Quando usar Abdominais Hipopressivos na minha Aula?

Quando usar Abdominais Hipopressivos na minha Aula?

Depois de virar febre, os abdominais hipopressivos parecem uma solução mágica para todo tipo de aula.

Alguns dizem que emagrece, deixa o abdômen mais definido e que ajuda no tratamento de patologias. Como já falei no meu artigo sobre mitos da hipopressiva, algumas dessas informações são verdade e outras não.

Mas não é exatamente isso que pretendo discutir neste artigo. Na verdade, quero mostrar como usamos a hipopressiva em aula e em quais alunos ela deve ser aplicada. Já vou adiantando que conseguimos benefícios com o uso do método em quase todos os casos.

Benefícios dos Abdominais Hipopressivos

O método abdominal hipopressivo é conhecido por auxiliar a diminuir a pressão intra-abdominal.

Entre outros benefícios, também são exercícios responsáveis por fortalecer o períneo e diminuir a compressão de discos intervertebrais. Ou seja, conseguimos desenvolver uma coluna mais saudável e sem dores.

Quanto ao fortalecimento do períneo, precisamos lembrar que essa musculatura realiza a contração vaginal. Os exercícios também aumentam a circulação sanguínea na região, gerando mais sensibilidade. Por isso, a pessoa que pratica abdominais hipopressivos consegue aumentar a sensação de prazer durante o sexo.

A longo prazo teremos um sistema postural mais eficiente com circuitos neuronais autoexcitadores mais desenvolvidos. A atividade respiratória melhora já que os abdominais hipopressivos estimulam os centros expiratórios do tronco cerebral. Ao mesmo tempo, eles inibem os centros inspiratório.

O assoalho pélvico consegue ficar mais tonificado, assim como a faixa abdominal. Um de seus grandes benefícios que deve ser lembrado é o fortalecimento de musculatura abdominal profunda.

Esses efeitos tonificadores acontecem por causa da apneia expiratória que realizamos com os exercícios. Isso provoca um estado similar à hipercapnia. Com a ativação ou inibição dos centros respiratórios supraespinais também conseguimos alterar a tensão postural dos músculos relacionados a eles.

Será que devo usar Exercícios Abdominais Tradicionais?

Muitas pessoas se perguntam por que usar exercícios abdominais hipopressivos e não os abdominais tradicionais. Todo mundo sabe fazer os abdominais e parece até mais fácil de aplicar na aula, então por que não utilizá-los?

Existem estudos que mostram o efeito negativo dos abdominais clássicos, especialmente para mulheres. Sua influência é extremamente negativa sobre o tônus do assoalho pélvico feminino e pode ainda causar impacto nas patologias de prolapso pelviano.

O que chamamos de exercício abdominal é, na verdade, uma maneira de aumentar a pressão intra-abdominal. Sem maneiras de diminuí-la depois, a aluna acaba com maior carga sobre o períneo e a coluna. Além disso, esses exercícios são menos eficientes que a hipopressiva para gerar controle de músculos abdominais.

Ao praticar os abdominais hipopressivos, conseguimos melhorar o controle de musculaturas abdominais. Isso acontecer através de uma melhor percepção do abdômen e seus órgãos. A hipopressiva possui maior comprovação científica para seus usos terapêuticos em patologias. Podemos usá-la no tratamento de:

  • Artralgias Crônicas
  • Dorsalgias
  • Lombalgias
  • Cervicalgias
  • Ciatalgias
  • Escolioses Idiopáticas
  • Fadiga Crônica
  • Outros

Os abdominais hipopressivos não são um mero fortalecimento abdominal. Na verdade, podemos considerá-los exercícios posturais que também trabalham o ritmo respiratório. Durante as posições, o aluno passa por um trabalho proprioceptivo usando os seguintes pontos:

  • Anteriorização do Eixo de Gravidade: O aluno varia o eixo de gravidade e o desloca para a frente.
  • Autocrescimento Axial: Estiramento axial da coluna para provocar uma tensão dos espinhais profundos e extensores da coluna.
  • Decoaptação da Articulação do Ombro: Abdução das escápulas.
  • Respiração Costal: Respiração diafragmática com uma fase inspiratória e expiratória lenta e monitorada pelo terapeuta.
  • Apneia Expiratória: Fase de expiração total do ar e apneia mantida.

Praticantes com maior experiência realizam a apneia expiratório por 10’’ a 20’’. Nessa fase também é necessário realizar uma abertura costal para simular esse tipo de respiração, mas sem uma inspiração subsequente.

O movimento provoca um fechamento das glotes e contração voluntária do serrátil e músculos elevadores da caixa torácica. Na fase de apneia expiratória temos um relaxamento e sucção do diafragma, promovendo menor pressão torácica e abdominal.

O que devo saber antes de realizar Abdominais Hipopressivos?

Apesar de ser extremamente eficiente e comprovado para o tratamento de patologias, devemos tomar alguns cuidados ao aplicar o método na aula. Eles nunca devem ser realizados imediatamente após comer, dê essa instrução ao seu aluno.

Também devemos instruir o aluno corretamente que os músculos não são contraídos durante a sucção. Nenhum músculo é contraído, e a aspiração é realizada pela diferença de pressão. Os exercícios devem ser feitos com uma frequência de 3 a 5 vezes na semana para apresentar resultados.

Por último, o programa de treinamento deve ser realizado de maneira gradual. Inicialmente o aluno realiza poucas contrações e aumentamos esse número aos poucos. Sempre devemos respeitar os limites do corpo para evitar complicações.

Posso usar Abdominais Hipopressivos para Emagrecer?

Só a hipopressiva é incapaz de levar ao emagrecimento, apesar de ser um método eficiente para fortalecer músculos abdominais.

Se o aluno quiser atingir o emagrecimento precisa também realizar uma alteração drástica na dieta, que deve envolver um consumo menor de açúcar e calorias.

Além disso, ele precisa aumentar seu consumo energético ao realizar outros exercícios. Algumas sugestões são bicicleta, corridas e caminhadas. Porém, só os abdominais hipopressivos não terão o efeito desejado de emagrecimento.

A hipopressiva é um método que envolve um baixo gasto calórico por sessão. Assim, não auxilia na queima de gordura e só pode complementar o emagrecimento quando existem outras estratégias.

O que a hipopressiva realmente faz é deixar o abdômen mais tonificado quando já existe uma menor quantidade de gordura corporal.

Quando usar o Método Abdominal Hipopressivo

Existem diversas indicações para usar o método. Ele é bastante recomendado para mulheres no período pós-parto, por exemplo. Sua prática reduz as sequelas e ainda ajuda a aliviar dores lombares e prevenir a incontinência urinária. É claro que ao trabalhar com essas mulheres precisamos respeitar os limites impostos pelo médico.

Outra possibilidade de uso é no trabalho postural para melhorar a estabilização lombar. Usar os abdominais hipopressivos é uma ótima maneira de diminuir dores lombares e melhorar a postura do aluno sem aumentar a pressão sobre suas vísceras.

Quem sofre com incontinência e flacidez dos órgãos como vagina, bexiga, ânus e reto também deve incluir a hipopressiva no tratamento. Como já sabemos, as posições melhoram a tonificação do assoalho pélvico e de diversos músculos da faixa abdominal. Ou seja, também melhora a força contrátil do períneo, melhorando a continência.

Os resultados podem aparecer mais rapidamente em pacientes que são capazes de realizar as séries de maneira correta.

Quanto mais experiente se tornar o praticante, mais benefícios conseguirá com a prática. Como esses exercícios exigem muita concentração e consciência corporal, iniciantes ainda são incapazes de usarem todo seu potencial.

Você perceberá ao aplicar abdominais hipopressivos na aula que nem todos evoluem rapidamente.

