Devo realizar o Treinamento da Fáscia para Atletas?

Devo realizar o Treinamento da Fáscia para Atletas?

Já ouviu falar de treinamento da fáscia? Ainda não?

É compreensível… As pesquisas a respeito do tecido fascial ainda são algo um pouco obscuro e em desenvolvimento. Mas esse tipo de treinamento pode ser a diferença entre um atleta lesionado no meio da competição e outro que conquistou o primeiro lugar.

Quer entender mais sobre esse tipo de treinamento da fáscia? Continue lendo. Nesse artigo trago alguns conceitos básicos a respeito da fáscia e de como deve acontecer seu treinamento.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

O que é a Fáscia?

A fáscia é uma estrutura feita de proteínas, sendo o colágeno um dos principais componentes da sua estrutura. Colágeno é uma proteína que o corpo produz desde o nascimento e também está entre as mais importantes para manutenção do tecido conjuntivo.

Ele é responsável por manter a estrutura matricial e força do tecido conjuntivo. Porém, não é produzido infinitamente pelo corpo. Sua produção diminui a partir dos 28 anos de idade e começa a cair cerca de 1% ao ano após os 35 anos.

Indivíduos com 50 anos já estão com cerca de 35% do colágeno que precisam para executar suas funções corporais. Nesse momento, o corpo recorre ao estoque de colágeno produzido até os 28 anos de idade. Por causa desse processo o tecido conjuntivo começa a perder elasticidade e firmeza.

O colágeno é uma proteína que participa da constituição de diversas estruturas do corpo. Entre elas temos ossos, músculos, cartilagens, cabelos e unhas. Por isso ouvimos falar tanto dos benefícios do colágeno para a saúde. Ele é até mais importante do que sabemos: ao redor de 25% da proteína no corpo é colágeno.

Sua principal função é sustentar as células, deixando-as juntas e firmes. Isso inclui os tecidos da fáscia, tornando essa proteína fundamental para o funcionamento do tecido conjunto fascial.

Tipos de Colágeno no Mercado

1) Colágeno Hidrolisado – Passa por um processo de hidrólise, ou seja, é quebrado em partículas menores para ser absorvido mais facilmente e ter melhor aproveitamento pelo organismo.

2) Colágeno Tipo 2 É o mais abundante nas cartilagens.

3) Pepto Colágeno – É um colágeno altamente hidrolisado, que chega aos peptídeos de colágeno (conjunto de aminoácidos). Ou seja, moléculas ainda menores e de mais fácil absorção. Diversos estudos apontam que o colágeno na forma de peptídeos possui benefícios potencializados.

Funções da Fáscia

FRAC de Findley e Schleip (2007) definiram de maneira bem ampla que o sistema fascial envolve músculos, ossos e fibras nervosas. Também entende-se que a fáscia pode realizar diversos outras funções. Isso inclui funções:

  • Arquitetônicas/Estruturais
  • Neurológicas
  • Transmissão de Força Biomecânica
  • Morfogênese
  • Transmissão de Sinal Celular (Schleip et al., 2012)

Para manter a brevidade e o objetivo desse artigo, não vamos discutir todas as funções do sistema fascial atualmente conhecidas.

Podemos nos concentrar na fáscia a partir de uma perspectiva funcional como o tecido conjuntivo que realiza a ligação entre diversas estruturas do sistema musculoesquelético.

Treinamento da Fáscia

Quando falamos em treinamento pensamos naquele usado em esportes e atividades físicas convencionais. Na maioria das vezes eles envolvem trabalhar com fibras musculares e condicionamento cardiovascular e neuromuscular.

Se um aluno sofrer lesões de sobrecarga ou overtraining elas acontecem nesses elementos da rede fascial do corpo. O tecido conjuntivo envolvido nessas atividades que é muito sobrecarregado envolve:

  • Envelopes Musculares
  • Aponeuroses
  • Adaptações Locais Específicas, como Ligamentos ou Tendões

Durante o treinamento físico que acontece nos esportes algumas estruturas, chamadas de fibroblastos, são responsáveis por adaptar esses tecidos aos estímulos. Por isso é importante adotarmos um treinamento orientado para a fáscia que evita sua sobrecarga e consequente lesão.

Isso significa que precisamos adotar recursos nos treinamentos, como:

  • Retrocessos Elásticos
  • Contra-Movimentos Preparatórios
  • Alongamento Lento e Dinâmico
  • Práticas de Reidratação e Refinamento Proprioceptivo

O treinamento da fáscia deve acontecer uma ou duas vezes na semana. Essa é uma ótima maneira de condicionar o corpo fascial para deixá-lo mais resiliente dentro de um período de 6 a 24 meses.

É comum vermos atletas, incluindo atletas de alto rendimento, sofrendo lesões no meio de competições. Jogadores de futebol muitas vezes não conseguem voltar ao campo por causa de dores no joelho, tenistas sofrem com dor no ombro, corredores lesionam tendões, entre outros.

Muitas vezes esse problema não teve origem só no sistema musculoesquelético!

É muito provável que o problema esteja na estrutura do tecido conjunto. Ou seja, problemas com ligamentos, tendões e cápsulas articulares sobrecarregadas por não terem sido preparadas corretamente. Por isso a importância do treinamento da fáscia.

Características da Fáscia

A fáscia é como uma rede de tensão que recobre todo o corpo. Ela consiste em todos os tecidos conectivos, incluindo moles, colágenos e fibrosos. Ao invés de ser moldada por compressão, ela é especialmente moldada por tensões.

O sistema fascial envolve todos os músculos e órgãos. Podemos considerar os seguintes elementos como parte dessa rede:

  • Envelopes Musculares
  • Cápsulas Articulares
  • Septos
  • Tecidos Conectivos Intramusculares
  • Retináculos
  • Aponeuroses
  • Ligamentos
  • Tendões

Existem diferentes tipos de tecidos conjuntivos inclusos na rede fascial do corpo. Em algumas áreas é possível existir também transições graduais entre tipos de tecido, isso ocorre especialmente próximo a articulações.

A rede fascial, portanto, recobre todo o corpo e realiza a transmissão de deformações tensionais multi-articulares. Devemos entender cada região possui arquitetura local adaptada às demandas de carga de deformação impostas.

Quem já leu meus artigos sobre avaliação postural deve ter percebido que dou alguma ênfase em conhecer o histórico do paciente. Ele define as deformações impostas ao seu corpo e molda o sistema fascial.

Treinamento da Fáscia para Atletas

Atletas, dançarinos e qualquer outro praticante de modalidades físicas precisa de treinamento da fáscia, para focar nessa região.

Quando temos um tecido fascial bem treinado ele é mais elástico e resistente. Isso quer dizer que o corpo é capaz de melhorar seu desempenho geral e também prevenir-se de lesões comuns.

Até pouco tempo atrás, treinadores esportivos raramente treinavam além dos seguintes tipos de habilidades:

  • Força Muscular
  • Condicionamento Cardiovascular
  • Coordenação Neuromuscular

Porém, existem treinamentos alternativos que já vem buscando um melhor treinamento da fáscia e dos tecidos conjuntivos como um todo. Temos como bons exemplos a Yoga, Pilates e algumas artes marciais. Isso não significa que essas modalidades incluem as ideias desenvolvidas através da pesquisa moderna sobre a fáscia.

Ou seja, esses treinamentos já usados para a fáscia não são o suficiente. Para termos uma rede resistente e elástica precisamos usar conhecimentos atuais nos programas de treinamento prático.

Quero encorajar fisioterapeutas, instrutores esportivos e educadores físicos a incorporar os princípios da fáscia e seu funcionamento nos seus treinamentos específicos. Torna-se essencial conhecer fundamentos biomecânicos e neurofisiológicos

Fundamentos Teóricos do Funcionamento da Fáscia

Remodelação Fascial

Sabemos que o tecido conjuntivo é impressionantemente adaptável. Quando os fibroblastos sofrem tensões dentro do seu limite fisiológico eles ajustam sua atividade de maneira a adaptar a arquitetura do tecido conjuntivo à demanda.

Vamos a um exemplo prático. Durante a locomoção bípede vemos uma firmeza mais palpável no lado lateral da coxa que no lado medial. Podemos entender que isso acontece pelo ato de caminhar já que tal diferença na rigidez raramente ocorre em quem se locomove em cadeira de rodas.

Imaginemos que alguém decida se locomover principalmente a cavalo e pouco use a locomoção bípede. Nesse caso, a fáscia se adaptaria às novas tensões e o esquema se alteraria. A parte interna das pernas seria mais forte e rígida.

Os tecidos conectivos possuem uma capacidade imensa de adaptação a situações desafiadoras. Ela acontece principalmente em relação a mudanças de:

  • Comprimento
  • Força
  • Capacidade de Contração

Vemos que astronautas sofrem mudanças na densidade óssea de acordo com as diferenças da gravidade zero. Como resultado, os ossos ficam mais porosos. Porém, os tecidos fasciais também sofrem mudanças de acordo com a situação.

Os fibroblastos ajudam esses tecidos a reagirem constantemente à tensão exercida diariamente sobre eles. Eles também se remodelam quando passam por treinamento da fáscia, que sejam específicos.

Eficiência de Treinamentos Específicos para a Fáscia

Os tecidos fasciais de pessoas jovens possuem ondulações mais fortes, estruturas chamadas de crimpagem.

