A Biomecânica do Método Pilates: entendendo os equipamentos e exercícios

A Biomecânica do Método Pilates: entendendo os equipamentos e exercícios

Infelizmente, a Biomecânica do Método Pilates é um tema que poucos profissionais dominam e entendem como, porque, quando e com qual intensidade deve ser aplicado cada exercício.

Os estudos dos movimentos baseados no corpo estático já nos proporcionaram um grande conhecimento sobre os ligamentos, músculos, ossos e várias estruturas corporais, contudo, pouco da biomecânica do Método Pilates foi explorado até os dias de hoje.

Nesta matéria você irá compreender a importância da biomecânica dos movimentos realizado dentro do Pilates e saber como eles influenciam diretamente a saúde do seu aluno. Vamos lá?

Descrição Mecânica dos exercícios de Pilates

Spine Strech Forward

O Spine Strech Forward tem como objetivo a mobilidade da Coluna Vertebral. Quando realizado corretamente, o comando solicita o enrolamento de toda coluna, entretanto exige alguns cuidados: os primeiros 35 graus de flexão de cabeça se dá sem a atuação da cervical, solicitando somente a flexão da cabeça com os infra-hióideos e leve contração do masseter para manter a boca fechada, a partir daí o enrolamento será favorecido pela ação gravitacional, a mobilização segue vértebra por vértebra, afim de alongar toda a coluna vertebral.

O enrolamento se dá sentido caudal, gerando leve inclinação da pelve em direção do umbigo. Na fase 4 do movimento deve-se observar na coluna um C perfeito e profundo, durante a expiração solicitamos a descida do esterno e das costelas, caso seu paciente possua frouxidão ligamentar de cotovelos, solicita-se o acionamento do conjunto bíceps/tríceps para não sobrecarregar as articulações epicondilares.  

O mesmo é solicitado nos joelhos, a ativação do conjunto isquiotibiais/quadríceps com o objetivo de não sobrecarregar os ligamentos posteriores dos joelhos, já mandando uma informação aferente ao Sistema Nervoso Central da propriocepção correta dessas duas articulações.

Solicita-se ainda o afastamento das costelas inferiores das asas ilíacas, promovendo um alongamento excêntrico dos quadrados lombares e multífideos; muita observação para não haver linhas de quebra no movimento fundamental do tronco.

Um bom comando a ser dado para nosso aluno e de que ele imagine que entre sua lombar e sua coluna torácica exista uma barra e que, portanto, ele deve sobrepujar essa barra com sua coluna torácica, ou seja, sem a retificação da coluna lombar, não podendo de nenhuma forma aproximar seus membros inferiores do abdômen. E por fim os pés flexionados e a solicitação do deslocamento dos calcanhares para frente fecham a cadeia, com acréscimo da abdução dos MMII, alongando também os opositores adutores: magno, médio e pequeno.

O aluno não poderá de forma alguma sentir o alongamento nos isquiotibiais, e aí segue uma dica minha de orientação aos instrutores, devemos sempre nos orientar pelo nome do exercício em si, ele tem muito a nos dizer: Spine Strech, em sua tradução, alongamento da coluna e não alongamento dos isquiotibiais.

Cuidado para não realizar o imprint lombar durante a execução do exercício, no decorrer da pratica do Spine Stretch temos que descomprimir ativamente ao máximo as vertebras lombares, como se estivéssemos ultrapassando uma barra.

Lembre-se que a cadeia de extensão gera alongamentos enganosos e possíveis encurtamentos poderão ser encontrados durante a execução desse exercício.

Compensações observadas durante a prática do exercício:

  1. Encurtamento do quadrado lombar não irá permitir que o aluno se sente sobre seus ísquios;
  2. Encurtamento do tríceps solicitará uma hiperextensão dos joelhos;
  3. Encurtamento dos isquiotibiais, solicitará a flexão dos joelhos;
  4. Encurtamento do quadrado lombar irá gerar uma retificação lombar durante a execução do exercício;
  5. Encurtamento do piramidal do esterno, peitorais e rotadores internos dos ombros, gerarão um aumento da cifose torácica;
  6. Encurtamento do longuíssimo do pescoço retificará a cervical.

Leg Pull Front

O aluno inicia em posição de prancha, apoiando as mãos e os dedos dos pés no chão, pernas abertas no alinhamento da pelve, com o tronco elevado do solo através da efetiva contração dos eretores da coluna, sem permitir a anteversão pélvica, de forma a aumentar a lordose lombar.

As mãos se encontram diretamente sob os ombros, empurrando o chão e não caindo sobre ele. Ativar o serrátil anterior a fim de abduzir a escapula, atentando-se sobretudo para que não observemos o aparecimento de uma escapula alada. A incapacidade de estabilizar as escapulas diminui potencialmente o valor deste exercício.

Estenda um dos membros inferiores ativando os músculos do glúteo máximo e isquiotibiais, mantendo estabilidade pélvica, através da contração do transverso do abdômen, oblíquos interno e externo e reto abdominal.

Realize uma extensão vigorosa do quadril com um dos membros inferiores, porém curta, repetida por três vezes.

Retorne a posição inicial com os músculos iliopsoas e reto femoral controlando o apoio do pé novamente ao solo. Troque de perna e repita o movimento com o membro inferior oposto.

Durante o exercício o tornozelo estará com o tibial anterior ativado para a dorsiflexão, o quadríceps manterá a extensão do joelho e o tríceps braquial irá manter a extensão do cotovelo.

Dicas Mecânicas:

  • Mantenha a pelve em posição neutra e estabilizada, sem permitir que seu aluno desabe sobre ela, aumentando a sobrecarga mecânica na lombar.

Jumping

A posição inicial para o Jumping é feita com o aluno em decúbito dorsal com seus joelhos e quadril em flexão, o ante pé deve estar apoiado na plataforma do Reformer, os membros superiores estarão apoiados no carrinho ao longo do corpo.

O aluno realizará saltos através da extensão do quadril e joelhos com os pés em flexão plantar.

Para empurrar o carrinho o aluno deve ativar os isquiotibiais e os glúteos, além do tríceps sural, tibial posterior, fibulares e flexor longo do halux e a volta deverá ser amortizada pelos quadríceps.

O mais importante do Jumping é ensinarmos nosso aluno a saltar, porque muitos adultos não conseguem realizar essa volta sem sobrecarregar as articulações, e sendo assim, não aproveitam a energia cinética a seu favor.

Esse exercício é fundamental para que eles aprendam a utilizar a energia cinética em suas atividades diárias, como marchar, correr, subir e descer escadas.

Existem, inúmeras variações do Jumping que pode ser realizado com um único membro inferior, com abduções rápidas, na posição do Frog dentre outras. Para cada variação o aluno usara músculos específicos já descritos anteriormente.