Respeite essa característica do aluno e dê a ele o tempo necessário para atingir seus objetivos. Só o deixe ciente que os abdominais hipopressivos devem ser realizados da maneira correta para melhores resultados.

Além disso, devemos entender que ninguém apresenta melhora nas primeiras sessões ou semanas. Seus benefícios geralmente aparecem após pelo menos 4 semanas de terapia.

Quando não usar a Hipopressiva

Apesar de seus inúmeros benefícios, nem todos pacientes podem usar a hipopressiva.

Indivíduos hipertensos ou com patologias cardíacas, por exemplo, precisam de um acompanhamento especial e geralmente não podem praticar a técnica.

Grávidas também devem respeitar seu período de gravidez, usando a hipopressiva somente 3 semanas antes da data do nascimento da criança. Essa prática precisa ser orientada por profissionais especializados.

Importância do Fortalecimento Pélvico para Continência Urinária

Importância do Fortalecimento Pélvico para Continência Urinária

Algumas mulheres desenvolvem um certo medo de praticar atividades físicas por causa da incontinência urinária. Esse é um problema extremamente comum em mulheres relativamente jovens, especialmente atletas.

É de se esperar que uma praticante de atividades físicas teria musculaturas do assoalho pélvico fortes, mas esse nem sempre é o caso.

Considerando a alta incidência do problema em nossas pacientes, precisamos entender como funciona a continência urinária. Também devemos encontrar maneiras de trabalhar o assoalho pélvico sem fadigá-lo de maneira a melhorar a continência urinária.

Por que usar Exercícios de Sucção Abdominal?

Existem diversos exercícios e tratamentos propostos para a incontinência urinária, incluindo métodos cirúrgicos. Trago aqui a proposta de usar movimentos de sucção abdominal, tal como usamos no método hipopressivo.

Durante a sucção abdominal a zona abdominal deve ser recolhida para trás e para cima. Isso é bem diferente de contrair para trás e para cima como alguns alunos e até instrutores fazem.

Dou ênfase a essa característica porque na sucção abdominal não existe contração de músculos abdominais. Na verdade, durante o movimento essas musculaturas permanecem passivas.

O método começou a ser usado no ocidente por alguns fisiculturistas que o chamavam de vacum abdominal. Ele ganhou popularidade entre esse meio porque notaram que os músculos abdominais se tornavam mais salientes depois de realizá-los. O motivo está na física.

De acordo com a fórmula que aprendemos desde o colégio até a faculdade, pressão é igual a força dividida pela área (P=F/A).

Ou seja, quando diminuímos a PIA (pressão intra-abdominal) temos um aumento na área do saco visceral. Isso também leva a uma diminuição da área externa e o efeito de diminuição da cintura que as mulheres buscam e a saliência de músculos abdominais que fisiculturistas querem.

Os estudos sobre efeitos das pressões intracavitárias começaram na Europa mais ou menos na década de 1990. Inicialmente, o método era usado para reabilitar disfunções pós-parto do assoalho pélvico e sua eficiência tem sido comprovada desde então.

O que é Sinergia Abdomino-Pélvica?

Em pesquisas, alguns autores perceberam que existe um aumento de atividade dos músculos abdominais durante a contração do assoalho pélvico. Apesar dessa atividade, não era observada contração da musculatura abdominal.

Portanto, percebe-se que existe uma sinergia entre os músculos abdominais e do assoalho pélvico. É isso que chamamos de sinergia abdomino-pélvica. Isso significa que a contração durante músculos abdominais faz com que o músculo pubococcígeo também se contraia.

Assim, o colo vesical se estabiliza e mantém-se na posição retropúbica. Como resultado, as pressões transmitidas da cavidade abdominal ao colo vesical e uretra proximal se igualam e mantém a continência urinária.

Esse mesmo processo acontece sempre que ocorre uma contração abdominal, como no espirro e na tosse.

Para manter a continência urinária e fecal precisamos de uma pressão de fechamento adequada. Isso só acontece através da atividade sinérgica entre músculos abdominais e do assoalho pélvico. A sinergia acontece de maneira coordenada elevando a pressão no abdômen e fornecendo suporte aos órgãos pélvicos.

Alguns estudos mostram que quando existe uma contração voluntária de músculos do assoalho pélvico, acontece uma ativação simultânea de músculos:

  • Transversos Abdominal
  • Oblíquo Interno
  • Oblíquo Externo
  • Reto Abdominal

Como acontece a Sinergia Abdomino-Pélvica

É através dessa ativação que ocorre o aumento da pressão esfincteriana. Quando acontecem aumentos repentinos da pressão intra-abdominal acontece uma atividade reflexa dos músculos do assoalho pélvico. Isso é o que chamamos de reflexo guardião.

A tosse e o espirro devem ser gerados através de um padrão do tronco cerebral. Portanto, a ativação de músculos do assoalho pélvico é uma ativação prévia. Não seria propriamente um reflexo ao aumento da pressão intra-abdominal, mas sim simultânea ou até com poucos segundos de antecedência.

Também é possível que exista uma resposta reflexa adicional dos músculos do assoalho pélvico por causa da distensão de fusos musculares na musculatura abdominal.

Alguns autores estimam que a pressão para fechamento da uretra e ânus aumenta antes do aumento da PIA. Assim, músculos abdominais, assoalho pélvico e diafragma seriam ativados de maneira pré-programada por atividade do sistema nervoso central.

Ou seja, o mecanismo de ativação de músculos do períneo para manter a continência urinária não seria uma resposta ao aumento da PIA. Na verdade, seriam mecanismos nervosos centrais que podem ser regulados pela vontade em algumas situações.

Músculos do Assoalho Pélvico para manter a Continência Urinária

Mulheres continentes têm a contração automática dos músculos do assoalho pélvico precedente ao aumento da PIA.

Como a contração é prévia, acontece antes do aumento da PIA, percebemos que a resposta é pré-programada. Essa não pode ser uma resposta reflexa resultante de um aumento da pressão intra-abdominal.

Existem artigos que mostram o comportamento dos músculos do assoalho pélvico em esforços como a tosse. Resultados mostram que mulheres incontinentes têm um padrão de recrutamento sinérgico alterado em relação à ativação do assoalho pélvico.

Os músculos do períneo precisam ser ativados corretamente com o objetivo de manter a continência. Isso precisa acontecer de acordo com o aumento da contração dos músculos abdominais que geram aumento da PIA.

Musculaturas do períneo estão entre as principais responsáveis por manter a continência urinária. Isso acontece através da melhora na pressão de fechamento da uretra e por manter a posição do colo vesical.

Mesmo sem movimentos da coluna lombar, pelve ou caixa torácica, é possível observar recrutamento dos músculos ao contrair o assoalho pélvico.

Conclusão

No Brasil, um estudo epidemiológico encontrou prevalência de 35% de perda urinária em esforço em mulheres de 45 a mais de 60 anos. A queixa em mulheres atletas é maior, entre 22% e 47%, variando de acordo com a atividade.

As causas ainda não são completamente conhecidas e também são pouco discutidas. A incontinência urinária é um problema comum em mulheres entre 25 e 49 anos de idade. Atividades físicas de alto impacto são fatores de risco para seu desenvolvimento.

Também existem outros fatores de risco, como:

  • Constipação
  • Tosse Crônica de Fumantes
  • Doença Pulmonar
  • Obesidade
  • Ocupações que exigem Levantamento Excessivo de Peso

De maneira geral, profissionais atribuem a incontinência urinária a processos que levam à fraqueza dos músculos do assoalho pélvico. Porém, considerando o que observamos nesse artigo, talvez esse não seja o caso.

É possível que a verdadeira causa seja falta de treinamento específico para musculaturas do assoalho pélvico para condicionar a atividade reflexa desses músculos. Treinamento que pode ser obtido através do uso de exercícios de sucção abdominal como a hipopressiva.

