Método McKenzie: diagnóstico e tratamento dos desequilíbrios mecânicos

Método McKenzie: diagnóstico e tratamento dos desequilíbrios mecânicos

O movimento faz parte da vida do ser humano desde sempre. Quando observamos um recém-nascido, percebemos que existe um contínuo e harmonioso movimento entre braços e pernas.

Expressando o quanto aquele pequeno ser está saudável e pronto para iniciar a vida fora do útero materno.

Crescemos, nos tornamos adultos e a vida moderna nos impõe um estilo de vida que gera bloqueios e limites para essa mobilidade, outrora tão natural.

Permanecemos em posturas estáticas flexoras muitas horas ao longo de nossa existência. Comemos, estudamos, trabalhamos e nos divertimos, na maioria das vezes, sentados. Esse excesso de postura flexora, pode ser uma das causas de dor lombar.

Neste texto você vai encontrar:

  • Relação entre má postura e dores nas costas
  • Como a má postura afeta estruturas do corpo
  • Métodos utilizados como tratamento
  • O que é o Método McKenzie?
  • No que se baseia o Método McKenzie

Que tal saber mais sobre o Método McKenzie? De definição à como utilizar no tratamento? Continue lendo para saber mais!

Relação entre má postura e dores nas costas

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a dor nas costas é uma queixa de aproximadamente 80% da população mundial.

A postura ruim de sentar e a frequência de flexão foram identificados por McKenzie (2016) como fatores do estilo de vida que predispõem a dor lombar.

A posição sentada-relaxada causa um estiramento excessivo das estruturas ligamentares posteriores da coluna.

Quanto mais a coluna lombar se aproxima da cifose, maior é a pressão intradiscal. E, quanto mais se aproxima da lordose, menor é essa pressão.

O segundo fator ocorre devido as pessoas, desde o levantar pela manhã até voltar para a cama à noite, estarem predominantemente nas posturas e atividades fletidas da coluna e raramente estendidas.

Como a má postura afeta estruturas do corpo

Com isso, várias estruturas inervadas podem ser afetadas, podendo se constituir em fontes de dor. Dentre elas podemos citar:

  • As cápsulas das articulações apofisárias e sacro-ilíacas;
  • A parte mais externa dos discos intervertebrais,;
  • Os ligamentos interespinhosos e longitudinais;
  • Os corpos vertebrais;
  • A dura mater;
  • A capa da raiz nervosa;
  • O tecido conectivo dos nervos;
  • Os vasos sanguíneos do canal medular,
  • Os músculos locais.

No momento em que a dor na coluna se instala, todo o processo de compensações e adaptações musculoesqueléticas já aconteceu. Porém, quando a dor chega é que existe a percepção de que algo está errado.

Nesse instante, todos os neurotransmissores do sinal doloroso são acionados e, ao mínimo movimento, a dor pode ser intensificada.

Por muitos anos foi enfatizado que alguém com dor na coluna não podia se mexer, pois se mexesse, pioraria. Foi ensinado pelos pais e avós que o melhor a fazer seria tomar remédio (analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares) e repousar.

Em alguns casos de dor lombar aguda, pode ser necessário algum repouso – que seria reduzir atividades de sobrecarga. Porém, não existe respaldo na literatura que o repouso que se prolongue além de dois dias, traga maiores benefícios.

Através de pesquisas da neurociência e da biomecânica, este procedimento é equivocado. Tirar totalmente o movimento da coluna vertebral em episódios de dor mecânica pode trazer complicações.

Atualmente, o paciente com dor mecânica agudizada pode ser tratado através do movimento. Pois, desta forma, o corpo é estimulado a reencontrar o caminho para liberar os bloqueios fasciais, musculares e articulares.

Nosso corpo é um complexo organismo que integra vários sistemas. A alteração ou desequilíbrio de um único aspecto gera consequências para todo o corpo.

Daí a importância de se tratar esse corpo com Métodos e Técnicas Globais (MAH, Osteopatia, Pilates, McKenzie, etc), para que haja uma reintegração o mais rápido possível.

Métodos utilizados como tratamento

Métodos Abdominal Hipopressivo

O MAH (Método Abdominal Hipopressivo), estimula o indivíduo a enfrentar os desconfortos iniciais de uma postura em isometria e apneias respiratórias.

Isso, para que ele possa liberar a dopamina após alguns minutos de prática do método, e assim, usufruir de todos os aspectos positivos de um equilíbrio das pressões intracavitárias.

Osteopatia

Já a Osteopatia estimula o corpo a buscar sua autocura através do equilíbrio entre estrutura e função.

Pilates

No Pilates, através de exercícios de fortalecimento, alongamento e respiração, o aluno mobiliza todo seu corpo adquirindo tônus e força muscular equilibrado.

Método McKenzie

Outro Método de tratamento, é o Método McKenzie (MDT) que tem como objetivo a autonomia do paciente, para que através de exercícios repetidos, ele encontre o movimento na direção correta para reequilibrar seu corpo.

