central é o grande chefe e mentor das dores crônicas, sabemos que devemos pensar mais além, e em artigo próximo discutiremos essas questões, sob o risco de cairmos num aspecto muito perigoso diante de nossas profissões, de que tudo que não funcionou em nossa função e porque estar nas questões psico-sociais.

Devemos estar atentos também a essa importante questão. Bom, voltemos ao tema do artigo.

1) Avaliação Postural Estática

Você já conhece esse tipo de avaliação. O aluno entra na sala, logo ele já está sendo avaliado e o colocamos na posição correta. A análise é feita com o indivíduo em bipedestação, com o segundo dedo do pé alinhado com a linha média do joelho. Essa linha deve estar alinhada com as espinhas ilíacas ântero superiores.

Durante a avaliação estática devemos identificar:

  • Lesões Ascendentes/Descendentes
  • Posição do Quadril
  • Posição das Espinhas Ilíacas
  • Unidade Tronco
  • Pés
  • Joelhos
  • Coluna
  • Cabeça
  • Ombro e Escápulas

Esse é o momento no qual você buscará desvios das curvas fisiológicas da coluna quando o aluno encontra-se em bipedestação. Ele também te indica alguns tipos de desvios de joelho, mas alguns deles só serão encontrados em movimento.

Enquanto anotamos o resultado dessa avaliação devemos lembrar que a estática é enganosa.

Na verdade, não existe estática. O que realmente existe é uma série de adaptações posturais realizadas pré-programadas pelo sistema nervoso central, para que o reequilíbrio postural aconteça, respeitando três leis:

  1. Equilíbrio
  2. Conforto
  3. Economia

Portanto, um possível desvio que encontramos nos tipos de avaliação postural estática pode se alterar completamente na dinâmica. Minha dica é: somente anote os esquemas adaptativos desse corpo para depois confirmá-los na avaliação dinâmica. Assim, você evita falsos positivos ou negativos que poderiam comprometer o tratamento e seus resultados.

2) Avaliação Postural Dinâmica

A avaliação postural dinâmica usa o movimento para sua análise. Como vimos anteriormente, a estática é enganosa, portanto, devemos complementá-la com o movimento.

Na avaliação dinâmica incluímos movimentos assistidos e realizados pelo paciente. Nosso objetivo é identificar os esquemas adaptativos realizados pelo corpo para proteger suas estruturas. O corpo sempre estará buscando posturas de readaptabilidade para respeitar as  3 leis biomecânicas:

  1. Lei do Equilíbrio: o corpo prioriza sempre o equilíbrio corporal;
  2. Lei do Conforto: o funcionamento do corpo deve sempre ser confortável, caso não esteja ele realizará compensações para alcançar esse estado;
  3. Lei da Economia: o corpo sempre busca a economia energética, mesmo que isso signifique compensações e perda de mobilidade.

Além disso, as estruturas corporais sempre priorizam as vísceras. Por isso, é possível que um esquema compensatório (como uma escoliose) surja por conta de problemas viscerais, ou pelos campos interferenciais que não param de crescer em nossa aérea.

Durante a avaliação dinâmica devemos estar atentos a todos os esquemas criados dentro do corpo. Também devemos procurar descobrir quando e como surge a dor, especialmente se esse paciente já tiver alguma patologia.

Outro ponto importante na avaliação dinâmica são as cadeias musculares. É nesse momento que você consegue identificar quais delas estão em tensão, suprindo um papel que seria de outra cadeia muscular. Isso será mostrado claramente através de desvios no quadril, joelhos, coluna, entre outros.

3) Fotogrametria

A fotogrametria é uma técnica que utiliza uma câmera e softwares de avaliação para identificar pontos anatômicos em desequilíbrio.

Para realizá-lo você deve posicionar o paciente próximo à câmera com os pés na posição correta. Na verdade, a fotogrametria também pode ser considerada como um tipo de avaliação estática.

A câmera tira uma sequência de fotos que depois passa pelo software, que marca uma série de pontos anatômicos. Os principais pontos analisados pela fotogrametria são:

  • Acrômio
  • Maléolos
  • Espinha Ilíaca
  • Trocânter Maior
  • Patela
  • Linha Articular do Joelho
  • Tuberosidade da Tíbia
  • Ângulo Inferior da Escápula
  • C7 e T3
  • Calcâneo
  • Ponto Médio entre Maléolos
  • Ponto Médio da Perna

Por ser um método de avaliação estática computadorizado a fotogrametria apresenta diversas limitações. Em primeiro lugar, ela é incapaz de realizar uma avaliação eficiente de membros superiores. Ela também realiza uma análise bidimensional, sem considerar todos os planos existentes no corpo.

O relatório gerado pela fotogrametria deve ser utilizado somente como um complemento para as outras avaliações realizadas em aula. Ele é incompleto e inconfiável demais para servir como base para planejar todo o tratamento ou identificar a causa dos desequilíbrios.

Qual dos 3 Tipos de Avaliação Postural devo escolher?

Apresentei 3 tipos de avaliação postural nesse artigo, mas nenhum deles pareceu completo sozinho para avaliar o aluno. O que usar durante a aula então?

Nunca confie somente num tipo de avaliação!

Para realmente entender o corpo do aluno, suas compensações e como a dor surgiu ou o que pode levar ao surgimento da dor, precisamos combinar avaliações. A avaliação dinâmica é essencial para confirmar seus achados na avaliação estática. Da mesma forma, uma boa avaliação estática complementa os achados da fotogrametria. Ou seja, nunca devemos avaliar o aluno de maneira isolada.

Conclusão

Apesar de mostrar aqui vários tipos de avaliação postural, não quero que você escolha seu preferido e passe a avaliar todos alunos com ele. As avaliações são complementares e devem ser usadas em conjunto.

Durante a avaliação postural estática, por exemplo, o corpo do aluno se tensiona e se altera. Ele sabe que está sob avaliação e isso lhe dá uma ideia de teste que precisa passar. Avaliá-lo durante movimentos ajuda a eliminar essa tensão que alteraria os resultados.

Mas também precisamos ter conhecimento dos pontos anatômicos para confirmar nossas hipóteses geradas durante a avaliação dinâmica. Hoje em dia, os artigos científicos levantam a hipótese de um grande viés, inclusive nas avaliações dinâmicas, por isso, temos que estar atrelados aos achados científicos, e de mente aberta para as mudanças que estão acontecendo na aérea do movimento.

Bibliografia