Por que aplicar o Treinamento da Fáscia durante as Aulas?

Por que aplicar o Treinamento da Fáscia durante as Aulas?

O treinamento de tecido conjuntivo deveria ser parte das suas aulas.

Isso porque ele pode trazer incríveis ganhos de desempenho e, em especial, auxiliar na prevenção de lesões. Aprenda nesta matéria como o treinamento da fáscia deve ser feito em aula.

Vamos lá?

O que é o Treinamento da Fáscia?

Em esportes convencionais vemos o treinamento de fibras musculares, condicionamento cardiovascular e coordenação neuromuscular. Apesar de serem treinamentos essenciais, eles não chegam perto de serem o suficiente para prevenirem lesões esportivas. Já mencionei o assunto em outro artigo a respeito do treinamento fascial para atletas.

A maioria das lesões que acontecem no esporte são por sobrecarga. Além disso, elas ocorrem em elementos da rede fascial do corpo. Portanto, durante o treinamento esportivo acabamos sobrecarregando estruturas fasciais que não foram treinadas.

O que chamamos de rede fascial é uma rede tensional de tecido fibroso composta por:

  • Envelopes Musculares
  • Aponeuroses
  • Ligamentos
  • Tendões
  • Outros

Conforme conseguimos estimular esses tecidos, os fibroblastos adaptam sua morfologia continuamente, mas lentamente. Por isso, é necessário utilizar uma abordagem de treinamento que seja direcionada ao trabalho fascial.

Tal metodologia deve incluir a utilização de:

  • Retrocessos Elásticos
  • Contra-Movimentos Preparatórios
  • Alongamento Lento e Dinâmico
  • Práticas de Reidratação
  • Refinamento Proprioceptivo

O treinamento da fáscia precisa ser praticado uma ou duas vezes por semana. Nós queremos produzir um corpo fascial mais resiliente que começará a surtir efeitos em 6 a 24 meses.

Esse corpo facial fortalecido ajudará nossos alunos atletas ou não atletas na prevenção de lesões e problemas musculoesqueléticos.

O que é Fáscia?

Ok, já conseguimos compreender que realizar o treinamento da fáscia auxilia o desempenho e prevenção em nossos alunos. Mas para começar a realizá-lo ainda precisamos entender o sistema fascial.

A fáscia é uma rede de tensão que recobre todo o corpo. Ela é formada pelos tecidos conectivos moles, colágenos e fibrosos. Sua arquitetura fibrosa é predominantemente moldada por tensão ao invés de compressão.

Podemos descrever a fáscia como uma rede contínua que envolve e conecta todos os músculos e órgãos. Apesar de todos os tecidos fibrosos serem parte do sistema fascial, é possível perceber uma distinção local de diferentes elementos de tecidos, como aponeuroses e ligamentos.

Algumas áreas que estão próximas a articulações também possuem transições entre diferentes tipos de tecido.

Anteriormente utilizava-se terminologias anatômicas que restringiam a abrangência do termo “fáscia”. Segundo essa denominação, a fáscia se restringia a folhas densas de tecido conectivo que tinham arquitetura similar a uma rede ou aparentemente irregular.

Congressos internacionais de pesquisa da fáscia mais recentes determinaram uma nova proposta de denominação da fáscia. Eles continuam a honrar essa proposta antiga através do termo “fáscia adequada”.

A nova denominação permite uma orientação perceptual que também inclui outros tecidos fibrosos.

Características dos Tecidos Fasciais

Os tecidos faciais diferem em termos de densidade e alinhamento direcional das fibras de colágeno.

A fáscia superficial, por exemplo, se caracteriza por uma densidade solta e alinhamento multidirecional ou irregular de fibras. Já os tendões ou ligamentos mais densos possuem fibras principalmente unidirecionais.

Os tipos de fáscia intramuscular e sept, perimísio e endomísio podem expressar diferentes graus de direcionalidade e densidade. O mesmo ocorre com a fáscia visceral, incluindo tecidos moles como o omentum majus e folhas mais duras, como o pericárdio.

O arranjo da fáscia também depende do histórico de carregamento local. A fáscia pode se adequar e demonstrar um arranjo bidirecional ou multidirecional.

Aplicações Práticas do Treinamento da Fáscia

Quer aprender a aplicar o treinamento da fáscia em aula?

Ele consegue auxiliar muito nossos alunos, especialmente os praticantes de esportes. Um corpo fascial bem treinamento pode desempenhar movimentos de maneira mais eficiente. Ao mesmo tempo, conseguimos uma excelente prevenção de lesões.

Mecanismo de Catapulta: Recuo Elástico de Tecidos Fasciais

Cangurus são capazes de pular muito mais alto do que conseguimos explicar através da contração dos músculos das pernas. Ao realizar um exame mais minucioso, cientistas descobriram o chamado “mecanismo de catapulta”.

De acordo com esse mecanismo, os tendões e a fáscia de membros inferiores serviriam como o elásticos de borracha. Para realizar os saltos surpreendentes eles fariam o lançamento dessa energia armazenada.

O mesmo ocorre em outros animais, como as gazelas. Elas também são capazes de saltar impressionantemente e correr, apesar de não terem musculaturas especialmente poderosas. Na verdade, elas geralmente são consideradas bastante delicadas, o que torna o mecanismo de catapulta ainda mais interessante.

O tecido fascial possui uma grande capacidade de armazenamento elástico. Exercícios oscilatórios regulares, como a corrida rápida diária, induzem a maior capacidade de armazenamento nos tecidos tendinosos de ratos, por exemplo.

Exames de ultrassom de alta resolução descobriram uma orquestração semelhante de carga entre músculo e fáscia no movimento humano. As fáscias humanas têm uma capacidade de armazenamento cinética semelhante a de cangurus e gazelas.

Isso não é usado somente para pular ou correr. Na verdade, até uma caminhada simples envolve parte significativa da energia do movimento da elasticidade que descrevi acima. Tal descoberta exige uma revisão ativa de princípios longamente aceitos no campo da ciência do movimento.

Anteriormente, imaginava-se que em movimentos articulares musculares ocorria uma diminuição dos músculos envolvidos. Assim, essa energia passava por tensões passivos levando ao movimento articular.

Essa forma clássica de transferência de energia permanece verdadeira. Ela se aplica a movimentos estáveis, como aqueles presentes no ciclismo. Neles, as fibras musculares alteram ativamente de comprimento. Os tendões e aponeuroses pouco crescem e os elementos fasciais permanecem bastante passivos.

Isso é um contraste com o movimento oscilatório que possui uma qualidade de mola elástica. Nele, o comprimento das fibras musculares pouco muda.

As fibras se contraem de forma quase isométrica, endurecendo temporariamente sem alterar significativamente seu comprimento. Nesses casos os elementos fasciais funcionam de forma elástica sem movimento. O alongamento e encurtamento de elementos fasciais é o principal responsável por produzir o movimento real.

Estiramento de Variações para a Saúde Miofascial

Normalmente, os métodos de alongamento estático lento são distinguidos dos alongamentos dinâmicos rápidos. O alongamento dinâmico pode ser familiar para muitas pessoas, pois fazia parte do treinamento físico no início e meio do século passado.

Durante as últimas duas ou três décadas, esse tipo de alongamento passou a ser considerado menos benéfico por educadores. Porém, pesquisas recentes confirmam os méritos do mérito e eles estão envolvidos com o treinamento da fáscia.

Esticar imediatamente antes da competição pode ser contraproducente.

Mas o uso de tais alongamentos prolongada e regularmente pode influenciar de maneira positiva a arquitetura do tecido conjuntivo. Quando usamos o alongamento dinâmico corretamente ele se torna mais elástico. Se forem usados regularmente, alongamentos dinâmicos e estáticos podem melhorar vigor, altura de salto e velocidade a longo prazo.

Devemos usar diferentes estilos de alongamento para atingir diferentes componentes de tecido fascial.

Temos, por exemplo, o treinamento clássico de peso, que carrega o músculo em sua amplitude de movimento normal. Assim conseguimos fortalecer tecidos fasciais dispostos em série com as fibras musculares ativas. Também treinamos as fibras transversais em todo o envelope muscular.

Porém, esse tipo de treinamento apresenta pouco efeito sobre as fáscias extramusculares e fibras intramusculares dispostas em paralelo com fibras musculares ativas.

Conclusão

A fáscia é uma estrutura do corpo que realiza a transferência de tensões e forças pelo sistema musculoesquelético.

Ao contrário do que se imaginava anteriormente, boa parte das lesões esportivas estão realizadas ao sistema fascial. Portanto, devemos começar a introduzir esse tipo de treinamento em aula.

Como treinar a Fáscia? Saiba tudo sobre esse Órgão Sensorial!

Como treinar a Fáscia? Saiba tudo sobre esse Órgão Sensorial!

Um treinamento focado da rede fascial é de grande importância para os atletas, dançarinos e outros defensores do movimento. Se o corpo fascial for bem treinado, isto é, otimamente elástico e resiliente, pode-se confiar para que ele se desempenhe efetivamente e ao mesmo tempo poder oferecer um alto grau de prevenção de lesões (Kjaer et al., 2009).

Até recentemente, a maior parte da ênfase no esporte se concentrou na tríade clássica da força muscular, condicionamento cardiovascular e coordenação neuromuscular (Jenkins, 2005).

Algumas atividades de treinamento físico alternativas, como Pilates, Yoga, Movimento Contínuo e Artes Marciais, já estão levando conta da rede de tecidos conjuntivos. Aqui, a importância da fáscia é muitas vezes discutida especificamente, embora as ideias modernas no campo da pesquisa da fáscia não tenham sido especificamente incluídas.

Por conseguinte, sugere-se que, para construir uma rede de órgãos fasciais resistentes à lesões e elásticos, é imprescindível traduzir os conhecimentos atuais do campo em desenvolvimento dinâmico da pesquisa da fáscia em programas de treinamento prático.

A intenção é encorajar fisioterapeutas, instrutores esportivos e outros professores de movimento a incorporar os princípios apresentados aqui e aplicá-los ao seu contexto específico.

A seguir, apresentam-se alguns fundamentos básicos biomecânicos e neurofisiológicos para uma abordagem de treinamento orientado à fascia, seguidas de sugestões para algumas aplicações práticas.

Fundamentos Básicos para Treinamento da Fáscia

1) Remodelação Fascial

Uma característica reconhecida do tecido conjuntivo é a sua impressionante adaptabilidade: quando regularmente colocados sob uma tensão crescente ainda fisiológica, os fibroblastos inerentes ajustam sua atividade de remodelação da matriz, de modo que a arquitetura do tecido atenda melhor a demanda.

Por exemplo, através da nossa locomoção bípede diária, a fáscia no lado lateral da coxa desenvolve uma firmeza mais palpável que no lado medial. Esta diferença na rigidez do tecido dificilmente é encontrada nos pacientes com cadeira de rodas.

Se nós preferíssemos gastar a maior parte de nossa locomoção com nossas pernas sobre um cavalo, então aconteceria o contrário, ou seja, depois de alguns meses a fáscia no lado interno das pernas se tornaria mais desenvolvida e forte (El-Labban et Al., 1993).

As variadas capacidades dos tecidos conectivos colágenos fibrosos permitem que estes materiais se adaptem continuamente às cepas regulares mais desafiadoras, particularmente em relação às mudanças de comprimento, força e capacidade de cortar. Não só a densidade das mudanças ósseas, por exemplo, como acontece com os astronautas que passam o tempo em gravidade zero, onde os ossos tornam-se mais porosos (Ingber, 2008).

Os tecidos fasciais também reagem aos seus padrões de carregamento dominantes. Com a ajuda dos fibroblastos, eles lentamente, mas constantemente reagem à tensão diária, bem como a treinamento específico, remodelando constantemente a disposição de sua rede de fibra colágena (Kjaer et al., 2009).

