3 Leis Ergonômicas aplicadas à Biomecânica do Pilates

3 Leis Ergonômicas aplicadas à Biomecânica do Pilates

As leis ergonômicas são aplicadas em diversos ramos de atividade para conseguir melhoras. Na indústria, por exemplo, elas ajudam a diminuir a incidência de acidentes de trabalho e lesões por atividades laborais, além de gerar um aumento da produtividade. No escritório, servem para manter trabalhadores focados e confortáveis. Então, por que não podemos utilizá-las no Pilates?

Continue lendo esse artigo para aprender 3 leis ergonômicas e como elas têm tudo a ver com o Pilates. Uma dica rápida: Joseph Pilates, o criador do Método, já sabia disse, então não existe motivo para ignorar esse conhecimento.

O que Joseph Pilates tem a ver com Ergonomia?
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Sabemos que Joseph Pilates teve uma visão inovadora para sua época que permanece relevante até os dias de hoje. Considerando esse seu imenso conhecimento, ele não poderia ter ignorado fatores tão importantes como as leis ergonômicas. Realmente, Joseph aplicou tais princípios em especial na criação de seus equipamentos.

Encontramos um exemplo claro no Universal Reformer. O equipamento foi criado com a intenção de reformar todo o corpo e possibilitar a realização de todos os movimentos. Por isso, Pilates precisou considerar a anatomia e biomecânica do corpo humano. Ele precisava de um equipamento que, além de deixar o indivíduo realizar uma variedade de movimentos, também o ajudasse a melhorá-los.

Na sua concepção, a carga era um elemento essencial. Movimentos feitos com carga externa seriam um tipo de preparação para o corpo. Assim que a carga fosse retirada, esse corpo teria movimentos mais eficientes e harmoniosos, ou seja, com menos incidência de lesão.

A Eficiência das Molas

Ao contrário de outras atividades físicas, Pilates foi genial a ponto de desenvolver uma nova maneira de aplicar carga: as molas. As encontramos em diversos dos seus equipamentos, como o Cadillac, mas especialmente no Reformer. O conceito de molas é muito valioso para o Pilates por conta de sua eficiência.

Se Joseph Pilates precisou das leis ergonômicas para desenvolver seus equipamentos, por que podemos ignorá-las para aplicar uma aula de Pilates? Agora entenderemos como essas leis se relacionam ao Pilates e como melhorar as sessões com seu uso.

Tríade Básica da Ergonomia

As principais leis ergonômicas são conhecidas como tríade básica da ergonomia. Elas são: segurança, conforto e eficiência. Considere que a ergonomia surgiu do desejo do ser humano de diminuir o esforço físico e mental para a realização de certas tarefas. Portanto, esses princípios ergonômicos são utilizados em objetos e ferramentas do dia a dia para proporcionar maior bem-estar ao indivíduo.

Para entender melhor como essa tríade é importante para o Pilates, podemos ver outros exemplos da sua utilização. Nas duas Guerras Mundiais, a ergonomia ganhou importância para a fabricação de equipamentos de guerra. Existia uma grande dificuldade de fabricar equipamentos, veículos, armas e outros produtos bélicos adaptados às necessidades dos soldados.

Foi necessário aplicar essas Leis Ergonômicas para conseguir adaptá-los aos variados tipos de corpo de soldados de cada país. Ainda hoje utiliza-se a ergonomia para fabricar-se cadeiras, veículos e móveis capazes de garantir conforto e qualidade de trabalho para os indivíduos.

Leis Corporais do Pilates

No Pilates, a ergonomia é essencial na adaptação dos equipamentos e exercícios aos variados tipos de corpo, lesão e patologias encontradas na prática. Além disso, conseguimos relacionar a Tríade Básica da Ergonomia às Três Leis Corporais que usamos no Pilates.

  • Lei do conforto = conforto: A presença de um desconforto (dor) demonstra sempre um desequilíbrio do corpo ou da atividade, que deve ser investigado e tratado, para que este corpo volte a trabalhar no equilíbrio, logo no seu conforto.
  • Lei do equilíbrio = segurança: Um corpo em equilíbrio gera segurança para realização de uma atividade, enquanto uma atividade segura mantém o equilíbrio corporal.
  • Lei da economia = eficiência: Um trabalho corporal eficiente utilizará de toda sua energia potencial para gerar energia cinética, evitando sobrecargas em áreas e/ou regiões específicas.

Ou seja, as leis ergonômicas estão de acordo com princípios utilizados na prática do Pilates. Precisamos aproveitar isso a nosso favor.

Como as Leis Ergonômicas são aplicadas ao Pilates?

Além de relacionar a tríade básica da ergonomia às leis que regem o corpo, também conseguimos aplicar outras leis ergonômicas ao Pilates.

De acordo com a ergonomia, o corpo humano deve trabalhar numa posição neutra que forneça menor tensão muscular em geral, além de garantir o melhor ponto de equilíbrio. Consideramos essa lei ao adequar o posicionamento de nosso aluno em todos os exercícios de Pilates. Sempre ouvimos falar em coluna neutra durante a execução de exercícios de Pilates. A ergonomia apoia e fundamenta isso através dessa lei.

As leis ergonômicas também falam a respeito da postura ideal que o indivíduo deve adotar durante sua atividade de trabalho ou lazer. Elas enfatizam a necessidade de existir flexibilidade no corpo para evitar sobrecarga durante a realização de diversas atividades.