Nesse artigo quero enfatizar como o Método McKenzie utiliza o movimento para diagnosticar e tratar os desequilíbrios mecânicos.

O que é o Método McKenzie?

Este método foi criado nos meados da década de sessenta pelo fisioterapeuta neozelandês Robin McKenzie (criador do Método McKenzie de Diagnóstico e Tratamentol), também conhecido como MDT (Mechanical Diagnosis and Therapy).

Ele afirma que se o movimento for aplicado na direção e intensidade certa pode ser terapêutico no tratamento e controle desse tipo de dor na coluna.

o Método McKenzie ganhou notoriedade mundial exatamente por essa proposta. McKenzie desenvolveu um sistema de classificação que pode ser aplicado a todos os problemas musculoesqueléticos da coluna e extremidades.

O grande diferencial desse Método é gerar a autonomia do paciente. A partir de uma avaliação minuciosa, são prescritos exercícios específicos para que o próprio paciente execute-os diariamente. Visando o reequilíbrio e autocura.

O paciente é ensinado a libertar-se da Cinesiofobia (o medo de se movimentar). Ele é estimulado a assumir o controle do seu corpo e a não ficar na dependência de remédios ou médicos para curar essa dor. Alcançando a tão almejada autonomia.

No que se baseia o Método McKenzie

O Método McKenzie está baseado nas respostas sintomáticas e mecânicas do paciente a vários movimentos repetidos ou forças de cargas estáticas.

Durante a avaliação mecânica, ele permite a classificação dos pacientes em categorias específicas que orientam o tratamento.

Ao invés de procurar fazer um diagnóstico específico do tecido (identificação de uma doença através dos seus sinais e sintomas), o sistema McKenzie concentra-se na identificação de síndromes.

Uma síndrome é um grupo característico de sintomas e um padrão de resposta característico de um problema particular, ou seja, cada pessoa será avaliada e tratada – não de acordo com exames de imagem ou laboratoriais -, mas com o que relata sentir e tudo que o corpo dela falar durante a avaliação.

É fundamental que o paciente saiba o que fazer quando a dor chegar, pois existe uma natureza recorrente na dor lombar.

Um estudo realizado no Reino Unido por Crofit (1998) descobriu que, um ano após a primeira crise de dor lombar aguda, 50% dos pacientes ainda reclamavam de sintomas intermitentes ou persistentes que interferiam em suas atividades rotineiras ou profissionais.

Um outro estudo, publicado por Enthoven, Skargren e Oberg (2004), acompanhou pacientes durante cinco anos após a primeira crise de dor lombar aguda e mostrou, pela primeira vez, que um grande número de pacientes continuou a apresentar problemas significantes: 50% haviam desenvolvido dores crônicas, reduzindo sua qualidade de vida.

Se faz necessário que, o mais rápido possível, seja restaurado o movimento desse corpo, pois quanto maior for o tempo de permanência do bloqueio da mobilidade, as alterações sistêmicas cronificam.

Nosso corpo se mantém em equilíbrio através de todo um complexo sistema de tensegridade (combinação de tensão com integridade). Mantido através da homeostase da rede fascial, das pressões intracavitárias e de toda interação entre os sistemas internos e musculoesquelético (Schleip, 2012).

A fáscia que reveste todos os tecidos do corpo é rica em fibroblastos, que são células com a capacidade de produzir colágeno, citoquinas (células do sistema imune), e carboidratos complexos que vão fazer parte da substância fundamental.

Os fibroblastos respondem a tensão mecânica e são influenciados pela direção do movimento, ou seja, a direção do movimento vai reverberar diretamente na produção desse colágeno, gerando a remodelação tecidual necessária para aquela região do corpo. (Lesondak, 2017).

Conclusão

Portanto, reafirmo a imprescindível necessidade da restauração do movimento em toda sua amplitude, para que o sistema corporal possa resgatar sua homeostase, e o indivíduo sua autonomia.

A ciência mundial se voltou para respaldar a importância do movimento na vida do ser humano, reintegre o movimento ao seu corpo e mude sua vida.

Bibliografia
McKenzie, Robin. Trate você mesmo sua coluna. 4ª Ed. Belo Horizonte: TTMT; 2016. Schleip, R., Findley, T.W., Chaitow, L., Huijing, P. (Eds.), 2012a. Fascia: The
Tensional Network of the Human Body. The Science and Clinical Applications in
Manual and Movement Therapies. Churchill Livingstone, Edinburgh.
Lesondak, David. Fascia: What it is and why it Matters. Ed. Ilustrada. Handspring Publishing Limited; 2017
Croft PR, MacFarlane GJ, Papageorgiou AC, Thomas E, Silman AJ. (1998) Outcome of low back pain em general practice: a prospect study. (Incidência da dor lombar na clínica geral: Estudo prospectivo) BMJ.316.1356-1359.
Enthoven P, Skargren E, Oberg B. (2004) Clinical Course in Patients Seeking Primary Care for Back and neck pain. (Trajetória clínica de pacientes que buscam o primeiro auxilio para dor na coluna e no pescoço) Spine 29.21.
A Importância dos Dermátomos para o diagnóstico de Hérnica Discal

A Importância dos Dermátomos para o diagnóstico de Hérnica Discal

Impossível falar da região cervical sem citar sua ligação neurológica que também deverá ser avaliada caso o aluno apresente alterações de sensibilidade, típicas em herniações.

