Qual a Função da Dopamina no Método Abdominal Hipopressivo?

Qual a Função da Dopamina no Método Abdominal Hipopressivo?

O Método Abdominal Hipopressivo vem buscando em todo seu conceito algo além. O conceito da estratégia do MAH é buscar a ativação do sistema nervoso simpático em busca da dopamina.

Mas por que a dopamina é tão buscada no Método Abdominal Hipopressivo?

A neurociência vem rapidamente avançando e fazendo muitas descobertas. A Dopamina tem sido muito estudada nas patologias neurológicas e nas disfunções do movimento humano. Ela é a substância produzida pelos neurônios, o que a caracteriza por ser um neurotransmissor.

Neurotransmissores são liberados quando o axônio de um neurônio pré-sináptico é excitado. Estas substâncias então viajam pela sinapse até a célula alvo, inibindo-a ou excitando-a. A disfunção na quantidade produzida e utilizada de neurotransmissores está intimamente ligada a depressão.

Os impulsos nervosos para passarem de um neurônio para outro, através do axônio, devem vencer um espaço existente entre eles, o qual é denominado de Fenda Sináptica. Esta função de passar e receber o estímulo, recebe o nome de Sinapse.

Para que os impulsos nervosos possam vencer esse espaço – o primeiro neurônio – através dos impulsos que chegam a sua terminação, liberam substâncias químicas que estimulam ou inibem o neurônio seguinte. Essas sustâncias químicas, sintetizadas e liberadas pelos neurônios, recebem o nome de neurotransmissores, os quais têm um papel fundamental no nosso sistema nervoso.

Mecanismo de Ação dos Neurotransmissores

Os neurotransmissores são armazenados em vesículas neuronais. Uma vez que ocorre a liberação, estas vesículas decaem na fenda sináptica, reagindo diretamente com os receptores situados nas membranas do neurônio seguinte.

Parte do neurotransmissor pode ser reaproveitada pelo próprio neurônio que a liberou, ou pode ser rearmazenada novamente em vesículas neuronais recém sintetizadas. Para que haja o rearmazenamento, deve haver a recepção do neurotransmissor liberado pelo próprio neurônio.

É possível ainda que outra parte do neurotransmissor seja metabolizada ou destruída por enzimas, e seus produtos eliminados no organismo.

Os neurônios precisam ter esses neurotransmissores sempre à disposição para serem sintetizados a qualquer momento. Assim, sempre que um neurotransmissor é liberado, ocorre a síntese e o armazenamento de novas moléculas de neurotransmissor, bem como novas vesículas neuronais para substituir as que foram utilizadas.

Quando é sintetizado e não utilizado, o neurotransmissor necessita ficar armazenado a espera de um momento preciso para ser liberado.

Dopamina

Dopamina é um inibidor e, dependendo do local onde atua, apresenta diferentes funções, como por exemplo, a dopamina no gânglio basal (no interior do cérebro) é essencial para execução de movimentos suaves e controlados – a falta dela é a causa da doença de Parkinson, a qual faz a pessoa perder a habilidade de controlar seus movimentos.

A dopamina se move até o lóbulo frontal regulando o grande número de informações que vem de outras partes do cérebro. Portanto, comprometer as quantias do neurotransmissor pode resultar em pensamentos incoerentes, como na esquizofrenia.

Também é responsável pelo sentimento de euforia, assim como a endorfina. É capaz de acalmar a dor e aumentar o prazer se estiver em grande quantidade no lóbulo frontal.

Molécula de Dopamina

(C8H11NO2)

Ela está presente nas suprarrenais, indispensável para a atividade normal do cérebro e sua ausência provoca a doença de Parkinson. Estes sintomas estão associados à morte de células cerebrais que produzem um neurotransmissor, a dopamina, numa parte do cérebro chamada substância negra.

A dopamina é um neurotransmissor monoaminérgico, da família das catecolaminas e das feniletilaminas que desempenha vários papéis importantes no cérebro e no corpo. Neurotransmissor chave para várias funções cerebrais, incluindo o controle locomotor e sistemas de recompensa.

É um neurotransmissor fundamental para a motivação, foco e produtividade.

Ao longo de muitos anos, uma riqueza de informações sobre Dopamina foi acumulada e levou a um interesse crescente no papel em uma infinidade de doenças do sistema nervoso central. Essas características da Dopamina são exploradas em relação a uma gama de doenças neurológicas e neuropsiquiátricas.

Uma das principais funções do controle executivo é a adaptação flexível ao nosso ambiente em constante mudança. Os circuitos executivos do cérebro devem, portanto, não apenas monitorar e manter metas comportamentais atuais, mas também incorporar novos objetivos e regras, inclusive posturais.

Essa atualização pode vir na forma de uma integração rápida de conhecimento previamente adquirido quando, por exemplo, um estímulo bem conhecido informa a um animal sobre uma mudança nas contingências de recompensa.

Em muitos casos, no entanto, essa atualização requer novo aprendizado, por exemplo, quando um novo estímulo é encontrado pela primeira vez. Funções executivas são comumente atribuídas ao córtex pré-frontal e redes fronto estriatais. A função destes circuitos depende fortemente da neuromodulação, em particular da dopamina.

Há cerca de 100 bilhões de neurônios no cérebro humano, tanto quanto como as estrelas da Via Láctea. Estas células se comunicam entre si através de substâncias químicas do cérebro chamadas neurotransmissores.

Ela desempenha um papel em vários distúrbios mentais, incluindo depressão, dependências, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e esquizofrenia.

A Dopamina tem sido chamada de nossa “molécula da motivação.”

Ela aumenta o nosso direcionamento, foco e concentração e nos permite planejar com antecedência e resistir aos impulsos, para que possamos alcançar nossos objetivos, quando realizamos o que nos propusemos a fazer. Faz-nos competitivos e proporciona a emoção da “caçada” em todos os aspectos da vida .

