Por que hipertensão está entre as contraindicações da hipopressiva?

Por que hipertensão está entre as contraindicações da hipopressiva?

Gosto tanto da hipopressiva que até ministro um curso especialmente voltado para o assunto. Apesar de ser muito eficiente, não existe como afirmar que a hipopressiva é para todos. A maioria das pessoas consegue seus benefícios, mas existem contraindicações.

Nesse artigo entenderemos um pouco melhor como o MAH atua nos indivíduos hipertensos, fazendo com que seja contraindicado para esse público. Também quero mostrar uma alternativa de atividade para quem sofre com hipertensão: o Pilates.

O que é o MAH?

Quem já leu meu artigo a respeito das colunas de pressão do corpo entende: a pressão intracavitária influencia muito no movimento! Por isso, sempre devemos estar em busca de métodos que nos ajudem na normalização dessas pressões, como o Método Abdominal Hipopressivo (MAH).

O MAH é um método que utiliza diversas posturas estáticas e dinâmicas, utilizando a respiração para potencializar seus efeitos. Durante a postura, o aluno expulsa todo o ar com o diafragma em alta, o que leva ao aumento de CO2.

Para conseguir relaxar e alongar corretamente, o diafragma torácico precisa estar em posição de expiração. Portanto, podemos concluir que a hipopressiva é um método que potencializa suas posturas através da apneia expiratória.

Existem diversos benefícios de utilizar a hipopressiva nas suas aulas. Um deles é a produção de dopamina pelo corpo, que ocorre com a prática de qualquer atividade física. O grande diferencial de utilizar o MAH é a não produção de ácido lático.

O segredo de parte da eficiência da hipopressiva está na apneia expiratória. Ela gera aumento de CO2 que, consequentemente, estimulam o centro pneumotáxico através do ácido carbônico. Isso significa que a apneia gera um estímulo à inspiração.

O organismo compreende a apneia expiratória como falência respiratória, acionando o neurotransmissor simpático (adrenalina). Assim, conseguimos todos seus efeitos, que incluem aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial para resgatar o organismo.

Contraindicações da hipopressiva: hipertensão

O Método Abdominal Hipopressivo é extremamente benéfico, porém não pode ser utilizado com todos nossos pacientes. A ativação da adrenalina gerada no corpo faz com que a frequência cardíaca e a pressão arterial variam. Para quem já é hipertenso, esses efeitos são bastante nocivos.

Além disso, existe o problema da hipopressiva utilizar posturas geralmente em isometria. Durante essas posições o indivíduo precisa manter-se em postura por um certo período de tempo. Assim, geramos algumas vasoconstrições através da contração muscular. Isso leva a um aumento de resistência periférica e também aumento de pressão arterial diastólica.

As apneias adotadas pelo MAH fazem com que o nível de gás carbônico aumente em relação ao nível de oxigênio. Os ciclos de apneia utilizados durante toda a sessão fazem com que a frequência cardíaca e pressão arterial fiquem alteradas.

Para entender melhor esses efeitos, perceba que usamos cerca de 18 apneias para cada posição adota. Ou seja, o aluno passa mais de 90 segundos nesse ciclo, o que geraria sérios danos para os hipertensos.

Percebemos dessa maneira que, apesar de sua eficiência em outras questões, o MAH não consegue auxiliar nossos pacientes hipertensos. Sempre avalie o histórico clínico do seu aluno porque os resultados da hipopressiva nesses indivíduos são pouco ou quase nunca reversíveis.

Qualquer método que utilize o conceito hiperpressórico é contraindicado para hipertensos. Então, o que podemos fazer por eles?

Como ajudar pacientes hipertensos

Existem diversas maneiras de prevenir ou tratar a hipertensão através do movimento. Para conseguir isso, precisamos começar evitando métodos que trabalham com conceitos hiperpressóricos, como o MAH. Felizmente, ainda podemos utilizar um método extremamente eficiente e benéfico para o corpo, o Pilates.

Além disso, nosso paciente precisa utilizar uma combinação de novos hábitos de vida que auxiliem no controle da pressão arterial. O desenvolvimento de hipertensão acontece por causa de diversos fatores, inclusive ambientais. Portanto, é preciso adotar mudanças na alimentação, reduzir o peso, evitar o estresse e deixar de fumar para conseguir verdadeira melhora.

No quesito alimentação, é importante adotar uma alimentação saudável e diversificada. O ideal é incluir frutas, legumes e vegetais divididos em 6 refeições diárias. Além disso, o paciente deve moderar no consumo de sal, álcool, embutidos, enlatados e alimentos pré-preparados.

Adotar essas alterações na dieta é excelente para a saúde de qualquer um, não só de hipertensos. A alimentação mais balanceada combinada com atividade física ajuda também a diminuir o peso. Considerando que a obesidade é um importante fator de risco para desenvolver hipertensão, isso é essencial.

Benefícios do Pilates para hipertensos

As atividades físicas devem estar presentes na vida de todos para conseguir prevenir doenças crônicas e patologias musculoesqueléticas. Pacientes hipertensos conseguem diminuir os níveis da pressão arterial e controlar seu peso através da prática.

Os pacientes com a condição crônica precisam escolher atividades físicas cíclicas que não sejam intensas. Muita intensidade no exercício pode ter o efeito contrário ao desejado, aumentando a pressão arterial.

Portanto, é importante realizar pelo menos 30 minutos de atividade física moderada de 5 a 7 dias por semana, garantindo um corpo mais equilibrado. Já comentei anteriormente que o Pilates é uma excelente modalidade para esses pacientes.

Assim como na hipopressiva, o Pilates trabalha com controle da respiração, porém sem apneia. No método, expirar e inspirar seria uma forma de potencializar os efeitos dos exercícios e garantir maior qualidade de movimento. Além disso, essa respiração correta tem outro efeito para os hipertensos: alívio do estresse.

O relaxamento muscular resultante das aulas de Pilates também tem a capacidade de influenciar na pressão arterial, diminuindo-a. O exercício também possui um efeito vasodilatador importante para esses pacientes.