Podemos ainda deixar o Reformer com a mola de menor resistência, sendo assim a volta do carrinho será lenta dando prioridade aos músculos abdominais, além da propriocepção para toda a unidade dos membros inferiores – é importante que as últimas costelas se mantenham afastadas das cristas ilíacas e que a pelve neutra seja respeitada.

Sugiro um trabalho proprioceptivo, da seguinte maneira, deixe todas as molas para dez repetições, e vá retirando uma mola a cada dez saltos.

Monkey

O aluno inicia o Monkey em decúbito dorsal voltado para a barra torre com o quadril e joelhos em flexão, os ante pés e as mãos estão apoiados na barra torre, mantendo os punhos neutros.

O exercício consiste em realizar a extensão do quadril com os isquiotibiais e joelhos com os quadríceps, as mãos não podem soltar a barra torre, e nem tão pouco perder sua organização escapular (ombros decoaptados e os olecranos internos dos cotovelos voltados internamente, sem que ocorra o desalinhamento das mãos).  

Todo o conjunto de ações organizadoras partem do ombro, portanto, nosso aluno deve também ser capaz de manter uma contração efetiva nas axilas, parecida com aquela força que fazemos para segurar um termômetro quando estamos mensurando nossa temperatura corporal.

Começamos essa ativação através do Serrátil para alunos retificados com o ar da inspiração sendo levado até as costas e já para os alunos hipercifoticos, solicitamos que o ar da inspiração seja direcionado ao peito.

 Com a mesma posição dos cotovelos solicitamos que as escapulas sejam guardadas nos bolsos das calças, e então, a partir do acionamento iniciamos o movimento proporcionando o enrolamento da coluna vertebral.

Além de ser um excelente exercício para flexibilização da coluna, há também o alongamento dos isquiotibiais, tríceps sural, tibial posterior, fibulares longo e curto dos dedos e os flexores longo do halux e dos dedos.

O exercício pode ser dificultado com o incremento de carga (EPOL) através do acréscimo de molas que partem da direção vertical (de baixo para cima) e do módulo inclinado. Ou podemos facilitar colocando molas que devem partir da direção vertical (de cima para baixo) e também de módulo inclinado.

A mecânica dos aparelhos de Pilates

Reformer

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No Reformer lidamos com várias forças físicas atuantes, quando falamos das molas existentes embaixo do carrinho estamos lidando com a Energia Potencial Elástica (EPOL).

E o que seria a EPOL?

Ao esticarmos uma mola ou um elástico, sabemos que quando soltarmos ele tenderá a voltar a sua posição neutra (ou comprimento inicial). Isso acontece devido a energia que fica armazenada na mola, na medida em que ela é esticada ou comprimida.

A esta energia damos o nome de Energia Potencial Elástica que é representada pela seguinte formula física: Epol = k.x² dividido por 2.

É claro que a Epol pode ser uma forca somatória, logo quanto mais molas posicionamos embaixo do Reformer mais difícil irá ficar o exercício.

O reformer é também reconhecido fisicamente como uma máquina de força simples, que se utiliza de roldanas para facilitar a execução de um trabalho (energia).  A roldana do Reformer é acionada por uma corda que está posicionada num eixo central, transferindo movimento e energia para o exercício que se deseja realizar.

Com as roldanas lidamos com dois tipos de forças:

  • Força potente: força aplicada para mover o corpo físico, no caso, nosso aluno.
  • Força resistente: força representada pela massa do corpo, peso do nosso aluno.

Na roldana fixa do Reformer o eixo central é preso ao suporte de tal forma que se estabeleça um equilíbrio entre as duas forças, sendo assim, a força potente (P) e a força resistente (R) são iguais: P=R

Uma roldana fixa como a do Reformer facilita a realização de um esforço por mudar a direção da força que seria necessária. Para facilitar o trabalho que no Reformer puxamos para baixo, as roldanas fixas somente alteram a direção e o sentido da força, sem alterar a força aplicada, somente modifica sua direção deixando-o mais cômodo, ou seja, inverte o sentido da força de cima para baixo numa das extremidades da corda, a polia transmitirá a carga para levantá-la com uma força de baixo para cima.

Ou seja, no Reformer quando realizamos um exercício onde aproximamos o carrinho da roldana abaixando a extremidade da corda com as alças do Reformer em nossos pés, o exercício não se torna mais difícil, porém com a inversão de força realizada pela roldana, é muito mais confortável realizarmos esse exercício no Reformer, pois o faremos com os isquiotibiais, do que realizarmos no solo, onde faríamos com a força dos retos abdominais, pela inversão das forças realizada pelas roldanas.

A história do Reformer dentro da Biomecânica do Método Pilates

Joseph   Pilates   acreditava   que   realizar   exercícios   na   posição horizontal eram úteis no alívio do estresse e tensão das articulações, no alinhamento do corpo e mudando as forças gravitacionais nas várias posições. Aliás ele sempre começava suas aulas com o aluno deitado, pois seguia a lógica dos movimentos que realizamos durante o dia, acordamos deitados.

O Reformer é a peça central e o primeiro aparelho desenvolvido por ele.Tradicionalmente, existem mais de 100 movimentos criados para este aparelho.

Segundo Pilates, ao treinar com uma carga externa (molas do Reformer), o movimento humano tornar-se-ia mais eficiente e harmonioso para quando retirássemos a carga, ou seja, na sua condição habitual.  Além disso, a resistência oferecida incentiva uma adaptação mais rápida do sistema neuromuscular. Lembrando sempre que os aparelhos podem facilitar ou dificultar os exercícios.

Originalmente, Pilates chamou a máquina Universal Reformer. Reformer porque “reformava” todo o corpo e “universal” pois poderiam ser feitos todos os movimentos possíveis de se imaginar (todos os planos de movimento).

Diz também a história, que esse equipamento teve como inspiração uma cama onde lhe foram adicionadas molas, com o intuito de reabilitar soldados feridos na guerra.

Cadillac

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O Cadillac é uma máquina física com uma única forca atuante que são as forças elásticas (EPOL).

O importante são os vetores, não é necessário sabermos calcular as forças vetoriais existentes no Cadillac através das assustadoras formulas de Pitágoras, nem temos tempo de fazê-los durante nossa aula, mas é necessário saber que os vetores existem e como podemos nos aproveitar deles da melhor maneira possível em nossas aulas. Portanto basta entendermos a Biomecânica do Método Pilates para sabermos o principal músculo do movimento, seu direcionamento e aonde a mola do Cadillac deve estar.

Já que estamos diante de vetores que partes das barras laterais, superiores ou inferiores do Cadillac, os vetores se dão em forma de paralelogramo sendo muito tranquilo e descomplicado o manuseio e a perfeita vetorização a ser realizada.