Os princípios ergonômicos procuram uma adaptação do ambiente e do corpo para manter a qualidade de vida do trabalhador. Isso não se desvia do Pilates, pelo contrário, encontramos grande apoio neles para nossa aula. Os corpos que encontramos são sempre diferentes e precisam de adaptações únicas, seja nos exercícios ou no próprio uso de equipamentos.

Lembre-se que, quando os criou, Joseph Pilates já levou as leis ergonômicas em consideração. Portanto, seus equipamentos podem ser adaptados para qualquer porte físico de acordo com a necessidade.

Aplicação dos tipos de ergonomia em nossa aula

A ergonomia é dividida em alguns tipos, que são:

  • Ergonomia Física: estuda as reações do corpo humano as cargas físicas. Exemplos: a manipulação de materiais, o arranjo físico de estações de trabalho, as demandas do trabalho como repetição, vibração, força e postura estática.
  • Ergonomia Cognitiva: se preocupa com os processos mentais, tais como: percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, incluindo carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, e o erro humano.
  • Ergonomia Organizacional: esta analisa a estrutura organizacional, as políticas e os processos do trabalho. Neste item estão inclusos o trabalho em turnos, a hierarquia organizacional, o trabalho em equipe, a teoria motivacional, a ética profissional e o trabalho a distância.

Sabe como deixar sua aula de Pilates muito mais completa e eficiente? Basta utilizar esses três tipos de ergonomia no planejamento. Conseguimos aplicá-los em todas as áreas da aula, incluindo:

  • A designação da carga de cada exercício;
  • Posicionamento correto das molas para cada biótipo (ergonomia física);
  • Sequência de execução e metodologia do método (ergonomia organizacional);
  • Orientação do aluno para manter-se concentrado durante o exercício (ergonomia cognitiva).

Conclusão

Percebeu o quanto as Leis Ergonômicas contribuem para o bem-estar da população? Unindo elas ao Método Pilates, podemos proporcionar resultados incríveis aos nossos alunos!

Como acontece a Estabilização da Sacroilíaca?

Como acontece a Estabilização da Sacroilíaca?

A sacroilíaca possui a localização ideal para dividir o corpo em duas partes: a superior e inferior. Por sua localização, ela também realiza transferência de cargas do tronco para o chão, do chão para o tronco e força igual e contrária devolvida pelo solo durante o apoio dos pés no chão.

Exposta a tantas forças, como a sacroilíaca permanece estável? É exatamente isso que aprenderemos ao longo desse artigo.

A estrutura da sacroilíaca

Os vetores de força que passam por essa articulação são paralelos, mas não na mesma direção e eixo. Eles descem através do peso do tronco e da cabeça, jogando-os de forma vertical até o sacro.

Através dessa atuação geramos também uma força descendente e outra ascendente que são responsáveis pelo cisalhamento da articulação sacroilíaca.

O sacro não é um elemento estável da articulação, por isso ele precisa da presença dos ligamentos sacroilíacos posteriores e anteriores. Para entendermos melhor, podemos ver o sacro como uma ponte suspensa. Os ligamentos seriam cabos de aço responsáveis por sua sustentação e estabilização que precisam ser muito fortes.

Além dos ligamentos sacroilíacos anteriores e posteriores também existem outras estruturas de estabilização do sacro, mais especificamente os ligamentos interósseos. Esse é um ligamento interno, o ligamento posterior mais profundo.

Em geral, danos causados ao ligamento interósseo não prejudica a estabilidade da sacroilíaca. Considerando o papel dos ligamentos na articulação, fica uma questão importante: como então acontece a estabilização considerando as forças na sacroilíaca?

Uma parte importante da estabilização da articulação acontece pela atividade muscular, em especial dos músculos transversais. Eles realizam uma compressão nessa articulação, auxiliando a estabilizá-la. Assim, devemos considerar o papel do transverso abdominal e do assoalho pélvico na articulação.

Como funciona a estabilização da sacroilíaca

Durante o apoio bipodal do corpo o peso é distribuído igualmente em cada perna. Assim, temos uma divisão de 50/50 para cada membro inferior. Ao realizar um apoio monopodálico, transferimos toda a carga para uma única perna.

Ou seja, temos o dobro da carga somente em uma das articulações sacroilíacas. Apesar disso, articulações em seu funcionamento fisiológico não perdem a estabilidade.

Para garantir que a estabilidade permaneça, mesmo com as mudanças de carga, acontece um ajuste postural antecipatório. É uma pré-contração muscular para realizar o aumento da pressão intra-abdominal para manter o ajuste postural.

Durante o apoio monopodal, o corpo realiza a mesma alteração postural para aumentar a pressão intra-abdominal. Essa ativação ocorre com o objetivo de diminuir o cisalhamento e melhorar a estabilização da sacroilíaca.

O aumento da pressão intra-abdominal para ativamento muscular é um tipo de círculo vicioso. Os músculos envolvidos na estabilização da sacroilíaca são ativados e ao mesmo tempo influenciam a pressão intracavitária, aumentando-a.

Esse aumento de pressão aumenta ainda mais a ativação muscular. Esse círculo vicioso é bastante importante para a estabilização.

Aumento da pressão intra abdominal

Calma, não saí completamente do assunto do artigo para falar de pressão intra-abdominal. Ela está completamente relacionada! Acontece uma relação dinâmica entre a contração muscular e o aumento da PIA.

A PIA faz com que as fibras musculares permaneçam estiradas criando um reflexo miotático nos fusos neuromusculares de estiramento, de forma a contrair ininterruptamente esses músculos que são tônicos.