Pessoas mais velhas têm fibras aparentemente mais achatadas. Pesquisas indicam que é possível alterar essa arquitetura de colágeno para que se torne mais similar ao de jovens com arranjo de fibras mais onduladas.

Curiosamente, os tecidos fasciais dos jovens mostram ondulações mais fortes e chamados de crimpagem – dentro das suas fibras de colágeno, remanescentes de molas elásticas, enquanto que em pessoas mais velhas as fibras aparecem bastante achatadas. Esse treinamento também leva a uma capacidade de armazenamento elástico maior.

Para que isso aconteça é importante considerar os movimentos aplicados no exercício.

Uma pesquisa realizada com um grupo de mulheres acima dos 65 anos usou contrações de baixa velocidade e com pouca carga. O resultado foi um aumento de força e volume muscular sem alterações na capacidade de armazenamento elástico do tecido conjuntivo.

Outros estudos mais recentes mostram que para conseguir os efeitos de adaptação nos tendões é preciso usar tensões maiores que aquelas que ocorrem em atividades diárias. Podemos concluir então que existe um limiar ou ponto de ajuste da deformação aplicada no tecido conjuntivo.

Conclusão

Contanto que as compressões mecânicas sejam corrigidas, treinos moderados a intensos parecem mais favoráveis para o treinamento da fáscia. Esse treinamento é essencial, especialmente para atletas e praticantes de modalidades esportivas, mesmo que amadores.

Percebemos que grande parte das lesões encontradas nessas modalidades estão muito relacionadas ao tecido fascial.

Portanto, estudar as características desse tecido para elaborar treinamentos eficientes deve ser interessante para qualquer profissional do movimento. As pesquisas nessa área ainda estão em desenvolvimento. Um profissional que queira tornar-se destaque através dos resultados precisa adquirir um profundo interesse pela área.

 

Bibliografia
  • Adstrum, S., 2015. Fascial eponyms may help elucidate terminological and nomenclatural development. J. Bodyw. Mov. Ther. 19 (3), 516e525. http://
  • dx.doi.org/10.1016/j.jbmt.2015.04.002.
  • Anderson, D.M. (Ed.), 2012. Dorland’s Illustrated Medical Dictionary, 32nd ed. Elsevier Saunders, Philadelphia.
  • Barnes, J.F., 1990. Fascia. In: Barnes, J.F. (Ed.), Myofascial Release: the Search for Excellence. Myofascial Release Seminars, Paoli, PA, pp. 3e5.
  • Bichat, X., 1813. A Treatise on the Membranes in General and on Different Membranes
  • in Particular (J. G. Coffin, Trans., Originally Published in French in 1800). Cummings and Hilliard, Boston.
  • Chaitow, L., 2014. The fascia debate. J. Bodyw. Mov. Ther. 18 (3), 443. http:// dx.doi.org/10.1016/j.jbmt.2014.04.019.
  • Crooke, H., 1651. A Description of the Body of Man Together with the Controversies and Figures Thereto Belonging. John Clarke, London.
  • Cruveilhier, J., 1844. Descriptive Anatomy. Harper & Brothers, New York.
  • Ellis, G.V., 1840. Demonstrations of Anatomy; a Guide to Dissection of the Human Body. Taylor and Walton, London.
  • Federative Anatomical Programme on Anatomical Terminologies [FAPAT], 2008. Terminologia Histologica. Accessed from: http://www.unifr.ch/ifaa/Public/
  • EntryPage/ViewTH/THh200.html.
  • Federative Committee on Anatomical Terminology [FCAT], 1998. Terminologia Anatomica: International Anatomical Terminology. Thieme, New York.
  • Federative International Programme on Anatomical Terminologies [FIPAT], 2011. Terminologia Anatomica: International Anatomical Terminology, second ed.
  • Georg Thieme Verlag, Stuttgart.
  • Findley, T., Schleip, R., 2007. Introduction. In: Findley & R Schleip, T.W. (Ed.), Fascia
  • Research: Basic Science and Implications for Conventional and Complementary


Como surgiram as Leis de Mézières e qual sua importância?

Como surgiram as Leis de Mézières e qual sua importância?

Antes mesmo do conceito de cadeias musculares estar presente na literatura, a osteopatia estudava o corpo como uma unidade. Porém, estamos aqui para falar da pessoa que consideramos como uma das principais precursoras das cadeias musculares: Françoise Mézières, ou Madame Mézières.

Madame Mézières é de naturalidade vietnamita, nascendo em Henói em 1909. Quase 30 anos depois ela se diplomou em fisioterapia na França e começou seus estudos para desenvolver o próprio método. Após desenvolvido, ele só foi ensinado para fisioterapeutas.

Em 1947, Madame Méziéres lançou um postulado de Revolução da Ginástica Ortopédica. Essa foi uma obra especialmente importante para o desenvolvimento da fisioterapia na época.

Uma de suas discípulas afirmava que Madame Mézières tinha dons de observação especiais. Veremos mais à frente como essa sua observação diferente ajudou a desenvolver o método que influenciou diversos estudiosos. Entre eles temos nomes importantes nos estudos das cadeias musculares como Philippe Souchard e Marcel Bienfait. Já falei sobre todos esses nomes em artigos anteriores.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

Como Surgiram as Cadeias Musculares de Madame Mezières?

A técnica de Mademoiselle Françoise Mézières surgiu na França em 1947. Ela a desenvolveu através de diversas observações clínicas que culminaram no método das cadeias musculares.

O insight que levou Madame Mézières a desenvolver o método aconteceu durante um atendimento. Ela estava realizando o tratamento da cifose dorsal de uma paciente que utilizava colete estabilizador. Na tentativa de mobilizar a região problemática, Madame Mézières gerou um enrolamento dos ombros como compensação. Porém, os ombros não eram parte da manipulação.

Para diminuir a lordose lombar, a terapeuta solicitou uma retroversão ativa por parte da paciente. Apesar de ter o resultado desejado, ela também acabou aumentando a lordose cervical.

Como correção do posicionamento cervical, Mézières pediu um auto crescimento ativo. Essa última atitude levou a um bloqueio inspiratório na paciente.

Através das compensações geradas no atendimento, Madame Mézières percebeu que existia uma rigidez muscular excessiva nos seus segmentos. Por causa dessa rigidez cada parte perdeu sua autonomia individual. Por isso, quando solicitava-se a correção louca, isso acontecia com o comprometimento do restante do sistema. Assim, as lordoses aumentavam por causa do encurtamento.

A partir dessas observações Madame Mézières desenvolveu suas leis, conhecida como Leis de Mézières.

1ª Lei de Mézières

Nas leis de Mézières só existem lordoses. Por isso, o crédito de comprimento que ganhamos na cadeia pode ser enganoso. O sistema sempre encontra um meio de recuperá-lo em alguma extremidade.

2ª Lei de Mézières

A cadeia posterior é uma unidade que se comporta como somente um músculo. Ela ordena os demais músculos para que trabalhem de maneira a seguir seus comandos. Essa ideia é discutida por outros cadeístas que discordam que exista uma cadeia posterior única.

3ª Lei de Mézières

A cadeia posterior sempre possui musculaturas muito fortes, curtas e potentes. Por isso a cadeia posterior teria características:

  • Dominantes
  • Estruturalmente Profundas e Multiarticulares
  • Funcionalmente Estáticas (Tônica)
  • De Controle Neurológico Central Inconsciente
  • Estruturadas para um Trabalho de Sustentação Antigravitacional

Atualmente podemos entender a contradição mecânica que a terceira das Leis de Mézières cria. Quando um músculo está encurtado ele é incapaz de desenvolver potência e força. Existe uma curva de comprimento X tensão que impede isso.

4ª Lei de Mézières

Para realizar o tratamento da cadeia posterior é preciso conter todas as compensações que existem nela. Porém, considero que a liberação das tensões da cadeia posterior é um tratamento mais eficiente que a contenção das compensações.

5ª Lei de Mézières

Madame Mézières acreditava que a cadeia posterior não se cruzava no corpo, portanto toda cadeia deveria aceitar a postura excêntrica. Ela também acreditava na existência de um conjunto de cadeias sinérgicas à cadeia posterior.

6ª Lei Mézières

Esforços musculares são capazes de levar a um bloqueio na respiração. Com essas observações, Madame Mézières afirmava que os problemas não estavam na fraqueza de musculatura posterior.

Na verdade, existia uma força excessiva nessa cadeia. Portanto, seus tratamentos tinham ênfase em soltar os músculos posteriores. Isso ajudava a libertar as vértebras de seu arco côncavo. Lembrando que esse tratamento fazia sentido para Madame Mézières, que só aceitava as lordoses.

Proposta de Tratamento de Acordo com as Leis de Mézières

Madame Mézières desenvolveu sua proposta de método a partir da observação que sempre que tentava diminuir uma curvatura vertebral, ela migrava para outro segmento. Assim, ela determinou que existia a globalidade entre os eixos vertebrais e cadeias musculares.

Para conseguir tratar pacientes usando as Leis de Mézières e método, ela utilizava posturas excêntricas que precisam ser mantidas por longo tempo. As posturas eram corrigidas de maneira ativa pelo terapeuta.

O paciente realizava a postura e ao mesmo tempo tinha de fazer uma sucessão de inspirações e expirações forçadas. Isso incluía inspirações prolongadas e lentas, sem acontecer apneia ou aumento do ventre.

As expirações aconteciam para alongar os pilares diafragmáticos. De acordo com Madame Mézières, assim ela conseguiria devolver a fluência dos músculos ao dilacerar o tecido conjuntivo e estimular a memória muscular pelo prolongamento da postura.

