Importância das Curvaturas da Coluna nos tratamentos

Importância das Curvaturas da Coluna nos tratamentos

Quando tratamos uma coluna com problemas de instabilidade ou falta de movimento precisamos nos atentar às curvaturas da coluna. Nosso corpo possui uma estrutura que precisa estar sempre em equilíbrio para possibilitar o movimento adequado.

No entanto, o estilo de vida moderno tem proporcionado o apagamento ou ênfase dessas curvaturas, causando os mais variados problemas.

Curvaturas da coluna vertebral

A coluna vertebral serve como um suporte para todos os movimentos do corpo. Por isso, suas curvaturas existem para aumentar a resistência aos esforços de compressão axial. Engenheiros demonstraram que a resistência de uma coluna com curvaturas é proporcional ao quadrado do número de curvaturas mais um.

Assim, uma coluna do tipo funcional estática, que é retificada e possui número de curvaturas igual a zero, sua resistência é o dobro da primeira. No entanto, uma coluna com duas curvaturas possui resistência cinco vezes maior que a retilínea.

Já no caso de uma coluna com três curvaturas móveis encontramos dez vezes mais resistência que a retificada. Essa seria a coluna com todas as curvaturas fisiológicas:

  • Lordose lombar;
  • Cifose dorsal;
  • Lordose cervical.

Índice raquidiano de Delmas

Utiliza-se o índice raquidiano de Delmas para medir a importância das curvaturas da coluna vertebral. Esse índice só é medido num modelo anatômico e consiste na relação entre:

  • Comprimento alcançado pela coluna vertebral do platô da primeira vértebra sacral até o atlas;
  • Altura entre o platô superior de S1 e o atlas.

Quando a estrutura possui curvaturas da coluna normal o índice é de 95%. O adequado é que esse índice permaneça entre 95% e 96% para termos um funcionamento fisiológico da coluna vertebral.

No entanto, colunas com curvaturas mais acentuadas, como nos casos de hiperlordose ou hipercifose, o índice de Delmas é inferior a 94%. Portanto, seu comprimento é nitidamente maior que sua altura.

Uma coluna com curvaturas normais tem um índice de 95%; os limites máximos da coluna adequado são 95 e 96%. Uma coluna vertebral com curvaturas acentuadas possui um índice de Delmas inferior a 94%. Isto significa que o seu comprimento é nitidamente maior do que a sua altura.

Colunas que possuem curvaturas pouco pronunciadas, como em casos de retificação, possuem índices superiores a 96%. Essa classificação anatômica é essencial já que existe uma relação entre ela e o tipo funcional da coluna.

De acordo com A. Delmas, colunas que possuem curvaturas pronunciadas são do tipo funcional dinâmico. Já colunas com curvaturas pouco acentuadas são consideradas do tipo funcional estático.

Curvaturas da coluna e falta de mobilidade torácica

Hoje em dia é muito comum encontrar pacientes que sofreram perda de mobilidade torácica. A região realmente é mais propensa à rigidez já que é uma região de inversão de curvas. Na coluna vertebral todas as regiões de trocas de linhas de força são mais vulneráveis.

Quando as curvaturas da coluna são mantidas em seu estado normal e fisiológico a coluna funciona de maneira equilibrado. Elas são responsáveis por distribuírem os vetores de força para fora da linha média.

No entanto, ainda existe fragilidade da coluna vertebral nas inversões dos vetores de força que ocorrem em espaços de troca de curvas, indo de cifoses para lordoses ou vice-versa.

Como a coluna vertebral não é um arco fixo existem elementos flexíveis com seus fulcros de rotação. Em T11 e T12 encontramos o maior fulcro de rotação em nossa coluna. As facetas articulares de T11 e T12 são orientadas no plano frontal para rotação. Elas também estão livres das costelas, sejam elas falsas ou verdadeiras.

Vértebras lombares

As vértebras lombares são um contraste quando comparadas com as torácicas. Elas possuem facetas articulares no plano sagital e são orientadas para trás. O centro geométrico do círculo que passa por essas facetas lombares é projetado em seus processos espinhosos.

Portanto, o fulcro de rotação das vértebras lombares encontra-se na espinhosa. Quando a lombar roda isso acontece através de um movimento de translação lateral dos discos.