Precisamos entender essa relação porque muitas vezes é a contração muscular que aumenta a pressão intracavitária. Ou seja, o aumento da PIA aumenta a contração que por sua vez aumenta a própria PIA.

Ok, entendemos que os músculos que realizam a estabilização da sacroilíaca se contraem aumentando a PIA. Essa pressão aumentada alimenta o mecanismo, criando uma contração transversal no transverso abdominal e no assoalho pélvico.

Ao comprimir-se, o assoalho pélvico previne o cisalhamento vertical da sacroilíaca, que aconteceria por causa da distribuição de forças nessa articulação. Nessa compressão do transverso e do períneo podemos incluir as seguintes musculaturas:

  • Obturador
  • Piriforme
  • Gêmeo
  • Quadrado Femural

Essas musculaturas também se contraem para coaptar a articulação. O transverso contribui para a estabilização da sacroilíaca com suas fibras transversais. Apesar de não ter fibras que são completamente transversais, o assoalho pélvico tem o mesmo efeito.

Como o transverso e o assoalho pélvico ajudam a regular as forças

Por causa da sua função e posicionamento, a articulação sacroilíaca deveria estar sujeita a importantes forças de cisalhamento. Porém, sabemos que isso não ocorre quando a articulação está em seu funcionamento fisiológico.

Um indivíduo de 70 kg, por exemplo, teria uma carga total de 530N aplicadas sobre a sacroilíaca. Acrescentando a presença do ligamento sacro espinhoso com seu componente transversal, conseguimos reduzir essa carga em 120N.

Considerando a atividade muscular do assoalho pélvico, transverso abdominal e ligamentos conseguimos reduzir a carga sobre a sacroilíaca em 240N. Ou seja, conseguir diminuir a carga em mais ou menos 50%.

Conclusão

Através dessa breve revisão da articulação sacroilíaca, conseguimos compreender quais são as estruturas envolvidas na sua estabilização. Existe um importante componente muscular que garante a estabilização da sacroilíaca.

É importante compreender que essa ação muscular ajuda a diminuir as forças de cisalhamento, mas aumenta a compressão em 4x. Ou seja, 400% da força compressiva é aplicada sobre a articulação sacroilíaca.

Ao mesmo tempo, temos uma diminuição em 50% do cisalhamento vertical. Em indivíduos com a articulação sem seu funcionamento fisiológico, isso seria um grande problema.

Mas para entender mais a respeito disso, você precisa ir para meu artigo sobre a disfunção sacroilíaca e suas causas.

 

Bibliografia
  • Sandy, S. P. Andre, W. V. Peter der, Disfunção Sacroilíaca, Acta Ortopédica Brasileira, 2003. Acesso em: http://www.redalyc.org/html/657/65711208/
  • Henrique, S. Egberto dos, O. Juliano de, L. F. Tiago, Disfunção da articulação sacroilíaca e a influência na flexão de tronco e no ângulo Q do joelho. Revista Interdisciplinar de Promoção de Saúde. Acesso em: https://online.unisc.br/seer/index.php/ripsunisc/article/view/11937
  • N. Marco Aurélio, F. Diego G. de, K. Karina T., M. Robroy L, F. Thiago Y., Strenghthening the Gluteus Maximus in Subjects with Sacroiliac Dysfunction. The International Journal of Sports Physical Therapy, February 2018
Vem conhecer meu Novo Curso: Biomecânica do Pilates!

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Alguma vez durante uma aula de Pilates você se perguntou se precisamos ativar o assoalho pélvico durante o exercício, ou como podemos avaliar se a musculatura dessa região está rígida ou fraca?

Ou mais além, você já se preocupou em descobrir se seu aluno tem a pressão intracavitária aumentada, se deve ou não fortalecer o abdômen e como fazer para descobrir a PIA dele?

Então, você se preocupa muito com a Biomecânica do Pilates e em saber como os movimentos influenciam diretamente a saúde do seu aluno!

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Além disso, estudar sobre cinemática, dinâmica, estática e outras disciplinas pode afetar a evolução das suas aulas de uma forma que você nem imagina.

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Apresentação do Curso

O que tem no Curso?

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Conteúdo exclusivo muito procurado entre instrutores de Pilates e Educadores Físicos. Você receberá duas aulas completas com todo o conteúdo para você aplicar nas suas avaliações.

Valores

Concluindo…

E então, o que você achou do novo Curso de Biomecânica do Pilates?

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Tudo o que você precisa saber sobre a Histologia do Sistema Fascial

Tudo o que você precisa saber sobre a Histologia do Sistema Fascial

Vamos entender mais sobre o sistema fascial?

A Fáscia é composta fundamentalmente de “tecidos conectivos fibrosos, moles, colágenos, soltos e densos que permeiam (ou seja, são espalhados por todo o corpo)”.

Esta parte da definição é baseada no reconhecimento histológico estabelecido do tecido conjuntivo como tipo de tecido básico, que é anatomicamente subdividido em três categorias de tecido conjuntivo embrionário:

  1. Mesênquima
  2. Tecido Conjuntivo Mucoso
  3. Tecido Conjuntivo Propriamente Dito (Tecido Conjuntivo Solto e Denso)
  4. Tecido Conjuntivo Especializado (Sangue, Osso, Cartilagem, Tecido Adiposo, Tecido Hematopoiético, Linfático) (Ross e Pawlina, 2011)

A partir desta perspectiva classificatória, a fáscia é geralmente considerada como uma forma de tecido conjuntivo propriamente dito, embora sua sub-identificação específica como tecido conjuntivo solto e / ou “regularmente” ou “irregularmente” tenha disposição no tecido conjuntivo denso ainda não foi esclarecida.