Durante as posturas, era importante evitar ou impedir que os membros fizessem rotação interna. De acordo com a publicação Revolução na Ginástica Ortopédica, as lordoses tinham papel na origem de todas as deformações do corpo e compensações musculares.

Cadeia Muscular Posterior

As leis de Mézières que citei acima serviram de base para a criação de um método de reeducação postural. O método partia do princípio de que os músculos posteriores são muito mais potentes que os anteriores. Esses músculos trabalham continuamente.

Madame Mézières chamou essa cadeia de cadeia muscular posterior. De acordo com ela, também só existiam lordoses e que desvios posturais seriam todos culpa da cadeia muscular posterior. Assim, o tratamento mais eficaz consistia no alongamento dessa importante cadeia. Para garantir a eficiência do tratamento é preciso evitar as compensações.

Ela também fez a proposta de que desequilíbrios e tensões dos músculos agonistas e antagonistas dos membros inferiores geram rotação interna. Nesses casos, o músculo Psoas seria um importante rotador interno.

Hoje, sabemos que isso realmente acontece. O valgismo dinâmico é um dos grandes problemas que enfrentamos em nossas aulas.

Cadeias Musculares de Madame Mézières

Baseando-se em seus conceitos e pesquisas, Madame Mézières desenvolveu quatro cadeias musculares. Mencionamos nesse artigo a cadeia posterior, mas ela também trabalhava com outras. Essas eram:

  • Cadeia Posterior: Composta por todos os músculos posteriores.
  • Cadeia Braquial: Formada músculos anteriores do braço, antebraço e mão.
  • Cadeia Ântero-Interna: Onde constam os rotadores internos dos membros inferiores, músculos diafragma e iliopsoas.
  • Cadeia Anterior Cervical: Compreende os músculos escalenos, peitoral menor, intercostais e diafragma.

Conclusão

Apesar de pesquisas mais modernas e outros cadeístas terem contestado seus conceitos, Madame Mézières foi genial em suas colocações. Ela foi a primeira fisioterapeuta que conseguiu perceber a relação de músculos, fáscias e ligamentos.

Hoje em dia, sua técnica foi aprimorada e até teve suas contradições biomecânicas reveladas, mas isso não tira seu mérito. Madame Mézières e seu excelente olhar clínico foram os responsáveis por criar uma nova corrente fisioterápica.

Ela teve coragem de ir contra as grandes instituições da época e divulgou as próprias ideias. Em parte, foi graças a ela que hoje conseguimos estudar e aplicar e estudar o conceito de cadeias musculares.

 

Referências Bibliográficas

Janaína Cintas, Livro Cadeias Musculares do Tronco.


Patologias do joelho: como realizar o tratamento usando cadeias musculares

Patologias do joelho: como realizar o tratamento usando cadeias musculares

Você, que trabalha com reabilitação, sente dificuldade em trabalhar com patologias do joelho?

Os membros inferiores sofrem com diversas patologias, muitas delas comuns nos nossos Studios de Pilates e outros centros de reabilitação. Sei que muitos também sentem alguma dificuldade em prescrever exercícios adequados para essas patologias, mas não é esse meu propósito aqui.

Ao invés de passar diversos exercícios para patologias do joelho, quero desenvolver raciocínio crítico. Isso quer dizer saber realizar uma boa avaliação do aluno e compreender seu problema. Assim conseguimos nos livrar daquela péssima mania de depender de protocolos de aula prontos que raramente realmente correspondem às necessidades do aluno. Nesse artigo você aprenderá:

  • As cadeias do membro inferiores;
  • Alterações causadas por tensão nessas cadeias;
  • Principais patologias do joelho;
  • Como entender o tratamento.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

 

As cadeias do membro inferior

Sabemos que as cadeias musculares têm extrema importância no tratamento de qualquer lesão ou patologia. Elas estão relacionadas ao mecanismo da lesão e com diversas compensações que deveremos corrigir. Se você quer realmente compreender as patologias do joelho deve entender primeiro a atuação das cadeias musculares do membro inferior.

Cadeia de Flexão dos membros inferiores

  • Iliopsoas;
  • Psoas menor;
  • Obturadores;
  • Gêmeos;
  • Semimembranoso;
  • Poplíteo;
  • Extensor longo dos dedos;
  • Lumbricais;
  • Quadrado plantar;
  • Flexor curto do halux;
  • Flexor curto do dedo mínimo.

Quando temos um pacientes com a cadeia de flexão dos membros inferiores encontraremos também:

  • Posterioridade ilíaca;
  • Flexão de quadril;
  • Flexão de joelhos (flexo de joelho);
  • Flexão do arco plantar (pé cavo);
  • Flexão dorsal dos tornozelos;
  • Flexão dos dedos (dedos em martelo);
  • Famoso esporão de calcâneo.

Em alguns pacientes o pé cavo não se manifesta durante a marcha. Mesmo assim, as tensões que atingem a musculatura plantar favorecem a retração da aponeurose plantar. Essas forças podem levar ao aparecimento de um outro problema: o esporão do calcâneo.

Cadeia de Extensão dos membros inferiores

  • Glúteo Maximo;
  • Quadrado femoral;
  • Reto femoral;
  • Vasto intermediário;
  • Sóleo;
  • Flexor curto dos dedos;
  • Interosseos;
  • Extensor curto dos dedos;
  • Extensor curto do halux.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Anterioridade ilíaca;
  • Extensão de quadril;
  • Hiperextensão de joelho (genum recurvatum);
  • Extensão do tornozelo;
  • Extensão do arco plantar (com arco pouco evidente – pé plano);

Cadeia de abertura dos membros inferiores

  • Sartório;
  • Tensor da fáscia lata;
  • Glúteo Máximo;
  • Glúteo médio;
  • Glúteo Mínimo;
  • Piriforme;
  • Cabeça longa do bíceps femoral;
  • Cabeça curta do bíceps femoral;
  • Tibial anterior;
  • Extensor longo do hálux;
  • Vasto lateral;
  • Gastrocnêmio medial;
  • Tibial posterior;
  • Flexor longo dos dedos;
  • Adutor do hálux;
  • Oponente do dedo mínimo.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Abertura do ilíaco;
  • Rotação externa;
  • Abdução do fêmur;
  • Varo de joelho;
  • Varo de calcâneo;
  • Supinação do pé (pé virado externamente);
  • Hálux valgo sendo este um grande marco evidenciando a cadeia de abertura.

Com o estilo de vida moderno não podemos ver um hálux valgo e afirmar com certeza estarmos diante de uma cadeia de abertura. Em mulheres isso é extremamente importante já que esse grupo costuma utilizar calçados desapropriados a arquitetura plantar.

O indivíduo tende a ter entorses em eversão. Ele também apresenta projeção do espaço que o membro inferior ocupa. Portanto, o membro inferior acaba expandido, criando um resultante alongamento da perna. Esse fenômeno gera uma falsa perna longa.

Cadeia de fechamento dos membros inferiores

  • Pectíneo;
  • Adutor magno;
  • Adutor curto;
  • Adutor longo;
  • Grácil;
  • Semitendinoso;
  • Vasto medial;
  • Gastrocnemio lateral;
  • Fibular longo;
  • Fibular curto;
  • Fibular anterior;
  • Abdutor do dedo mínimo;
  • Abdutor do hálux.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Fechamento do ilíaco;
  • Rotação interna do fêmur e adução;
  • Joelho valgo;
  • Valgo de calcâneo;
  • Pronação do pé (pé virado internamente);
  • Hálux valgo.

A retração do membro inferior no fechamento leva a uma resultante de encurtamento da perna, diminuindo sua projeção no espaço.

Principais patologias do joelho

Agora que conhecemos as cadeias musculares dos membros inferiores podemos estudar algumas das principais patologias do joelho.

Artrose de Joelho

Os joelhos são submetidos a sobrecarga diariamente. Devido a isso, é normal que, com o passo dos anos, o processo fisiológico de envelhecimento desgaste a cartilagem. Muitas vezes esse desgaste é assintomático.

É nessa fase que nós, profissionais do movimento atuamos mais efetivamente. Devemos reconhecer as tensões de desequilíbrio mecânico e corrigi-las. Essa é uma maneira de evitar que o desgaste evolua.

Também devemos ganhar força nos músculos que recobrem o joelho para mantermos o espaço articular. Com esse trabalho evitamos nos quadros mais severos dor e edema. Nesses   já estarão instalados desgastes da cartilagem hialina e, por vezes, desgastes ósseos irreversíveis.

Lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA)

O LCA liga a tíbia ao fêmur tornando-o um importante estabilizador do joelho. Ele não permite que ocorra o movimento de translação anterior da tíbia sobre o fêmur. Isso é algo que ocorre mais frequentemente nos movimentos onde há de mudança brusca de direção ou traumas.

Uma vez o LCA rompido, o indivíduo sente instabilidade e dificuldade para realizar movimentos que envolvam a rotação de joelho.

O mecanismo fisiopatológico de ruptura do LCA ocorre com mais frequência, no momento onde o joelho encontra-se em posição de menor coaptação. Ou seja, maior instabilidade, durante as semiflexões da articulação.

Lesão Meniscal

O menisco é a estrutura localizada entre o fêmur e a tíbia. Sua principal função é absorver o impacto recebido na articulação, agindo como verdadeiro ”amortecedor” para os joelhos. O mecanismo de ruptura meniscal ocorre com maior frequência quando o joelho estiver em semiflexão. Essa é a posição de maior instabilidade articular.