Por isso, o movimento de rotação na lombar é um gerador de estresse mecânico. As vértebras lombares possuem pouca capacidade de rotação, chegando a 3 ou 4 graus de rotação no máximo em cada segmento lombar.

Facetas articulares

De acordo com Kapandji, a coluna lombar possui facetas articulares superiores orientadas para trás e para dentro. Nenhuma delas é plana. Na realidade, essas facetas articulares são côncavas transversalmente e retilíneas verticalmente.

Geometricamente as facetas lombares estão talhadas sobre a superfície de um mesmo cilindro. Seu centro está localizado atrás das facetas articulares, aproximadamente na base da apófise espinhosa.

Em vértebras lombares superiores o centro do cilindro encontra-se quase imediatamente atrás da linha que une a margem posterior das apófises articulares. Em vértebras inferiores, o cilindro têm um diâmetro maior e recua na mesma medida o seu centro em relação ao corpo vertebral.

Não devemos confundir o centro desse cilindro com o centro dos platôs vertebrais quando a vértebra superior gira sobre a vértebra inferior. O movimento de rotação acontece ao redor desse centro e deve acompanhar-se, obrigatoriamente de um deslizamento do corpo vertebral da vértebra superior em relação ao da vértebra subjacente.

Rotação lombar

Durante a torção axial o disco vertebral não é solicitado. Sua solicitação daria uma amplitude de movimento relativamente grande, mas causaria cisalhamento. Portanto, conseguimos entender que a rotação axial da coluna lombar é limitada tanto em cada altura quanto no seu conjunto.

De acordo com trabalhos de Grégersen e D.B. Lucas, a rotação total direita-esquerda da lombar seria de 10º. Supondo que a rotação segmentária estivesse repartida, isso seria dois graus para cada parte.

Portanto, um grau a cada lado em cada nível. Assim, podemos destacar que a lombar não está conformada para realizar a rotação axial e é limitada pelas orientações das facetas articulares.

Conclusão

Durante os tratamentos de patologias relacionadas à coluna precisamos entender que a coluna não é somente um arco. Na realidade, ela é composta por dois arcos quando pensamos somente nos segmentos torácicos e lombares.

Quando chegamos no segmento lombar esse arco se inverte sem que a tensão da corda se perca. Assim, existe a possibilidade dos segmentos torácicos e lombares inverterem-se sem perder a liberdade do movimento.

A tensão da corda à qual menciono aqui é gerada pelas tensões músculo tendíneas. O movimento só é possível se a tensão da corda passar exatamente pelo centro do fulcro. Caso essa tensão passar atrás ou à frente do fulcro, teremos uma das curvaturas da coluna aumentada ou diminuída.

Portanto, geramos dificuldades em nossas colunas para realizar rotações. Essas rotações só serão recuperadas no segmento lombar, sobretudo em L4-L5. Não é coincidência que esse segmento lombar possui grande tendência à instabilidade e surgimento de lesões.

 

 

Bibliografia

  • Liem, T. A. T. Still’s Osteopathic Lesion Theory and Evidence-Based Models Supporting the Emerged Concept of Somatic Dysfunction. JAOA 2016, 116 (10): 654-661.
  • Puntos gatillo y cadenas musculares funcionales en osteopatía y en terapia manual / Trigger Points and Muscle Chains in Osteopathy and Functional Manual Therapy (Espanhol) Capa Comum por Philipp Richter (Autor),‎ Eric Hebgen (Autor)

 

Por que você vai perder alunos sem biomecânica do Pilates?

Por que você vai perder alunos sem biomecânica do Pilates?

Há cerca de quatro anos falei que tudo iria mudar na área de movimento e que quem ficasse de fora iria perder mercado. Agora estamos começando a observar essas mudanças, seja na biomecânica do Pilates ou em outras áreas correlatas.

As pesquisas avançam diariamente e não existe mais opção. Ou começamos a estudar e nos atualizar ou nos preparamos para ficarmos obsoletos, ultrapassados por uma concorrência com cada vez mais conhecimento científico.

Eu prefiro estar no grupo de quem vê as novas pesquisas como uma oportunidade de crescimento, e você?

Hoje quero falar um pouco sobre a mudança de paradigmas que está ocorrente no Pilates e na área de movimento como um todo.