O uso desta definição dos tecidos conjuntivos plurais reconhece que, em estudos histológicos, o sistema fascial é constituído por vários tipos de tecido conjuntivo, e não apenas um, por exemplo: areolar, denso regular/irregular e adiposo.

Novamente, o termo colágeno que contém distingue deliberadamente a fáscia do músculo, que é frequentemente categorizado separadamente como outra forma “especializada” de tecidos moles.

Esta referência geral ao colágeno inclui implicitamente os Tipos I e III, e deixa a porta aberta para qualquer outro colágeno que possa (no futuro) se caracterizar significativamente neste amplo grupo de tecidos.

Sistema Fascial: Formação da Fáscia

Dentro do sistema fascial, a fáscia é constituída de proteínas, tendo como sua principal constituição o colágeno.

Ele é uma proteína produzida pelo nosso organismo desde o nascimento e um dos mais importantes para a manutenção dos blocos de sustentação dos tecidos conjuntivos, responsável pela manutenção de sua estruturação matricial e força. Porém, sua produção começa a diminuir perto dos 28 anos de idade e, sobretudo, depois dos 35, diminui cerca de 1% ao ano.

Aos 50 anos, o organismo chega a apenas 35% do colágeno necessário para executar sua principal função, e começa a se utilizar do colágeno produzido até os 28 de idade de forma abundante, colágeno este que fica armazenado.

Esse processo leva à perda da elasticidade e firmeza do conjuntivo em geral, essa proteína participa ativamente da construção e constituição dos ossos, músculos, cartilagens, cabelos e unhas, por isso os benefícios do colágeno para a saúde são tão conhecidos.

Aliás, o colágeno representa cerca de 25% de toda proteína que existe em nosso corpo e sua função é dar sustentação às células, deixando-as firmes e juntas. Tem papel importante para a saúde em geral da fáscia, sendo seu principal componente proteico, fundamental para o funcionamento de todo tecido conjuntivo do sistema fascial.

 Tipos de Colágeno

  • Colágeno Hidrolisado: Passa por um processo de hidrólise, ou seja, é quebrado em partículas menores para ser absorvido mais facilmente e ter melhor aproveitamento pelo organismo.
  • Colágeno Tipo 2: É o mais abundante nas cartilagens.
  • Pepto Colágeno: É um colágeno altamente hidrolisado, que chega aos peptídeos de colágeno (conjunto de aminoácidos), ou seja, moléculas ainda menores e de mais fácil absorção. Diversos estudos apontam que o colágeno na forma de peptídeos possui benefícios potencializados.

Hidratação e Renovação

É essencial perceber que cerca de dois terços do volume de tecidos do sistema fascial é constituído por água.

Durante a aplicação da carga mecânica – seja de forma esticada ou através de compressão local – uma quantidade significativa de água é expulsa das zonas mais estressadas, semelhante à espremendo uma esponja (Schleip et al., 2012a). Com o lançamento que se segue, esta área é novamente preenchida com novo fluido, que vem do tecido circundante, bem como a rede vascular local.

O tecido conjuntivo tipo esponja pode faltar hidratação adequada em locais negligenciados. A aplicação do carregamento externo aos tecidos fasciais pode resultar em uma hidratação atualizada desses lugares no corpo (Chaitow, 2009).

Muitas patologias – como condições inflamatórias, edema ou o aumento de acúmulo de radicais livres e outros produtos de resíduos tende a acompanhar uma mudança para uma maior porcentagem de água em massa dentro da substância moída.

As indicações recentes de Sommer e Zhu (2008) sugerem que quando o tecido conjuntivo local é espremido como uma esponja e subsequentemente reidratado, algumas das anteriores zonas de água em massa podem então ser substituídas por moléculas de água ligadas, o que poderia levar a uma hidratação mais saudável para a fáscia.

Fáscia Sólida

O colágeno compõe mais do que os 30% da massa protéica no corpo humano.

Sua apresentação mais comum é a fibrila de colágeno, composta de cerca de 300 nm de tropocolágeno (hices triplas polipepticas). A fibrila é altamente organizada e fornece o quadro para a matriz extracelular (MEC), tendões, ossos e outras estruturas de suporte. Fibrilas de colágeno se assemelham a auto-montagem cabos em escala nanométrica.

A biossíntese do colágeno ocorre graças a diferentes tipos de células, dependendo no tipo de tecido. Por exemplo, os osteoblastos formam colágeno nos ossos, enquanto fibroblastos formam colágeno em tendões. Existem diferentes tipos de conectivos tecido, classificado de acordo com alguns critérios morfológicos e funcionais.

Nós achamos tecidos conjuntivos densos (fibrosos ou elásticos), onde o colágeno é organizado em regular e estruturas irregulares, e solto conectivo estruturas irregulares, e solto conectivo tecidos (fibrosos, reticulares ou elásticos), que se destaca por causa da abundância de substâncias amorfas em comparação com quantidade de componentes fibrosos.

Em tecido conjuntivo denso, encontramos principalmente colágeno tipos I, III, XII e XIV, e elastina, enquanto em tecido conjuntivo frouxo, encontramos colágeno tipos I, III, IV, V, VII, XII e XIV.

Fibroblastos são o principal componente celular de tecidos conjuntivos e separam os componentes da MEC, como colágeno e matriz, glicosaminoglicano (GAG), elástico e fibras reticulares e glicoproteínas. Os fibroblastos comunicam-se entre si e são fundamentais para a gestão percebida e produção de tensão.