Condromalácia Patelar

A condromalacia ocorre quando tivermos um excesso de tensão nos músculos retos femorais. Assim, a patela é obrigada a trabalhar em posição alta, trazendo-a de encontro aos côndilos femorais. Para tratarmos a condromalacia, basta relaxarmos os retos femorais.

Desenvolvendo o raciocínio clínico

Muita gente vai me perguntar ao fim desse artigo: mas como eu trato as patologias do joelho?

Quero pedir aqui nesse artigo que vocês entendam a importância de desenvolvermos um raciocínio clínico. Nesse raciocínio devemos entender a formação de cada patologia, visto que todas são consequências de disfunções biomecânicas.

A tensão das cadeias musculares gera uma disposição que não podemos negligenciar. Para cada uma dessas alterações diante de uma mesma patologia temos mecanismos fisiopatológicos distintos de formação.

Em um aluno com um falso varo, sabemos que estamos diante de uma cadeia de extensão e fechamento do membro inferior. Logo, o joelho apresentará uma hiperextensão e uma rotação interna da patela. Isso aumenta o contato ósseo anteriormente e internamente nos côndilos femorais. Portanto, essa é uma das formações  fisiopatológicas para uma artrose de joelho nas regiões de maior contato ósseo.

Para essa mesma alteração do joelho também encontraremos uma sobrecarga ligamentar no ligamento cruzado posterior (LCP) e no ligamento colateral externo (LCE). Ela pode fragiliza-los, dando início a uma possível laceração nesses ligamentos.

Também encontraremos uma maior tensão na cápsula articular em sua região posterior e lateral. Também surge uma zona de hiperpressão no menisco em sua porção interna e em sua porção anterior. Esse aumento de pressão, caso não seja corrigido, pode gerar perda na capacidade funcional desse menisco favorecendo a lesões meniscais.

E o tratamento para todas essas alterações biomecânicas citadas será relaxar os músculos das cadeias musculares de extensão e fechamento em sua totalidade.


Cadeias musculares: as linhas do braço de Tom Myers

Cadeias musculares: as linhas do braço de Tom Myers

Ao estudar as cadeias musculares percebemos como os trajetos que percorrem são extensos. Já conseguimos ver isso analisando as cadeias com seus respectivos cadeístas. Vimos as cadeias do tronco, correlacionadas juntamente às da cervical e seus movimentos originais. Também observamos as cadeias dos membros inferiores que passam por:

  • Pelve;
  • Joelho;
  • Tornozelo;
  • Dedos.

Ainda estudamos a cadeia estática e a cadeia visceral, descrita por Leopóld Busquet.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

Só faltava entendermos o esqueleto apendicular superior (braços). Nesse momento surge Tom Myers, com as linhas do braço. Ele expôs esse conceito em sua obra Trilhos Anatômicos.

Neste livro Tom Myers descreve suas linhas, que ele mesmo denomina de trilhos anatômicos. Aqui não vamos retratar todas as linhas descritas por ele. Falaremos das linhas miofasciais que faltam para fecharmos todo o trajeto das cadeias musculares.

As linhas do braço

as linhas do braço e cadeias musculares

As linhas do braço têm inúmeras funções em nosso corpo, e duas delas são: postural e de movimento.

As linhas do braço tem uma função postural. Isso acontece devido a seu peso e suas múltiplas ligações com nossas atividades cotidianas. A tensão que parte do cotovelo afeta o meio das costas. O ombro mal posicionado pode criar uma resistência significativa sobre as costelas, o pescoço, a função respiratória e muito mais (MYERS, 2016, PAG 175).

Nossos membros superiores realizam diversas funções em nosso dia-a-dia. Algumas delas são movimentos simples como: 

  • Puxas uma cadeira para sentar;
  • Levar o alimento até a nossa boca;
  • Pentear nossos cabelos.

Nas nossas atividades diárias em geral temos linhas que exercem duas funções: uma oferecendo estabilidade e outra que permite a mobilidade. Para todos esses e outros inúmeros movimentos  possam ocorrer de forma harmônica.

Anatomia Geral

anatomia geral das linhas do braço

Os padrões comuns de compensação postural associados às Linhas do Braço provocam os mais diversos tipos de disfunções no ombro. Também acontecem disfunções no braço e na mão, geralmente envolvendo ombros que estão sendo:

  • Protraídos;
  • Retraídos;
  • Levantados ou “curvados”;
  • Rotação medial;
  • Inclinação anterior da escápula. (MYERS, 2016, PAG 175).

As falhas posturais e de sustentação dessa cadeia darão surgimento a:

  • Lesões nas regiões do túnel do carpo;
  • Lesões no cotovelo e ombro;
  • Dor muscular;
  • Pontos-gatilho. 

Para identificar os músculos e seguir sua determinada linha funcional, deve-se estar com o braço ao lado do corpo, a palma da mão voltada para frente. A Linha Superficial Anterior do Braço (LSAB) encontra-se então na parte anterior do seu braço:

  • Músculos palmares;
  • Flexores inferiores do braço;
  • Septo intermuscular;
  • Peitoral maior (MYERS, 2016, PAG 177).

Já a Linha Superficial Posterior do Braço (LSPB) encontra-se ao longo da parte posterior do braço, com os seguintes músculos:

  • Trapézio;
  • Deltoide;
  • Septo intermuscular lateral;
  • Extensores.

Para identificar a Linha Profunda Anterior do Braço (LPAB), peça para que o indivíduo realize uma abdução gleno-umeral com a palma da mão voltada para baixo e o olecrano da ulna apontando para trás. Na região anterior estará a LPAB, com os seguintes músculos:

  • Eminência tenar;
  • Rádio;
  • Bíceps;
  • Peitoral menor.

Antes de relatarmos a Linha Profunda Posterior do Braço (LPPB), prestemos atenção nesses dois músculos citados acima na LPAB:

  • Peitoral menor;
  • Bíceps braquial.

Percebam que ambos têm origens na escápula. Se encurtados com certeza irão gerar desequilíbrios posturais na região do  ombro. Podemos até fazer correlações com as linhas cruzadas anteriores do tronco, mas isso é discussão mais para frente.

A linha profunda anterior do braço

O primeiro ponto a ser colocado, é que a LPAB é uma cadeia considerada de estabilização. Em termos de músculos, a LPAB começa nas margens da 3ª, 4ª e 5ª costela com o peitoral menor. Esse músculo está claramente engendrado na fáscia clavipeitoral. Ele cursa por baixo do peitoral maior, a partir daí a linha miofascial continua com o músculo bíceps braquial.

Uma coisa interessante a partir desse momento é que tanto o peitoral menor quanto uma das cabeças do bíceps (curta) tem uma de suas inserções no processo coracóide da escápula. Logo já consideramos que essa linha miofascial tem um ação direta na estabilidade escápuloumeral. Qualquer desalinhamento biomecânico em alguma dessas musculaturas irá desencadear disfunções à nível glenoumeral. Não podemos deixar de falar de um terceiro músculo, quase ignorado pelo profissionais do movimento que é o coracobraquial.

De modo prático, segundo MYERS (2016), um encurtamento na LPAB proximal simplesmente traciona o processo coracóide para baixo parar criar uma inclinação anterior da escápula. Isso gera ombros em rotação medial (enrolados).

“Um excessivo encurtamento nessa unidade miofascial pode afetar negativamente a respiração, a postura do pescoço do ombro e do braço, especialmente para alcançar algo que está para cima” (MYERS, 2016, PAG 177).

Segundo MYERS (2016):

“Algumas maneiras para alongar essa linha (que pode predominantemente estar tensa) é, ajoelhar-se diante de uma parede e deslizar as mãos para cima o mais longe que conseguir, isso criará um estiramento nesses tecidos, pode-se também colocar os braços ao lado do corpo em abdução (de preferência contra uma parede) e ir alongando levemente essa região.”

Lembrando que, ao tentar ganhar o comprimento desses músculos, em seu relaxamento, nunca colocamos o aluno ou paciente em estado de desconforto. Existem algumas maneiras de observar o encurtamento do músculo peitoral menor e alteração da biotensigridade fascial gerando tensão da fáscia clavipeitoral, elas incluem:

  • Restrição de movimento na região da costela superior durante a inspiração. Impede que os ombros e as costelas se movam em harmonia estrita. 
  • Disfunções para o movimento de flexão dos ombros, por exemplo, no movimento de alcance de uma prateleira. Só e possível porque, a nossa cintura escapular formada por 4 articulações está em perfeita sintonia. Caso aja algum stiffness (desequilíbrio muscular), poderá provocar disfunções no ombro.

Um adendo importante que faço aqui e que se a fáscia subclávia estiver aderida, o indivíduo poderá apresentar disfunções cinemáticas no movimento da clavícula. Se lembrarmos da cinesiologia, durante o movimento de abdução glenoumeral, além do movimento do úmero na cavidade glenóide, há o movimento em estarnoclavicular e acromioclavicular.

Disfunções do ombro e as linhas do braço

disfunções do ombro e as linhas do braço

A própria clavícula realiza uma rotação de aproximadamente 20º em torno do seu próprio eixo. Se pensarmos nos tecidos que nela estão inseridos estiverem retesados, essa rotação da clavícula ficará prejudicada. Assim prejudica também os movimentos de todas as articulações da nossa cintura escapular.