Tais alterações podem mudar drasticamente nosso atendimento e trazer muito mais eficiência para o que fazer. Quer entender mais sobre biomecânica do Pilates? Então continue lendo!

O que precisamos saber para ensinar biomecânica do Pilates?

Primeiramente, quero discutir o que precisamos para sermos reais instrutores de Pilates. Será que só a formação em uma área do movimento e um curso de especialização, como os da VOLL Pilates, são o suficiente?

Considero que a formação é o passo inicial na carreira do instrutor. Ela dá os conhecimentos básicos que você precisa para tratar seus pacientes. No entanto, ela não chega nem perto de ser o suficiente para sermos realmente bons. Vou explicar o motivo.

Quando criei meu curso de Biomecânica do Pilates, há mais ou menos cinco anos, ele era completamente diferente do atual. Simplesmente não existiam pesquisas o suficiente para que eu oferecesse informações de tanta qualidade.

Mas hoje, já existem pesquisas excelentes que nos mostram como o corpo funciona e reage a estímulos. Ou seja, consegui criar um curso muito mais completo e que te ajuda a trabalhar ainda melhor com seu aluno.

Essa revolução de informações também ocorreu com o Pilates. Novas e excelentes pesquisas são lançadas quase semanalmente.

Quem não conseguir entender e manter-se atualizado a respeito de anatomia, biomecânica e questões biopsicossociais vai ficar para trás.

Como a ciência está mudando as áreas do movimento?

Não adianta ficar parado em conceitos antigos e não acompanhar pesquisas e esperar manter-se no mercado. Precisamos compreender muito bem a biomecânica do Pilates para conseguir otimizar o método.

Por acaso você ainda se espanta quando eu falo que não podemos contrair o assoalho pélvico em nossas aulas? Ou que sentar não causa dor lombar?

Então talvez você esteja ultrapassado, mas ainda dá tempo de mudar isso com muito estudo.

Já sabemos que muitas ideias antigas consideradas eficientes nada mais são do que efeito placebo. Alongamento passivo? Já não é considerado eficaz há mais de 12 anos. O transverso abdominal? Não trabalha de forma simétrica como gostaríamos que trabalhasse.

A verdade é que pedimos por conhecimento durante muito tempo. Mas agora que ele está disponível, muita gente prefere ficar presa a ideias antiquadas e ultrapassadas.

A realidade é que conhecimento não deve ser obrigado. Só aprende quem quer, o restante continuará trabalhando com ideias antigas e sem resultados tão positivos.

Efeito placebo e técnicas de movimento

Quando falei a respeito de técnicas antigas ou ultrapassadas que profissionais continuam a usar, não quis dizer que não trazem resultados.

No entanto, hoje já sabemos como o efeito placebo atua na fisioterapia a ponto de ser um de nossos melhores amigos no tratamento.

As dores são multifatorias, ou seja, causadas por fatores biomecânicos, anatômicos e psicossociais. Gosto da teoria do balde que explica o surgimento de uma dor.

De acordo com ela, o corpo é como um balde vazio. Conforme surgem interferências esse balde se enche de água. Uma cicatriz tóxica pode colocar um pouco de água, alterações corticais mais um pouco, assim como um distúrbio mecânico.

O estresse e problemas emocionais também servem para encher esse balde de água.

Eventualmente a água transborda, mesmo que seja por causa de uma gota de água pouco significativa, e a dor surge. É nesse momento que recebemos o aluno cheio de dores na coluna, por exemplo.

Esse problema surgiu por causa de uma série de fatores, não por causa do desvio postural ou por uma disfunção biomecânica.

O que podemos fazer é utilizar técnicas que aos poucos eliminam esses fatores para conseguir o alívio da dor. O efeito placebo também pode ser uma ferramenta.

O que não podemos fazer como profissionais é acreditar que técnicas já provadas como falsas ou pouco eficazes pela ciência possuem efeitos reais no aluno.

Algumas vezes ele precisa daquele alongamento estático para se sentir bem, mas você, o fisioterapeuta, sabe que não ocorreu uma mudança biomecânica para corrigir o problema.

Cinesiofobia

Você tem algum aluno com medo de se mexer? Imagino que sim e isso é muito comum. A cinesiofobia é outro problema que vem sendo combatido através de informações.

