Conheça os 3 Melhores Tipos de Avaliação Postural

Conheça os 3 Melhores Tipos de Avaliação Postural

Seria muito fácil simplesmente dizer que devemos realizar a avaliação postural porque o tratamento ou planejamento de aulas depende disso. É verdade, porém os tipos de avaliação postural não se baseiam em uma explicação tão simplista como essa.

Quero que você realmente compreenda os efeitos que os melhores tipos de avaliação postural têm em nossos alunos.

Vou começar com uma avaliação rápida a respeito de LERs: Lesões por Esforço Repetitivo. Sabemos que muitos pacientes e alunos desenvolvem LER por causa das atividades laborais. Esse é um grupo de doenças que é apontado como um dos principais motivos de afastamento do trabalho e incluem disfunções como:

  • Tendinite
  • Tenossivite
  • Epicondilite
  • Bursite
  • Síndrome do Túnel do Carpo
  • Síndrome do Desfiladeiro Torácico

Como você pode perceber, existem muitos problemas considerados LERs, inclusive algumas patologias sobre as quais já falei aqui no blog. E muitos indivíduos estão expostos ao desenvolvimento dessas doenças. Estudos realizados no Reino Unido indicaram que cerca de 2,6% dos trabalhadores tem o problema e espera-se que esse número aumente.

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Avaliação Postural Eficiente

Agora você talvez se pergunte: por que estou falando a respeito de LER em um artigo sobre tipos de avaliação postural? Porque conseguimos prevenir boa parte desses problemas através de uma avaliação postural eficiente e completa.

Sabemos também que não basta uma avaliação postural, pois as disfunções biomecânicas encontram-se dentro de um contexto bio-psico-social, sendo que o bio não pode ser negligenciado, mas as questões psico-comportamentais vêm em uma crescente científica de grande importância nas dores crônicas.

Posturas inadequadas são somente um fator de risco para o surgimento de lesões, seja no esporte ou no trabalho, mas se o indivíduo gosta de seu trabalho, está com problemas pessoais, psicológicos também devem ganhar importância em nossa anamnese.

Por que alguns indivíduos passam anos em um trabalho de repetição motora e nunca sofreram de nenhum tipo das LERs citadas?

Essa é a incógnita que a ciência vem desvendando nos últimos tempos. Aqui quero dar também uma ênfase para a anamnese, pois a entrevista realizada antes da avaliação, deve nos ajudar a entender a atividade laboral do aluno e como ele pode estar em risco, para depois darmos a devida atenção aos determinados aspectos da sua bio-psico-sociais.

Neste artigo, daremos ênfase aos desequilíbrios posturais, pois também não podemos cair no rol de que toda dor se encontra no contexto psico-social.

Uma lesão de manguito rotador, pode estar incluída nos contextos sociais, porém, a lesão mecânica ocorreu e devemos entender como isso aconteceu, sob o aspecto postural. Afinal, somos profissionais do movimento, e as novas visões científicas não excluíram os fatores biológicos, somente diminuíram sua importância.

Sabemos também que a sensibilização central é o grande chefe e mentor das dores crônicas, sabemos que devemos pensar mais além, e em artigo próximo discutiremos essas questões, sob o risco de cairmos num aspecto muito perigoso diante de nossas profissões, de que tudo que não funcionou em nossa função e porque estar nas questões psico-sociais.

Devemos estar atentos também a essa importante questão. Bom, voltemos ao tema do artigo.

1) Avaliação Postural Estática

Você já conhece esse tipo de avaliação. O aluno entra na sala, logo ele já está sendo avaliado e o colocamos na posição correta. A análise é feita com o indivíduo em bipedestação, com o segundo dedo do pé alinhado com a linha média do joelho. Essa linha deve estar alinhada com as espinhas ilíacas ântero superiores.

Durante a avaliação estática devemos identificar:

  • Lesões Ascendentes/Descendentes
  • Posição do Quadril
  • Posição das Espinhas Ilíacas
  • Unidade Tronco
  • Pés
  • Joelhos
  • Coluna
  • Cabeça
  • Ombro e Escápulas

Esse é o momento no qual você buscará desvios das curvas fisiológicas da coluna quando o aluno encontra-se em bipedestação. Ele também te indica alguns tipos de desvios de joelho, mas alguns deles só serão encontrados em movimento.

Enquanto anotamos o resultado dessa avaliação devemos lembrar que a estática é enganosa.

Na verdade, não existe estática. O que realmente existe é uma série de adaptações posturais realizadas pré-programadas pelo sistema nervoso central, para que o reequilíbrio postural aconteça, respeitando três leis:

  1. Equilíbrio
  2. Conforto
  3. Economia

Portanto, um possível desvio que encontramos nos tipos de avaliação postural estática pode se alterar completamente na dinâmica. Minha dica é: somente anote os esquemas adaptativos desse corpo para depois confirmá-los na avaliação dinâmica. Assim, você evita falsos positivos ou negativos que poderiam comprometer o tratamento e seus resultados.

2) Avaliação Postural Dinâmica

A avaliação postural dinâmica usa o movimento para sua análise. Como vimos anteriormente, a estática é enganosa, portanto, devemos complementá-la com o movimento.

Na avaliação dinâmica incluímos movimentos assistidos e realizados pelo paciente. Nosso objetivo é identificar os esquemas adaptativos realizados pelo corpo para proteger suas estruturas. O corpo sempre estará buscando posturas de readaptabilidade para respeitar as  3 leis biomecânicas:

  1. Lei do Equilíbrio: o corpo prioriza sempre o equilíbrio corporal;
  2. Lei do Conforto: o funcionamento do corpo deve sempre ser confortável, caso não esteja ele realizará compensações para alcançar esse estado;
  3. Lei da Economia: o corpo sempre busca a economia energética, mesmo que isso signifique compensações e perda de mobilidade.

Além disso, as estruturas corporais sempre priorizam as vísceras. Por isso, é possível que um esquema compensatório (como uma escoliose) surja por conta de problemas viscerais, ou pelos campos interferenciais que não param de crescer em nossa aérea.

Durante a avaliação dinâmica devemos estar atentos a todos os esquemas criados dentro do corpo. Também devemos procurar descobrir quando e como surge a dor, especialmente se esse paciente já tiver alguma patologia.