Temos que ter esse conhecimento, pois, um encurtamento da LPAB comprometerá todo o complexo glenoumeral. Há uma observação muito importante, quando formos realizar algum alongamento ou tentar entender quais feixes do peitoral menor está mais tenso em relação aos outros. Existe nesse músculo uma divisão funcional de suas fibras.

As fibras que estão dispostas a partir principalmente da 5ª costela são fibras que, em seu sentido de produção de força, serão fibras que irão tender a tracionar o processo coracóide para baixo. Assim realizam uma inclinação anterior da escápula.

Já as fibras que estão inseridas em 3ª e 4ª costelas. Serão fibras que pelo seu próprio sentido tendem a tracionar a escápula em rotação medial levando consequentemente o úmero também para a rotação interna. É importante ter esse conhecimento para entender melhor como estaria a discrepância de forças entre os sarcômeros do peitoral menor. Existe uma divisão funcional nesse músculo que explica a discrepância.

Comportamento das disfunções

Não estamos falando aqui que essas fibras se comportam de maneira uniforme. Estamos falando que, pelo próprio sentido das fibras do peitoral menor, algumas delas em determinadas situações estariam em maior insuficiência ativa em relação à outra. Porém, todo o músculo tenderá a se encurtar, umas fibras em maior, e outras em menor magnitude.

Já que estamos falando de modo cinesiológico quando falamos do bíceps braquial, em especial a sua cabeça curta, onde tem sua inserção no processo coracóide da escápula. Temos que ter em mente que, pelo próprio sentido de suas fibras, caso esse músculo se encurte ele tracionará imediatamente a escápula a partir do processo coracóide em inclinação anterior.

Outro fator que também irá predispor um impacto subacromial, já que nessas circunstâncias o espaço subacromial ficaria reduzido. Além do que, esse músculo se encurtado, afetaria diretamente 3 articulações do ombro. Já comentamos que são as do cotovelo e antebraço, já que o mesmo realiza:

  • Flexão do ombro;
  • Flexão do cotovelo;
  • Supinação do antebraço.

A partir do antebraço, especificamente no rádio, temos a fixação dessa linha miofrascinal na membrana no periósteo até a sua chegada na eminência tenar.

Os terapeutas de shiatsu ou qualquer outra técnica que emprega a pressão usando o polegar precisam conhecer a LPAB, que termina no polegar. Uma boa mecânica corporal para uma prática de longo prazo exige que a LPAB permaneça aberta e alongada, com os braços em uma posição arredondada (cotovelo dobrado) enquanto a pressão é colocada sobre o polegar. Aqueles terapeutas que dizem sentir dor resultante desse tipo de pressão no próprio polegar ou na base da articulação selar quase sempre mostram uma LPAB que entrou em colapso”, (MYERS, 2016, PAG 184).

A linha superficial anterior do braço

Antes quando estávamos lendo sobre a LPAB estudamos que essa é uma linha de estabilização articular. Já a LSAB é considerada uma linha de motricidade. Ela produz maior força por conta dos músculos que nela estão inclusos.

“A linha Superficial Anterior do Braço (LSAB) se sobrepõe a LPAB no ombro, começando com uma ampla difusão das inserções, que nesta linha inclui vários músculos. O peitoral maior, que tem um amplo conjunto de inserções que descem da clavícula até as costelas do meio, dando início a essa linha na parte anterior. O latíssimo do dorso (que começa sua vida embiológica como latíssimo do ventre), um músculo que em sua inserção se fixa firmemente na superfície anterior do úmero, próximo ao peitoral, demarcando assim sua tênue pretensão de ser parte da LSAB difundindo-se a partir dos processos espinhosos das vértebras torácicas inferiores, a fáscia lombossacra, a crista ilíaca e as costelas laterais inferiores”, (MYERS, 2016, PAG 184).

Entre os músculos peitoral maior e latíssimo do dorso, há praticamente um círculo completo de inserções musculares. Isso mostra o amplo grau de capacidade motriz da LSAB sobre o braço.

Caso queiramos buscar o alongamento dessas linhas, o interessante seria que colocássemos o indivíduo na posição de decúbito dorsal, com o braço abduzido para fora da maca e pedisse para que o mesmo relaxasse o braço. Nesse momento ele estaria alongando a LSAB, e iria sentir o alongamento em peitoral maior ou em qualquer outro segmento dessa linha. Caso queiramos alongar mais a LPAB, poderíamos pedir para que o nosso aluno colocasse seu úmero em rotação medial e ainda afastando o máximo que puder o polegar do ombro.

Segundo MYERS (2016) imaginaríamos que estamos querendo pegar um papel que está logo atrás do seu polegar, colocando-o para trás. Fazendo isso conseguiríamos solicitar ainda mais o alongamento da LPAB. Se observarmos bem, quando falamos na LSAB, quase todos os músculos tendem a rotacionar o nosso úmero em rotação medial.

Não podemos esquecer que esse tipo de postura é muito perigosa, a mesma tende a aproximar o tubérculo maior do úmero do acrômio. Precisa dizer o que poderá acontecer posteriormente? Protejam os tecidos os tecidos moles que passam sob o espaço subacromial! Pois eles estarão em apuros depois de um forte encurtamento de peitoral maior e latíssimo do dorso.

A Linha Profunda Posterior do Braço

Antes de começarmos a destrinchar a LPPB, temos que considerar um fator de extrema importância entre ela e a LPAB. Ambas em todo o segmento apendicular superior, tem uma relação tênue de estabilidade. A LPAB é uma estabilizadora mais medial e a LPAB estabiliza de forma mais lateral. Ambas, por serem profundas, são linhas consideradas por Myers, de estabilidade.

A Linha Profunda Posterior do Braço (LPPB) começa nos processos espinhosos das vértebras torácicas superiores e da vértebra cervical C7, passando por baixo e por fora junto com os músculos romboides até a margem vertebral da escápula, enquanto a LPPB continua em torno escápula junto com o manguito rotador, especificamente dos romboides ao infraespinal, pegando o redondo menor ao longo do caminho. Esses dois músculos aderem a próxima estação na face posterior do úmero, no tubérculo maior, contíguo à cápsula articular” (MYERS, 2016, PAG 187).

A nossa escápula está circundada pelos músculos do manguito rotador. Supra e infra espinal juntamente com o redondo menor se inserem no tubérculo maior do úmero. Já o subescapular se posiciona na margem anterior da escápula.

Há uma interligação interessante, que é descrita como “sanduíche escapular” por Myers. A miofáscia do romboide traciona tanto a região dos rotadores externos e supra espinal quanto a margem do potente rotador interno (subescapular), deixando assim a escápula no meio dessas musculaturas, os quais geram de forma clara uma considerável estabilidade à escápula. Segundo MYERS (2016), esses quatro músculos do manguito rotador controlam a cabeça arredondada do úmero da mesma forma que os músculos oculares controlam a órbita o olho.

A partir do corpo do úmero perto da cavidade onde o manguito rotador se insere, e a partir do lado menor, surge a mais longa das três cabeças do tríceps braquial, a próxima via dessa linha. Quando o braço está suspenso, com um padrão semelhante à Linha Profunda Anterior do Braço, o percurso do manguito rotador até o tríceps envolve uma mudança radical de direção, mas com ombro abduzido, como em um backhand de tênis, esses dois estão fascialmente e mecanicamente ligados” (MYERS, 2016, PAG 187)

Sabemos que a inserção do tríceps é no olecrano da ulna. Então nada mais lógico que a via fascial continue pela ulna. Porém, indo mais abaixo, não encontraremos mais músculos nessa via. Na verdade, existe uma inserção com o periósteo da ulna e as camadas adjacentes. Myers (2016) tal como acontece na LPAB, a LPPB está firmemente presa à ulna na metade distal da ulna, pelas mesmas razões de estabilidade anteriormente discutidas.

”A LPPB, e  um equivalente grosseiro da Linha Lateral da perna, trabalha com a LPAB para ajustar o ângulo do cotovelo, limitar ou permitir o movimento de um lado ao outro da parte superior do corpo, quando na posição de engatinhar e para proporcionar estabilidade desde o lado externo da mão até a parte de trás do ombro. Essa linha é necessariamente ativa no trabalho reformista do pilates” (MYERS, 2016, PAG 188).

A Linha Superficial Posterior do Braço

A Linha Superficial Posterior do Braço (LSPB) começa com a ampla difusão das inserções axiais do trapézio, a partir da crista occipital e passando pelo processo espinhoso da T12. Essas fibras convergem em direção à espinha da escápula, ao acrômio da escápula, e ao terceiro lateral da clavícula” (MYERS, 2016, PAG 189.

Como nas outras linhas, a LSPB não poderia deixar de ter as suas conexões fasciais. Dentre elas temos as fibras torácicas do trapézio que se ligam ao deltoide posterior e as fibras cervicais do trapézio se ligam à parte acromial do deltoide médio. Além das fibras occipitais do trapézio que se ligam à parte clavicular do deltoide.

Pode-se dizer que a LSPB é uma linha motriz e que se estende da coluna vertebral para o dorso dos dedos. Quando esse linha sai do deltoide, um músculo com grande massa muscular, ela passa diretamente para o músculo braquial e desce até o epicôndilo lateral do úmero. No antebraço essa linha continua com os extensores do carpo e dos dedos. Percebam que tanto a Linha Superficial Anterior do Braço (LSAB) quanto a LSPB tem o mesmo perfil de músculos em seus trajetos. A diferença é que uma é na região anterior do úmero e a outra é na região posterior, obviamente.