Ela é gerada basicamente por falta de informação e mitos que nós, da comunidade médica e do movimento, continuamos espalhando.

O paciente com um abaulamento lombar pode procurar um médico para resolver sua situação. Nesse momento ele orienta que ele pare toda atividade física que está fazendo e fique de repouso por um mês.

Durante o período o paciente deve tomar alguns remédios e até evitar tarefas domésticas que envolvam abaixar ou levantar peso. Será que está certo?

De acordo com as guidelines mais recentes de dor lombar, esse tipo de padrão de atendimento é péssimo. Ele estimula o repouso e o medo de certos movimentos.

Ficar muito tempo parado pode fibrosas a região e criar um corpo rígido e sem movimentos multidirecionais. Portanto, o paciente fica ainda pior do que está.

Conclusão

Não posso recomendar algo fora muito estudo e dedicação à nossa profissão para continuarmos no mercado. Entender a biomecânica do Pilates e os processos biopsicossociais que formam a dor podem mudar muito sua forma de atendimento. Então, invista em você e em seu conhecimento.

Sabemos que muitos mitos do movimento surgem da própria comunidade médica. Basta olhar a quantidade de hérnias que você atende no seu Studio.

Não quer dizer que elas não existem, mas quer dizer que o paciente está sentindo dor e limitando seus movimentos por um problema que não é tão sério assim.

Mas como podemos discutir com alguém que está seguindo a orientação médica? Através do conhecimento e embasamento científico sobre biomecânica do Pilates.

Através deles conseguimos falar com o médico de igual para igual e conseguir a confiança do aluno.

Tudo que Nunca te contaram sobre Liberação do Diafragma

Tudo que Nunca te contaram sobre Liberação do Diafragma

Biomecânica do diafragma

O diafragma é um músculo essencial para as funções vitais do indivíduo, sendo responsável por 70% de sua capacidade vital. Ele precisa de contração contínua para vencer os componentes elásticos e resistivos do sistema respiratório. Tudo isso acontece para garantir uma boa ventilação pulmonar.

Esse músculo é dividido em dois segmentos, os pilares diafragmáticos e o centro tendíneo. Os pilares estão inseridos firmemente nas últimas vértebras torácicas (T11 e T12), assim como nas primeiras lombares (L1 e L3). Sua inserção também está localizada nas últimas costelas, sendo responsável por realizar o movimento de abertura das costelas que facilita a entrada de ar.

A parte ântero-central do diafragma é o centro tendíneo. Durante as excursões respiratórias ele é o único a realizar movimentos. Seu aspecto é semelhante a um trevo de três folhas, com o forame da veia cava inferior onde passa a veia de mesmo nome e o nervo frênico. A veia desemboca no coração e é responsável por drenar o sangue de toda a parte inferior do corpo.

O diafragma é inervado pelos nervos frênicos direito e esquerdo. Sua origem é nos ramos anteriores dos 3º, 4º e 5º segmentos cervicais (C3 e C5). Os nervos frênicos são responsáveis por enviar ramos aferentes e eferentes, dando ordens para o diafragma contrair-se. As informações dolorosas e proprioceptivas desse músculo também chegam ao sistema nervoso através desses nervos.

Durante sua contração o diafragma desloca o tendão central no sentido caudal, assim ele aumenta a pressão intra-abdominal (PIA). A pressão é transmitida ao tórax pela zona de aposição, expandindo a caixa torácica inferior.

Essa zona está diretamente relacionada ao grau de insuflação pulmonar. portanto, a contração diafragmática expande a caixa torácica, insufla os pulmões e força o abdômen para fora.

Diafragma e sua função postural

Além de atuar durante a respiração, o diafragma também trabalha na manutenção da postura. Ele é um estabilizador do tronco e atua em sinergia com outros músculos estabilizadores. Além disso, ele possui importante ligações, sejam elas diretas ou indiretas, através de cadeias miofasciais.

Durante nossa vida diária realizamos ativações do diafragma em diversas situações além da respiração. Ao carregar peso, por exemplo, toda a musculatura estabilizadora do tronco, incluindo músculos abdominais e profundos da coluna, se contraem para diminuir a sobrecarga sobre a lombar.