Eles possuem um papel fundamental na transmissão de tensão, e pode afetar dinamicamente a tensão mecânica, remodelando rapidamente seus citoesqueletos. O citoesqueleto de fibroblastos é feito de microtúbulos, nomeadamente filamentos de actina e filamentos intermediários.

Especificamente, a flexibilidade da actina permite que os fibroblastos se adaptem mais rapidamente na presença de compressão forças, devido ao alongamento da fáscia.

Se a informação mecânica estiver presente por um curto período, a variação morfológica é reversível, e o citoesqueleto do fibroblasto pode ser restaurado ao seu estado original.

Os fibroblastos desempenham um papel significativo e ativo na estimulação dos processos inflamatórios, porque eles são responsáveis pela limpeza, reparação, e substituindo os elementos do fascial continuam o que foram e são afetados por traumas.

Cerca de 70% dessas fibrilas são constituídos por colágeno tipo I, III e IV, e cerca de 20% por elastina, com cerca de 4% lípidos. Os microvacuados são ricos em água, graças às propriedades hidrofílicas dos lípidos e, em particular, de proteoglicanos (aproximadamente 72%).

O núcleo destas moléculas é uma proteína com uma ou mais ligações covalentes com polissacarídeos (glicosaminoglicanos – GAGs); o negativo carga de GAGs atrai moléculas de água, facilitando sua passagem pela membrana assegurando a hidratação.

A hidratação ajuda a manutenção da pressão e do volume. Os tecidos conjuntivos são derivados do mesênquima. Durante o desenvolvimento do embrião, os tecidos conjuntivos provavelmente influenciam a morfogênese das estruturas que eles irão conter e conectar.

Mesênquima embrionário ou embrionário mesênquima conectivo ou indiferenciado tecidos são feitos de forma de estrela ramificada células com alta taxa mitótica (alta capacidade reprodutiva); elas são consideradas células-tronco pluripotentes, porque eles têm a capacidade de diferenciar em tecidos diferentes.

O mesênquima é a fonte não só de muitas estruturas conectivas, mas também de estruturas estromais células-tronco. Ao longo do curso do processo de desenvolvimento, eles ocupam os espaços entre camadas de germes, conectando várias estruturas, e constituindo o estroma de órgãos.

O mesênquima está presente e deriva das três camadas embriológicas (ectoderme, mesoderme, endoderme) e a partir delas, a fáscia que faz parte da cabeça (músculos, ossos, pele, e assim por diante) e parte da coluna cervical derivam do mesoderma e do ectoderma.

Os tecidos fasciais são descritos como em camadas, mas é um hábito generalizado que vem de dissecção anatômica. As camadas são inseparáveis e eles se movem e respondem, reagem em uníssono à presença de informação mecânica e/ou metabólica.

Fáscia Líquida

Sangue e linfa que derivam da mesoderme e são considerados tecidos conectivos. Vasos sanguíneos e linfáticos são estruturas fasciais sólidas; o que eles carregam é fáscia líquida.

Além da sua função nutritiva, o sangue também fornece uma importante comunicação dos vários órgãos uns com os outros com hormônios mediadores químicos, garantindo a integração das funções do organismo.

É o veículo das células imunes e plaquetas, e pode chegar a lugares onde sua presença é necessário (por exemplo, áreas de inflamação), de anticorpos e proteínas de o sistema de coagulação e das numerosas proteínas de transporte (como as lipoproteínas, transferrina, ceruloplasmina e albumina) a quais os compostos insolúveis em água que circulam no sangue são anexados.

O sangue é um líquido que pode ser vermelho rubi (limpo), ou vermelho purpúreo (sujo). Sua viscosidade está ao redor quatro vezes maior que a viscosidade da água, seu peso específico é de 1.041-1.062 g / cm. isto perfaz cerca de 7,7% do corpo humano peso, sua temperatura é em torno de 37/38 ° C e varia dependendo do interno e externo fatores) e seu pH (nas artérias) é de 7,38-7,42 (o pH de uma solução salina ideal deve ser 7.383).

Nos homens, é feito de um líquido parte (55%) chamada plasma, e um corpuscular parte (45%) que consiste em células ou células fragmentos (valores médios para um adulto saudável masculino).

Nas mulheres, a parte líquida ocupa 60% e a parte corpuscular ocupa 40%. Essa relação é chamada de hematócrito e avalia o volume de elementos sanguíneos corpusculares em condições normais.

Plasma é um líquido amarelo pálido composto por água (90%), substâncias orgânicas e sais dissolvidos (10%). O sangue é um tecido conjuntivo, composto em sua consistência de células e fragmentos de células em suspensão em matriz extracelular de composição complexa. Dentro sangue, existem dois componentes diferentes que podem ser separados por centrifugação: matriz fluida chamada plasma e corpúsculos, que são células ou fragmentos celulares.

Corpúsculos são de três tipos:

  1. Eritrócitos
  2. Plaquetas
  3. Leucócitos

Apenas leucócitos são células completas. Os eritrócitos são células anucleadas e plaquetas são células de fragmentos. Os eritrócitos estão presentes em quantidades que os outros elementos, pelo fato que influenciam o valor do hematócrito muito mais do que os leucócitos ou plaquetas, que perfazem cerca de 1% do volume total.

Eritrócitos, assim como os outros elementos, são gerados por haste pluripotente células localizadas na medula óssea, particularmente nas costelas, esterno, pelve e vértebras. Existem diferentes tipos de leucócitos.