Conclusão

É importante lembrar que os efeitos benéficos do Pilates para hipertensos consistem, em sua maioria, de efeitos agudos. Ou seja, o paciente não mantém esses efeitos por muito tempo após a prática da atividade física.

Portanto, quem deseja manter a pressão arterial controlada através do uso do Pilates e de alterações no estilo de vida precisa participar sempre das aulas.

 

Bibliografia

 

3 dúvidas comuns de Instrutores do Método Abdominal Hipopressivo

3 dúvidas comuns de Instrutores do Método Abdominal Hipopressivo

Se você acompanha o meu blog diariamente, provavelmente você já deve lido sobre o Método Abdominal Hipopressivo (MAH). Os exercícios de MAH trazem inúmeros benefícios maravilhosos para quem o pratica, benefícios estes que vão muito além da tão famosa barriga negativa! Existem inúmeras dúvidas sobre o método e vou falar sobre elas neste texto!

Muitos profissionais chegam até mim com dúvidas bastante pertinentes sobre as aulas do MAH. Há alguma contraindicação do método? O Método Abdominal Hipopressivo realmente gera barriga definida? O Método Abdominal Hipopressivo emagrece?

Estas questões já foram sanadas em outras matérias! Hoje eu vou falar especificamente de dúvidas dos instrutores em relação às aulas do MAH. Separei 3 das inúmeras dúvidas que os profissionais do movimento possuem ao se deparar com esse método tão incrível! Abaixo você confere uma listinha com os questionamentos sobre a aula do MAH. Olha só que demais!    

Dúvida 1: Quanto tempo dura a aula do MAH?

Essa está no Top 3 das mais perguntadas pelos profissionais do movimento! A aula do MAH, na maioria das vezes, dura em torno de 40 a 45 minutos. Tempo este, suficiente para ativar os músculos da faixa abdominal normalizando suas pressões.

Vale ressaltar que as aulas do MAH devem ser realizadas duas vezes por semana na clínica. Porém, o aluno/paciente precisa fazer a manutenção dos exercícios em casa, por cerca de 5 minutos diários.

Dúvida 2: Quantos alunos/pacientes eu posso ter em cada aula?

O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) definiu que um fisioterapeuta deve trabalhar com no máximo 6 alunos por aula. Já o profissional de Educação Física, normalmente, pode trabalhar com um grupo maior de alunos por classe.

Particularmente, eu não gosto muito dessas definições! Sempre procuro trabalhar com 4 alunos, sabe por quê? Porque nós trabalhamos com o toque! É imprescindível que você tenha uma boa conduta e um bom domínio sobre a aula.

Você precisa ter as pessoas – seus alunos e pacientes -, na palma da mão durante toda a aula! Os movimentos precisam ser corrigidos, você precisa comandar a aula com precisão!  

Dúvida 3: Qual valor eu posso cobrar?

Por último – mas não menos importante, é claro -, está o valor da aula! Quanto devo cobrar por uma aula do Método Abdominal Hipopressivo? Pois bem, a resposta é variável pois depende muito da cidade onde está montado o seu studio ou a sua clínica. Em São Paulo, por exemplo, nos studios de classe nível A, os instrutores costumam cobrar até R$180 por cada hora.

Lembrando que esses studios geralmente ficam em bairros nobres da capital do estado. Ouvi alguns instrutores dizendo, também, que costumam fechar pacotes com seus clientes para que as ofertas se tornem bem mais atrativas.

Por exemplo, um studio tem cobrado R$1800 por 12 sessões de MAH. Isso sai em torno de R$150 por cada sessão. Tudo fica ainda mais atrativo quando os clientes percebem que é possível dividir o pagamento em 3 ou 4 vezes. Isso, claro, na grande São Paulo!

No interior do estado e no Rio de Janeiro, os instrutores cobram por volta de R$150. E olhe só que interessante! Uma instrutora do MAH do interior do estado de Santa Catarina, me disse uma vez que se ela cobrar mais de R$100 em uma sessão do método na cidade dela, ninguém vai fazer a aula!

Então depende muito do mercado da cidade onde o seu studio ou a sua clínica está instalada. A economia do local é imprescindível na hora de você tabelar os preços de cada sessão do MAH.

Digo isto, porque não adianta nada você ter uma aula incrível – levando em consideração todos os conceitos de Biomecânica Muscular, ativação do Power House e trabalhar com o Assoalho Pélvico -, mas cobrar um valor acima do mercado da sua cidade!

Conclusão

O Método Abdominal Hipopressivo pode se tornar um diferencial incrível na sua formação profissional. Imagine quantos alunos/pacientes novos você não conseguirá atrair tendo o curso de MAH no seu currículo? Posso te dizer, por experiência própria, que são muitos!

No meu curso presencial sobre o Método Abdominal Hipopressivo (MAH) – que respeita as normas da Associação Wsacs – The abdominal Compartment Society -, você pode aprender ainda mais sobre esse método sensacional que trará benefícios incríveis para seu aluno!

São quatro módulos presenciais e online, com 10 profissionais sensacionais que entendem tudo sobre o método e estão dispostos a saciar todas as suas dúvidas sobre o MAH! Ficou interessado no curso em parceria com o VOLL Pilates Group? É só clicar aqui que você será redirecionado a página especial do curso!

Mulheres no Puerpério: Como realizar o atendimento com Hipopressiva?

Mulheres no Puerpério: Como realizar o atendimento com Hipopressiva?

Depois de três trimestres de adaptações biomecânicas, emocionais, hormonais e fisiológicas, a mulher passa pelo parto e entra no período do puerpério.

Nele, ela precisa enfrentar novamente uma série de alterações do seu corpo que está retornando ao estado anterior à gravidez. A fisioterapia é comprovadamente uma maneira de auxiliar mulheres no puerpério e oferecer-lhes uma melhor qualidade de vida.

Nesse artigo, quero propor um complemento ao atendimento fisioterápico: o uso do método abdominal hipopressivo. Aprenda como a técnica pode ajudar sua paciente e comece a aplicá-la.