Quando o diafragma é exigido em demasia por uma frequência respiratória alta ou por estabilizar a coluna por tempo prolongado suas fibras tornam-se fadigadas. Como resultado, ele afeta a mecânica da coluna lombar, podendo causar lombalgia.

Estudos afirmam que a fadiga do diafragma é mais acentuada em pessoas que apresentavam lombalgia (Janssens et al, 2013). Por isso, também devemos avaliar cuidadosamente esse músculo em casos de pacientes com esse tipo de dor.

Por que devemos avaliar o diafragma antes de começar?

Como percebemos, o diafragma é um músculo essencial no corpo humano e pode estar sofrendo com compensações. Existem três padrões respiratórios em nossos alunos, o diafragmático, costal e misto. Quando o diafragma está sendo usado incorretamente para a respiração pode acabar com fadiga e prejudicar outros processos que exigem a atuação de suas fibras.

Atualmente é bastante comum encontrar indivíduos com padrões respiratórios alterados e com tensões ou desequilíbrios que afetam o diafragma. Através de uma boa avaliação você consegue identificá-los para conseguir aplicar o melhor tratamento ao seu paciente.

Durante uma sessão para um paciente que já possui o diafragma tensionado, por exemplo, devemos evitar aumentar ainda mais a PIA, que exige sua ativação. O ideal seria liberar as tensões do músculo e trabalhar o problema respiratório para conseguir normalizar a pressão intra-abdominal.

No momento da liberação encontramos um problema: as manobras tradicionais simplesmente são pouco eficientes.

Como é a manobra tradicional de liberação do diafragma

Até pouco tempo atrás eu utilizava essas manobras com meus pacientes e sequer chegava a pensar que existia algo de estranho nisso. Quero lembrar algumas características do diafragma que fazem a força que fazemos no abdômen ou nas costas do paciente seriam praticamente inúteis.

Primeiramente, esse músculo está espalhado pela região, tendo inserções que chegam até L2 e L3. Em segundo lugar, ele realiza uma excursão de 10cm na inspiração, que é bastante espaço. Para complementar o quadro, esse músculo é profundo, localizado abaixo mesmo do transverso abdominal.

Sabemos que não conseguimos palpar o transverso abdominal adequadamente por causa da sua profundidade. Agora pense bem, será que realmente conseguimos liberar o diafragma através de tensão no abdômen?

Na parte de trás do corpo, nas costas, isso também é impossível. Não importa a pressão que colocarmos em nossos dedos, não conseguiremos ultrapassar os fortes músculos paravertebrais e o quadrado lombar.

Ou seja, precisamos abolir essas manobras de nossas aulas, especialmente se buscamos eficiência nos tratamentos.

Maneiras modernas de fazer liberação do diafragma

Felizmente existem melhores formas de fazer liberação do diafragma. No meu curso sobre o Método Abdominal Hipopressivo (MAH) falo a respeito das questões pressóricas, inclusive as torácicas. Explico que não adianta trabalhar a faixa abdominal se o pulmão ainda não estiver normalizado.

Portanto, fazer a liberação do diafragma é importante, mas não deve acontecer da forma como estamos acostumados. Imagine um paciente que possui a respiração limitada e é hiperinsuflado.

Suas costelas são abertas, mas queremos usar o conceito de abertura das costelas empurrando as mãos na coxa para trabalhar sua faixa abdominal. Será uma manobra eficiente? Certamente não.

Primeiro precisamos normalizar a respiração para depois conseguir aplicar o método adequadamente. Lembre-se que cada vez que o assoalho pélvico entra em contração uma sinergia de músculos se ativa junto.

Eles incluem o assoalho pélvico, transverso do abdômen, diafragma, intercostais, escaleno, entre outros. Portanto, não devemos ativar a faixa abdominal sem primeiro tirar a programação dos músculos respiratórios. Caso contrário ela se retroalimentará cronicamente.

Uma das melhores formas de aplicar a liberação do diafragma é através da fáscia. O curso MAH é o primeiro que fala a respeito das liberações fasciais. Não trabalhamos nas linhas miofasciais, mas sim com a pura liberação fascial.