Entendendo as forças vetoriais, vetores nada mais são do que grandezas vetoriais versus grandezas escalares.

Vetor é um ente matemático que possui: intensidade ou modulo, direção e sentido:

A direção pode ser horizontal ou vertical e o sentido pode ser para a direita ou para a esquerda, o módulo ou intensidade é igual a 10 Newtons (N).

A grandeza vetorial precisamos de intensidade, direção e sentido (ex: forca, deslocamento, velocidade).

Os vetores podem ser iguais de mesmo módulo, direção e sentido, vetores opostos são os de mesmo módulo, mesma direção, porém sentidos opostos. Lidamos com os dois tipos de vetores, dependendo do sentido da mola, vou explicitar melhor para vocês:

  • Mesmo modulo: A=C=D
  • Mesma direção e/ou sentido: mesma direção e sentido
  • Mesma direção e sentidos opostos

Quando temos um sistema quadriculado que é o caso do Cadillac com suas barras horizontais e verticais estamos diante de um sistema de soma de vetores dentro do método poligonal, portanto, calculamos a forca resultante dos vetores através da formula de Pitágoras. A soma dos quadrados dos catetos é igual a hipotenusa ao quadrado, usamos essa formula quando estamos diante de ângulos de 90 graus, que é na maioria das vezes o caso dos exercícios no Cadillac.

A história do Cadillac dentro da Biomecânica do Método Pilates

A palavra Cadillac evoca luxo, inovação, conversível e com muitos extras que todo carro de grande porte pode oferecer. E não é à toa que Joseph Pilates chamou um de seus equipamentos de Cadillac.

É o maior e mais completo equipamento que ele criou: existem vários acessórios para braços e pernas, molas e barras de suspensão, que tornam este equipamento muito completo e versátil.

O Cadillac possibilita um treino específico, quer no âmbito da reabilitação, quer como preparação física de sedentários ou atletas. É mais utilizado em estúdios de treino personalizado, em treinos individuas e é indispensável um grande conhecimento por parte do instrutor no manuseio desse aparelho.

É um dos equipamentos mais comuns nos studios de Pilates ministrados por instrutores qualificados. É um grande equipamento de Pilates, que intimida à primeira vista, mas que é muito benéfico para trabalhar todo o corpo.

Ele foi criado com o objetivo de ajudar pacientes acamados e possibilitar que pudessem fazer um treino apenas deitado ou sentado. Além de ser fundamental para pessoas debilitadas, com idade avançada, portadores de dor, é também um aparelho essencial para alunos iniciantes com o intuito de ensinarmos os enrolamentos ou simplesmente para limparmos e aprimorarmos movimentos que mais tarde serão usados para exercícios mais elaborados.

 O primeiro Cadillac era um colchão com molas que se assemelha a um instrumento de tortura medieval. Permite o fortalecimento dos músculos, produz flexibilidade e mobilidade da coluna, bem como, tonificação muscular dos membros superiores e inferiores.

O treino no Cadillac combina os benefícios de um treino realizado no solo com a tensão das molas. O aparelho é frequentemente usado para as pessoas que não conseguem fazer com facilidade os exercícios de chão; por isso, o Cadillac  pode  ser  usado no âmbito da fisioterapia em pessoas com mobilidade reduzida, pois as molas dependendo de seu posicionamento vetorial pode facilitar muito os exercícios praticados no solo, assim como também pode dificultar bastante.

Se soubermos tirar o melhor da biomecânica do Método Pilates no Cadillac as melhoras serão significativas. .

A “Chair” ou Cadeira no Pilates

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Cerca de 100 anos se passaram desde que Joseph Pilates o implementou em seu Método. Apesar da sua forma original envolver exercícios realizados no Mat, os equipamentos foram rapidamente introduzidos na rotina de quem praticava Pilates.

Acima de tudo, sua principal função é proporcionar oportunidades de trabalhar com maior resistência contra o corpo. A chair oferece um trabalho de fortalecimento da parte superior do corpo (pescoço, braços, ombros), bem como, da parte inferior (glúteos e pernas).

A cadeira apelidada de “cadeira maravilha” faz realmente maravilhas pelo seu corpo, ela favorece o fortalecimento da metade inferior do tronco.

Embora o projeto da cadeira seja relativamente simples, existe uma infinidade de exercícios que podem  ser realizados nela, os exercícios são diferentes, pois as molas formam um ângulo de 90 graus com a parte posterior da cadeira no sentido contrário ao exercício, diferentemente do Reformer e do Cadillac, sendo aplicada na cadeira o mesmo tipo de resistência da EPOL, na Cadeira para calcularmos a resistência do movimento também necessitamos aplicar a formula matemática dos vetores de Pitágoras.

A cadeira oferece menor apoio e maior amplitude de movimento. Isto exige maior força e equilíbrio por parte do praticante. E dependendo do movimento a ser realizado, as molas dificultam ou facilitam os exercícios.

A história da Chair dentro da Biomecânica do Método Pilates

A Wunda Chair foi criada por Joseph Pilates que concebeu o equipamento a pensar num amigo que gostaria de ter um Reformer, mas que não tinha espaço no seu apartamento. O equipamento é na verdade uma espécie de poltrona (logo o nome de Chair) que se transforma num equipamento de Pilates quando deitada, tendo seu assento, removido.

Muitos dos exercícios do Reformer são adaptados para a Chair e muitos deles podem ser feitos em pé ou sentado.

Outra versão da história seria a de que Joseph Pilates teria observado manobras acrobáticas chinesas em uma “caixa”, que quando virada, transforma-se numa cadeira. E a base dessa história seria a preocupação de Pilates de como deveríamos sentar e deitar corretamente, e por isso, teria começado a pensar num mobiliário que fosse conhecido de uma coluna saudável.

Embora a cadeira tenha sido projetada há cerca de um século atrás, nos dias de hoje tem uma enorme popularidade nos studios de Pilates.

 A Chair possui um assento espaçoso com enchimento de espuma, pedais ligados a molas de diferentes tensões e estruturas de aço.

Comparativamente aos exercícios de solo, a cadeira oferece um treino diferente, nem mais fácil, nem tão pouco, mais difícil, funciona como um estimulo diferente, logo gerando sensações cinestésicas diversas.

Conclusão

Como profissionais do movimento é imprescindível que tenhamos domínio da Biomecânica do Método Pilates, pois só conhecendo a mecânica dos exercícios e dos equipamentos utilizados que iremos conquistar resultados mais objetivos e eficazes.

Nunca se esqueça, a falta de movimento sempre é curada com o movimento!

Sistema Nervoso Entérico: nosso segundo cérebro?

Sistema Nervoso Entérico: nosso segundo cérebro?