Um adendo muito importante é que os músculos contidos na LSPB são músculos que na maioria das vezes irão tender a estarem encurtados por motivos gravitacionais. O trapézio é um caso especialmente importante, é um músculos que frequentemente encontram-se hiperativos. Isso acontece tanto pela postura da cabeça do indivíduo, por vezes, anteriorizada, como numa síndrome cruzada de ombros, como numa insuficiência de supra espinhal, por exemplo. Nesse caso encontraremos um deltoide em seu feixe acromial hiperativo, gerando assim um vetor de superiorização da cabeça do úmero em relação à cavidade glenoidal.

Por isso temos que tomar muito cuidado em relação à LSPB. Em um indivíduo que tenha uma protusão de ombros, uma anteriorização de cabeça ou alguma síndrome de ombros, poderemos encontrar facialmente o encurtamento desses músculos e consequentemente desse trilho miofascial.

Conclusão

“Fique de frente para seu paciente, segure seus punhos, e peça para ele se inclinar para trás desde os tornozelos até a “correia” de seus braços, enquanto você suporta o peso dele. Ele agora está pendido e inclinado em suas duas Linhas Posteriores do Braço, como se estivesse praticando esqui aquático. Se você girar seus punhos e braços em uma rotação lateral (palmas das mãos para cima), ele geralmente irá sentir o alongamento (ou restrição) na LSPB, desde o trapézio e passando pelos extensores. Se você segurar seus punhos e braços em uma rotação medial moderadamente forte (polegares para baixo), ele em geral vai sentir o alongamento da LPPB, passando pelos romboides e pelo manguito rotador e para fora desta linha.” (MYERS, 2016, PAG 191).

“Uma metáfora fácil e útil para se compreender as quatro Linhas do Braço é vê-las em relação à asa de um pássaro. A Linha Superficial Posterior do Braço com o trapézio e o deltoide é o topo da asa – manter a asa aberta e levantá-la quando necessário – constantemente ativo na subida. A Linha Superficial anterior do Braço com o peitoral maior é a parte inferior da asa – a força para voar, como nos patos ou gansos. A Linha Profunda Anterior do Braço é a extremidade principal na parte da frente da asa, que controla a atitude – no nosso caso, controla o polegar. Por fim, a Linha Profunda Posterior do Braço seria a margem posterior da asa em um pássaro, dando o controle motor fino aos “ailerons” da plumagem, ou no nosso caso, os ajustes finos do dedo mínimo” (MYERS, 2016, PAG 191).


O que é treinamento da fáscia e sua importância

O que é treinamento da fáscia e sua importância

A fáscia é composta fundamentalmente de:

“Tecidos conectivos fibrosos, moles, colágenos, soltos e densos que se permeiam (estão espalhados por todo o corpo)”.

Essa parte da definição é baseada no reconhecimento histológico estabelecido do tecido conjunto como tipo de tecido básico. Ele é anatomicamente subdividido em três categorias de tecido conjuntivo embrionário:

  • Mesênquima;
  • Tecido conjuntivo mucoso;
  • Tecido conjuntivo propriamente dito (tecido conjuntivo solto e denso);
  • Tecido conjuntivo especializado (sangue, osso, cartilagem, tecido adiposo, tecido hematopoiético, linfático) (Ross e Pawlina, 2011).

A partir dessa perspectiva classificatória, a fáscia é geralmente considerada como uma forma de tecido conjuntivo propriamente dito. Apesar disso, sua sub-identificação a especifica como tecido conjuntivo solto e / ou “regularmente” ou “irregularmente” tenha disposição no tecido conjuntivo denso ainda não foi esclarecida.

Nomenclatura da fáscia

O uso desta definição dos tecidos conjuntivos plurais reconhece que, em estudos histológicos, o sistema fascial é constituído por vários tipos de tecido conjuntivo. Não existe apenas um, por exemplo: areolar, denso regular / irregular e adiposo.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

Nos últimos anos, a especialização da histologia tem favorecido cada vez mais o termo tecido conectivo e de suporte sobre o tecido conjuntivo (Young et al., 2014, Programa Anatômico Federativo sobre Terminologias Anatômicas [FAPAT] 2008).

No entanto, a definição proposta para o sistema fascial relaciona-se com o termo tradicional, tecido conjuntivo. Assim, é possível permitir a discussão sobre o papel do sistema fascial na transmissão da força de tensão. Essa definição é diferente de apenas, como no passado, principalmente estabilização das compressões mecânicas, para a qual ossos e outros elementos são mais especializados. Também porque é assim que esse tipo de tecido é tipicamente conhecido na comunidade da FRS e FRC.

A palavra suave distingue o tecido conjuntivo fascial da cartilagem e do osso. Ambos são formas de tecido conjuntivo tangivelmente mais difíceis e diferentemente especializadas. O termo tecido macio foi escolhido pois é o termo atualmente defendido na Terminologia Histológica (FAPAT, 2008). Ele foi escolhido em vez de outros como:

  • Tecido fibroso;
  • Tecido conjuntivo adequado;
  • Tecido de suporte macio.

Novamente, o termo colágeno que contém distingue deliberadamente a fáscia do músculo. Esse último é frequentemente categorizado separadamente como outra forma “especializada” de tecidos moles. Esta referência geral ao colágeno inclui implicitamente os Tipos I e III. Assim, deixa a porta aberta para qualquer outro colágeno que possa (no futuro) se caracterizar significativamente neste amplo grupo de tecidos.

Formação da fáscia

como funciona o treinamento da fásciaA fáscia é constituída de proteínas. O colágeno é a principal estrutura na sua composição. Essa é uma proteína produzida pelo nosso organismo desde o nascimento e um dos mais importantes para a manutenção dos blocos de sustentação dos tecidos conjuntivos.

O colágeno é responsável pela manutenção de sua estruturação matricial e força. Porém, sua produção começa a diminuir perto dos 28 anos de idade e, sobretudo, depois dos 35, diminui cerca de 1% ao ano.

Aos 50 anos o organismo chega a apenas 35% do colágeno necessário para executar sua principal função. Para manter suas funções começa a se utilizar do colágeno produzido até os 28 de idade de forma abundante, colágeno este que fica armazenado.

Esse processo leva à perda da elasticidade e firmeza do conjuntivo em geral. Essa proteína participa ativamente da construção e constituição dos ossos, músculos, cartilagens, cabelos e unhas. Por isso os benefícios do colágeno para a saúde são tão conhecidos.

Aliás, e o colágeno, representa cerca de 25% de toda proteína que existe em nosso corpo. Sua função é dar sustentação às células, deixando-as firmes e juntas. Tem papel importante para a saúde em geral da fáscia, sendo seu principal componente proteico, fundamental para o funcionamento de todo tecido conjuntivo fascial.

Os tipos de colágeno

  1. Colágeno hidrolisado: passa por um processo de hidrólise, ou seja, é quebrado em partículas menores para ser absorvido mais facilmente e ter melhor aproveitamento pelo organismo.
  2. Colágeno tipo 2: é o mais abundante nas cartilagens
  3. Pepto colágeno: é um colágeno altamente hidrolisado, que chega aos peptídeos de colágeno (conjunto de aminoácidos). Ou seja, moléculas ainda menores e de mais fácil absorção. Diversos estudos apontam que o colágeno na forma de peptídeos possui benefícios potencializados.

Função Fascial

função do treinamento da fásciaO reconhecimento da definição de que o sistema fascial “interpenetra e envolve todos os órgãos, músculos, ossos e fibras nervosas” é copiado da definição amplamente utilizada de FRAC de Findley e Schleip (2007), com seus conhecimentos e permissão.

É amplamente aceito que o sistema fascial também pode preencher várias outras funções importantes no corpo. Incluindo (mas não limitado a):

  • Funções arquitetônicas / estruturais;
  • Neurológicas;
  • Transmissão de força biomecânica;
  • Morfogênese;
  • Transmissão de sinal celular (Schleip et al., 2012).

No entanto, no interesse da brevidade, a definição proposta do sistema fascial não tenta identificar todas as funções atualmente conhecidas da fáscia. Ele deliberadamente apenas alude a essas várias e amplas funções de maneira geral. Assim, é possível concentrar-se em seu objetivo de descrever o que o sistema fascial é.

Por exemplo, identificar seus elementos básicos a partir de uma perspectiva funcional. Uma vez que esta tarefa de descrição inicial é realizada, outros podem decidir continuar a partir daqui e começar a tarefa muito útil, embora possivelmente aberta, de enumerar as funções atualmente conhecidas deste sistema dentro de um corpo complexo.

Terminologias relacionadas à Fáscia: lentes diferentes para diferentes fins

Três nomenclaturas respectivas mais utilizadas foram comparadas. A terminologia mais restritiva e precisa entre eles é a “Terminologia Anatômica”, proposta pelo Comitê Federativo de Terminologia Anatômica (FCAT) em 1998. Sugere excluir a denominada “fáscia de Scarpa” e “fáscia de Colle” (camadas de tecido conjuntivo membranoso dentro da parede abdominal anterior e peritoneo), todo o tecido conjuntivo subcutâneo (entre a pele e a fáscia do músculo subjacente) a partir de futuras descrições de “fáscia”.

Semelhante à terminologia proposta no editorial da seção Fáscia da presente edição da revista, o FCAT sugere restringir o termo “fáscia” a folhas de tecido conjuntivo fibroso muito mais densas. Alguns exemplos são:

  • Envelopes musculares;
  • Septos intermusculares;
  • Periósteo.

