4 Erros na Avaliação Postural que você NÃO pode cometer!

4 Erros na Avaliação Postural que você NÃO pode cometer!

Sabia que alguns pequenos erros na avaliação postural acabam com todo seu tratamento?

Mesmo em patologias simples, os desequilíbrios e problemas envolvidos podem ir muito além do que imaginamos. De nada adianta aplicar exercícios que acabam ignorando a verdadeira origem do problema.

Então, vamos aprender 4 erros na avaliação postural que podem arruinar seu tratamento e começar a evitá-los.

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1. Não Avaliar a Pelve

A pelve é uma importante distribuidora de forças no corpo. É nela que se anulam e distribuem as forças solo e peso normal. Quando existem patologias ou desequilíbrios que afetam suas funções, o corpo gera importantes desvios posturais.

Portanto, é impossível realmente avaliarmos o corpo sem nos atentarmos à pelve. Ela pode estar envolvidas em dores, patologias da região lombar e até desvios de membros inferiores. Não esqueça disso!

2. Fazer só a Avaliação Estática

Segundo dos erros na avaliação postural: Você entrevistou seu aluno, colocou ele em algumas posições estáticas e parou por aí? Desculpe, mas essa avaliação está extremamente incompleta. Como já mencionei em outro artigo, existem problemas sérios com o uso exclusivo da avaliação estática.

Ela não é fidedigna e não nos dá uma visão global do corpo do aluno. Precisamos entender que o equilíbrio estático só existe a partir de um desequilíbrio anterior.

Quando existe uma perturbação na base de sustentação, o corpo realiza um movimento oscilatório para voltar à posição correta. Portanto, percebemos que a estática não existe como imaginamos

Um corpo na estática, na verdade está realizando uma série de pequenos movimentos para manter-se parado. Estamos sujeitos a todo momento à força gravitacional e precisamos nos adaptar a ela.

Isso quer dizer que posso abrir mão da avaliação estática? Não, mas deve estar ciente que ela é enganosa. Muitas características que encontramos na suposta estática na verdade estão lá para equilibrar o movimento.

Para ter resultados mais completos é preciso avaliar o corpo tanto na estática quando na avaliação dinâmica. Durante essa avaliação preciso anotar todas as alterações corporais observadas.

Mais tarde faremos comparações entre tais alterações e a avaliação dinâmica. Elas serão peças de um quebra cabeças que nos ajuda a entender a condição do aluno.

3. Só Avaliar Durante os Exercícios

Assim que o aluno entra no seu espaço, ele precisa estar sob avaliação. Quando falarmos para ele “preciso fazer uma rápida avaliação física com você” seu corpo vai mudar imediatamente. Avaliação é uma palavra um pouco negativa para a maioria dos pacientes.

Ela passa a ideia de prova, teste, algo no qual precisamos nos dar bem. Obviamente que ao pensar em avaliação física seu paciente imagina que precisa tirar uma “boa nota” e passar.

Na verdade, nós queremos usar esse momento para ver todos seus erros e problemas, mas ele não compreende isso. Mesmo que você gaste horas para explicar, seu corpo ainda irá se tensionar e movimentar de maneira diferente.

Portanto, devemos aproveitar outros momentos quando ele não está sob a tensão da avaliação. E esses momentos começam quando você dia “bom dia” ou “boa tarde” e ele passa pela porta. Observe qualquer detalhe que possa indicar uma compensação ou desequilíbrio muscular. Sinais de problemas viscerais também são importantíssimos.

Às vezes é algo na maneira de andar e falar. Talvez, ao sentar ele ajuste uma perna para evitar dor ou um pequeno movimento cause reação de desconforto.

Mesmo durante a análise de seu corpo, devemos ficar atentos ao momento que o indivíduo relaxa. É impossível manter a tensão excessiva do corpo por muito tempo. Alguma hora a pessoa para e respira ou conversa com você e deixa os desequilíbrios aparecerem.

Um dos maiores erros que qualquer profissional pode fazer é limitar sua avaliação. Se você só vai realmente observar o aluno durante as posições de avaliação postural, provavelmente deixará muita coisa passar.

Recomendo adotar um olhar mais atento que consiga identificar corretamente os problemas do seu paciente.

Se possível, mantenha esse olhar sempre. Precisamos manter uma avaliação contínua que nos mostre o progresso do indivíduo. Apesar das avaliações posturais e dinâmicas serem essenciais, elas são incompletas.

4. Encurtar a Entrevista

Como profissionais do movimento, queremos apressar a avaliação para chegar na parte que mais nos interessa: o movimento em si.

Mas quem disse que a entrevista não é importante ou pode ser ignorada? Ela deve ser feita com cuidado e detalhadamente, não importa se toma bastante tempo da sua aula.

Durante a entrevista, o profissional entende quais são os objetivos, preocupações e problemas do aluno. Podemos também aproveitar o momento algumas características sutis relacionadas ao movimento.

Todo aluno possui gestos específicos, uma maneira de sentar própria, expressão facial e algumas vezes até mostram dor. Precisamos anotar todos os detalhes para conseguir realmente entender seu problema.

Existem cadeias musculares com importantes influências na cabeça. Portanto, é preciso avaliar cada movimento seu enquanto fala.

Sabe algo que muitos esquecem? Detalhes como aparelhos corretivos nos dentes são incrivelmente importantes. O aparelho impõe forças nos dentes e crânio que podem influenciar outros desequilíbrios.

