Parto normal: benefícios e como acontece

Parto normal: benefícios e como acontece

Nem preciso dizer que o parto vaginal é o melhor para o bebê, já que o corpo da mãe biologicamente é preparado para tanto, e é a ele que o Método Abdominal Hipopressivo irá ajudar. Diferente da cesárea, o parto normal tem rápida recuperação para a puérpera, menor risco de complicações, além de estimular a lactação.

Parto normal é a opção mais saudável, e todos os médicos concordam. Evidentemente, existem as exceções nas quais são encontradas complicações para a mãe ou para o bebê, nesses casos a intervenção médica se fará necessária.

No parto normal, o processo de nascimento é conduzido apenas pelo próprio organismo da gestante. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), se tudo estiver bem com a mãe e o bebê, não há por que intervir medicamente, porém a OMS não apoia o nascimento fora de um centro hospitalar e eu particularmente concordo, visto que as complicações podem acontecer. 

Aprenda mais sobre os benefícios do parto normal continuando a leitura!

Principais benefícios do parto normal

As principais vantagens do parto normal para a mãe são:

  •  Menor risco de infecção;
  •  Menor tempo de internamento;
  •  Recuperação mais rápida;
  • Risco com complicações anestésicas são menores;
  • O útero volta ao tamanho natural mais rapidamente;
  • Aumenta os hormônios responsáveis pelo bem-estar;
  • Favorecimento na produção de leite materno (quando o bebê nasce naturalmente, o corpo inicia a produção de leite mais facilmente).

Entretanto, não é apenas para as mães que o parto normal oferece diversos benefícios, mas para o bebê também, alguns deles são:

  • Mais tranquilidade;
  • Maior receptividade ao toque;
  • Maior facilidade para respirar (ao passar pelo canal de parto, seu tórax é comprimido, fazendo com que os líquidos de dentro do pulmão sejam naturalmente expelidos);
  • Mais atividade ao nascer.

Sobre o parto normal

Dentre os vários motivos que levam as futuras mamães a se questionarem sobre o parto normal, temos a duração do processo. Mas saiba: cada parto é um caso, cada caso um organismo, então não existem maneiras efetivas de prever categoricamente quanto tempo o parto durará, entretanto, esse tempo não deve durar mais de 10 horas.

Para diminuir a ansiedade, a informação sobre como cada etapa ocorre é fundamental. O conceito hipopressivo deve promover essa informação à gestante, prepará-la fisicamente e facilitar o parto. Devemos entender muito bem como se procede o trabalho de parto.

O parto se inicia com o apagamento e dilatação do colo uterino. As contrações passam de Braxton-Hicks para as contrações uterinas de fato, estimuladas pela descida importante da progesterona e aumento dos estrógenos. 

A partir daí a rotação do bebê se inicia para a descida do mesmo, sob a ação da Ocitocina a descida do bebê vai pressionar os fascículos profundos do assoalho pélvico, estirando-o com sua cabeça, promovendo assim, o reflexo miotático do assoalho pélvico que se contraíra para estimular a rotação de descida do bebê. 

Como as contrações vêm acompanhadas de dor, a aplicação do conceito hipopressivo durante as mesmas, vai promover a diminuição desta dor, não eliminar, mas deixa-las suportáveis. 

Etapas do parto normal

 Ao todo desenrolam-se três grandes etapas no parto normal, que são:

Dilatação do colo do útero

A dilatação é a fase mais extensa do trabalho de parto. Essa fase inicia-se quando o bebê está apto a nascer, perto das 40 semanas, e o corpo da mãe, através da estimulação hormonal começa a se preparar para esse nascimento. 

Ocorre então o início da fase de dilatação que se subdivide em 3 partes: 

Fase latente: de 0 aos 3-4 centímetros de dilatação.

Nesta etapa, as contrações são irregulares e espaçadas, com baixa intensidade de duração, e o colo do útero dilata até 3 ou 4 centímetros.

Conforme as contrações aumentam em frequência e duração (aproximadamente três contrações em cada 10 ou 15 minutos), a mulher entra definitivamente em trabalho de parto. Este é o momento de ir para a maternidade.

Fase ativa: dos 4 aos 7 centímetros de dilatação.

As contrações ocorrem de maneira mais rápida e intensa (em média com 2 a 3 minutos de intervalo entre si), podendo durar de 60 a 90 segundos.

Fase de transição: dos 8 centímetros de dilatação adiante.

Como o próprio nome diz, na fase de transição, o corpo está passando da etapa de dilatar-se para a fase de expulsar o bebê do organismo. É possível que o canal vaginal se expanda em até 10 centímetros.

Nessas três fases estaremos presentes para ajudar nas contrações uterinas facilitando a expulsão do bebê com o conceito hipopressivo, estimulando as contrações uterinas, acelerando e otimizando o tempo do trabalho de parto, pois não são os músculos que expulsam o bebê e sim as contrações uterinas.

Para tanto, faz-se necessário o conhecimento de como o parto procede fisiologicamente, se tudo correr bem a fisiologia faz o trabalho sozinha, e a intervenção médica será mínima. 

O parto

É algo mágico e apaixonante, onde o sistema músculo esquelético, endócrino e nervoso trabalham harmonicamente para que ele ocorra, no entanto, nos profissionais do movimento devemos estar aptos para atuar nos sistemas, ora inibindo, ora estimulando os sistemas necessários. O MAH nos oferece essas condições, conforme verificaremos nesse módulo.

Fisiologia do parto

Analisaremos, a seguir: 

O trajeto duro que inicia-se pela pelve e o trajeto mole, passagem do bebê pelo segmento inferior do útero, cérvice, vagina e a região vulvoperineal.

O trajeto, ou canal da parturição, segue do útero à fenda vulvar e possui três estreitamentos:

  • O orifício cervical;
  • O diafragma pélvico (urogenital);
  • O óstio vaginal (fenda vulvovaginal). 

Embebição gravídica

É observado nas articulações da cintura pélvica movimentos de: nutação e contranutação ilíacos, além de movimentos de horizontalização sacral que servem para ampliar os diâmetros da parturiente favorecendo a migração das apresentações fetais.

A articulação sacrococcígea aumenta a mobilidade, também, na gravidez. A retropulsão do cóccix acontece por movimentação da primeira sobre a segunda peça coccígeas. Assim o diâmetro anteroposterior do estreito inferior também aumenta.

A cintura pélvica divide-se em:

Grande bacia e pequena bacia (ou escavação). 

A grande bacia é limitada:

  • Lateralmente: fossas ilíacas internas;
  • Posteriormente: coluna vertebral;
  • Limites anteriores: os músculos abdominais;
  • Circunferência ou contorno: base do sacro, cristas ilíacas, borda anterior do osso ilíaco;
  • Parte inferior: pela escavação, a grande bacia é dela separada pelo anel do estreito superior.
  • Mede cerca de 24 cm entre as duas espinhas ilíacas antero superiores.

A pequena bacia, ou simplesmente escavação, acha-se limitada acima pelo estreito superior.

Os limites do estreito superior são:

  • Saliência do promontório;
  • Borda anterior da asa do sacro;
  • Articulação sacroilíaca;
  • Linha inominada
  • Eminência iliopectínea;
  • Borda superior do corpo de pube e da sínfise púbica. 