Excluindo tantos outros tecidos conjuntivos fibrosos (Wendell-Smith, 1997). Embora tenha a lógica mais rigorosa e convincente por trás disso, a nomenclatura FCAT falhou em termos de implementação. Idioma e se isso é usado na medicina ou em outras áreas da sociedade e muitas vezes segue diferentes dinâmicas de desenvolvimento do que aqueles que chegaram através da lógica ou aqueles propostos pelos especialistas atuais em um campo.

Portanto, não é surpreendente que a maioria das autoridades de livros didáticos de inglês continuasse usando o termo “fáscia superficial” para descrever os tecidos conectivos soltos subcutâneos (Platzer, 2008; Standring, 2008; Netter, 2011; Tank, 2012). Da mesma forma, a maioria dos livros de anatomia descritiva no mundo de hoje continuaram a usar os termos ‘Fáscia de Scarpa’, Fáscia de Colle e termos relacionados.

A segunda terminologia discutida nesta revisão é a utilizada na última edição britânica da anatomia de Gray (Standring, 2008). A nomenclatura deste livro de texto altamente considerado é atualmente utilizada pelo maior número de autores médicos quando comparada com qualquer outra nomenclatura relacionada à fáscia.

Ao excluir a aponeurose e as camadas intramusculares de perimísio e endomísio do reino da fáscia, esta terminologia reconhece especificamente toda a gama de tecido conjuntivo solto subcutâneo da derme à fáscia muscular mais densa como “fáscia superficial”.

A terceira nomenclatura mais comum usada hoje em relação à fáscia é aquela, que foi proposta como base para o primeiro Congresso Fascia Research (Findley e Schleip, 2007); Isto foi desenvolvido para os dois congressos seguintes (Huijing e Langevin, 2009).

O termo fáscia aqui inclui todos os tecidos colágenos fibrosos cuja arquitetura é formada principalmente pelo carregamento tensional (em contraste com um carregamento de compressão localmente dominante). Pode ser visto como tendo parte em uma rede de transmissão de força tensional no todo o corpo.

A rede fascial completa abrange não só folhas de tecido colágeno denso (como envelopes musculares, septos, cápsulas articulares, cápsulas de órgãos e retináculos), que também podem ser chamados de “fáscia adequada”. Também inclui densificações locais desta rede sob a forma de tendões e ligamentos.

Além disso, inclui tecidos conectivos colágenos mais suaves, como a fáscia superficial (como na Anatomia de Grey) e a camada intramuscular mais interna do endomísio. Note-se que os tecidos conjuntivos com uma morfologia que se adapta principalmente ao carregamento compressional (como ossos, cartilagens ou o núcleo pulposo dos discos) não são considerados como tecidos fasciais nesta perspectiva.

Ao comparar essas três terminologias mais comuns, é evidente que cada abordagem traz consigo grandes vantagens que a tornam superior ao aplicar a terminologia relacionada dentro de um contexto específico (Tabela 1). Por exemplo, a nomenclatura da Grey’s Anatomy tende a ser mais aplicável quando se comunica com profissionais médicos e acadêmicos cuja compreensão semântica está principalmente enraizada na terminologia britânica ou americana convencional.

Da mesma forma, a aplicação da nomenclatura FCAT oferece uma precisão preditiva melhorada em termos de análise histológica. Ao olhar através de um microscópio, é realmente útil colocar tecidos conjuntivos areolares soltos em um recipiente linguístico diferente do que as cápsulas articulares mais densas.

Por outro lado, ao investigar o papel dos tecidos conjuntivos na cicatrização de feridas, ele funciona bem para incluir tipos de tecidos conjuntivos soltos e mais densos em uma análise comum com base em suas propriedades funcionais compartilhadas (Hinz et al., 2012).

O mesmo se aplica à propriocepção e nocicepção para os quais uma alta densidade de terminações nervosas foi relatada nos tecidos conectivos soltos hipodérmicos (Willard et al., 2012). A terminologia mais abrangente dos congressos sobre fáscia funciona bem quando se olha a transmissão de força em vários segmentos corporais.

Esta terminologia mais nova também pode ser mais útil para descrever a arquitetura anatômica em torno das principais articulações. Uma divisão arbitrária de tecidos locais muitas vezes parece bastante pesada e tende a ignorar a continuidade do tecido local presente nessas áreas, elas dividem em:

  • Cápsulas;
  • Ligamentos;
  • Fáscia;
  • Tendões
  • Aponeuroses.

Conforme descrito anteriormente (Schleip et al., 2012), as disputas semânticas improdutivas podem ser evitadas ao se referir a tecidos conjuntivos densos especializados (como cápsulas ou aponeuroses) como sendo parte da “rede fascial”, em vez de insistir que eles são “apenas fascia”. Enquanto o termo “fáscia apropriada” serve bem para reconhecer que os tecidos relacionados expressam mais claramente as características descritas como fáscia em terminologias mais restritivas, como a do FCAT e a Grey’s Anatomy.

Além de reconhecer um tecido específico como sendo parte da rede fascial global ou não, também é útil, usar um dos doze outros termos descritivos propostos por Huijing & Langevin no segundo Congresso Fascia Research (como “tecido conjuntivo solto” ‘,’ Periost ‘ou’ endomísio ‘); pelo menos sempre que um desses termos parece aplicável (Huijing e Langevin, 2009).

É verdade que os tecidos fasciais reconhecidos pela terminologia dos congressos sobre fáscia são bastante congruentes com a compreensão dos leigos sobre o termo “tecido conjuntivo”. No entanto, o uso adequado desse termo no campo da medicina inclui ossos, cartilagens e até mesmo sangue. Todos esses são derivados do mesênquima embrionário.

Os clínicos que se referem ao tecido conjuntivo também devem saber que a “pesquisa do tecido conjuntivo” é um campo científico muito bem estabelecido. Inclui vários órgãos internacionais de pesquisa e conferências científicas regulares, bem como o periódico ‘Connective Tissue Research’ que está incluído no índice Medline (Com mais de 170 questões publicadas desde 1972).

Embora a grande maioria dos tópicos explorados neste campo científico compartilhe muito pouco em comum com o campo atual da pesquisa da fáscia, seria desrespeitoso, se não impossível, torcer neste campo científico estabelecido em uma direção orientada a fáscia, que principalmente olha para o:

  • Comportamento tecidual;
  • Sensibilidade mecânica;
  • Sensibilidade sensorial durante intervenções de terapia manual e de movimento;
  • Transmissão miofascial em várias articulações.

A diversidade das terminologias existentes reflete não só a arquitetura complexa da própria rede fascial. Também reflete a rica diversidade de profissionais que trabalham em diferentes campos que compartilham um interesse nesse tecido fascinante.

Em vez de usar um bisturi afiado para distinguir entre o certo e o errado, recomendamos exercitar a capacidade de entender e respeitar as vantagens específicas das terminologias relacionadas.

Cada uma das três terminologias descritas, se apropriadamente aplicada, permite reconhecer as continuidades e distinções dos tecidos através de uma lente especialmente focada. Cada lente é mais apropriada para um campo específico de aplicação e perspectiva, sendo menos apropriada para outras tarefas.

Treinamentos Fasciais

tipos de treinamento da fásciaO treinamento de esportes convencionais enfatiza o treinamento adequado de:

  • Fibras musculares;
  • Condicionamento cardiovascular;
  • Coordenação neuromuscular.

A maioria das lesões de sobrecarga desportivas, no entanto, ocorrem dentro de elementos da rede fascial do corpo, que são então carregados além da capacidade preparada. Esta rede tensional de tecidos fibrosos inclui folhas densas, como:

  • Envelopes musculares;
  • Aponeuroses;
  • Adaptações locais específicas, como ligamentos ou tendões.

Os fibroblastos continuamente, mas lentamente, adaptam a morfologia desses tecidos a estimulações de carga desafiadoras aplicadas repetidamente. Os princípios de uma abordagem de treinamento orientada para fáscia são introduzidos.

Estes incluem a utilização de:

  • Retrocessos elásticos;
  • Contra-movimentos preparatórios;
  • Alongamento lento e dinâmico;
  • Práticas de reidratação e refinamento proprioceptivo.

Esse treinamento deve ser praticado uma ou duas vezes por semana. Assim, produzimos um treino do corpo fascial mais resiliente dentro de um período de 6 a 24 meses.

Sempre que um jogador de futebol não é capaz de retornar ao campo devido a uma dor recorrente no joelho, uma estrela de tênis desiste cedo de uma partida devido a problemas de ombro, ou um velocista por toda a linha de chegada com um tendão rasgado de Aquiles, o problema muitas vezes não é nem na musculatura nem no esqueleto.

Em vez disso, é a estrutura do tecido conjuntivo e ligamentos, tendões, cápsulas articulares, etc. e que podem ter sido carregados além da capacidade preparada (Renstro¨m e Johnson, 1985; Hyman e Rodeo, 2000; Counsel e Breidahl, 2010).

A Fáscia foi descrita como uma rede de tensão de todo o corpo, que consiste em todos os tecidos conectivos moles colágenos e fibrosos. Sua arquitetura fibrosa é predominantemente moldada por tensão tensional em vez de compressão.