Outro detalhe importante: o aluno provavelmente vai te dizer que tudo está bem quando não está. Não leve o aluno a mal, talvez ele só tenha esquecido de mencionar algum detalhe. Por isso, nossas perguntas precisam ser extremamente detalhadas.

Uma pergunta bastante comum com problema é quando queremos saber de problemas pulmonares. O paciente dificilmente lembra algo que aconteceu há alguns anos. Mas, sabemos que o corpo possui uma potente memória muscular. É possível que problemas antigos ainda afetem seus desequilíbrios. Então continue questionando e insistindo até obter resultados.

Os problemas viscerais são especialmente importantes para compreender os desequilíbrios musculoesqueléticos. Como o corpo obedece às leis de conforto, economia e equilíbrio, as vísceras são sempre prioridade. Problemas viscerais podem ser o início do desequilíbrio que causou alguma dor ou patologia.

Agora pense que você deixou de fazer perguntas detalhadas, ouviu o “nunca tive esse problema” do aluno e continuou para os exercícios. Vai ignorar uma série de compensações que talvez sejam a chave para resolver o problema.

Esse foi o último dos erros na avaliação postural.

Conclusão

Erros na avaliação postural colocam todo seu tratamento à perder.

O corpo é um complexo organismo feito da junção de inúmeros pequenos detalhes. Quando acabamos ignorando um ou outro, podemos estar deixando de ver o causador de uma patologia. Além disso, o corpo é composto por sua integridade.Isso quer dizer que ele deve ser avaliados como um todo, incluindo conhecimento de aspectos viscerais.


Síndrome do Chicote – Lesões por Golpe de Chicote (Whiplash)

Síndrome do Chicote – Lesões por Golpe de Chicote (Whiplash)

Em acidentes rodoviários, as lesões mais frequentes na coluna cervical são pequenas lesões ao nível dos tecidos moles. E, apesar do baixo índice de gravidade AIS1 – ferimento leve de acordo com o AIS (Abreviated Injry Scale) – este tipo de lesão pode ser bastante debilitante. Desde Crowe (1928) que usou o termo ”Síndrome do Chicote” para descrever um conjunto de lesões na coluna cervical neste mesmo ano, clínicos e pesquisadores tentaram definir e classificar esta condição.

Recentemente, um estudo promovido pelo Quebec Task Force em desordens associadas à Síndrome do Chicote, definiu-a como:

“Um mecanismo de aceleração-desaceleração de energia transferida ao pescoço. O impacto pode resultar em lesões ósseas ou de tecido mole (lesão em chicote) que por sua vez pode levar a uma variedade de manifestações clínicas (desordens associadas à Síndrome do Chicote – DASC).” (Spitzer, ML, LR & JD, 1995)

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Lesões de Chicote – Síndrome do Chicote

Em anos recentes houve um grande aumento no conhecimento científico de lesões de chicote, desde classificação e diagnóstico, até mecanismos de lesão, biomecânica, consequências neurológicas e psicológicas, modalidades de tratamento, questões econômicas e estratégias de prevenção.

É amplamente aceito que a incidência de DASC está aumentando globalmente e que há uma minoria significante de pacientes que permanecem incapacitados. Também é conhecido que a severidade da incapacidade decresce com o tempo, ainda que as causas da incapacidade à longo prazo não são totalmente conhecidas e compreendidas.

Apesar da controvérsia, há um crescente conhecimento a respeito dos tipos de lesões sofridos por pacientes acometidos pela Síndrome do Chicote e a Quebec Task Force classificou essas lesões em 4 graus dependendo de sua apresentação clínica.

Muito está sendo feito para suprir a deficiência de procedimentos investigativos de detecção de lesões ocultas. Taylor, analisando resultados de autópsia de pacientes com lesão na coluna cervical após impacto (incluindo chicote), descobriu que o rompimento no ângulo externo do disco e o trauma na cápsula das articulações facetárias eram as lesões mais comuns, geralmente não detectadas em exames investigativos, incluindo a Ressonância Magnética (Taylor & Taylor, 1996).

Essas estruturas são bem inervadas e se recuperam vagarosamente, o que pode levar a sequelas degenerativas. Também, Barnsley e Bogduk demonstraram que 54% de seus pacientes com chicote tinham dor provinda das articulações facetárias (Barnsley, 1994).

Além de lesões em ligamentos, disco, músculos e cápsula que são sem sombra de dúvidas as mais comuns e importantes sob uma perspectiva fisioterápica, têm-se demonstrado o envolvimento de muitas outras estruturas, como lesões arteriais, do tecido neural e cerebral e lesões de ATM.

Penning foi o primeiro a desenvolver uma teoria de que o principal mecanismo do trauma era uma hiper translação da cabeça, ao contrário da visão convencional de um movimento em hiperextensão. Ele acreditava que isso iria causar uma instabilidade ligamentar crônica da coluna cervical superior e diminuir o input proprioceptivo causando alterações crônicas de postura e equilíbrio (Penning, 1994).

Svensson foi o primeiro a descrever o formato em “S” da curva que se forma na coluna cervical na fase inicial do trauma. Entretanto, em seus experimentos, ele enfocou mais nos efeitos do trauma sobre a pressão de fluido no canal vertebral do que em cinemática (Svensson et al, 2000).

Curva em “S”

Panjabi e colegas, em uma série de experimentos usando cadáveres, exploraram ainda mais o fenômeno da curva em ”S” e suas implicações (Panjabi, Cholewicki, Nibu, Grauer & Vahdiek, 1998). Eles encontraram duas fases distintas na cinemática das lesões da Síndrome do Chicote.