Com relação às alterações neurológicas geradas por hérnias cervicais de C5 até T1, os sintomas se manifestarão por meio do plexo braquial, que inerva todo o membro superior, segue a distribuição sensitiva do plexo braquial e de todos os dermátomos corporais.

Os dermátomos são as regiões da pele inervadas pelos diferentes pares de nervos que emergem da coluna vertebral. Portanto, existem 31 pares diferentes de nervos e, por conseguinte, também 31 dermátomos espalhados por todo o corpo:

  • Membros inferiores: contêm as regiões inervadas pelos nervos mais baixos, de L1 a S1;
  • Membros superiores: são inervados pelos nervos de C3 a T1;
  • Tórax: são as regiões enervadas por nervos de T2 a T12;
  • Rosto e cervical: são especialmente inervados pelo nervo trigêmeo de C1, mas também possuem inervação de C2.

Os dermátomos são utilizados para identificar a presença de alterações ou compressões na medula, pois, caso surjam alterações anormais na pele, é mais fácil identificar qual o local da medula em que pode estar o problema, de acordo com a região da pele afetada.

A figura abaixo mostra a distribuição dos dermátomos que indicará as verdadeiras hérnias de disco.

Entenda como se dá o funcionamento da bexiga

Entenda como se dá o funcionamento da bexiga

Segurar o xixi não é legal. Se você cresceu ouvindo sua mãe dizer que não deve segurar o xixi por muito tempo, saiba que ela estava certa!

E essa recomendação tem fundamento fisiológico, segurar a urina por muito tempo aumentam as chances de ter uma infecção urinária e de desenvolver uma incontinência urinária. Isso sem contar dos famosos cálculos renais, as nada bem vindas pedras nos rins!

Se fôssemos contar, o ideal seria irmos ao banheiro pelo menos seis vezes por dia. Esse esvaziamento permite que a bexiga não se sobrecarregue, por isso que não devemos prender o xixi. Continue lendo para saber mais!

Funcionamento da Bexiga

Nossa bexiga é um órgão muscular elástico e oco, que faz parte do aparelho urinário. Ela fica na parte inferior do abdômen, na sínfise púbica, mas muda de posição em corpos femininos e masculinos. Nos homens, situa-se logo à frente do reto, e nas mulheres, à frente da vagina e abaixo do útero.

É o órgão responsável por produzir, armazenar e eliminar a urina, a capacidade de armazenamento é de aproximadamente 400 a 500 ml para os homens e para as mulheres até 450ml. Sendo assim, ela se enche a cada três horas e deve ser esvaziada em quatro horas.

A capacidade de encher, armazenar e de esvaziar completamente a urina envolve várias etapas. Começa logo cedo, já no desfraldamento infantil.

Anatomia da bexiga

O processo de controlar a urina conscientemente e ou inconsciente pode parecer simples, mas envolve um esforço do Sistema Nervoso. O mecanismo de continência urinária possui um complexo de controle em vários níveis (JUC R.U., 2011).

O reflexo de fazer xixi é feito por neurotransmissores, é o processo miccional presente no funcionamento da bexiga. Ela recebe estímulos do Sistema Nervoso Central (SN), é dividida anatomicamente em quatro partes:

  • Superior (inferolaterais  e posterior – base);
  • Ápice da bexiga (ligamento umbilical mediano);
  • Colo vesical (faces inferolaterais, meato interno da uretra);
  • Corpo vesical (ápice-base) (GOMES M.C. 2011).

O Colo Vesical é a região do canal uretralmenos móvel, três ligamentos auxiliam na fixação:

  • Puboprostático medial (pubovesical medial, na mulher);
  • Puboprostático lateral (pubovesicallateral, na mulher);
  • Lateral da bexiga.

Outros ligamentos coadjuvantes são o Umbilical mediano e os Umbilicais mediais – que exercem a função antagônica ao corpo vesical.

O Corpo Vesical é praticamente toda musculatura da bexiga que chamamos de musculatura detrusora. Dentro da bexiga há uma um tecido que reveste-a, chamada de membrana mucosa.

Já o trígono da bexiga fica na região infero-posteriormente desta víscera. Neste trígono a túnica mucosa (o tecido epitelial) é sempre lisa, mesmo quando a bexiga está vazia, porque a túnica mucosa sobre o trígono é firmemente aderida à túnica muscular adjacente.

Papel do Sistema Nervoso

O funcionamento da bexiga é coordenado em diferentes níveis do sistema nervoso central (SNC), o simpático e o parassimpático.