Alterações no Corpo da Mulher no Puerpério

Durante a gestação, a mulher precisa passar por diversas adaptações físicas e hormonais para garantir a saúde e desenvolvimento do feto. Essas alterações se estendem pelo período dos três trimestres de gestação e chegam ao fim no momento do parto.

Mas o corpo não volta imediatamente ao seu estado anterior, afinal de contas, foram 9 meses de adaptações para receber aquela vida.

Durante a gestação, a parede abdominal sofre um estiramento para aumentar o espaço de desenvolvimento do bebê, tendo sua pressão intra abdominal (PIA) aumentada fisiologicamente. Como resultado, a linha alba estará sob os efeitos da relaxina afastando os dois feixes do músculo reto abdominal.

Durante a gravidez, a diástase é normal e esperada para que o feto se desenvolva, porém, tal alteração também pode acontecer imediatamente após o parto ou nas primeiras semanas após o acontecimento, pois os músculos levam de 4 a 6 semanas para recuperar seu controle motor (Eyal Lederman).

Após, esse período considera-se que o estiramento do reto abdominal pode ser fator de risco para:

  • Falta de Estabilização para as Vísceras
  • Hérnia visceral no Abdômen
  • Disfunções Uroginecológicas

Todos esses são problemas que desejamos evitar em mulheres no puerpério para garantir uma melhor qualidade de vida no período.

Ainda no período de gravidez, a mulher passa por alterações importantes no sistema respiratório que também é influenciada pelo aumento da pressão intra-abdominal.

O aumento da área abdominal causado pelo crescimento do feto diminui a excursão do diafragma, o que o elevará cerca de 4cm a 5cm. A caixa torácica se expande para suprir essa demanda de aumento pressórico e a frequência respiratória fica aumentada.

O puerpério é caracterizado como o período de adaptação do corpo após a gestação e pode durar de 6 a 8 semanas, o retorno total da pelve após, leva exatamente 8 semanas para recuperar seu controle motor. Todas as alterações que o corpo sofreu durante a gestação podem manter-se nesse período, causando uma série de desconfortos para a mulher.

Trabalhar com mulheres no puerpério pode ser um trabalho delicado. Além de estar passando por adaptações físicas e hormonais novamente, elas também estão alterando seu estilo de vida para a convivência com o recém-nascido.

Portanto, devemos oferecer-lhes todo conforto possível.

Benefícios do Método Abdominal Hipopressivo para Mulheres no Puerpério

Se você leu corretamente o tópico anterior, percebeu que existem diversas alterações musculoesqueléticas no corpo das mulheres no puerpério. Entre elas, temos adaptações importantes na parede abdominal, que podem levar ao estiramento  de diversas musculaturas.

O assoalho pélvico também pode sofrer com as adaptações já que suportou um excesso de carga durante o período gestacional.

O Método Abdominal Hipopressivo é bastante recomendado para ativação das musculaturas abdominais e, para retirada do peso hidráulico do assoalho pélvico, devolvendo a esses músculos sua curva de comprimento e tensão.

Caso não tenha ocorrido laceração de fibras, nesses casos devemos estar acompanhados de uma fisioterapeuta uroginecológica. O método também pode ser utilizado para auxiliar no tratamento de mulheres no puerpério com incontinência urinária.

Os objetivos da hipopressiva aplicada à essas pacientes incluem:

  1. Ativar Musculatura Abdominal
  2. Devolver as Condições Fisiológicas ao Assoalho Pélvico
  3. Normalizar a PIA
  4. Desativar a Série Muscular de Williame e Finet – Normalizando as Pressões na Cavidade Torácica
  5. Realizar o Reposicionamento das Vísceras no Peritônio
  6. Alinhar os Ilíacos
  7. Recuperar sua Forma Estética mais rapidamente.

Existem também indicativos que as aulas hipopressivas para mulheres no puerpério diminuem o afastamento das porções do reto abdominal. Assim, seria possível prevenir uma possível diástase abdominal ou hérnia, mas falaremos a respeito disso mais à frente.

Um estudo realizado com 50 mulheres no puerpério imediato mostrou diminuição no afastamento das porções do reto abdominal 12,5% com uso da hipopressiva. No mesmo período estudado, entre 6 horas e 18 horas após o parto, o grupo de controle teve diminuição de 5,4%.

Também é possível utilizar os exercícios para melhorar o tônus da musculatura abdominal que costuma estar desativado em mulheres no puerpério. Além de corrigirmos também algumas alterações posturais desenvolvidas no período gestacional e evitar compressões mecânicas mais à frente.

Hipopressiva para Tratar Diástase Abdominal após a Gestação

A diástase abdominal é uma reclamação frequente em mulheres com uma gestação recente.

Durante a gravidez acontece o estiramento dos músculos abdominais que já mencionei anteriormente. Combinado com alterações posturais, como hiperlordose lombar e anteversão pélvica, essas mudanças geram alterações fisiológicas e biomecânicas nas musculaturas abdominais.

Lembrem-se que o corpo está sempre em busca de: equilíbrio, conforto e economia.

Para tanto,se utiliza de programações corticais, que são capazes de ativar e desativar músculos para cumprir principalmente o princípio da economia. Na gravidez, não se faz diferente. O córtex desativará os músculos da faixa abdominal a fim de diminuir a PIA, para que o feto possa crescer confortavelmente.

Levará os ilíacos em abertura e anterioridade, na tentativa clara de aumentar a área interna, com o mesmo objetivo. E as alterações musculoesqueléticas, sempre se adaptaram às necessidades viscerais.

A alteração mais importante para nós quando falamos de diástase abdominal ocorre nos retos abdominais. Suas duas porções separam-se na linha alba para permitir o crescimento do útero que abriga o feto. Apesar de ser mais comum no último trimestre de gestação, a diástase também pode afetar as mulheres no puerpério.

Um detalhe importante, nem toda diástase no período gestacional ou pós-parto é considerada patológica. Uma separação das porções do reto abdominal de até 2,5 cm é considerada fisiológica.

O corpo da gestante se recupera após o parto e volta ao estado normal, lembrando que o corpo da mulher pode levar até 2 anos para se recuperar de todas alterações: são as puérperas tardias. Precisamos garantir tratamento para mulheres puérperas que possuem alterações maiores, portanto patológicas.