Outro ponto importante na avaliação dinâmica são as cadeias musculares. É nesse momento que você consegue identificar quais delas estão em tensão, suprindo um papel que seria de outra cadeia muscular. Isso será mostrado claramente através de desvios no quadril, joelhos, coluna, entre outros.

3) Fotogrametria

A fotogrametria é uma técnica que utiliza uma câmera e softwares de avaliação para identificar pontos anatômicos em desequilíbrio.

Para realizá-lo você deve posicionar o paciente próximo à câmera com os pés na posição correta. Na verdade, a fotogrametria também pode ser considerada como um tipo de avaliação estática.

A câmera tira uma sequência de fotos que depois passa pelo software, que marca uma série de pontos anatômicos. Os principais pontos analisados pela fotogrametria são:

  • Acrômio
  • Maléolos
  • Espinha Ilíaca
  • Trocânter Maior
  • Patela
  • Linha Articular do Joelho
  • Tuberosidade da Tíbia
  • Ângulo Inferior da Escápula
  • C7 e T3
  • Calcâneo
  • Ponto Médio entre Maléolos
  • Ponto Médio da Perna

Por ser um método de avaliação estática computadorizado a fotogrametria apresenta diversas limitações. Em primeiro lugar, ela é incapaz de realizar uma avaliação eficiente de membros superiores. Ela também realiza uma análise bidimensional, sem considerar todos os planos existentes no corpo.

O relatório gerado pela fotogrametria deve ser utilizado somente como um complemento para as outras avaliações realizadas em aula. Ele é incompleto e inconfiável demais para servir como base para planejar todo o tratamento ou identificar a causa dos desequilíbrios.

Qual dos 3 Tipos de Avaliação Postural devo escolher?

Apresentei 3 tipos de avaliação postural nesse artigo, mas nenhum deles pareceu completo sozinho para avaliar o aluno. O que usar durante a aula então?

Nunca confie somente num tipo de avaliação!

Para realmente entender o corpo do aluno, suas compensações e como a dor surgiu ou o que pode levar ao surgimento da dor, precisamos combinar avaliações. A avaliação dinâmica é essencial para confirmar seus achados na avaliação estática. Da mesma forma, uma boa avaliação estática complementa os achados da fotogrametria. Ou seja, nunca devemos avaliar o aluno de maneira isolada.

Conclusão

Apesar de mostrar aqui vários tipos de avaliação postural, não quero que você escolha seu preferido e passe a avaliar todos alunos com ele. As avaliações são complementares e devem ser usadas em conjunto.

Durante a avaliação postural estática, por exemplo, o corpo do aluno se tensiona e se altera. Ele sabe que está sob avaliação e isso lhe dá uma ideia de teste que precisa passar. Avaliá-lo durante movimentos ajuda a eliminar essa tensão que alteraria os resultados.

Mas também precisamos ter conhecimento dos pontos anatômicos para confirmar nossas hipóteses geradas durante a avaliação dinâmica. Hoje em dia, os artigos científicos levantam a hipótese de um grande viés, inclusive nas avaliações dinâmicas, por isso, temos que estar atrelados aos achados científicos, e de mente aberta para as mudanças que estão acontecendo na aérea do movimento.

Bibliografia
Como os Desvios Posturais causam Dores Músculo-Esqueléticas

Como os Desvios Posturais causam Dores Músculo-Esqueléticas

Boa parte das pessoas já sentiu dor na coluna e nunca foi buscar ajuda médica. Imagino que até você, mesmo sendo profissional do movimento, acabe ignorando uma dor de vez em quando. Estamos condicionados a ignorar dores que ocorrem de vez em quando sem pensar duas vezes. Se a dor for de intensidade moderada a média então, dificilmente alguém buscará tratamento.

Existe um problema sério de subnotificação dos desvios posturais. A maioria das pessoas que sofre com eles (que é muita gente) não percebe que existe um problema. A dor lombar no fim do dia é atribuída ao cansaço. “Talvez seja culpa de algum esforço físico diferente, de um jeito de abaixar errado. Daqui a pouco vai passar”, pensam.

Depois de ignorar a dor como algo pequeno, a pessoa toma um medicamento para a dor, geralmente analgésicos ou relaxantes musculares, e descansa um pouco. Realmente, o desconforto passa por causa do descanso e do efeito medicamentoso.

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Porém, os desvios posturais que foram a causa não desapareceram.

Desvios da postura são mais comuns do que a maioria imagina. Estima-se que cerca de 93% da população mundial possua algum tipo, mesmo que seja bastante moderado. O mesmo se pode dizer das dores da coluna vertebral. A dor lombar é a mais comum e quase todo mundo experimenta um episódio pelo menos uma vez na vida.

Sabendo de tudo isso, quero te fazer uma pergunta: quantos alunos ou pacientes te procuram para corrigir desvios posturais buscando a prevenção ou cura de dores musculares moderadas? Não muitos, certo?

A maioria dos pacientes só percebem que precisam de ajuda quando a dor é constante ou forte demais para ser resolvida com um relaxante muscular. Entenderemos nesse artigo como os desvios musculares podem causar dor e porque devemos identificá-los e tratar antes mesmo da dor surgir.

Causas dos Desvios Posturais

Existem diversos motivos que levam ao surgimento de um desvio postural, mas a maior parte dos casos está relacionado a hábitos modernos. O corpo, criado para o movimento e a ação, está tornando-se cada vez mais sedentário.

Longos períodos em uma única posição fazem com que algumas musculaturas fiquem tensas enquanto outras se encurtam. Um caso bastante comum, por exemplo, é o da amnésia glútea, uma causa frequente da dor lombar inespecífica.

Usando o exemplo da amnésia glútea, é possível entender por que a dor surge em um corpo que deixa de se mover. Os músculos glúteos possuem uma função de suporte que permitem a bipedestação. Ou seja, eles nos ajudam a ficar em pé enquanto realizamos outras tarefas.

Mas a vida moderna incentiva pouco movimento com muito tempo sentado ou em repouso. Mesmo nos momentos de lazer as pessoas optam por ficarem sentados em frente a uma televisão ou computador. Com o tempo, a falta de uso do glúteo máximo gera perda de tônus muscular e força.

Além disso, o quadril perde sua função e passa a realizar compensações para manter o movimento. Como resultado, vemos também uma alteração na posição lombar que surge com o maior uso de musculaturas acessórias do quadril. É uma série de compensações que leva a desvios posturais e mais tarde dor, tudo causado pela falta de movimento.