O trato gastrointestinal possui um sistema nervoso próprio, o sistema nervoso entérico (SNE), localizado em toda a parede intestinal, começando no esôfago e estendendo-se até o ânus.

Esse sistema possui uma complexa rede de neurônios, capazes de agir de forma independente com relação ao encéfalo, desempenhando uma função autonômica na liberação de substancias digestivas e nos movimentos peristálticos.

Esses neurônios intestinais, são capazes de produzir neurotransmissores importantíssimos para a regulação do trato gastrointestinal e também para a sensação de bem estar.

Podemos citar alguns deles: acetilcolina (excita a atividade gastrointestinal), noradrenalina (inibe a atividade gastrointestinal), além da dopamina e da farta produção de serotonina, neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem estar e prazer, mas também importantes para o bom funcionamento dos órgãos desse sistema.

Divisões do Sistema Nervoso Entérico

O sistema nervoso entérico é dividido em:

Plexo mioentérico

Disposto entre as camadas musculares no sentido longitudinal e circular, controlando quase todos os movimentos gastrointestinais, participando no controle da atividade muscular, aumentando assim o tônus da parede desse trato, a intensidade de contrações e a velocidade de condução das ondas excitatórias. 

Plexo submucoso

Localizado na camada submucosa do TGI, controlando a secreção gastrointestinal e o fluxo sanguíneo local. Esse plexo interage com os sinais sensoriais originados do epitélio gastrointestinal, auxiliando no controle da secreção intestinal local, na absorção local e na contração local do músculo submucoso.

Mesmo funcionando de uma forma independente de nervos extrínsecos, os plexos desse sistema também fazem interação com o sistema nervoso simpático e parassimpático, inibindo ou potencializando as funções gastrointestinais  

Sistema Nervoso Entérico e o Sistema Nervoso Central

A comunicação entre o sistema nervoso entérico e o sistema nervoso central acontece através do nervo vago, conhecido também como nervo pneumogástrico. É o décimo par de nervo craniano, misto e essencialmente visceral, que percorre o pescoço e o tórax, terminando no abdome.

É uma estrutura nervosa que desempenha funções reguladoras, associada também ao bem estar integral do nosso organismo. Uma vez atuando como uma ponte de comum icação entre os dois sistemas, central e entérico, fica claro entender que, estados de estresse podem causar desequilíbrios intestinais, afetando nossas emoções.

E, consequentemente, nosso comportamento, pois as células nervosa do intestino, assim como as do cérebro, produzem neurotransmissores que podem afetar nosso estado de humor. 

O nervo vago também informa ao sistema nervoso central quando comer e quando estamos saciados, ou quando esse mesmo conjunto de fibras nervosas oferece ao sistema nervoso central a sensação de prazer quando se consome o alimento que gostamos.

Sistema Nervoso Entérico e a Serotonina

A serotonina é um neurotransmissor responsável por várias funções corporais, e também desempenha funções no sistema gastrointestinal. Estudos revelam que 90% da serotonina encontrada no organismo vem do intestino.

Por ser um neurotransmissor ligado ao bem estar, níveis aumentados de estresse, podem levar a uma diminuição desse neurotransmissor, e uma vez que o sistema nervoso entérico é sensível a esses estados, gerará mudanças no organismo.

Sistema Nervoso Entérico e a Microbiota Intestinal

A Microbiota intestinal (flora intestinal) é um complexo de micro-organismos (bactérias) que vivem no trato gastrointestinal e ajudam no metabolismo da digestão, na absorção de vitaminas e ainda contribuem para fortalecer o sistema imunológico, mas que também podem provocar efeitos em determinadas áreas do nosso cérebro.

Em 2011 na Irlanda, cientistas realizaram um experimento com ratos e puderam comprovar que, a bactéria lactobacillus rhamnosus encontrada em iogurtes, eram capazes de alterar o comportamento desses ratos.

Os que foram alimentados com o iogurte contendo essa bactéria, tiveram o dobro de disposição para realizar o percurso dentro do labirinto e também ficaram mais relaxados, pois em exame de sangue foi possível analisar que eles tinham 50% menos corticosterona, uma substância ligada ao estresse, e uma melhora na porcentagem do GABA (ácido gama- aminobutirico) um neurotransmissor inibidor do sistema nervoso central, que ajuda a conter a ansiedade.

Desse experimento podemos concluir que, o sistema nervoso entérico, considerado nosso segundo cérebro, pode alterar os níveis de várias substâncias no nosso organismo através das células nervosas que são influenciadas por bactérias encontradas em vários alimentos e, que por sua vez podem influenciar o nosso sistema nervo central.

Como dito anteriormente, essa ponte de comunicação estabelecida entre esses dois sistemas, ocorre através do nervo vago, fato comprovado nesse experimento, pois os ratos analisados tiveram seu nervo vago cortado, e o iogurte contendo a bactéria lactobacillus rhamnosus, deixou de fazer efeito.

Um outro estudo realizado com seres humanos em 2013 na Califórnia, também foi possível comprovar que, as alterações causadas no sistema digestivo podem provocar alterações no sistema nervoso central.

Nesse estudo 36 voluntárias foram divididas em três grupos: primeiro grupo tomou um iogurte com quatro tipos de bactérias ao longo de um mês; o segundo grupo consumiu uma bebida com gosto de iogurte, mas que não continha as mesmas bactérias do primeiro grupo; e o terceiro grupo não consumiu nada, mantendo a dieta alimentar como de costume.

Através de exame de ressonância magnética, o cérebro das participantes foram analisados antes e depois do experimento, e o resultado foi revelador.

As bactérias ativaram algumas áreas do cérebro que processam sensações, emoções e funções cognitivas no nosso corpo: diminuição da atividade no lobo da insula (região ligada ao sistema límbico que desempenha algumas funções como, coordenar quaisquer emoções e também responsável pelo paladar) e diminuição da atividade na área do córtex somatossensorial (que processa sensações no corpo como tato, temperatura, dor e outros sentidos).

Além de aumento nas conexões entre a substância cinzenta periaquedutal (principal núcleo de controle na modulação da dor) e o córtex pré-frontal (região relacionada com o planejamento de comportamentos e pensamentos, expressão da personalidade, tomadas de decisões e modulação do comportamento social).  

Conclusão

Chamado de nosso “segundo cérebro” o sistema nervoso entérico vem desempenhando muitas funções além das quais concluíamos que fosse apenas o processo de digestão dos alimentos.

É um sistema independente, capaz de produzir neurotransmissores que atuam no sistema nervoso central através da comunicação estabelecida pelo nervo vago, e muito sensível a estados de estresse e emoções, capaz de regular inúmeras funções para manter o bem estar do nosso organismo. Portanto, o nosso “segundo cérebro” não pensa, mas sente. Cuidemos bem dele!