O estreito superior ou triângulo curvilíneo (tarnier), com a base indo de uma articulação sacro ilíaca à outra e o ápice a terminar na sínfise púbica por ele limitada é impropriamente conhecida como plano do estreito superior. 

O estreito inferior é limitado pelos: ramos isquiopúbicos (ramos descendentes do púbis e ascendentes do ísquio), borda inferior das duas púbis, tuberosidades isquiáticas, borda medial ou interna dos grandes ligamentos sacro ciáticos e extremidade do cóccix. 

A escavação fica entre os dois estreitos havendo quatro paredes: 

 Anterior: constituída pela face posterior ou pélvica do corpo do púbis e do seu ramo horizontal pelo lado interno do buraco obturador e a face interna da sua membrana, a face interna do ramo isquiopúbico e parte da tuberosidade isquiática.

Posterior: constitui-se de 11 a 12 cm do promontório ao ápice do cóccix, e segue a curva sacral, em aproximadamente, 15-16 cm.

Face anterior: mede superiormente cerca de 11 cm de largura, na altura da articulação sacrococcígea. A cavidade é avaliada em 27 mm, na mulher.

Dois laterais: medem de 9 a 10 cm, pela base das espinhas ciáticas, dois planos inclinados. 

O estreito médio começa no ápice do sacro, segue pelas apófises transversas da quinta vértebra sacral, borda inferior dos ligamentos sacro isquiáticos, arcos tendinosos do elevador anal e pelos feixes pubococcígeos, encerrando-se na face posterior do púbis.

A seguir discutiremos o trajeto mole que começa no segmento inferior do útero, cérvice, a vagina encerrando-se na região vulvoperineal. 

O segmento inferior é a parte inferior do corpo uterino, limitada, em baixo, pelo orifício interno.

O limite superior, muito discutível, tem sido demarcado, sucessivamente, pela linha de união do peritônio à face anterior do útero, pelo seio venoso, ou artéria coronária existente no ponto em que a artéria uterina emite o primeiro ramo transversal, pela região onde os ligamentos redondos se refletem, dirigindo-se para os canais inguinais.

No início da expansão do útero, o orifício interno se distende e toda a porção superior do colo entra na constituição do segmento inferior. Houve o consenso que o istmo era a origem do segmento inferior. 

Há absorção dele pela cavidade uterina: o orifício ístmico interno começa a desaparecer,começando sua distensão gradual, por volta da décima segunda semana pelo crescimento do bebê.

Podemos aceitar, os seguintes limites aproximados do istmo:

  • Superiormente: o ponto de união da porção anterior do peritônio visceral, a superfície de angulação do útero em ante flexão e o local de entrada da fração mais calibrosa da artéria uterina;
  • Inferiormente: onde o canal cervical termina e começa a parte cilíndrica do istmo. 

O istmo é a peça intermediária entre o corpo do útero e a cérvice.

As metrossístoles diminuem o espaço intra-uterino, assim, o feto é forçado a distender e alongar o segmento inferior, que, em consequência, assimila o canal da cérvice (apagamento do colo), fica ampliado, e constitui singular cavidade cujo limite inferior é o orifício externo do colo. Desse jeito, constitui-se o segmento inferior parturiente, o canal de Braune.

Estreitamentos

A cérvice

E um canal com dois orifícios, interno (superior) e externo (inferior), o colo do útero sofre grandes modificações morfológicas, estruturais e de consistência durante a gravidez. Com o início do trabalho de parto, e mesmo antes de suas manifestações clínicas, a cérvice cujo fim é estabelecer a continuidade do canal mole do parto, que vai ser percorrido pelo bebê, e impulsionado pelas contrações uterinas. 

A vagina

É um conduto cilíndrico, achatado antero-posteriormente, que se estende do útero à vulva. As paredes vaginais possuem, no ciclo gestatório grande elasticidade, e, por conta, da embebição gravídica, a expulsão do feto faz-se, assim, possível, sem importantes dilacerações, caso ao assoalho pélvico seja competente. 

Região vulvo-perineal

É constituída pela vulva e pelo períneo. 

Vulva

Os órgãos genitais externos que constituem a vulva, são: o monte de vênus, os grandes e pequenos lábios, o clitóris, as glândulas vulvovaginais. 

Períneo

Responsável pela micção, defecação, e pelos prazeres sexuais. 

Apresentação do bebê 

É definida pela região fetal que se acomoda no estreito superior, ocupando-a em seu todo.

Existe troca de uma apresentação em outra (mutação ou versão). Até o 6o mês de gestação a cabeça é encontrada no fundo uterino, e, depois, graças a essa rotação axial, o feto por “cambalhota”, orienta o pólo cefálico para as porções inferiores do órgão e aí se mantém.

Plano de contato da apresentação é o plano circunferencial da apresentação que se põe em relação com o estreito superior. 

A situação longitudinal

Na situação longitudinal podem ocorrer duas apresentações:

  • Do pólo cefálico: apresentação cefálica 
  • Do pólo pélvico: apresentação pélvica

O pólo cefálico pode apresentar-se:

  • Fletido: com o mento próximo a face anterior do tórax = apresentações cefálicas fletidas
  • Estendido: afastado em graus diversos de extensão = apresentações cefálicas em extensão. 

Posição 

Posição esquerda ou 1a posição: quando o dorso fetal se acha voltado para o lado esquerdo materno;

Posição direita ou 2a posição: quando o dorso se orienta para o lado direito. 

Variedades de posição       

Precisa acrescentar ao diagnóstico a variedade de posição, que se define como a relação dos pontos de referência fetais. Esses pontos são os seguintes: 

Materna:

  • O pube;
  • As eminências iliopectineas;
  • As extremidades do diâmetro transverso máximo;
  • A articulação sacro ilíaca;
  • O sacro. 

Fetal: 

Em obstetrícia é preciso designar-se, de maneira exata, a situação, a apresentação, a posição e a variedade de posição, tendo-se perfeito conhecimento da estática fetal.

Feto em situação longitudinal:

Nomeiam-se pelo emprego de duas ou três:

  • A primeira indicativa da apresentação, é símbolo da região que a caracteriza,
  • As demais correspondem ao ponto de referência ao nível do estreito superior.

OIGA significa que a apresentação é de occipital e que o ponto de referência, o lambda (símbolo “O”), está em correspondência com o estreito superior, à esquerda (E) e anteriormente (A)

OIDP occipito-direita-posterior significa que a apresentação e occipital, à esquerda posteriormente, o que gerará partos mais longos e dolorosos.

A descida do feto se dá em rotação favorecidas pela morfologia de planos espirais escalonados da musculatura do assoalho pélvico. O que permite a descida do bebê em rotação até o nascimento. 

Conclusão

Este artigo tem o objetivo de compreendermos o processo hormonal que acontece no corpo da gestante, para que tenhamos o entendimento necessário dos exercícios para cada mudança que se dão nos corpos das nossas gravidinhas.

6 mitos e verdades sobre o Método Abdominal Hipopressivo

6 mitos e verdades sobre o Método Abdominal Hipopressivo

O Método Abdominal Hipopressivo (MAH) é muito mais do que uma técnica para gerar a tão famosa barriga negativa, é também uma maneira de prevenção e reabilitação para a ativação da faixa abdominal.