Por exemplo, com cada ano que passa, metade das fibrilas de colágeno são substituídas em um corpo saudável (Neuberger e Slack, 1953). A extrapolação dessas dinâmicas de renovação exponencialmente predispostas prevê uma substituição esperada de 30% de fibras de colágeno no prazo de 6 meses e de 75% em dois anos.

Curiosamente, os tecidos fasciais dos jovens mostram ondulações mais fortes e chamados de crimpagem – dentro das suas fibras de colágeno, remanescentes de molas elásticas, enquanto que em pessoas mais velhas as fibras aparecem como bastante achatadas (Staubesand et al., 1997).

A pesquisa confirmou a suposição anteriormente otimista de que o exercício apropriado carregando e se aplicado regularmente pode induzir uma arquitetura de colágeno mais jovem, o que mostra um arranjo de fibras mais onduladas (Wood et al., 1988; Jarniven et al., 2002) e que também expressa uma capacidade de armazenamento elástica aumentada significativa (Fig. 2) (Reeves et al., 2006; Witvrouw et al., 2007).

No entanto, parece importar que tipo de movimentos de exercício são aplicados: um estudo de exercício controlado com um grupo de mulheres seniores que utilizam contrações de baixa velocidade e baixa carga demonstrou apenas um aumento na força e volume musculares.

Contudo, não conseguiu produzir qualquer alteração na capacidade de armazenamento elástico das estruturas colágenas (Kubo et al., 2003).

Embora a última resposta possivelmente possa estar também relacionada às diferenças de idade, estudos mais recentes de Arampatzis et al. (2010) confirmaram que, para produzir efeitos de adaptação nos tendões humanos, a magnitude da tensão aplicada deve exceder o valor que ocorre durante as atividades habituais.

Esses estudos fornecem evidências da existência de um limiar ou ponto de ajuste na magnitude da deformação aplicada na qual a transdução do estímulo mecânico influencia a homeostase tensional dos tendões (Arampatzis et al., 2007).

2) Mecanismo de Catapulta: Recuo Elástico de Tecidos Fasciais

Os cangurus podem pular muito mais do que podem ser explicados pela força da contração dos músculos das pernas.

Sob um exame mais minucioso, os cientistas descobriram o chamado “mecanismo de catapulta” (Kram e Dawson, 1998). Aqui, os tendões e a fáscia dos membros inferiores são tensionados como elásticos de borracha. O lançamento desta energia armazenada é o que torna possíveis os saltos surpreendentes.

Descobriram logo depois que as gazelas também utilizam o mesmo mecanismo e não era surpreendente. Esses animais também são capazes de saltar impressionantemente e correr, embora sua musculatura não seja especialmente poderosa. Pelo contrário, as gazelas são geralmente consideradas bastante delicadas, tornando ainda mais interessante a facilidade elástica de seus incríveis saltos.

Figura 2

Figura 2 – Maior capacidade de armazenamento elástico.

O exercício oscilatório regular, como a corrida rápida diária, induz uma maior capacidade de armazenamento nos tecidos tendinosos dos ratos, em comparação com seus pares não corredores.

Isso é expresso em um movimento de retrocesso semelhante a uma mola, como mostrado à esquerda. A área entre as respectivas curvas de carga versus descarga.

A possibilidade de exame de ultra-som de alta resolução possibilitou a descoberta de orquestração semelhante de carga entre músculo e fáscia no movimento humano.

Surpreendentemente, descobriu-se que as fáscias dos humanos têm uma capacidade de armazenamento cinética semelhante à dos cangurus e das gazelas (Sawicki et al., 2009). Isso não é apenas usado para pular ou correr, mas também em uma caminhada simples.

Uma parte significativa da energia do movimento vem da mesma elasticidade descrita acima. Esta nova descoberta levou a uma revisão ativa de princípios longamente aceitos no campo da ciência do movimento.

No passado, assumiu-se que, em um movimento articular muscular, os músculos esqueléticos envolvidos diminuem, e esta energia passa por tendões passivos, o que resulta no movimento da articulação.

Esta forma clássica de transferência de energia ainda é verdadeira e de acordo com essas medidas recentes é para movimentos estáveis, como o ciclismo. Aqui, as fibras musculares mudam ativamente de comprimento, enquanto os tendões e aponeuroses pouco crescem.

Os elementos fasciais permanecem bastante passivos. Isso contrasta com o movimento oscilatório com uma qualidade de mola elástica, em que o comprimento das fibras musculares muda pouco.

Aqui, as fibras musculares se contraem de forma quase isométrica (elas se endurecem temporariamente sem qualquer alteração significativa de seu comprimento), enquanto os elementos fasciais funcionam de forma elástica sem movimento. É esse alongamento e encurtamento dos elementos fasciais que principalmente “produzem” o movimento real (Fukunaga et al., 2002; Kawakami et al., 2002).

Figura 3

Figura 3 – Mudanças de comprimento de elementos fasciais e fibras musculares no treinamento muscular convencional (A) e em movimento oscilatório com propriedades elásticas de recuo (B).

Os elementos tendinosos elásticos (ou fascial) são mostrados como molas, as miofibras como linhas retas acima. Nota-se que durante um movimento convencional (A) os elementos fasciais não alteram significativamente o seu comprimento enquanto as fibras musculares mudam claramente o seu comprimento.

Durante movimentos como pular ou saltar, no entanto, as fibras musculares se contraem quase de forma isométrica, enquanto os elementos fasciais se alongam e encurtam como um elo elástico. Ilustração adaptada de Kawakami et al. (2002).

É interessante que a qualidade do movimento elástico em jovens esteja associada a um arranjo tipicamente bidirecional de sua fáscia, semelhante à meia de uma mulher (Staubesand et al., 1997). Em contraste, a medida que envelhecemos e geralmente perdemos a elasticidade em nossa marcha, a arquitetura fascial assume um arranjo de fibras mais aleatório e multidirecional.

Experimentos em animais também mostraram que a falta de movimento promove rapidamente o desenvolvimento de reticências adicionais nos tecidos fasciais. As fibras perdem a elasticidade e não se deslizam uma contra a outra como antes.

Em vez disso, eles ficam presos e formam adesões teciduais e, nos piores casos, realmente se tornam emaranhados juntos (Fig. 4) (Jarvinen et al., 2002).

O objetivo do treinamento fascial proposto é, portanto, estimular os fibroblastos fasciais a estabelecer uma arquitetura de fibra mais jovem com uma capacidade de armazenamento elástica semelhante a uma gazela. Isso é feito através de movimentos que carregam os tecidos fasciais em várias extensões enquanto utilizam a elasticidade elástica (Fukashiro et al., 2006).

Figura 4

Figura 4 – A arquitetura do colágeno responde ao carregamento.

Fáscia dos jovens (imagem à esquerda) expressa mais frequentemente uma clara orientação twodireccional (rede) da sua rede de fibra de colágeno. Além disso, as fibras de colágeno individuais mostram uma formação de crimpagem mais forte.

Conforme evidenciado por estudos em animais, a aplicação de exercícios apropriados pode induzir uma arquitetura alterada com maior crimpformação. A falta de exercício, por outro lado, demonstrou induzir uma rede de fibra multidirecional e uma formação de crimpagem reduzida (imagem direita).

3) Estiramento de Variações para Saúde Miofascial

Normalmente, os métodos de alongamento estático lento são distinguidos dos alongamentos dinâmicos rápidos. O alongamento dinâmico pode ser familiar para muitas pessoas, pois fazia parte do treinamento físico no início e meio do século passado.

Durante as últimas duas ou três décadas, esse alongamento “saltando” foi então assumido pela maioria dos educadores como menos benéficos, mas os méritos do método foram confirmados em pesquisas recentes.

Embora esticar imediatamente antes da competição pode ser contraproducente, parece que o uso prolongado e regular de tal alongamento dinâmico pode influenciar positivamente a arquitetura do tecido conjuntivo na medida em que ele se torna mais elástico quando executado corretamente (Decoster et al., 2005). Na verdade, quando praticados regularmente, o alongamento estático e dinâmico mostrou produzir melhorias de longo prazo em vigor, altura de salto e velocidade (Shrier, 2004).

Diferentes estilos de alongamento parecem atingir diferentes componentes do tecido fascial. FIG. 5 ilustra alguns desses diferentes tecidos alvo afetados por vários regimes de carga. O treinamento clássico de peso carrega o músculo em sua amplitude de movimento normal, fortalecendo assim os tecidos fasciais, que estão dispostos em série com as fibras musculares ativas.

Além disso, as fibras transversais em todo o envelope muscular são esticadas e estimuladas também. No entanto, pode-se esperar um pequeno efeito nas fáscias extramusculares, bem como nas fibras fasciais intramusculares dispostas em paralelo com as fibras musculares ativas (Huijing, 1999).

Figura 5

Figura 5 – Carregamento de diferentes componentes fasciais.

A) Posição Relaxada: As miofibras são relaxadas e o músculo está no comprimento normal. Nenhum dos elementos fasciais está sendo esticado.

B) Trabalho Muscular Habitual: Miofibras contraídas e músculos no intervalo de comprimento normal. São carregados lenços fasciais que estão dispostos em série com as miofibras ou transversais a eles.

C) Alongamento Clássico: Miofibras relaxadas e alongadas muscularmente. Os lenços fasciais estão sendo esticados e orientados paralelamente às miofibras, bem como a conexão extramuscular.

No entanto, os tecidos fasciais orientados em série com as miofibras não são suficientemente carregados, uma vez que a maior parte do alongamento naquela cadeia de força disposta em série é ocupada pelas miofibras relaxadas.

D) Alongamento Carregado Ativamente: Músculo ativo e carregado no alcance final longo. A maioria dos componentes fasciais estão sendo esticados e estimulados nesse padrão de carregamento.

Nota-se que existem várias misturas e combinações entre os quatro componentes fasciais diferentes. Esta abstração simplificada serve, portanto, apenas como uma orientação básica.

Por outro lado, os trechos clássicos de Hatha Yoga, nos quais as fibras musculares estendidas são relaxadas, mostrarão pouco efeito sobre os tecidos fasciais, que estão dispostos em série com as fibras musculares.

A razão é que, uma vez que as miofibras descontraídas são muito mais suaves do que suas extensões tendinosas dispostas em série, elas “engolirão” a maior parte do alongamento (Jami, 1992).

No entanto, esse alongamento lento e derretido promete proporcionar uma boa estimulação para os tecidos fasciais, que são dificilmente alcançados pelo treinamento muscular clássico, como a fáscia extramuscular e as fáscias intramusculares, orientadas em paralelo às miofibras.

Finalmente, um padrão de carregamento muscular dinâmico em que o músculo é ativado brevemente em sua posição prolongada promete a estimulação mais abrangente dos tecidos fasciais.

De acordo com exames recentes da síntese de colágeno em tendões carregados ciclicamente. O aumento resultante da produção de colágeno tende a ser amplo independente do volume de exercícios (repetições), o que significa que apenas algumas repetições são necessárias para produzir um bom efeito (Magnusson et al., 2010).

O treinamento de fáscia proposto, portanto, recomenda rebotes elásticos macios nas faixas finais do movimento disponível.

Além disso, recomenda-se a variação entre diferentes estilos de estiramento, incluindo alongamentos passivos lentos em diferentes ângulos, bem como trechos mais dinâmicos, para promover a facilidade de cisalhamento fácil entre camadas fasciais fisiologicamente distintas e para evitar a tendência de alcance de movimento limitado que geralmente acompanha envelhecimento (Beam et al., 2003).

4) Hidratação e Renovação

É essencial perceber que cerca de dois terços do volume de tecidos fasciais é constituído por água.