Tecido Fascial: Tudo o que você precisa saber sobre o assunto

Tecido Fascial: Tudo o que você precisa saber sobre o assunto

Quando falamos no tecido fascial o grande desafio para o profissional do movimento é sair do movimento mecânico, pois o mesmo não explica o conceito das fáscias.

Entendendo que a resposta é neural, ou seja, a partir do sistema nervoso autônomo, e não pelas propriedades mecânicas do tecido conjuntivo.

Quer saber mais sobre o assunto? Continue lendo!

No que consiste o trabalho fascial

O objetivo do trabalho fascial é favorecer a transmissão de tensão e não alongar, isto só poderá ser realizado através do toque mínimo, límbico, gerando resultados mais rápidos, devemos fugir do estímulo viscoelastico.

Porque esse princípio, gerara ganho de flexibilidade momentâneo, porém ele se perderá ao longo de pouco tempo. Quando alongamos algum músculo do corpo, estamos trabalhando na resposta aferência e eferência com as fáscias. Mais profundamente a fáscia profunda e epimisal.

Estudos de anatomia, de Stecco dizem que a maior parte dos tendões do corpo são inseridos para transmitir tensão, 40% do tendão do bíceps não insere na cabeça do rádio, saindo do conceito que tendão somente está ligado ao osso, este tendão está inserido na fáscia antibraquial anterior que é tecido fascial e não ósseo.

Parte dos tendões do corpo seguem este conceito, chamado de bandas fasciais (massetosfibrossos) para transferência de tensão do bíceps para a mão e vice e versa. A fáscia e contínua, ela continua por todo o corpo.

O princípio da fáscia e a Biotensegridade, onde a matriz extracelular a todo momento está em tensão ativa na fáscia e não no músculo, como pensávamos anteriormente, ela se comporta de forma dinâmica e adapta o indivíduo o tempo todo para aumentar as chances de sobrevivência com o máximo de economia energética. A isto damos o nome de tônus miofascial, que é o somatório das forcas ativas, mais passivas do corpo.

Os estudos de Guimbertau

Em estudos um médico francês e osteopata chamado Jean Claude Guimbertau, com indivíduos vivos e anestesiados, observou a fáscia viva e seu comportamento, concluindo que a fáscia não segue um padrão linear, cartesiano, newtoniano, quando colocado no tecido vivo e realiza o movimento, pesquisado em nível microscópico, ela se remodela conforme a necessidade/ tensão do sistema, a biotensegridade.

Após os estudos de Guimbertau uma janela se abriu, perante conceitos que quebram drasticamente vários paradigmas anteriores.

O tecido conjuntivo é composto por células e sua matriz extracelular. Presente em todas as células e tecido fascial do corpo, sendo um tecido de conexão.

O que mantém esta tensão e a manutenção da Biotensegridade é a dinâmica dos líquidos, que são os componentes das células de musculatura lisa soltas na matriz extracelular e água, esta matriz liga todo o corpo a maioria dos receptores neurais do corpo, células modificadas que mandam informações por axônios, as aferências sobem informando o corpo como ele está.

Nas células existem dois pontos os fibroblastos, miofibroblastos, osteoblastos, condroblastos, condroclastos. Separadas por células fixas e células móveis.

As células móveis têm liberdade de transitar neste rio que é o tecido conjuntivo. Estes líquidos vão para todo o corpo, são células do sistema imunológico. Havendo um bom fluxo da matriz extracelular em especial os líquidos do tecido linfático e do tecido conjuntivo, temos uma boa chegada das células de defesa do corpo.

Já na matriz extra celular, não temos células, temos água, a famosa substancia fundamental Amorfa (não tem forma é líquido), em conjunto com o ácido hialurônico que é um, glicosamino, proteoglicano e glicosaminoglicano não sulfatado.

Ele tem a propriedade de atrair água para o tecido fascial, porém com a aglomeração de várias de moléculas de acido hialurônico, formando várias macromoléculas, acontecendo a diminuição dos fluidos e tensão do todo sistema (densificação).

Manobra de Creeping

Stecco e colaboradores, em seu método diante uma densificação no tecido, geramos um processo inflamatório local, quebrando assim, as grandes moléculas de ácido hialurônico, melhorando a transmissão de tensão da matriz extracelular.

A esta manobra dá-se o nome de Creeping que age na matriz extracelular, quebrando assim, as grandes moléculas. Este processo inflamatório será tratado pelo movimento.

Na matriz temos ainda proteínas estruturais que são o colágeno, em maior abundância, além da reticulina e a elastina.

Para dor aguda tem que se mexer, subaguda mexer ainda mais e para dor crônica movimentar é fundamental, a dor é multifatorial e o movimento é essencial para esta questão multifatorial.

OS riscos da falta de mobilidade

A falta de mobilidade deixa o corpo doente. Quem remodela colágeno no corpo é o movimento. A célula que produz o colágeno são os fibroblastos, o colágeno tem uma vida útil, em média de 300 dias no corpo, o movimento, a tensão ou não produz o colágeno. Automaticamente ele é destruído ou renovado.

O fibroblasto produz tudo o que a matriz extra celular precisa.

O Colágeno, a proteína mais importante do corpo representa 60% a 70 % da massa total do tecido conjuntivo, cerca de 25% a 30% de massa total de proteínas dos mamíferos, eles são remodelados e são produzidos através de tensão e quem os produz são os fibroblastos.

O colágeno se dispõe na matriz extracelular de forma ondulada e na prática é preciso realizar a pré tensão (leve estiramento) para ativar a fáscia, ativar os mecanorreceptores. 30% das fibras se renovam com 6 meses e 75% das fibras tem uma renovação total em 2 anos.

A Dor Lombar

Paul Hodges, criador da estabilização segmentar, visão mecânica e rotulador, hoje já se respeita a visão multisistemica. Em um dos estudos verificou a alteração no córtex frontal, quem tem dor lombar e alteração no padrão do movimento.

Pessoas com dor lombar não acontece a antecipação do movimento, ativação do transverso e do multifídeo. Existe a reprogramação do córtex frontal, o principal responsável pelo movimento.

Constatou se em pesquisa que o corpo precisa de movimento e não bloqueio ou isolamento muscular. Entendendo que o corpo é uma unidade. Pessoas com alteração crônica, tem problemas em mais de um sistema.

Quando os fibroblastos são tensionados/esticados, eles são multiplicados por mitoses e quando comprimidos sofrem apoptoses, eles morrem, estudos em vivos comprovam este achado.

Parte Citológica

Na parte citológica, nós temos os microtúbulos rígidos que não tem contato, um com outro e que são ligados por cadeias flexíveis que geram tensão, são filamentos proteicos contráteis, são os microfilamentos, proteínas com poder de contração com comunicação com os microtúbulos que transmitem um campo eletromagnético dentro da célula, também existem os filamentos intermediários e os miofilamentos de actina. Este conjunto é o citoesqueleto celular. O comportamento celular se dá de forma igual ao meio extracelular.