Temos no Método Abdominal Hipopressivo um grande aliado no tratamento e prevenção da diástase dessa população.

O método possui uma grande vantagem sobre os exercícios convencionais, pois proporciona diminuição da PIA, enquanto que os abdominais tradicionais, seja o: holliwing, bracing ou crunch elevará a pressão intra-abdominal, que já encontra-se aumentada.

Nas diástases, seria pouco eficaz utilizar exercícios abdominais convencionais que podem aumentar a PIA ainda mais..

Portanto, usando a hipopressiva para tratamento de mulheres no puerpério conseguimos auxiliar com a diástase e fornecer todos os outros benefícios do método abdominal hipopressivo.

Conclusão

Já conhecemos o método abdominal hipopressivo e seus benefícios. Mencionei aqui mesmo nesse blog como ele pode ser usado para tratamento de incontinência urinária, dor lombar crônica e as próprias diástases abdominais. Agora, você também sabe que ele é excelente para trabalhar com mulheres no puerpério.

A hipopressiva auxilia o corpo da mulher puérpera a retornar ao seu estado anterior à gestação, estimulando neuro divergências, ou seja, novas redes neuronais para este retorno.

Para isso, precisamos realizar a ativação da musculatura abdominal, a retirada do peso hidráulico do saco visceral da região pélvica, aliviando assim, a tensão excessiva que foi exercida sobre os diminutos músculos do assoalho pélvico por meses, e a desativação da tensão excessiva dos músculos da caixa torácica, através de liberações fasciais, que incluem o diafragma.

A hipopressiva também obtém melhorias para a postura, controle muscular, postural e respiratória da paciente. Além disso, é um método que auxilia na prevenção de prolapso do útero após o parto e ptoses de bexiga.

Quer um atendimento eficiente para sua paciente que encontra-se no período pós-parto? Siga minha dica e comece a aplicar a hipopressiva!

 

Bibliografia
  • FRANCHI, Emanuele Farencena e RAHMEIER, Laura. Efeitos da Ginástica Abdominal Hipopressiva no puerpério imediato – Estudo de casos. Revista do Departamento de Educação Física e Saúde e do Mestrado em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul / Unisc. Ano 17 – Volume 17 – Número 2 – Abril/Junho 2016
  • FEITOSA, Gleiciane Zeferino, LOURENZI, Vaneska da Graça Cruz Martinelli e SOUZA, Vitória Regina Lima. Cadernos de graduação de ciências biológicas e da saúde. Alagoas. V. 4, .2, 2017.
  • MARQUES, Mariá do Carmo & BEZERRA, Rute da Silva. Protocolo De Exercício Para
  • Mulheres no Puerpério Imediato: Associação com o Tipo De Parto. Universidade São Francisco, dezembro de 2008.
  • Blandine, Abdominais sem riscos.
Como a Hipopressiva ajuda Pacientes com Constipação Intestinal

Como a Hipopressiva ajuda Pacientes com Constipação Intestinal

Logo que você leu o título desse artigo deve ter pensado: “Eu não trabalho com o sistema gastrointestinal, o que a constipação intestinal tem a ver com minha área?” Para ser sincera, tem tudo a ver.

Antes de falar exatamente da relação da constipação intestinal com o movimento e, mais especificamente, com a hipopressiva, precisamos entender mais sobre o problema.

A constipação atinge cerca de 35 milhões de pessoas só no Brasil. No mundo todo estima-se que de 15% a 35% da população sofra com o problema. Ou seja, existem grandes probabilidades que um dos seus pacientes está nessas estatísticas. E se não está, eventualmente pode ser afetado pela condição.

O que é Constipação Intestinal? (e porque você precisa saber disso)

Existem diversos motivos que levam ao desenvolvimento da constipação intestinal. Eles incluem:

  • Fatores Psicológicos
  • Aspectos Nutricionais e da Dieta
  • Doenças Gastrointestinais como Síndrome do Intestino Irritável
  • Problemas do Assoalho Pélvico

Viu o assoalho pélvico na lista? Logo voltaremos à ele, agora o nosso foco é na constipação intestinal em si.

Esse problema é caracterizado por uma dificuldade nos movimentos intestinais. Isso gera uma série de sintomas e muito desconforto para o paciente que vão bem além daqueles expressados pelo intestino.

O indivíduo constipado tem dificuldade na excreção das fezes, sente dores abdominais e inchaço na região. Além disso, a constipação intestinal prejudica as funções hormonais do intestino, como você verá a seguir.

Outras Funções do Intestino

Apesar de ser conhecido pela função de excretar as fezes, o intestino está muito relacionado com as emoções. Ele é rico em neurônios e possui cerca de 100 milhões deles. Para você entender sua importância, a única região com mais neurônios no corpo é o próprio cérebro.

Cerca de 98% da serotonina é produzida e armazenada no intestino além de mais outros 30 neurotransmissores. Essas substâncias são produzidas nos neurônios e são responsáveis por transmitir informações.

A serotonina é essencial e, como vimos, está muito relacionada ao intestino. É ela que produz a sensação de felicidade. Portanto, ela controla ou influencia sentimentos como:

  • Depressão
  • Felicidade
  • Ansiedade
  • Tranquilidade
  • Agressividade
  • Raiva
  • Irritabilidade

Ela também auxilia no controle da dor. É por isso que existem tantos medicamentos para sua reposição. Eles são usados para tratar variadas doenças relacionadas à dor crônica. Até boa parte dos antidepressivos usados atualmente possuem serotonina na fórmula.

Agora imagine o impacto que o mau funcionamento do intestino, mais especificamente a constipação intestinal, tem no indivíduo e suas emoções. Pesquisas já comprovaram essa relação. Na verdade, o termo enfezado que é usado para falar de alguém mal humorado está relacionado a isso.

Boa parte dos indivíduos com mau funcionamento do intestino sofre de problemas emocionais. Além disso, a eliminação pouco eficiente das fezes levam a um aumento da pressão intra-abdominal (PIA) e todas suas consequências.