Quando acionado o Sistema Nervoso Simpático (SNS) relaxamos o detrusor da bexiga (músculo liso da parede da bexiga) e enchemos a bexiga, a contração do detrusor só ocorre durante o ato de fazer xixi, pois é um músculo liso, ou seja, sua contração é involuntária.

Quando acionado a função do Sistema Nervoso Parassimpático (SNP) o músculo detrusor se contrai acionamos o ato de expelir a urina, contraindo o Trígono dando-se o início a micção.

A continência se dá pela perfeita função e coordenação da musculatura do períneo e da bexiga na fase de enchimento e esvaziamento.

A musculatura do períneo tem o papel de suportar os aumentos da pressão intra-abdominal e manter o posicionamento ideal para nossos órgãos pélvicos e manter a continência.

E para ter um controle consciente do sistema urinário, o assoalho pélvico merece atenção especial. Uma das formas de tratamento é a atividade física, o exercício físico especializado nesse processo evita disfunções e lesões.

Tratamento das disfunções urinárias

Uma das formas de tratamento começa com uma boa avaliação. Um profissional qualificado pode auxiliar a evitar um desiquilíbrio futuro, como o mau funcionamento da bexiga e dos órgãos pélvicos.

Muitas mulheres que praticam atividade física diariamente não sabem a importância de ter uma musculatura do assoalho pélvico (MAP) competente.

Algumas relacionam um abdômen forte a um assoalho pélvico forte também, mas na maioria das vezes o que ocorre é o inverso, exercícios abdominais aumentam a pressão sobre a bexiga e o períneo.

A pessoa que não tem a consciência e tem uma propensão de ter uma musculatura perineal enfraquecida, quando faz uma pressão constante sobre a bexiga pode causar uma incontinência urinária.

A perda de urina começa com gotejo e aos poucos pode evoluir, devido à sobrecarga e aumento da pressão intra-abdominal, a fraqueza muscular do assoalho pélvico pode aumentar e provocar grandes escapes.

Para resolver a questão com sucesso, existem atendimentos especializados, como fisioterapia pélvica que propõe tratamentos e reabilitação da bexiga com exercícios corretos para o assoalho pélvico, e para toda área que abriga os órgãos da parte inferior do abdômen.

Conclusão

A região do assoalho pélvico influencia as funções urinárias, digestivas e também reprodutoras.

Saber controlar seu corpo e sua mente de forma consciente exige treinamento com conectividade já que o nosso corpo trabalha em sinergia, quando estão equilibradas as disfunções desaparecem.


Este texto foi escrito por Manuele Pimentel Gomes

  • Bacharel em Fisioterapia – Universidade de Cruz Alta
  • Formação em Pilates Equipe Ivanna Henn
  • Formação em Neo Pilates Instituto Amanda Braz
  • Especialização Fase I e II CORE 360º
  • Curso de Pilates Avançado na Gestação
  • Curso de Pilates Avançado Modulo I e II
  • Curso de Formação Pilates Mamy Baby e Sling
  • Pós-Graduação Fisiologia do Exercício – UNINTER
  • Formação no Método Abdominal Hipopressivo – MAH
  • Curso Cadeias Musculares Janaina Cintas
  • Fisioterapia Aplicada á Saúde da Mulher Obstetrícia e Uroginecologia
  • Instrutora Master do MAH
  • Formação em MIT
Referências
JUC R.U.; COLOMBARI E.; SATO M.A. – IMPORTÂNCIA DO SISTEMA NERVOSO NO CONTROLEDA MICÇÃO E ARMAZENAMENTO URINÁRIO,
Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde, v.36, n.1, p. 55-60, Jan./Abr. 2011.
GOMES M.C.; HISANO M. – ANATOMIA E FISIOLOGIA DA MICÇÃO, Urologia Fundamental – CAPÍTULO 2., 2011.
BLOK BFM. CENTRAL PATHWAYS CONTROLLING MICTURATION AND URINARY CONTINENCE. Urology. 2002.
Importância das Curvaturas da Coluna nos tratamentos

Importância das Curvaturas da Coluna nos tratamentos

Quando tratamos uma coluna com problemas de instabilidade ou falta de movimento precisamos nos atentar às curvaturas da coluna. Nosso corpo possui uma estrutura que precisa estar sempre em equilíbrio para possibilitar o movimento adequado.

No entanto, o estilo de vida moderno tem proporcionado o apagamento ou ênfase dessas curvaturas, causando os mais variados problemas.

Curvaturas da coluna vertebral

A coluna vertebral serve como um suporte para todos os movimentos do corpo. Por isso, suas curvaturas existem para aumentar a resistência aos esforços de compressão axial. Engenheiros demonstraram que a resistência de uma coluna com curvaturas é proporcional ao quadrado do número de curvaturas mais um.

Assim, uma coluna do tipo funcional estática, que é retificada e possui número de curvaturas igual a zero, sua resistência é o dobro da primeira. No entanto, uma coluna com duas curvaturas possui resistência cinco vezes maior que a retilínea.

Já no caso de uma coluna com três curvaturas móveis encontramos dez vezes mais resistência que a retificada. Essa seria a coluna com todas as curvaturas fisiológicas:

  • Lordose lombar;
  • Cifose dorsal;
  • Lordose cervical.