A primeira fase é caracterizada pela formação do ”S” na coluna cervical, devido à flexão da parte superior e hiperextensão da parte inferior. Isso parece ocorrer no intervalo entre 50-75ms e se acredita ser a fase mais vulnerável do chicote tendo o maior alongamento dos ligamentos capsulares e alongamento máximo da artéria vertebral.

A rotação intervertebral em C6, C7 e C7, T1 significantemente excedeu os limites fisiológicos nesse intervalo.

Na segunda fase, toda a coluna cervical é estendida e isso ocorre entre 100 e 125ms. Nenhuma lesão foi observada nessa fase, havendo um grau menor de extensão da parte inferior da coluna cervical.

Eles descobriram que a maior parte das lesões ocorreram na parte baixa da coluna cervical devido à hiperextensão que ocorre no primeiro intervalo ainda que tenha sido notado que em traumas com grande desaceleração, a taxa de lesões aumentou também na parte superior da coluna cervical.

Os autores admitem que a maior limitação de seu estudo é a falta das influências musculares na proteção do pescoço ainda que os mesmos sugerem que a influência muscular seria insignificante já que o tempo de reação dos músculos para desenvolver uma força suficiente para estabilizar o pescoço é de aproximadamente 200ms e as lesões ocorrem antes de 100ms.

Questões sobre a Síndrome do Chicote

Músculos? São os músculos insignificantes no chicote? É o mecanismo de lesão tão rápido que o sistema normal de proteção do corpo é obsoleto? Realmente leva 200ms até que o sistema muscular se torne ativo? São os procedimentos investigativos insuficientemente sensíveis para nos dar uma informação confiável sobre a proteção oferecida pelo sistema muscular durante o chicote?

Algumas pesquisas (Ryan, 1993; Sturzenegger, 1995) mostraram que em acidentes automobilísticos, a consciência do que irá acontecer reduz a ocorrência de lesões cervicais. E Pope (Gunzburg & Szpalski, 1998) mostrou que um movimento de elevação rápido do ombro antes ou durante uma aceleração repentina, pode reduzir a severidade das desordens associadas ao chicote.

Portanto, se o sistema muscular influencia os resultados do DASC, então qual é o mecanismo que está sendo utilizado e quão efetivo ele é? Controle postural.

Alguns estudos que observaram o que acontece a indivíduos sentados submetidos à aceleração passivas encontraram uma série de eventos. Aparentemente o sistema nervoso central recebe informação sensorial de 3 diferentes modalidades.

Em primeiro lugar, um estímulo proprioceptivo pode se iniciar tão cedo quanto 20ms devido ao alongamento e/ou alívio da tensão da musculatura do tronco, antes mesmo que a cabeça comece a se mover. Então, à medida que a cabeça começa a se mover, estímulos vestibulares são dirigidos ao tronco cerebral e áreas corticais depois de cerca de 10ms.

Em terceiro, cerca de 40ms após, a informação visual associada ao movimento da cabeça é iniciada. Viebert et al (2001) em seu estudo sobre o controle da cabeça submetida a uma aceleração linear passiva brusca, achou uma variedade de reações posturais (em humanos).

Eles mediram a rotação e a translação da cabeça e do corpo durante um trauma tipo chicote e também mediram as respostas eletromiográficas (EMG) de alguns músculos da coluna e pescoço.

O movimento de resposta da cabeça dos indivíduos pode ser graduado entre duas categorias extremas, que eles denominaram ”rígida” e ”hipermóvel”. Eles acharam uma consistência extraordinária nas respostas, medidas no mesmo dia ou em dias diferentes, que dependem se o indivíduo era rígido ou hipermóvel.

A implicação disso é que os indivíduos respondem às perturbações posturais de uma maneira altamente estereotipada de acordo com estratégias de controle motor profundamente enraizadas. Os indivíduos rígidos eram mais ou menos capazes de estabilizar suas cabeças em seu corpo durante os movimentos bruscos, enquanto os indivíduos hipermóveis não conseguiam.

Na realidade, alguns dos indivíduos hipermóveis exibiram uma contração muscular que exagerou sua extensão cervical, o que possivelmente causaria um maior risco de lesão. Os indivíduos hipermóveis tiveram um movimento de cabeça significantemente maior e sinais de EMG mais intensos.

Os autores sugeriram que na falta de sinais da EMG na musculatura superficial, os indivíduos rígidos mais provavelmente usaram a contração dos músculos para-espinhais profundos (flexores cervicais profundos) para manter sua cabeça alinhada com seu corpo.

Curiosamente, os pesquisadores também observaram que quando os indivíduos eram instruídos a visualizar fixadamente um alvo durante os movimentos bruscos, houve uma melhora significante na performance ainda que isso só tenha ocorrido com os hipermóveis.

Não houve um efeito significante nos indivíduos rígidos mas nos hipermóveis o deslocamento da cabeça no corpo foi reduzido para um terço.

Outras Causas Comuns

  • Lesão sofrida durante a prática de esportes
  • Ex: nos esportes de contato
  • Golpe acidental ou intencional à cabeça
  • Queda de uma altura
    • Ex: no trabalho, de uma escada ou ao cair de um cavalo

Lesões na Cadeia Neuromeningea

Você pode imaginar que durante toda essa ampla e brusca movimentação da cervical, o tecido nervoso, que a reveste, acaba por ser distendido.

Essa mesma cadeia que envolve quase todo nosso tecido nervoso, também recobre as meninges, a medula espinhal, além dos pares cranianos, logo após esse trauma, a cadeia neuromeningea deve ser bem observada, não é raro, indivíduos que sofreram a lesão, começarem a manifestar alterações neurológicas.