Exercício Físico é Essencial para os Intestinos

Uma das melhores maneiras de prevenir a constipação intestinal e outros problemas dos intestinos é praticar exercícios físicos. Parece que eles nada têm a ver? Então você está bastante enganado. Só preste atenção: esses exercícios não devem aumentar a PIA.

Muitas vezes a contração errônea do Power House tem o efeito contrário do desejado. Ele pode ajudar a aumentar a pressão intra-abdominal, perdendo todos os benefícios da prática do Pilates e outras atividades físicas.

Quando a PIA está aumentada a área do saco visceral é diminuída e tensão no transverso do abdômen aumenta. A hipopressiva auxilia a prevenir esse aumento patológico de pressões intracavitárias. Além disso, ela se mostra como uma aliada eficiente no tratamento da constipação intestinal.

Hipopressiva no Tratamento de Constipação Intestinal

As posturas sistêmicas utilizadas no método abdominal hipopressivo são ótimas para nossos alunos constipados. Ela leva a uma ativação de diversos grupos musculares, incluindo antagonistas do diafragma.

Além disso, sua prática diminui a pressão abdominal, que está relacionada ao mau funcionamento do intestino.

Precisamos lembrar que a hipopressiva é um método eficiente não só para tonificação, mas também reeducação de musculaturas do assoalho pélvico.

Como vimos no início desse texto, disfunções do mesmo são importantes origens de constipação. Em pacientes com pouco controle muscular sobre o assoalho pélvico, a hipopressiva ajuda a tratar problemas como a constipação. Ela também deve ser realizada como método preventivo tanto para problemas intestinais como outros, que incluem a incontinência urinária de esforço.

O aumento da PIA consequente da constipação vem principalmente da ação evacuatória do indivíduo. Uma pessoa com dificuldade para excretar as fezes contrai o diafragma para fazer força, comprime as vísceras e gera um aumento da PIA. Ao invés de ajudar no caso, isso só prejudica os movimentos intestinais.

Para ajudar nosso paciente precisamos aliviar essa pressão sobre as vísceras através da diminuição da PIA. O método hipopressivo é uma ótima opção. Também podemos utilizá-lo ao fim da aula para evitar as consequências de contrair o Power House de maneira errada.

Conclusão

A constipação intestinal é um problema comum que está relacionado a dificuldades do sistema gastrointestinal e até emocionais. Precisamos sempre lembrar que o intestino é o nosso segundo cérebro. Ele é rico em neurônios e realiza a produção de neurotransmissores importantes, como a serotonina.

Por isso, devemos sempre encontrar maneiras de trabalhar o corpo do paciente sem prejudicar o funcionamento dos intestinos. Isso significa evitar um aumento da pressão intra-abdominal. A hipopressiva é ideal tanto para a prevenção como tratamento de pacientes constipados.

Também é importante lembrar que somente as alterações na prática de atividade física não são o suficiente para solucionar o caso. O paciente que quer realmente se “curar” das dificuldades do intestino precisa realizar mudanças de hábitos de vida. Portanto, ele também deve buscar o acompanhamento de um profissional da nutrição.

Aliando os aspectos nutricionais e esportivos da sua rotina, é possível encontrar um melhor estado de bem-estar. Mesmo profissionais que não estão trabalhando com pacientes constipados, podem utilizar a hipopressiva como meio de prevenção.

Ela nos ajuda a impedir que o aumento acidental da PIA numa aula de Pilates, por exemplo, evitando que passe do estágio acidental para o crônico levando assim ao prejuízo a saúde dos intestinos de nosso aluno.

 

Bibliografia
Qual a Função da Dopamina no Método Abdominal Hipopressivo?

Qual a Função da Dopamina no Método Abdominal Hipopressivo?

O Método Abdominal Hipopressivo vem buscando em todo seu conceito algo além. O conceito da estratégia do MAH é buscar a ativação do sistema nervoso simpático em busca da dopamina.

Mas por que a dopamina é tão buscada no Método Abdominal Hipopressivo?

A neurociência vem rapidamente avançando e fazendo muitas descobertas. A Dopamina tem sido muito estudada nas patologias neurológicas e nas disfunções do movimento humano. Ela é a substância produzida pelos neurônios, o que a caracteriza por ser um neurotransmissor.

Neurotransmissores são liberados quando o axônio de um neurônio pré-sináptico é excitado. Estas substâncias então viajam pela sinapse até a célula alvo, inibindo-a ou excitando-a. A disfunção na quantidade produzida e utilizada de neurotransmissores está intimamente ligada a depressão.

Os impulsos nervosos para passarem de um neurônio para outro, através do axônio, devem vencer um espaço existente entre eles, o qual é denominado de Fenda Sináptica. Esta função de passar e receber o estímulo, recebe o nome de Sinapse.

Para que os impulsos nervosos possam vencer esse espaço – o primeiro neurônio – através dos impulsos que chegam a sua terminação, liberam substâncias químicas que estimulam ou inibem o neurônio seguinte. Essas sustâncias químicas, sintetizadas e liberadas pelos neurônios, recebem o nome de neurotransmissores, os quais têm um papel fundamental no nosso sistema nervoso.

Mecanismo de Ação dos Neurotransmissores

Os neurotransmissores são armazenados em vesículas neuronais. Uma vez que ocorre a liberação, estas vesículas decaem na fenda sináptica, reagindo diretamente com os receptores situados nas membranas do neurônio seguinte.

Parte do neurotransmissor pode ser reaproveitada pelo próprio neurônio que a liberou, ou pode ser rearmazenada novamente em vesículas neuronais recém sintetizadas. Para que haja o rearmazenamento, deve haver a recepção do neurotransmissor liberado pelo próprio neurônio.

É possível ainda que outra parte do neurotransmissor seja metabolizada ou destruída por enzimas, e seus produtos eliminados no organismo.

Os neurônios precisam ter esses neurotransmissores sempre à disposição para serem sintetizados a qualquer momento. Assim, sempre que um neurotransmissor é liberado, ocorre a síntese e o armazenamento de novas moléculas de neurotransmissor, bem como novas vesículas neuronais para substituir as que foram utilizadas.