Através dos estímulos somático-sensoriais, o conceito MAH busca proporcionar a melhora: postural, respiratória, sexual e metabólica, propiciando a normalização das pressões corporais internas e produzindo melhorias corporais a fim de gerar melhor qualidade de vida.

Esse conceito transita a nível sistêmico, a qual todos sistemas são alimentados pelo conjunto de células que cumprem funções especificas, porém estão todos interligados pelo tecido conjuntivo, a fáscia.

Contudo, existem diversos mitos em torno do Método Abdominal Hipopressivo que geram dúvidas nos profissionais e praticantes. Pensando nisso, preparei um texto para desmistificar e esclarecer todos os conceitos.

Continue lendo esta matéria e confira!

1. O Método Abdominal Hipopressivo é capaz de gerar a tão sonhada barriga definida ou negativa?

Sim e não. Primeiro preciso deixar claro que para ter um abdômen definido é imprescindível uma alimentação correta.

Eu diria que 80% do processo se dá por uma dieta de baixa ingestão de gorduras, ou seja, o indivíduo deve possuir um baixo índice de massa gorda corporal. Porém, se esse indivíduo possuir a pressão intracavitária aumentada, se faz necessário normalizar essa pressão a fim de obter o abdômen dos sonhos.

Deste modo, o Método Abdominal Hipopressivo através da normalização da pressão intra-abdominal pode sim ajudar desde que esteja somado à alimentação balanceada.

Além de obter a definição do abdômen, é capaz também de diminuir cerca de 3 a 5 cm, em média, a circunferência abdominal.  

A explicação para que isso aconteça é bem simples e segue o princípio físico da Lei da Blaise Pascal, em que diz que um componente líquido hermeticamente fechado (o saco visceral, hoje em dia conhecido como fáscia transversalis) que sofre qualquer variação de pressão será distribuída de forma homogênea por todo conjunto.

Entenda melhor a conformação dos músculos do abdômen:

Músculos do Abdômen

Reto abdominal

O reto abdominal são músculos que ficam à frente do tronco e compõem a camada muscular superficial dos músculos abdominais. Suas fibras são predominantemente vermelhas, porém entrecortadas por áreas não contráteis fasciais.

Esses músculos estão recobertos pela bainha do reto do abdome, cuja função é manter os músculos em sua posição. Ela é formada pelo entrelaçamento da camada bilaminar das fáscias profundas dos seguintes músculos:

  • Oblíquo externo;
  • Oblíquo interno;
  • Transverso do abdômen.

O músculo reto do abdômen é longo e aplanado, recobre toda a face anterior do abdome. Ele é intercedido por faixas fibrotendinosas chamadas interseções tendíneas. Os números dessas interseções variam de pessoa para pessoa.

  • Origem: da 5ª a 7ª cartilagens costais, processos xifoides e ligamento costoxifoide;
  • Inserção: púbis e sínfise púbica;
  • Inervação: sete últimos nervos intercostais;
  • Ação: flexão do tronco, comprime o abdome e auxilia a expiração forçada.

Os retos do abdômen são os responsáveis pelo enrolamento da unidade tronco. Eles realizam a elevação do púbis em direção ao umbigo e abaixam o esterno em direção ao umbigo.

Essa nos parece ser uma zona de convergências de forças importantes. Com esse enrolamento indiretamente mobilizaremos a coluna vertebral de forma retificadora em sua região torácica baixa e lombar.

Não raramente, há necessidade de flexibilização desses músculos. A falta de flexibilidade acontece por influências viscerais centrípetas que nos puxam para o enrolamento. Outra opção são nossos atuais hábitos de vida:

  • Sedentarismo;
  • Predominância das atividades de vida diária para alavancas flexoras, dentre outros.

O que precisamos saber é que são os retos abdominais que ao se contrair empurram as vísceras abdominais para dentro. Portanto, sendo responsáveis por aumentar a pressão intracavitária.

Os músculos largos

São os músculos nas laterais do tronco que se opõe ao longilíneo reto do abdômen, e segundo Balndine, são chamados de músculos largos. São três deles dispostos em camadas:

  • Transverso do abdômen
  • Oblíquo interno
  • Oblíquo externo

Transverso do abdômen

É o músculo mais profundo dentre todos os músculos largos e tem sua origem na:

  • Crista ilíaca;
  • Fáscia toracolombar;
  • 2/3 laterais do ligamento inguinal.

Sua inserção fica nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba estendendo-se inferiormente sobre o ligamento inguinal acompanhando a prega inguinal.

Como vimos na figura, ele é cortado pela frente pela potente linha alba e por trás pela fáscia tóraco lombar. O periódico JOSPT já fala sobre a interdependência dos transversos abdominais há cerca de 15 anos.

Não há fibras musculares do Transverso a frente do umbigo, temos somente todo tecido fascial da linha alba, não contrátil. Além disso, há um engano sobre a contração do Transverso.

Olhemos bem a figura do Transverso. Em suas linhas de tração, origem e inserção, analisemos agora uma contração concêntrica destes músculos.

Esse músculo tem uma atuação importante sobre as vísceras. Ao se contrair ele diminui o diâmetro da cintura, podendo aumentar consideravelmente a pressão intra-abdominal.

Somada a esse aumento de pressão, a ação da alavanca flexora, o Transverso do abdômen é o grande responsável por gerar o aumento da estabilidade do tronco, conhecido como Reflexo Antecipatório Postural, pelo fato de contrair-se 5 miliseg antes de qualquer movimento do tronco, segundo Paul Hodges.

Sua ação também está relacionada às contrações da musculatura lisa:

  • Fonação;
  • Vômito;
  • Tosse;
  • Espirro;
  • Entre outras.

Ações do transverso e suas fibras

Quando em contração forma uma cintura fininha realizada pelas fibras médias do Transverso que são horizontais.

Suas fibras inferiores são responsáveis pela proteção dos órgãos da pelve menor das diferenças pressóricas ocorridas a todo momento, quando contraídas são responsáveis pelo alargamento das cristas ilíacas.

Já as fibras superiores têm um direcionamento dado para baixo e para fora sendo responsáveis pelo sutil fechamento das costelas. Por ter um ventre e um comprimento muscular pequeno essas fibras não conseguem realizar um grande fechamento das costelas.

E no caso de um diafragma hipertônico, trabalhando em posição baixa, somado a contração dos músculos do abdômen e a força gravitacional empurraram as vísceras para baixo, aumentando a PIA fadigando, assim os músculos perineais.

Alguns autores identificaram um aumento da atividade eletroneuromiografia dos músculos abdominais durante a contração do assoalho pélvico. A contração ocorreu sem qualquer contração da musculatura abdominal.

Existe entre eles uma ação de sincronia, isto é, a contração do músculo abdominal leva a uma contração recíproca do músculo pubococcigeo. Isso estabiliza e mantém o colo vesical na posição retropubica, facilitando a igualdade das pressões transmitidas da cavidade abdominal ao colo vesical e uretra proximal. Essas ações mantém a continência urinária.

A atividade sinérgica entre os Músculos do Assoalho Pélvico e os abdominais possibilita o desenvolvimento de uma pressão de fechamento adequada e importante para manter:

  • Continência urinária;
  • Continência fecal;
  • Pressão no abdômen;
  • Suporte aos órgãos pélvicos.