O sedentarismo é parte importante das causas de desvios posturais. Também encontramos outros motivos, como:

Algumas vezes também vemos diversos fatores se combinando para gerar o desvio que mais tarde se torna uma patologia. Para compreender bem o problema do corpo, você precisará trabalhar com uma boa avaliação postural para identificar os principais motivos.

Como surge a Dor?

Entendemos como os desvios posturais aparecem, mas não significa que isso necessariamente leva à dor. Lembra que boa parte das pessoas não busca tratamento do desvio até surgir uma lesão ou dor aguda? Isso acontece porque muitas vezes os resultados demoram a aparecer.

Precisamos lembrar nesse momento que o corpo está sempre em busca de equilíbrio e conforto. A intenção é se movimentar gastando a menor quantidade de energia, garantindo conforto às vísceras e protegendo estruturas vitais.

Nem sempre isso é possível, especialmente quando existe um desvio postural. Quando a postura está comprometida, o corpo perde sua mobilidade e estabilidade. Mas ainda existe necessidade de continuar se movendo. Assim, surge algo que já conhecemos bem: desequilíbrios e compensações musculares.

Voltarei ao exemplo da amnésia glútea aqui. O glúteo está incapaz de realizar suas ações corretamente. Só para lembrar: a amnésia glútea não é um desvio postural em si, mas causa desvios do quadril e da coluna lombar.

Para que os movimentos continuem, os isquiotibiais entram em ação. É a ação desse extensor de quadril que faz com que os principais desvios posturais apareçam e se mantenham.

A dor lombar em casos de um glúteo disfuncional surge por causa da compressão de estruturas da coluna. Isso acontece pela perda de estabilidade e sustentação da coluna, além de exagero da curvatura lombar.

Teremos nos casos de desvio postural tensões musculares que com frequência causam pontos-gatilho, uma das fontes de dor. Também existem fraquezas que levam ao desequilíbrio articular e compressão de outras estruturas.

Tudo é uma série de compensações que o corpo faz para conseguir voltar ao estado de equilíbrio e continuar se movendo.

Tratamento de Desvios Posturais

Na verdade, não existe um protocolo padrão para tratamento de desvios posturais que eu possa te oferecer. De nada adianta você querer pegar uma sequência de exercícios, aplicar em aula e esperar um resultado igual para todos os pacientes.

Já passou da hora de entender que cada corpo é único e que precisamos tratá-los dessa maneira. Portanto, o tratamento ideal começa com uma avaliação postural detalhada. Precisamos saber por que aquele desvio surgiu e quais compensações ele gerou.

A escoliose é um bom exemplo. Você precisa analisar se existem fatores externos que geraram o desvio da coluna.

Será que o paciente possui algum aparelho corretivo dentário causando tensões e um esquema de forças alterado? Ou uma hérnia de disco que faz com que o corpo se altere para evitar a dor? Tudo precisa ser considerado!

Depois de identificar as causas, chega a hora de corrigi-las. Vá aos poucos e comece a dar mobilidade à coluna. Ela também precisa de estabilidade, mas nada que comprometa seus movimentos.

É importante tomar cuidado com a tendência de só estabilizar e tirar os movimentos da coluna vertebral.

Para isso você pode utilizar os inúmeros exercícios do Método Pilates. Cada um deles possui sua maneira única de flexibilizar, mobilizar e estabilizar a coluna vertebral. Só lembre-se de adaptá-los para cada tipo de coluna trabalhada.

Conclusão

Não dei uma visão detalhada sobre cada desvio postural porque esse não era o objetivo desse artigo. Mas tenho boas notícias: já falei em detalhes sobre alguns problemas da coluna bastante importantes no blog.

Quer aprender mais sobre os principais desvios posturais? Então vou deixar uma lista de sugestões de leitura abaixo para você continuar estudando.

Bibliografia
https://portalseer.ufba.br/index.php/cmbio/article/view/4150
Lafond D, Normand MC e Gosselin G, Rapport force, Journal of Canadian Chiropractor Association 42 (2), 90-100, 1998.
Vakos JP, Nitz AJ, Threlkeld AJ, Shapiro R e Horn T (1994): atividade eletromiográfica de músculos selecionados do tronco e quadril durante um elevador agachado. Spine 19 (6), 687-695.
Noe DA, Mostardi RA, Jackson, ME, Porterfield JA e Askew MJ (1992): Actividade miioeléctrica e sequenciação de músculos de tronco seleccionados durante levantamento isocinético. Spine 17 (2), 225-229.
Qual o Erro que todos cometem no Tratamento de Hérnia de Disco?

Qual o Erro que todos cometem no Tratamento de Hérnia de Disco?

Será que você comete esse erro fatal no tratamento de hérnia de disco?

Muitos profissionais ainda erram por acreditarem no mito da estabilização do núcleo, mas nossos pacientes herniados não precisam de ainda mais rigidez. Entenda porque trabalhar com contração excessiva do Core pode ser ruim para seu paciente herniado e como melhorar o tratamento.

Vamos lá?

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O que é Hérnia de Disco?

A hérnia acontece quando existe a projeção do núcleo pulposo do disco intervertebral para além do anel fibroso.

Originalmente, o disco intervertebral tem como papel amortecer o atrito entre os corpos vertebrais durante o movimento. Com anos de uso e diversos traumas a cartilagem pode sofrer lesões, como:

  • Quedas
  • Acidentes Automobilísticos
  • Esforços ao Levantar
  • Encurtamentos Musculares
  • Outros

Uma lesão na região vertebral pode gerar compressões nervosas. Como resultado, o paciente terá perda de sensibilidade na altura do dermátomo correspondente. Também podemos perceber fraqueza muscular e alteração de trofismo muscular na altura da herniação.

Podemos dividir as hérnais nos seguintes tipos:

  1. Hérnia de Disco Protrusa: ocorre quando o núcleo do disco permanece intacto, mas a cartilagem perde seu formato oval;
  2. Hérnia de Disco Extrusa: ocorre deformação do núcleo, formando uma gota;
  3. Hérnia de Disco Sequestrada: é quando existe muito dano no núcleo, que pode até ser dividido em duas partes.

Falsas Hérnias de Disco

Alguns casos de hérnia de disco são, na verdade, o que chamamos de falsas hérnias de disco.

Você pode identificá-las facilmente através dos sintomas. Elas são muito parecidas com o da hérnia, mas não correspondem fidedignamente a elas.