Temos uma célula, um meio extracelular onde estão os colágenos e na membrana celular, temos uma proteína chamada Integrina, ela capta tensão do meio extracelular, dos fibroblastos, miofibroblastos e células de musculatura lisa, que ficam soltas na matriz extracelular, contrai e tensiona o colágeno.

Este colágeno chega na integrina, quando ela recebe o estímulo de aumentar tensão ela abre a membrana e deixa entrar cálcio dentro da célula.

Este mecanismo chamado de mecanotransdução, e gerado por uma tensão mecânica é alterado o componente químico por conta da entrada de cálcio, logo os miofilamenos contrateis dentro da célula, atingindo o núcleo celular e está tensão celular que faz o DNA produzir tudo que o meio extra celular está precisando, como por exemplo, colágeno para o movimento.

Se for alterado a tensão extracelular, tensão passiva de repouso (tônus miofascial), altera-se a tensão que chega dentro do núcleo, alterando toda a programação do DNA da célula. Esta ciência chama-se epigenética.

Alterações comportamentais as formas das tensões do corpo que vão alterar a tensão que chegam ano núcleo celular remodelando todo o meu sistema.

Conclusão

A cada dia, novas pesquisas, destroem antigos conceitos e nos comprova que a importância do tecido fascial e muito maior do que imaginávamos.

Método McKenzie: diagnóstico e tratamento dos desequilíbrios mecânicos

Método McKenzie: diagnóstico e tratamento dos desequilíbrios mecânicos

O movimento faz parte da vida do ser humano desde sempre. Quando observamos um recém-nascido, percebemos que existe um contínuo e harmonioso movimento entre braços e pernas.

Expressando o quanto aquele pequeno ser está saudável e pronto para iniciar a vida fora do útero materno.

Crescemos, nos tornamos adultos e a vida moderna nos impõe um estilo de vida que gera bloqueios e limites para essa mobilidade, outrora tão natural.

Permanecemos em posturas estáticas flexoras muitas horas ao longo de nossa existência. Comemos, estudamos, trabalhamos e nos divertimos, na maioria das vezes, sentados. Esse excesso de postura flexora, pode ser uma das causas de dor lombar.

Neste texto você vai encontrar:

  • Relação entre má postura e dores nas costas
  • Como a má postura afeta estruturas do corpo
  • Métodos utilizados como tratamento
  • O que é o Método McKenzie?
  • No que se baseia o Método McKenzie

Que tal saber mais sobre o Método McKenzie? De definição à como utilizar no tratamento? Continue lendo para saber mais!

Relação entre má postura e dores nas costas

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a dor nas costas é uma queixa de aproximadamente 80% da população mundial.

A postura ruim de sentar e a frequência de flexão foram identificados por McKenzie (2016) como fatores do estilo de vida que predispõem a dor lombar.

A posição sentada-relaxada causa um estiramento excessivo das estruturas ligamentares posteriores da coluna.

Quanto mais a coluna lombar se aproxima da cifose, maior é a pressão intradiscal. E, quanto mais se aproxima da lordose, menor é essa pressão.

O segundo fator ocorre devido as pessoas, desde o levantar pela manhã até voltar para a cama à noite, estarem predominantemente nas posturas e atividades fletidas da coluna e raramente estendidas.

Como a má postura afeta estruturas do corpo

Com isso, várias estruturas inervadas podem ser afetadas, podendo se constituir em fontes de dor. Dentre elas podemos citar:

  • As cápsulas das articulações apofisárias e sacro-ilíacas;
  • A parte mais externa dos discos intervertebrais,;
  • Os ligamentos interespinhosos e longitudinais;
  • Os corpos vertebrais;
  • A dura mater;
  • A capa da raiz nervosa;
  • O tecido conectivo dos nervos;
  • Os vasos sanguíneos do canal medular,
  • Os músculos locais.

No momento em que a dor na coluna se instala, todo o processo de compensações e adaptações musculoesqueléticas já aconteceu. Porém, quando a dor chega é que existe a percepção de que algo está errado.

Nesse instante, todos os neurotransmissores do sinal doloroso são acionados e, ao mínimo movimento, a dor pode ser intensificada.

Por muitos anos foi enfatizado que alguém com dor na coluna não podia se mexer, pois se mexesse, pioraria. Foi ensinado pelos pais e avós que o melhor a fazer seria tomar remédio (analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares) e repousar.

Em alguns casos de dor lombar aguda, pode ser necessário algum repouso – que seria reduzir atividades de sobrecarga. Porém, não existe respaldo na literatura que o repouso que se prolongue além de dois dias, traga maiores benefícios.

Através de pesquisas da neurociência e da biomecânica, este procedimento é equivocado. Tirar totalmente o movimento da coluna vertebral em episódios de dor mecânica pode trazer complicações.

Atualmente, o paciente com dor mecânica agudizada pode ser tratado através do movimento. Pois, desta forma, o corpo é estimulado a reencontrar o caminho para liberar os bloqueios fasciais, musculares e articulares.

Nosso corpo é um complexo organismo que integra vários sistemas. A alteração ou desequilíbrio de um único aspecto gera consequências para todo o corpo.

Daí a importância de se tratar esse corpo com Métodos e Técnicas Globais (MAH, Osteopatia, Pilates, McKenzie, etc), para que haja uma reintegração o mais rápido possível.

Métodos utilizados como tratamento

Métodos Abdominal Hipopressivo

O MAH (Método Abdominal Hipopressivo), estimula o indivíduo a enfrentar os desconfortos iniciais de uma postura em isometria e apneias respiratórias.

Isso, para que ele possa liberar a dopamina após alguns minutos de prática do método, e assim, usufruir de todos os aspectos positivos de um equilíbrio das pressões intracavitárias.

Osteopatia

Já a Osteopatia estimula o corpo a buscar sua autocura através do equilíbrio entre estrutura e função.

Pilates

No Pilates, através de exercícios de fortalecimento, alongamento e respiração, o aluno mobiliza todo seu corpo adquirindo tônus e força muscular equilibrado.

Método McKenzie

Outro Método de tratamento, é o Método McKenzie (MDT) que tem como objetivo a autonomia do paciente, para que através de exercícios repetidos, ele encontre o movimento na direção correta para reequilibrar seu corpo.

Nesse artigo quero enfatizar como o Método McKenzie utiliza o movimento para diagnosticar e tratar os desequilíbrios mecânicos.

O que é o Método McKenzie?