 

Referências

  • INTERNATIONAL NURSING CONGRESS Theme: Good practices of nursing representation in the construction of society May 9-12, 2017
  • facafisioterapia.net/2009/06mecanismo-de-trauma-lesao-chicote.html
  • Presenting symptoms and signs after whiplash injury: The influence of accident mechanisms. Article in Neurology 44(4):688-93 May 1994 with 71 reads. DOI: 10.1212/WNL.44.4.688 Source: PubMed – Whiplash injuries and associated disorders: new insights into an old problem
  • Björn Rydevik, Marek Szpalski, Max Aebi, and Robert Gunzburg – DOI: 10.1007/s00586-007-0484-x
  • L.W. Holm, et al, ”Expectations for recovery important in the prognosis of whiplash injuries” PLoS medicine, vol. 5 p. e105, 2008.
  • A.F. Ferreira, ”Evaluation of Whiplash Injuries in Victims from Road Accidents in Portugal”, MS Thesis, Tecnhical University of Lisbon, School of Engineering, Lisbon, 2012.


Como Tratar os Desvios das Funções da Coluna Vertebral?

Como Tratar os Desvios das Funções da Coluna Vertebral?

Existe algo mais comum que problemas, lesões e patologias da coluna na nossa profissão? São dores lombares, hérnias de disco, escolioses e todo tipo de problemas desenvolvido pelos alunos. Para conseguir tratá-los precisamos entender que esses problemas muitas vezes são desvios das funções da coluna vertebral.

Compreender como ela funciona através da sua anatomia e biomecânica é essencial para elaborar o tratamento.

Aqui não vou apresentar uma solução milagrosa para tais compensações e desvios. O que vou mostrar é como uma coluna com funcionamento normal age para conseguirmos entender o que corrigir num desvio patológico da coluna.

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Funções da Coluna Vertebral

Sabemos que a coluna vertebral é o eixo corporal que realiza a ligação entre cinturas escapular e pélvica. Além dessa ligação, ela realiza três funções essenciais para os movimentos do corpo:

  • Estática
  • Cinética
  • De Proteção

Cada uma dessas funções da coluna vertebral está relacionada a um ou mais sistemas.

A estática é exercida pelos corpos e discos vertebrais, ou seja, as estruturas ósseas da coluna, assim como as fáscias. Já a cinética é feita principalmente pelos músculos. Por último temos a função de proteção, feita pelo canal vertebral, onde se encontram as estruturas nervosas da coluna.

Devemos lembrar aqui que a coluna precisa suportar a força da gravidade e da massa corporal, seja na estática ou no movimento.

Enquanto suporta essas forças também precisa gerar os movimentos de outros segmentos corporais e transmitir as forças para possibilitar a ação. Para isso, precisa de uma boa postura estática e dinâmica, ou o corpo será incapaz de responder às demandas impostas à ele.

Papel da Função Estática

Na sua função estática, a coluna deve ser simétrica e perpendicular às duas cinturas. Pelo menos, essas são as características de uma coluna saudável. Existem diversos desvios posturais como a escoliose que prejudicam as funções da coluna vertebral.

Durante a função estática não existem movimentos e os ligamentos e tensores musculares ficam relaxados. É através deles que é possível manter o equilíbrio estático do tronco diante do movimento oscilatório que ocorre quando estamos em pé.

As estruturas musculares não ficam “paradas” nessa função, mas se contraem e relaxam continuamente para manter o equilíbrio.

Encontramos problemas frequentes quando uma tensão muscular impede que as estruturas voltem a se relaxar, deixando de proporcionar estabilidade e adoecendo.

Qualquer fraqueza, tensão ou encurtamento muscular gera um sistema complexo de compensações posturais. Os desvios, por sua vez, levam a um deslocamento gravitacional que piora todo o movimento do corpo, não só da coluna.

Dilema das Funções da Coluna Vertebral

Boa parte das compensações da coluna vertebral acontecem porque a coluna é incapaz de manter o equilíbrio entre suas funções.

Existe um dilema aqui que deve ser observado por todo o profissional do movimento. Precisamos de uma coluna vertebral rígida e capaz de suportar a compressão axial que acontece no movimento. Porém, ela também precisa ter mobilidade, ou impede os movimentos de acordo com sua própria anatomia e biomecânica.

Durante o tratamento de disfunções da coluna precisamos adquirir estabilidade para evitar lesões, mas também mobilidade. Isso requer um equilíbrio delicado entre os subsistemas da coluna vertebral e uma ótima atividade muscular.

Estabilidade da Coluna Vertebral

Uma das primeiras necessidades da coluna é a estabilidade e o equilíbrio. Podemos definir estabilidade como a habilidade da articulação de retornar ao seu estado original após sofrer uma perturbação. No caso da coluna essa perturbação é o movimento.

Para manter a estabilidade, a coluna faz uso de 3 subsistemas: passivo, ativo e neural.

O sistema neural é o que monitora e regula as forças ao redor da articulação. Ele é organizado a partir do córtex cerebral e pouco trabalhamos com ele nas profissões relacionadas ao movimento. Porém, ele está intimamente relacionado às habilidades proprioceptivas do indivíduo.

Também encontramos o subsistema passivo, formado pelas estruturas ósseas, articulares e ligamentos.

É ele que realiza o controle da articulação próximo ao final da amplitude articular. Suas estruturas são responsáveis por resistir ao movimento, evitando movimentos possivelmente lesivos ou que exerçam pressão exagerada sobre as estruturas locais.