Alguns estudos demonstram que, durante a contração voluntária dos Músculos do Assoalho Pélvico, ocorre uma co-ativação dos músculos transversos abdominais, oblíquo interno, oblíquo externo e reto abdominal. A pressão esfincteriana aumenta com essa ativação.

Um estudo realizado a respeito da sinergia abdômino pélvica diz que aumentos repentinos na pressão intra-abdominal, levam a uma rápida atividade reflexa dos músculos do assoalho pélvico (reflexo guardião).

Deve-se considerar, no entanto, que “o aumento repentino da pressão intra-abdominal”, se causada por uma manobra intrínseca (tosse, por exemplo) incluem a ativação via retroalimentação da musculatura do assoalho pélvico como parte de um complexo padrão de ativação muscular.

Acredita-se que a tosse e o espirro são gerados por um padrão individual dentro do tronco cerebral. Assim, a ativação dos Músculos do Assoalho Pélvico é uma co-ativação prévia, e não primariamente uma reação “reflexa” ao aumento da pressão intra-abdominal.

Porém, além disso, pode haver uma resposta reflexa adicional dos Músculos do Assoalho Pélvico em relação ao aumento da pressão abdominal devido à distensão dos fusos musculares dentro dessa musculatura.

Outros autores também afirmaram que o aumento da pressão de fechamento da uretra e do ânus ocorre imediatamente antes do aumento da pressão intra-abdominal. Nos eventos de tossir e espirrar, o diafragma, os músculos abdominais e o assoalho pélvico são ativados de forma pré-programada pelo sistema nervoso central.

Este fato parece sugerir que a ativação dos músculos do períneo não acontece em resposta ao aumento da pressão intra-abdominal, sendo antes produzida por mecanismos nervosos centrais que podem ser eventualmente regulados pela vontade.

Algumas investigações demonstram que o aumento da PIA precede a contração automática do Assoalho Pélvico. A contração prévia desses músculos antes do aumento intra-abdominal indica que esta resposta é pré-programada.

Oblíquo interno

O oblíquo interno pertence a camada intermediaria dos músculos largos e são dois: direito e esquerdo.

Tem sua origem na:

  • Crista ilíaca;
  • Fáscia toracolombar;
  • Dois terços laterais do ligamento inguinal.

Sua inserção é nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba. Sua ação inclui fletir e rodar o tronco para o mesmo lado. Ele também auxilia na expiração forçada.

Seu direcionamento de fibras tônicas e fásicas circundam a cintura, numa direção para cima e de trás para a frente da pelve até as costelas. Sua ação mais potente está exatamente acima do umbigo e ao se contrair comprimira as vísceras.

Por fim, também reforça a borda do ligamento inguinal contribuindo para a contenção inferior do abdômen.

Oblíquo externo

É um músculo amplo, plano e quadrangular. Mais extenso em sua parte ventral que na parte dorsal.

Recobre a face lateral do abdome com sua porção muscular. Tem a sua origem: da 5° a 12° costelas (bordas inferiores). Sua inserção está na: crista ilíaca, ligamento inguinal e lâmina anterior da bainha do reto abdominal.

Em sua ação: comprime o abdome, flete e roda o tronco para o lado oposto; auxiliando também na expiração forçada. Além disso, os oblíquos externos são capazes de direcionar as vísceras de cima para baixo pelo seu direcionamento de fibras.

Ação dos músculos largos sobre a linha alba

São eles os responsáveis em sua contração simétrica pela diástase pois tracionam a linha alba em sentidos opostos. A contração do Transverso traciona a linha alba num direcionamento horizontal, por sua disposição de fibras.

O oblíquo externo afasta a linha alba obliquamente em sua região superior para baixo e para fora da linha alba. E o obliquo interno atua na região infra umbilical tracionando a linha alba num direcionamento cefálico.

Logo, a ativação dos músculos largos do abdômen, com suas potentes fáscias realizam a separação da linha alba e dos retos do abdômen, onde se entrecruzam, por serem paralelos a ela.

Solicitar contrações mantidas à pacientes que já possuam pressão intracavitária elevada, pode ser muito perigoso. Esta elevação acentuada da pressão intra-abdominal, pode gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos, prejudicando assim o funcionamento de todo o sistema visceral.

Esse excesso de pressão intracavitária também acontece sobre o assoalho pélvico, facilitando, a longo prazo, a instalação de mecanismos de fuga, empurrando as vísceras para baixo.

Como vimos, vários autores e pesquisadores contemporâneos já se atentaram para as questões das variações pressóricas e vem buscando novas propostas para o conforto de um corpo viscerado, sem desrespeitar as três leis corporais: conforto, equilíbrio e economia.

Contudo, sabemos também que nos mantemos em bipedestação graças às pressões intracavitárias e as potentes fáscias posteriores, o problema está quando essas pressões se mantem elevada.

Segundo o físico francês Blaise Pascal, já citado anteriormente, essa pressão elevada distribuirá toda essa tensão de forma igualitária para o antigo peritônio parietal anterior, hoje chamado de fáscia transversalis, por isso as vísceras estariam sob o risco de não conseguirem realizar seus movimentos que são vitais a nossa sobrevivência, sendo a víscera prioridade ante os músculos, esses se relaxarão, sendo assim quanto mais abdominais tradicionais apliquemos a esse corpo, mais pressão na fascia transversalis geraremos então, um abdômen mais globoso.

Visto isso, o Método Abdominal Hipopressivo propõe a normalização dessas pressões, e mais uma vez recorremos a física, sendo a pressão igual a força dividida pela área, quanto menos pressão na fáscia tranversalis, menos área externa teremos na conformação desse abdômen; logo o MAH é capaz sim, de a médio prazo, diminuir a circunferência abdominal, e respeitando todo o conceito osteopático, sem interferir no movimento visceral, sendo este, prioridade.

2. O Método Abdominal Hipopressivo emagrece?

De novo a resposta é sim e não. Somente com uma dieta equilibrada o emagrecimento será possível, porém o Método é capaz de a médio e longo prazo aumentar o metabolismo basal do indivíduo, já que os exercícios trabalham numa faixa interessante de frequência respiratória gerada pela noradrenalina produzida pelo sistema nervoso simpático.

Alguns exercícios da série dinâmica podem chegar a atingir 85% da frequência cardíaca máxima de um indivíduo. Porém, deve estar acompanhada de exercícios específicos de Treinamento Funcional, Pilates, corrida, musculação, dentre outras atividades.

Aqui reitero, o Método Abdominal Hipopressivo vem somar a outras técnicas e formas de exercício físico quando falamos das questões estéticas. Além, de ser extremamente eficaz na capacidade de produzir Dopamina, por trabalhar em hipercapnia.

3. O Método Abdominal Hipopressivo trata incontinência urinaria?

O MAH auxilia na disfunção, que deverá ser acompanhada, por um fisioterapeuta pélvico, pois através das sucções viscerais, o método é capaz de retirar o peso das vísceras sobre os músculos do assoalho pélvico; melhorando assim, a circulação local e favorecendo também, na irrigação dos músculos do períneo, e por consequência a melhora do prazer sexual.