Leopold Busquet indica que 95% das hérnias podem ser consideradas falsas. Elas não apresentam o quadro completo, como é o caso com as 5% mais graves. As hérnias discais verdadeiras só podem ser tratadas através de métodos cirúrgicos.

Uma hérnia de disco falsa causa dor intensa na região da herniação. Quando está na região cervical pode diminui a mobilidade cervical e de membros superiores. Em alguns casos também existe parestesia dos membros superiores.

Uma hérnia de disco lombar falsa também causa dor e dificuldade para os movimentos. Sua parestesia, no entanto, acontece pela compressão do ciático. Ações como tossir e evacuar podem agravar bastante as dores.

As herniações são bem mais comuns nas curvaturas lordóticas da coluna. As cifoses são mais estáveis e menos móveis. Mas encontramos hérnias de disco torácicas em indivíduos retificados.

Como acontecem as Hérnias

Alguns médicos indicam seus pacientes a não realizarem certos movimentos porque podem causar hérnias vertebrais. Na verdade, estou cada vez mais convencida de que o verdadeiro problema está na falta de movimento.

Falta de movimento gera alterações nos padrões de movimento fisiológico. Ela também leva a limitações articulares e fraqueza muscular. No fim das contas, o sistema musculoesquelético fica sobrecarregado e desenvolve patologias.

Antes mesmo da hérnia ocorrer o corpo envia um sinal de socorro, uma dor lombar que ocorre cerca de 10 anos antes da herniação. Quando o indivíduo busca corrigir a lombalgia através de exercícios e modalidades como o Pilates, os sintomas desaparecem e a possibilidade de desenvolver hérnia diminuem muito.

Mas sabemos o que quase todo mundo faz quando sente uma “simples” dor lombar, certo? Toma um analgésico e um relaxante muscular e fica uns dias em casa descansando. Se o indivíduo visitar um médico já é mais do que a maioria faz.

Por não tomar atitudes para corrigir a alteração mecânica ela permanece e pressiona constantemente os discos. As cadeias musculares ficam tensionadas e, mesmo à noite, o estado de hidrofilia não acontece. Os discos intervertebrais deixam de repor corretamente a água que gastou durante o dia e se tornam mais frágeis.

Depois de cerca de 10 anos o disco sucumbe e forma a hérnia de disco. Por isso sempre digo, precisamos mobilizar nossos alunos herniados. É claro que eles têm medo no início, mas entenderão os benefícios.

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O Erro que todos cometem: Não trabalhar mobilidade!

Quando trabalhamos com um aluno que sofre de hérnia de disco falsa ou qualquer outro problema, logo resolvemos estabilizar essa coluna. Na verdade, o que deveríamos fazer é mobilizar a região e não incentivar contração excessiva de Core para estabilidade.

De acordo com Eyal Lederman, o princípio de estabilidade do núcleo tornou-se amplamente aceito na reabilitação de lesões musculoesqueléticas. Mas o autor percebeu que as críticas da abordagem eram raras e passou a pesquisar mais a fundo.

Lederman se perguntava se realmente deveríamos tornar as colunas lesionadas ou com patologias mais rígidas através da ativação em excesso do Core. Por muito tempo a crença era de que o Core forte forneceria sustentação para a coluna e resolveria dores lombares. Realmente, o transverso do abdômen, uma das musculaturas do Core, ajuda a manter a postura ereta.

Ele também possui a função de controlar a pressão intra-abdominal (PIA) para realizar funções de fonação. Outra importante função é formar a parede posterior do canal inguinal e impedir a formação de hérnias viscerais na região.

Mesmo sendo aparentemente tão importante para a estabilização e prevenção de dor, ele perde forças durante a gravidez. As alterações no corpo da mulher causam seu alongamento e enfraquecimento, diminuindo a capacidade de estabilização.

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Então todas as mulheres grávidas teriam dor lombar, certo? Errado.

Nem todas as gestantes sentem dor lombar, mesmo sem contar com o apoio do principal estabilizador da coluna. Os efeitos adversos da contração excessiva do powerhouse é admitido até pelo próprio Paul Hodges, criador do conceito.

Contrair esse conjunto muscular é custoso para o corpo, que, ao contrário do que muitos imaginaram, não possui só um estabilizador. Na verdade, existe um conjunto de estabilizadores que precisam trabalhar corretamente e em sintonia.

A estabilização acontece através da ativação do músculo correto na hora certa e com a quantidade de força certa. Só contrair com força máxima é uma ótima maneira de aumentar a PIA e gerar todos seus efeitos prejudiciais.

Conclusão

Apesar do treinamento de estabilidade ajudar na manutenção do equilíbrio e controle neuromuscular, ele não é o único foco do tratamento. Um bom tratamento de hérnia de disco inclui o uso de estabilização e também mobilidade.

Um trabalho excessivo de estabilidade de núcleo não deve acontecer de maneira que deixe as colunas rígidas. A hérnia de disco surgiu exatamente porque não existia movimento o suficiente para manter suas estruturas saudáveis.

 

Bibliografia

  • Abenhaim, L., Rossignol, M., Valat, J.P., et al., 2000. The role of activity in the therapeutic management of back pain: report of the international Paris Task Force on Back Pain. Spine 25 (Suppl.4), 1Se33S.
  • Airaksinen, O., Herno, A., Kaukanen, E., et al., 1996. Density of lumbar muscles 4 years after decompressive spinal surgery. Eur. Spine J. 5 (3), 193e197.
  • Anderson, T., 1996. Biomechanics and running economy. SportsMed. 22 (2), 76e89.
  • Andersson, E.A., et al., 1996. EMG activities of the quadratus lumborum and erector spinae muscles during flexionerelaxation and other motor tasks. Clin. Biomech. (Bristol, Avon) 11 (7),392e400.
  • Arena, J.G., et al., 1991. Electromyographic recordings of low back pain subjects and non-pain controls in six different positions: effect of pain levels. Pain 45 (1), 23e28.
  • Ariyoshi, M., et al., 1999. Efficacy of aquatic exercises for patients with low-back pain. Kurume Med. J. 46 (2), 91e96.
  • Barker, K.L., Shamley, D.R., Jackson, D., 2004. Changes in the cross-sectional area of multifidus and psoas in patients with unilateral back pain: the relationship to pain and disability. Spine 29 (22), E515eE519.
  • Bastiaenen, C.H., et al., 2006. Effectiveness of a tailor-made intervention for pregnancy-related pelvic girdle and/or low back pain after delivery: short-term results of a randomized clinical trial [ISRCTN08477490].
  • BMC Musculoskelet. Disord. 7(1), 19.
  • História natural das hérnias do disco lombar : o aprimoramento do gadolínio tem algum valor prognóstico? [Artigo em espanhol] Ramos Amador Um 1, Alcaraz Mexía H, González Preciado JL, Fernández Zapardiel S, Salgado R, Paez.
  • Princípios básicos em termos de força, flexibilidade e exercícios de estabilidade. Micheo W 1, Baerga G, Miranda L.
  • LEDERMEN, Eyal. The Myth of Core Stability. Journal of Bodywork & Movement, 14 edicao, 2010

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4 Erros na Avaliação Postural que você NÃO pode cometer!