A Dopamina é responsável pelo nosso sistema de prazer e recompensa. Ela nos permite ter sentimentos de prazer, felicidade e até mesmo euforia. Mas pouca Dopamina pode deixar-nos fora de foco, desmotivados, apáticos e até mesmo deprimidos.

Muitos dos sintomas comuns da deficiência de Dopamina são semelhantes aos da depressão:

  • Falta de Motivação
  • Fadiga
  • Apatia
  • Procrastinação
  • Incapacidade de Sentir Prazer
  • Baixa Libido
  • Problemas de Sono
  • Mudanças de Humor
  • Desespero
  • Perda de Memória
  • Incapacidade de se Concentrar

Estudos mostram que ratos de laboratório deficientes de Dopamina tornaram-se apáticos e letárgicos, e que faltou motivação para comer e morreram de fome. Por outro lado, algumas pessoas com baixa concentração de Dopamina compensam isso com comportamentos autodestrutivos, para conseguir um aumento na dopamina.

Pode ser usada nas seguintes situações:

  1. Para Doença de Parkinson (contém L-dopa natural)
  2. Para Impotência e Disfunção Erétil
  3. Como Afrodisíaco e para Aumentar a Testosterona
  4. Como Anabólico e Androgênio – Fortalecendo os Músculos e Ajudando a Estimular o Hormônio do Crescimento
  5. Ajudando na Perda de Peso

Dopamina e Exercícios Físicos

O exercício físico é o melhor estímulo que o seu cérebro pode receber, pois ele aumenta a produção de novas células cerebrais, retarda o seu envelhecimento e melhora o fluxo de nutrientes para o cérebro. Ele também pode aumentar seus níveis de dopamina e os neurotransmissores do “bem-estar”, serotonina e noradrenalina.

Dr. John Ratey, psiquiatra renomado e autor de “Centelha: A Revolucionária Nova Ciência do Exercício e do Cérebro”, estudou extensivamente os efeitos do exercício físico sobre o cérebro. Ele descobriu que o exercício aumenta os níveis basais de dopamina, promovendo o crescimento de novos receptores nas células cerebrais.

A Dopamina é responsável, em parte, pela elevada experiência dos corredores profissionais.

Mas você não precisa se exercitar vigorosamente para aprimorar seu cérebro. Fazer caminhadas ou exercícios suaves sem impacto como yoga, tai chi, ou qi gong produzem poderosos benefícios para a mente e o corpo.

Essas atividades aumentam a Dopamina, afastam a depressão e protegem contra o envelhecimento do cérebro.

Ouvir música pode causar de liberação de Dopamina. Estranhamente, você não tem sequer que ouvir a música para obter este neurotransmissor, que flui apenas pela antecipação da escuta.

Sistema de Recompensa do Cérebro para Equilibrar a Dopamina

A Dopamina funciona como um mecanismo de sobrevivência, liberando energia quando uma grande oportunidade está na sua frente. A Dopamina nos recompensa quando nossas necessidades estiverem satisfeitas.

Mas, de acordo com Dra. Loretta Graziano Breuning, autora do livro “Conheça seus produtos químicos da felicidade: dopamina, endorfina, ocitocina, a serotonina”, nós não somos projetados para experimentar um frisson de dopamina incessante.

Dopamina e Neurociência

Descobertas recentes apresentam estudos sobre o pico de Dopamina e sua relevância sobre o assunto movimento.

Para a maioria das pessoas, dar o primeiro passo em uma caminhada ou a primeira pedalada numa bicicleta parece ser tão simples como dar os seguintes passos e continuar a viagem. No entanto, uma equipe de neurocientistas da Fundação Champalimaud e da Universidade da Columbia, nos EUA, detectou uma diferença importante entre o arranque e o resto da caminhada.

Os neurocientistas perceberam que os neurônios que liberam um mensageiro químico são essenciais para iniciar um movimento. Essa descoberta pode ter implicações no tratamento da doença de Parkinson.

Segundo explicam em um artigo publicado na revista Nature, os neurônios responsáveis pela produção de Dopamina (e que são afetados na doença de Parkinson) são fundamentais, sobretudo para iniciar um movimento, e especialmente os movimentos mais vigorosos.

Um exemplo a ser considerado são os testes em ratos, basta ativar os neurônios que produzem dopamina durante meio segundo para que iniciem um movimento.

Os movimentos simples e voluntários tornam-se tarefas difíceis para os doentes com Parkinson. Estes sintomas estão associados à morte de células cerebrais que produzem um neurotransmissor – a dopamina – em uma parte do cérebro chamada substância negra

A bradicinesia, normalmente descrita como uma diminuição da probabilidade de movimento ou lentidão na sua execução é um dos principais sintomas motores desta patologia, além dos tremores e rigidez. Agora os neurocientistas esclarecem um dos mecanismos do “motor de arranque” para o movimento.

Nos experimentos e testes, a precisão da medição e da gravação do início do movimento, a atividade neuronal do movimento espontâneo observou se na existência de um pico de Dopamina, minutos antes do movimento, os neurônios ficam mais ativos, explica o líder da equipe Rui Costa, neurocientista da Fundação Champalimaud.

Na observação em ratos (sem Parkinson), o aumento dos níveis de dopamina antes de um movimento “é tão maior quanto mais rápido o movimento será a seguir.” Assim, depois de feita a correlação entre os níveis de Dopamina e o início de um movimento, os cientistas experimentaram “desligar” e “ligar” estes neurônios em diferentes alturas.

A técnica usada e chamada de optogenética, nos permite ligar e desligar os neurônios de ratinhos e ver durante as diferentes fases do movimento, o que os neurônios estão ou não estão a realizar.