4. O Método Abdominal Hipopressivo melhora a constipação?

Sim, se a constipação for gerada por um aumento pressórico, somado a tensão de um diafragma trabalhando em baixa, diminuindo a movimentação normal do mesocolon transverso durante a inspiração, além dos movimentos peristálticos do intestino. Sempre seguido da melhoria da ingestão de água e reeducação alimentar.

5. O Método Abdominal Hipopressivo melhora as dores na coluna?

Já existe um método belga, conhecido como colunas de pressão de Finet e Williane,  que trabalha justamente as pressões intra-abdominais, diminuindo a dissipação dessas forças para a região posterior da fáscia transversalis (coluna vertebral e músculos da fáscia toraco-lombar). O Método Abdominal Hipopressivo também auxiliará na retirada dessas pressões, normalizando os tônus muscular da região, tirando a sobrecarga desses músculos, favorecendo a transmissão de forças, extremamente necessárias nessa região.

6. O Método Abdominal Hipopressivo trata diástase?

Sim, pois entendida a relação e ação dos músculos da faixa abdominal, nos fica claro, que o MAH, normaliza a pressão sobre os músculos largos, retirando a pressão exercida sobre os retos do abdômen.

Conclusão

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Como vimos o Método Abdominal Hipopressivo se associado a outros métodos podem somar muitos ganhos estéticos ao praticante, desde supervisionado e avaliado por um profissional do movimento, pois como toda técnica também possui contraindicações.

Devido ao marketing e a cultura da beleza estarem fortemente inseridas em nossa sociedade, fique atento, o método já está tendo grande procura no mercado fitness. Porém, lembre-se seus benefícios vão muito além da estética somente.

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Os riscos de acreditar na frase “barriga para dentro”

Os riscos de acreditar na frase “barriga para dentro”

Quantos de nós já escutamos a frase “barriga para dentro”? Acredito que muitos, ou quase todas as pessoas, já ouviram alguém falar isso.

É lógico que precisamos manter uma boa postura, porém não é através de uma contração máxima e constante do abdômen que vamos conseguir isso.

Para as mulheres, a consequência de manter essa contração para esconder a barriguinha, pode ser muito grave.

O excesso de contração dos músculos que compõe a faixa abdominal (transverso, oblíquos, e reto), pode gerar um aumento crônico da PIA, que pode complicar muito a vida de uma mulher. Com o aumento da PIA, a pressão sobre as vísceras cresce, empurrando todo conteúdo visceral para baixo.

Daí a propensão a prolapsos e incontinências, também podendo afetar as funções intestinais, pois o diafragma não consegue descer o suficiente no ato inspiratório, para massagear o músculo transverso e favorecer o perestaltismo.

Pode gerar também lombalgia crônica pois essa pressão pode empurrar para trás, aumentando a tensão sobre a fáscia tóraco-lombar. Gerando um aumento da produção de miofibroblastos que faz crescer ainda mais a tensão fascial reduzindo, assim, a mobilidade.

Muitas outras consequências podem vir, através do aumento da PIA.

Entretanto hoje temos o Método Abdominal Hipopressivo, um grande método que pode atuar diretamente sobre essa PIA. Equilibrando não apenas na cavidade abdominal, mas também na cavidade torácica e pélvica.

Restaurando a mobilidade diafragmática e do assoalho pélvico, ativando o tônus correto da faixa abdominal, para que haja sustentação do conteúdo visceral e controle de esfíncteres.

Com isso o tônus postural se reequilibrará, e não mais precisaremos colocar a “barriga para dentro”.

Efeitos da dopamina durante a prática do Método Abdominal Hipopressivo

Efeitos da dopamina durante a prática do Método Abdominal Hipopressivo

O Conceito Hipopressivo compreende um conjunto de posturas estáticas e dinâmicas em que a via que as potencializará é o meio expiratório. Através da apneia expiratória, o organismo trabalhará com hipercapnia (presença excessiva de dióxido de carbono CO2 no plasma sanguíneo).

Isso faz com que o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático trabalhem o tempo todo para a regularização do organismo. O método busca ainda a liberação da dopamina, um neurotransmissor liberado pelo sistema nervoso simpático que desempenha importantes funções no organismo.

Qual a função do Sistema Nervoso Autônomo?

O Sistema Nervoso Autônomo é dividido em simpático e parassimpático. Ambos controlam o funcionamento automático do nosso organismo – e tem funções opostas.

O SNA parassimpático é responsável pelo controle visceral do organismo em repouso, e o SNA simpático é responsável pelo estado de alerta, denominado reação de “luta/fuga”. Encarregado pelo aumento das demandas metabólicas, preparando o organismo para um determinado estado de estresse.

Ativação do SNA através do MAH

O Método Abdominal Hipopressivo busca a ativação do SNA simpático durante toda a prática aplicada ao aluno. Além da apneia expiratória, as posturas estáticas e dinâmicas adotadas durante as aulas serão primordial para manter o sistema ativo.

Acarretando, assim, na liberação da dopamina (DA), um neurotransmissor responsável pelo bem estar físico e mental, liberado durante a prática de atividades e exercícios físicos.

A dopamina é um neurotransmissor que desempenha importantes funções no organismo, liberada a partir de situações agradáveis ou exercícios físicos. Quando liberada desencadeia impulsos nervosos que levam a uma sensação de prazer e bem estar.

Conceito de Neurotransmissor

Um neurotransmissor é uma molécula sinalizadora do sistema nervoso central secretada pelas porções terminais dos neurônios, que desempenhará funções de inibição ou estimulação, de acordo com o seu receptor. 

A dopamina pertence à família de catecolaminas de neurotransmissores. Além da dopamina, essa família inclui a norepinefrina (noradrenalina) e a epinefrina (adrenalina).

As catecolaminas do SNC modulam a função da neurotransmissão de ponto a ponto e afetam processos complexos, como humor, atenção e emoção. A DA é sintetizada no citoplasma de um neurônio a partir da tirosina, um aminoácido neutro percursor de todas as catecolaminas.

Em seguida é transportada no interior das vesículas secretoras para armazenamento ou liberação.

Os efeitos da Dopamina no Sistema Nervoso

A DA desempenha uma série de funções no nosso organismo a partir da sinalização nos seus respectivos receptores. Esses receptores dopaminérgicos possuem funções metabotrópicas, que desencadeará um processo de sinalização intracelular, gerando assim um evento celular.

Possuímos inúmeros receptores dopaminérgicos presente em várias estruturas do nosso organismo, onde a dopamina irá sinalizar inibindo ou estimulando uma determinada ação celular.

Os receptores dopaminérgicos são divididos em dois grandes grupos, os receptores D1/D5 que estimulam uma determinada ação celular no tecido em questão, e os receptores D2/D3/D4 que atuam inibindo os eventos celulares.

Os neurônios dopaminérgicos em sua maioria originam-se em várias áreas do cérebro, e seguem por vias ou tratos diferentes. Podemos destacar três vias principais, a via nigroestriatal, maior trato de DA no cérebro.

Essa via projeta-se na parte costal da substância negra, e os neurônios dopaminérgicos da via nigroestriatal atuarão nos gânglios da base promovendo uma série de eventos para desencadear uma resposta motora fina.

Medialmente à substancia negra no mesencéfalo, temos a área tegmental ventral (ATV) ou via mesolímbica, um agrupamento de corpos celulares dopaminérgicos que possui conexão com o sistema límbico. Nessa via a sinalização dos efeitos da dopamina estarão envolvidas com outros neurotransmissores, principalmente a serotonina.