 

Bibliografia
  • CONTRIBUIÇÃO À ANATOMIA – ESTUDO MORFOLÓGICO DO ASSOALHO PÉLVICO
  • EM MULHERES ASSINTOMÁTICAS: USO DA IMAGEM POR RMN.
  • CONTRIBUCIÓN AL ESTUDIO ANATOMO-MORFOLÓGICO DEL SUELO PÉLVICO EN LA MUJER ASINTOMÁTICA: UTILIZACIÓN DE LA IMAGEN POR RMN.
  • Marcel Caufriez1, 2, 3, 4, Juan Carlos Fernández Domínguez5, Benjamin Bouchant4, Marc Lemort6 y Thyl Snoeck1, 4, 7.
  • Université Libre de Bruxelles1. Bruxelles. Belgique. Universidad Castilla-la-Mancha2. Toledo. España. Universitat Gimbernat3. Barcelona. España. Laboratoire de Physiologie environnementale et occupationnelle4. Bruxelles. Belgique. Universitat Illes Balears5. Palma de Mallorca. España. Institut Jules Bordet6. Bruxelles. Belgique. Vrije Universiteit Brussel7. Bruxelles. Belgique.
Como acontece o aumento das Pressões Intracavitárias do Corpo?

Como acontece o aumento das Pressões Intracavitárias do Corpo?

Para trabalhar com movimento de maneira eficiente precisamos compreender o efeito que nossas atividades têm na pressão do corpo. Existe uma série de pressões internas que regulamentam o corpo e, quando alteradas, elas podem causar diversos desequilíbrios.

Essas pressões são como balões no corpo. São três balões ao todo, cada um deles sendo uma das cavidades internas. As cavidades, obviamente, interagem umas com as outras, geralmente alterações entre elas. As principais cavidades para as colunas de pressão são:

  • Abdômen
  • Tórax
  • Crânio

Quando a pressão interna de uma delas muda, as restantes também se alteram. Em um corpo que tem seu bom funcionamento fisiológico, essa interdependência leva a um bom gerenciamento das pressões intracavitárias.

Porém, muitos corpos não são assim e tem o aumento das pressões relacionado a patologias.

Como funcionam as Pressões Intracavitárias?

Quando fazemos um movimento que tira a coluna vertebral do seu equilíbrio estático ativamos um reflexo que chamamos de “ajuste postural antecipatório”. Ele acontece antes de qualquer movimento, mais ou menos 20 milisegundos antes para ser exata.

Nesse momento a pressão intra-abdominal (PIA) aumenta para dar estabilidade à coluna vertebral.

É um mecanismo simples. Os músculos estabilizadores são pré-ativados pelo córtex cerebral e trabalham em sincronia. Sua contração é responsável por criar uma alavanca flexora da coluna vertebral.

De acordo com pesquisas de Hodges e outros pesquisadores, os principais músculos nessa ação seriam:

  • Diafragma Torácico
  • Transverso Abdominal
  • Períneo

Outras pesquisas demonstram que existem outras musculaturas atuando juntamente e essa acima. Elas se ativam tanto no processo respiratório quanto na postura. Chamamos esse fenômeno de ativação da série muscular.

Nenhum músculo que existe na série é totalmente autônomo. Quando um deles se contrai o restante é ativado por sinergia.

A atividade postural antecipada responsável por uma flexão da coluna também gera uma pré-compensação por uma alavanca extensora. Isso acontece pela contração de músculos extensores do tronco e paravertebrais.

Portanto, podemos dizer que existe um reflexo pré antecipatório que dispara antes mesmo do outro. Sem a combinação das alavancas flexoras e extensoras, a coluna vertebral não consegue manter sua estabilidade.

De acordo com Hodges e outros, a PIA é essencial para a manutenção da postura. Ela é aumentada pela contração desses músculos que realizam os reflexos antes do movimento. Essa relação também pode ocorrer ao inverso: quando existe um aumento da PIA os músculos relacionados à estabilização da coluna também se contraem.

Esse é o funcionamento de uma coluna de pressão no corpo chamada de pósturo-respiratória muscular. Existem também a coluna pressórica visceral. Ela acontece pela ação do diafragma torácico que cria um pistão que produz movimentos viscerais sistemáticos e repetitivos. Isso serve para dissipar pressões, proteger as vísceras e ajudar o retorno de sangue venoso e linfático.

Funcionamento das Coluna de Pressão

As pressões intracavitárias e colunas de pressão ajudam a manter o controle postural. Elas também atuam na respiração ou qualquer outra atividade que leve a um aumento da PIA. Alguns exemplos são:

  • Fala
  • Riso
  • Choro
  • Micção
  • Defecação
  • Parto

A PIA também atua na pressão anti refluxo e na respiração diafragmática.

Nesse segundo caso, é preciso que aconteça um aumento das pressões para que o diafragma tenha uma contração correta. A PIA aumenta durante a descida do diafragma, mantendo seu centro frênico em posição alta e ajudando as fibras externas a aderirem à caixa torácica.

É esse contato com as costelas que gera o mecanismo de alavanca e o movimento de alça de balde das costelas.

Ou seja, a respiração seria impossível sem a ação da pressão intra-abdominal. A respiração só acontece sem essa ação quando é realizada pelos músculos intercostais, tornando-se uma respiração torácica, mas perde muito da sua eficiência.

As vísceras abdominais também ganham mobilidade graças ao pistão diafragmático durante a respiração. Toda vez que respiramos elas se adaptam para dissipar a pressão e proteger os elementos nobres que existem na região como vasos e estruturas nervosas.

A PIA também faz com que o mecanismo anti refluxo funcione. O diafragma crural entra em contração com o aumento da PIA. As fibras dessa musculatura que cercam o hiato esofágico ajudam no fechamento para impedir que o conteúdo gástrico retorne ao esôfago.

A PIA é responsável por regular o fluxo do sangue venoso entre o abdômen e o tórax. O diafragma realiza um movimento rítmico na cavidade abdominal que alterna entre bloqueios e liberação do fluxo do sangue. É como se realizasse o bombeamento do mesmo.

O mesmo acontece com o fluxo de sangue venoso dos membros inferiores para o abdômen.

Sem a atuação da PIA permite que todas essas funções aqui mencionadas aconteçam. Quando ela está alterada elas podem ser parcialmente comprometidas. Seu aumento deve ser transitório, se for crônico e permanente veremos distúrbios funcionais, falha nos órgãos e alguns casos podem ser fatais.

Alterações que ocorrem nas Pressões Intracavitárias

A PIA pode ser medida por via intra bexigal quando o paciente encontra-se em posição deitada com os abdominais relaxados. Nessa posição, considera-se um aumento patológico quando está igual ou acima de 12mm de hg.

Quando a pessoa apresenta valores maiores estamos lidando com um caso de hipertensão abdominal. Acima de 20mm de hg existe a Síndrome Compartimental Abdominal. Quando existe a hipertensão ou Síndrome Compartimental o paciente precisa de descompressão.

De acordo com alguns autores, o abdômen funciona da mesma maneira que um sistema hidráulico. Sua pressão interna normal varia de 5 a 7mm de hg.

De acordo com Cernea, mais de 10mm de hg já provoca danos para os órgãos intra e extra-abdominais. O sistema nervoso central também sofrem com um aumento de pressões intracavitárias.

Não existe um consenso sobre os valores normais e patológicos das pressões intracavitárias. Mesmo assim, pequenas variações são o suficiente para criar uma situação patológica no corpo.

Parece que o aumento da PIA tem efeitos no corpo não somente por seus valores, mas também pelo tempo que permanece aumentada. Ou seja, os valores da PIA podem aumentar temporariamente sem causar danos. Mas quando esse aumento deixa de ser transitório, ele compromete a homeostasia e gera um quadro patológico.