Durante a aplicação da carga mecânica – seja de forma esticada ou através de compressão local – uma quantidade significativa de água é expulsa das zonas mais estressadas, semelhante à espremendo uma esponja (Schleip et al., 2012a). Com o lançamento que se segue, esta área é novamente preenchida com novo fluido, que vem do tecido circundante, bem como a rede vascular local.

O tecido conjuntivo tipo esponja pode faltar hidratação adequada em locais negligenciados. A aplicação do carregamento externo aos tecidos fasciais pode resultar em uma hidratação atualizada desses lugares no corpo (Chaitow, 2009).

Muitas patologias – como condições inflamatórias, edema ou o aumento de acúmulo de radicais livres e outros produtos de resíduos, tende a acompanhar uma mudança para uma maior porcentagem de água em massa dentro da substância moída.

As indicações recentes de Sommer e Zhu (2008) sugerem que quando o tecido conjuntivo local é espremido como uma esponja e subsequentemente reidratado, algumas das anteriores zonas de água em massa podem então ser substituídas por moléculas de água ligadas, o que poderia levar a uma hidratação mais saudável para a fáscia.

Fáscia como Órgão Sensorial

A Fáscia contém um rico suprimento de nervos sensoriais, incluindo receptores proprioceptivos, receptores multimodais e terminações nervosas nociceptivas. Alguns tecidos fasciais, como as retináculas, contêm uma inervação sensorial mais rica do que outras.

Esses tecidos que foram encontrados para conter um fornecimento mais rico parecem poder detectar pequenas mudanças de direção angular no carregamento mecânico, enquanto que os tecidos menos densamente inervados, como o lacertus fibrosus (aponeurose bicipital), parecem estar especializados para um passivo mais unidirecional transmissões de força biomecânica apenas (Stecco et al., 2007, 2008).

Ao incluir os tecidos conjuntivos intramusculares, o periósteo e a fáscia superficial como parte da rede fascial do corpo largo como descrito acima, a fáscia pode então ser vista como um dos nossos órgãos sensoriais mais ricos.

É certamente nosso órgão mais importante para a propriocepção (Schleip, 2003).

É interessante notar que, durante a última década, os “receptores articulares” clássicos localizados em cápsulas articulares e ligamentos associados, têm demonstrado ser de menor importância para a propriocepção normal, uma vez que geralmente são estimulados apenas em intervalos extremos e não durante movimentos fisiológicos (Lu et al., 2005; Proske e Gandevia, 2009; Ianuzzi et al., 2011).

Pelo contrário, as terminações nervosas proprioceptivas localizadas nas camadas mais superficiais estão mais otimamente situadas, pois aqui mesmo pequenos movimentos da articulação angular levam a movimentos de estiramento ou cisalhamento relativamente distintos.

Os achados recentes indicam que as camadas fasciais superficiais do corpo são, de fato, muito mais densamente povoadas com terminações nervosas sensoriais do que os tecidos conjuntivos situados mais internamente (Benetazzo et al., 2011; Tesarz et al., 2011).

Em particular, a zona de transição entre a fáscia profunda e o tecido conjuntivo solto subdérmico parece ter a maior inervação sensorial (Tesarz et al., 2011).

Esta parece ser também a zona em que grandes movimentos de deslizamento ou cisalhamento entre as camadas fasciais parecem ocorrer durante movimentos extensivos multi-articulares, desde que não existam adesões patológicas nesta zona de transição (Goats e Keir, 1991).

Uma relação mutuamente antagônica entre dor miofascial e propriocepção freqüentemente foi descrita.

Expressões disso são a propriocepção local significativamente diminuída na dor lombar (Taimela et al., 1999) ou a diminuição do limiar de dor quando os nervos proprioceptivos são bloqueados experimentalmente (Lambertz et al., 2006). Além disso, foi mostrado por Moseley et al. (2008) que um aumento na propriocepção local pode diminuir significativamente a dor miofascial.

Muito provavelmente, a relação mutuamente inibidora entre a dor nos tecidos moles e a propriocepção fascial é facilitada através dos neurônios de dor ampla dinâmica (WDR) no corno dorsal da medula espinhal (Sandkuehler et al., 1997).

Curiosamente, a pesquisa de Moseley et al. (2008) também indicou que a entrada aferente periférica induzida terapêutica deve ser acompanhada por uma atenção consciente do paciente para produzir um efeito antinociceptivo de longo prazo.

Princípios de Treinamento

As seguintes orientações práticas são aplicações sugeridas com base nessas considerações biomecânicas e neurofisiológicas gerais.

Note-se que, dado as limitações básicas da anatomia humana e a longa e diversa história das explorações do movimento humano, nenhum dos movimentos sugeridos será completamente “novo”.

Na verdade, descobriu-se que muitos aspectos das práticas de movimento conhecidas – como ginástica rítmica, dança moderna, pliometria, gyrokinesis, chi corrida, yoga, Pilates ou artes marciais, apenas para citar alguns e conter elementos que são muito congruentes com as sugestões a seguir.

No entanto, essas práticas muitas vezes foram inspiradas por uma busca intuitiva de elegância, prazer e beleza, e/ou muitas vezes foram ligadas a conceitos de explicação teórica não relacionados à fáscia.

O novo aspecto da abordagem proposta é, portanto, desenvolver seletivamente as sugestões de treinamento, que visam especificamente uma renovação ótima da rede fascial (em vez de, por exemplo, tecidos musculares ou condicionamento cardiovascular) e que estão diretamente ligados aos pontos de vista específicos acima delimitados do campo de pesquisa da fáscia em rápido crescimento.

Conclusão

Como vimos na revisão traduzida na íntegra de vários artigos realizados por nomes incontestáveis do tecido fascial, o treinamento da fáscia traz o Pilates como uma excelente ferramenta de melhora para esse tecido. Portanto, abuse do Pilates!

Por que precisamos de uma boa Biomecânica das Escápulas no Movimento?

Por que precisamos de uma boa Biomecânica das Escápulas no Movimento?

Você com certeza conhece alguém com patologias, lesões ou dores no ombro, mesmo que não seja seu paciente. Esses problemas são muito comuns e, como quero mostrar nesse artigo, muitas vezes estão relacionados a desequilíbrios nas escápulas.

Precisamos entender que os membros superiores só terão bons movimentos fisiológicos se as escápulas funcionarem de maneira adequada. Essas estruturas estão presentes durante todo o movimento do complexo articular do ombro.

Também são importantes para que a articulação glenoumeral funcione corretamente (nem preciso te lembrar que muitas vezes temos patologias e lesões relacionados a essa articulação). As escápulas atuam em todo o movimento dos membros superiores, mas são especialmente importantes na elevação do ombro acima de 90º.

Elas se movimentam em 3 eixos de rotação, sendo seus planos de movimento no:

  1. Plano Frontal – ocorre rotação da escápula para cima e para baixo (de acordo com a orientação da fossa glenóide para cima e para baixo, respectivamente);
  2. Plano Transverso – rotação interna e externa (fossa glenóide orientada para anterior e para posterior, respectivamente) e,
  3. Plano Sagital – inclinação anterior e posterior (quando o acrômio desloca-se anterior ou posteriormente, respectivamente). As alterações biomecânicas de seu movimento são conhecidas como discinesia escapular.

O que acontece quando existe Desequilíbrio das Escápulas?

Como sempre acontece com estruturas articulares e musculares, muitos alunos apresentam escápulas em desequilíbrio. Seu movimento nos três planos que descrevi acima são essenciais para um bom deslocamento do úmero.

A escápula melhora também a coaptação da articulação glenoumeral. Isso acontece porque ela serve como uma plataforma estável que auxilia na ativação dos músculos proximais.

Nem sempre essa sua atuação acontece de maneira eficiente. Nesse caso teremos desequilíbrios dos movimentos das escápulas chamados de discinesia escapular. Trabalhando com patologias e lesões do ombro você verá casos de discinesia escapular com frequência. Ela é relacionada a diversos problemas no complexo articular do ombro.

Entre esses problemas podemos incluir a síndrome do impacto. Pacientes com o problema costumam ter problemas no próprio posicionamento da escápula, como:

  • Menor Inclinação Posterior
  • Rotação Superior
  • Rotação Externa

Essas alterações são responsáveis por aumentar a compressão no espaço subacromial. Como resultado, o paciente eventualmente desenvolverá os sintomas e dores que caracterizam a síndrome.

Relacionamos o surgimento da discinesia escapular a uma falta de controle neuromuscular das escápulas. Portanto, quando encontrar esses tipos de alterações nos seus alunos será preciso ter um profundo conhecimento biomecânico da condição. Assim conseguimos melhorar nossa avaliação do problema e elaborar um tratamento mais eficiente.

Também conseguimos mais resultados no alívio dos sintomas de patologias do ombro relacionadas e retorno mais rápido à atividades diárias. Entendeu por que precisamos conhecer os desequilíbrios das escápulas e como eles surgem?

Só quero fazer uma observação aqui: não confunda escápula alada com discinesia escapular.

Alguns usam os termos como se fossem sinônimos, mas eles representam problemas bastante diferentes. A escápula alada é causada por uma lesão no nervo torácico longo. É um termo que fala sobre perda de controle dos movimentos voluntários da estrutura. Encontramos tal situação em pacientes com lesões neurológicas centrais.

Causas da Discinesia Escapular

De acordo com Burkhart, Morgan e Kibler a discinesia escapular pode surgir de vários fatores. Entre eles estão:

  • Má Postura Corporal (excessiva cifose torácica ou lordose cervical)
  • Lesões Nervosas
  • Disfunções Proprioceptivas
  • Fraturas da Clavícula
  • Lesões Acromioclaviculares

Além desses fatores, encontramos alterações na ativação e coordenação dos músculos estabilizadores da escápula. Também é possível que o paciente tenha alterações nos movimentos escapulares por falta de flexibilidade, fraqueza e contratura de estruturas no complexo articular do ombro.

Essas duas situações são muito comuns e você precisará descobrir quais são as compensações que existem nesse corpo.

Se a escápula for incapaz de desempenhar seu papel estabilizar teremos um complexo do ombro pouco eficiente. Isso gera alterações nos padrões de movimento do indivíduo. Como consequência, o ombro torna-se mais instável e propenso a lesões como:

  • Capsulite Adesiva
  • Síndrome do Impacto

Kibler e McMullen determinaram que boa parte dos pacientes com lesões e patologias do ombro apresentavam discinesia escapular. Entre eles encontramos:

  • 68% dos Pacientes com Síndrome do Impacto
  • 94% dos Pacientes com Lesão Labral
  • 100% dos Pacientes com Instabilidade Glenoumeral

Não podemos confundir essa relação com uma causa. Nem sempre a discinesia escapular foi a origem do problemas.

É possível que ela seja uma compensação secundária causada pela lesão ou patologia do ombro. De qualquer maneira, é preciso identificá-la e corrigi-la durante o tratamento.

Músculos Importante no Trabalho com as Escápulas

Ao elevarmos o membro superior, as escápulas precisam rodar para cima e externamente. Elas também precisam realizar uma inclinação posterior. Para a realização desses movimentos precisamos de músculos serrátil anterior e trapézio funcionando de forma funcional.

São esses músculos que contribuem para uma escápula bem posicionada em qualquer movimento de elevação do ombro. Sua ação ajuda a posicionar a escápula corretamente.

O serrátil anterior, por exemplo, é um dos principais fixadores das escápulas na caixa torácica ao realizar elevações do membro superior. Quando o paciente possui um serrátil enfraquecido ele terá problemas na rotação externa da escápula.

Como sabemos, os movimentos da escápula são essenciais para ter uma boa elevação do membro superior. Para complementar esse movimento, temos a ação do trapézio em sua porção média e inferior. Eles auxiliam a realizar uma boa rotação externa da escápula e elevação do ângulo superomedial da escápula.