Quando é sintetizado e não utilizado, o neurotransmissor necessita ficar armazenado a espera de um momento preciso para ser liberado.

Dopamina

Dopamina é um inibidor e, dependendo do local onde atua, apresenta diferentes funções, como por exemplo, a dopamina no gânglio basal (no interior do cérebro) é essencial para execução de movimentos suaves e controlados – a falta dela é a causa da doença de Parkinson, a qual faz a pessoa perder a habilidade de controlar seus movimentos.

A dopamina se move até o lóbulo frontal regulando o grande número de informações que vem de outras partes do cérebro. Portanto, comprometer as quantias do neurotransmissor pode resultar em pensamentos incoerentes, como na esquizofrenia.

Também é responsável pelo sentimento de euforia, assim como a endorfina. É capaz de acalmar a dor e aumentar o prazer se estiver em grande quantidade no lóbulo frontal.

Molécula de Dopamina

(C8H11NO2)

Ela está presente nas suprarrenais, indispensável para a atividade normal do cérebro e sua ausência provoca a doença de Parkinson. Estes sintomas estão associados à morte de células cerebrais que produzem um neurotransmissor, a dopamina, numa parte do cérebro chamada substância negra.

A dopamina é um neurotransmissor monoaminérgico, da família das catecolaminas e das feniletilaminas que desempenha vários papéis importantes no cérebro e no corpo. Neurotransmissor chave para várias funções cerebrais, incluindo o controle locomotor e sistemas de recompensa.

É um neurotransmissor fundamental para a motivação, foco e produtividade.

Ao longo de muitos anos, uma riqueza de informações sobre Dopamina foi acumulada e levou a um interesse crescente no papel em uma infinidade de doenças do sistema nervoso central. Essas características da Dopamina são exploradas em relação a uma gama de doenças neurológicas e neuropsiquiátricas.

Uma das principais funções do controle executivo é a adaptação flexível ao nosso ambiente em constante mudança. Os circuitos executivos do cérebro devem, portanto, não apenas monitorar e manter metas comportamentais atuais, mas também incorporar novos objetivos e regras, inclusive posturais.

Essa atualização pode vir na forma de uma integração rápida de conhecimento previamente adquirido quando, por exemplo, um estímulo bem conhecido informa a um animal sobre uma mudança nas contingências de recompensa.

Em muitos casos, no entanto, essa atualização requer novo aprendizado, por exemplo, quando um novo estímulo é encontrado pela primeira vez. Funções executivas são comumente atribuídas ao córtex pré-frontal e redes fronto estriatais. A função destes circuitos depende fortemente da neuromodulação, em particular da dopamina.

Há cerca de 100 bilhões de neurônios no cérebro humano, tanto quanto como as estrelas da Via Láctea. Estas células se comunicam entre si através de substâncias químicas do cérebro chamadas neurotransmissores.

Ela desempenha um papel em vários distúrbios mentais, incluindo depressão, dependências, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e esquizofrenia.

A Dopamina tem sido chamada de nossa “molécula da motivação.”

Ela aumenta o nosso direcionamento, foco e concentração e nos permite planejar com antecedência e resistir aos impulsos, para que possamos alcançar nossos objetivos, quando realizamos o que nos propusemos a fazer. Faz-nos competitivos e proporciona a emoção da “caçada” em todos os aspectos da vida .

A Dopamina é responsável pelo nosso sistema de prazer e recompensa. Ela nos permite ter sentimentos de prazer, felicidade e até mesmo euforia. Mas pouca Dopamina pode deixar-nos fora de foco, desmotivados, apáticos e até mesmo deprimidos.

Muitos dos sintomas comuns da deficiência de Dopamina são semelhantes aos da depressão:

  • Falta de Motivação
  • Fadiga
  • Apatia
  • Procrastinação
  • Incapacidade de Sentir Prazer
  • Baixa Libido
  • Problemas de Sono
  • Mudanças de Humor
  • Desespero
  • Perda de Memória
  • Incapacidade de se Concentrar

Estudos mostram que ratos de laboratório deficientes de Dopamina tornaram-se apáticos e letárgicos, e que faltou motivação para comer e morreram de fome. Por outro lado, algumas pessoas com baixa concentração de Dopamina compensam isso com comportamentos autodestrutivos, para conseguir um aumento na dopamina.

Pode ser usada nas seguintes situações:

  1. Para Doença de Parkinson (contém L-dopa natural)
  2. Para Impotência e Disfunção Erétil
  3. Como Afrodisíaco e para Aumentar a Testosterona
  4. Como Anabólico e Androgênio – Fortalecendo os Músculos e Ajudando a Estimular o Hormônio do Crescimento
  5. Ajudando na Perda de Peso

Dopamina e Exercícios Físicos

O exercício físico é o melhor estímulo que o seu cérebro pode receber, pois ele aumenta a produção de novas células cerebrais, retarda o seu envelhecimento e melhora o fluxo de nutrientes para o cérebro. Ele também pode aumentar seus níveis de dopamina e os neurotransmissores do “bem-estar”, serotonina e noradrenalina.

Dr. John Ratey, psiquiatra renomado e autor de “Centelha: A Revolucionária Nova Ciência do Exercício e do Cérebro”, estudou extensivamente os efeitos do exercício físico sobre o cérebro. Ele descobriu que o exercício aumenta os níveis basais de dopamina, promovendo o crescimento de novos receptores nas células cerebrais.

A Dopamina é responsável, em parte, pela elevada experiência dos corredores profissionais.

Mas você não precisa se exercitar vigorosamente para aprimorar seu cérebro. Fazer caminhadas ou exercícios suaves sem impacto como yoga, tai chi, ou qi gong produzem poderosos benefícios para a mente e o corpo.

Essas atividades aumentam a Dopamina, afastam a depressão e protegem contra o envelhecimento do cérebro.

Ouvir música pode causar de liberação de Dopamina. Estranhamente, você não tem sequer que ouvir a música para obter este neurotransmissor, que flui apenas pela antecipação da escuta.