Quanto maior for o tempo em que a pressão intra-abdominal permanecer aumentada, maior será seu impacto sobre a saúde. De acordo com pesquisas, mesmo pequenos aumentos da PIA causam danos graves no corpo se permanecerem por muito tempo.

Alguns exemplos são:

  • Atraso da Cicatrização de Feridas
  • Danos e Insuficiência Renal
  • Problemas no Sistema Digestório
  • Dificuldades Respiratórias
  • Problemas Cardiovasculares
  • Danos ao Sistema Nervoso Central
  • Aumento de Endotoxinas Bacterianas no Sangue
  • Transmigração Bacteriana através das Membranas Celulares

As pressões intracavitárias deveriam ser um mecanismo para favorecer a respiração, o controle postural e a circulação venosa. Em alguns casos, elas se tornam uma bomba que pode causar uma série de problemas para o corpo de acordo com o tempo de aumento.

Conclusão

Ao iniciar esse artigo falei a respeito de músculos que controlam a PIA e outras pressões do corpo. Eles agem de maneira sinérgica de acordo com sua pré-programação no córtex cerebral.

Para que contraiam em conjunto durante as tarefas posturais existe o mecanismo de ajuste postural antecipatório que é ativado pelo aumento da PIA.

Apesar de ser essencial para funções vitais, as pressões quando aumentadas provocam situações negativas. Isso pode acontecer por uma série de variáveis, incluindo problemas dos mecanoceptores do aparelho músculo esquelético, sistema vestibular, formação reticular, áreas corticais e subcorticais, entre outras.

Para regularmos a PIA durante nossas aulas, seja de Pilates ou outras modalidades, podemos adotar o uso do método hipopressivo. Ele ajuda a regularmos a pressão intra-abdominal, evitando que nossas atividades prejudiquem o aluno ao invés de ajudá-lo.

O Método Abdominal Hipopressivo realmente leva à Barriga Negativa?

O Método Abdominal Hipopressivo realmente leva à Barriga Negativa?

O Método Abdominal Hipopressivo começou a virar febre quando alguns meios de comunicação começaram a anunciá-lo como o método da barriga negativa.

O argumento é que a prática da hipopressiva fortalece músculos abdominais de maneira mais eficiente, sendo até melhor que as abdominais tradicionais. Já falei em outro artigo sobre a comparação entre hipopressiva e abdominal, então pularemos essa discussão por enquanto.

A resposta para essa dúvida é sim e não. Realmente conseguimos trabalhar musculaturas abdominais profundas de maneira bastante eficiente com o Método Abdominal Hipopressivo.

Porém, precisamos conscientizar o aluno que só a prática do Método Abdominal Hipopressivo não é o suficiente para alcançar a tão sonhada “barriga chapada”.

Para ter um abdômen definido, a pessoa precisa ter uma alimentação correta. Cerca de 80% do processo acontece através de uma dieta com baixa ingestão de gordura. Na verdade, para alcançar a barriga negativa o aluno precisa de um baixo índice de gordura corporal.

O Método Abdominal Hipopressivo atua através do fortalecimento de musculaturas profundas do abdômen e também ao diminuir a pressão intracavitária. Existem casos em que só diminuindo a pressão o aluno conseguirá o resultado que deseja.

Para que você compreenda como a hipopressiva ajuda a chegar ao resultado estético que nossos alunos sonham mostrarei um pouco da atuação das musculaturas do abdômen na pressão intra-abdominal (PIA).

Músculos do Abdômen

Reto Abdominal

Esse músculo fica localizado à frente do tronco.

Ele compõe a camada mais superficial da musculatura abdominal e possui fibras predominantemente vermelhas. Porém, sua área é entrecortada por áreas não contráteis fasciais. Os retos abdominais são recobertos pela bainha do reto do abdômen, que tem a função de manter esses músculos em posição. A bainha é formada pelas aponeuroses do oblíquo externo, interno e transverso do abdômen.

O reto do abdômen é longo e aplanado. Ele recobre a face anterior do abdômen e é intercedido pelas intersecções tendíneas, que são faixas tendinosas. Dependendo da pessoa, os números dessas interseções variam.

Estou falando dessas musculaturas porque são os responsáveis pelo enrolamento da unidade tronco. Também realizam a elevação do púbis em direção ao umbigo e o abaixamento do esterno também em direção ao umbigo. Perceba que essa é uma zona de convergências de forças importantes.

Quando acontece o enrolamento do tronco, a coluna vertebral é mobilizada indiretamente de maneira retificadora nas regiões torácica baixa e lombar. Muitas vezes encontramos alunos que precisam flexibilizar esses músculos.

Sem flexibilidade, os retos abdominais nos puxam para o enrolamento. Tal falta de flexibilidade pode ser causada pelo sedentarismo e até posicionamento inadequado durante o trabalho.

Quer ajudar seu aluno a conseguir a tão sonhada barriga negativa? Fique sabendo que os retos abdominais empurram as vísceras para dentro ao se contrair. Dessa maneira acabam aumentando a pressão intracavitária.

Músculos Largos

Para entender melhor como funciona a pressão intracavitária precisamos compreender também os músculos largos. Eles ficam nas laterais do tronco e se opõe ao reto do abdômen. São eles:

Transverso do Abdômen

Dentro todos os músculos largos esse é o mais profundo. Sua origem fica localizada na:

  • Crista Ilíaca
  • Fáscia Toracolombar
  • Dois Terços Laterais do Ligamento Inguinal

A inserção do transverso do abdômen fica nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e da linha alba. Ele se estende inferiormente sobre o ligamento inguinal e a prega inguinal.

Preste atenção nisso: o transverso é cortado pela linha alba à frente e atrás pela fáscia tóraco lombar. Já mencionei em outros artigos e pesquisas também mencionam a interdependência desses dois transversos há mais de 10 anos.

Precisamos entender esse músculos porque ele tem uma ligação íntima com as questões viscerais. O transverso do abdômen está envolvido em processos como:

  • Fonação
  • Vômito
  • Tosse
  • Espirro
  • Entre Outras

Ele é importantíssimo no Método Abdominal Hipopressivo e também para conseguir a barriga chapada que todos sonhos através da diminuição da pressão abdominal. Ao se contrair, ele diminui o diâmetro da cintura. Como resultado, pode aumentar bastante a PIA.

A cintura fininha é formada pelas fibras médias horizontais do transverso. As fibras inferiores realizam a proteção dos órgãos da pelve menor das diferenças da PIA que ocorrem o tempo todo. Quando essas fibras se contraem ela também alargam as cristas ilíacas.

As fibras superiores são responsáveis pelo fechamento sutil das costelas. Elas não realizam um grande fechamento porque tem pouco comprimento muscular.

Existem casos em que a combinação do diafragma hipertônico (que trabalha em posição baixa), contração dos músculos abdominais e força gravitacional empurram as vísceras para baixo. Assim, a PIA aumenta e os músculos do períneo ficam fadigados.

Oblíquo Interno

Esse músculos está na camada intermediária dos músculos largos e na verdade são dois: o direito e o esquerdo. Sua origem fica localizada na:

  • Crista Ilíaca
  • Fáscia Toracolombar
  • Dois Terços Laterais do Ligamento Inguinal

Ele tem a inserção nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba. Os oblíquos internos realizam a ação de fletir e rodar o tronco para o mesmo lado. Ao realizar experição forçada ele também está presente.

As fibras vermelhas desse músculos circundam a cintura indo para cima e também da pelve até as costelas. Por ter sua ação mais potente acima do umbigo ele comprimi as vísceras quando é contraído.

Por fim, também reforça a borda do ligamento inguinal contribuindo para a contenção inferior do abdômen.

Oblíquo Externo

O oblíquo externo é amplo, quadrangular e plano. Sua parte ventral é mais extensa que sua parte dorsal. O músculo recobre toda a face lateral do abdômen com sua porção muscular e também a face anterior aponeurótica.