Percebe-se que são neurônios francamente menos relevantes durante o movimento. Sabedores que o aumento da Dopamina, antes de um movimento “é tão maior quanto mais rápido o movimento será a seguir.”

Este estudo ganhou o Prémio Pfizer em 2017, na categoria de Investigação Básica, ainda antes de ser publicado numa revista científica.

Uma pitada de Dopamina no segundo certo ativa os neurônios, durante meio segundo para promover o movimento com maior vigor do que sem a atividade desses neurônios.

As experiências, descritas agora no artigo na Nature, mostraram que quando desligamos estes neurônios antes de um movimento, o ratinho tem problemas em começar a mexer-se. Sabe se também que se desligado estes neurônios durante um movimento já iniciado, o resultado do movimento não era afetado.

Da mesma forma, a ação também continuava sem perturbações se estes neurônios fossem ativados durante um movimento em curso.

Conclusão

Talvez seja possível encontrar outras estratégias que consigam aumentar a Dopamina apenas no momento em que é mais necessária, antes de iniciar o movimento.

E, talvez isso possa ajudar estes doentes a fazer um tratamento mais específico e com menos efeitos secundários.

Descobertas recentes assim nos norteiam sobre maiores bases da importância dos neurônios e a relação movimento, saúde, tratamentos e patologias, sugerindo assim ainda mais estudos na área para conclusões mais abrangentes.

E assim, seguimos buscando em nossos métodos maneiras de incentivar a molécula da motivação.

 

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Hipopressiva é um bom Método para Fortalecer Músculos do Assoalho Pélvico?

Hipopressiva é um bom Método para Fortalecer Músculos do Assoalho Pélvico?

A incontinência urinária é um dos muitos distúrbios do assoalho pélvico que nossas alunas e pacientes podem desenvolver.

Isso acontece porque a vida moderna é hiperpressórica, fazendo com que o estresse imposto sobre esses músculos acabe gerando problemas.

Nesse artigo discutiremos os benefícios do método hipopressivo para tratamento e prevenção de distúrbios do assoalho pélvico. Continue lendo para entender porque você deveria adotar esse método em aula para ajudar suas alunas.

Importância dos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP)

Se você pode tossir, espirrar ou praticar esportes sem se preocupar com suas funções urinárias e fecais, agradeça ao assoalho pélvico (AP). Suas musculaturas possuem papel importante para:

  • Sustentar Órgãos Pélvicos
  • Permitir a Passagem do Feto no Parto
  • Proporcionar Ação Esfincteriana para a Bexiga
  • Proporcionar Continência Urinária e Fecal

Olha que estou resumindo essa lista. Na verdade, os músculos do assoalho pélvico estão envolvidos em diversos processos, inclusive nas funções sexuais.

Esse conjunto muscular é dividido em duas camadas: superficial e profunda. A camada superficial é composta pelos músculos do períneo e tem como principais funções manter a continência urinária e possibilitar o ato sexual.

A camada profunda é composta pelos músculos do diafragma pélvico. São eles que realizam a sustentação das vísceras, mesmo quando existe aumento da pressão intra-abdominal (PIA).

Esses músculos contraem rapidamente assim que ocorre algum aumento de pressão para manter a posição dos órgãos. Eles também possuem esfíncteres que permanecem fechados.

Os esfíncteres só se abrem quando defecamos ou urinamos, causando um relaxamento nessa musculatura. Para que ocorra continência urinária, a bexiga e a musculatura do períneo devem estar coordenados nas fases de esvaziamento e enchimento.

Quando existem disfunções do assoalho pélvico, é possível utilizar técnicas de reeducação perineal. Só existe um problema que encontramos em boa parte de nossas pacientes femininas: a maioria não tem consciência do assoalho pélvico e é incapaz de ativá-lo com comando verbal.

Disfunções do Assoalho Pélvico

Existem diversas disfunções do assoalho pélvico que podem ser tratadas através da fisioterapia. Elas incluem:

  • Incontinência Urinária
  • Prolapsos de Órgãos Pélvicos
  • Hiperatividade Vesical
  • Disfunções Sexuais
  • Disfunções Anorretais

Uma das mais conhecidas é a incontinência urinária, que afeta tanto homens quanto mulheres, mas principalmente as mulheres.

Ao contrário da crença popular, incontinência urinária não acontece somente em idosas. Pessoas mais jovens também podem desenvolvê-la, especialmente praticantes de esportes com impacto.

Na atividade esportiva a pressão intra-abdominal sobe rapidamente a curto prazo por causa do treinamento. Combinando esse aumento de pressão com a frequente fraqueza ou falta de ativação correta do assoalho pélvico pode acontecer perda de urina pontual.

Pessoas incontinentes podem sofrer perda involuntária de urina em qualquer ação que leve ao aumento da pressão intra-abdominal. Isso inclui rir, tossir, espirrar, fazer esforço físico e subir escadas.

Assim como todos os outros distúrbios do assoalho pélvico, a incontinência gera graves problemas para a portadora. Além do desconforto de perder urina, a pessoa aumenta as possibilidades de desenvolver problemas psicológicos relacionados.

Em idosos, a incontinência também aumenta a probabilidade de quedas. Com a perda de funções proprioceptivas e motoras, o idoso pode facilmente tropeçar e cair ao tentar correr para o banheiro.

Quando possível, os distúrbios do assoalho pélvico devem ser prevenidos. Quando não for, devemos tratá-los da melhor maneira possível. Como veremos nesse artigo, ambas as opções são possíveis com o uso do método hipopressivo.

Tratamentos para Disfunções do Assoalho Pélvico

Quando falamos nas disfunções do assoalho pélvico podemos encontrar diversas soluções.

