Os riscos de acreditar na frase “barriga para dentro”

Os riscos de acreditar na frase “barriga para dentro”

Quantos de nós já escutamos a frase “barriga para dentro”? Acredito que muitos, ou quase todas as pessoas, já ouviram alguém falar isso.

É lógico que precisamos manter uma boa postura, porém não é através de uma contração máxima e constante do abdômen que vamos conseguir isso.

Para as mulheres, a consequência de manter essa contração para esconder a barriguinha, pode ser muito grave.

O excesso de contração dos músculos que compõe a faixa abdominal (transverso, oblíquos, e reto), pode gerar um aumento crônico da PIA, que pode complicar muito a vida de uma mulher. Com o aumento da PIA, a pressão sobre as vísceras cresce, empurrando todo conteúdo visceral para baixo.

Daí a propensão a prolapsos e incontinências, também podendo afetar as funções intestinais, pois o diafragma não consegue descer o suficiente no ato inspiratório, para massagear o músculo transverso e favorecer o perestaltismo.

Pode gerar também lombalgia crônica pois essa pressão pode empurrar para trás, aumentando a tensão sobre a fáscia tóraco-lombar. Gerando um aumento da produção de miofibroblastos que faz crescer ainda mais a tensão fascial reduzindo, assim, a mobilidade.

Muitas outras consequências podem vir, através do aumento da PIA.

Entretanto hoje temos o Método Abdominal Hipopressivo, um grande método que pode atuar diretamente sobre essa PIA. Equilibrando não apenas na cavidade abdominal, mas também na cavidade torácica e pélvica.

Restaurando a mobilidade diafragmática e do assoalho pélvico, ativando o tônus correto da faixa abdominal, para que haja sustentação do conteúdo visceral e controle de esfíncteres.

Com isso o tônus postural se reequilibrará, e não mais precisaremos colocar a “barriga para dentro”.

Efeitos da Dopamina durante a prática do Método Abdominal Hipopressivo

Efeitos da Dopamina durante a prática do Método Abdominal Hipopressivo

O Conceito Hipopressivo compreende um conjunto de posturas estáticas e dinâmicas em que a via que as potencializará é o meio expiratório. Através da apneia expiratória, o organismo trabalhará com hipercapnia (presença excessiva de dióxido de carbono CO2 no plasma sanguíneo).

Isso faz com que o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático trabalhem o tempo todo para a regularização do organismo. O método busca ainda a liberação da dopamina, um neurotransmissor liberado pelo sistema nervoso simpático que desempenha importantes funções no organismo.

Qual a função do Sistema Nervoso Autônomo?

O Sistema Nervoso Autônomo é dividido em simpático e parassimpático. Ambos controlam o funcionamento automático do nosso organismo – e tem funções opostas.

O SNA parassimpático é responsável pelo controle visceral do organismo em repouso, e o SNA simpático é responsável pelo estado de alerta, denominado reação de “luta/fuga”. Encarregado pelo aumento das demandas metabólicas, preparando o organismo para um determinado estado de estresse.

Ativação do SNA através do MAH

O Método Abdominal Hipopressivo busca a ativação do SNA simpático durante toda a prática aplicada ao aluno. Além da apneia expiratória, as posturas estáticas e dinâmicas adotadas durante as aulas serão primordial para manter o sistema ativo.

Acarretando, assim, na liberação da dopamina (DA), um neurotransmissor responsável pelo bem estar físico e mental, liberado durante a prática de atividades e exercícios físicos.

A dopamina é um neurotransmissor que desempenha importantes funções no organismo, liberada a partir de situações agradáveis ou exercícios físicos. Quando liberada desencadeia impulsos nervosos que levam a uma sensação de prazer e bem estar.

Conceito de Neurotransmissor

Um neurotransmissor é uma molécula sinalizadora do sistema nervoso central secretada pelas porções terminais dos neurônios, que desempenhará funções de inibição ou estimulação, de acordo com o seu receptor. 

A dopamina pertence à família de catecolaminas de neurotransmissores. Além da dopamina, essa família inclui a norepinefrina (noradrenalina) e a epinefrina (adrenalina).

As catecolaminas do SNC modulam a função da neurotransmissão de ponto a ponto e afetam processos complexos, como humor, atenção e emoção. A DA é sintetizada no citoplasma de um neurônio a partir da tirosina, um aminoácido neutro percursor de todas as catecolaminas.

Em seguida é transportada no interior das vesículas secretoras para armazenamento ou liberação.

Os efeitos da Dopamina no Sistema Nervoso

A DA desempenha uma série de funções no nosso organismo a partir da sinalização nos seus respectivos receptores. Esses receptores dopaminérgicos possuem funções metabotrópicas, que desencadeará um processo de sinalização intracelular, gerando assim um evento celular.

Possuímos inúmeros receptores dopaminérgicos presente em várias estruturas do nosso organismo, onde a dopamina irá sinalizar inibindo ou estimulando uma determinada ação celular.

Os receptores dopaminérgicos são divididos em dois grandes grupos, os receptores D1/D5 que estimulam uma determinada ação celular no tecido em questão, e os receptores D2/D3/D4 que atuam inibindo os eventos celulares.

Os neurônios dopaminérgicos em sua maioria originam-se em várias áreas do cérebro, e seguem por vias ou tratos diferentes. Podemos destacar três vias principais, a via nigroestriatal, maior trato de DA no cérebro.

Essa via projeta-se na parte costal da substância negra, e os neurônios dopaminérgicos da via nigroestriatal atuarão nos gânglios da base promovendo uma série de eventos para desencadear uma resposta motora fina.

Medialmente à substancia negra no mesencéfalo, temos a área tegmental ventral (ATV) ou via mesolímbica, um agrupamento de corpos celulares dopaminérgicos que possui conexão com o sistema límbico. Nessa via a sinalização dos efeitos da dopamina estarão envolvidas com outros neurotransmissores, principalmente a serotonina.

Esse trato desempenha um papel importante no sistema de comportamento motivado a recompensa, cognição, sensação de bem-estar, auto realização e na regulação do afeto. Temos ainda a via túbero-infundibular, localizada na região do hipotálamo.

A dopamina liberada nessa região regula a secreção da prolactina. E a área postrema, localizada no assoalho do quarto ventrículo, conhecida como um dos órgãos circunventriculares que atuam como quimiorreceptores sanguíneos. Os neurotransmissores liberados nessa área implicam no controle de náuseas e vômitos.