Suas origens estão localizadas nas bordas inferiores da 5ª a 12ª costela. A inserção fica na:

  • Crista Ilíaca
  • Ligamento Inguinal
  • Lâmina Anterior da Bainha do Reto Abdominal

As aponeuroses se unem a linha alba.

Sua ação inclui comprimir o abdômen, fletir e rodar o tronco para o lado oposto. Assim como o oblíquo externo, ele também está presente na expiração forçada.

Os oblíquos internos também consegue direcionar as vísceras de cima para baixo graças ao direcionamento de suas fibras.

Ação dos Músculos Largos sobre a Linha Alba

Fonte: http://fisiar.com.br/diastase-abdominal/

São eles os responsáveis em sua contração simétrica pela diástase pois tracionam a linha alba em sentidos opostos. A contração do Transverso traciona a linha alba num direcionamento horizontal, por sua disposição de fibras.

O oblíquo externo afasta a linha alba obliquamente em sua região superior para baixo. E o oblíquo interno atua na região infra umbilical tracionando a linha alba num direcionamento cefálico.

Os músculos retos do abdômen não realizam a separação da linha alba por serem paralelos a ela.

Solicitar contrações mantidas à pacientes que já possuam pressão intra-cavitária elevada, pode ser muito perigoso. Esta elevação acentuada da pressão intra-abdominal pode gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos. Isso prejudica o funcionamento de todo o sistema visceral.

Esse excesso de pressão intracavitária também acontece sobre o assoalho pélvico. A longo prazo facilita a instalação de mecanismos de fuga, empurrando as vísceras para baixo. Blandine traz da França todo um novo conceito em seus livros sobre Pilates. Ela recomenda solicitar a realização do exercício na fase inspiratória sem o fechamento das costelas.

Essas ações tentam não sobrecarregar as vísceras. Além disso, ele preconiza que os exercícios sejam realizados na fase inspiratória evitando assim o aumento da pressão intra-abdominal durante os enrolamentos no Pilates.

Conclusão

Não existe uma fórmula mágica para conseguir um corpo que adere aos padrões de beleza. Não adianta o aluno achar que fazendo o Método Abdominal Hipopressivo, seja na aula de Pilates ou numa aula específica, vai ficar com a “barriga negativa”.

Ele precisa aliar atividades físicas, boa alimentação e o auxílio da hipopressiva para conseguir isso. Como instrutor, você precisa conscientizá-lo e mostrar o papel do Método Abdominal Hipopressivo nisso.

Conseguimos atuar principalmente diminuindo a pressão intracavitária, o que ajuda a deixar os resultados estéticos mais visíveis. Também proporcionamos uma série de benefícios para nosso aluno através da hipopressiva que vão muito além do estético.

E isso é mais um dos fatores que você deve mostrar a ele. Atividades físicas, na verdade, são sinônimo de saúde. A definição do corpo é um resultado da melhora nas condições de vida.

 

Referências Bibliográficas
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Por que o Conceito Hipopressórico é Contra Indicado para Hipertensão?

Por que o Conceito Hipopressórico é Contra Indicado para Hipertensão?

Antes de começar o texto, gostaria de deixar claro que essa contra indicação para quem possui hipertensão não diz respeito apenas ao MAH, mas a todos os métodos que usam o conceito hipopressorico. E você vai entender o porque! Vamos lá?

As doenças mais perigosas são aquelas que não nos dão nenhum alerta, ou seja, são assintomáticas, até que haja uma crise. Assim é com a Hipertensão Arterial Sistêmica, comumente chamada de “pressão alta.”

Ainda que apresente algum desconforto, a mesmo pode ser confundida com um mal estar ou dores de cabeça comum, fazendo com que o paciente sequer procure o médico.

O que é Hipertensão Arterial Sistêmica?

A Pressão Arterial é a força que o sangue exerce nas paredes das artérias. Quando esta força encontra-se aumentada de forma sustentada, caracteriza-se como Hipertensão Arterial.

Hipertensão Arterial é uma condição clínica multifatorial caracterizada por elevação continuada dos níveis pressóricos > ou igual 140 e/ou 90 mmHg.

Frequentemente associa-se a distúrbios metabólicos, alterações funcionais e/ou estruturais de órgãos-alvo, sendo agravada pela presença de outros fatores de risco, como Dislipidemia, Obesidade abdominal, intolerância à glicose e Diabetes Melito. (Lewington, 2002).

No Brasil, a hipertensão arterial atinge 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos, mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes por doença cardiovascular (DCV).

Geralmente as medidas da Pressão Arterial são divididas em: Sistólica e Diastólica.

  • Pressão Arterial Sistólica – Este valor é denominado de pressão arterial máxima, e é correspondente ao valor medido no momento em que o Ventrículo Esquerdo bombeia o sangue para a artéria Aorta. Normalmente este valor pode variar entre os 120 a 140 mmHg, sendo estes os valores de referência para que consideremos a pressão dentro dos valores normais.
  • Pressão Arterial Diastólica – Normalmente este valor é conhecido como pressão arterial mínima, correspondente ao momento em que o ventrículo esquerdo volta a encher-se para retomar todo o processo da circulação. Este valor geralmente está dentro da média dos 80 mmHg.

Em 2007, o Joint International Commitee, relatou alguns fatores de referência para a mensuração da P.A. sendo eles:

  1. Tensão Normal: Igual ou inferior a 12/9 ou 120 mmHg Sistólica por 90mmHg Diastólica;
  2. Pré-Hipertensão: Faixa que vai dos 12 a 13,9 (120 a 139) sistólica e/ou 8, 8,9 (80 a 89) Diastólica;
  3. Hipertensão: Igual ou superior a 14/9 ou 140 mmHg Sistólica por 90mmHg Diastólica;
  4. Hipotensão: Inferior a 9/6 ou 90 mmHg Sistólica por 60 mmHg Diastólica.

Estes valores, não são sempre os mesmos, e varia com a idade, gênero ou a coexistência de outras doenças crônicas ou fatores de risco, como:

  • Diabetes
  • Colesterol Elevado
  • Excesso de Peso/Obesidade
  • Tabagismo
  • Entre Outros

A presença de vários fatores agrava os efeitos de uma pressão arterial elevada e obriga o maior cuidado na abordagem da hipertensão.

De forma geral, considera-se que a pessoa é hipertensa se apresentar, em pelo menos duas ocasiões diferentes, um dos valores da pressão arterial (sistólica ou diastólica) ou ambos, iguais \ ou superiores a 140/90 mmHg, determinados por um profissional treinado e utilizando um aparelho calibrado e validado.

O profissional poderá esclarecer em cada caso quais são os melhores valores para cada perfil.

Efeitos da Hipertensão

A Hipertensão Arterial, com o tempo danifica as paredes arteriais, o que pode levar a uma série de complicações, como a Aterosclerose, na qual, se verifica espessamento e perda de elasticidade da parede arterial, por consequência do acúmulo de gordura por baixo do revestimento interno da parede arterial.

O que restringe o fluxo de sangue, ou possibilita a formação de coágulos, facilitando ataques do coração, ou AVC’s.

Além disso, os bloqueios vasculares relacionados com a arterioesclerose, podem afetar a retina ocular (Retinopatia Hipertensiva) o que, à longo prazo, causa transtornos na visão.

A Hipertensão não tratada pode causar várias lesões também ao coração.

Quanto maior for a pressão arterial, mais o coração esforça-se para bombear o sangue para a artéria principal, a Aorta.  O músculo cardíaco irá se adaptar a esse estresse crescente espessando suas paredes, criando uma hipertrofia do músculo cardíaco, gerando assim,

A Insuficiência Cardíaca, onde o risco de ter um ataque cardíaco aumenta em três ou quatro vezes.