Sistema de Recompensa do Cérebro para Equilibrar a Dopamina

A Dopamina funciona como um mecanismo de sobrevivência, liberando energia quando uma grande oportunidade está na sua frente. A Dopamina nos recompensa quando nossas necessidades estiverem satisfeitas.

Mas, de acordo com Dra. Loretta Graziano Breuning, autora do livro “Conheça seus produtos químicos da felicidade: dopamina, endorfina, ocitocina, a serotonina”, nós não somos projetados para experimentar um frisson de dopamina incessante.

Dopamina e Neurociência

Descobertas recentes apresentam estudos sobre o pico de Dopamina e sua relevância sobre o assunto movimento.

Para a maioria das pessoas, dar o primeiro passo em uma caminhada ou a primeira pedalada numa bicicleta parece ser tão simples como dar os seguintes passos e continuar a viagem. No entanto, uma equipe de neurocientistas da Fundação Champalimaud e da Universidade da Columbia, nos EUA, detectou uma diferença importante entre o arranque e o resto da caminhada.

Os neurocientistas perceberam que os neurônios que liberam um mensageiro químico são essenciais para iniciar um movimento. Essa descoberta pode ter implicações no tratamento da doença de Parkinson.

Segundo explicam em um artigo publicado na revista Nature, os neurônios responsáveis pela produção de Dopamina (e que são afetados na doença de Parkinson) são fundamentais, sobretudo para iniciar um movimento, e especialmente os movimentos mais vigorosos.

Um exemplo a ser considerado são os testes em ratos, basta ativar os neurônios que produzem dopamina durante meio segundo para que iniciem um movimento.

Os movimentos simples e voluntários tornam-se tarefas difíceis para os doentes com Parkinson. Estes sintomas estão associados à morte de células cerebrais que produzem um neurotransmissor – a dopamina – em uma parte do cérebro chamada substância negra

A bradicinesia, normalmente descrita como uma diminuição da probabilidade de movimento ou lentidão na sua execução é um dos principais sintomas motores desta patologia, além dos tremores e rigidez. Agora os neurocientistas esclarecem um dos mecanismos do “motor de arranque” para o movimento.

Nos experimentos e testes, a precisão da medição e da gravação do início do movimento, a atividade neuronal do movimento espontâneo observou se na existência de um pico de Dopamina, minutos antes do movimento, os neurônios ficam mais ativos, explica o líder da equipe Rui Costa, neurocientista da Fundação Champalimaud.

Na observação em ratos (sem Parkinson), o aumento dos níveis de dopamina antes de um movimento “é tão maior quanto mais rápido o movimento será a seguir.” Assim, depois de feita a correlação entre os níveis de Dopamina e o início de um movimento, os cientistas experimentaram “desligar” e “ligar” estes neurônios em diferentes alturas.

A técnica usada e chamada de optogenética, nos permite ligar e desligar os neurônios de ratinhos e ver durante as diferentes fases do movimento, o que os neurônios estão ou não estão a realizar.

Percebe-se que são neurônios francamente menos relevantes durante o movimento. Sabedores que o aumento da Dopamina, antes de um movimento “é tão maior quanto mais rápido o movimento será a seguir.”

Este estudo ganhou o Prémio Pfizer em 2017, na categoria de Investigação Básica, ainda antes de ser publicado numa revista científica.

Uma pitada de Dopamina no segundo certo ativa os neurônios, durante meio segundo para promover o movimento com maior vigor do que sem a atividade desses neurônios.

As experiências, descritas agora no artigo na Nature, mostraram que quando desligamos estes neurônios antes de um movimento, o ratinho tem problemas em começar a mexer-se. Sabe se também que se desligado estes neurônios durante um movimento já iniciado, o resultado do movimento não era afetado.

Da mesma forma, a ação também continuava sem perturbações se estes neurônios fossem ativados durante um movimento em curso.

Conclusão

Talvez seja possível encontrar outras estratégias que consigam aumentar a Dopamina apenas no momento em que é mais necessária, antes de iniciar o movimento.

E, talvez isso possa ajudar estes doentes a fazer um tratamento mais específico e com menos efeitos secundários.

Descobertas recentes assim nos norteiam sobre maiores bases da importância dos neurônios e a relação movimento, saúde, tratamentos e patologias, sugerindo assim ainda mais estudos na área para conclusões mais abrangentes.

E assim, seguimos buscando em nossos métodos maneiras de incentivar a molécula da motivação.

 

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Hipopressiva é um bom Método para Fortalecer Músculos do Assoalho Pélvico?

Hipopressiva é um bom Método para Fortalecer Músculos do Assoalho Pélvico?

A incontinência urinária é um dos muitos distúrbios do assoalho pélvico que nossas alunas e pacientes podem desenvolver.

Isso acontece porque a vida moderna é hiperpressórica, fazendo com que o estresse imposto sobre esses músculos acabe gerando problemas.

Nesse artigo discutiremos os benefícios do método hipopressivo para tratamento e prevenção de distúrbios do assoalho pélvico. Continue lendo para entender porque você deveria adotar esse método em aula para ajudar suas alunas.

Importância dos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP)

Se você pode tossir, espirrar ou praticar esportes sem se preocupar com suas funções urinárias e fecais, agradeça ao assoalho pélvico (AP). Suas musculaturas possuem papel importante para:

  • Sustentar Órgãos Pélvicos
  • Permitir a Passagem do Feto no Parto
  • Proporcionar Ação Esfincteriana para a Bexiga
  • Proporcionar Continência Urinária e Fecal

Olha que estou resumindo essa lista. Na verdade, os músculos do assoalho pélvico estão envolvidos em diversos processos, inclusive nas funções sexuais.

Esse conjunto muscular é dividido em duas camadas: superficial e profunda. A camada superficial é composta pelos músculos do períneo e tem como principais funções manter a continência urinária e possibilitar o ato sexual.

A camada profunda é composta pelos músculos do diafragma pélvico. São eles que realizam a sustentação das vísceras, mesmo quando existe aumento da pressão intra-abdominal (PIA).