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Obviamente, considerando nossa área de atuação, falarei sobre as opções conservadoras de tratamento. Elas também são as mais recomendadas por terem boa eficiência e serem pouco invasivas.

Podemos citar diversas técnicas usadas para trabalhar o assoalho pélvico, como:

Todos os métodos usados têm como objetivo fortalecer e melhorar a ativação do assoalho pélvica. Para isso, eles utilizam contrações voluntárias para reeducar o padrão de ativação dessas musculaturas e melhorar a continência.

Os cones vaginais, por exemplo, fornecem estímulos para melhorar a ativação muscular e ganho de força na região. Também existem os exercícios de Kegel, uma técnica que consiste em realizar e manter contrações dos músculos do períneo.

Alguns profissionais até escolhem mesclar técnicas para obter melhores resultados com suas pacientes.

Por que o Método Abdominal Hipopressivo é uma boa opção?

É claro que na hora de escolher um método para realizar fortalecimento do assoalho pélvico sou uma defensora do método hipopressivo. Ele proporciona uma série de benefícios, incluindo diminuição da PIA e correções posturais.

Além disso, as posições utilizadas geram uma ativação sinérgica dos músculos do assoalho pélvico.

Através do seu uso rotineiro é possível prevenir distúrbios como prolapsos genitais e incontinência pós-parto. Indivíduos que praticam a técnica também conseguem tonificar musculaturas do AP e normalizar a tensão de estruturas musculares. Ou seja, é tudo que nossas alunas precisam para evitar incontinência e outros problemas.

Durante a manobra hipopressiva a aluna aspira as vísceras para cima por meio da respiração diafragmática.

Detalhe: isso é feito através de aspiração, não deve ocorrer contração do transverso do abdômen ou outras musculaturas abdominais. A manobra gera contração reflexa dos músculos do assoalho pélvico e diminui a PIA. O indivíduo também realiza uma tração da aponeurose umbilical pré-vesical sobre a fáscia pélvica.

Usar a técnica em aula é uma maneira de complementar o tratamento bastante eficiente. Estudos indicam que pacientes tratadas com o método abdominal hipopressivo conseguem melhora nos sintomas, com algumas até alcançando a cura da incontinência.

Uma das grandes vantagens de usar o método é o controle da PIA. Muitas mulheres são incapazes de realizar uma contração do assoalho pélvico na nossa aula. Quando recebem esse comando podem até empurrar as vísceras para baixo, sobrecarregando o períneo e aumentando a pressão intra-abdominal.

Portanto, devemos sempre usar a técnica para evitar problemas.

Conclusão

Tratar ou prevenir distúrbios do assoalho pélvico é algo ainda bastante difícil e problemático para profissionais do movimento. Encontramos uma forte resistência por parte das próprias mulheres que geralmente evitam buscar ajuda médica.

Boa parte das mulheres afetadas por incontinência urinária não buscam tratamento por desconhecimento ou por considerar a condição normal. Outras acham vergonhoso apresentar a incontinência e não querem discutir o assunto com profissionais.

Outro problema que encontramos é durante o próprio tratamento, que geralmente envolve pedir contração do assoalho pélvico. A maioria das mulheres sequer conhece esses músculos ou tem noção do seu funcionamento.

Como resultado, elas são incapazes de realizar uma contração eficiente e ainda fazem ativação de músculos acessórios.

Com o uso do método abdominal hipopressivo conseguimos bons resultados no tratamento. As pacientes que são submetidas à técnica também conseguem melhoras posturais e de consciência corporal que ajudam a prevenir o retorno da condição.

Bibliografia
Quando usar Abdominais Hipopressivos na minha Aula?

Quando usar Abdominais Hipopressivos na minha Aula?

Depois de virar febre, os abdominais hipopressivos parecem uma solução mágica para todo tipo de aula.

Alguns dizem que emagrece, deixa o abdômen mais definido e que ajuda no tratamento de patologias. Como já falei no meu artigo sobre mitos da hipopressiva, algumas dessas informações são verdade e outras não.

Mas não é exatamente isso que pretendo discutir neste artigo. Na verdade, quero mostrar como usamos a hipopressiva em aula e em quais alunos ela deve ser aplicada. Já vou adiantando que conseguimos benefícios com o uso do método em quase todos os casos.

Benefícios dos Abdominais Hipopressivos

O método abdominal hipopressivo é conhecido por auxiliar a diminuir a pressão intra-abdominal.

Entre outros benefícios, também são exercícios responsáveis por fortalecer o períneo e diminuir a compressão de discos intervertebrais. Ou seja, conseguimos desenvolver uma coluna mais saudável e sem dores.

Quanto ao fortalecimento do períneo, precisamos lembrar que essa musculatura realiza a contração vaginal. Os exercícios também aumentam a circulação sanguínea na região, gerando mais sensibilidade. Por isso, a pessoa que pratica abdominais hipopressivos consegue aumentar a sensação de prazer durante o sexo.

A longo prazo teremos um sistema postural mais eficiente com circuitos neuronais autoexcitadores mais desenvolvidos. A atividade respiratória melhora já que os abdominais hipopressivos estimulam os centros expiratórios do tronco cerebral. Ao mesmo tempo, eles inibem os centros inspiratório.

O assoalho pélvico consegue ficar mais tonificado, assim como a faixa abdominal. Um de seus grandes benefícios que deve ser lembrado é o fortalecimento de musculatura abdominal profunda.

Esses efeitos tonificadores acontecem por causa da apneia expiratória que realizamos com os exercícios. Isso provoca um estado similar à hipercapnia. Com a ativação ou inibição dos centros respiratórios supraespinais também conseguimos alterar a tensão postural dos músculos relacionados a eles.

Será que devo usar Exercícios Abdominais Tradicionais?