Causas da Hipertensão

Entre os pacientes hipertensos, 95% não possuem causa orgânica, ou seja, ela é causada por predisposições hereditárias e fatores externos como, estresse, obesidade, ou alimentação.

Doenças orgânicas ou distúrbios hormonais são os responsáveis pela hipertensão em apenas 5% dos casos.

95% Primária: Relacionada ao meio ambiente, ou seja, a seu estilo de vida. Alimentação, sedentarismo, estresse, tabagismo, consumo de álcool, hereditariedade, etc.

5% Secundária: Causas que são identificáveis, como uso de alguns medicamentos, gravidez ou doenças renais.

Como Diagnosticar?

É fundamental o diagnóstico precoce da Hipertensão Arterial. Quanto mais cedo for diagnosticada, mais cedo se pode intervir e menores são os riscos no futuro.

Entanto, é preciso ter cuidado porque um valor elevado de forma isolada não significa que a pessoa seja hipertensa. Da mesma forma, fatores como o estresse e a atividade física ou sexual podem fazer elevar os valores da pressão arterial sem que isso signifique que a pessoa seja hipertensa.

Para o diagnóstico da hipertensão é necessário:

  • Pelo menos duas medições aumentadas, em duas ocasiões diferentes;
  • Profissional que esteja treinado para fazer a medição;
  • Aparelho (esfigmomanômetro) calibrado e validado e uma braçadeira adequada ao tamanho do braço.

Recomenda-se que realize a medida da pressão arterial a partir dos 18 anos de idade, pelo menos de 2 em 2 anos.

Como Controlar a Hipertensão Arterial?

Para controlar a hipertensão arterial é necessária uma conjugação de medidas farmacológicas e não farmacológicas:

Alimentação

O desenvolvimento de HA resulta da combinação de diversos fatores, nomeadamente ambientais, sendo que as alterações dietéticas podem prevenir a elevação da PA e o desenvolvimento de HA.

  • Comer de forma saudável é o segredo;
  • Faça uma alimentação diversificada, com reforço das frutas, dos legumes e vegetais;
  • Divida os alimentos por 6 refeições por dia;
  • Coma pouco de cada vez e devagar, mastigando bem os alimentos;
  • Modere o consumo de álcool
  • Diminua o consumo de sal. Pode substituí-lo por sumo de limão, ervas aromáticas, especiarias ou outros condimentos.
  • Evite os embutidos, enlatados, comidas pré-preparadas, aperitivos.
  • Além do elevado teor de sal que muitas vezes são também ricos em gorduras saturadas e colesterol.

Redução do Peso

Nas pessoas com excesso de peso ou obesidade, perder peso pode contribuir para reduzir o valor da pressão arterial.

  • Índice de massa corporal < 25 Kg/m2;
  • Perímetro abdominal < 102 cm nos homens e 88 cm nas mulheres.

Atividade Física

Pratique mais exercício físico:

  • Uma atividade física regular ajuda a baixar os níveis da pressão arterial, ao mesmo tempo que permite um controle do peso.
  • Deve escolher exercícios que compreendam movimentos cíclicos (como a natação, a marcha, a corrida ou a dança) e evitar esforços físicos intensos (por exemplo, levantar pesos ou empurrar objetos pesados), já que estes aumentam a pressão arterial durante o esforço.
  • Recomenda-se realizar 30 minutos de atividade física moderada a intensa por dia, 5 a 7 dias por semana.
  • Prefira as escadas ao elevador; andar mais a pé (na utilização dos transportes públicos, desça uma paragem antes, deixe o automóvel mais longe); ande de bicicleta.

Deixe de Fumar

  • Os fumantes têm, em média, menos dez anos de vida do que os não fumantes.
  • As doenças cardiovasculares são 2 a 4 vezes mais frequentes nos fumantes.
  • O tabaco é responsável por 20% da mortalidade por doença coronária.
  • Parar de fumar diminui o risco das doenças cardiovasculares:
  • Também diminui o risco de Câncer e doenças respiratórias como a Bronquite Crônica.

Estresse

O estresse é inevitável na vida. Cada pessoa tem o seu nível ideal.

Abaixo deste nível a pessoa sente-se desmotivada, aborrecida e incapaz de lidar com as situações do dia-a-dia. Acima deste nível, o estresse é causa de desconforto e eventual doença. Cada um deve tentar perceber qual o seu próprio nível para uma vida realizada.

Formas de lidar com o stress:

  • Evite o estresse desnecessário;
  • Altere a situação que provoca estresse;
  • Adapte-se ao fator que provoca estresse, ajustando a sua atitude;
  • Aprenda a aceitar aquilo que não pode mudar;
  • Arranje tempo para a diversão e relaxamento;
  • Adote um estilo de vida saudável.

Tratamento com Medicamentos

Quando o tratamento sem medicamentos não é suficiente, os fármacos são fundamentais.

O seu médico saberá qual o melhor tratamento para cada caso e poderá orientá-lo nesse sentido. A principal causa de hipertensão não controlada é a não adesão à terapêutica. Não deve suspender a sua medicação, pois coloca em risco a sua saúde.

O doente é o principal gestor da sua saúde e deve estar consciente da importância do cumprimento da medicação prescrita pelo seu médico.

Principais Anti-Hipertensivos

Para controlar a pressão o médico pode recomendar vários medicamentos, como:

1) Diuréticos

São remédios que atuam no rim e aumentam a eliminação de água e sal pela urina, como Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida ou Espironolactona, por exemplo. Além disso, aumentam a quantidade de urina e ajudam a diminuir o edema.

2) Vasodilatadores

Estes remédios que relaxam as artérias e veias do organismo, utilizados em doentes com hipertensão difícil de controlar, podendo ser utilizados juntamente com outro remédio anti-hipertensor. Exemplos de remédios vasodilatadores são o Minoxidil e a Hidralazina.

3) Bloqueadores dos Canais de Cálcio

Esta classe de anti-hipertensivos dilatam os vasos sanguíneos como a Nifedipina, Amlodipina, Nicardipina ou Verapamil, por exemplo.

4) Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina (IECA)

São muito usados no tratamento da hipertensão pois bloqueiam os efeitos de um hormônio produzido naturalmente pelos rins, a Angiotensina II.

Ao bloquear o efeito da Angiotensina II, os inibidores da ECA provocam o relaxamento dos vaso sanguíneos, reduzindo a Pressão Arterial. O Captopril, Enalapril, Ramipril ou Lisinopril, por exemplo, são exemplos dessa classe de medicamentos.

5) Beta Bloqueadores

Os beta bloqueadores fazem parte de um grupo de medicamentos que, além de ajudar no controle da pressão, diminuem a frequência cardíaca.

São medicações geralmente prescritas para pacientes jovens e mulheres, por terem, na sua maioria, a Frequência Cardíaca ligeiramente aumentada. São eles: o Propranolol, Atenolol, Carvedilol, Metoprolol e Nebivolol.

Efeitos Colaterais

Os efeitos colaterais dos remédios que controlam a hipertensão incluem:

  • Tonturas
  • Retenção de Líquidos
  • Alterações na Frequência Cardíaca
  • Dor de Cabeça
  • Vômitos
  • Náuseas
  • Sudorese
  • Impotência

Ao notar qualquer um destes efeitos, o indivíduo deve buscar ajuda médica, para que possíveis ajustes possam vir a ser feitos tanto na dose quanto na troca da medicação.

Para manter a pressão controlada pode-se fazer o uso combinado de medicações. Essas medicações, podem ser da mesma classe ou de classes diferentes. Porém, o seu uso deve ser sempre recomendado pelo médico para evitar interação medicamentosa.