Quando trabalhamos com carga existem outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de lesões do membro superior:

  • Diminuição da Rotação para Cima
  • Aumento da Inclinação Anterior
  • Aumento da Rotação Medial da Escápula

Tais compensações também levam a uma diminuição do espaço subacromial e consequente compressão de suas estruturas.

O peitoral menor encurtado também pode contribuir para uma diminuição da inclinação posterior e rotação interna aumentada da escápula nesses movimentos.

A influência do peitoral menor acontece por ser um músculo chave para o funcionamento do ombro. Suas ações só acontecem corretamente quando ele está livre de encurtamentos e tensões. Um peitoral menor encurtado diminui a inclinação posterior da escápula.

Assim, perdemos um movimento que diminuiria bastante a compressão de estruturas subacromiais e garantiria um movimento seguro.

Conclusão

As escápulas são estruturas que ajudam a garantir movimentos funcionais e seguros do ombro.

Considerando a quantidade de pacientes que desenvolvem patologias e lesões nesse complexo articular, podemos imaginar que a discinesia escapular é bastante comum.

Aprenda a trabalhar com as escápulas, corrigir seus movimentos e eliminar compensações relacionadas a ela e você perceberá que seu tratamento para ombro se torna muito mais eficiente.

 

Referências Bibliográficas
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6 – Scapular motion: standard of normality and your alterations in the disfunction CASTRO MP, ALDABEC D. Movimento escapular: padrão de normalidade e suas alterações na disfunção.
Guia Completo sobre a Anatomia Biomecânica da Coluna Vertebral!

Guia Completo sobre a Anatomia Biomecânica da Coluna Vertebral!

Alguém que trabalha com movimento e quer ser um profissional completo precisa de conhecimento nas disciplinas de anatomia biomecânica da coluna vertebral. Estudo dos dados anatômicos e biomecânicos são essenciais para que os profissionais consigam traçar condutas de atendimento eficientes.

Através deles conseguimos evoluir o quadro do paciente/aluno. Também nos tornamos aptos a contribuir significativa e qualitativamente para a melhor compreensão das sequências motoras envolvidas.

Devemos ver o paciente através do seu corpo fisiológico ou adoecido. Essa visão deve conseguir descobrir o que ele acoberta e quais compensações esconde. Isso só é possível através de muita dedicação e estudos.

Mas antes de entendermos sobre a anatomia biomecânica da coluna vertebral, precisamos estudar esses dois conceitos separados.

Antes de começarmos o texto, eu recomendo para que você CLIQUE AQUI e participe do meu grupo exclusivo do WhatsApp, onde eu envio conteúdos, como vídeos e textos, todos os dias. PS: Grupo exclusivo para profissionais e estudantes de Fisio e Ed. Física.

O que é Anatomia e Biomecânica?

Chamamos de anatomia a parte da biologia voltada para o estudo da forma e estrutura do organismo humano. É a disciplina base para cursos da área do movimento. Sua história é confundida muitas vezes com o próprio surgimento da medicina.

A biomecânica é um estudo de forças que atuam pelo corpo humano. Ela pode ser considerada como parte inerente ao movimento, já que todo movimento é um efeito mecânico (físico). O movimento é sempre realizado por uma força que atua diretamente ou indiretamente sobre o corpo humano.

Portanto, esses princípios físicos sempre estarão envolvidos no movimento e na anatomia biomecânica da coluna vertebral. Logo, este estudo é fundamental para a compreensão de situações estáticas e dinâmicas do movimento corporal, seja ele patológico ou são.

Por razões didáticas quero discutir aqui a anatomia e biomecânica da coluna vertebral. Muitos profissionais preferem estudar protocolos de atendimento prontos, mas desejo convencê-los a ser críticos. É preciso ter boas bases de discussão e análise diante de um caso. Para tanto não é possível negligenciarmos a anatomia e biomecânica.

Costumo dizer que o movimento é feito de detalhes. A resposta para o caso do seu paciente com certeza estará no conhecimento anatômico e/ou biomecânico ou na anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Leis que regem os Desequilíbrios Corporais

Através do estudo dessas áreas compreendemos todas soluções engenhosas adotadas pela biomecânica para que nosso corpo obedeça três leis. Elas são responsáveis pelos esquemas de comprometimentos funcionais de um organismos:

  • Lei do Equilíbrio: Em nossa fisiologia, o equilíbrio corporal, em toda sua dimensão corporal (parietal, visceral, hemodinâmica e neurológico) é sempre prioridade e as soluções encontradas são sempre econômicas.
  • Lei do Conforto: O funcionamento de um corpo são, fisiológico é sempre confortável, já o comportamento de um corpo não fisiológico, estará sempre em busca da conservação do equilíbrio, tendo como prioridade a ausência de dor.
  • Lei da Economia: Esse corpo fará tudo para não sofrer, mesmo que esse esquema adaptativo comprometa a nossa mobilidade, levando a um desgaste excessivo de energia, e deformações corporais posteriormente.

Entendendo essas três leis, fica lógico os esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo. Precisamos nos atentar principalmente para a retroalimentação dessas leis.

Vamos agora à anatomia biomecânica da coluna vertebral?

Coluna Vertebral

A coluna vertebral é formada por trinta e três vértebras que se articulam entre si. São elas:

  • 7 Vértebras Cervicais
  • 12 Vértebras Torácicas
  • 5 Vértebras Lombares
  • 5 Vértebras Sacrais Fundidas
  • 4 Vértebras Coccígeas

A coluna vertebral também se articula com a base do crânio, das costelas e dos ilíacos. As costelas, por sua vez se articulam com a escápula posteriormente e com o esterno/clavícula anteriormente. Já a coluna lombar se articula com a pelve inferiormente.

Originalmente pensávamos que eram os ligamentos os responsáveis pela estabilidade das vértebras. Hoje sabemos que eles somente direcionam os movimentos produzidos e protegem as vértebras de movimentos bruscos ou forças excessivas aplicadas na coluna. Os verdadeiros estabilizados são os músculos.

O músculos e suas fáscias extremamente potentes são os grandes responsáveis pela proteção do eixo raquidiano. As vértebras são estruturas fixas que ficam justapostas. Sua ligação se dá pelas articulações interapofisárias. Elas servem como guia para os movimentos.

Entre as vértebras encontramos o disco intervertebral. O conjunto de discos e articulações são as estruturas responsáveis pela mobilidade da coluna. Em conjunto, essas estruturas permitem mobilidade articular principalmente pelas distribuições de força realizadas na coluna vertebral durante o movimento.

Logo, entendemos o motivo de essas estruturas serem tão agredidas em nossas colunas. Mais adiante detalharemos melhor o disco intervertebral e a importância da anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Existe uma vértebra padrão, mas elas sofrem pequenas alterações de acordo com o nível da coluna em que se encontram. Isso acontece devido às especificidades de todos os segmentos da coluna vertebral, que são diferentes.

Funções da Coluna Vertebral

A anatomia biomecânica da coluna vertebral é muito importante porque a coluna é o eixo corporal e constitui um complexo importante de ligação entre as duas cinturas: a escapular e a pélvica. Durante sua função estática a coluna é simétrica e perpendicular às duas cinturas.

Na estática, quando existem forças sem movimento, uma coluna saudável terá seus ligamentos e tensores musculares equilibrados e relaxados. Eles só funcionarão para manter o equilíbrio estático diante do movimento oscilatório do tronco quando estamos em pé. Essas estruturas se contraem e relaxam logo em seguida.

Assim, o equilíbrio é restabelecido. Se os músculos não puderem relaxar após a contração exercida para o reequilíbrio, ele adoecerá.

Na função cinética da coluna qualquer movimento que ocorre entre as duas cinturas gera uma regulação automática de tônus dos músculos estabilizadores do tronco.

Também percebemos a ativação de um complexo sistema de compensação postural. Isso gera deslocamentos gravitacionais importantes. Quando ocorre qualquer encurtamento surge fraqueza muscular ou alterações posturais significativas.

A coluna vertebral sofre constantemente um dilema contraditório. Ela precisa ser rígida o suficiente para ter suporte da compressão axial exercida pela força gravitacional e massa do indivíduo. Porém, também precisa manter sua mobilidade para que os movimentos aconteçam de forma organizada segundo a anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Para que isso ocorra a coluna tem que manter equilibrada suas três funções:

  1. Estática: exercida pelos corpos e discos vertebrais, principalmente pelas fáscias musculares;
  2. Cinética: feita pelos músculos;
  3. De proteção: efetuada pelo canal vertebral.

A manutenção equilibrada da postura estática e um controle dinâmico adequado são condições fundamentais para nosso corpo responder de maneira eficiente às demandas impostas.

Conceitualmente, estabilidade pode ser definida como: a habilidade da articulação retornar ao seu estado original, após sofrer uma perturbação.

Subsistemas da Coluna

Vindo de encontro com as ideias abordadas neste artigo sobre anatomia biomecânica da coluna vertebral, um estudo a respeito da estabilidade articular da coluna vertebral, diz que o sistema de estabilização da coluna incorpora três subsistemas:

  • Passivo
  • Ativo
  • Neural

O subsistema passivo é composto pelas estruturas ósseas, articulares e ligamentares.

Ele contribui para o controle próximo ao final da amplitude articular, onde desenvolve forças reativas que resistem ao movimento. Entretanto, em torno da posição neutra da articulação, ele não oferece nenhum suporte estabilizador significativo.

O subsistema ativo contempla as estruturas musculares quando desempenhando suas funções contráteis. Este, diferentemente do primeiro, atua na obtenção mecânica da estabilidade mesmo a partir da posição neutra. Ele é capaz de modular sua resistência ao longo de toda amplitude de movimento da anatomia biomecânica da coluna vertebral.

O terceiro subsistema, o neural, é aquele que monitora e regula de forma contínua as forças ao redor da articulação. É baseado na organização armazenada no córtex cerebral.

O comportamento não linear das estruturas ligamentares em torno da posição neutra a tornam uma região de elevada frouxidão ou baixa rigidez. A zona neutra permite que os deslocamentos ocorram com o mínimo de resistência interna de estruturas passivas.

Quando uma lesão ocorre nos subsistemas passivo ou ativo teremos um aumento não fisiológico da amplitude da zona neutra. A atividade muscular é capaz de minimizá-las e mesmo restaurar os limites fisiológicos. Perceba que as musculaturas possuem um papel fundamental na busca por estabilidade.

A compreensão dos mecanismos cinesiopatológicos, que envolvem o desenvolvimento das disfunções musculoesqueléticas, é fundamental para a definição de estratégias para sua prevenção, tratamento e treinamento.

Por esse motivo, busca-se o entendimento das instabilidades articulares. Elas são apontadas como risco para potenciais lesões teciduais, e componente básico de inúmeros processos degenerativos e álgicos.

Curvaturas da Coluna Vertebral

Entre as vértebras existe uma alternância entre cifoses (ligadas à proteção) e lordoses (ligadas à mobilidade). A frente das lordoses sempre possuem longos e potentes, que é o caso dos flexores do pescoço e reto abdominal.

Já a frente das cifoses possuem músculos chatos e profundos, como o Serrátil Anterior. Ele é ligado à função de manutenção postural. Logo as cifoses com sua pouca mobilidade se tornam pontos fixos para os movimentos realizados pelas cadeias musculares lordóticas.

Num plano sagital observamos:

  • Cifose Craniana (protegendo o cérebro)
  • Lordose Cervical
  • Cifose Torácica (protegendo os pulmões e coração)
  • Lordose Lombar
  • Curvatura Sacral Côncava (protegendo os órgãos da pelve menor)

A presença dessas curvaturas aumenta de forma considerável a capacidade de resistência às pressões axiais sofridas pelo eixo raquidiano.