4 Erros na Avaliação Postural que você NÃO pode cometer!

Sabia que alguns pequenos erros na avaliação postural acabam com todo seu tratamento?

Mesmo em patologias simples, os desequilíbrios e problemas envolvidos podem ir muito além do que imaginamos. De nada adianta aplicar exercícios que acabam ignorando a verdadeira origem do problema.

Então, vamos aprender 4 erros na avaliação postural que podem arruinar seu tratamento e começar a evitá-los.

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1. Não Avaliar a Pelve

A pelve é uma importante distribuidora de forças no corpo. É nela que se anulam e distribuem as forças solo e peso normal. Quando existem patologias ou desequilíbrios que afetam suas funções, o corpo gera importantes desvios posturais.

Portanto, é impossível realmente avaliarmos o corpo sem nos atentarmos à pelve. Ela pode estar envolvidas em dores, patologias da região lombar e até desvios de membros inferiores. Não esqueça disso!

2. Fazer só a Avaliação Estática

Segundo dos erros na avaliação postural: Você entrevistou seu aluno, colocou ele em algumas posições estáticas e parou por aí? Desculpe, mas essa avaliação está extremamente incompleta. Como já mencionei em outro artigo, existem problemas sérios com o uso exclusivo da avaliação estática.

Ela não é fidedigna e não nos dá uma visão global do corpo do aluno. Precisamos entender que o equilíbrio estático só existe a partir de um desequilíbrio anterior.

Quando existe uma perturbação na base de sustentação, o corpo realiza um movimento oscilatório para voltar à posição correta. Portanto, percebemos que a estática não existe como imaginamos

Um corpo na estática, na verdade está realizando uma série de pequenos movimentos para manter-se parado. Estamos sujeitos a todo momento à força gravitacional e precisamos nos adaptar a ela.

Isso quer dizer que posso abrir mão da avaliação estática? Não, mas deve estar ciente que ela é enganosa. Muitas características que encontramos na suposta estática na verdade estão lá para equilibrar o movimento.

Para ter resultados mais completos é preciso avaliar o corpo tanto na estática quando na avaliação dinâmica. Durante essa avaliação preciso anotar todas as alterações corporais observadas.

Mais tarde faremos comparações entre tais alterações e a avaliação dinâmica. Elas serão peças de um quebra cabeças que nos ajuda a entender a condição do aluno.

3. Só Avaliar Durante os Exercícios

Assim que o aluno entra no seu espaço, ele precisa estar sob avaliação. Quando falarmos para ele “preciso fazer uma rápida avaliação física com você” seu corpo vai mudar imediatamente. Avaliação é uma palavra um pouco negativa para a maioria dos pacientes.

Ela passa a ideia de prova, teste, algo no qual precisamos nos dar bem. Obviamente que ao pensar em avaliação física seu paciente imagina que precisa tirar uma “boa nota” e passar.

Na verdade, nós queremos usar esse momento para ver todos seus erros e problemas, mas ele não compreende isso. Mesmo que você gaste horas para explicar, seu corpo ainda irá se tensionar e movimentar de maneira diferente.

Portanto, devemos aproveitar outros momentos quando ele não está sob a tensão da avaliação. E esses momentos começam quando você dia “bom dia” ou “boa tarde” e ele passa pela porta. Observe qualquer detalhe que possa indicar uma compensação ou desequilíbrio muscular. Sinais de problemas viscerais também são importantíssimos.

Às vezes é algo na maneira de andar e falar. Talvez, ao sentar ele ajuste uma perna para evitar dor ou um pequeno movimento cause reação de desconforto.

Mesmo durante a análise de seu corpo, devemos ficar atentos ao momento que o indivíduo relaxa. É impossível manter a tensão excessiva do corpo por muito tempo. Alguma hora a pessoa para e respira ou conversa com você e deixa os desequilíbrios aparecerem.

Um dos maiores erros que qualquer profissional pode fazer é limitar sua avaliação. Se você só vai realmente observar o aluno durante as posições de avaliação postural, provavelmente deixará muita coisa passar.

Recomendo adotar um olhar mais atento que consiga identificar corretamente os problemas do seu paciente.

Se possível, mantenha esse olhar sempre. Precisamos manter uma avaliação contínua que nos mostre o progresso do indivíduo. Apesar das avaliações posturais e dinâmicas serem essenciais, elas são incompletas.

4. Encurtar a Entrevista

Como profissionais do movimento, queremos apressar a avaliação para chegar na parte que mais nos interessa: o movimento em si.

Mas quem disse que a entrevista não é importante ou pode ser ignorada? Ela deve ser feita com cuidado e detalhadamente, não importa se toma bastante tempo da sua aula.

Durante a entrevista, o profissional entende quais são os objetivos, preocupações e problemas do aluno. Podemos também aproveitar o momento algumas características sutis relacionadas ao movimento.

Todo aluno possui gestos específicos, uma maneira de sentar própria, expressão facial e algumas vezes até mostram dor. Precisamos anotar todos os detalhes para conseguir realmente entender seu problema.

Existem cadeias musculares com importantes influências na cabeça. Portanto, é preciso avaliar cada movimento seu enquanto fala.

Sabe algo que muitos esquecem? Detalhes como aparelhos corretivos nos dentes são incrivelmente importantes. O aparelho impõe forças nos dentes e crânio que podem influenciar outros desequilíbrios.

Outro detalhe importante: o aluno provavelmente vai te dizer que tudo está bem quando não está. Não leve o aluno a mal, talvez ele só tenha esquecido de mencionar algum detalhe. Por isso, nossas perguntas precisam ser extremamente detalhadas.