Mesmo sendo muito eficientes, as estruturas passivas são limitadas. Elas só atuam próximas ao fim da amplitude articular e não oferecem suporte na posição neutra.

O subsistema ativo existe para complementar a atuação do subsistema passivo e estabilizar a coluna de maneira mais eficiente. É formado por estruturas musculares quando desempenham sua função contrátil. Esse subsistema atua e oferece estabilidade mesmo com a articulação na posição neutra.

Importância da Musculatura para Coluna Vertebral

O subsistema ativo auxilia, mas não garante toda a estabilidade articular na posição neutra da articulação.

Ela continua sendo um ponto de frouxidão ou baixa rigidez onde os deslocamentos ocorrem com pouca resistência interna das estruturas passivas. Graças ao suporte oferecido pelas estruturas ativas a coluna não é lesionada nessa posição.

Imagino que você, como instrutor de Pilates ou fisioterapeuta, já tenha percebido que o controle muscular de nossos alunos é muito pobre. Quando existe uma lesão em um dos subsistemas da coluna vertebral ou pouca eficiência muscular a zona neutra aumenta de maneira não fisiológica.

O resultado é uma coluna mais suscetível a lesões, processos degenerativos e dores. Ao encontrarmos uma coluna nesse estado precisamos trabalhar com o subsistema passivo. A atividade muscular é capaz de minimizar esse aumento e até restaurar os limites fisiológicos quando é bem feito.

Papel das Estruturas Articulares – As Vértebras

As vértebras são parte do subsistema passivo da coluna e possuem formatos especificamente preparados para suas funções. Elas recebem e distribuem as cargas geradas durante o movimento e também protegem as estruturas nervosas que passam pelo canal vertebral.

Na porção anterior existe um formato cilíndrico com osso compacto. É nela que as vértebras recebem e dissipam cargas. Já na porção posterior a proteção está enfatizada com o arco vertebral, arco em forma de asa de borboleta que protege o canal vertebral.

De acordo com a porção da coluna as vértebras alteram seu formato ligeiramente. Na porção cervical e dorsal o corpo vertebral é levemente cilíndrico. É nessas regiões que a transmissão de força mais acontece. Já a região lombar tem vértebras mais aplanadas com ênfase no suporte da carga.

Conclusão

Uma coluna normal, sem patologias, deve realizar suas funções da coluna vertebral corretamente.

Para isso acontecer todos seus sistemas e subsistemas devem estar em ordem, atuando de maneira sincronizada. Precisamos aprender a trabalhar a coluna de maneira a manter sua estabilidade para prevenir lesões e melhorar sua mobilidade.

É só através do movimento que os problemas podem ser corrigidos!


Causa da Escoliose de acordo com as Cadeias Musculares

Causa da Escoliose de acordo com as Cadeias Musculares

Existem diversos motivos para o surgimento de uma escoliose idiopática. Como esse é o tipo de escoliose mais comum nos consultórios e nos Studios de Pilates é importante compreendê-las. A causa da Escoliose pode ser por:

  • Déficit do Controle Postural dado pelo Sistema Nervoso Central (SNC)
  • Desregulação de Melatonina (Hormônio de Crescimento)
  • Distúrbios Biomecânicos
  • Déficits de Colágeno

Quando existe uma escoliose, também há uma vértebra ápice de origem. O desvio também acontecerá sempre nos três eixos de movimento, fazendo com que seja uma deformidade tridimensional.

De acordo com o Método de Cobb já podemos considerar o desvio uma escoliose acima de 10º.

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Só tome cuidado para não considerar toda atitude escoliótica como escoliose. Essa atitude é diferente da escoliose e está presente em quase todo mundo. Ela existe quando há diferença real de comprimento de membros inferiores e desaparece quando colocamos o paciente na posição horizontal.

Teste de Flexão Sentado (TFS)

Para determinar se existe ou não a escoliose é preciso fazer o teste de flexão sentado (TFS). Ele é realizado da mesma maneira que o TFP, porém colocamos o aluno sentado para eliminar a interferência de membros inferiores.

A causa da Escoliose e sua origem pode ser:

  • Idiopática – Ligada à Genética
  • Neuromuscular
    • Paralisia Cerebral
    • Poliomielite
    • Síndrome de Down
    • Geradas pela Alteração de Tônus frequentes nas Patologias Neurais
  • Congênitas – Relacionada à Má Formação das Vértebras
    • Fusões
    • Aumento do Número de Vértebras

Quando falamos em escoliose, sempre haverá uma vértebra ápice de origem, e sempre ocorrerá nos três eixos de movimento. É, portanto, uma deformidade tridimensional. Pelo Método de Cobb acima de 10 graus já temos uma escoliose instalada.

Pela lógica das cadeias musculares primeiro teremos o tensionamento das cadeias retas do tronco. Entenderemos agora como funciona essa tensão e sua influência na escoliose.

Tensão das Cadeias Musculares Retas do Tronco

Nesse caso a vértebra ápice está localizada na coluna torácica e inicia a tensão pelas cadeias musculares retas. Se existe tensão da cadeia flexora do tronco teremos uma hipercifose torácica.

Já uma tensão na cadeia extensora do tronco gera um apagamento da cifose torácica e inclinação lateral do corpo para o lado côncavo da escoliose.

Nos casos de escoliose lombar uma cadeia flexora de tronco tensionada diminui a lordose lombar. Quando existir uma tensão na cadeia extensora do tronco a lordose lombar aumenta.