Relação da Dopamina com o Método Abdominal Hipopressivo

hipopressiva no tratamento de diástase abdominal

De um modo geral, quando praticamos o método abdominal hipopressivo, ativamos centros cerebrais que estimularão os nervos simpáticos para a liberação de seus neurotransmissores.

A noradrenalina, percursora da adrenalina, que irá preparar o corpo para as ações adotadas durante o método, e a dopamina, que atuará através da via mesolímbica, proporcionando assim sensações de bem estar e prazer durante e após a prática dos exercícios hipopressivos.

Logo no início da aula, o sistema nervo simpático já começa a ser ativado através da apneia expiratória e dos exercícios posturais, e aproximadamente após 28 minutos já teremos os efeitos da dopamina circulando por todo nosso organismo, desempenhando seu papel nos seus respectivos receptores.

Como na prática de uma atividade ou um exercício físico de baixa intensidade, no MAH, também é possível ativar a liberação dos efeitos da dopamina sem que aja a produção de resíduos metabólicos, ou seja, sem a produção do ácido lático, o grande causador das dores musculares, sintetizado a partir da queima da glicose sem a ação do oxigênio na prática de exercícios de alta intensidade.

Nos exercícios hipopressivos, a musculatura corporal será trabalhada através da isometria, nas posturas estáticas e nas posturas dinâmicas, com movimentos de baixa intensidade, adaptando-os às necessidades de cada aluno, buscando assim a melhora postural e em consequência melhora da função respiratória, sexual, sistêmica e metabólica.

Para cada aferência exteroceptiva nosso organismo recebe sete aferências interoceptivas relacionado as vísceras. Durante a prática do MAH, nós alteramos essas aferências internas, e mandamos essas informações ao nosso sistema nervoso central através do nervo vago, um nervo que percorre grande parte do nosso organismo, e que faz parte do sistema nervo autônomo parassimpático.

Uma vez ativo o sistema nervoso simpático, o nosso organismo buscará após algum tempo equilibrar as ações estimuladas por esse sistema, a partir da atuação do sistema nervoso parassimpático, que atuará normalizando as respostas de reação de luta e fuga.

Por isso, sentimos aquela sensação de realização, bem estar e relaxamento no decorrer e no final da aula, resultado ocasionada pela liberação dos neurotransmissores do sistema neurovegetativo simpático e parassimpático, equilibrando todo o nosso sistema corporal.

Um Método Abrangente

Como podemos ver, o conceito hipopressivo é muito mais do que uma simples técnica para gerar a tão famosa barriga negativa.

É um método abrangente, com exercícios hipopressivos capazes de normalizar as tensões dos músculos respiratório, promover o relaxamento simultâneo de grupos musculares antigravitacionais hipertônicos, buscando a estimulação do sistema neurovegetativo simpático, para a síntese de neurotransmissores e hormônios associados ao bem estar.

Além disso, estudos recentes vem demonstrando que, a prática de atividades e exercícios físicos aumentam a proliferação de neurônios, a síntese de fatores neurotróficos, glicogênese, sinaptogênese, regula sistemas de neurotransmissão e neuromodulação, além de reduzir a inflamação sistêmica.

Todavia, o MAH se torna um método de exercício abrangente, porque trabalha o aluno de uma forma global, atuando na parte física e sistêmica.

É um exercício de baixa intensidade que pode ser usado na forma de prevenção e reabilitação, porque trabalha no conceito de normalizar as pressões intracavitárias, promovendo assim um equilíbrio em todos os sistemas corporais, respiratório, músculo esquelético, visceral e sistema nervoso, gerando uma melhor qualidade de vida.

Conclusão

Atualmente compreendemos a saúde como um conjunto de ações, hábitos e condições que proporcionam o bem estar físico e mental do ser humano. Sabemos que a prática de atividades ou exercícios físicos são capazes de promover a síntese de neurotransmissores e hormônios capazes de desencadear reações de bem estar e prazer.

Os efeitos da dopamina gerados a partir da prática do Método Abdominal Hipopressivo, é livre de resíduos metabólicos e atua diretamente na via mesolímbica, desencadeando inúmeros benefícios ao organismo, regulando ações relacionada ao humor, memória, atenção, prazer, recompensa e bem estar. Praticar o MAH é gerar uma melhor qualidade de vida!

Bibliografia
FERREIRA, V. C; GOIS, S.R; GOMES, L,P; BRITTO, A; AFRANIO, B; DANTAS, M. H. E. Nascidos para correr: A importância do exercício para a saúde o cérebro. Aracaju-SE, 2017.
STANDAERT, G. D; GALANTER, M.J. Princípios de Farmacologia: Farmacologia da neurotransmissão dopaminérgica. 3ª edição:  Guanabara Koogan LTDA, 2018.
Entenda a relação entre o MAH e as Couraças Musculares

Entenda a relação entre o MAH e as Couraças Musculares

Reich, medico austríaco e cientista natural (1897-1957) dedicou-se ao estudo do corpo, da mente e da energia. O autor destacou-se por sua obra psicanalítica e pesquisas pioneiras nas áreas da biologia, física, política e antropologia.

De caráter social e psicológico, a terapia Reichiana atenta simultaneamente aos processos orgânicos e energéticos do corpo humano.

“Amor, trabalho e sabedoria são as fontes da nossa vida. Deviam também governá-la”.


Wilhelm Reich

Os primórdios da pesquisa sobre mente-corpo

Wilhelm Reich, contribuiu no desenvolvimento das ciências da mente-corpo do início do século XX. Ao contrário de Freud, pai da psicanalise, que apoiava-se somente na questão mente.

Quando Reich agregou seus conhecimentos da mente integralizando os estudos do corpo ele se tornou reconhecido como o principal investigador científico no Ocidente até a década de 40.

Reich propôs um modelo da condição humana, que postulou uma teoria da energia como sendo uma componente fundamental de toda a matéria e espaço, um conceito que ele chama de energia “orgone”.

Teoria da Couraça Muscular

Reich afirmou que desenvolvemos uma couraça muscular que bloqueia a nossa energia. Ele afirmou que “Blindagem é a condição que ocorre quando a energia é ligada pela contração muscular e não flui através do corpo” (Reich, 1936).

Nesta blindagem existia o carácter que ele definiu como “a soma total das atitudes típicas de caráter, que um indivíduo desenvolve como um bloqueio contra a sua excitação emocional, resultando em rigidez no corpo e falta de contato emocional”.

Ele definiu a couraça muscular como “a soma total de musculares (espasmos musculares crônicos) que um indivíduo desenvolve como um bloco contra a irrupção de emoções e sensações de órgão, particularmente ansiedade, raiva e excitação sexual” (Reich, 1936).