Essas pressões surgem partir do momento que estamos expostos a força gravitacional e a força de peso normal ou massa do indivíduo (descendente) e a força solo (ascendente). Quanto mais retificada uma coluna mais precário será o equilíbrio desse indivíduo.

Por isso a importância do estudo da anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Classificação das Curvaturas Corporais

Sobre a anatomia biomecânica da coluna vertebral, classifica-se quanto às curvaturas vertebrais:

Quanto mais retificada (retilínea) forem as curvaturas, define-se como uma coluna do tipo funcional estática. Quanto maior forem as curvaturas vertebrais indicativo de uma coluna do tipo funcional dinâmica.

Além disso, quanto mais acentuadas forem as curvaturas mais mobilidade e quanto menos acentuada maior rigidez.

O recém-nascido apresenta somente uma curvatura corporal que é realizada por um padrão de flexão global (adequação ao útero materno). Logo após o nascimento, a força gravitacional contínua, obriga o bebê a realizar uma inversão de algumas dessas curvaturas para se movimentar.

À medida que seus reflexos inatos vão sendo sobrepostos pelo controle de movimento essas curvaturas começam a se formar.

A primeira delas é a lordose cervical. Como o desenvolvimento neuro-psico motor é céfalo-caudal e próximo distal, nada mais lógico que o primeiro segmento corporal que o bebê consiga controlar é o segmento cervical. Ele suporta regula os movimentos da cabeça, invertendo assim a curvatura cervical para uma lordose chamada de primeira curva secundária.

A segunda curva secundária é formada quando a criança passa da posição de quadrúpede para bípede e é chamada de lordose lombar. As curvaturas secundárias são mais flexíveis, em contrapartida mais frágeis.

Diferenças entre Segmentos Vertebrais

Com exceção do atlas e axis (não palpáveis), as duas primeiras vértebras cervicais, todas as vértebras da coluna possuem basicamente a mesma constituição que se dividem em duas partes principais:

Parte anterior, onde se encontra localizado o corpo vertebral que tem a função de sustentação. Parte posterior, onde se encontra o arco vertebral que é formado por:

  • Dois pedículos;
  • Duas lâminas;
  • Quatro processos articulares (dois superiores e dois inferiores).

Essas partes da anatomia biomecânica da coluna vertebral são responsáveis pelo contato articular. Também existem outras regiões que formam a vértebra:

  • Processo espinhoso (responsável pelo controle da mobilidade local);
  • Dois processos transversos;
  • Canal vertebral;
  • Forame intervertebral.

Esses dois últimos ligados a função de proteção de nossas estruturas nobres (medula espinhal).

Basicamente podemos dizer que a parte anterior da vértebra está associada à função estática da coluna e a parte posterior ligada à função cinética da mesma.

Modificações das Vértebras

A coluna cervical e lombar são as de maior mobilidade. As vértebras conforme já dito anteriormente possuem basicamente uma mesma conformação com algumas modificações específicas para algumas funções.

Para entendermos melhor a anatomia biomecânica da coluna vertebral, vamos falar especificamente de cada parte da coluna.

Coluna Cervical

Para começar a entender a anatomia biomecânica da coluna vertebral, precisamos saber que o corpo vertebral normalmente possui uma forma cilíndrica. No caso da região cervical possui uma forma retangular com as extremidades laterais se prolongando para cima em forma de um unco e as formas inferiores incisadas para perfeito ajuste articular.

Essa forma possibilita grande estabilidade para essa região. A adaptação é importante devido a sua característica de bastante mobilidade. Seus processos espinhosos são maiores nas porções inferiores da coluna cervical. Eles limitam consideravelmente os movimentos de extensão do pescoço.

O ápice de proteção está em C7 que possui o maior processo espinhoso da coluna cervical.

O atlas e o axis são vértebras atípicas responsáveis somente pela mobilidade da coluna cervical. Não possuem disco intervertebral e produzem os movimentos de rotação, flexo-extensão e lateralização.

Um dado comprobatório disso é a possibilidade de flexionar a cabeça em 35° sem a participação do pescoço. Isso explica as cirurgias cervicais onde são retirados ou estabilizados, com hastes, de algumas vértebras. A amplitude de movimento total fica comprometida, porém é possível fazê-la.

Nos discos Entre C2 e C7 são realizados os movimentos de flexo-extensão e lateralização combinados com uma ligeira rotação.

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Coluna Torácica

Já na coluna torácica é possível a realização de todos os movimentos, porém numa menor amplitude de movimento.

A limitação é dada pela caixa torácica, a qual é diminuída entre TI e T VII. Nessas regiões estão fixadas as escápulas e costelas, formando um arco costal junto ao esterno anteriormente.

Entre TXI e TXII não existe ligação com o esterno, pois nessa região a mobilidade é significativa.

Coluna Lombar

Os corpos vertebrais são maiores nas vértebras lombares, pois suportam o maior índice de carga axial de toda coluna. Possuem alguns movimentos como a de flexo-extensão, inclinação e mobilidade de diminuta para as rotações, importantes para a anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Assim como a transição entre TXII e LI também possui essa rotação. Devemos ser cautelosos com esses movimentos de rotação nessas regiões caso as cadeias musculares não estejam completamente livres.

Mencionei anteriormente que possuímos dois tipos de funcionais de coluna: estático e cinético.

Devemos ter ampla compreensão desses tipos funcionais na hora de reabilitar o aluno. Alguém com uma coluna predominantemente estática (retificada) terá mobilidade diminuída. Portanto, sua compressão axial será maior.

Essa pessoa estará mais suscetível a uma dor lombar proveniente de uma lombociatalgia. Seus músculos estarão mais retesados e o ciático estará sofrendo maior compressão.

Em um tipo funcional cinético a lombalgia provavelmente estará relacionada a:

  • Aumento da Mobilidade
  • Hiperlordose Lombar
  • Horizontalização do Sacro
  • Força de Tração Anterior Aumentada

O tratamento para lombalgia é diferenciado para os diferentes tipos de coluna, já que os mecanismos fisiopatológicos são distintos.

Disco Intervertebral

O disco intervertebral é o grande contribuinte para uma coluna saudável e anatomia biomecânica da coluna vertebral, o qual sua estrutura se divide em duas partes:

  • Núcleo Pulposo
  • Anel Fibroso

O núcleo pulposo é a parte central formada de 88% de água e com uma capacidade hidrófila muito grande. Ele fica protegido por um potente sistema de contenção conhecido como anel fibroso, formando assim um componente hermeticamente fechado.

Tem a função de suportar as fortes pressões axiais sofridas pela coluna constantemente enquanto estamos em bipedestação.

Uma boa noite de sono contribui muito com a saúde da coluna vertebral. É durante a noite que a ação da gravidade cessa sobre a coluna vertebral, permitindo assim que a água do núcleo pulposo retorne ao seu centro (capacidade de hidrofilia).

Durante o dia o núcleo vai perdendo a água para reequilibrar as forças sofridas pelos movimentos e a ação gravitacional. O estado de atonia proporcionado pela fase REM do sono também é fundamental aos músculos. Ele proporciona um estado de não contratilidade para o descanso necessário.

Movimentos da Anatomia Biomecânica da Coluna Vertebral

Devemos lembrar que os movimentos articulares em cada segmento vertebral da anatomia biomecânica da coluna vertebral são muito limitados. É a somatória da pequena mobilidade de cada segmento que dá a ampla mobilidade da coluna.

Na flexão a vértebra subjacente se inclina anteriormente. Ela diminui o espaço articular na parte anterior do espaço articular. Isso tende a pinçar o anel fibroso e empurrar o núcleo pulposo posteriormente.

Os processos articulares e espinhosos se afastam e todo sistema ligamentar posterior se encontra tenso. Durante a extensão a mecânica ocorrida é exatamente oposta.

Nas inclinações laterais, a vértebra superior báscula lateralmente sobre a vértebra inferior. Com isso há diminuição do espaço do lado côncavo e o núcleo pulposo se desloca para o lado convexo. Também há aumento dos espaços articulares e tensionamento dos ligamentos nesse lado.

As rotações geram uma torção sobre o disco que produzem uma tensão (força de cisalhamento) das fibras com a diminuição de todo espaço articular e tensão no sistema ligamentar. Por esse fato as rotações são mais susceptíveis a lesões caso o movimento não esteja em boa organização, com a anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Compensações nos Movimentos

É importante ressaltarmos que, segundo Leopold Busquet (2010) apenas 5% das hérnias são verdadeiras, e essas são cirúrgicas. Considerando a segunda Lei de Pascal, que diz que uma força empregada em um sistema hermeticamente fechado, no caso dado pelo anel fibroso, gerará uma força e pressão distribuída de forma coesa.

Logo o núcleo pulposo é deslocado para um determinado lado dependendo do movimento. Porém aquela visão antiga que tínhamos de que a pressão também estará aumentada daquele lado é errônea.

Toda essa mecânica estrutural e anatomia biomecânica da coluna vertebral só terá eficácia se a musculatura, seja ela estabilizadora ou produtora, funcionar de forma coesa, funcional e estruturada.

Caso contrário, nosso organismo é inteligente o suficiente para gerar mecanismos compensatórios. A princípio só funcionarão para a produção do movimento, mesmo que ele produza uma carga excessiva sobre determinada estrutura, ou algum enfraquecimento ou encurtamento de músculos.

Ao longo prazo esse mecanismo, aparentemente efetivo, gerará as mais diversificadas lesões. Algumas pesquisas afirmam que aos 30 anos de idade grande parte da população apresenta zonas de hiperpressão óssea nas radiografias.

Ou seja, estruturas que começam a apresentar os primeiros sinais de desgaste mecânico. Caso o ajuste mecânico não seja realizado, serão estruturas que em médio prazo já tendem a apresentar algum nível de desgaste articular.

Paul Hodges

Paul Hodges sugeriu, a partir dos estudos de Panjabi, que a melhor estratégia para estabilizar a coluna é frequentemente o movimento. É uma ideia bastante diferente da rigidez que muitos impõem sobre a anatomia biomecânica da coluna vertebral.

A perturbação é menor quando existe uma preparação para o movimento e ajustamento da posição da coluna. Assim, a estabilidade deixa de ser um impedimento do movimento.

Na maioria das vezes estabilidade envolve pequenos movimentos sutis feitos no momento certo. Alguém que tenha dor lombar tem seus movimentos comprometidos. De acordo com Hodges, a optimal stability não se dá sobre a geração máxima de contração, no caso, do Power House.

Na verdade, ela acontece com a contração dos músculos corretos, com a intensidade certa e no momento certo. Isso é importantíssimo porque as contração musculares para estabilizar a coluna têm um alto custo:

  • Restringem da respiração;
  • Exercem maior pressão sobre o assoalho pélvico;
  • Comprimem a coluna vertebral.

A atividade muscular da estabilização do núcleo deve preceder quaisquer forças que possam perturbar a coluna. Por isso Hodges considera que a o timing, a antecipação e atividade muscular feedforward são o mais importante.

Sabemos que o transverso é o principal músculo de estabilização da coluna vertebral. Portanto devemos conhecê-lo profundamente antes de trabalhá-lo no nosso aluno.

Transverso do Abdômen

O transverso do abdômen é cortado pela frente pela potente linha alba e por trás pela fáscia tóraco lombar. Acredito em sua interdependência e ainda na existência de dois músculos transversos. É possível dividi-lo em:

  • Transverso Direito
  • Transverso Esquerdo

Discordo do comando que tantos instrutores usam de levar o umbigo para a coluna. Isso só ajuda a realizar a ativação com a colaboração dos retos abdominais. O transverso não é o responsável por esse movimento.

Também existe um grande engano no Brasil sobre a contração do transverso. Perceba as linhas de tração do transverso, sua origem e inserção. Agora analisemos uma contração concêntrica dos transversos.