No caso da escoliose a tensão será unilateral, o que gera a inclinação lateral para o lado côncavo.

Tensão das Cadeias Musculares cruzadas do Tronco

Após a tensão das cadeias retas, as cadeias cruzadas também se tensionam. Se existir tensão na cadeia muscular cruzada de flexão à direita na escoliose torácica o tronco roda à direita.

A vértebra ápice segue esse movimento, o que gera uma gibosidade para o lado direito.

Se a tensão estiver na cadeia cruzada de flexão à esquerda a metade superior do tronco também roda à esquerda. A gibosidade criada a partir da rotação da vértebra ápice também surge à esquerda.

O caso muda quando a tensão está nas cadeias musculares cruzadas de extensão. Nesse caso, o esquema de rotação vertebral se inverte.

Se a cadeia muscular cruzada de extensão à direita estiver tensa, teremos um tronco rodando à esquerda com gibosidade do mesmo lado. O mesmo acontece com a cadeia cruzada de extensão à esquerda. O tronco apresenta uma rotação à direita com gibosidade do mesmo lado por causa da rotação da vértebra ápice.

Na escoliose lombar a lógica de rotação inverte. Isso acontece porque a curva fisiológica da lombar é contrária, ou seja, lordótica. Se a cadeia muscular cruzada de flexão à direita estiver tensionada a rotação acontece para a direita.

A tensão da cadeia muscular cruzada de flexão à esquerda gera rotação do tronco à esquerda também.

Causa da Escoliose de Acordo com seu Tipo

Escolioses Ascendentes

Uma escoliose ascendente segue uma lógica de compensações de baixo para cima. Portanto, a causa da escoliose nesse caso começa pelos pés, assim como nossa avaliação. Nessa hora é bom nos atentarmos à classificação de Risser.

O chamado de sinal de Risser é uma medida para avaliar a maturidade esquelética de acordo com a ossificação das epífises ilíacas. A maturação acontece de forma anterolateral para posteromedial.

Quanto menor for a ossificação das estruturas, maior será a imaturidade esquelética. Numa escoliose, a imaturidade esquelética quer dizer alta probabilidade de progressão do desvio da coluna.

A evolução da classificação de Risser I até V costuma demorar cerca de 2 anos. Existem 5 estágios:

  • I – 25% de Ossificação
  • II – 50%
  • III – 75%
  • IV – 100%
  • V – Fusão

Quero fazer uma observação a respeito dos exames de imagem para avaliar e diagnosticar uma escoliose. Eles precisam ser completos e mostrar todas as informações relacionadas à maturação óssea da coluna. Elas são indispensáveis para avaliar o paciente com escoliose e determinar o melhor tratamento.

Quando um paciente apresenta graus de maturidade óssea muito baixos é provável que sua curva escoliótica evolua. Portanto, devemos direcionar o tratamento para conter a evolução da curva durante o período de maturação das estruturas ósseas.

As curvas escolióticas mais preocupantes são aquelas que envolvem cadeias cruzadas do tronco. Elas estão mais ligadas às rotações.

Escolioses Descendentes

As escolioses descendentes seguem uma lógica de compensações que descem.

Portanto, essas escolioses estão bastante relacionadas a disfunções temporomandibulares (DTM). Alguns pacientes podem até desenvolver escoliose por usar aparelhos corretivos ortodônticos nos dentes.

Isso gera uma nova força craniana que altera todo o esquema muscular de maneira descendente.

Conclusão

Sabemos que os desvios posturais causam uma série de alterações biomecânicas no corpo.

A escoliose é um desvio particularmente complexo, que está relacionado a alterações e tensões nas cadeias musculares do tronco. Para conseguir compreendê-lo e tratá-lo precisamos também entender como acontecem essas alterações para conseguir liberar áreas de tensão importante.

Quer aprender mais sobre essa patologia e a causa da escoliose? Confira meu artigo sobre o tratamento desse desvio com as cadeias musculares.

Bibliografia
  • J Bone Joint Surg Am. 2016 3 de agosto; 98 (15): 1253-9. doi: 10.2106 / JBJS.15.01313.
  • O Efeito do Estágio de Risser sobre o Resultado de Bracing na Escoliose Idiopática Adolescente.
  • Karol LA 1 , Virostek D 2 , Felton K 2 , Jo C 2 , Butler L 2 .
  • J Bone Joint Surg Am. 2017 7 de junho; 99 (11): 923-928. doi: 10.2106 / JBJS.16.01050.
  • O sucesso do Brace está relacionado ao tipo de curva em pacientes com escoliose idiopática adolescente.
  • Thompson RM 1 , Hubbard EW , Jo CH , Virostek D , Karol LA.


Avaliação respiratória: como realizar de maneira eficiente

Avaliação respiratória: como realizar de maneira eficiente

Você lembra de analisar os padrões respiratórios dos seus alunos e pacientes? Ela é tão importante quanto todo o restante do processo de avaliação. Se deixar realizar a avaliação respiratória também deixamos de entender como funciona o diafragma desse aluno.

Durante qualquer exercício o aluno trabalha sua respiração. Sem compreendermos como ela funciona nesse corpo corremos o risco de errar nas aulas e tratamento. Quer realmente aprender a avaliar a respiração do seu aluno? Continue lendo.

Nesse artigo ensino uma maneira simples de realizar a avaliação respiratória e obter resultados eficientes para sua aula. Você também vai aprender como identificar como trabalha o diafragma do aluno, deixando seus atendimentos muito mais eficientes.