Os granulócitos são caracterizados pela presença de grandes grânulos no citoplasma. Eles são visíveis sob um microscópio óptico, e depois de colorir pode ser dividido em neutrófilos (com uma afinidade ao neutro coloração), eosinófilos (afinidade ao ácido coloração), eosinófilos (afinidade ao ácido coloração) e basófilos (afinidade para coloração).

Linfócitos, que incluem linfócitos T, linfócitos B e naturais células assassinas, participam de papéis de defesa: eles reconhecem um agente patogênico e o ataca. Esta segmentação implica quase sempre a produção de proteínas que circulam no sangue, chamadas anticorpos.

Os monócitos são os maiores leucócitos, caracterizados por um grande núcleo em forma de ferradura. O sistema linfático remove eficazmente o excesso de fluidos intersticiais, solutos e várias células, orientando-as para a corrente sanguínea, mantendo o volume de fluidos de plasma e intersticial em constante equilíbrio.

O sistema linfático origina do tecido intersticial chamado “inicial linfáticos”, pequenos capilares delimitados endotélio e embasamento descontínuos membrana, oferecendo resistência ao fluxo de fluidos e substâncias (hidrófilos moléculas, células, vírus e bactérias). Eles anexam-se à superfície externa das células através fibrilas de colágeno (colágeno tipo VII).

Este colágeno permite a transmissão de forças mecânicas em direção ao lúmen do vaso linfático; existem contrações autônomas, graças à presença de filamentos semelhantes à actina. Estes linfáticos iniciais se tornam mais largos, criando ductos coletores que consistem em colágeno e células musculares lisas e fibras elásticas.

Vasos linfáticos têm seu próprio tom e, provavelmente, sua própria contração intrínseca autonômica; de acordo com dados recentes, eles também exibem sensibilidade para variação de fluxo (funções sensoriais). Eles estão cercados por nervos do sistema autônomo (principalmente fibras simpáticas), o que poderia ajudar a coordenar o transporte linfático.

Conclusão

Como vimos, no sistema fascial, a fáscia é uma janela infinita de informações novas que se abrem ante nossos olhos, e com certeza, esse tecido fascinante, está só começando a aparecer perante nossas profissões do movimento.

 

Bibliografia
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Como podemos Melhorar os Problemas da Marcha em Idosos?

Como podemos Melhorar os Problemas da Marcha em Idosos?

Como resultado dos problemas da marcha há uma maior incidência de lesões e quedas nessa população. A queda em especial é um problema comum e preocupante porque está relacionada ao aumento da morbidade e mortalidade na terceira idade.

Para entender como esses episódios são comuns, estima-se que entre 25% e 40% das quedas anuais aconteçam com idosos. Do total de quedas que afetam idosos, 6% causaram fraturas e 5% levam a outros tipos de lesões.

Depois de uma queda, a tendência é que o idoso volte a cair, tornando-se o que a literatura chama de caidores recorrentes. Cerca de 50% dos idosos que sofrem quedas voltam a cair posteriormente, o que aumenta a probabilidade de desenvolver lesões e fraturas graves.

Um grande agravante relacionado à queda durante a marcha em idosos é a osteoporose. Essa doença causa perda gradual de massa óssea, tornando os ossos mais frágeis e fáceis de fraturar. Mesmo uma queda pequena pode gerar uma fratura grave por conta da fragilidade das trabéculas ósseas.

Em muitos casos, as estruturas corporais não conseguem suportar a carga axial do corpo (massa corporal do indivíduo), e um exemplo disso, é que faz-se muito comum a fratura da cabeça do fêmur ocorrer espontaneamente, antes mesmo, da queda.

É comum indivíduos idosos apresentarem lesões ou problemas da coluna vertebral causados por micro lesões nas vértebras com osteoporose. Por isso, qualquer impacto nesses indivíduos é um possível causador de lesão. Lembrando aqui, que o maior número de fraturas em vértebras osteopênicas se dá durante o abdominal do tipo crunch.

Obviamente, um idoso que sofreu uma queda e consequentemente fratura ou lesão sofre com diversas consequências. A cinesiofobia é uma delas, o medo de sofrer uma nova queda faz com que o idoso se movimente menos, até mesmo andar pela sua própria casa. Pequenos fatores e diferenças de terreno são o suficiente para causar desequilíbrio.

O indivíduo torna-se extremamente dependente, por suas dificuldades para caminhar. Ele também deixa de praticar atividades físicas e se isola socialmente, aumentando as chances de desenvolver desequilíbrios psicológicos.

Alterações e Problemas da Marcha em Idosos

Cerca de 55% das quedas em idosos acontecem por conta de consequências da marcha. Para compreender como isso acontece, precisamos primeiro entender os fatores envolvidos na marcha.

Basicamente, essa é uma série de movimentos rítmicos que realizam a locomoção progressiva do corpo para a frente. Para isso, o corpo reage a forças externas através da ação de:

  • Músculos
  • Ossos
  • Ligamentos
  • Tendões
  • Cápsulas Articulares

Durante o processo de envelhecimento a pessoa costuma diminuir a velocidade da marcha. O grande culpado é a perda da capacidade de flexibilização e mobilidade do corpo.

Para manter-se mais estável, o idoso tende a manter uma passada menor e ficar por muito mais tempo na fase de duplo apoio, o que é extremamente perigoso, pois não tendo mobilidade, não consegue realizar seu reequilíbrio trazendo-o para dentro do polígono de sustentação.

Alguns indivíduos perdem parte de seu controle motor, o que leva a uma variação no tamanho das passadas e período do tempo de apoio duplo durante a marcha.