Esse trato desempenha um papel importante no sistema de comportamento motivado a recompensa, cognição, sensação de bem-estar, auto realização e na regulação do afeto. Temos ainda a via túbero-infundibular, localizada na região do hipotálamo.

A dopamina liberada nessa região regula a secreção da prolactina. E a área postrema, localizada no assoalho do quarto ventrículo, conhecida como um dos órgãos circunventriculares que atuam como quimiorreceptores sanguíneos. Os neurotransmissores liberados nessa área implicam no controle de náuseas e vômitos.

Relação da Dopamina com o Método Abdominal Hipopressivo

hipopressiva no tratamento de diástase abdominal

De um modo geral, quando praticamos o método abdominal hipopressivo, ativamos centros cerebrais que estimularão os nervos simpáticos para a liberação de seus neurotransmissores.

A noradrenalina, percursora da adrenalina, que irá preparar o corpo para as ações adotadas durante o método, e a dopamina, que atuará através da via mesolímbica, proporcionando assim sensações de bem estar e prazer durante e após a prática dos exercícios hipopressivos.

Logo no início da aula, o sistema nervo simpático já começa a ser ativado através da apneia expiratória e dos exercícios posturais, e aproximadamente após 28 minutos já teremos os efeitos da dopamina circulando por todo nosso organismo, desempenhando seu papel nos seus respectivos receptores.

Como na prática de uma atividade ou um exercício físico de baixa intensidade, no MAH, também é possível ativar a liberação dos efeitos da dopamina sem que aja a produção de resíduos metabólicos, ou seja, sem a produção do ácido lático, o grande causador das dores musculares, sintetizado a partir da queima da glicose sem a ação do oxigênio na prática de exercícios de alta intensidade.

Nos exercícios hipopressivos, a musculatura corporal será trabalhada através da isometria, nas posturas estáticas e nas posturas dinâmicas, com movimentos de baixa intensidade, adaptando-os às necessidades de cada aluno, buscando assim a melhora postural e em consequência melhora da função respiratória, sexual, sistêmica e metabólica.

Para cada aferência exteroceptiva nosso organismo recebe sete aferências interoceptivas relacionado as vísceras. Durante a prática do MAH, nós alteramos essas aferências internas, e mandamos essas informações ao nosso sistema nervoso central através do nervo vago, um nervo que percorre grande parte do nosso organismo, e que faz parte do sistema nervo autônomo parassimpático.

Uma vez ativo o sistema nervoso simpático, o nosso organismo buscará após algum tempo equilibrar as ações estimuladas por esse sistema, a partir da atuação do sistema nervoso parassimpático, que atuará normalizando as respostas de reação de luta e fuga.

Por isso, sentimos aquela sensação de realização, bem estar e relaxamento no decorrer e no final da aula, resultado ocasionada pela liberação dos neurotransmissores do sistema neurovegetativo simpático e parassimpático, equilibrando todo o nosso sistema corporal.

Um Método Abrangente

Como podemos ver, o conceito hipopressivo é muito mais do que uma simples técnica para gerar a tão famosa barriga negativa.

É um método abrangente, com exercícios hipopressivos capazes de normalizar as tensões dos músculos respiratório, promover o relaxamento simultâneo de grupos musculares antigravitacionais hipertônicos, buscando a estimulação do sistema neurovegetativo simpático, para a síntese de neurotransmissores e hormônios associados ao bem estar.

Além disso, estudos recentes vem demonstrando que, a prática de atividades e exercícios físicos aumentam a proliferação de neurônios, a síntese de fatores neurotróficos, glicogênese, sinaptogênese, regula sistemas de neurotransmissão e neuromodulação, além de reduzir a inflamação sistêmica.

Todavia, o MAH se torna um método de exercício abrangente, porque trabalha o aluno de uma forma global, atuando na parte física e sistêmica.

É um exercício de baixa intensidade que pode ser usado na forma de prevenção e reabilitação, porque trabalha no conceito de normalizar as pressões intracavitárias, promovendo assim um equilíbrio em todos os sistemas corporais, respiratório, músculo esquelético, visceral e sistema nervoso, gerando uma melhor qualidade de vida.

Conclusão

Atualmente compreendemos a saúde como um conjunto de ações, hábitos e condições que proporcionam o bem estar físico e mental do ser humano. Sabemos que a prática de atividades ou exercícios físicos são capazes de promover a síntese de neurotransmissores e hormônios capazes de desencadear reações de bem estar e prazer.

Os efeitos da dopamina gerados a partir da prática do Método Abdominal Hipopressivo, é livre de resíduos metabólicos e atua diretamente na via mesolímbica, desencadeando inúmeros benefícios ao organismo, regulando ações relacionada ao humor, memória, atenção, prazer, recompensa e bem estar. Praticar o MAH é gerar uma melhor qualidade de vida!

Bibliografia
FERREIRA, V. C; GOIS, S.R; GOMES, L,P; BRITTO, A; AFRANIO, B; DANTAS, M. H. E. Nascidos para correr: A importância do exercício para a saúde o cérebro. Aracaju-SE, 2017.
STANDAERT, G. D; GALANTER, M.J. Princípios de Farmacologia: Farmacologia da neurotransmissão dopaminérgica. 3ª edição:  Guanabara Koogan LTDA, 2018.
Entenda a relação entre o MAH e as couraças musculares

Entenda a relação entre o MAH e as couraças musculares

Reich, medico austríaco e cientista natural (1897-1957) dedicou-se ao estudo do corpo, da mente e da energia. O autor destacou-se por sua obra psicanalítica e pesquisas pioneiras nas áreas da biologia, física, política e antropologia.

De caráter social e psicológico, a terapia Reichiana atenta simultaneamente aos processos orgânicos e energéticos do corpo humano.

“Amor, trabalho e sabedoria são as fontes da nossa vida. Deviam também governá-la”.


Wilhelm Reich

Os primórdios da pesquisa sobre mente-corpo

Wilhelm Reich, contribuiu no desenvolvimento das ciências da mente-corpo do início do século XX. Ao contrário de Freud, pai da psicanalise, que apoiava-se somente na questão mente.

Quando Reich agregou seus conhecimentos da mente integralizando os estudos do corpo ele se tornou reconhecido como o principal investigador científico no Ocidente até a década de 40.

Reich propôs um modelo da condição humana, que postulou uma teoria da energia como sendo uma componente fundamental de toda a matéria e espaço, um conceito que ele chama de energia “orgone”.

Teoria da Couraça Muscular

Reich afirmou que desenvolvemos uma couraça muscular que bloqueia a nossa energia. Ele afirmou que “Blindagem é a condição que ocorre quando a energia é ligada pela contração muscular e não flui através do corpo” (Reich, 1936).

Nesta blindagem existia o carácter que ele definiu como “a soma total das atitudes típicas de caráter, que um indivíduo desenvolve como um bloqueio contra a sua excitação emocional, resultando em rigidez no corpo e falta de contato emocional”.

Ele definiu a couraça muscular como “a soma total de musculares (espasmos musculares crônicos) que um indivíduo desenvolve como um bloco contra a irrupção de emoções e sensações de órgão, particularmente ansiedade, raiva e excitação sexual” (Reich, 1936).