Índice raquidiano de Delmas

Utiliza-se o índice raquidiano de Delmas para medir a importância das curvaturas da coluna vertebral. Esse índice só é medido num modelo anatômico e consiste na relação entre:

  • Comprimento alcançado pela coluna vertebral do platô da primeira vértebra sacral até o atlas;
  • Altura entre o platô superior de S1 e o atlas.

Quando a estrutura possui curvaturas da coluna normal o índice é de 95%. O adequado é que esse índice permaneça entre 95% e 96% para termos um funcionamento fisiológico da coluna vertebral.

No entanto, colunas com curvaturas mais acentuadas, como nos casos de hiperlordose ou hipercifose, o índice de Delmas é inferior a 94%. Portanto, seu comprimento é nitidamente maior que sua altura.

Uma coluna com curvaturas normais tem um índice de 95%; os limites máximos da coluna adequado são 95 e 96%. Uma coluna vertebral com curvaturas acentuadas possui um índice de Delmas inferior a 94%. Isto significa que o seu comprimento é nitidamente maior do que a sua altura.

Colunas que possuem curvaturas pouco pronunciadas, como em casos de retificação, possuem índices superiores a 96%. Essa classificação anatômica é essencial já que existe uma relação entre ela e o tipo funcional da coluna.

De acordo com A. Delmas, colunas que possuem curvaturas pronunciadas são do tipo funcional dinâmico. Já colunas com curvaturas pouco acentuadas são consideradas do tipo funcional estático.

Curvaturas da coluna e falta de mobilidade torácica

Hoje em dia é muito comum encontrar pacientes que sofreram perda de mobilidade torácica. A região realmente é mais propensa à rigidez já que é uma região de inversão de curvas. Na coluna vertebral todas as regiões de trocas de linhas de força são mais vulneráveis.

Quando as curvaturas da coluna são mantidas em seu estado normal e fisiológico a coluna funciona de maneira equilibrado. Elas são responsáveis por distribuírem os vetores de força para fora da linha média.

No entanto, ainda existe fragilidade da coluna vertebral nas inversões dos vetores de força que ocorrem em espaços de troca de curvas, indo de cifoses para lordoses ou vice-versa.

Como a coluna vertebral não é um arco fixo existem elementos flexíveis com seus fulcros de rotação. Em T11 e T12 encontramos o maior fulcro de rotação em nossa coluna. As facetas articulares de T11 e T12 são orientadas no plano frontal para rotação. Elas também estão livres das costelas, sejam elas falsas ou verdadeiras.

Vértebras lombares

As vértebras lombares são um contraste quando comparadas com as torácicas. Elas possuem facetas articulares no plano sagital e são orientadas para trás. O centro geométrico do círculo que passa por essas facetas lombares é projetado em seus processos espinhosos.

Portanto, o fulcro de rotação das vértebras lombares encontra-se na espinhosa. Quando a lombar roda isso acontece através de um movimento de translação lateral dos discos.

Por isso, o movimento de rotação na lombar é um gerador de estresse mecânico. As vértebras lombares possuem pouca capacidade de rotação, chegando a 3 ou 4 graus de rotação no máximo em cada segmento lombar.

Facetas articulares

De acordo com Kapandji, a coluna lombar possui facetas articulares superiores orientadas para trás e para dentro. Nenhuma delas é plana. Na realidade, essas facetas articulares são côncavas transversalmente e retilíneas verticalmente.

Geometricamente as facetas lombares estão talhadas sobre a superfície de um mesmo cilindro. Seu centro está localizado atrás das facetas articulares, aproximadamente na base da apófise espinhosa.

Em vértebras lombares superiores o centro do cilindro encontra-se quase imediatamente atrás da linha que une a margem posterior das apófises articulares. Em vértebras inferiores, o cilindro têm um diâmetro maior e recua na mesma medida o seu centro em relação ao corpo vertebral.

Não devemos confundir o centro desse cilindro com o centro dos platôs vertebrais quando a vértebra superior gira sobre a vértebra inferior. O movimento de rotação acontece ao redor desse centro e deve acompanhar-se, obrigatoriamente de um deslizamento do corpo vertebral da vértebra superior em relação ao da vértebra subjacente.

Rotação lombar

Durante a torção axial o disco vertebral não é solicitado. Sua solicitação daria uma amplitude de movimento relativamente grande, mas causaria cisalhamento. Portanto, conseguimos entender que a rotação axial da coluna lombar é limitada tanto em cada altura quanto no seu conjunto.

De acordo com trabalhos de Grégersen e D.B. Lucas, a rotação total direita-esquerda da lombar seria de 10º. Supondo que a rotação segmentária estivesse repartida, isso seria dois graus para cada parte.

Portanto, um grau a cada lado em cada nível. Assim, podemos destacar que a lombar não está conformada para realizar a rotação axial e é limitada pelas orientações das facetas articulares.