Um estudo com 52 idosos relatou que esse seria um fator de risco importante que aumenta a chance de quedas nos indivíduos idosos. Portanto, além de buscarmos melhorar a mobilidade articular e a flexibilidade muscular, também precisamos melhorar o controle motor e postural relacionado à marcha.

O envelhecimento também leva a alterações biomecânicas significativas. A perda de mobilidade está especialmente relacionada à probabilidade de quedas e lesões. Idosos caidores tendem a ter uma menor mobilidade de quadril ou tornozelo. Isso também aumenta as chances de desenvolver lesões ou patologias articulares.

A falta de mobilidade de tornozelo também está relacionada à perda de estabilidade.

A fraqueza muscular é outro evento que ocorre durante o envelhecimento e que prejudica, sendo um dos problemas da marcha. Idosos perdem força muscular e massa muscular conforme a idade avança. Assim, eles perdem a estabilização articular realizada por essas estruturas e têm maior dificuldade para se mover.

Na marcha, os músculos gastrocnêmio e sóleo estão entre os principais prejudicados. Essas musculaturas garantem estabilidade para o corpo durante todo o ciclo da marcha e também estão envolvidas na transferência de forças que impulsionam o corpo à frente.

Alterações Visuais em Idosos

Além de estarmos atentos aos problemas da marcha na terceira idade, também devemos ter em mente a probabilidade de alterações visuais nessa fase da vida.

Um idoso geralmente não é capaz de enxergar com tanta clareza quando um indivíduo jovem.

Isso faz com que ele tenha maior dificuldade de identificar obstáculos no seu caminho e realizar as compensações posturais necessárias para manter a estabilidade dinâmica.

Tratamento para Melhorar os Problemas da Marcha em Idosos

Ao contrário do que alguns pensam, idosos devem praticar atividades físicas para melhorar e garantir sua qualidade de vida. Muito de nosso tratamento estará focado em recuperar a independência, mobilidade e estabilidade do aluno na terceira idade.

Devemos utilizar exercícios que consigam melhorar seu controle postural e motor, permitindo realizar as alterações necessárias para prevenir quedas.

Além disso, o profissional do movimento deve identificar quais são as estruturas comprometidas e sem mobilidade no corpo do idoso. Depois de descobrir as disfunções, focamos em recuperar a mobilidade, que eventualmente proporcionará uma melhor marcha para o indivíduo.

O Pilates é um método excelente para trabalhar todas as habilidades que a terceira idade precisa. Sua prática está relacionada à melhora na força muscular, mobilidade e estabilidade, além de melhor equilíbrio e propriocepção.

Assim, o idoso consegue melhorar sua marcha, evitar quedas e recuperar a independência. Devemos ficar muito atentos também, a confusões mentais e disfunções da orientação espacial.

Conclusão

Conforme o corpo envelhece encontramos uma série de problemas da marcha, assim como outros.

A partir da quarta década de vida o indivíduo começa a perder massa e força muscular e a desenvolver problemas de controle motor e ajustes posturais. Inicialmente, essas alterações podem ser imperceptíveis, mas pessoas acima dos 60 anos as percebem bem.

Todas as alterações no corpo do idoso levam ao surgimento de problemas da marcha.

Indivíduos mais velhos têm maior dificuldade de andar, diminuindo a velocidade e tamanho da passada. Além disso, seus músculos não possuem força ou controle o suficiente para proporcionar a estabilização necessária para prevenir quedas.

Portanto, devemos sempre dar muita atenção aos nossos alunos idosos. Eles precisam da atividade física para melhorar sua vida cotidiana, ganhar independência, recuperar autoestima e melhorar sua vida social. Os exercícios utilizados em aula têm sempre como objetivo garantir essas melhorias para a vida do indivíduo e ainda prevenir lesões e fraturas.

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Você sabe a Importância da Biomecânica da Vértebra?

Você sabe a Importância da Biomecânica da Vértebra?

A coluna vertebral é constituída da vértebra, que são pequenos segmentos. Cada um deles é formado por um anel oco posteriormente, que é o arco neural ou vertebral, além de processos ósseos. O suporte do peso da coluna é realizado pelo corpo vertebral.

Essa porção é mais volumosa e é feita de tecido esponjoso e também uma camada de osso compacto. A região anterior da vértebra possui um segmento cilíndrico irregular e suas faces superiores e inferiores são aplanadas. Elas também têm um contorno saliente que auxilia na implantação do disco intervertebral.

A face anterior da vértebra é limitada pelos lábios superiores e inferiores. Eles também fornecem inserção para o ligamento longitudinal anterior. A face posterior é uma estrutura côncava no sentido transverso com um orifício que limita o forame vertebral. Ela é utilizada para fixar o ligamento longitudinal posterior.

Por último, a face posterior é côncava no sentido transverso. Também tem orifício para limitar o forame vertebral e fixa o ligamento longitudinal posterior. Outra estrutura da vértebra é o arco vertebral, que possui:

  • 2 Pedículos
  • 4 Processos Articulares
  • 2 Processos Transversos
  • 1 Processo Espinhoso

Como funcionam as Unidades Funcionais?

A vértebra em si possui pouca mobilidade.

Além dela existem as unidades funcionais, que é o conjunto de duas vértebras separadas pelo disco intervertebral. O disco é responsável por suportar o peso da coluna e do corpo. É graças a ele que a estrutura vertebral pode realizar movimentos de inclinação, rotação e balanceio.