Como recurso de sobrevivência e uma adaptação inteligente, o corpo se contrai até atingir estados crônicos e produzir doenças, por falta de flexibilização do seu condicionamento emocional inconsciente, decorrente ao seu traço de caráter.

Tal destino costuma ser o sistema de couraças musculares, ou seja, contrações em diferentes sistemas do organismo, que com o passar do tempo se cronificam e passam a ser percebidas como a própria identidade ou maneira de ser.

O que é blindagem?

“Blindagem é a condição que ocorre quando a energia é ligada pela contração muscular e não flui através do corpo”.


Wilhelm Reich

Alexander Lowen, resumiu esse efeito global: “O carácter do indivíduo como ele se manifesta no seu padrão típico de comportamento, também é retratado ao nível somático pela forma e o movimento do corpo. A expressão corporal é a visão somática da expressão emocional típica que é vista a nível psíquico como carácter. Defesas aparecem em ambas as dimensões, no corpo como couraça muscular”. (Lowen, 1976).

Na teoria de Reich estabeleceu as sete segmentações da blindagem para explicar como o corpo estabelece o seu equilíbrio psíquico, nestas blindagens muito é visto sobre a história pessoal porque está expresso no corpo.

Onde existem tensões, é justamente a energia retida na musculatura. Se desenvolve a blindagem muscular, é onde as contrações segmentares são perpendiculares ao fluxo de força vital ou energia orgone no corpo.

Os sete segmentos de couraças musculares que foram delineados por Reich no mapeamento do corpo:

  1. Ocular ou visual;
  2. Oral;
  3. Cervical;
  4. Torácica;
  5. Diafragma;
  6. Abdominal;
  7. Pélvica.

MAH e as Couraças Musculares

Podemos observar que as regiões mapeadas por Reich no corpo, utiliza-se da relação entre estes os mesmos seguimentos corporais do Mah.

O acionamento respiratório, a retroalimentação das cavidades, torácica, diafragmática, faixa abdominal e perinear, a melhora dos sistemas que o MAH premia através da normalização e diminuição da PIA com a  modificação cortical (neuroplasticidade).

Além da desativação da série muscular, liberação das tensões musculares e também deste contato com as sensações corporais emocionais através da auto percepção.

O MAH ajuda na liberação das descargas corporais também.  O contato do praticante com a raiva, a tristeza, a melancolia e a euforia até mesmo pela sua via de acesso simpática que é acionado o método, coma concentração da Dopamina.

Estes bloqueios realizam no corpo sinais físicos de manifestação, um dos 7 segmentos em excesso, descarga, tensão e sobrecarga.

Essa interação dos 7 segmentos constitui a etiologia das 5 estruturas de carácter primárias, que não são formadas de forma isolada um segmento, mas sim relacionam-se com a economia de energia e a regulação entre os segmentos.

Por meio da manipulação direta das couraças musculares (tensões corporais), Reich conseguiu alcançar memórias “aprisionadas” nessas couraças de forma a liberá-las.

Os quais cada segmento retém uma história particular decorrente de estresses sofridos durante as etapas do desenvolvimento psicoafetivo pela qual todos os seres humanos passam desde a gestação. A esse trabalho de manipulação das couraças musculares, Reich deu o nome de Vegetoterapia.

A Terapia Reichiana é um processo psicoterapêutico, que analisa a história e o comportamento do paciente, buscando tornar consciente seus conflitos inconscientes por meio de um trabalho verbal.

Associado ao trabalho com o corpo, passando a analisar o caráter do paciente como um todo, o resultado é um trabalho mais rápido, dinâmico e profundo.

Na continuidade de seus trabalhos, Reich também descobriu que a energia que circula dentro do corpo humano é a mesma que se encontra no cosmos, porém, em concentrações e formas diferentes.

Denominou-a de energia orgone. Assim desenvolveu uma nova técnica de trabalho denominada Orgonoterapia,

O que atualmente chamamos de Terapia Reichiana engloba as técnicas da Análise do Caráter, da Vegetoterapia e da Orgonoterapia.

Para nós profissionais do movimento

Antes mesmo de se preocupar com uma análise do caráter, ou seja, do sistema de resistências do cliente, a priorização é  observar as áreas congeladas ou dissociadas no corpo.

Nós profissionais do movimento temos contato com este corpo congelado. Um exemplo diário é  a falta de mobilidade de tronco. Existe uma relação emocional com esta rigidez porque quando tocamos este corpo, tocamos a história deste cliente.

Nas terapias corporais englobam-se as técnicas de respiração, movimentos específicos e toques sutis são utilizados com o objetivo de torná-lo consciente dessas áreas de seu corpo e do seu significado emocional ligado à sua história de vida.

Como o MAH é um método respiratório quando o praticamos, liberamos a tensão por meio da diminuição da pressão (liberação do estresse) há a correlação da liberação do bloqueio corporal e consequentemente do bloqueio emocional.

Dentre os vários seguidores de Reich, chamamos a atenção para os méritos do neuropsiquiatra italiano Dr. Federico Navarro, os quais, com sabedoria e dedicação, deu a sua contribuição.

Que até hoje é de fundamental importância, principalmente pela criação de uma metodologia para o desbloqueio dos sete segmentos de couraça.

A sessão de Análise Reichiana mescla uma parte verbal, buscando sempre aprofundar na queixa e conhecer a história do paciente, e uma parte corporal, por meio de pequenos movimentos sutis propostos ao paciente.

A intenção é buscar os pontos de tensão (couraça) e fazer com que a energia possa circular novamente, restabelecendo dessa forma a saúde física e psíquica da pessoa.

É uma forma de psicoterapia rápida e profunda que busca atuar em conjuntos sobre a mente, o corpo, as emoções e a energia. Portanto, pode ser utilizada tanto a nível de tratamento profilático quanto preventivo.

Como adultos, nós temos muitas inibições quanto a chorar. Nós sentimos que é uma expressão de fraqueza, ou feminilidade ou infantilidade. A pessoa que tem medo de chorar está com medo do prazer. Isto porque a pessoa que tem medo de chorar se mantém conjuntamente rígida para não chorar; ou seja, a pessoa rígida está tão com medo do prazer quanto está com medo de chorar. Em uma situação de prazer ela vai ficar ansiosa. (…) Sua ansiedade nada mais é do que o conflito entre seu desejo de se soltar e seu medo de se soltar. Este conflito surgirá sempre que o prazer é forte o suficiente para ameaçar a sua rigidez.

Desde que a rigidez se desenvolve como um meio para bloquear as sensações dolorosas, a liberação de rigidez ou a restauração da mobilidade natural do corpo vai trazer essas sensações dolorosas à tona.

Em algum lugar em seu inconsciente o indivíduo neurótico está ciente de que o prazer pode evocar os fantasmas reprimidas do passado. Pode ser que tal situação seja responsável pelo ditado. Não há prazer sem dor.


Alexander Lowen, A Voz do Corpo 

Conclusão

Para Reich, uma das descobertas prováveis em terapia é que o ser humano almeja, sobretudo, o amor, não o poder, embora possa usar o poder para alcançar o amor.