Muitas pessoas se perguntam por que usar exercícios abdominais hipopressivos e não os abdominais tradicionais. Todo mundo sabe fazer os abdominais e parece até mais fácil de aplicar na aula, então por que não utilizá-los?

Existem estudos que mostram o efeito negativo dos abdominais clássicos, especialmente para mulheres. Sua influência é extremamente negativa sobre o tônus do assoalho pélvico feminino e pode ainda causar impacto nas patologias de prolapso pelviano.

O que chamamos de exercício abdominal é, na verdade, uma maneira de aumentar a pressão intra-abdominal. Sem maneiras de diminuí-la depois, a aluna acaba com maior carga sobre o períneo e a coluna. Além disso, esses exercícios são menos eficientes que a hipopressiva para gerar controle de músculos abdominais.

Ao praticar os abdominais hipopressivos, conseguimos melhorar o controle de musculaturas abdominais. Isso acontecer através de uma melhor percepção do abdômen e seus órgãos. A hipopressiva possui maior comprovação científica para seus usos terapêuticos em patologias. Podemos usá-la no tratamento de:

  • Artralgias Crônicas
  • Dorsalgias
  • Lombalgias
  • Cervicalgias
  • Ciatalgias
  • Escolioses Idiopáticas
  • Fadiga Crônica
  • Outros

Os abdominais hipopressivos não são um mero fortalecimento abdominal. Na verdade, podemos considerá-los exercícios posturais que também trabalham o ritmo respiratório. Durante as posições, o aluno passa por um trabalho proprioceptivo usando os seguintes pontos:

  • Anteriorização do Eixo de Gravidade: O aluno varia o eixo de gravidade e o desloca para a frente.
  • Autocrescimento Axial: Estiramento axial da coluna para provocar uma tensão dos espinhais profundos e extensores da coluna.
  • Decoaptação da Articulação do Ombro: Abdução das escápulas.
  • Respiração Costal: Respiração diafragmática com uma fase inspiratória e expiratória lenta e monitorada pelo terapeuta.
  • Apneia Expiratória: Fase de expiração total do ar e apneia mantida.

Praticantes com maior experiência realizam a apneia expiratório por 10’’ a 20’’. Nessa fase também é necessário realizar uma abertura costal para simular esse tipo de respiração, mas sem uma inspiração subsequente.

O movimento provoca um fechamento das glotes e contração voluntária do serrátil e músculos elevadores da caixa torácica. Na fase de apneia expiratória temos um relaxamento e sucção do diafragma, promovendo menor pressão torácica e abdominal.

O que devo saber antes de realizar Abdominais Hipopressivos?

Apesar de ser extremamente eficiente e comprovado para o tratamento de patologias, devemos tomar alguns cuidados ao aplicar o método na aula. Eles nunca devem ser realizados imediatamente após comer, dê essa instrução ao seu aluno.

Também devemos instruir o aluno corretamente que os músculos não são contraídos durante a sucção. Nenhum músculo é contraído, e a aspiração é realizada pela diferença de pressão. Os exercícios devem ser feitos com uma frequência de 3 a 5 vezes na semana para apresentar resultados.

Por último, o programa de treinamento deve ser realizado de maneira gradual. Inicialmente o aluno realiza poucas contrações e aumentamos esse número aos poucos. Sempre devemos respeitar os limites do corpo para evitar complicações.

Posso usar Abdominais Hipopressivos para Emagrecer?

Só a hipopressiva é incapaz de levar ao emagrecimento, apesar de ser um método eficiente para fortalecer músculos abdominais.

Se o aluno quiser atingir o emagrecimento precisa também realizar uma alteração drástica na dieta, que deve envolver um consumo menor de açúcar e calorias.

Além disso, ele precisa aumentar seu consumo energético ao realizar outros exercícios. Algumas sugestões são bicicleta, corridas e caminhadas. Porém, só os abdominais hipopressivos não terão o efeito desejado de emagrecimento.

A hipopressiva é um método que envolve um baixo gasto calórico por sessão. Assim, não auxilia na queima de gordura e só pode complementar o emagrecimento quando existem outras estratégias.

O que a hipopressiva realmente faz é deixar o abdômen mais tonificado quando já existe uma menor quantidade de gordura corporal.

Quando usar o Método Abdominal Hipopressivo

Existem diversas indicações para usar o método. Ele é bastante recomendado para mulheres no período pós-parto, por exemplo. Sua prática reduz as sequelas e ainda ajuda a aliviar dores lombares e prevenir a incontinência urinária. É claro que ao trabalhar com essas mulheres precisamos respeitar os limites impostos pelo médico.

Outra possibilidade de uso é no trabalho postural para melhorar a estabilização lombar. Usar os abdominais hipopressivos é uma ótima maneira de diminuir dores lombares e melhorar a postura do aluno sem aumentar a pressão sobre suas vísceras.

Quem sofre com incontinência e flacidez dos órgãos como vagina, bexiga, ânus e reto também deve incluir a hipopressiva no tratamento. Como já sabemos, as posições melhoram a tonificação do assoalho pélvico e de diversos músculos da faixa abdominal. Ou seja, também melhora a força contrátil do períneo, melhorando a continência.

Os resultados podem aparecer mais rapidamente em pacientes que são capazes de realizar as séries de maneira correta.

Quanto mais experiente se tornar o praticante, mais benefícios conseguirá com a prática. Como esses exercícios exigem muita concentração e consciência corporal, iniciantes ainda são incapazes de usarem todo seu potencial.

Você perceberá ao aplicar abdominais hipopressivos na aula que nem todos evoluem rapidamente.

Respeite essa característica do aluno e dê a ele o tempo necessário para atingir seus objetivos. Só o deixe ciente que os abdominais hipopressivos devem ser realizados da maneira correta para melhores resultados.