As linhas inferiores do transverso o tracionam para dentro e para baixo. Elas alargam a parte inferior do abdômen como as figuras que criamos de cinturão, espartilho e outras. É mais um fator que devemos levar em consideração na contração do transverso. Isso impede que o músculo realize sua contração somente no sentido interno.

O transverso traz sua contração para a crista ilíaca de forma ascendente. Assim formamos uma cintura fininha na altura de suas fibras médias que são horizontais, não nas fibras inferiores e superiores.

O comando que devemos dar é de aplanamento do abdômen com a formação de uma cintura fininha. Não devemos fazer o aluno empurrar as vísceras para baixo para não fadigar o assoalho pélvico. Toda a linha osteopática fala em fadiga do assoalho pélvico e não fraqueza e não fraqueza.

Conceito da Estabilidade

Agora analisaremos o conceito da estabilidade segundo a física mecânica. Adianto que diante de todas as pesquisas apresentadas o Método de Joseph Pilates foi genial em suas soluções.

A estabilização segmentar ou o fortalecimento do Power House é usado até hoje depois de ser proposto por Pilates.

Fazemos isso por acreditar que quanto mais forte for o Power House, mais estável será a coluna. Pela física esse conceito não estaria errado, porém está mal compreendido. Confundimos estabilidade com rigidez e esquecemos da mobilidade.

De acordo com a física, estabilidade é a energia potencial de um corpo. Essa energia pode ser armazenada nesse corpo e transformada em energia cinética (de movimento).

Tudo só é possível se o corpo estiver equilibrado, por isso a importância da anatomia biomecânica da coluna vertebral.

A energia potencial gravitacional gerada pela força solo pode ser transformada pelos nossos tendões e músculos em energia cinética. Isso gera estabilidade o corpo em movimento.

Estabilidade é igual rigidez vezes mobilidade. Se fortalecermos o Powerhouse em demasia geramos rigidez e pouca mobilidade. Portanto, acabamos perdendo a energia potencial elástica gerada pelos músculos.

Se formos móveis em excesso também teremos um problema. Perdemos estabilidade e também não conseguimos gerar energia potencial elástica.

Um corpo equilíbrio deve conseguir utilizar de forma econômica uma fonte de energia cinética para o movimento sem riscos de lesões. Por isso podemos ver que o Método Pilates é um exercício completo. Ele trabalha na mobilidade e na estabilidade (rigidez).

Só é preciso um ajuste de menos força para a estabilidade segmentar. Queremos realizar menos força para garantir estabilidade sem gerar rigidez ou aumento da pressão intra cavitária.

Biomecânica da Coluna Vertebral

Antes de começar a estudar a mecânica da coluna vertebral devemos entender um pouco sobre o trabalho de Andrew Taylor Still. Alguns fatores influenciam seu trabalho, como:

  • Ambiente da época (guerra civil americana);
  • Estudos de anatomia que cresciam com a revolução industrial durante o século XIX.

Os estudos da época usavam dissecação de cadáveres e estudos do corpo humano. As influências clássicas ficam claras nos conceitos usados por Taylor Still e sua obsessão pela fisiologia humana.

Still compreende que os conceitos de mecânica e suas leis descrevem os movimentos. Eles são realizados sob o conceito de um sistema de forças. Esses foram observados primeiramente nas estruturas da coluna vertebral para depois serem adaptados às outras articulações corporais.

John Martin Littlejohn

John Martin Littlejohn formou-se na primeira turma de osteopatas diretamente com Still. Ele explorou esse conceito Newtoniano de forma brilhante de maneira que explicarei esse conceito sobre a coluna vertebral para vocês.

Segundo Littejohn a bipedestação só é possível, devido a tensões músculo-tendíneas. Elas desafiam permanentemente a força gravitacional, sendo vetores que dispersam a gravidade.

Para estar equilibrada dentro do próprio corpo do indivíduo, definiu assim, duas linhas de força fundamentalmente dois pontos.

Linhas de Força

1- Linha Ântero-Posterior

2- Linha Póstero-Anterior

Essas duas linhas se cruzam ao nível de T4 (quarta vértebra torácica) a frente do seu corpo vertebral. Segundo Littejohn essas duas linhas de força: a linha ântero-posterior origina-se anteriormente a margem anterior do furo occipital.

Elas seguem pelos corpos vertebrais de T11 e T12, atravessa as facetas articulares de L5 para se encerrar no cóccix.

Essa linha representa as tensões do corpo que asseguram o formato da coluna vertebral. Comparando a nossa coluna a um arco, esta linha seria a corda que assegura o formato e a tensão desse arco. Essa linha mantém as curvas da coluna vertebral.

Comparando a coluna vertebral a esse arco essa linha, nada mais é, do que as tensões que seguram a corda desse arco.

A linha póstero-anterior parte da margem posterior do furo occipital, segue pelos corpos vertebrais posterior a eles, segunda vertebra torácica, chegando até L2-L3. Nesse ponto ela se divide, e segue até os acetábulos. Na verdade, a linha póstero-anterior são duas.

A primeira parte da margem póstero-lateral do furo occipital até o acetábulo oposto, cruzando-se portanto, a função da linha póstero-anterior e coordenar o segmento coluna vertebral com a unidade cervical e membros inferiores. Também coordena a cabeça com os movimentos dos membros inferiores. Ou seja, permite a estabilidade e o equilíbrio desses elementos.

A linha póstero-anterior mantem a tensão da cervical, do tronco e dos membros inferiores, de acordo, com as pressões das cavidades internas do corpo.

Divisão de Littlejohn

Portanto, a linha anteroposterior permite a manutenção das curvaturas da coluna vertebral, e a linha póstero-anterior é quem permite a mobilidade da mesma no espaço mantendo o equilíbrio entre os seus segmentos.

Littlejohn, propõe a divisão da linha póstero anterior em duas. Isso é feito de forma que elas se cruzem com a linha anteroposterior. Esse cruzamento gera geometricamente duas pirâmides que representam as cavidades: torácica e abdominal.

Segundo Littejohn as pirâmides têm por função manter as pressões das cavidades torácicas e abdominal em equilíbrio.

A forma externa da pirâmide é constituída pelo conjunto de músculos que asseguram essa pressão interna. Essas pressões internas permitem a fundamental mobilidade visceral.

Qualquer alteração do relacionamento entre as pirâmides muda o equilíbrio das pressões no conjunto muscular que a cercam. Ou seja, o aumento da pressão em uma das pirâmides (cavidades abdominal e torácica) altera a pressão da outra cavidade.

A outra função das pressões das pirâmides é assegurar o equilíbrio das diversas estruturas: a base e o ápice e suas relações de equilíbrio. Logo a manutenção da cabeça sobre o tronco, e do tronco sobre os membros, além da cabeça e dos membros inferiores.

Littejohn, faz ainda, uma correlação importantíssima com a L3 (terceira vértebra lombar). Essa é a que mais se altera, entrando em disfunção na coluna lombar, pois L3 é a única vértebra por onde passa a linha gravitacional.

Também é a única vértebra de transição dinâmica entre os membros inferiores e a coluna vertebral. L4 e L5 estão muito correlacionadas de forma ligamentar ao sacro, sendo, portanto, L3 e a verdadeira e única vértebra de extensão do tronco.

Tanto que Littejohn ousou a dizer que todas estruturas anatômicas situadas acima de L3 estão apoiadas nela. Todas estruturas anatômicas situadas abaixo são suspensas por L3. Não é por acaso, que em L3 encontra-se o centro de gravidade do corpo humano.

Importância das Curvaturas da Coluna

Qual a importância das curvaturas da coluna para a anatomia biomecânica da coluna vertebral?

A presença de curvaturas da coluna vertebral aumenta a sua resistência aos esforços de compressão axial. Os engenheiros puderam demonstrar que a resistência de uma coluna com curvaturas é proporcional ao quadrado do número de curvaturas mais um.

Portanto, se tomarmos como referência uma coluna do tipo funcional estática (retificada), cujo número de curvaturas é igual a O, e considerarmos a sua resistência como uma unidade, numa coluna com uma só curvatura, a sua resistência é o dobro da primeira.

Numa coluna com duas curvaturas a sua resistência é cinco vezes maior do que a da coluna retilínea. Por último, no caso de uma coluna com três curvaturas móveis a resistência é dez vezes maior que a da coluna retilínea.

Esse seria o caso da coluna vertebral com a sua lordose lombar, a sua cifose dorsal e a sua lordose cervical.

Pode-se medir a importância das curvaturas da coluna vertebral pelo índice raquidiano de Delmas. Este índice somente pode ser medido num modelo anatômico. Consiste na relação existente entre o comprimento alcançado pela coluna vertebral do platô da primeira vértebra sacral até o atlas e a altura entre o platô superior de S1 e o atlas.

Uma coluna com curvaturas normais tem um índice de 95%; os limites máximos da coluna adequado são 95 e 96%. Uma coluna vertebral com curvaturas acentuadas possui um índice de Delmas inferior a 94%. Isto significa que o seu comprimento é nitidamente maior do que a sua altura.

Contudo, uma coluna vertebral com curvaturas pouco pronunciadas, isto é, quase retilínea, possui um índice de Delmas superior a 96%. Esta classificação anatômica é muito importante, visto que existe uma relação entre ela e o tipo funcional.

De fato, A. Delmas demonstrou que a coluna vertebral com curvaturas pronunciadas é de tipo funcional dinâmico. Já a coluna vertebral com curvaturas pouco acentuadas é de tipo funcional estático.

Importância da Vértebra T4

Porém, as pirâmides se cruzam em T4, vértebra fulcro do plano frontal, almofada da cabeça, além de ponto de anastomose entre o plexo cardíaco, o nervo frênico e o vago. Hoje em dia, sabemos que houve uma evolução gigantesca do nervo vago.

Assim, existe o vago primitivo e o vago evoluído, proporcionando mudanças importantes em nosso Sistema Nervoso Central (SNC). A quarta vértebra torácica é a última vertebra de onde parte o ligamento vertebro-pericárdio. Isso nos indica que o tratamento de uma cervicalgia está na mobilização ou manipulação de T4.

Percebam quantas estruturas anatômicas importantes estão interligadas a T4.

Em T3 e T4 também encontramos o núcleo semi espinhal, o núcleo neuro vegetativo do sistema simpático responsável pelo controle da vasomotricidade entre as vértebras.

Falando em cadeias musculares, Littejohn dizia para se trabalhar na linha anteroposterior, as linhas da forma da coluna vertebral, que são os músculos paravertebrais. Já a linha póstero-anterior só observamos. Porém hoje sabemos que temos importante atuação na linha póstero anterior que são as linhas de pressão.

Segundo Paul Hodges aumentando a pressão abdominal ativamos a cadeia de flexão de forma a pré ativar a cadeia de extensão. Ou seja, as duas linhas músculo-tendíneas para garantir o equilíbrio corporal. A cadeia de flexão e extensão se reequilibram a todo momento, devemos agir na linha póstero anterior para modular a tensão delas.

Perda de Mobilidade Torácica

O que observamos na prática com nossos pacientes\alunos com perda de mobilidade torácica e devido ao fato de mecanicamente ser uma região de inversão de curvas, todas as regiões de trocas de linhas de força são regiões vulneráveis na anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Nossa coluna funciona de forma bem equilibrada quando mantém suas curvas. Elas distribuem seus vetores de força para fora da linha média. A fragilidade da coluna vertebral está nas inversões dos vetores de força que ocorrem nas trocas de curvas de cifoses para lordoses e vice-versa.

Porém nossa coluna vertebral não é um arco fixo. Ela possui elementos flexíveis com seus fulcros de rotação, sendo em T11 e T12 esse maior fulcro de rotação. As facetas articulares de T11 e T12 são orientadas no plano frontal para a rotação.