Conclusão

Durante os tratamentos de patologias relacionadas à coluna precisamos entender que a coluna não é somente um arco. Na realidade, ela é composta por dois arcos quando pensamos somente nos segmentos torácicos e lombares.

Quando chegamos no segmento lombar esse arco se inverte sem que a tensão da corda se perca. Assim, existe a possibilidade dos segmentos torácicos e lombares inverterem-se sem perder a liberdade do movimento.

A tensão da corda à qual menciono aqui é gerada pelas tensões músculo tendíneas. O movimento só é possível se a tensão da corda passar exatamente pelo centro do fulcro. Caso essa tensão passar atrás ou à frente do fulcro, teremos uma das curvaturas da coluna aumentada ou diminuída.

Portanto, geramos dificuldades em nossas colunas para realizar rotações. Essas rotações só serão recuperadas no segmento lombar, sobretudo em L4-L5. Não é coincidência que esse segmento lombar possui grande tendência à instabilidade e surgimento de lesões.

 

 

Bibliografia

  • Liem, T. A. T. Still’s Osteopathic Lesion Theory and Evidence-Based Models Supporting the Emerged Concept of Somatic Dysfunction. JAOA 2016, 116 (10): 654-661.
  • Puntos gatillo y cadenas musculares funcionales en osteopatía y en terapia manual / Trigger Points and Muscle Chains in Osteopathy and Functional Manual Therapy (Espanhol) Capa Comum por Philipp Richter (Autor),‎ Eric Hebgen (Autor)

 

3 Leis Ergonômicas aplicadas à Biomecânica do Pilates

3 Leis Ergonômicas aplicadas à Biomecânica do Pilates

As leis ergonômicas são aplicadas em diversos ramos de atividade para conseguir melhoras. Na indústria, por exemplo, elas ajudam a diminuir a incidência de acidentes de trabalho e lesões por atividades laborais, além de gerar um aumento da produtividade. No escritório, servem para manter trabalhadores focados e confortáveis. Então, por que não podemos utilizá-las no Pilates?

Continue lendo esse artigo para aprender 3 leis ergonômicas e como elas têm tudo a ver com o Pilates. Uma dica rápida: Joseph Pilates, o criador do Método, já sabia disse, então não existe motivo para ignorar esse conhecimento.

O que Joseph Pilates tem a ver com Ergonomia?
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Sabemos que Joseph Pilates teve uma visão inovadora para sua época que permanece relevante até os dias de hoje. Considerando esse seu imenso conhecimento, ele não poderia ter ignorado fatores tão importantes como as leis ergonômicas. Realmente, Joseph aplicou tais princípios em especial na criação de seus equipamentos.

Encontramos um exemplo claro no Universal Reformer. O equipamento foi criado com a intenção de reformar todo o corpo e possibilitar a realização de todos os movimentos. Por isso, Pilates precisou considerar a anatomia e biomecânica do corpo humano. Ele precisava de um equipamento que, além de deixar o indivíduo realizar uma variedade de movimentos, também o ajudasse a melhorá-los.

Na sua concepção, a carga era um elemento essencial. Movimentos feitos com carga externa seriam um tipo de preparação para o corpo. Assim que a carga fosse retirada, esse corpo teria movimentos mais eficientes e harmoniosos, ou seja, com menos incidência de lesão.

A Eficiência das Molas

Ao contrário de outras atividades físicas, Pilates foi genial a ponto de desenvolver uma nova maneira de aplicar carga: as molas. As encontramos em diversos dos seus equipamentos, como o Cadillac, mas especialmente no Reformer. O conceito de molas é muito valioso para o Pilates por conta de sua eficiência.

Se Joseph Pilates precisou das leis ergonômicas para desenvolver seus equipamentos, por que podemos ignorá-las para aplicar uma aula de Pilates? Agora entenderemos como essas leis se relacionam ao Pilates e como melhorar as sessões com seu uso.

Tríade Básica da Ergonomia

As principais leis ergonômicas são conhecidas como tríade básica da ergonomia. Elas são: segurança, conforto e eficiência. Considere que a ergonomia surgiu do desejo do ser humano de diminuir o esforço físico e mental para a realização de certas tarefas. Portanto, esses princípios ergonômicos são utilizados em objetos e ferramentas do dia a dia para proporcionar maior bem-estar ao indivíduo.

Para entender melhor como essa tríade é importante para o Pilates, podemos ver outros exemplos da sua utilização. Nas duas Guerras Mundiais, a ergonomia ganhou importância para a fabricação de equipamentos de guerra. Existia uma grande dificuldade de fabricar equipamentos, veículos, armas e outros produtos bélicos adaptados às necessidades dos soldados.

Foi necessário aplicar essas Leis Ergonômicas para conseguir adaptá-los aos variados tipos de corpo de soldados de cada país. Ainda hoje utiliza-se a ergonomia para fabricar-se cadeiras, veículos e móveis capazes de garantir conforto e qualidade de trabalho para os indivíduos.