Uma pergunta bastante comum com problema é quando queremos saber de problemas pulmonares. O paciente dificilmente lembra algo que aconteceu há alguns anos. Mas, sabemos que o corpo possui uma potente memória muscular. É possível que problemas antigos ainda afetem seus desequilíbrios. Então continue questionando e insistindo até obter resultados.

Os problemas viscerais são especialmente importantes para compreender os desequilíbrios musculoesqueléticos. Como o corpo obedece às leis de conforto, economia e equilíbrio, as vísceras são sempre prioridade. Problemas viscerais podem ser o início do desequilíbrio que causou alguma dor ou patologia.

Agora pense que você deixou de fazer perguntas detalhadas, ouviu o “nunca tive esse problema” do aluno e continuou para os exercícios. Vai ignorar uma série de compensações que talvez sejam a chave para resolver o problema.

Esse foi o último dos erros na avaliação postural.

Conclusão

Erros na avaliação postural colocam todo seu tratamento à perder.

O corpo é um complexo organismo feito da junção de inúmeros pequenos detalhes. Quando acabamos ignorando um ou outro, podemos estar deixando de ver o causador de uma patologia. Além disso, o corpo é composto por sua integridade.Isso quer dizer que ele deve ser avaliados como um todo, incluindo conhecimento de aspectos viscerais.

Síndrome do Chicote – Lesões por Golpe de Chicote (Whiplash)

Síndrome do Chicote – Lesões por Golpe de Chicote (Whiplash)

Em acidentes rodoviários, as lesões mais frequentes na coluna cervical são pequenas lesões ao nível dos tecidos moles. E, apesar do baixo índice de gravidade AIS1 – ferimento leve de acordo com o AIS (Abreviated Injry Scale) – este tipo de lesão pode ser bastante debilitante. Desde Crowe (1928) que usou o termo ”Síndrome do Chicote” para descrever um conjunto de lesões na coluna cervical neste mesmo ano, clínicos e pesquisadores tentaram definir e classificar esta condição.

Recentemente, um estudo promovido pelo Quebec Task Force em desordens associadas à Síndrome do Chicote, definiu-a como:

“Um mecanismo de aceleração-desaceleração de energia transferida ao pescoço. O impacto pode resultar em lesões ósseas ou de tecido mole (lesão em chicote) que por sua vez pode levar a uma variedade de manifestações clínicas (desordens associadas à Síndrome do Chicote – DASC).” (Spitzer, ML, LR & JD, 1995)

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Lesões de Chicote – Síndrome do Chicote

Em anos recentes houve um grande aumento no conhecimento científico de lesões de chicote, desde classificação e diagnóstico, até mecanismos de lesão, biomecânica, consequências neurológicas e psicológicas, modalidades de tratamento, questões econômicas e estratégias de prevenção.

É amplamente aceito que a incidência de DASC está aumentando globalmente e que há uma minoria significante de pacientes que permanecem incapacitados. Também é conhecido que a severidade da incapacidade decresce com o tempo, ainda que as causas da incapacidade à longo prazo não são totalmente conhecidas e compreendidas.

Apesar da controvérsia, há um crescente conhecimento a respeito dos tipos de lesões sofridos por pacientes acometidos pela Síndrome do Chicote e a Quebec Task Force classificou essas lesões em 4 graus dependendo de sua apresentação clínica.

Muito está sendo feito para suprir a deficiência de procedimentos investigativos de detecção de lesões ocultas. Taylor, analisando resultados de autópsia de pacientes com lesão na coluna cervical após impacto (incluindo chicote), descobriu que o rompimento no ângulo externo do disco e o trauma na cápsula das articulações facetárias eram as lesões mais comuns, geralmente não detectadas em exames investigativos, incluindo a Ressonância Magnética (Taylor & Taylor, 1996).

Essas estruturas são bem inervadas e se recuperam vagarosamente, o que pode levar a sequelas degenerativas. Também, Barnsley e Bogduk demonstraram que 54% de seus pacientes com chicote tinham dor provinda das articulações facetárias (Barnsley, 1994).

Além de lesões em ligamentos, disco, músculos e cápsula que são sem sombra de dúvidas as mais comuns e importantes sob uma perspectiva fisioterápica, têm-se demonstrado o envolvimento de muitas outras estruturas, como lesões arteriais, do tecido neural e cerebral e lesões de ATM.

Penning foi o primeiro a desenvolver uma teoria de que o principal mecanismo do trauma era uma hiper translação da cabeça, ao contrário da visão convencional de um movimento em hiperextensão. Ele acreditava que isso iria causar uma instabilidade ligamentar crônica da coluna cervical superior e diminuir o input proprioceptivo causando alterações crônicas de postura e equilíbrio (Penning, 1994).

Svensson foi o primeiro a descrever o formato em “S” da curva que se forma na coluna cervical na fase inicial do trauma. Entretanto, em seus experimentos, ele enfocou mais nos efeitos do trauma sobre a pressão de fluido no canal vertebral do que em cinemática (Svensson et al, 2000).

Curva em “S”

Panjabi e colegas, em uma série de experimentos usando cadáveres, exploraram ainda mais o fenômeno da curva em ”S” e suas implicações (Panjabi, Cholewicki, Nibu, Grauer & Vahdiek, 1998). Eles encontraram duas fases distintas na cinemática das lesões da Síndrome do Chicote.

A primeira fase é caracterizada pela formação do ”S” na coluna cervical, devido à flexão da parte superior e hiperextensão da parte inferior. Isso parece ocorrer no intervalo entre 50-75ms e se acredita ser a fase mais vulnerável do chicote tendo o maior alongamento dos ligamentos capsulares e alongamento máximo da artéria vertebral.

A rotação intervertebral em C6, C7 e C7, T1 significantemente excedeu os limites fisiológicos nesse intervalo.

Na segunda fase, toda a coluna cervical é estendida e isso ocorre entre 100 e 125ms. Nenhuma lesão foi observada nessa fase, havendo um grau menor de extensão da parte inferior da coluna cervical.

Eles descobriram que a maior parte das lesões ocorreram na parte baixa da coluna cervical devido à hiperextensão que ocorre no primeiro intervalo ainda que tenha sido notado que em traumas com grande desaceleração, a taxa de lesões aumentou também na parte superior da coluna cervical.