Também estão livres das costelas, sejam elas falsas ou verdadeiras.

Vértebras Lombares

Já as vértebras lombares possuem suas facetas articulares no plano sagital e orientadas para trás.

O centro geométrico do círculo que passa pelas facetas articulares lombares é projetado em seus processos espinhosos. Isto nos diz que o fulcro de rotação das vértebras lombares encontra-se na espinhosa.

Logo quando a lombar roda, é devido a um movimento de translação lateral dos discos. Isso faz com que a rotação para a coluna lombar seja um movimento gerador de stress mecânico. As vértebras lombares possuem em média 3 ou 4 graus de rotação, no máximo, para cada segmento vertebral lombar.

Segundo Kapandji, as facetas articulares superiores das vértebras lombares estão orientadas para trás e para dentro e não são planas. Na verdade, são côncavas transversalmente e retilíneas verticalmente.

Geometricamente, elas estão talhadas sobre a superfície de um mesmo cilindro cujo centro se situa atrás das facetas articulares, aproximadamente na base da apófise espinhosa.

Nas vértebras lombares superiores, o centro deste cilindro se localiza quase imediatamente atrás da linha que une a margem posterior das apófises articulares. Nas vértebras lombares inferiores, o cilindro tem um diâmetro muito maior. Ele recua na mesma medida o seu centro em relação ao corpo vertebral.

É importante o fato de que o centro deste cilindro não se confunda com o centro dos platôs vertebrais, quando a vértebra superior gira sobre a vértebra inferior. Este movimento de rotação se realiza ao redor deste centro e deve acompanhar-se, obrigatoriamente, de um deslizamento do corpo vertebral da vértebra superior com relação ao da vértebra subjacente.

O disco intervertebral não é, portanto, solicitado na torção axial. Isso lhe daria uma amplitude de movimento relativamente grande, mas em cisalhamento. Isto explica que a rotação axial na coluna lombar seja limitada, tanto em cada altura, quanto no seu conjunto.

Segundo os trabalhos de Grégersen e D.B. Lucas, a rotação total direita-esquerda da coluna lombar seria de 10° e, supondo que a rotação segmentária estivesse repartida, isto seria igual a dois graus por cada parte, isto é, um grau a cada lado em cada nível.

Portanto, podemos destacar que a coluna lombar não está conformada para realizar a rotação axial, limitada pela orientação das facetas articulares.

Por que isso é importante?

Nossa anatomia biomecânica da coluna vertebral não é somente um arco, são dois arcos, pensando somente nos segmentos torácicos e lombares. Portanto quando chegamos no segmento lombar esse arco se inverte sem que a tensão da corda se perca.

Logo, há possibilidade do segmento torácico e lombar inverterem-se mantendo a liberdade de movimento.

Lembrando que a tensão da corda é gerada pelas tensões músculo tendíneas. Só é possível se a tensão da corda passar exatamente pelo centro do fulcro, se a tensão da corda passar atrás ou a frente do fulcro, que fatalmente ocorrerá se uma das curvaturas vertebrais estiverem aumentadas ou diminuídas.

Assim, geramos uma dificuldade nessas colunas para realizarem rotações, rotações essas que serão recuperadas no segmento lombar, sobretudo em L4-L5.

Logo temos, uma linha anteroposterior, uma linha póstero anterior, e ainda, uma linha gravitacional como resultante das duas linhas citadas.

 

 

Bibliografia
  • Liem, T. A. T. Still’s Osteopathic Lesion Theory and Evidence-Based Models Supporting the Emerged Concept of Somatic Dysfunction. JAOA 2016, 116 (10): 654-661.
  • Kapandji
  • Puntos gatillo y cadenas musculares funcionales en osteopatía y en terapia manual / Trigger Points and Muscle Chains in Osteopathy and Functional Manual Therapy (Espanhol) Capa Comum por Philipp Richter (Autor),‎ Eric Hebgen (Autor)
  • Cadeias Musculares do Tronco Janaina Cintas

 

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Riscos da Cesárea – Dor Lombar e Cicatrizes Tóxicas

Riscos da Cesárea – Dor Lombar e Cicatrizes Tóxicas

O número de mulheres que realiza partos cesáreos no Brasil não para de crescer. Mesmo assim, existem diversos riscos da cesárea para a mecânica do corpo.

Muitas mulheres apresentam dor lombar após realizar a cirurgia. Isso está relacionado a uma série de compensações geradas pelo corpo que teve uma grande quantidade de tecido conjuntivo e importantes músculos cortados.

Para fornecer um tratamento eficiente a essas pacientes precisamos entender também como as compensações surgem.

Nesse artigo você entenderá os riscos da cesárea para a mecânica corporal e quais são as disfunções que surgem dela. Assim, conseguirá preparar um tratamento muito mais eficiente e completo para sua paciente.

Início: Processo da Anestesia

As cirurgias de cesárea usam a raquianestesia, um tipo de anestesia que é aplicada nas meninges da coluna vertebral. Logo veremos como essa anestesia afeta diretamente a cadeia neuromeningea.

Ela é aplicada diretamente no líquor, sua ação bloqueia as raízes posteriores e anteriores, gânglios das raízes posteriores, parte da medula espinhal. Quando a paciente recebe o procedimento ela perde a atividade autônoma sensitiva e motora na parte inferior do corpo.

Para realizar a aplicação a paciente fica deitada em decúbito lateral em posição de tronco. A posição ajuda a aumentar os espaços articulares intervertebrais, facilitando o acesso ao local da aplicação anestésica. Na hora de aplicar utiliza-se uma agulha fina que é introduzida no intervalo entre as últimas vértebras lombares.

Perceba que a aplicação da anestesia gera um pequeno orifício que o corpo precisará ser cicatrizado ou recoberto. Em algumas pacientes isso não acontece, fazendo com que parte do líquor seja recoberto.

O resultado é uma alteração nas pressões do líquido céfalo raquidiano. Pacientes com tais alterações sofrem com sintomas como:

Os sintomas têm início cerca de 24 horas após a cirurgia e podem persistir por mais ou menos 5 dias. Após esse período eles desaparecem de forma espontânea conforme o corpo repõe o líquido perdido. Para que a paciente tenha uma recuperação mais rápida o ideal é permanecer em repouso e hidratar-se bastante.

Apesar dos sintomas desaparecerem a memória muscular do corpo não os deixa serem completamente esquecidos.

Quando as meninges sofrem alterações pressóricas como as desse tipo de caso os músculos da nuca e região dorsal se retesam. Essa é uma reação que tem como objetivo proteger o tecido nervoso de lacerações. Mesmo após a retomada da pressão normal do líquido a reação muscular permanece.

Muitas vezes é preciso intervenção do fisioterapeuta para livrar o corpo desse padrão de proteção e aliviar as dores.

Riscos da Cesárea envolvendo a Cirurgia

Os maiores riscos da cesárea para a biomecânica do corpo estão na própria cirurgia, em especial no corte realizado. Ele acontece na área de inserção dos retos do abdômen e também cortam 6 camadas de tecido conjuntivo.

O grande problema que encontramos é a cicatrização dessa grande quantidade de tecido conjuntivo, do reto abdominal e das aponeuroses da região. Quando ela não acontece corretamente (e isso é muito comum) pode surgir uma cicatriz tóxica.

Essa cicatriz é um dos grandes riscos da cesárea.

Ela pode prejudicar a postura e alterar o funcionamento mecânico do corpo. Tais cicatrizes permanecem em constante reação com estímulos externos e internos. Elas criam uma contratura muscular na região, gerando um ponto fixo.

Além disso, são capazes de modificar o tecido conjunto e o líquido extracelular ao seu redor. O local onde existe uma cicatriz tóxica se torna uma área reativa que chamamos de campo perturbador.

Geralmente as cicatrizes horizontais, como as da cesárea, costumam ser as mais reativas. Dá para entender a importância das cicatrizes para a mecânica corporal ao analisar a pele. Esse é o maior órgão do corpo, é rico de terminações nervosas livres e exteroceptores.

Quando existe uma cicatriz tóxica os exteroceptores ficam estirados em certas posições, gerando alterações posturais para evitar isso.

Cicatriz Tóxica da Cesárea

A incisão que corta 6 camadas de tecidos conjuntivo da cesária cria um problema para as cadeias de flexão do tronco e anterior.

Quando o tecido cicatriza o músculo lacerado perde sua flexibilidade e se torna um ponto fixo interno. Assim, o corpo passa a possuir uma força centrípeta que impede a contração muscular. A cadeia a qual o músculo afetado pertence passa a funcionar em tensão constante para compensar.

Perceba que o problema da cesárea não para por aí. Os músculos retos do abdômen possuem sua continuidade na cadeia muscular. Essa continuidade se dá nos músculos perineais com inserção no cóccix. A tensão se espalha dos retos abdominais, tracionando o cóccix para a direção cefálica.

A tração do cóccix também leva ao apagamento das curvaturas da coluna lombar. A cadeia antagonista fica em tensão excêntrica, completando o quadro de dor. Já percebeu que muitas pacientes sofrem de dor lombar após realizar a cesárea?

O grande problema está na cicatrização do tecido conjuntivo e músculos lesados no procedimento. Esse é um dos maiores riscos da cesárea ao qual profissionais do movimento devem estar atentos.

Como Tratar a Paciente?

Os distúrbios gerados pela tensão de cadeias musculares do tronco e uma matriz cicatricial ruim geram dor lombar após o parto.

Muitas vezes pensamos que o culpado é a falta de força no núcleo, porém o tratamento não funcionará só com fortalecimento de musculaturas estabilizadoras. Na verdade, precisamos resolver todo o conjunto de compensações geradas pelo corpo.

Para isso precisaremos relaxar os músculos que estão tensionados, gerando um padrão de movimento mais fisiológico. Também devemos dar atenção à matriz cicatricial tóxica que está impedindo o movimento.

Devemos livrar o corpo dos pontos fixos que forçam a tensão nas cadeias musculares. Por fim, é preciso usar técnicas para normalizar a pressão intra-abdominal que estará aumentada.

Conclusão

Considerando o número de mulheres que realiza cesáreas anualmente, nós, profissionais do movimento, precisamos estar prontos para tratar suas compensações.

O corpo cria uma série de mecanismos de proteção para manter-se funcionando, mas isso não é o suficiente. A paciente terá dor lombar e outros incômodos gerados por tensões nas cadeias musculares do tronco e pela cicatriz tóxica.

Para realizar um bom tratamento é preciso entender detalhadamente de onde surgem essas tensões.

Depois de conhecer suas origens, é hora de liberar a tensão muscular e recuperar um padrão de movimento fisiológico que ajude a paciente a se livrar da dor.

 

Referências
  1. Cadernos de Saúde Pública
  2. On-line version ISSN 1678-4464
  3. Cad. Saúde Pública vol.7 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 1991
  4. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1991000200003
  5. ANÁLISE/ANALYSIS
  6. AbcMed  –  Exames e Procedimentos
  7. Atalho: 70NEWKL
  8. Raquianestesia: o que é? Quais os preparos necessários? Como é feita? Quais são as vantagens e as desvantagens?
  9. Livro Cadeias Musculares do Tronco, Janaina Cintas
Causas da Dor Lombar: Por que as vísceras podem estar por trás do problema?

Causas da Dor Lombar: Por que as vísceras podem estar por trás do problema?

As causas da dor lombar podem ser inúmeras, inclusive em alguns casos é praticamente impossível descobrir uma origem clara.

Em muitos desses casos a visão da osteopatia nos traz uma luz a respeito de possíveis causas que vão além de desequilíbrios biomecânicos. Antes de explicar algumas das causas da dor lombar gostaria de relembrar como a osteopatia explica as funções do corpo através de seus princípios.