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Importância da avaliação respiratória

A vida moderna e os fatores de stress que aumentam a cada dia são bastante prejudiciais para a respiração. Em primeiro lugar temos os hábitos como o tabagismo que prejudicam todo o sistema respiratório. Mas não é deles que vamos falar nesse artigo. Falaremos de algo bem mais sutil que precisa de uma boa avaliação para ser identificado: os padrões respiratórios. Hoje em dia encontramos cada vez mais padrões respiratórios alterados e devemos saber identificá-los.

Durante uma avaliação para começar com um programa de atividades físicas devemos avaliar e identificar o padrão respiratório do indivíduo. Através dessa etapa você, o instrutor, consegue identificar:

  • Tensões que afetam o diafragma;
  • Respiração torácica ou abdominal;
  • Se trabalha em expiração ou inspiração.

Por que preciso saber tudo isso? Não chego a trabalhar diretamente com o diafragma a não ser que trabalhe com fisioterapia respiratória, certo? Não! A respiração é uma parte essencial da nossa prática, seja com Pilates ou com fisioterapia. O diafragma é um músculo que possui suas inserções fixas na coluna lombar e é de vital importância para mantermos uma boa mecânica de funcionamento do nosso principal músculo inspiratório.

Dicas para avaliar

Posicionaremos o avaliado em decúbito dorsal, com os joelhos fletidos e a cabeça em leve flexão. Posicionaremos então nossos polegares abaixo do apêndice xifoide e solicitamos para o indivíduo inspirar e expirar profundamente. Para um diafragma livre de tensões num teste normal, os polegares deverão subir no momento da inspiração e descer na expiração. Isso acontece de forma sincrônica e com a mesma excursão, tanto na inspiração como na expiração.

Alterações no teste

Observaremos no teste as seguintes possíveis alterações:

  • No momento da inspiração os polegares são muito elevados e não abaixam quando na expiração. Isso nos traduz um diafragma que trabalha em baixa, gerando uma respiração torácica. Estaremos diante de um diafragma hipertônico. Podendo inclusive alterar a conformação óssea do manúbrio, observaremos então um peito escavatum.
  • No momento da inspiração os polegares não sobem, porém quando na expiração os polegares descem muito. Traduzimos assim que esse diafragma trabalha em alta, funcionando em expiração, logo estaremos diante de um diafragma hipotônico. Poderemos estar diante de um peito de pombo.

No caso de dúvidas, quando as alterações são muito discretas podemos ainda realizar um teste de cinesiologia aplicada. Neste teste o indivíduo permanece em decúbito dorsal, com os membros inferiores e cabeça relaxados e apoiados na maca. Escolheremos qualquer músculo do corpo para testarmos sua força. Elegerei aqui o bíceps somente como forma de explicitar o teste.

Manteremos um dos membros superiores em flexão de cotovelo, solicitando ao avaliado que não permita que o avaliador estique seu cotovelo. Assim mantemos assim uma contração isométrica, a partir de então solicitamos sua respiração. Caso o avaliado consiga manter a forca isométrica do bíceps tanto na inspiração como na expiração o teste é interpretado como normal. Caso o avaliado perca sua força na inspiração estaremos diante de um diafragma que trabalha em baixa, no caso hipertônico.

Caso o avaliado perca sua força no momento da expiração estaremos diante de um diafragma que trabalha em alta, no caso hipotônico.

Resultados da avaliação respiratória

Os dados colhidos na avaliação respiratória deverão coincidir com a história pregressa de nosso aluno. Ou seja, caso estejamos diante de um diafragma hipertônico que trabalha em posicionamento baixo, questionaremos ao nosso aluno a possível presença de doenças pulmonares, que geraram uma forca centrípeta nesses pulmões, portanto solicitando maior entrada de ar, como por exemplo, atelectasias ou quadros asmáticos.

E ao contrário, caso estejamos diante de uma diafragma hipotônico, poderemos estar diante de um corpo, que mesmo durante um curto período de sua existência, tenha passado por qualquer quadro patológico que gerou uma necessidade, de que esse diafragma se contraísse menos durante a inspiração, como por exemplo, uma pericardite, um quadro infeccioso pulmonar, ou ainda, um quadro bacteriano hepático, impedindo que o músculo diafragmático descesse durante sua contração inspiratória, afim de não gerar desconforto para esse corpo.

Podemos ainda, encontrar alterações de padrões respiratórios gerados por estresse, quadros de angustia, ansiedade, depressão, ou qualquer, alteração somática que gerou um ato respiratório mais superficial, ou ainda, mais profundo. Não podemos negligenciar em nossa avaliação as patologias psiquiátricas, ou simplesmente as alterações somáticas.


Avaliação estática: importância das cicatrizes no aluno

Avaliação estática: importância das cicatrizes no aluno

Durante a avaliação estática do aluno deveremos observar diversos aspectos do aluno. Os primeiros fatores a chamar a atenção estão relacionados a sua postura, alinhamento das articulações, desvios na coluna e outros sinais claros de um desequilíbrio. Mas existe mais um fator importante que muitos ainda esquecem na hora de avaliar: as cicatrizes.

Observando um corpo em busca de desequilíbrios musculoesqueléticos podemos até imaginar que as cicatrizes não têm importância. É só um sinal na pele de algo que já passou, certo? Mas lembrem-se, nosso corpo possui memória e mesmo problemas passados podem continuar influenciando no presente.

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Ainda na avaliação estática nossos olhos atentos percorrerão pelo corpo do avaliado buscando por cicatrizes. Barral foi o primeiro a afirmar em suas pesquisas que uma cicatriz de má formação em sua teia de matriz cicatricial poderá alterar o funcionamento mecânico de um corpo. Logo se faz de extrema necessidade que em nossa avaliação busquemos por essas cicatrizes que podem estar intoxicando o sistema musculoesquelético.