Este método foi criado nos meados da década de sessenta pelo fisioterapeuta neozelandês Robin McKenzie (criador do Método McKenzie de Diagnóstico e Tratamentol), também conhecido como MDT (Mechanical Diagnosis and Therapy).

Ele afirma que se o movimento for aplicado na direção e intensidade certa pode ser terapêutico no tratamento e controle desse tipo de dor na coluna.

o Método McKenzie ganhou notoriedade mundial exatamente por essa proposta. McKenzie desenvolveu um sistema de classificação que pode ser aplicado a todos os problemas musculoesqueléticos da coluna e extremidades.

O grande diferencial desse Método é gerar a autonomia do paciente. A partir de uma avaliação minuciosa, são prescritos exercícios específicos para que o próprio paciente execute-os diariamente. Visando o reequilíbrio e autocura.

O paciente é ensinado a libertar-se da Cinesiofobia (o medo de se movimentar). Ele é estimulado a assumir o controle do seu corpo e a não ficar na dependência de remédios ou médicos para curar essa dor. Alcançando a tão almejada autonomia.

No que se baseia o Método McKenzie

O Método McKenzie está baseado nas respostas sintomáticas e mecânicas do paciente a vários movimentos repetidos ou forças de cargas estáticas.

Durante a avaliação mecânica, ele permite a classificação dos pacientes em categorias específicas que orientam o tratamento.

Ao invés de procurar fazer um diagnóstico específico do tecido (identificação de uma doença através dos seus sinais e sintomas), o sistema McKenzie concentra-se na identificação de síndromes.

Uma síndrome é um grupo característico de sintomas e um padrão de resposta característico de um problema particular, ou seja, cada pessoa será avaliada e tratada – não de acordo com exames de imagem ou laboratoriais -, mas com o que relata sentir e tudo que o corpo dela falar durante a avaliação.

É fundamental que o paciente saiba o que fazer quando a dor chegar, pois existe uma natureza recorrente na dor lombar.

Um estudo realizado no Reino Unido por Crofit (1998) descobriu que, um ano após a primeira crise de dor lombar aguda, 50% dos pacientes ainda reclamavam de sintomas intermitentes ou persistentes que interferiam em suas atividades rotineiras ou profissionais.

Um outro estudo, publicado por Enthoven, Skargren e Oberg (2004), acompanhou pacientes durante cinco anos após a primeira crise de dor lombar aguda e mostrou, pela primeira vez, que um grande número de pacientes continuou a apresentar problemas significantes: 50% haviam desenvolvido dores crônicas, reduzindo sua qualidade de vida.

Se faz necessário que, o mais rápido possível, seja restaurado o movimento desse corpo, pois quanto maior for o tempo de permanência do bloqueio da mobilidade, as alterações sistêmicas cronificam.

Nosso corpo se mantém em equilíbrio através de todo um complexo sistema de tensegridade (combinação de tensão com integridade). Mantido através da homeostase da rede fascial, das pressões intracavitárias e de toda interação entre os sistemas internos e musculoesquelético (Schleip, 2012).

A fáscia que reveste todos os tecidos do corpo é rica em fibroblastos, que são células com a capacidade de produzir colágeno, citoquinas (células do sistema imune), e carboidratos complexos que vão fazer parte da substância fundamental.

Os fibroblastos respondem a tensão mecânica e são influenciados pela direção do movimento, ou seja, a direção do movimento vai reverberar diretamente na produção desse colágeno, gerando a remodelação tecidual necessária para aquela região do corpo. (Lesondak, 2017).

Conclusão

Portanto, reafirmo a imprescindível necessidade da restauração do movimento em toda sua amplitude, para que o sistema corporal possa resgatar sua homeostase, e o indivíduo sua autonomia.

A ciência mundial se voltou para respaldar a importância do movimento na vida do ser humano, reintegre o movimento ao seu corpo e mude sua vida.

Bibliografia
McKenzie, Robin. Trate você mesmo sua coluna. 4ª Ed. Belo Horizonte: TTMT; 2016. Schleip, R., Findley, T.W., Chaitow, L., Huijing, P. (Eds.), 2012a. Fascia: The
Tensional Network of the Human Body. The Science and Clinical Applications in
Manual and Movement Therapies. Churchill Livingstone, Edinburgh.
Lesondak, David. Fascia: What it is and why it Matters. Ed. Ilustrada. Handspring Publishing Limited; 2017
Croft PR, MacFarlane GJ, Papageorgiou AC, Thomas E, Silman AJ. (1998) Outcome of low back pain em general practice: a prospect study. (Incidência da dor lombar na clínica geral: Estudo prospectivo) BMJ.316.1356-1359.
Enthoven P, Skargren E, Oberg B. (2004) Clinical Course in Patients Seeking Primary Care for Back and neck pain. (Trajetória clínica de pacientes que buscam o primeiro auxilio para dor na coluna e no pescoço) Spine 29.21.
A Importância dos Dermátomos para o diagnóstico de Hérnica Discal

A Importância dos Dermátomos para o diagnóstico de Hérnica Discal

Impossível falar da região cervical sem citar sua ligação neurológica que também deverá ser avaliada caso o aluno apresente alterações de sensibilidade, típicas em herniações.

Com relação às alterações neurológicas geradas por hérnias cervicais de C5 até T1, os sintomas se manifestarão por meio do plexo braquial, que inerva todo o membro superior, segue a distribuição sensitiva do plexo braquial e de todos os dermátomos corporais.

Os dermátomos são as regiões da pele inervadas pelos diferentes pares de nervos que emergem da coluna vertebral. Portanto, existem 31 pares diferentes de nervos e, por conseguinte, também 31 dermátomos espalhados por todo o corpo:

  • Membros inferiores: contêm as regiões inervadas pelos nervos mais baixos, de L1 a S1;
  • Membros superiores: são inervados pelos nervos de C3 a T1;
  • Tórax: são as regiões enervadas por nervos de T2 a T12;
  • Rosto e cervical: são especialmente inervados pelo nervo trigêmeo de C1, mas também possuem inervação de C2.

Os dermátomos são utilizados para identificar a presença de alterações ou compressões na medula, pois, caso surjam alterações anormais na pele, é mais fácil identificar qual o local da medula em que pode estar o problema, de acordo com a região da pele afetada.

A figura abaixo mostra a distribuição dos dermátomos que indicará as verdadeiras hérnias de disco.

Entenda como se dá o funcionamento da bexiga

Entenda como se dá o funcionamento da bexiga

Segurar o xixi não é legal. Se você cresceu ouvindo sua mãe dizer que não deve segurar o xixi por muito tempo, saiba que ela estava certa!

E essa recomendação tem fundamento fisiológico, segurar a urina por muito tempo aumentam as chances de ter uma infecção urinária e de desenvolver uma incontinência urinária. Isso sem contar dos famosos cálculos renais, as nada bem vindas pedras nos rins!