1. Estrutura Determina Função

O osteopata vê o ser humano como um todo indivisível. Nesse todo existem as estruturas (ossos, músculo, pele, etc) e funções de cada uma delas (respiratória, cardíaca, digestiva, etc).

Porém, essas partes não são isoladas, mesmo realizando funções diferentes. Caso a estrutura esteja em harmonia não deve haver doença. Portanto, toda doença tem origem no distúrbio da harmonia da estrutura.

2. Unidade do Corpo

O corpo humano consegue realizar uma variedade de mudanças para se autorregular. Elas acontecem para reencontrar a harmonia e o equilíbrio das estruturas.

Still usa o termo homeostasia para se referir à essa capacidade de autorregulação. O responsável por isso seria o que Still chama de sistema miofascioesquelético. O sistema consegue relembrar qualquer trauma sofrido.

3. Autocura

De acordo com Still, um corpo sem obstruções nos canais nervosos, linfáticos, vasculares e com boas funções de nutrição celular e eliminação de dejetos possui tudo que precisa para se curar.

4. Regra da Artéria é Absoluta

A função da artéria é enviar nutrientes para as células, portanto é essencial para o corpo. Caso ela não funcione corretamente o sistema nervoso sofre, tornando-se mais lento e gerando doenças com o acúmulo de toxinas.

O que isso tem a ver com as Causas da Dor Lombar?

Veja que a Osteopatia defende que alterações em um sistema afetam outro. Nesse artigo quero mostrar algumas causas da dor lombar que são viscerais. Portanto, é uma interligação importante que conseguimos realizar através desse campo de estudo.

Peritônio

O peritônio é um saco hermeticamente fechado que reveste todos os órgãos abdominais. Sua função é defender as vísceras e manter a cavidade abdominal lacrada.

Assim o peritônio é responsável por impedir as infecções de um modo geral. Porém, isso não acontece no corpo da mulher. Existe uma ligação com o exterior através das trompas, útero e vagina.

Outra função do peritônio é segregar um lubrificante que facilita o deslizamento dos órgãos durante suas movimentações.

Esse líquido tende a manter-se sempre no mesmo volume sendo vertido e absorvido de maneira contínua. Se existir algum problema é possível que aconteça um aumento da pressão intra-abdominal (PIA) cujas consequências veremos mais tarde.

Existe uma ligação direta do peritônio à camada dos músculos retos do abdômen. Eles ficam localizados diretamente sobre o estômago e descem até a parte superior da pelve. Também existem na parte posterior do tronco o que chamamos de órgãos retroperitoneais, os rins e pâncreas.

Alguns órgãos são quase completamente envolvidos pelo peritônio, são eles:

  • Fígado
  • Baço
  • Útero

Também temos órgãos que são completamente envolvidos:

  • Vesícula
  • Jejuno
  • Íleo

Os dois grupos de órgãos são chamados de órgãos intraperitoneais.

Fígado

Existem alguns motivos para considerar o fígado ao avaliar nosso aluno. Ele é a maior glândula de todo o corpo e realiza diversas funções essenciais.

O fígado é capaz de executar mais de 500 funções, ou seja, é muito importante. Ele está na região abdominal ao lado direito, abaixo da hemicúpula diafragmática. Também localiza-se acima do mesocólon transverso.

O órgão é bastante sensível. Se ocorrer um aumento do mesmo (hepatomegalia) todo o sistema musculoesquelético se adapta para acomodar o fígado. Isso acontece para aliviar a tensão sobre a glândula.

Também acontecerão alterações pressóricas sobre o tronco. Entre elas veremos:

  • Hemicúpula diafragmática direita se eleva para dar mais espaço ao fígado;
  • Relaxamento dos músculos reto do abdômen do lado direito, oblíquos internos e externos e transverso do abdômen;
  • Elevação do hemitórax direito na região torácica baixa.

Como resultado teremos um padrão respiratório alterado e o surgimento de uma lordose nesse segmento vertebral. Juntamente à lordose teremos uma inclinação à esquerda que acontece devido ao relaxamento muscular.

A concavidade eleva mais o hemitórax direito, afastando-o das costelas inferiores. O tórax realiza adaptações com um giro para a direita criando uma gibosidade posterior à esquerda.

O primeiro passo para corrigir o problema lombar é resolver o problema hepático. Mesmo depois disso será necessário solucionar as adaptações musculares realizadas pelo corpo. Esse será o papel do profissional do movimento, corrigir os padrões de movimento e a ativação muscular errônea.

Estômago

O estômago é uma extensão do tubo digestivo que fica entre o esôfago e o intestino delgado. Esse importante órgão se localiza na parte central esquerda do abdômen.

A parede do órgão possui uma camada oblíqua extra de músculo liso no interior de uma camada de musculatura estriada que ajuda nos movimentos digestivos. Recobrindo a parte interna do estômago existem glândulas responsáveis por liberar secreções para a digestão.

Quando existe uma patologia de origem inflamatória o estômago gera uma força centrífuga. Assim ele empurra o tronco para trás e o roda para a esquerda. Se for um processo de cicatrização de úlcera ele gera uma força centrípeta que traciona o tronco para a frente e o roda para a direita.

Baço

O baço se encontra na parte superior esquerda do abdômen. Ele passa obliquamente por trás do estômago e possui uma ligação íntima com o diafragma.

Acredita-se que o baço seja um reservatório de hemácias para o corpo. Além disso, ele é bastante frágil a traumas. Os principais problemas musculoesqueléticos ligados a ele na verdade acontecem pela falta do baço.

Quando esse órgão é retirado cirurgicamente é possível encontrarmos uma teia de cicatrização ruim que eventualmente pode ser o motivo das causas da dor lombar.

 

Intestinos

A principal função dos intestinos no sistema digestório é absorver nutrientes. Sua anatomia se divide em:

  • Intestino Grosso – responsável pela maior parte da absorção de nutrientes.
  • Intestino Delgado – responsável por absorver a água usada para formar o bolo fecal.

O cólon é a porção do intestino grosso, que parte do ceco e segue até o reto. Uma de suas porções, o mesocólon transverso, possui uma importante ligação com o diafragma. Quando o diafragma se contrai ele se abaixa e realiza uma pompage sobre o mesocolón transverso e auxilia nos movimentos peristálticos.

O intestino possui a função de excreção de fezes, mas também realiza o controle de nossas emoções e também está relacionado ao aumento da PIA. Quando não eliminamos as fezes, o lixo metabólico do corpo, a PIA aumenta. Sabemos que isso influencia na contração do Power House, que pode ser um agente de aumento da pressão nesses casos.

Quando a PIA está aumentada, os movimentos peristálticos do intestino pioram consideravelmente. Por isso gosto de incluir ao fim das minhas aulas o uso do método abdominal hipopressivo. Assim conseguimos normalizar a PIA que pode estar aumentada pela contração excessiva do Power House ou de outros fatores relacionados às vísceras.

O aumento da PIA também piora a função do sistema digestivo, diminui a produção de serotonina e aumenta as dores e indisposição. Indivíduos constipados possuem a PIA aumentada e devemos trabalhar com cuidado. Uma contração errônea do Power House pode piorar ainda mais a situação.

Relação dos Intestinos com Causas da Dor Lombar

O intestino ocupa praticamente toda a região da metade inferior do tronco, então devemos estar muito atentos a ele. Podemos considerá-lo como uma das maiores causas da dor lombar visceral.

Se o intestino gerar um aumento da PIA também teremos um aumento da lordose lombar. Os músculos do abdômen responsáveis pela proteção da pelve ficam relaxados e alteram os vetores que transitam por ela.

Também acontece um aumento de pressão sobre os discos intervertebrais e maior ativação dos isquiotibiais.

As alterações acontecem para manter o equilíbrio postural, algo que Vladimir Janda chama de síndrome cruzada. A ativação dos isquiotibiais aumentam também a tensão nos quadrados lombar e o cisalhamento da articulação sacro ilíaca.

Se existir uma força centrípeta as alças intestinais tracionam as vértebras lombares em direção ao seu ponto de fixação. Isso pode acontecer devido a uma aderência entre as alças intestinais. É um caso comum em mulheres que possuem endometriose e leva ao desenvolvimento de uma antero-listese em casos mais graves, podendo levar às causas da dor lombar.

Problemas causados pelo aumento da PIA

O aumento da PIA durante a prática esportiva ou de exercícios físicos acontece facilmente se nos esquecermos que o corpo é viscerado. Alunos com a PIA aumentada já são bastante comuns em nossas aulas, então é preciso atenção.

Em alguns casos uso a hipopressiva para a diminuição da PIA através da aspiração visceral em apneia expiratória.

Assim conseguimos um alongamento excêntrico do diafragma. O método também ajuda a abir as costelas através da ativação do Serrátil, o que aumenta a área e diminui a pressão.

Rins

Os rins ficam na parte posterior do abdômen. O rim direito geralmente é menor e fica um pouco abaixo do rim esquerdo. Eles se movimentam para baixo e para cima de acordo com o ato respiratório. As anomalias mais conhecidas e comuns são:

  • Rim em Ferradura
  • Agenesia Renal
  • Duplicação Renal ou dos Ureteres
  • Hipospádias

Os rins estão localizados diretamente abaixo dos quadrados lombares. Quando existe a ausência de um deles, seja por remoção cirúrgica ou nascer sem, o organismo gera um tecido cicatricial para compensar esse espaço vago.

O tecido tem uma formação confusa que gera fibrose. A tensão então é transmitida aos músculos quadrados lombares.

Também é possível que a tensão renal acontece porque o indivíduo ingere pouca água, usa anabolizantes ou possui cálculos renais.

Compensações relacionadas aos Rins

Descreverei a seguir as compensações mais comuns relacionadas a uma tensão renal do lado direito.

A primeira alteração é uma lordose na altura do rim direito que leva a um aumento de tensão nos paravertebrais desse lado. Percebam que o esquema de adaptações acontece diante de uma força centrípeta cicatricial, não para melhorar o conforto do órgão.

O tronco se inclina para a direita, o que gera uma concavidade nesse lado pela tensão muscular. O esquema de adaptações direciona toda a força para o quadril esquerdo, que é o ponto fixo.

O quadrado lombar do lado esquerdo estará em máxima tensão e pode elevar a asa ilíaca esquerda. Essa alteração também gera tensão no reto femoral esquerdo.

É possível encontrar alterações na patela, que pode ser direcionada para o alto e causar patologias no joelho esquerdo.

Com toda essa tensão no quadrado lombar as últimas costelas do hemicorpo esquerdo são atraídas para baixo. Nesse esquema a força de cisalhamento aumenta inúmeras vezes na região.

Útero

Um dos principais motivos das causas da dor lombar relacionada ao útero é a endometriose. O endométrio é uma mucosa que em condições normais recobre a parede interna do útero. Em pacientes com endometriose ele cresce em outras regiões do corpo.

Geralmente isso acontece na região pélvica atingindo regiões como ovários, intestino, reto, bexiga e peritônio. Também é possível que ele afete outras regiões do corpo.

O primeiro sintoma que caracteriza a endometriose é a dor na região pélvica. Geralmente, a dor vem associada ao ciclo menstrual, mas também pode ocorrer na fase ovulatória.

O aumento de volume no útero durante o ciclo menstrual e com focos de endométrio levam a adaptações posturais. É preciso que o corpo acomode esse maior volume na pelve menor, criando uma força centrípeta pelas aderências dos focos de endométrio.

O aumento do útero gera um aumento da PIA, mesmo quando é fisiológico durante a fase de ovulação.

Pelo fato do útero ser posicionado na pelve menor as adaptações pode gerar um fechamento dos ilíacos. Assim, teremos músculos oblíquos do abdômen e adutores com uma tensão maior.

É assim que acontecer muitos casos de dor lombar pré-menstrual, que é acentuada pela tensão renal que acontece com a retenção de líquidos no período.