Como recurso de sobrevivência e uma adaptação inteligente, o corpo se contrai até atingir estados crônicos e produzir doenças, por falta de flexibilização do seu condicionamento emocional inconsciente, decorrente ao seu traço de caráter.

Tal destino costuma ser o sistema de couraças musculares, ou seja, contrações em diferentes sistemas do organismo, que com o passar do tempo se cronificam e passam a ser percebidas como a própria identidade ou maneira de ser.

O que é blindagem?

“Blindagem é a condição que ocorre quando a energia é ligada pela contração muscular e não flui através do corpo”.


Wilhelm Reich

Alexander Lowen, resumiu esse efeito global: “O carácter do indivíduo como ele se manifesta no seu padrão típico de comportamento, também é retratado ao nível somático pela forma e o movimento do corpo. A expressão corporal é a visão somática da expressão emocional típica que é vista a nível psíquico como carácter. Defesas aparecem em ambas as dimensões, no corpo como couraça muscular”. (Lowen, 1976).

Na teoria de Reich estabeleceu as sete segmentações da blindagem para explicar como o corpo estabelece o seu equilíbrio psíquico, nestas blindagens muito é visto sobre a história pessoal porque está expresso no corpo.

Onde existem tensões, é justamente a energia retida na musculatura. Se desenvolve a blindagem muscular, é onde as contrações segmentares são perpendiculares ao fluxo de força vital ou energia orgone no corpo.

Os sete segmentos de couraças musculares que foram delineados por Reich no mapeamento do corpo:

  1. Ocular ou visual;
  2. Oral;
  3. Cervical;
  4. Torácica;
  5. Diafragma;
  6. Abdominal;
  7. Pélvica.

MAH e as Couraças Musculares

Podemos observar que as regiões mapeadas por Reich no corpo, utiliza-se da relação entre estes os mesmos seguimentos corporais do Mah.

O acionamento respiratório, a retroalimentação das cavidades, torácica, diafragmática, faixa abdominal e perinear, a melhora dos sistemas que o MAH premia através da normalização e diminuição da PIA com a  modificação cortical (neuroplasticidade).

Além da desativação da série muscular, liberação das tensões musculares e também deste contato com as sensações corporais emocionais através da auto percepção.

O MAH ajuda na liberação das descargas corporais também.  O contato do praticante com a raiva, a tristeza, a melancolia e a euforia até mesmo pela sua via de acesso simpática que é acionado o método, coma concentração da Dopamina.

Estes bloqueios realizam no corpo sinais físicos de manifestação, um dos 7 segmentos em excesso, descarga, tensão e sobrecarga.

Essa interação dos 7 segmentos constitui a etiologia das 5 estruturas de carácter primárias, que não são formadas de forma isolada um segmento, mas sim relacionam-se com a economia de energia e a regulação entre os segmentos.

Por meio da manipulação direta das couraças musculares (tensões corporais), Reich conseguiu alcançar memórias “aprisionadas” nessas couraças de forma a liberá-las.

Os quais cada segmento retém uma história particular decorrente de estresses sofridos durante as etapas do desenvolvimento psicoafetivo pela qual todos os seres humanos passam desde a gestação. A esse trabalho de manipulação das couraças musculares, Reich deu o nome de Vegetoterapia.

A Terapia Reichiana é um processo psicoterapêutico, que analisa a história e o comportamento do paciente, buscando tornar consciente seus conflitos inconscientes por meio de um trabalho verbal.

Associado ao trabalho com o corpo, passando a analisar o caráter do paciente como um todo, o resultado é um trabalho mais rápido, dinâmico e profundo.

Na continuidade de seus trabalhos, Reich também descobriu que a energia que circula dentro do corpo humano é a mesma que se encontra no cosmos, porém, em concentrações e formas diferentes.

Denominou-a de energia orgone. Assim desenvolveu uma nova técnica de trabalho denominada Orgonoterapia,

O que atualmente chamamos de Terapia Reichiana engloba as técnicas da Análise do Caráter, da Vegetoterapia e da Orgonoterapia.

Para nós profissionais do movimento

Antes mesmo de se preocupar com uma análise do caráter, ou seja, do sistema de resistências do cliente, a priorização é  observar as áreas congeladas ou dissociadas no corpo.

Nós profissionais do movimento temos contato com este corpo congelado. Um exemplo diário é  a falta de mobilidade de tronco. Existe uma relação emocional com esta rigidez porque quando tocamos este corpo, tocamos a história deste cliente.

Nas terapias corporais englobam-se as técnicas de respiração, movimentos específicos e toques sutis são utilizados com o objetivo de torná-lo consciente dessas áreas de seu corpo e do seu significado emocional ligado à sua história de vida.

Como o MAH é um método respiratório quando o praticamos, liberamos a tensão por meio da diminuição da pressão (liberação do estresse) há a correlação da liberação do bloqueio corporal e consequentemente do bloqueio emocional.

Dentre os vários seguidores de Reich, chamamos a atenção para os méritos do neuropsiquiatra italiano Dr. Federico Navarro, os quais, com sabedoria e dedicação, deu a sua contribuição.

Que até hoje é de fundamental importância, principalmente pela criação de uma metodologia para o desbloqueio dos sete segmentos de couraça.

A sessão de Análise Reichiana mescla uma parte verbal, buscando sempre aprofundar na queixa e conhecer a história do paciente, e uma parte corporal, por meio de pequenos movimentos sutis propostos ao paciente.

A intenção é buscar os pontos de tensão (couraça) e fazer com que a energia possa circular novamente, restabelecendo dessa forma a saúde física e psíquica da pessoa.

É uma forma de psicoterapia rápida e profunda que busca atuar em conjuntos sobre a mente, o corpo, as emoções e a energia. Portanto, pode ser utilizada tanto a nível de tratamento profilático quanto preventivo.

Como adultos, nós temos muitas inibições quanto a chorar. Nós sentimos que é uma expressão de fraqueza, ou feminilidade ou infantilidade. A pessoa que tem medo de chorar está com medo do prazer. Isto porque a pessoa que tem medo de chorar se mantém conjuntamente rígida para não chorar; ou seja, a pessoa rígida está tão com medo do prazer quanto está com medo de chorar. Em uma situação de prazer ela vai ficar ansiosa. (…) Sua ansiedade nada mais é do que o conflito entre seu desejo de se soltar e seu medo de se soltar. Este conflito surgirá sempre que o prazer é forte o suficiente para ameaçar a sua rigidez.