Leis Corporais do Pilates

No Pilates, a ergonomia é essencial na adaptação dos equipamentos e exercícios aos variados tipos de corpo, lesão e patologias encontradas na prática. Além disso, conseguimos relacionar a Tríade Básica da Ergonomia às Três Leis Corporais que usamos no Pilates.

  • Lei do conforto = conforto: A presença de um desconforto (dor) demonstra sempre um desequilíbrio do corpo ou da atividade, que deve ser investigado e tratado, para que este corpo volte a trabalhar no equilíbrio, logo no seu conforto.
  • Lei do equilíbrio = segurança: Um corpo em equilíbrio gera segurança para realização de uma atividade, enquanto uma atividade segura mantém o equilíbrio corporal.
  • Lei da economia = eficiência: Um trabalho corporal eficiente utilizará de toda sua energia potencial para gerar energia cinética, evitando sobrecargas em áreas e/ou regiões específicas.

Ou seja, as leis ergonômicas estão de acordo com princípios utilizados na prática do Pilates. Precisamos aproveitar isso a nosso favor.

Como as Leis Ergonômicas são aplicadas ao Pilates?

Além de relacionar a tríade básica da ergonomia às leis que regem o corpo, também conseguimos aplicar outras leis ergonômicas ao Pilates.

De acordo com a ergonomia, o corpo humano deve trabalhar numa posição neutra que forneça menor tensão muscular em geral, além de garantir o melhor ponto de equilíbrio. Consideramos essa lei ao adequar o posicionamento de nosso aluno em todos os exercícios de Pilates. Sempre ouvimos falar em coluna neutra durante a execução de exercícios de Pilates. A ergonomia apoia e fundamenta isso através dessa lei.

As leis ergonômicas também falam a respeito da postura ideal que o indivíduo deve adotar durante sua atividade de trabalho ou lazer. Elas enfatizam a necessidade de existir flexibilidade no corpo para evitar sobrecarga durante a realização de diversas atividades.

Os princípios ergonômicos procuram uma adaptação do ambiente e do corpo para manter a qualidade de vida do trabalhador. Isso não se desvia do Pilates, pelo contrário, encontramos grande apoio neles para nossa aula. Os corpos que encontramos são sempre diferentes e precisam de adaptações únicas, seja nos exercícios ou no próprio uso de equipamentos.

Lembre-se que, quando os criou, Joseph Pilates já levou as leis ergonômicas em consideração. Portanto, seus equipamentos podem ser adaptados para qualquer porte físico de acordo com a necessidade.

Aplicação dos tipos de ergonomia em nossa aula

A ergonomia é dividida em alguns tipos, que são:

  • Ergonomia Física: estuda as reações do corpo humano as cargas físicas. Exemplos: a manipulação de materiais, o arranjo físico de estações de trabalho, as demandas do trabalho como repetição, vibração, força e postura estática.
  • Ergonomia Cognitiva: se preocupa com os processos mentais, tais como: percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, incluindo carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, e o erro humano.
  • Ergonomia Organizacional: esta analisa a estrutura organizacional, as políticas e os processos do trabalho. Neste item estão inclusos o trabalho em turnos, a hierarquia organizacional, o trabalho em equipe, a teoria motivacional, a ética profissional e o trabalho a distância.

Sabe como deixar sua aula de Pilates muito mais completa e eficiente? Basta utilizar esses três tipos de ergonomia no planejamento. Conseguimos aplicá-los em todas as áreas da aula, incluindo:

  • A designação da carga de cada exercício;
  • Posicionamento correto das molas para cada biótipo (ergonomia física);
  • Sequência de execução e metodologia do método (ergonomia organizacional);
  • Orientação do aluno para manter-se concentrado durante o exercício (ergonomia cognitiva).

Conclusão

Percebeu o quanto as Leis Ergonômicas contribuem para o bem-estar da população? Unindo elas ao Método Pilates, podemos proporcionar resultados incríveis aos nossos alunos!

Como acontece a Estabilização da Sacroilíaca?

Como acontece a Estabilização da Sacroilíaca?

A sacroilíaca possui a localização ideal para dividir o corpo em duas partes: a superior e inferior. Por sua localização, ela também realiza transferência de cargas do tronco para o chão, do chão para o tronco e força igual e contrária devolvida pelo solo durante o apoio dos pés no chão.

Exposta a tantas forças, como a sacroilíaca permanece estável? É exatamente isso que aprenderemos ao longo desse artigo.

A estrutura da sacroilíaca

Os vetores de força que passam por essa articulação são paralelos, mas não na mesma direção e eixo. Eles descem através do peso do tronco e da cabeça, jogando-os de forma vertical até o sacro.

Através dessa atuação geramos também uma força descendente e outra ascendente que são responsáveis pelo cisalhamento da articulação sacroilíaca.

O sacro não é um elemento estável da articulação, por isso ele precisa da presença dos ligamentos sacroilíacos posteriores e anteriores. Para entendermos melhor, podemos ver o sacro como uma ponte suspensa. Os ligamentos seriam cabos de aço responsáveis por sua sustentação e estabilização que precisam ser muito fortes.