O tecido contido dentro da coluna vertebral é sensível. Quando ocorrem lesões, estresse ou irritação ele gera dor no paciente. Imagino que você já sabe como dores na coluna são um caso comum nos Studios de Pilates e consultórios de fisioterapia.

As vértebras que formam a unidade funcional são separadas por um disco intervertebral. Essas são articulações do tipo sínfise, que possuem discos fibrocartilaginosos intercalando. Eles são projetados para suportar peso e resistência que ocorrem com o movimento.

São os discos intervertebrais que absorvem os choques que o corpo realiza.

Quando o tronco está ereto são as diferenças de espessura das partes anterior e posterior do disco que geram as curvaturas fisiológicas da coluna. Portanto, é graças a seu bom funcionamento que existem a curvatura lombar, torácica e cervical.

A composição do disco intervertebral é:

  1. Uma parte fibrosa externa – composta de lamelas concêntricas de fibrocartilagem, denominada de anel fibroso.
  2. Uma massa central e gelatinosa – o núcleo pulposo.

O anel fibroso é uma estrutura composta por ao redor de 90 faixas de tecido de colágeno que são ligadas entre si. Essas fibras do anel são dispostas em camadas, elas aparecem de maneira parecida ao que existe numa cebola. As camadas envolvem o núcleo do disco intervertebral.

Quando observadas lateralmente, as fibras estão dispostas fazendo com que a primeira camada vá em direção oblíqua da vértebra. Na mesma vista, a segunda camada vai de uma vértebra a outra em direção oposta. Assim, as camadas se cruzam e entrelaçam para fortalecer o anel do disco e permitir o movimento em qualquer direção.

Quase todo o núcleo do disco intervertebral é composto de 90% de água, pelo menos enquanto ele ainda é jovem e saudável. Todo o resto é feito de colágeno e proteoglicanos, que são materiais especializados para atrair água quimicamente.

Observando o aspecto mecânico do anel fibroso percebe-se que ele atua como uma mola em espiral. Sua tensão mantém os corpos vertebrais unidos contra a resistência do núcleo pulposo. O núcleo pulposo possui uma função diferente, servindo como um gel incompressível.

Diferentes Tipos de Vértebra

A estrutura que observamos até agora é conhecida como vértebra padrão. Ela sofre alterações de acordo com o segmento da coluna no qual está localizada para se adaptarem melhor a suas funções.

A coluna cervical e lombar, por exemplo, possuem mais mobilidade. Suas vértebras são adaptadas para isso. Para entender como essas alterações funcionam é preciso falar de cada segmento da coluna vertebral.

Coluna Cervical

Já sabemos que o corpo vertebral normalmente possui uma forma cilíndrica com todas as estruturas que mencionei anteriormente.

A região cervical é um pouco diferente e possui uma forma retangular. Suas extremidades laterais se prolongam para cima e formam um unco, as formas inferiores são incisadas para conseguirem um ajuste articular perfeito.

A forma das vértebras cervicais é responsável por fornecer estabilidade para a região. Isso é importante já que a região cervical possui naturalmente mais mobilidade. Os processos espinhosos da vértebra são maiores na parte inferior da coluna cervical.

Essa alteração limita os movimentos de extensão do pescoço. A C7 possui o maior processo espinhoso da coluna cervical.

Existem duas vértebras atípicas que são responsáveis pela mobilidade da coluna cervical. Elas são o atlas e o áxis da cervical. Elas não possuem disco intervertebral, produzem movimentos de:

  • Rotação
  • Flexo-Extensão
  • Lateralização

Isso é comprovado pela possibilidade de flexionar a cabeça em 35º sem precisar da participação do pescoço. Em pacientes que realizam cirurgias cervicais os estabilizadores são retirados, inserindo hastes em algumas vértebras. Por isso a amplitude de movimento total fica prejudicada, mas ainda é possível fazer movimentos.

Os discos que estão localizados entre C2 e C7 são responsáveis pelos movimentos de flexo-extensão e lateralização, também podem realizar um pouco de rotação.

Coluna Torácica

Apesar de poder realizar todos os movimentos, a coluna torácica possui menor amplitude de movimento e mobilidade.

Isso acontece por causa da conexão com a caixa torácica, que é diminuída entre TI e TVII. É nessa região que encontra-se a fixação com escápulas e costelas. As estruturas formam um arco costal junto ao esterno, que está localizado anteriormente.

A mobilidade é maior entre TXI e TXII porque não existe conexão com o esterno.

Coluna Lombar

As vértebras lombares possuem corpos vertebrais um pouco maiores. O tamanho é necessário para possibilitar maior suporte para a carga axial de toda a coluna. Seus movimentos incluem a flexo-extensão, inclinação e um pouco de rotação.

Mas a mobilidade para rotação é bastante diminuída. Esses movimentos são essenciais para a anatomia e biomecânica da coluna vertebral.

A transição entre TXII e L1 também possui essa rotação. Tome cuidado com movimentos de rotação nessas regiões para seus alunos. Eles podem ser realizados, mas precisamos nos certificar de que as cadeias musculares estão completamente livres.

Conclusão

A coluna vertebral é composta por estruturas chamadas de vértebras que possuem a função de garantir mobilidade, estabilidade e proteção. Entre elas encontramos os discos intervertebrais, que absorvem o impacto gerado pelo movimento.

Quando existem compensações nas cadeias musculares, essas são as primeiras estruturas a sofrer com isso.

Compreender perfeitamente a biomecânica da coluna vertebral é parte do trabalho de qualquer profissional do movimento. Quer continuar aprendendo? Confira meu artigo completo sobre a biomecânica da coluna vertebral.

 

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