Além disso, devemos entender que ninguém apresenta melhora nas primeiras sessões ou semanas. Seus benefícios geralmente aparecem após pelo menos 4 semanas de terapia.

Quando não usar a Hipopressiva

Apesar de seus inúmeros benefícios, nem todos pacientes podem usar a hipopressiva.

Indivíduos hipertensos ou com patologias cardíacas, por exemplo, precisam de um acompanhamento especial e geralmente não podem praticar a técnica.

Grávidas também devem respeitar seu período de gravidez, usando a hipopressiva somente 3 semanas antes da data do nascimento da criança. Essa prática precisa ser orientada por profissionais especializados.

Importância do Fortalecimento Pélvico para Continência Urinária

Importância do Fortalecimento Pélvico para Continência Urinária

Algumas mulheres desenvolvem um certo medo de praticar atividades físicas por causa da incontinência urinária. Esse é um problema extremamente comum em mulheres relativamente jovens, especialmente atletas.

É de se esperar que uma praticante de atividades físicas teria musculaturas do assoalho pélvico fortes, mas esse nem sempre é o caso.

Considerando a alta incidência do problema em nossas pacientes, precisamos entender como funciona a continência urinária. Também devemos encontrar maneiras de trabalhar o assoalho pélvico sem fadigá-lo de maneira a melhorar a continência urinária.

Por que usar Exercícios de Sucção Abdominal?

Existem diversos exercícios e tratamentos propostos para a incontinência urinária, incluindo métodos cirúrgicos. Trago aqui a proposta de usar movimentos de sucção abdominal, tal como usamos no método hipopressivo.

Durante a sucção abdominal a zona abdominal deve ser recolhida para trás e para cima. Isso é bem diferente de contrair para trás e para cima como alguns alunos e até instrutores fazem.

Dou ênfase a essa característica porque na sucção abdominal não existe contração de músculos abdominais. Na verdade, durante o movimento essas musculaturas permanecem passivas.

O método começou a ser usado no ocidente por alguns fisiculturistas que o chamavam de vacum abdominal. Ele ganhou popularidade entre esse meio porque notaram que os músculos abdominais se tornavam mais salientes depois de realizá-los. O motivo está na física.

De acordo com a fórmula que aprendemos desde o colégio até a faculdade, pressão é igual a força dividida pela área (P=F/A).

Ou seja, quando diminuímos a PIA (pressão intra-abdominal) temos um aumento na área do saco visceral. Isso também leva a uma diminuição da área externa e o efeito de diminuição da cintura que as mulheres buscam e a saliência de músculos abdominais que fisiculturistas querem.

Os estudos sobre efeitos das pressões intracavitárias começaram na Europa mais ou menos na década de 1990. Inicialmente, o método era usado para reabilitar disfunções pós-parto do assoalho pélvico e sua eficiência tem sido comprovada desde então.

O que é Sinergia Abdomino-Pélvica?

Em pesquisas, alguns autores perceberam que existe um aumento de atividade dos músculos abdominais durante a contração do assoalho pélvico. Apesar dessa atividade, não era observada contração da musculatura abdominal.

Portanto, percebe-se que existe uma sinergia entre os músculos abdominais e do assoalho pélvico. É isso que chamamos de sinergia abdomino-pélvica. Isso significa que a contração durante músculos abdominais faz com que o músculo pubococcígeo também se contraia.

Assim, o colo vesical se estabiliza e mantém-se na posição retropúbica. Como resultado, as pressões transmitidas da cavidade abdominal ao colo vesical e uretra proximal se igualam e mantém a continência urinária.

Esse mesmo processo acontece sempre que ocorre uma contração abdominal, como no espirro e na tosse.

Para manter a continência urinária e fecal precisamos de uma pressão de fechamento adequada. Isso só acontece através da atividade sinérgica entre músculos abdominais e do assoalho pélvico. A sinergia acontece de maneira coordenada elevando a pressão no abdômen e fornecendo suporte aos órgãos pélvicos.

Alguns estudos mostram que quando existe uma contração voluntária de músculos do assoalho pélvico, acontece uma ativação simultânea de músculos:

  • Transversos Abdominal
  • Oblíquo Interno
  • Oblíquo Externo
  • Reto Abdominal

Como acontece a Sinergia Abdomino-Pélvica

É através dessa ativação que ocorre o aumento da pressão esfincteriana. Quando acontecem aumentos repentinos da pressão intra-abdominal acontece uma atividade reflexa dos músculos do assoalho pélvico. Isso é o que chamamos de reflexo guardião.

A tosse e o espirro devem ser gerados através de um padrão do tronco cerebral. Portanto, a ativação de músculos do assoalho pélvico é uma ativação prévia. Não seria propriamente um reflexo ao aumento da pressão intra-abdominal, mas sim simultânea ou até com poucos segundos de antecedência.

Também é possível que exista uma resposta reflexa adicional dos músculos do assoalho pélvico por causa da distensão de fusos musculares na musculatura abdominal.

Alguns autores estimam que a pressão para fechamento da uretra e ânus aumenta antes do aumento da PIA. Assim, músculos abdominais, assoalho pélvico e diafragma seriam ativados de maneira pré-programada por atividade do sistema nervoso central.

Ou seja, o mecanismo de ativação de músculos do períneo para manter a continência urinária não seria uma resposta ao aumento da PIA. Na verdade, seriam mecanismos nervosos centrais que podem ser regulados pela vontade em algumas situações.

Músculos do Assoalho Pélvico para manter a Continência Urinária

Mulheres continentes têm a contração automática dos músculos do assoalho pélvico precedente ao aumento da PIA.