Esses músculos contraem rapidamente assim que ocorre algum aumento de pressão para manter a posição dos órgãos. Eles também possuem esfíncteres que permanecem fechados.

Os esfíncteres só se abrem quando defecamos ou urinamos, causando um relaxamento nessa musculatura. Para que ocorra continência urinária, a bexiga e a musculatura do períneo devem estar coordenados nas fases de esvaziamento e enchimento.

Quando existem disfunções do assoalho pélvico, é possível utilizar técnicas de reeducação perineal. Só existe um problema que encontramos em boa parte de nossas pacientes femininas: a maioria não tem consciência do assoalho pélvico e é incapaz de ativá-lo com comando verbal.

Disfunções do Assoalho Pélvico

Existem diversas disfunções do assoalho pélvico que podem ser tratadas através da fisioterapia. Elas incluem:

  • Incontinência Urinária
  • Prolapsos de Órgãos Pélvicos
  • Hiperatividade Vesical
  • Disfunções Sexuais
  • Disfunções Anorretais

Uma das mais conhecidas é a incontinência urinária, que afeta tanto homens quanto mulheres, mas principalmente as mulheres.

Ao contrário da crença popular, incontinência urinária não acontece somente em idosas. Pessoas mais jovens também podem desenvolvê-la, especialmente praticantes de esportes com impacto.

Na atividade esportiva a pressão intra-abdominal sobe rapidamente a curto prazo por causa do treinamento. Combinando esse aumento de pressão com a frequente fraqueza ou falta de ativação correta do assoalho pélvico pode acontecer perda de urina pontual.

Pessoas incontinentes podem sofrer perda involuntária de urina em qualquer ação que leve ao aumento da pressão intra-abdominal. Isso inclui rir, tossir, espirrar, fazer esforço físico e subir escadas.

Assim como todos os outros distúrbios do assoalho pélvico, a incontinência gera graves problemas para a portadora. Além do desconforto de perder urina, a pessoa aumenta as possibilidades de desenvolver problemas psicológicos relacionados.

Em idosos, a incontinência também aumenta a probabilidade de quedas. Com a perda de funções proprioceptivas e motoras, o idoso pode facilmente tropeçar e cair ao tentar correr para o banheiro.

Quando possível, os distúrbios do assoalho pélvico devem ser prevenidos. Quando não for, devemos tratá-los da melhor maneira possível. Como veremos nesse artigo, ambas as opções são possíveis com o uso do método hipopressivo.

Tratamentos para Disfunções do Assoalho Pélvico

Quando falamos nas disfunções do assoalho pélvico podemos encontrar diversas soluções.

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Obviamente, considerando nossa área de atuação, falarei sobre as opções conservadoras de tratamento. Elas também são as mais recomendadas por terem boa eficiência e serem pouco invasivas.

Podemos citar diversas técnicas usadas para trabalhar o assoalho pélvico, como:

Todos os métodos usados têm como objetivo fortalecer e melhorar a ativação do assoalho pélvica. Para isso, eles utilizam contrações voluntárias para reeducar o padrão de ativação dessas musculaturas e melhorar a continência.

Os cones vaginais, por exemplo, fornecem estímulos para melhorar a ativação muscular e ganho de força na região. Também existem os exercícios de Kegel, uma técnica que consiste em realizar e manter contrações dos músculos do períneo.

Alguns profissionais até escolhem mesclar técnicas para obter melhores resultados com suas pacientes.

Por que o Método Abdominal Hipopressivo é uma boa opção?

É claro que na hora de escolher um método para realizar fortalecimento do assoalho pélvico sou uma defensora do método hipopressivo. Ele proporciona uma série de benefícios, incluindo diminuição da PIA e correções posturais.

Além disso, as posições utilizadas geram uma ativação sinérgica dos músculos do assoalho pélvico.

Através do seu uso rotineiro é possível prevenir distúrbios como prolapsos genitais e incontinência pós-parto. Indivíduos que praticam a técnica também conseguem tonificar musculaturas do AP e normalizar a tensão de estruturas musculares. Ou seja, é tudo que nossas alunas precisam para evitar incontinência e outros problemas.

Durante a manobra hipopressiva a aluna aspira as vísceras para cima por meio da respiração diafragmática.

Detalhe: isso é feito através de aspiração, não deve ocorrer contração do transverso do abdômen ou outras musculaturas abdominais. A manobra gera contração reflexa dos músculos do assoalho pélvico e diminui a PIA. O indivíduo também realiza uma tração da aponeurose umbilical pré-vesical sobre a fáscia pélvica.

Usar a técnica em aula é uma maneira de complementar o tratamento bastante eficiente. Estudos indicam que pacientes tratadas com o método abdominal hipopressivo conseguem melhora nos sintomas, com algumas até alcançando a cura da incontinência.

Uma das grandes vantagens de usar o método é o controle da PIA. Muitas mulheres são incapazes de realizar uma contração do assoalho pélvico na nossa aula. Quando recebem esse comando podem até empurrar as vísceras para baixo, sobrecarregando o períneo e aumentando a pressão intra-abdominal.

Portanto, devemos sempre usar a técnica para evitar problemas.

Conclusão

Tratar ou prevenir distúrbios do assoalho pélvico é algo ainda bastante difícil e problemático para profissionais do movimento. Encontramos uma forte resistência por parte das próprias mulheres que geralmente evitam buscar ajuda médica.

Boa parte das mulheres afetadas por incontinência urinária não buscam tratamento por desconhecimento ou por considerar a condição normal. Outras acham vergonhoso apresentar a incontinência e não querem discutir o assunto com profissionais.

Outro problema que encontramos é durante o próprio tratamento, que geralmente envolve pedir contração do assoalho pélvico. A maioria das mulheres sequer conhece esses músculos ou tem noção do seu funcionamento.

Como resultado, elas são incapazes de realizar uma contração eficiente e ainda fazem ativação de músculos acessórios.

Com o uso do método abdominal hipopressivo conseguimos bons resultados no tratamento. As pacientes que são submetidas à técnica também conseguem melhoras posturais e de consciência corporal que ajudam a prevenir o retorno da condição.

Bibliografia