Desde que a rigidez se desenvolve como um meio para bloquear as sensações dolorosas, a liberação de rigidez ou a restauração da mobilidade natural do corpo vai trazer essas sensações dolorosas à tona.

Em algum lugar em seu inconsciente o indivíduo neurótico está ciente de que o prazer pode evocar os fantasmas reprimidas do passado. Pode ser que tal situação seja responsável pelo ditado. Não há prazer sem dor.


Alexander Lowen, A Voz do Corpo 

Conclusão

Para Reich, uma das descobertas prováveis em terapia é que o ser humano almeja, sobretudo, o amor, não o poder, embora possa usar o poder para alcançar o amor.


Este artigo foi escrito por Sinuê Hendgel

Profissional de Educação Física Bacharel e Licenciatura, pós Graduada como Fisiologista do Exercício e prescrição do exercício, especialista em Pilates, CrossPilates e Professora de Dança desde de 2002. Master Trainer do MAH e integrante da equipe Janaína Cintas em parceria com a VOLL Pilates Group.

Bibliografia
Babayan, A. et al . Um banco de dados mente-cérebro-corpo de MRI, EEG, cognição, emoção e fisiologia periférica em adultos jovens e idosos. Sci. Dados . 6: 180308 https://doi.org/10.1038/sdata.2018.308 (2019).
ttps://minasi.com.br/2017/12/couracas-musculares-como-nossas-emocoes-se-fixam-em-nosso-corpo
CHARACTER ANALYSIS, REICH WILHELM, 1975, 5TH ENLARGED EDITION, NEW YORK, FARRAR PUBLISHING.
BIOENERGETICS, LOWEN ALEXANDER, 1976, PENGUIN BOOKS, NEW YORK.
LANGUAGE OF THE BODY, LOWEN ALEXANDER, 1971, MACMILLAN, NEW YORK.
WILHELM REICH : THE EVOLUTION OF HIS WORK, BOADELLA DAVID, 1973, VISION PRESS, CHICAGO.
Fonte: BlogDaBiosintese
Como a Hipopressiva aumenta a Pressão Arterial?

Como a Hipopressiva aumenta a Pressão Arterial?

De acordo com o Ministério da Saúde, um em cada quatro brasileiros é hipertenso. Portanto, as chances de encontrar um aluno com pressão arterial aumentada em sua prática profissional é grande. Para evitar piorar os sintomas de sua condição precisamos conhecer muito bem as técnicas que são indicadas e contra indicadas para esse público.

Hoje venho explicar um pouco sobre o Método Abdominal Hipopressivo (MAH) e como ele influencia a pressão arterial. Já aviso que o método é completamente contraindicado para esses pacientes.

Como funciona a pressão arterial?

O corpo é percorrido por vasos sanguíneos que têm como função carregar sangue rico em oxigênio ou nutrientes, ou em gás carbônico e resíduos, para várias áreas. Esse sistema é bastante complexo e precisa estar em completa harmonia para funcionar.

O sistema arterial, em especial, é delicado. As artérias são vasos de maior calibre que possuem paredes mais espessas e resistentes para aguentar a pressão do sangue que é bombeado. Essa pressão que o sangue exerce sobre a parede arterial é a pressão arterial. Ela é dividida em dois tipos:

  • Pressão sistólica: força exercida pelo sangue dentro das artérias durante a sístole ventricular (quando o coração se contrai para enviar sangue para as artérias). Seu valor normal em adultos costuma ser de 120mmHg;
  • Pressão diastólica: força exercida pelo sangue nas artérias durante a diástole ventricular (quando o coração se contrai para enviar sangue aos pulmões).

Quando os valores da pressão arterial estão dentro do normal, o corpo possui seu funcionamento fisiológico. No entanto, em alguns casos eles podem estar acima do esperado, causando hipertensão.

O que causa a hipertensão?

Pacientes com hipertensão arterial têm tanto a pressão sistólica quanto a diastólica aumentada. Pessoas com a condição estão no grupo de risco para sofrerem de problemas vasculares, como acidente vascular cerebral e ruptura de aneurisma e insuficiência cardíaca.

Em casos de hipertensão o coração precisa esforçar-se mais que o comum para distribuir o sangue pelo corpo. Assim, seu tecido muscular torna-se fadigado e suscetível aos problemas que mencionei acima.

Boa parte dos pacientes com histórico familiar de pressão arterial aumentada também desenvolverão o problema ao longo da vida. Por ser uma doença crônica, a hipertensão exige atenção especial do paciente, familiares e todos os profissionais envolvidos no seu tratamento. Isso inclui os profissionais do movimento, que devem tomar medidas para evitar o aumento da pressão durante as sessões de treinamento.

Quem trabalha com alunos hipertensos deve estar sempre atento a alguns sinais de que a pressão aumentou muito, como:

  • Dor de cabeça;
  • Dor no peito;
  • Zumbido no ouvido;
  • Fraqueza;
  • Visão embaçada.

Como o Método Abdominal Hipopressivo influencia na pressão?

Todos concordamos que é importantíssimo ter cuidado com nossos alunos e pacientes hipertensos, mas o que isso tem a ver com a hipopressiva? Ela é completamente contraindicada para pacientes hipertensos, como comentei em outro artigo.

Sua prática traz efeitos que consideramos benéficos quando realizada em alunos saudáveis, como a liberação de adrenalina. Em pessoas com a doença crônica, no entanto, esse hormônio causa aumento de frequência cardíaca e pressão arterial.

Um estudo apresentado no XXVI Congresso de Iniciação Científica da Unicamp com mulheres praticantes do MAH mostrou algumas alterações causadas pelo método. Durante o experimento, a pressão arterial das voluntárias foi medida 10 minutos antes da sessão (em repouso), ao final de cada série e 5, 10, 15 e 20 minutos após a sessão.

Durante a sessão a pressão sistólica e diastólica das mulheres em estudo aumentou significativamente. Após a sessão de hipopressiva não existiu efeito hipotensor.

Um outro agravante para o aumento da pressão arterial durante a hipopressiva são as posturas utilizadas. A maioria delas é em isometria, causando vasoconstrição e aumento da pressão arterial diastólica.

Por isso, precisamos sempre conhecer o histórico clínico de um aluno. Os resultados da hipopressiva em hipertensos são extremamente prejudiciais e raramente reversíveis.