Os autores admitem que a maior limitação de seu estudo é a falta das influências musculares na proteção do pescoço ainda que os mesmos sugerem que a influência muscular seria insignificante já que o tempo de reação dos músculos para desenvolver uma força suficiente para estabilizar o pescoço é de aproximadamente 200ms e as lesões ocorrem antes de 100ms.

Questões sobre a Síndrome do Chicote

Músculos? São os músculos insignificantes no chicote? É o mecanismo de lesão tão rápido que o sistema normal de proteção do corpo é obsoleto? Realmente leva 200ms até que o sistema muscular se torne ativo? São os procedimentos investigativos insuficientemente sensíveis para nos dar uma informação confiável sobre a proteção oferecida pelo sistema muscular durante o chicote?

Algumas pesquisas (Ryan, 1993; Sturzenegger, 1995) mostraram que em acidentes automobilísticos, a consciência do que irá acontecer reduz a ocorrência de lesões cervicais. E Pope (Gunzburg & Szpalski, 1998) mostrou que um movimento de elevação rápido do ombro antes ou durante uma aceleração repentina, pode reduzir a severidade das desordens associadas ao chicote.

Portanto, se o sistema muscular influencia os resultados do DASC, então qual é o mecanismo que está sendo utilizado e quão efetivo ele é? Controle postural.

Alguns estudos que observaram o que acontece a indivíduos sentados submetidos à aceleração passivas encontraram uma série de eventos. Aparentemente o sistema nervoso central recebe informação sensorial de 3 diferentes modalidades.

Em primeiro lugar, um estímulo proprioceptivo pode se iniciar tão cedo quanto 20ms devido ao alongamento e/ou alívio da tensão da musculatura do tronco, antes mesmo que a cabeça comece a se mover. Então, à medida que a cabeça começa a se mover, estímulos vestibulares são dirigidos ao tronco cerebral e áreas corticais depois de cerca de 10ms.

Em terceiro, cerca de 40ms após, a informação visual associada ao movimento da cabeça é iniciada. Viebert et al (2001) em seu estudo sobre o controle da cabeça submetida a uma aceleração linear passiva brusca, achou uma variedade de reações posturais (em humanos).

Eles mediram a rotação e a translação da cabeça e do corpo durante um trauma tipo chicote e também mediram as respostas eletromiográficas (EMG) de alguns músculos da coluna e pescoço.

O movimento de resposta da cabeça dos indivíduos pode ser graduado entre duas categorias extremas, que eles denominaram ”rígida” e ”hipermóvel”. Eles acharam uma consistência extraordinária nas respostas, medidas no mesmo dia ou em dias diferentes, que dependem se o indivíduo era rígido ou hipermóvel.

A implicação disso é que os indivíduos respondem às perturbações posturais de uma maneira altamente estereotipada de acordo com estratégias de controle motor profundamente enraizadas. Os indivíduos rígidos eram mais ou menos capazes de estabilizar suas cabeças em seu corpo durante os movimentos bruscos, enquanto os indivíduos hipermóveis não conseguiam.

Na realidade, alguns dos indivíduos hipermóveis exibiram uma contração muscular que exagerou sua extensão cervical, o que possivelmente causaria um maior risco de lesão. Os indivíduos hipermóveis tiveram um movimento de cabeça significantemente maior e sinais de EMG mais intensos.

Os autores sugeriram que na falta de sinais da EMG na musculatura superficial, os indivíduos rígidos mais provavelmente usaram a contração dos músculos para-espinhais profundos (flexores cervicais profundos) para manter sua cabeça alinhada com seu corpo.

Curiosamente, os pesquisadores também observaram que quando os indivíduos eram instruídos a visualizar fixadamente um alvo durante os movimentos bruscos, houve uma melhora significante na performance ainda que isso só tenha ocorrido com os hipermóveis.

Não houve um efeito significante nos indivíduos rígidos mas nos hipermóveis o deslocamento da cabeça no corpo foi reduzido para um terço.

Outras Causas Comuns

  • Lesão sofrida durante a prática de esportes
  • Ex: nos esportes de contato
  • Golpe acidental ou intencional à cabeça
  • Queda de uma altura
    • Ex: no trabalho, de uma escada ou ao cair de um cavalo

Lesões na Cadeia Neuromeningea

Você pode imaginar que durante toda essa ampla e brusca movimentação da cervical, o tecido nervoso, que a reveste, acaba por ser distendido.

Essa mesma cadeia que envolve quase todo nosso tecido nervoso, também recobre as meninges, a medula espinhal, além dos pares cranianos, logo após esse trauma, a cadeia neuromeningea deve ser bem observada, não é raro, indivíduos que sofreram a lesão, começarem a manifestar alterações neurológicas.

 

Referências

  • INTERNATIONAL NURSING CONGRESS Theme: Good practices of nursing representation in the construction of society May 9-12, 2017
  • facafisioterapia.net/2009/06mecanismo-de-trauma-lesao-chicote.html
  • Presenting symptoms and signs after whiplash injury: The influence of accident mechanisms. Article in Neurology 44(4):688-93 May 1994 with 71 reads. DOI: 10.1212/WNL.44.4.688 Source: PubMed – Whiplash injuries and associated disorders: new insights into an old problem
  • Björn Rydevik, Marek Szpalski, Max Aebi, and Robert Gunzburg – DOI: 10.1007/s00586-007-0484-x
  • L.W. Holm, et al, ”Expectations for recovery important in the prognosis of whiplash injuries” PLoS medicine, vol. 5 p. e105, 2008.
  • A.F. Ferreira, ”Evaluation of Whiplash Injuries in Victims from Road Accidents in Portugal”, MS Thesis, Tecnhical University of Lisbon, School of Engineering, Lisbon, 2012.
Como Tratar os Desvios das Funções da Coluna Vertebral?

Como Tratar os Desvios das Funções da Coluna Vertebral?

Existe algo mais comum que problemas, lesões e patologias da coluna na nossa profissão? São dores lombares, hérnias de disco, escolioses e todo tipo de problemas desenvolvido pelos alunos. Para conseguir tratá-los precisamos entender que esses problemas muitas vezes são desvios das funções da coluna vertebral.

Compreender como ela funciona através da sua anatomia e biomecânica é essencial para elaborar o tratamento.

Aqui não vou apresentar uma solução milagrosa para tais compensações e desvios. O que vou mostrar é como uma coluna com funcionamento normal age para conseguirmos entender o que corrigir num desvio patológico da coluna.