É ela que ajuda a liberar o músculo e tudo isso sem precisar realizar tensão excessiva sobre seu aluno. Quem tenta fazer liberação nos músculos abdominais pode ficar muito tempo liberando sempre conseguir um resultado efetivo. O mesmo não acontece com a liberação fascial, que é muito mais assertiva.

Também devemos utilizar a liberação do diafragma através do centro frênico. O diafragma precisa ser liberado em todas as suas porções para voltar ao seu funcionamento normal.

Conclusão

Espero que este artigo tenha clareado algumas dúvidas à respeito da Liberação do Diafragma! Até a próxima!

Aprenda como fazer Avaliação de Composição Corporal em seu aluno

Aprenda como fazer Avaliação de Composição Corporal em seu aluno

Um fator primordial para se alcançar o sucesso nos treinamentos ou tratamento do nosso cliente, é uma boa Avaliação de Composição Corporal. Estes dados somente são adquiridos seguindo protocolos e procedimentos adequados.

Para realizarmos uma boa Avaliação de Composição Corporal, é necessária uma anamnese completa utilizando dados como o IMC (Índice de Massa Corporal), RCQ (Relação Cintura-Quadril) e Antropometria.

De maneira concreta, ao mostrar os resultados para nossos alunos, entra em cena a Avaliação de Composição Corporal. Com ela, é possível traçar um trabalho de qualidade e segurança, com objetivos claros – seja ele estético, desportivo ou de reabilitação.

A composição corporal é definida como proporção entre gordura e tecido isento de gordura no corpo. Vamos entender melhor o que isso significa? Continue lendo texto!

Influência da Composição Corporal

A determinação da composição corporal tem grande importância na prática clínica e na avaliação de populações. Isso se deve, principalmente, à associação da gordura corporal com diversas alterações metabólicas.

Vários estudos mostram que a quantidade de tecido adiposo e sua distribuição pelo corpo estão associadas a elevados valores de:

  • Pressão Arterial;
  • Dislipidemias – com concentrações elevadas de triglicerídeos e reduzidas de colesterol de alta densidade (HDL);
  • Intolerância à glicose e resistência insulínica – os quais contribuem para a elevação do risco cardiovascular.

Diante da influência da quantidade de gordura corporal no estado de saúde dos indivíduos, são necessários métodos capazes de avaliar – de forma precisa e confiável -, a quantidade de gordura corporal em relação à massa corporal total.

6 razões que justificam uma avaliação de composição corporal:

  1. Determinar o ponto de partida para o início de programa de treinamento;
  2. Traçar a melhor maneira de conseguir um equilíbrio ideal entre gordura corporal e os compartimentos de gordura;
  3. Relaciona-se com o estado de saúde geral e desempenha um papel importante nos objetivos relacionados a saúde e aptidão física;
  4. Monitorar as mudanças nos componentes adiposos e magros durante os esquemas de exercícios com diferentes durações e intensidades;
  5. Melhor interação dos profissionais com os indivíduos e melhor informação relacionada com nutrição, controle de peso e exercício;
  6. Obter informações objetivas para os profissionais, correlacionando a composição corporal com o desempenho de esportes ou atividades do cliente.

Como realizar uma ótima Avaliação de Composição Corporal

Existem várias técnicas para realizar a avaliação de composição corporal:

  • Pesagem hidrostática;
  • Raio-X;
  • Condutividade elétrica corporal ou Bioimpedância;
  • Ultrassom;
  • Tomografia computadorizada;
  • Plestimografia com ar;
  • Entre outros.

Porém, a técnica de menor custo, maior facilidade de execução, melhor aplicabilidade no dia-dia e sem ser um procedimento invasivo é a ANTROPOMETRIA.

Antropometria

A palavra “antropometria” deriva do grego, é a mensuração do corpo humano.

ANTHROPOS – homem, METRON – equivale a medida.

Entre os métodos antropométricos, as dobras cutâneas são habitualmente utilizadas para determinação do percentual de gordura corporal – devido ao baixo custo operacional e à relativa simplicidade de utilização.

Existem, na literatura, mais de 100 equações que utilizam as medidas de dobras cutâneas e outras medidas antropométricas, como circunferências, para determinação da composição corporal.

Entretanto, a validade de equações que utilizam medidas de dobras cutâneas para predizer a composição corporal é restrita para a população da qual essas equações foram derivadas.