Cuidados que devemos ter em aula com hipertensos

O público hipertenso precisa de atenção especial. A doença é bastante comum no Brasil, especialmente entre a terceira idade, mas também pode ser encontrada em pessoas mais jovens. Lembra que sempre falo sobre a importância da entrevista para os resultados de nossas aulas? Ela também ajuda a identificar condições crônicas, como a “pressão alta”, que poderiam colocar nosso aluno em risco.

Mesmo sendo incapazes de usar o Método Abdominal Hipopressivo em aula, ainda podemos ajudar esses alunos através do movimento. Uma forma excelente de auxiliar no controle da pressão arterial está em outra técnica sobre a qual falo bastante aqui no blog: o Pilates.

Durante uma aula direcionada a esse público precisamos tomar muito cuidado com a intensidade. Recomenda-se praticar atividades leves a moderadas. Intensidade em excesso pode ter o efeito contrário ao desejado e aumentar a pressão.

A respiração no Pilates não utiliza apneia, como acontece com o MAH, proporcionando relaxamento. O alívio do estresse também traz benefícios para o restante do dia do paciente hipertenso.

Conclusão

Para garantir que nosso paciente hipertenso mantém sua saúde não podemos utilizar o método abdominal hipopressivo em aula. Apesar de ser extremamente benéfico em diversas situações, ele é contraindicado no caso de “pressão alta”. A apneia gerada pela respiração e as posições isométricas levam ao aumento tanto da pressão sistólica quanto diastólica, podendo causar danos graves.

Ao invés de utilizar o MAH, podemos optar por técnicas que auxiliem no relaxamento do paciente e a melhorar sua respiração. Sempre tome cuidado com técnicas que envolvam respirações similares à manobra de valsalva, que de acordo com estudos, leva ao aumento da pressão arterial.

 

 

Bibliografia
MAH e a relação de seus efeitos com a Bioenergia Corporal

MAH e a relação de seus efeitos com a Bioenergia Corporal

Os praticantes do MAH já conhecem seus resultados, fazendo-os diariamente após o programa de ativação e modificação cortical dos 12 treinos, avaliações e normalizações.

O Método Abdominal Hipopressivo é potente – vai muito além da barriga negativa -, contribui de forma efetiva na saúde preventiva, reabilitativa e na melhora da saúde do seu praticante em diversos sistemas corporais.

Em sua teoria, há a importância das questões pressóricas, respiratórias, fisiológicas, postural, sexual, faciais e também emocional – como efeito das liberações tensionais corporais.

Agora vamos conhecer este novo universo que acerca a Bioenergia Corporal e entender sua relação com o MAH? Começaremos pela a sua origem.

O criador da Bioenergia Corporal e suas influências

Os conceitos de Bioenergia Corporal, foram desenvolvidos a partir de 1953 pelo norte-americano Alexander Lowen. Ele criou a análise/terapia Bioenergia Corporal, baseando-se nos fundamentos teóricos de Wilhelm Reich.

Este autor acumulou profundo conhecimento além de uma clara e vasta experiência ao longo dos seus 50 anos de trabalho, registrado em 13 livros. Por meio de sua obra fica evidente que ele soube amar o que escolheu realizar pro resto da vida. Na compreensão de que o corpo expressa nossos pensamentos, sentimentos e emoções.

Para isso desenvolveu, inicialmente com o psiquiatra John Pierrakos e, mais tarde, com outros colaboradores, uma série de posturas e exercícios corporais associados a expressões de emoções e sentimentos.

“Estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade” – Alexander Lowen

Dedicou-se a estudo do corpo, da mente e da energia. Reich se destacou pela a sua obra psicanalítica e pesquisas pioneiras nas áreas da biologia, física, política e antropologia.

De caráter social e psicológico, a terapia Reichiana atenta simultaneamente aos processos orgânicos e energéticos do corpo humano.

“Amor, trabalho e sabedoria são as fontes da nossa vida. Deviam também governá-la” – Wilhelm Reich

O que é a Bioenergética?

Sabe-se que tanto o pensar quanto o sentir são condicionados por fatores de energia e os processos energéticos do corpo  estão relacionados ao estado de vitalidade do corpo. A Bioenergia Corporal é uma maneira de entender a personalidade da pessoa e, neste processo, a produção de energia através da respiração, do metabolismo e da descarga de energia no movimento.

A Terapia Bioenergética une os níveis psíquicos e somáticos, partindo da compreensão da personalidade em termos de corpo e energia, trabalha com o modelo de fluxo energético num movimento pendular ao longo do corpo.

O princípio central para o criador da Análise Bioenergética é tornar o corpo vivo, que para ele significa vibrante, e devolver-lhe a graça natural. Para isso é necessário desmanchar os congelamentos, áreas do corpo frias, pálidas, sem movimento ou sem expressão, em que o sangue e a energia circulam pouco ou muito lentamente.

Toda pressão (estresse) produz um estado de tensão no corpo. Normalmente a tensão desaparece quando a pressão é aliviada. Porém tensões crônicas, podem persistir após a remoção desta pressão, que assumirá a forma de atitude física inconsciente ou de um endurecimento muscular.

Estas tensões perturbam a saúde emocional, diminuindo sua vitalidade, restringindo sua motilidade (ação espontânea do movimento da musculatura), limitando sua auto-expressão.

Contudo a Terapia Bioenergética é um caminho do alivio da tensão crônica, da vitalidade de energia e bem estar emocional.

Quando percebemos que 10% de nossos movimentos são conscientemente dirigidos e que 90% são inconscientes, a importância torna-se evidente, no trabalho corporal e movimento.

Estudos Avançados

Reich, discípulo de Freud e Lowen, compreende que a história de cada indivíduo está registrada na estrutura no corpo. Todas as experiências vividas, o impacto das relações da primeira infância e os traumas físicos e emocionais são armazenados e mantidos no corpo na forma de padrões de tensão muscular crônica.

Nós, profissionais do movimento, lidamos diariamente com estas tensões e entender a Bioenergia Corporal é compreender melhor o paciente/cliente que nos cerca com todo seu universo corporal. O auxílio pode vir como opção de estratégias dentro deste trabalho, assim especializado.

A análise de caráter, mapeada por Reich é uma ferramenta no entendimento dentro deste universo corpo, mente, emoção e comportamento. Navarro, discípulo de Reich, catalogou estes setes segmentos corporais – conhecidos também de couraças musculares -, e Lowen criou seu método produzindo novos conceitos por meio da bioenergética, obtendo grande destaque na sua área.