Além dos ligamentos sacroilíacos anteriores e posteriores também existem outras estruturas de estabilização do sacro, mais especificamente os ligamentos interósseos. Esse é um ligamento interno, o ligamento posterior mais profundo.

Em geral, danos causados ao ligamento interósseo não prejudica a estabilidade da sacroilíaca. Considerando o papel dos ligamentos na articulação, fica uma questão importante: como então acontece a estabilização considerando as forças na sacroilíaca?

Uma parte importante da estabilização da articulação acontece pela atividade muscular, em especial dos músculos transversais. Eles realizam uma compressão nessa articulação, auxiliando a estabilizá-la. Assim, devemos considerar o papel do transverso abdominal e do assoalho pélvico na articulação.

Como funciona a estabilização da sacroilíaca

Durante o apoio bipodal do corpo o peso é distribuído igualmente em cada perna. Assim, temos uma divisão de 50/50 para cada membro inferior. Ao realizar um apoio monopodálico, transferimos toda a carga para uma única perna.

Ou seja, temos o dobro da carga somente em uma das articulações sacroilíacas. Apesar disso, articulações em seu funcionamento fisiológico não perdem a estabilidade.

Para garantir que a estabilidade permaneça, mesmo com as mudanças de carga, acontece um ajuste postural antecipatório. É uma pré-contração muscular para realizar o aumento da pressão intra-abdominal para manter o ajuste postural.

Durante o apoio monopodal, o corpo realiza a mesma alteração postural para aumentar a pressão intra-abdominal. Essa ativação ocorre com o objetivo de diminuir o cisalhamento e melhorar a estabilização da sacroilíaca.

O aumento da pressão intra-abdominal para ativamento muscular é um tipo de círculo vicioso. Os músculos envolvidos na estabilização da sacroilíaca são ativados e ao mesmo tempo influenciam a pressão intracavitária, aumentando-a.

Esse aumento de pressão aumenta ainda mais a ativação muscular. Esse círculo vicioso é bastante importante para a estabilização.

Aumento da pressão intra abdominal

Calma, não saí completamente do assunto do artigo para falar de pressão intra-abdominal. Ela está completamente relacionada! Acontece uma relação dinâmica entre a contração muscular e o aumento da PIA.

A PIA faz com que as fibras musculares permaneçam estiradas criando um reflexo miotático nos fusos neuromusculares de estiramento, de forma a contrair ininterruptamente esses músculos que são tônicos.

Precisamos entender essa relação porque muitas vezes é a contração muscular que aumenta a pressão intracavitária. Ou seja, o aumento da PIA aumenta a contração que por sua vez aumenta a própria PIA.

Ok, entendemos que os músculos que realizam a estabilização da sacroilíaca se contraem aumentando a PIA. Essa pressão aumentada alimenta o mecanismo, criando uma contração transversal no transverso abdominal e no assoalho pélvico.

Ao comprimir-se, o assoalho pélvico previne o cisalhamento vertical da sacroilíaca, que aconteceria por causa da distribuição de forças nessa articulação. Nessa compressão do transverso e do períneo podemos incluir as seguintes musculaturas:

  • Obturador
  • Piriforme
  • Gêmeo
  • Quadrado Femural

Essas musculaturas também se contraem para coaptar a articulação. O transverso contribui para a estabilização da sacroilíaca com suas fibras transversais. Apesar de não ter fibras que são completamente transversais, o assoalho pélvico tem o mesmo efeito.

Como o transverso e o assoalho pélvico ajudam a regular as forças

Por causa da sua função e posicionamento, a articulação sacroilíaca deveria estar sujeita a importantes forças de cisalhamento. Porém, sabemos que isso não ocorre quando a articulação está em seu funcionamento fisiológico.

Um indivíduo de 70 kg, por exemplo, teria uma carga total de 530N aplicadas sobre a sacroilíaca. Acrescentando a presença do ligamento sacro espinhoso com seu componente transversal, conseguimos reduzir essa carga em 120N.

Considerando a atividade muscular do assoalho pélvico, transverso abdominal e ligamentos conseguimos reduzir a carga sobre a sacroilíaca em 240N. Ou seja, conseguir diminuir a carga em mais ou menos 50%.

Conclusão

Através dessa breve revisão da articulação sacroilíaca, conseguimos compreender quais são as estruturas envolvidas na sua estabilização. Existe um importante componente muscular que garante a estabilização da sacroilíaca.

É importante compreender que essa ação muscular ajuda a diminuir as forças de cisalhamento, mas aumenta a compressão em 4x. Ou seja, 400% da força compressiva é aplicada sobre a articulação sacroilíaca.

Ao mesmo tempo, temos uma diminuição em 50% do cisalhamento vertical. Em indivíduos com a articulação sem seu funcionamento fisiológico, isso seria um grande problema.

Mas para entender mais a respeito disso, você precisa ir para meu artigo sobre a disfunção sacroilíaca e suas causas.

 

Bibliografia
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