Este artigo foi escrito por Sinuê Hendgel

Profissional de Educação Física Bacharel e Licenciatura, pós Graduada como Fisiologista do Exercício e prescrição do exercício, especialista em Pilates, CrossPilates e Professora de Dança desde de 2002. Master Trainer do MAH e integrante da equipe Janaína Cintas em parceria com a VOLL Pilates Group.

Bibliografia
Babayan, A. et al . Um banco de dados mente-cérebro-corpo de MRI, EEG, cognição, emoção e fisiologia periférica em adultos jovens e idosos. Sci. Dados . 6: 180308 https://doi.org/10.1038/sdata.2018.308 (2019).
ttps://minasi.com.br/2017/12/couracas-musculares-como-nossas-emocoes-se-fixam-em-nosso-corpo
CHARACTER ANALYSIS, REICH WILHELM, 1975, 5TH ENLARGED EDITION, NEW YORK, FARRAR PUBLISHING.
BIOENERGETICS, LOWEN ALEXANDER, 1976, PENGUIN BOOKS, NEW YORK.
LANGUAGE OF THE BODY, LOWEN ALEXANDER, 1971, MACMILLAN, NEW YORK.
WILHELM REICH : THE EVOLUTION OF HIS WORK, BOADELLA DAVID, 1973, VISION PRESS, CHICAGO.
Fonte: BlogDaBiosintese
Como a Hipopressiva aumenta a Pressão Arterial?

Como a Hipopressiva aumenta a Pressão Arterial?

De acordo com o Ministério da Saúde, um em cada quatro brasileiros é hipertenso. Portanto, as chances de encontrar um aluno com pressão arterial aumentada em sua prática profissional é grande. Para evitar piorar os sintomas de sua condição precisamos conhecer muito bem as técnicas que são indicadas e contra indicadas para esse público.

Hoje venho explicar um pouco sobre o Método Abdominal Hipopressivo (MAH) e como ele influencia a pressão arterial. Já aviso que o método é completamente contraindicado para esses pacientes.

Como funciona a pressão arterial?

O corpo é percorrido por vasos sanguíneos que têm como função carregar sangue rico em oxigênio ou nutrientes, ou em gás carbônico e resíduos, para várias áreas. Esse sistema é bastante complexo e precisa estar em completa harmonia para funcionar.

O sistema arterial, em especial, é delicado. As artérias são vasos de maior calibre que possuem paredes mais espessas e resistentes para aguentar a pressão do sangue que é bombeado. Essa pressão que o sangue exerce sobre a parede arterial é a pressão arterial. Ela é dividida em dois tipos:

  • Pressão sistólica: força exercida pelo sangue dentro das artérias durante a sístole ventricular (quando o coração se contrai para enviar sangue para as artérias). Seu valor normal em adultos costuma ser de 120mmHg;
  • Pressão diastólica: força exercida pelo sangue nas artérias durante a diástole ventricular (quando o coração se contrai para enviar sangue aos pulmões).

Quando os valores da pressão arterial estão dentro do normal, o corpo possui seu funcionamento fisiológico. No entanto, em alguns casos eles podem estar acima do esperado, causando hipertensão.

O que causa a hipertensão?

Pacientes com hipertensão arterial têm tanto a pressão sistólica quanto a diastólica aumentada. Pessoas com a condição estão no grupo de risco para sofrerem de problemas vasculares, como acidente vascular cerebral e ruptura de aneurisma e insuficiência cardíaca.

Em casos de hipertensão o coração precisa esforçar-se mais que o comum para distribuir o sangue pelo corpo. Assim, seu tecido muscular torna-se fadigado e suscetível aos problemas que mencionei acima.

Boa parte dos pacientes com histórico familiar de pressão arterial aumentada também desenvolverão o problema ao longo da vida. Por ser uma doença crônica, a hipertensão exige atenção especial do paciente, familiares e todos os profissionais envolvidos no seu tratamento. Isso inclui os profissionais do movimento, que devem tomar medidas para evitar o aumento da pressão durante as sessões de treinamento.

Quem trabalha com alunos hipertensos deve estar sempre atento a alguns sinais de que a pressão aumentou muito, como:

  • Dor de cabeça;
  • Dor no peito;
  • Zumbido no ouvido;
  • Fraqueza;
  • Visão embaçada.

Como o Método Abdominal Hipopressivo influencia na pressão?

Todos concordamos que é importantíssimo ter cuidado com nossos alunos e pacientes hipertensos, mas o que isso tem a ver com a hipopressiva? Ela é completamente contraindicada para pacientes hipertensos, como comentei em outro artigo.

Sua prática traz efeitos que consideramos benéficos quando realizada em alunos saudáveis, como a liberação de adrenalina. Em pessoas com a doença crônica, no entanto, esse hormônio causa aumento de frequência cardíaca e pressão arterial.

Um estudo apresentado no XXVI Congresso de Iniciação Científica da Unicamp com mulheres praticantes do MAH mostrou algumas alterações causadas pelo método. Durante o experimento, a pressão arterial das voluntárias foi medida 10 minutos antes da sessão (em repouso), ao final de cada série e 5, 10, 15 e 20 minutos após a sessão.

Durante a sessão a pressão sistólica e diastólica das mulheres em estudo aumentou significativamente. Após a sessão de hipopressiva não existiu efeito hipotensor.

Um outro agravante para o aumento da pressão arterial durante a hipopressiva são as posturas utilizadas. A maioria delas é em isometria, causando vasoconstrição e aumento da pressão arterial diastólica.

Por isso, precisamos sempre conhecer o histórico clínico de um aluno. Os resultados da hipopressiva em hipertensos são extremamente prejudiciais e raramente reversíveis.

Cuidados que devemos ter em aula com hipertensos

O público hipertenso precisa de atenção especial. A doença é bastante comum no Brasil, especialmente entre a terceira idade, mas também pode ser encontrada em pessoas mais jovens. Lembra que sempre falo sobre a importância da entrevista para os resultados de nossas aulas? Ela também ajuda a identificar condições crônicas, como a “pressão alta”, que poderiam colocar nosso aluno em risco.

Mesmo sendo incapazes de usar o Método Abdominal Hipopressivo em aula, ainda podemos ajudar esses alunos através do movimento. Uma forma excelente de auxiliar no controle da pressão arterial está em outra técnica sobre a qual falo bastante aqui no blog: o Pilates.

Durante uma aula direcionada a esse público precisamos tomar muito cuidado com a intensidade. Recomenda-se praticar atividades leves a moderadas. Intensidade em excesso pode ter o efeito contrário ao desejado e aumentar a pressão.

A respiração no Pilates não utiliza apneia, como acontece com o MAH, proporcionando relaxamento. O alívio do estresse também traz benefícios para o restante do dia do paciente hipertenso.

Conclusão

Para garantir que nosso paciente hipertenso mantém sua saúde não podemos utilizar o método abdominal hipopressivo em aula. Apesar de ser extremamente benéfico em diversas situações, ele é contraindicado no caso de “pressão alta”. A apneia gerada pela respiração e as posições isométricas levam ao aumento tanto da pressão sistólica quanto diastólica, podendo causar danos graves.

Ao invés de utilizar o MAH, podemos optar por técnicas que auxiliem no relaxamento do paciente e a melhorar sua respiração. Sempre tome cuidado com técnicas que envolvam respirações similares à manobra de valsalva, que de acordo com estudos, leva ao aumento da pressão arterial.

 

 

Bibliografia