Como a contração é prévia, acontece antes do aumento da PIA, percebemos que a resposta é pré-programada. Essa não pode ser uma resposta reflexa resultante de um aumento da pressão intra-abdominal.

Existem artigos que mostram o comportamento dos músculos do assoalho pélvico em esforços como a tosse. Resultados mostram que mulheres incontinentes têm um padrão de recrutamento sinérgico alterado em relação à ativação do assoalho pélvico.

Os músculos do períneo precisam ser ativados corretamente com o objetivo de manter a continência. Isso precisa acontecer de acordo com o aumento da contração dos músculos abdominais que geram aumento da PIA.

Musculaturas do períneo estão entre as principais responsáveis por manter a continência urinária. Isso acontece através da melhora na pressão de fechamento da uretra e por manter a posição do colo vesical.

Mesmo sem movimentos da coluna lombar, pelve ou caixa torácica, é possível observar recrutamento dos músculos ao contrair o assoalho pélvico.

Conclusão

No Brasil, um estudo epidemiológico encontrou prevalência de 35% de perda urinária em esforço em mulheres de 45 a mais de 60 anos. A queixa em mulheres atletas é maior, entre 22% e 47%, variando de acordo com a atividade.

As causas ainda não são completamente conhecidas e também são pouco discutidas. A incontinência urinária é um problema comum em mulheres entre 25 e 49 anos de idade. Atividades físicas de alto impacto são fatores de risco para seu desenvolvimento.

Também existem outros fatores de risco, como:

  • Constipação
  • Tosse Crônica de Fumantes
  • Doença Pulmonar
  • Obesidade
  • Ocupações que exigem Levantamento Excessivo de Peso

De maneira geral, profissionais atribuem a incontinência urinária a processos que levam à fraqueza dos músculos do assoalho pélvico. Porém, considerando o que observamos nesse artigo, talvez esse não seja o caso.

É possível que a verdadeira causa seja falta de treinamento específico para musculaturas do assoalho pélvico para condicionar a atividade reflexa desses músculos. Treinamento que pode ser obtido através do uso de exercícios de sucção abdominal como a hipopressiva.

 

Bibliografia
  • CONTRIBUIÇÃO À ANATOMIA – ESTUDO MORFOLÓGICO DO ASSOALHO PÉLVICO
  • EM MULHERES ASSINTOMÁTICAS: USO DA IMAGEM POR RMN.
  • CONTRIBUCIÓN AL ESTUDIO ANATOMO-MORFOLÓGICO DEL SUELO PÉLVICO EN LA MUJER ASINTOMÁTICA: UTILIZACIÓN DE LA IMAGEN POR RMN.
  • Marcel Caufriez1, 2, 3, 4, Juan Carlos Fernández Domínguez5, Benjamin Bouchant4, Marc Lemort6 y Thyl Snoeck1, 4, 7.
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Como acontece o aumento das Pressões Intracavitárias do Corpo?

Como acontece o aumento das Pressões Intracavitárias do Corpo?

Para trabalhar com movimento de maneira eficiente precisamos compreender o efeito que nossas atividades têm na pressão do corpo. Existe uma série de pressões internas que regulamentam o corpo e, quando alteradas, elas podem causar diversos desequilíbrios.

Essas pressões são como balões no corpo. São três balões ao todo, cada um deles sendo uma das cavidades internas. As cavidades, obviamente, interagem umas com as outras, geralmente alterações entre elas. As principais cavidades para as colunas de pressão são:

  • Abdômen
  • Tórax
  • Crânio

Quando a pressão interna de uma delas muda, as restantes também se alteram. Em um corpo que tem seu bom funcionamento fisiológico, essa interdependência leva a um bom gerenciamento das pressões intracavitárias.

Porém, muitos corpos não são assim e tem o aumento das pressões relacionado a patologias.

Como funcionam as Pressões Intracavitárias?

Quando fazemos um movimento que tira a coluna vertebral do seu equilíbrio estático ativamos um reflexo que chamamos de “ajuste postural antecipatório”. Ele acontece antes de qualquer movimento, mais ou menos 20 milisegundos antes para ser exata.

Nesse momento a pressão intra-abdominal (PIA) aumenta para dar estabilidade à coluna vertebral.

É um mecanismo simples. Os músculos estabilizadores são pré-ativados pelo córtex cerebral e trabalham em sincronia. Sua contração é responsável por criar uma alavanca flexora da coluna vertebral.

De acordo com pesquisas de Hodges e outros pesquisadores, os principais músculos nessa ação seriam:

  • Diafragma Torácico
  • Transverso Abdominal
  • Períneo

Outras pesquisas demonstram que existem outras musculaturas atuando juntamente e essa acima. Elas se ativam tanto no processo respiratório quanto na postura. Chamamos esse fenômeno de ativação da série muscular.

Nenhum músculo que existe na série é totalmente autônomo. Quando um deles se contrai o restante é ativado por sinergia.

A atividade postural antecipada responsável por uma flexão da coluna também gera uma pré-compensação por uma alavanca extensora. Isso acontece pela contração de músculos extensores do tronco e paravertebrais.

Portanto, podemos dizer que existe um reflexo pré antecipatório que dispara antes mesmo do outro. Sem a combinação das alavancas flexoras e extensoras, a coluna vertebral não consegue manter sua estabilidade.

De acordo com Hodges e outros, a PIA é essencial para a manutenção da postura. Ela é aumentada pela contração desses músculos que realizam os reflexos antes do movimento. Essa relação também pode ocorrer ao inverso: quando existe um aumento da PIA os músculos relacionados à estabilização da coluna também se contraem.

Esse é o funcionamento de uma coluna de pressão no corpo chamada de pósturo-respiratória muscular. Existem também a coluna pressórica visceral. Ela acontece pela ação do diafragma torácico que cria um pistão que produz movimentos viscerais sistemáticos e repetitivos. Isso serve para dissipar pressões, proteger as vísceras e ajudar o retorno de sangue venoso e linfático.