Portanto, a validade e acurácia dessas equações precisam ser cuidadosamente avaliadas no momento da sua escolha. Para selecionar o método e a equação mais adequados, fatores como, idade, sexo, etnia, nível de atividade física e quantidade de gordura corporal, precisam ser levados em consideração.

Cada profissional pode escolher que equação usar, porém, atentando-se a sempre se ater a mesma equação nas reavaliações e comparações de resultados

Dentre as principais equações existentes, podemos tratar como os principais sendo: McArdle, Guedes, Faulkner, Pollock, Yuhasz, Lohman.

Para ser útil, a avaliação depende completamente da habilidade do avaliador. As medidas devem ser realizadas de maneira cuidadosa, padronizada e reprodutível. Portanto, o avaliador deve ser bem treinado.

Onde encaixar a Antropometria?

O maior cuidado que deve ser tomado ao avaliar é a demarcação para as medidas. A demarcação é um ponto importantíssimo.

Se o profissional utiliza o adipômetro de forma correta, conhece os protocolos, mas no momento da demarcação comete um erro, mesmo que depois faça tudo correto (perimetria, dobras cutâneas), as medidas que serão tomadas serão inválidas pois não corresponderão com o posicionamento correto dos equipamentos.

Conclusão

A avaliação da composição corporal é um importante aspecto na determinação da condição física, em qualquer programa de emagrecimento ou na prevenção e tratamento de diversas doenças crônicas como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias e cardiopatias, nefropatias…

Ou seja, é extremamente importante pela sua relação com o estado de saúde, dado ser indiscutível que tanto o excesso de gordura corporal, como o défice de massa magra apresentam relação direta com uma série de fatores de risco para o aparecimento ou o agravamento de condições desfavoráveis para a saúde.

Analisando os dados encontrados na literatura, e diante da importância da composição corporal sobre os aspectos de saúde dos indivíduos, é fundamental que o profissional tenha pleno conhecimento das técnicas, protocolos e equipamentos para, assim, gerar dados de alta qualidade e confiabilidade  para realizar a avaliação de composição corporal.

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Este artigo foi escrito por Patricia Mazzer

Profissional de Educação Física, especialista em Nutrição, Saúde e Qualidade de Vida pela Unicamp. Além disso, Patricia também é instrutora do Curso Suspension, da Espaço Vida Pilates e também do Método Abdominal Hipopressivo.

Melhores do Ano 2018 – 5 Matérias Mais Acessadas Sobre Biomecânica

Melhores do Ano 2018 – 5 Matérias Mais Acessadas Sobre Biomecânica

Quando estava pensando no que eu poderia fazer para comemorar, no final de 2018, o sucesso do meu blog, várias opções especiais passaram pela minha cabeça.

Não posso deixar de comentar que foram 629.450 visualizações durante todo o ano! Mais de meio milhão em 12 meses, dá pra acreditar? É muito acesso em tão pouco tempo!

Isso me deixa extremamente feliz e, por esse motivo, preparei 4 especiais com os Melhores de Ano em 2018!

Cada especial é dedicado à uma categoria diferente do meu blog. São elas:

  • Hipopressiva;
  • Biomecânica;
  • Avaliação Postural;
  • Cadeias Musculares.

Abaixo, você pode encontrar os textos mais acessados e comentados da categoria Biomecânica! Espero que você aproveite todo o conhecimento que esse Top 5 pode trazer para a sua vida profissional.

Um feliz ano novo, e até o ano que vem! Aproveitem!

#5 – Dicas para alunos que sentem dor no punho durante apoio

Durante a aula conseguimos evitar algumas posições em alunos com dor e um problema muito comum é a dor no punho. Infelizmente, em alguns exercícios não tem jeito, precisamos do apoio das mãos. E isso pode gerar dor nesses pacientes.

Vamos lembrar alguns desses movimentos incômodos aqui:

  • Push Up;
  • Side Kneeling;
  • Pull Up;
  • Long Strech;
  • Front Splits;
  • Elephant;
  • Leg Pull up.

Esses movimentos são comuns, mesmo no imenso repertório de exercícios do Pilates. Algumas vezes você pede para seu aluno fazer um Pull Up, ele começa a fazer e nem chega na posição. Já começa a reclamar de dor.