Se fôssemos contar, o ideal seria irmos ao banheiro pelo menos seis vezes por dia. Esse esvaziamento permite que a bexiga não se sobrecarregue, por isso que não devemos prender o xixi. Continue lendo para saber mais!

Funcionamento da Bexiga

Nossa bexiga é um órgão muscular elástico e oco, que faz parte do aparelho urinário. Ela fica na parte inferior do abdômen, na sínfise púbica, mas muda de posição em corpos femininos e masculinos. Nos homens, situa-se logo à frente do reto, e nas mulheres, à frente da vagina e abaixo do útero.

É o órgão responsável por produzir, armazenar e eliminar a urina, a capacidade de armazenamento é de aproximadamente 400 a 500 ml para os homens e para as mulheres até 450ml. Sendo assim, ela se enche a cada três horas e deve ser esvaziada em quatro horas.

A capacidade de encher, armazenar e de esvaziar completamente a urina envolve várias etapas. Começa logo cedo, já no desfraldamento infantil.

Anatomia da bexiga

O processo de controlar a urina conscientemente e ou inconsciente pode parecer simples, mas envolve um esforço do Sistema Nervoso. O mecanismo de continência urinária possui um complexo de controle em vários níveis (JUC R.U., 2011).

O reflexo de fazer xixi é feito por neurotransmissores, é o processo miccional presente no funcionamento da bexiga. Ela recebe estímulos do Sistema Nervoso Central (SN), é dividida anatomicamente em quatro partes:

  • Superior (inferolaterais  e posterior – base);
  • Ápice da bexiga (ligamento umbilical mediano);
  • Colo vesical (faces inferolaterais, meato interno da uretra);
  • Corpo vesical (ápice-base) (GOMES M.C. 2011).

O Colo Vesical é a região do canal uretralmenos móvel, três ligamentos auxiliam na fixação:

  • Puboprostático medial (pubovesical medial, na mulher);
  • Puboprostático lateral (pubovesicallateral, na mulher);
  • Lateral da bexiga.

Outros ligamentos coadjuvantes são o Umbilical mediano e os Umbilicais mediais – que exercem a função antagônica ao corpo vesical.

O Corpo Vesical é praticamente toda musculatura da bexiga que chamamos de musculatura detrusora. Dentro da bexiga há uma um tecido que reveste-a, chamada de membrana mucosa.

Já o trígono da bexiga fica na região infero-posteriormente desta víscera. Neste trígono a túnica mucosa (o tecido epitelial) é sempre lisa, mesmo quando a bexiga está vazia, porque a túnica mucosa sobre o trígono é firmemente aderida à túnica muscular adjacente.

Papel do Sistema Nervoso

O funcionamento da bexiga é coordenado em diferentes níveis do sistema nervoso central (SNC), o simpático e o parassimpático.

Quando acionado o Sistema Nervoso Simpático (SNS) relaxamos o detrusor da bexiga (músculo liso da parede da bexiga) e enchemos a bexiga, a contração do detrusor só ocorre durante o ato de fazer xixi, pois é um músculo liso, ou seja, sua contração é involuntária.

Quando acionado a função do Sistema Nervoso Parassimpático (SNP) o músculo detrusor se contrai acionamos o ato de expelir a urina, contraindo o Trígono dando-se o início a micção.

A continência se dá pela perfeita função e coordenação da musculatura do períneo e da bexiga na fase de enchimento e esvaziamento.

A musculatura do períneo tem o papel de suportar os aumentos da pressão intra-abdominal e manter o posicionamento ideal para nossos órgãos pélvicos e manter a continência.

E para ter um controle consciente do sistema urinário, o assoalho pélvico merece atenção especial. Uma das formas de tratamento é a atividade física, o exercício físico especializado nesse processo evita disfunções e lesões.

Tratamento das disfunções urinárias

Uma das formas de tratamento começa com uma boa avaliação. Um profissional qualificado pode auxiliar a evitar um desiquilíbrio futuro, como o mau funcionamento da bexiga e dos órgãos pélvicos.

Muitas mulheres que praticam atividade física diariamente não sabem a importância de ter uma musculatura do assoalho pélvico (MAP) competente.

Algumas relacionam um abdômen forte a um assoalho pélvico forte também, mas na maioria das vezes o que ocorre é o inverso, exercícios abdominais aumentam a pressão sobre a bexiga e o períneo.

A pessoa que não tem a consciência e tem uma propensão de ter uma musculatura perineal enfraquecida, quando faz uma pressão constante sobre a bexiga pode causar uma incontinência urinária.

A perda de urina começa com gotejo e aos poucos pode evoluir, devido à sobrecarga e aumento da pressão intra-abdominal, a fraqueza muscular do assoalho pélvico pode aumentar e provocar grandes escapes.

Para resolver a questão com sucesso, existem atendimentos especializados, como fisioterapia pélvica que propõe tratamentos e reabilitação da bexiga com exercícios corretos para o assoalho pélvico, e para toda área que abriga os órgãos da parte inferior do abdômen.

Conclusão

A região do assoalho pélvico influencia as funções urinárias, digestivas e também reprodutoras.

Saber controlar seu corpo e sua mente de forma consciente exige treinamento com conectividade já que o nosso corpo trabalha em sinergia, quando estão equilibradas as disfunções desaparecem.


Este texto foi escrito por Manuele Pimentel Gomes

  • Bacharel em Fisioterapia – Universidade de Cruz Alta
  • Formação em Pilates Equipe Ivanna Henn
  • Formação em Neo Pilates Instituto Amanda Braz
  • Especialização Fase I e II CORE 360º
  • Curso de Pilates Avançado na Gestação
  • Curso de Pilates Avançado Modulo I e II
  • Curso de Formação Pilates Mamy Baby e Sling
  • Pós-Graduação Fisiologia do Exercício – UNINTER
  • Formação no Método Abdominal Hipopressivo – MAH
  • Curso Cadeias Musculares Janaina Cintas
  • Fisioterapia Aplicada á Saúde da Mulher Obstetrícia e Uroginecologia
  • Instrutora Master do MAH
  • Formação em MIT
Referências
JUC R.U.; COLOMBARI E.; SATO M.A. – IMPORTÂNCIA DO SISTEMA NERVOSO NO CONTROLEDA MICÇÃO E ARMAZENAMENTO URINÁRIO,
Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde, v.36, n.1, p. 55-60, Jan./Abr. 2011.
GOMES M.C.; HISANO M. – ANATOMIA E FISIOLOGIA DA MICÇÃO, Urologia Fundamental – CAPÍTULO 2., 2011.
BLOK BFM. CENTRAL PATHWAYS CONTROLLING MICTURATION AND URINARY CONTINENCE. Urology. 2002.