Alexander Lowen, que era um associado de Reich, resumiu esse efeito global:

“O carácter do indivíduo como ele se manifesta no seu padrão típico de comportamento, também é retratado ao nível somático pela forma e o movimento do corpo. A expressão corporal é a visão somática da expressão emocional típica que é vista a nível psíquico como carácter. Defesas aparecem em ambas as dimensões, no corpo como couraça muscular”. (Lowen: 1976).

Na idade adulta, as defesas emocionais que foram construídas na infância afetam a relação da pessoa consigo mesma e com os outros, traduzindo-se no caráter.

Na Terapia Bioenergética, a história e as defesas são compreendidas com a ajuda de um terapeuta, ao mesmo tempo em que as emoções a elas associadas são mais uma vez experimentadas a fim de que a restrição à sua expressão seja elaborada.

Mas na análise energética Reichiana tais reações são vistas como parte da estrutura de caráter do paciente, uma realidade tanto física quanto psicológica.

Assim, tais atitudes estão associadas a tensões musculares crônicas do corpo do paciente e também derivam delas. Nem seus sentimentos nem seu comportamento mudarão enquanto as tensões não forem significativamente resolvidas e liberadas.

Como é realizado o trabalho de Bioenergia Corporal?

O trabalho compõe-se de exercícios corporais e também de análise verbal.

Partindo-se do conteúdo verbal trazido pelo paciente, chega-se ao trabalho com o corpo, que, junto à respiração, ao movimento, aos padrões de tensão, contam uma história. Tal caráter está igualmente ancorado na mente e no corpo.

A partir do ano 2000 a Análise Bioenergética foi definida como uma psicoterapia somato-psico-relacional.

Integração entre terapeuta e cliente

Como proposta de promoção do reencontro entre o indivíduo, seu corpo e sua história. A Terapia Bioenergética une expressão do corpo e caráter psíquico, propondo um resgate da história pessoal do paciente, levando-o a compreender a função de sobrevivência de seus bloqueios e padrões de comportamento.

As bases biológicas das neuroses está centrada nos processos biológicos envolvidos na saúde e na energia que alimenta esses processos, ou seja, se fundamenta na proposta de identidade funciona essa psicoterapia (OELMAN, 1988; WEIGAND 1998, 1999; VENTLING 2002; GUDAT 2002).

Qual o profissional que atende a Teoria da Bioenergética?

O profissional mais adequado para trabalhar com a Bioenergética é o profissional de Psicologia, o único habilitado para atendimento clínico e existe a especialização dos terapeutas corporais que incluem em seus trabalhos os conhecimentos da bioenergética.

Com base nestes fundamentos, a análise bioenergética oferece ao psicólogo um instrumental adicional ao trabalho analítico, por meio do uso de exercícios e técnicas que permitem ao cliente alcançar uma profunda compreensão de seus estados emocionais, liberar padrões de tensão e alterar a forma como se relaciona consigo e com o mundo.

Exercício de enraizamento, na conquista do prazer e alivio corporal, estimulando assim o contato com a realidade do praticante (do corpo e do mundo ao redor de si) e da entrega (surrender) construindo os níveis saudáveis dentro desta realidade.

Quando nos puxamos para cima, exemplo muitos estímulos cognitivos, muita energia na parte superior do corpo e pouca energia nos membros inferiores, perdemos nossa graça instintiva primitiva natural. O grounding é uma alternativa para esta inversão deste deslocamento ascendente.

O prazer e a satisfação se dá pela progressão da pratica e interação dos exercícios corporais. Nesta pratica corporal  a viagem ao inconsciente  é ancorado pelo corpo, pela energia e na personalidade.

Relação do MAH com Bioenergia Corporal

O Método Abdominal Hipopressivo é um método postural e respiratório, que utiliza diversas posturas estáticas, dinâmicas e a respiração para potencializar seus efeitos. Para conseguir relaxar e alongar corretamente, o diafragma torácico precisa estar em posição de expiração. Portanto, podemos concluir que a hipopressiva é um método que potencializa suas posturas através da apneia expiratória.

Com os estudos de Bernadet de Gasquet, sabemos que se você tem uma boa postura vai respirar melhor, tudo vai bem no seu corpo. É a postura que vai determina a respiração. A respiração funciona para crescer e alongar, não para pressionar.

Na Bioenergética, a respiração deve ser natural é preciso entender como liberar as tensões que desviam o padrão respiratório do seu estado natural. O MAH contribui tanto na visão de Gasquet, quanto de Lowen.

Contudo os estudos demonstram e as diversas teorias corporais comprovam a relação benéfica entre a postura e a respiração, dando a flexibilização das tensões corporais, retornando a fluência natural dos movimentos, a liberação do livre fluxo energético e a conquista da graça natural, conhecida como o movimento da dança da vida.

O MAH por ser um método postural, respiratório e pressórico, contribui para a liberação das tensões musculares e visto em pratica estes efeitos em seus praticantes, por meio da liberação da energia, metabolismo contido nesta atividade física e não adotando como regra.

Mas incluindo o olhar do entendimento em conjunto com as abordagens terapêuticas estudadas, as tensões representariam as defesas deste organismo emocional.

Descrito pelos autores Willian e Fine (coluna de pressão), o desacionamento da serie muscular que cronicamente instalou-se decorrente a pressão intra-abdominal no seu tempo depende crônico é necessário a estimulação a nível cortical, favorecendo a neuroplasticidade, com as neurodivergencias, com o gatilho elétrico dado pela acidose respiratória do ciclo respiratório do método, a hipóxia e da hipercapenia.

Se adicionarmos o conhecimento da relação diafragma/nervo vago/emoções em conjunto com as tensões musculares e o conhecimento das couraças de caráter, a visão amplia no conceito corpo, mente e comportamento, existindo a conexão corporal, seguido pelos atuais estudos faciais, que avançam diariamente, comprovando a relação das interocepções com as exterocepções, os ambientes internos e externos, como agente modificador e ressignificação de traumas dos estímulos guardado no corpo de uma maneira não verbal.

Quando é dito o corpo fala eis uma verdade, externando assim as emoções e  a liberação dessas emoções produz o alívio das tensões aprisionadas .São métodos que se complementam e se interligam, contribuindo como uma estratégia inteligente de auto regulação corporal.

Sabedores destas interligações é notável que as práticas físicas sejam uma ferramenta poderosa de manifestações e curas orgânicas (autorregulação) se bem dirigidas e estimuladas, em especial as que se utilizam e consideram os exercícios posturais, respiratórios e/ou toques sutis como o trabalho do sistema facial, resinificando este corpo e sua história, porque no corpo integral não há desconexão entre corpo e mente, somos movimento e também fluxo de energia.