Quer ler o texto completo? Basta clicar aqui!

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  • Data da Publicação: 18 de agosto de 2017
  • Visualizações: 5.037

#4 – O que tem de mais novo nas pesquisas sobre a fáscia

A fáscia é um tema polêmico muitas vezes. Sabia que até seu nome causa confusão? O uso indiscriminado do termo fáscia gera confusão, forçando a Fascia Research Society (FRS) a estabelecer um comitê só para ele.

O Comitê de Nomenclatura da Fáscia (FNC) foi criado para esclarecer e registrar a terminologia correta relacionada à fáscia. Esse comitê tenta desenvolver e definir os termos:

Quer ler o texto completo? Basta clicar aqui!

Informações Gerais

  • Data da Publicação: 14 de agosto de 2017
  • Visualizações:  7.909

#3 – Quais são os tipos de alongamento e qual é o melhor

O alongamento é definido como uma atividade física que tem como objetivo melhorar a flexibilidade. Os exercícios devem levar ao estiramento de fibras musculares e aumentar seu comprimento. Seu principal resultado é aumentar a flexibilidade.

Podemos perceber dessa maneira a importância do alongamento para o funcionamento do corpo.

Falando de alongamento é impossível evitar que a imagem de atletas se preparando para começar um treino ou competição venha à mente.

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  • Data da Publicação: 28 de julho de 2017
  • Visualizações: 8.493

#2 -Músculo Iliopsoas e Relação com a Dor Lombar

Na nossa tentativa de ver o corpo na globalidade podemos esquecer de alguns músculos específicos importantes para uma patologia. Um desses casos é o músculo iliopsoas, que pode estar entre um dos influenciadores de dor lombar e outras patologias da coluna.

Os desequilíbrios dessa musculatura são capazes de alterar a biomecânica de diversos movimentos.

Para que você consiga compreender como o iliopsoas pode estar entre os motivos de dor lombar preparei algumas dicas e esclarecimentos. Aqui aprenderemos sobre a anatomia e biomecânica da musculatura para compreender melhor suas compensações.

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  • Data da Publicação: 14 de março de 2018
  • Visualizações: 8.779

#1 – Tudo que nunca te contaram sobre a Escoliose

 

 

 

 

 

Ouvir que tem uma escoliose soa como problema para qualquer paciente. Eles não sabem o que a palavra significa, mas ficam com medo do tratamento e de precisar de cirurgia. Felizmente o Pilates oferece um tratamento conservador que ajuda a manter o funcionamento da coluna vertebral e evitar evoluções da curva.

Mas quero ir além disso e melhorar ainda mais seu atendimento. Para isso precisamos entender a Escoliose e essa nova visão que proponho.

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  • Data da Publicação: 30 de junho de 2017
  • Visualizações: 14.427

 

*Dados computados até o dia 11/12
Presente de Natal 2018 – 3ª Mini Aula sobre Biomecânica do Pilates

Presente de Natal 2018 – 3ª Mini Aula sobre Biomecânica do Pilates

Como vocês sabem, 2018 foi ótimo ano para o meu Blog! Foram 629.450 visualizações durante todo o ano! Mais de meio milhão em 12 meses, dá pra acreditar? É muito acesso em tão pouco tempo!

Por isso decidi dar um presente de natal para todos vocês leitores fiéis que acompanham de perto todos os meus textos, me ajudando a tornar o blog bem maior a cada dia que passa!

Assim, resolvi divulgar um mini curso exclusivo que meus alunos da Semana de Biomecânica do Pilates tiveram acesso em setembro! Como vocês foram leitores incríveis durante esse ano, decidi liberar essas aulas como Presente de Natal.

Serão 3 mini aulas nos próximos dias:

  1. Introdução à Biomecânica do Pilates (21/12)
  2. Pressão Intra Abdominal e Estabilização Segmentar (23/12)
  3. Posicionamento Correto da Coluna (25/12)

São 3 mini aulas em 3 dias diferentes que vão abordar conceitos importantes de Biomecânica de acordo com as dúvidas que meus alunos perguntam o ano todo em minhas aulas.

Vamos assistir?

Mini Curso Biomecânica do Pilates – Aula 3