O que são cicatrizes tóxicas

importancia das cicatrizes tóxicas para avaliação estática

Essas cicatrizes capazes de alterar o funcionamento mecânico corporal são chamadas de cicatrizes toxicas. Elas acontecem depois de ferimentos ou intervenções cirúrgicas. Elas ficam em constante reação com estímulos internos e externos.

Cicatrizes tóxicas podem induzir uma contratura muscular do músculo em questão. Ela também pode modificar o tecido conjuntivo e o líquido extracelular que o circunda. Ela se comporta como uma área reativa denominada de “campo perturbados”.

Geralmente encontramos cicatrizes tóxicas em algumas partes específicas do corpo, como:

  • Face;
  • Laterais do tronco;
  • Medianas da parede anterior do abdômen.

Entre todos os formatos de cicatrizes podemos considerar as horizontais como as mais reativas.

Apesar de existirem cicatrizes tóxicas nem todas são. Podemos ter uma cicatriz grande em sua extensão e não representar nenhuma disfunção corporal. O tamanho não determina se a cicatriz é tóxica ou não. Também podemos ter uma pequena cicatriz que está desencadeando modificações teciduais no conjuntivo. Ela também pode causar uma desregulação exteroceptiva, implicando um obstáculo na correção postural.

A pele é o maior órgão do corpo humano, está dotada de muitas terminações nervosas livres. Dentre elas encontramos grande quantidade de exteroceptores como por exemplo:

  • Órgãos de Ruffini;
  • Discos de Merkel.

Atuando também como mecanorreceptores, eles são extremamente sensíveis. Por exemplo em uma cicatriz anterior de tronco provoca uma projeção anterior do corpo buscando relaxar o estiramento do exteroceptor, a fim de que haja um ajustamento no tônus muscular.

A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano exposto ao meio ambiente, está sujeita a uma troca continua de informações. Quanto este sistema de entrada é perturbado por uma cicatriz, sua função e capacidade de interação com o ambiente interno e externo ficam prejudicadas.

Cicatrizes tóxicas na avaliação estática

avaliação estática com cicatrizes

Algumas dicas podem ser importantes no momento de avaliar se a cicatriz é tóxica (patológica) ou não.

Aspectos de uma cicatriz normotrófica:

  • Coloração: próxima ao tom da pele.
    • Textura fina.

    Aspectos de uma cicatriz tóxica:

  • Coloração: tons de vermelho, variando entre tons claros e escuros – e acastanhado;
    • Retrações;
    • Quelóides;
    • Alto relevo;
    • Trofismo: atrófica, hipertrófica.

Mas esta avaliação ainda não se faz o suficiente para obtermos a assertividade se estamos diante de uma cicatriz capaz de se tornar um bloqueio à correção postural ou não; assim seguem duas técnicas a fim de assegurarmos sobre sua toxicidade.

Avaliação das cicatrizes

1. Baseado na cinesiologia aplicada:

Elegeremos qualquer músculo do corpo para o teste. Aqui, vou exemplificar usando o músculo bíceps braquial. O cotovelo do avaliado estará em flexão e uma das mãos do avaliador estará na face anterior do antebraço do avaliado a fim de resistir o movimento em direção a função do músculo escolhido para o teste.

Solicitaremos que o avaliado faça uma força em sentido da flexão de cotovelo, enquanto o avaliador resiste o movimento. Durante esta resistência, o avaliador toca suavemente com sua outra mão, a cicatriz do avaliado. Caso o avaliado perca sua força, permitindo então que seu cotovelo seja levado em direção a extensão; o teste será positivo. Ou seja, estaremos diante de uma cicatriz tóxica. Caso, ao tocar a cicatriz, não haja alteração na resistência aplicada ao músculo, estaremos diante de uma cicatriz não tóxica.

2. Baseado no Teste de Pulsologia de Nogier (Teste de Reação autonômica circulatoria):

Teste do Pulso Radial:

O avaliador toca o pulso radial do avaliado suavemente com o dedo indicador e dedo médio. Percebe por poucos segundos esta pulsação. Com a outra mão, o avaliador realiza um toque suave em toda a extensão da cicatriz.

Caso, ao tocar a cicatriz, houver diminuição* ou desaparecimento da amplitude do pulso, estaremos diante de uma cicatriz tóxica.

Caso ao tocar a cicatriz, houver manutenção da amplitude do pulso, estaremos diante de uma cicatriz não tóxica.

*A diminuição da onda do pulso é gerada por uma desregulação humoral, através da secreção do hormônio adrenalina que se liga ao receptor Beta 2 nos vasos das artérias musculoesqueléticas, provocando vasodilatação, portanto redução da amplitude da onda do pulso.

Caso estejamos diante de uma cicatriz toxica teremos antes de trabalhar para a melhora da matriz cicatricial afim de que nossos ganhos posturais sejam mantidos. 

Conclusão

Durante uma boa avaliação estática precisamos saber observar todas as características do corpo. Isso inclui as cicatrizes que podem ser tóxicas ou não. Dependendo da cicatriz ela causa desequilíbrios na região ao redor, podendo ser o motivo de uma tensão muscular e diversos outros problemas.

Ao identificar uma cicatriz no seu aluno você precisará realizar alguns testes para descobrir se é tóxica. Depois será necessário trabalhar durante a aula para garantir os melhores resultados.