As Couraças musculares podem atingir órgãos e provocar um estado de contração no corpo, as questões pressóricas também dificultam este processo natural de nutrição, produzindo manifestações psico-somáticas.

O MAH sendo um método pressórico, postural, respiratório, metabólico, sexual é uma ferramenta potente,  haja visto pelos seus  diversos benefícios e por sua pratica, estimular também o nervo vago a nível cortical, nervo frênico por meio da respiração.

Ligação com nervo intercostal e também o nervo pudendo, pélvico e Reich estuda a ênfase à importância de desenvolver uma livre expressão dos sentimentos sexuais e emocionais dentro do relacionamento amoroso maduro.

Reich enfatizou a natureza essencialmente sexual das energias com as quais lidava e descobriu que a energia orgone (organismo) era bloqueada de forma mais intensa na pélvis.

Conclusão

O Método Abdominal Hipopressivo faz a liberação da tensão hidrostática do assoalho pélvico, trazendo saúde física e também energética e com o Grounding. A medida que o centro da gravidade do corpo desce para a pelve e os pés servem de suporte energético, a pessoa pode se sentir centrada.

Analisando os efeitos da respiração no ato sexual sobre o indivíduo, Reich chegou à conclusão que seu uso harmonizaria o corpo físico, com implicações na própria mente, normalizando o fluxo de trocas com o meio, pela absorção do orgônio.

O MAH contribuirá com a normalização/diminuição  da pressão das cavidades, sabedores que a variação da PIA é um mecanismo automático e com um maior aporte sanguíneo (vasodilatação) nas região sexual auxiliará  em uma sensação orgástica mais efetiva, mas existe a necessidade do desejo para que isto aconteça.

Cuide se bem!

O nosso corpo é a nossa casa  é a nossa história e  ele nos revela, olhe para ele e ele olhará para você.

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Este artigo foi escrito por Sinuê Hendgel

Profissional de Educação Física Bacharel e Licenciatura, pós Graduada como Fisiologista do Exercício e prescrição do exercício, especialista em Pilates, CrossPilates e Professora de Dança desde de 2002. Master Trainer do MAH e integrante da equipe Janaína Cintas em parceria com a VOLL Pilates Group.

 

 

Bibliografia
MAH na Função Sexual Feminina: Como o MAH auxilia neste quesito

MAH na Função Sexual Feminina: Como o MAH auxilia neste quesito

A Musculatura do Assoalho Pélvico (MAP) sustenta os órgãos pélvicos e abdominais – mantendo as continências urinária e fecal -, e também participa da função sexual. O MAP, nada mais é, que um conjunto de partes moles que fecham a pelve. Formado por músculos, ligamentos e fáscias que são capazes de se distenderem ao máximo quando a mulher realiza o parto normal.

A MAP – localizada entre o púbis e o cóccix -, é formada por músculos estriados esqueléticos e exerce diversas funções importantes no organismo feminino. São os músculos perineais do terço externo da vagina que se contraem, reflexa e ritmicamente, para atingir o orgasmo. Quer entender mais sobre MAH na Função Sexual Feminina? Então, continue lendo este texto!

Qual a função da Musculatura do Assoalho Pélvico?

O assoalho pélvico tem a musculatura constituída por 70% de fibras do tipo I (fibras de contração lenta) e 30% de fibras do tipo II (fibras de contração rápida). Podendo ser acometido por diversas disfunções, como a incontinência urinária e fecal, disfunções sexuais, dor pélvica crônica, problemas menstruais, dentre outras.

A MAP é responsável pela contração vaginal, aumentando a sensação de prazer no momento do sexo. O treinamento desta musculatura tem efeito positivo na vida sexual das mulheres. O MAH na Função Sexual Feminina favorece a melhora da sensibilidade devido ao aumento da vascularização da região do períneo, sendo este um dos benefícios do método.

No trabalho da fisioterapia pélvica, utiliza-se técnicas simples, de baixo custo como a cinesioterapia, terapia manual e o abdominal hipopressivo para auxiliar a função sexual, entre outras técnicas. Inicialmente, é necessário realizar uma reeducação sobre a MAP e sobre a função sexual já que a grande maioria das mulheres desconhece o próprio corpo.

Ainda existem muitas dúvidas, tabus e desconhecimento por parte do corpo feminino. Muitas vezes indicamos a terapia psicológica que está fortemente ligada a relação sexual. Não é só uma questão anatômica, mas sim de conceitos pré-estabelecidos.

Dor da Cólica Menstrual

O Método Abdominal Hipopressivo também é efetivo na diminuição das dores menstruais. A dismenorreia (cólica menstrual) é provocada quando há a liberação de prostaglandina, substância que faz o útero contrair para eliminar o endométrio (camada interna do útero que cresce para nutrir o embrião), durante a menstruação, quando o óvulo não foi fecundado.

A dor da cólica menstrual pode variar de intensidade. O Método Abdominal Hipopressivo por ser um vasodilatador aumenta o fluxo menstrual fazendo com que a descamação do endométrio ocorra mais rápido.

A prática de atividades físicas regulares auxilia no alívio das cólicas porque libertam endorfinas, substâncias que atuam como analgésicos naturais do organismo. Técnicas de relaxamento e consciência corporal também auxiliam no tratamento.

A cólica menstrual pode ser primária ou secundária. Na primária trata-se de uma condição normal do ciclo menstrual, produzida pelas prostaglandinas.

Na secundária ocorre devido a alguma patologia como endometriose, miomas uterinos, cistos, entre outras doenças que podem afetar o sistema reprodutivo. Cerca de 65% das brasileiras sofrem com a dismenorreia e 70% delas observam uma queda na produtividade durante a menstruação.

Estrutura do Assoalho Pélvico

O assoalho pélvico é dividido em duas camadas, superficial e profunda. Na camada superficial da MAP temos:

  • Bulboesponjoso;
  • Isquicavernoso;
  • Transverso superficial;
  • Profundo períneo;
  • Esfíncter uretral externo;
  • Esfíncter anal externo.

Na camada profunda temos:

  • Isquioscoccígeos;
  • Levantadores do ânus (puborretal, pubococcígeo);
  • Levantador da próstata e pubovaginal;
  • Iliococcígeo.

Nesta camada profunda, as estruturas formam o diafragma pélvico que permanece contraído sustentando os órgãos pélvicos.