Essa rede contínua envolve e conecta todos os músculos e órgãos. Os elementos desta rede fibrosa incluem:

  • Envelopes musculares;
  • Cápsulas articulares;
  • Septos;
  • Tecidos conectivos intramusculares;
  • Retináculos;
  • Aponeuroses;

Bem como especificações locais mais densas, como ligamentos e tendões. Embora em algumas áreas seja possível uma distinção local de diferentes elementos de tecido (como aponeuroses, ligamentos, etc.). Muitas áreas como as que estão próximas das principais articulações consistem em transições graduais entre diferentes arquiteturas de tecido em que uma distinção clara aparece frequentemente como arbitrária e enganosa (Schleip et al., 2012b).

A terminologia anatômica anterior geralmente restringe o termo fáscia a folhas densas de tecidos conectivos com arquitetura de fibra similar a uma rede ou aparentemente irregular. Em contraste, a terminologia mais abrangente e inovadora proposta pela série de congressos internacionais de pesquisa de fáscia continua a honrar esse uso. Em geral, nos referimos a esses tecidos como “fáscia adequada”. Ao mesmo tempo permite uma orientação perceptual.

Os tecidos conjuntivos mencionados acima são incluídos como elementos de uma “rede fascial” de todo o corpo para a transmissão de deformação tensional multi-articular (Findley et al., 2007; Huijing et al., 2009; Chaitow et al., 2012). É importante entender que a arquitetura local desta rede se adapta à história específica das demandas anteriores de carga de deformação (Blechschmidt, 1978; Chaitow, 1988). Logo, nos torna imprescindível o conhecimento das tensões musculares do histórico do seu paciente.

Um treinamento focado desta rede fascial é de grande importância para os atletas, dançarinos e outros amantes do movimento. Se o tecido fascial for bem treinado, isto é, otimizado de forma elástica e resiliente. Pode-se confiar para que ele desempenhe efetivamente e ao mesmo tempo oferecer um alto grau de prevenção de lesões (Kjaer et al., 2009).

Até recentemente, a maior parte da ênfase no esporte se concentrou na tríade clássica da:

  • Força muscular;
  • Condicionamento cardiovascular;
  • Coordenação neuromuscular (Jenkins, 2005).

Algumas atividades de treinamento físico alternativas, como Pilates, Yoga e artes marciais, já estão levando conta a rede de tecidos conjuntivos. Aqui, a importância da fáscia é muitas vezes discutida especificamente, embora as idéias modernas no campo da pesquisa da fáscia não tenham sido especificamente incluídas.

Por conseguinte, sugere-se que, para construir uma rede de órgãos fasciais resistentes a lesões e elásticos. É imprescindível traduzir os conhecimentos atuais do campo em desenvolvimento dinâmico da pesquisa da fáscia em programas de treinamento prático. A intenção é encorajar fisioterapeutas, instrutores esportivos, educadores físicos e outros profissionais do movimento a incorporar os princípios apresentados aqui e aplicá-los ao seu contexto específico.

A seguir, apresentam-se alguns fundamentos básicos biomecânicos e neurofisiológicos para uma abordagem de treinamento orientada à fáscia, seguidas de sugestões para algumas aplicações práticas.

Fundamentos básicos

Remodelação Fascial

Uma característica reconhecida do tecido conjuntivo é a sua impressionante adaptabilidade: quando regularmente colocados sob uma tensão crescente ainda fisiológica, os fibroblastos inerentes ajustam sua atividade de remodelação da matriz de modo que a arquitetura do tecido atenda melhor a demanda.

Por exemplo, através da nossa locomoção bípede diária, a fáscia no lado lateral da coxa desenvolve uma firmeza mais palpável que no lado medial. Esta diferença na rigidez do tecido dificilmente é encontrada nos pacientes com cadeira de rodas.

Se nós preferíssemos gastar a maior parte de nossa locomoção com nossas pernas sobre um cavalo, então aconteceria o contrário, ou seja, depois de alguns meses a fáscia no lado interno das pernas se tornaria mais desenvolvida e forte (El-Labban et Al., 1993).

As variadas capacidades dos tecidos conectivos colágenos fibrosos permitem que estes materiais se adaptem continuamente às cepas regulares mais desafiadoras. A adaptação acontece particularmente em relação às mudanças de comprimento, força e capacidade de contração.

Não é só a densidade óssea que sofre mudanças, como acontece com astronautas em gravidade zero com ossos que tornam-se mais porosos. (Ingber, 2008). Os tecidos fasciais também reagem aos seus padrões de carregamento dominantes.

Com a ajuda dos fibroblastos, eles lentamente, reagem constantemente à tensão diária, bem como a treinamento específico. Eles remodelam constantemente a disposição de sua rede de fibra colágena (Kjaer et al., 2009).

Por exemplo, com cada ano que passa, metade das fibrilas de colágeno são substituídas em um corpo saudável (Neuberger e Slack, 1953). A extrapolação dessas dinâmicas de renovação exponencialmente predispostas prevê uma substituição esperada de 30% de fibras de colágeno no prazo de 6 meses e de 75% em dois anos.

Curiosamente, os tecidos fasciais dos jovens mostram ondulações mais fortes e chamados de crimpagem – dentro das suas fibras de colágeno, remanescentes de molas elásticas, enquanto que em pessoas mais velhas as fibras aparecem bastante achatadas (Staubesand et al., 1997). A pesquisa confirmou a suposição anteriormente otimista de que o exercício apropriado se aplicado regularmente pode induzir uma arquitetura de colágeno mais jovem, o que mostra um arranjo de fibras mais onduladas (Wood et al., 1988; Jarniven et al., 2002) e que também expressa uma capacidade de armazenamento elástica aumentada significativa. (Reeves et al., 2006; Witvrouw et al., 2007).

No entanto, parece importar que tipo de movimentos de exercício são aplicados: um estudo de exercício controlado com um grupo de mulheres acima de 65 anos que utilizaram contrações de baixa velocidade e baixa carga demonstrou apenas um aumento na força e volume musculares; no entanto, não conseguiram produzir qualquer alteração na capacidade de armazenamento elástico das estruturas colágenas (Kubo et al., 2003). Embora a última resposta possivelmente possa estar também relacionada às diferenças de idade, estudos mais recentes de Arampatzis et al. (2010) confirmaram que, para produzir efeitos de adaptação nos tendões humanos, a magnitude da tensão aplicada deve exceder o valor que ocorre durante as atividades habituais. Esses estudos fornecem evidências da existência de um limiar ou ponto de ajuste na magnitude da deformação aplicada na qual a transmissão do estímulo mecânico influencia a homeostase tensional dos tendões. (Arampatzis et al., 2007).

Conclusão

As pesquisas avançam a passos largos em relação aos treinamentos faciais, porém já nos parece claro, que treinos de moderados a intensos são mais apropriados para a remodelagem fascial, desde que as compressões mecânicas sejam corrigidas.


Melhores do ano: 4 artigos mais lidos sobre cadeias musculares

Melhores do ano: 4 artigos mais lidos sobre cadeias musculares

As cadeias musculares são importantes para o atendimento, seja no Pilates ou na fisioterapia. Quer aprender mais sobre elas? Confira os 4 artigos mais lidos sobre cadeias musculares desse ano para continuar aprendendo sobre essa parte importante do tratamento.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

1. O que são cadeias musculares e por que você deve conhecê-las? 

cadeias musculares o que sãoCadeias musculares são mencionadas o tempo todo em estudos e nas áreas de pesquisa do movimento. Mesmo assim, existem muitos profissionais que não compreendem completamente a que se refere o termo. É fácil de entender essa confusão, porém não podemos continuar assim.

Aprenda nesse artigo o que realmente são as cadeias musculares. Elas te ajudarão a reabilitar seu aluno tendo uma visão global de seu corpo. Aproveite para conferir todos esses conceitos que te tornarão um profissional mais completo e consciente.

  • Visualizações: 4.395

2. Escoliose: como tratar usando cadeias musculares

escoliose e cadeias muscularesMencionei no tópico anterior que as cadeias musculares te ajudam a realizar tratamentos na fisioterapia e no Pilates. Se você queria alguma prova aqui vai um ótimo exemplo. A escoliose é um desvio da coluna que causa um número enorme de compensações para que o corpo continue se movendo. Ao analisar esse quadro através da ótima de cadeias musculares perceberemos como todo o corpo está sendo afetado pelo desvio.

Aprenda a tratar as escolioses utilizando cadeias musculares e você perceberá que os resultados são muito mais fáceis de perceber.

  • Visualizações: 3.550

3. 3 leis biomecânicas que regem as cadeias musculares

cadeias-musculares-3Não adianta você decorar protocolos prontos de atendimento se não consegue compreender a biomecânica dos movimentos. O mesmo acontece com as cadeias musculares, de nada adianta conhecer informações teóricas se o profissional é incapaz entender as leis biomecânicas que as fazem funcionar.

É exatamente por isso que preparei um infográfico completo sobre as 3 principais leis biomecânicas relacionadas a cadeias musculares. Você pode conferir todas eles nesse artigo.

  • Visualizações: 3.075

4. O papel da fáscia nas cadeias musculares

cadeias-musculares-1Ouvimos falar muito sobre a fáscia na nossa área de atuação. E você sabia que as fáscias também têm tudo a ver com as cadeias musculares? É impossível tratar um aluno sem levar em consideração tanto as cadeias quanto as fáscias.

Nesse artigo você compreenderá a relação entre fáscia e cadeias musculares para trabalhar com seu aluno de maneira completa.

  • Visualizações: 1.884