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Funções da Coluna Vertebral

Sabemos que a coluna vertebral é o eixo corporal que realiza a ligação entre cinturas escapular e pélvica. Além dessa ligação, ela realiza três funções essenciais para os movimentos do corpo:

  • Estática
  • Cinética
  • De Proteção

Cada uma dessas funções da coluna vertebral está relacionada a um ou mais sistemas.

A estática é exercida pelos corpos e discos vertebrais, ou seja, as estruturas ósseas da coluna, assim como as fáscias. Já a cinética é feita principalmente pelos músculos. Por último temos a função de proteção, feita pelo canal vertebral, onde se encontram as estruturas nervosas da coluna.

Devemos lembrar aqui que a coluna precisa suportar a força da gravidade e da massa corporal, seja na estática ou no movimento.

Enquanto suporta essas forças também precisa gerar os movimentos de outros segmentos corporais e transmitir as forças para possibilitar a ação. Para isso, precisa de uma boa postura estática e dinâmica, ou o corpo será incapaz de responder às demandas impostas à ele.

Papel da Função Estática

Na sua função estática, a coluna deve ser simétrica e perpendicular às duas cinturas. Pelo menos, essas são as características de uma coluna saudável. Existem diversos desvios posturais como a escoliose que prejudicam as funções da coluna vertebral.

Durante a função estática não existem movimentos e os ligamentos e tensores musculares ficam relaxados. É através deles que é possível manter o equilíbrio estático do tronco diante do movimento oscilatório que ocorre quando estamos em pé.

As estruturas musculares não ficam “paradas” nessa função, mas se contraem e relaxam continuamente para manter o equilíbrio.

Encontramos problemas frequentes quando uma tensão muscular impede que as estruturas voltem a se relaxar, deixando de proporcionar estabilidade e adoecendo.

Qualquer fraqueza, tensão ou encurtamento muscular gera um sistema complexo de compensações posturais. Os desvios, por sua vez, levam a um deslocamento gravitacional que piora todo o movimento do corpo, não só da coluna.

Dilema das Funções da Coluna Vertebral

Boa parte das compensações da coluna vertebral acontecem porque a coluna é incapaz de manter o equilíbrio entre suas funções.

Existe um dilema aqui que deve ser observado por todo o profissional do movimento. Precisamos de uma coluna vertebral rígida e capaz de suportar a compressão axial que acontece no movimento. Porém, ela também precisa ter mobilidade, ou impede os movimentos de acordo com sua própria anatomia e biomecânica.

Durante o tratamento de disfunções da coluna precisamos adquirir estabilidade para evitar lesões, mas também mobilidade. Isso requer um equilíbrio delicado entre os subsistemas da coluna vertebral e uma ótima atividade muscular.

Estabilidade da Coluna Vertebral

Uma das primeiras necessidades da coluna é a estabilidade e o equilíbrio. Podemos definir estabilidade como a habilidade da articulação de retornar ao seu estado original após sofrer uma perturbação. No caso da coluna essa perturbação é o movimento.

Para manter a estabilidade, a coluna faz uso de 3 subsistemas: passivo, ativo e neural.

O sistema neural é o que monitora e regula as forças ao redor da articulação. Ele é organizado a partir do córtex cerebral e pouco trabalhamos com ele nas profissões relacionadas ao movimento. Porém, ele está intimamente relacionado às habilidades proprioceptivas do indivíduo.

Também encontramos o subsistema passivo, formado pelas estruturas ósseas, articulares e ligamentos.

É ele que realiza o controle da articulação próximo ao final da amplitude articular. Suas estruturas são responsáveis por resistir ao movimento, evitando movimentos possivelmente lesivos ou que exerçam pressão exagerada sobre as estruturas locais.

Mesmo sendo muito eficientes, as estruturas passivas são limitadas. Elas só atuam próximas ao fim da amplitude articular e não oferecem suporte na posição neutra.

O subsistema ativo existe para complementar a atuação do subsistema passivo e estabilizar a coluna de maneira mais eficiente. É formado por estruturas musculares quando desempenham sua função contrátil. Esse subsistema atua e oferece estabilidade mesmo com a articulação na posição neutra.

Importância da Musculatura para Coluna Vertebral

O subsistema ativo auxilia, mas não garante toda a estabilidade articular na posição neutra da articulação.

Ela continua sendo um ponto de frouxidão ou baixa rigidez onde os deslocamentos ocorrem com pouca resistência interna das estruturas passivas. Graças ao suporte oferecido pelas estruturas ativas a coluna não é lesionada nessa posição.

Imagino que você, como instrutor de Pilates ou fisioterapeuta, já tenha percebido que o controle muscular de nossos alunos é muito pobre. Quando existe uma lesão em um dos subsistemas da coluna vertebral ou pouca eficiência muscular a zona neutra aumenta de maneira não fisiológica.

O resultado é uma coluna mais suscetível a lesões, processos degenerativos e dores. Ao encontrarmos uma coluna nesse estado precisamos trabalhar com o subsistema passivo. A atividade muscular é capaz de minimizar esse aumento e até restaurar os limites fisiológicos quando é bem feito.

Papel das Estruturas Articulares – As Vértebras

As vértebras são parte do subsistema passivo da coluna e possuem formatos especificamente preparados para suas funções. Elas recebem e distribuem as cargas geradas durante o movimento e também protegem as estruturas nervosas que passam pelo canal vertebral.

Na porção anterior existe um formato cilíndrico com osso compacto. É nela que as vértebras recebem e dissipam cargas. Já na porção posterior a proteção está enfatizada com o arco vertebral, arco em forma de asa de borboleta que protege o canal vertebral.

De acordo com a porção da coluna as vértebras alteram seu formato ligeiramente. Na porção cervical e dorsal o corpo vertebral é levemente cilíndrico. É nessas regiões que a transmissão de força mais acontece. Já a região lombar tem vértebras mais aplanadas com ênfase no suporte da carga.

Conclusão

Uma coluna normal, sem patologias, deve realizar suas funções da coluna vertebral corretamente.

Para isso acontecer todos seus sistemas e subsistemas devem estar em ordem, atuando de maneira sincronizada. Precisamos aprender a trabalhar a coluna de maneira a manter sua estabilidade para prevenir lesões e melhorar sua mobilidade.

É só através do movimento que os problemas podem ser corrigidos!