Importância do MAP na Função Sexual Feminina

A literatura descreve a importância da MAP na função sexual feminina. Os músculos isquiocavernoso e bulboesponjoso auxiliam na excitação devido as suas inserções no arco púbico e no clitóris que ao se contraírem na atividade sexual, facilitam a ereção e consequentemente a atingir o orgasmo.

O aumento na vascularização pélvica nesta região e na sensibilidade do clitóris, promove ainda uma melhor excitação e lubrificação. Acredita-se que o fortalecimento desta musculatura justificaria os relatos de melhora sexual após o treinamento. Esta função suposta do treinamento ainda se faz especulativa.

Os exercícios perineais são a primeira escolha por oferecerem uma opção menos invasiva no tratamento conservador, aumentando a circulação sanguínea e tonicidade, sendo eficaz no fortalecimento da MAP.

Alguns estudos apontam que uma pressão vaginal menor que 30 mmHg pode ocasionar em disfunção sexual e possivelmente existe uma relação entre a intensidade orgástica e uma boa tonicidade do períneo.

No tratamento da fisioterapia pélvica, a cinesioterapia da MAP consiste em contrações com número de repetições e frequências pré-definidas, associando a posturas e ritmos respiratórios.

É possível aumentar a consciência, a percepção e controle corporal desta musculatura nas mulheres em diferentes posturas, recrutando de diversas formas os músculos do períneo que participam constantemente dos movimentos do nosso corpo, mas raramente são treinados.

Benefícios do MAH na Função Sexual Feminina

Os exercícios do MAH na Função Sexual Feminina são praticados em conjunto com a respiração diafragmática promovendo uma pressão negativa na cavidade abdominal tracionando a fáscia abdominal ativando reflexamente a MAP. Esta mobilidade pélvica, facilita a contração correta.

O abdominal hipopressivo é um treino com benefício para a faixa abdominal, sem efeitos negativos sobre o assoalho pélvico. Melhora as tensões musculares desativando as séries musculares, diminuindo as tensões conjuntivas, podendo ser associado ou não a outras terapias.

Ainda acaba melhorando a propriocepção. Consequentemente, os exercícios visando o assoalho pélvico aumentam a coordenação com as contrações melhorando a função da musculatura durante o ato sexual.

Se os músculos do períneo estiverem com boa vascularização e tonicidade, eles aumentam a satisfação na relação sexual para ambos os parceiros. A vitalidade do períneo está relacionada à consciência, coordenação, relaxamento, resistência e força para que possa exercer as suas funções com vigor.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que a sexualidade é um dos principais pontos que asseguram a qualidade de vida do ser humano, sendo vivida e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relacionamentos. Ainda é influenciada por vários fatores biológicos e psicológicos que interagem entre si.

Como funciona a sexualidade feminina?

A resposta sexual feminina é expressada por fases que estão interligadas fisiologicamente sendo dividida em quatro fases: desejo, excitação, orgasmo e resolução. Cada fase tem suas características próprias e um comprometimento durante o ciclo é definido como disfunção sexual.

Existem vários questionários que ajudam a qualificar esta disfunção, podendo ser multifatoriais. Podem ser divididos em fatores orgânicos e psicológicos. Entre as alterações estão os problemas no intercurso vaginal, como a dispareunia e vaginismo, entre outros…

Relaxamento demasiado da muscular vaginal, prolapsos e a incontinência urinária durante o sexo, dificultando a atividade sexual e fazendo com que a mulher passe a sentir-se constrangida. Muitas vezes acaba se privando por completo do contato sexual.

O tratamento para as alterações da função sexual exige uma abordagem multidisciplinar e atualmente vem sendo mais discutida entre os profissionais de saúde. Existe uma grande quantidade de mulheres que precisam de atendimento, mas a procura por ajuda ainda é pequena devido ao estigma social.

A fisioterapia pélvica atua diretamente com estas mulheres por meio do tratamento conservador na reabilitação da MAP buscando melhorar a propriocepção, coordenação, diminuir os pontos gatilhos miofasciais, aumentar a força e a resistência muscular.

Uma boa função sexual não depende somente de um músculo forte, mas de todo um trabalho correlacionado a vários fatores objetivos e subjetivos. A fisioterapia pélvica desempenha importante papel na melhora da relação entre o casal e também desmistificando a relação.

Também proporciona um alívio da dor muscular quando existente. A sexualidade é complexa e deve ser tratada individualmente, pois é um processo amplo envolvendo muitas questões pessoais que não se restringem somente aos órgãos genitais ou ao puro ato sexual.

Conclusão

Por fim, podemos compreender que a MAP, apesar de representar grande participação na função sexual feminina, não é a única responsável pelo ciclo. A função sexual pode ser influenciada por diversos fatores biológicos como depressão, medicações e alterações hormonais.

Ou ainda por fatores psicológicos como acontecimentos variados da vida diária, medo de engravidar, doenças sexualmente transmissíveis, infertilidade, experiências sexuais dolorosas ou mesmo inexperiência e constrangimentos em relação ao próprio corpo. De modo geral, é uma situação complexa de entendimento, experiências e confiança.

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Este artigo foi escrito por Larissa Ribeiro

Fisioterapeuta. Pós-Graduada em Fisioterapia Pélvica. Mestranda em Ginecologia e Obstetrícia.  Formação em Pilates, Water Pilates, Hidroterapia, MIT – Movimento Inteligente, Treinamento Funcional, Formação no Método Abdominal Hipopressivo – MAH, Treinadora Grupo VOLL, ministra cursos Espaço Vida Pilates e Pilates Avançado. Porto Alegre/ RS.

 

Bibliografia
  • AZEVEDO, Maria A. R. Avaliação da Função Sexual em Mulheres com Incontinência Urinária Mista Antes e Após um Protocolo de Treinamento Para Musculatura do Assoalho Pélvico. UFRN, 2017.
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  • BATISTA, Nina M. T. L. et al. Força e coordenação motora da musculatura do assoalho pélvico e a função sexual feminina. Interdisciplinary Journal of Health Education, 2017.
  • DELGADO, Alexandre M.; et. al. Recursos Fisioterapêuticos Utilizados no Tratamento das Disfunções Sexuais Femininas. Revista Científica da Escola de Saúde, 2015.
  • DRIUSSO, Patrícia; BELEZA, Ana Carolina S. Avaliação Fisioterapêutica da Musculatura do Assoalho Pélvico Feminino. 1ª ed. Manole, 2018.
  • MORENO, Adriana L. Fisioterapia em Uroginecologia. – 2ª ed. rev. Manole, 2009.