Nos casos mais simples, o tratamento é realizado com o uso de apenas um medicamento, principalmente quando os valores não ultrapassam 160/90mmHg. No entanto, em alguns casos quando a pressão é superior e não estabiliza o médico recomenda o uso de 2 ou 3 medicações combinadas.

Podemos perceber que a Hipertensão Arterial é uma doença atual, resultante das condições de vida do homem moderno, que expressa sua forma de viver e as contradições sociais existentes.

Esse agravo, representa um alto custo social na saúde, portanto é imprescindível que o sujeito compreenda o processo da doença e participe da mudança do estilo de vida por meio das atividades de educação em saúde.

Método Abdominal Hipopressivo (MAH)

As pressões internas do corpo interferem no movimento muito além do que conseguimos imaginar. Por isso devemos compreendê-las e utilizar métodos para sua normalização.

É exatamente para isso que o existe o Método Abdominal Hipopressivo (MAH)!

O MAH é um método formado pelo conjunto de posturas estáticas e dinâmicas onde a via que as potencializará é o meio expiratório. O aluno deve expulsar todo o ar capaz de bloquear as vias respiratórias, com o diafragma torácico em alta e o aumento do CO2.

É importante compreender que para relaxar e alongar, o diafragma torácico deve estar em posição de expiração. Logo, o conceito hipopressivo é um exercício de potencialização da postura por estar em apneia expiratória.

A postura adotada gera produção de dopamina, como qualquer atividade física, a diferença é que no MAH não produzimos “lixo metabólico” (acido lático).

As apneias desenvolvidas geram hipercapnia (aumento de CO2), que gerarão, através do ácido carbônico, estímulo no Centro Pneumotáxico – centro respiratório, localizado especificamente na Ponte (tronco cerebral), estimulando à inspirar.

Por conta dessa apneia, o organismo entende como falência respiratória e aciona o neurotransmissor Simpático (Adrenalina) gerando todos os efeitos de aumento de Frequência Cardíaca e de Pressão Arterial para “resgaste” do organismo.

Apesar de muitos benefícios trazidos pelo MAH por conta de todos os adventos acima citados existem algumas contra – indicações para o seu uso.

Pacientes hipertensos são contra-indicados para uso da técnica, pois, já é sabido que o método gera uma variabilidade tanto na frequência cardíaca (FC) quanto na pressão arterial (PA) pelo estímulo da Adrenalina liberada pelo sistema Nervoso Simpático.

Nas posturas adotadas, a maioria em Isometria (técnica que mantém o uso do corpo em uma determinada postura fixa por determinado período), geramos vasoconstricção promovida pela contração muscular, o que pode acarretar aumento da resistência periférica e, consequentemente, aumento da pressão arterial diastólica.

Nas apneias utilizadas, aumentamos o nível de CO2 (gás carbônico) em relação ao nível de Oxigênio (O2) e esses ciclos de apneia que são gerados na técnica, causam alterações tanto na FC quanto na PA.

Vale ressaltar que para cada postura adotada utilizamos de 18 apneias gerando assim mais de 90 segundos nesse ciclo o que seria extremamente danoso a esse grupo especifico, os hipertensos.

Podemos concluir enfim, que o Método Abdominal Hipopressivo é um método bastante eficaz no que diz respeito tanto a questões estéticas quanto questões clinicas.

Podemos tratar de diversas situações, mas devemos ter cautela quanto a seu uso nessa parcela de pacientes pois, sendo utilizado nessa classe de pacientes, hipertensos, os resultados podem ser muito danosos e pouco ou quase nunca reversíveis.

Importante também ressaltar que essa contra indicação não se diz respeito apenas ao MAH, mas sim, todos os métodos que trabalham com o conceito hipopressorico!

 

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MAH – Saiba mais sobre algumas Contras Indicações menos comuns

MAH – Saiba mais sobre algumas Contras Indicações menos comuns

Algumas contraindicações do MAH são: Síndrome Vasovagal, Doença de Crohn e Doenças Cardíacas.

Por que?

No MAH usamos a apneia e aspiração visceral o que leva o organismo a trabalhar com hipercapnia (presença excessiva de dióxido de carbono CO2 no plasma sanguíneo), fazendo com que o sistema simpático e parassimpático trabalhe o tempo todo para regularização do organismo.

Síndrome Vasovagal causa uma síncope, que é a perda temporária da consciência provocada por uma diminuição do fluxo sanguíneo cerebral. Também conhecida como desmaio, a síncope normalmente tem início súbito, dura pouco tempo e a recuperação é total e espontânea.

Os desmaios podem ocorrer devido à:

  • Falta de Ventilação Adequada em Ambientes Lotados
  • Emoções Fortes
  • Medo
  • Jejum Prolongado
  • Permanecer em Pé por Tempo Prolongado
  • Insolação
  • Má Irrigação Sanguínea do Cérebro
  • Dor
  • Entre Outras

As causas da síncope são muito variadas e podem estar relacionadas a fatores cardiovasculares e não cardiovasculares. A maioria dos casos de síncope cardíaca é causada por arritmias. Este tipo de desmaio geralmente ocorre durante a prática de atividade física.

Já a síncope vasovagal, é a principal forma de desmaio que ocorre em adultos. O ataque vasovagal ocorre devido a um reflexo neurocardiogênico que provoca hipotensão arterial (pressão baixa) e bradicardia (diminuição dos batimentos cardíacos).

A síncope vasovagal pode ser desencadeada por:

  1. Emoção Muito Forte
  2. Medo
  3. Cansaço
  4. Dor
  5. Perda de Sangue
  6. Ambientes Mal Ventilados com Aglomeração de Pessoas
  7. Permanecer em Pé por Tempo Prolongado
  8. Entre Outros Fatores

Durante um ataque vasovagal a pessoa pode apresentar náuseas, transpiração intensa, salivação abundante, palidez e visão escurecida. Há ainda as síncopes causadas por medicamentos e distúrbios psiquiátricos, metabólicos ou endócrinos.

Nervos Cranianos

Nervos cranianos são os que fazem conexão com o encéfalo. Os 12 pares de nervos cranianos recebem uma nomenclatura específica, sendo numerados em algarismos romanos, de acordo com a sua origem aparente, no sentido rostrocaudal.

Eles estão ligados com o córtex do cérebro pelas fibras corticonucleares que se originam dos neurônios das áreas motoras do córtex, descendo principalmente na parte genicular da cápsula interna até o tronco do encéfalo.

Os nervos cranianos sensitivos ou aferentes originam-se dos neurônios situados fora do encéfalo, agrupados para formar gânglios ou situados em periféricos órgãos dos sentidos.

 

Os núcleos que dão origem a dez dos doze pares de nervos cranianos situam-se em colunas verticais no tronco do encéfalo e correspondem à substância cinzenta da medula espinhal.

De acordo com o Componente Funcional, os nervos cranianos podem ser classificados em Motores, Sensitivos e Mistos.

Os Motores (puros) são os que movimentam o olho, a língua e acessoriamente os músculos látero-posteriores do pescoço. São eles:

III – Nervo Oculomotor

IV – Nervo Troclear

VI – Nervo Abducente

XI – Nervo Acessório

XII – Nervo Hipoglosso

X – Nervo Vago

O nervo vago é misto e essencialmente visceral.

Emerge do sulco lateral posterior do bulbo sob a forma de filamentos radiculares que se reúnem para formar o nervo vago. Este emerge do crânio pelo forame jugular, percorre o pescoço e o tórax, terminando no abdome.

Neste trajeto o nervo vago dá origem a vários ramos que inervam a faringe e a laringe, entrando na formação dos plexos viscerais que promovem a inervação autônoma das vísceras torácicas e abdominais.

O vago possui dois gânglios sensitivos:

  1. Gânglio Superior – Situado ao nível do forame jugular;
  2. Gânglio Inferior – Situado logo abaixo desse forame.

Entre os dois gânglios reúne-se ao vago o ramo interno do nervo acessório.

  • Fibras Aferentes Viscerais Gerais: conduzem impulsos aferentes originados na faringe, laringe, traqueia, esôfago, vísceras do tórax e abdome.
  • Fibras Eferentes Viscerais Gerais: são responsáveis pela inervação parassimpática das vísceras torácicas e abdominais.
  • Fibras Eferentes Viscerais Especiais: inervam os músculos da faringe e da laringe.

As fibras eferentes do vago se originam em núcleos situados no bulbo, e as fibras sensitivas nos gânglios superior e inferior.

Um pouco mais sobre o Nervo Vago…

Os sinais e sintomas podem incluir:

  • Náuseas
  • Transpiração Intensa
  • Salivação Abundante
  • Palidez
  • Visão Escurecida
  • Fraqueza Muscular Generalizada
  • Incapacidade de se manter em pé
  • Perda da Consciência
  • Acompanhados de Queda Abrupta da Pressão Arterial e Diminuição dos Batimentos Cardíacos

Algumas pessoas podem apresentar também movimentos semelhantes aos de um ataque epiléptico durante uma síncope vasovagal. Contudo, vale lembrar que em alguns casos o indivíduo não manifesta nenhum sintoma.

O sistema nervoso autônomo é dividido em simpático e parassimpático. Ambos controlam o funcionamento automático do nosso organismo e têm funções opostas. Por exemplo, enquanto o sistema simpático aumenta os batimentos cardíacos e contrai os vasos sanguíneos, o parassimpático diminui os batimentos e dilata os vasos.

Em pessoas que não têm a síndrome vasovagal, os sistemas simpático e parassimpático trabalham em equilíbrio para compensar as variações da pressão arterial e dos batimentos cardíacos. Porém, quem tem a síndrome não possui essa capacidade.

A síncope vasovagal é causada por um reflexo neurocardiogênico que ocorre quando o indivíduo está na posição ortostática (em pé). Essa posição diminui a quantidade de sangue que chega ao coração, o que leva o sistema simpático a estimular o coração a bater mais depressa para compensar o menor volume sanguíneo.

Porém, esse estímulo provoca o reflexo de Bezold-Jarish, desencadeado pelo sistema parassimpático. Esse reflexo faz o coração abrandar e dilata os vasos sanguíneos, causando diminuição dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial. Como resultado, menos oxigênio chega ao cérebro e a pessoa desmaia.

Portanto na prática do MAH como trabalhamos com sistema simpático, isso pode levar a pessoa com síndrome vaso vagal à uma síncope pelo desequilíbrio do sistema autônomo simpático e parassimpático.

Isso também porque doenças inflamatórias tem contraindicação absoluta na prática do MAH.

Contra Indicação do MAH: O que é Doença de Crohn?

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória séria do trato gastrointestinal. O Crohn afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon), mas pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

A doença de Crohn é crônica e provavelmente provocada por desregulação do sistema imunológico, ou seja, do sistema de defesa do organismo. Inicia-se mais frequentemente na segunda e terceira décadas de vida, mas pode afetar qualquer faixa etária.

Como ela se comporta como a colite ulcerativa (em geral, é difícil diferenciar uma da outra), as duas doenças são agrupadas na categoria de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII).

Diferentemente da Doença de Crohn, em que todas as camadas estão envolvidas e na qual pode haver segmentos de intestino saudável normal entre os segmentos do intestino doente, a colite ulcerativa afeta apenas a camada mais superficial (mucosa) do cólon de modo contínuo.

Dependendo da região afetada, a Doença de Crohn pode ser chamada de ileite, enterite regional ou colite.

Para reduzir a confusão, o termo Doença de Crohn pode ser usado, para identificar a doença, qualquer que seja a região do corpo afetada (íleo, cólon, reto, ânus, estômago, duodeno).

Evolução da Doença

O curso da doença de Crohn é imprevisível. Alguns pacientes não têm nenhum sintoma até que ocorre um surto ou começam a surgir reclamações, que se modificam ao longo de um período.

A reação é diferente sempre, porque a doença de Crohn não progride da mesma maneira em todos os pacientes, o que também dificulta o diagnóstico e o controle dos sintomas. Porém, há uma classificação básica da doença, conforme os sintomas:

Leve a Moderada

Neste estágio, o paciente tem diarreia frequente e dor abdominal, mas pode andar e comer normalmente. Não está desidratado, nem tem febre alta. Também não sente dor abdominal forte, obstrução ou perda de peso de mais de 10%.

Moderada a Grave

É o paciente que falhou no tratamento de doença leve a moderada ou tem sintomas mais evidentes, como febre, perda de peso significativa, dor abdominal ou sensibilidade, náusea e vômitos intermitentes ou anemia significativa.

Fulminante

Sintomas persistentes apesar de ter passado pelo tratamento adequado para o estágio moderado ou grave da doença. Pode sentir febre alta e vômitos persistentes. O paciente apresenta também evidências de obstrução intestinal ou abcesso, além de perda de peso mais grave.

Sintomas de Doença de Crohn

A doença de Crohn habitualmente causa diarreia, cólica abdominal, frequentemente febre e, às vezes, sangramento retal. Também podem ocorrer perda de apetite e perda de peso subsequente.

A diarreia pode se desenvolver lentamente ou começar de maneira súbita, podendo haver também dores articulares e lesões na pele.

São comuns dores articulares (dores nas juntas), falta de apetite, perda de peso e febre. Outros sintomas precoces são lesões da região anal, incluindo hemorroidas, fissuras, fístulas e abscessos.

Algumas vezes a inflamação e as úlceras podem penetrar nas paredes dos intestinos, formando um abscesso (uma coleção de pus). Poderá também se formar uma conexão anormal com outras partes do intestino ou de outros órgãos, o que é chamado de fístula.

Outros sintomas da Doença de Crohn

Podem ocorrer sintomas que não têm nada com o trato digestivo. Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite ulcerativa podem causar problemas em outras partes do corpo. São eles:

Artrite: as articulações (normalmente os joelhos e os tornozelos) podem inchar, ficar doloridas e endurecidas. A artrite afeta cerca de 30% das pessoas com a doença de Crohn e 5% das pessoas com retocolite ulcerativa. Os medicamentos podem ajudar, mas os problemas normalmente desaparecem quando a inflamação intestinal é controlada.

Aftas: estas se assemelham a ferimentos ulcerativos. Desenvolvem-se normalmente durante os períodos de inflamação ativa do intestino. As feridas normalmente desaparecem quando a inflamação é tratada.

Febre: é um indicador de inflamação, de maneira que é comum ter febre durante o surgimento dos sintomas. Entretanto, a febre pode estar presente por semanas ou até meses antes do aparecimento dos sintomas da doença de Crohn. Quando a inflamação intestinal é tratada, a febre normalmente desaparece.

Sintomas Oculares: os olhos podem ficar inflamados – vermelhos, feridos e sensíveis à luz. Esses sintomas aparecem normalmente antes de um agravamento da enfermidade, e desaparecem quando os sintomas intestinais são tratados.

Sintomas de Pele: as pessoas podem desenvolver erupções cutâneas ou doenças fúngicas dolorosas e avermelhadas nas pernas. O tratamento dos sintomas intestinais, em geral, melhoram os sintomas de pele.

Conclusão

Para que o médico chegue ao diagnóstico correto, o paciente deve informá-lo sobre todos os sintomas, queixas e mudanças de comportamento, como o engano frequente em evitar refeições para deixar de ir ao banheiro.

Os sintomas da doença de Crohn são complexos e difíceis de identificar.

Portanto todo processo inflamatório é contraindicação absoluta por entrar nos sinais flogísticos e como no MAH trabalha com apneia e aspiração visceral causa muito desconforto e dores para o sistema digestório.