Funcionamento das Coluna de Pressão

As pressões intracavitárias e colunas de pressão ajudam a manter o controle postural. Elas também atuam na respiração ou qualquer outra atividade que leve a um aumento da PIA. Alguns exemplos são:

  • Fala
  • Riso
  • Choro
  • Micção
  • Defecação
  • Parto

A PIA também atua na pressão anti refluxo e na respiração diafragmática.

Nesse segundo caso, é preciso que aconteça um aumento das pressões para que o diafragma tenha uma contração correta. A PIA aumenta durante a descida do diafragma, mantendo seu centro frênico em posição alta e ajudando as fibras externas a aderirem à caixa torácica.

É esse contato com as costelas que gera o mecanismo de alavanca e o movimento de alça de balde das costelas.

Ou seja, a respiração seria impossível sem a ação da pressão intra-abdominal. A respiração só acontece sem essa ação quando é realizada pelos músculos intercostais, tornando-se uma respiração torácica, mas perde muito da sua eficiência.

As vísceras abdominais também ganham mobilidade graças ao pistão diafragmático durante a respiração. Toda vez que respiramos elas se adaptam para dissipar a pressão e proteger os elementos nobres que existem na região como vasos e estruturas nervosas.

A PIA também faz com que o mecanismo anti refluxo funcione. O diafragma crural entra em contração com o aumento da PIA. As fibras dessa musculatura que cercam o hiato esofágico ajudam no fechamento para impedir que o conteúdo gástrico retorne ao esôfago.

A PIA é responsável por regular o fluxo do sangue venoso entre o abdômen e o tórax. O diafragma realiza um movimento rítmico na cavidade abdominal que alterna entre bloqueios e liberação do fluxo do sangue. É como se realizasse o bombeamento do mesmo.

O mesmo acontece com o fluxo de sangue venoso dos membros inferiores para o abdômen.

Sem a atuação da PIA permite que todas essas funções aqui mencionadas aconteçam. Quando ela está alterada elas podem ser parcialmente comprometidas. Seu aumento deve ser transitório, se for crônico e permanente veremos distúrbios funcionais, falha nos órgãos e alguns casos podem ser fatais.

Alterações que ocorrem nas Pressões Intracavitárias

A PIA pode ser medida por via intra bexigal quando o paciente encontra-se em posição deitada com os abdominais relaxados. Nessa posição, considera-se um aumento patológico quando está igual ou acima de 12mm de hg.

Quando a pessoa apresenta valores maiores estamos lidando com um caso de hipertensão abdominal. Acima de 20mm de hg existe a Síndrome Compartimental Abdominal. Quando existe a hipertensão ou Síndrome Compartimental o paciente precisa de descompressão.

De acordo com alguns autores, o abdômen funciona da mesma maneira que um sistema hidráulico. Sua pressão interna normal varia de 5 a 7mm de hg.

De acordo com Cernea, mais de 10mm de hg já provoca danos para os órgãos intra e extra-abdominais. O sistema nervoso central também sofrem com um aumento de pressões intracavitárias.

Não existe um consenso sobre os valores normais e patológicos das pressões intracavitárias. Mesmo assim, pequenas variações são o suficiente para criar uma situação patológica no corpo.

Parece que o aumento da PIA tem efeitos no corpo não somente por seus valores, mas também pelo tempo que permanece aumentada. Ou seja, os valores da PIA podem aumentar temporariamente sem causar danos. Mas quando esse aumento deixa de ser transitório, ele compromete a homeostasia e gera um quadro patológico.

Quanto maior for o tempo em que a pressão intra-abdominal permanecer aumentada, maior será seu impacto sobre a saúde. De acordo com pesquisas, mesmo pequenos aumentos da PIA causam danos graves no corpo se permanecerem por muito tempo.

Alguns exemplos são:

  • Atraso da Cicatrização de Feridas
  • Danos e Insuficiência Renal
  • Problemas no Sistema Digestório
  • Dificuldades Respiratórias
  • Problemas Cardiovasculares
  • Danos ao Sistema Nervoso Central
  • Aumento de Endotoxinas Bacterianas no Sangue
  • Transmigração Bacteriana através das Membranas Celulares

As pressões intracavitárias deveriam ser um mecanismo para favorecer a respiração, o controle postural e a circulação venosa. Em alguns casos, elas se tornam uma bomba que pode causar uma série de problemas para o corpo de acordo com o tempo de aumento.

Conclusão

Ao iniciar esse artigo falei a respeito de músculos que controlam a PIA e outras pressões do corpo. Eles agem de maneira sinérgica de acordo com sua pré-programação no córtex cerebral.

Para que contraiam em conjunto durante as tarefas posturais existe o mecanismo de ajuste postural antecipatório que é ativado pelo aumento da PIA.

Apesar de ser essencial para funções vitais, as pressões quando aumentadas provocam situações negativas. Isso pode acontecer por uma série de variáveis, incluindo problemas dos mecanoceptores do aparelho músculo esquelético, sistema vestibular, formação reticular, áreas corticais e subcorticais, entre outras.

Para regularmos a PIA durante nossas aulas, seja de Pilates ou outras modalidades, podemos adotar o uso do método hipopressivo. Ele ajuda a regularmos a pressão intra-abdominal, evitando que nossas atividades prejudiquem o aluno ao invés de ajudá-lo.

O Método Abdominal Hipopressivo realmente leva à Barriga Negativa?

O Método Abdominal Hipopressivo realmente leva à Barriga Negativa?

O Método Abdominal Hipopressivo começou a virar febre quando alguns meios de comunicação começaram a anunciá-lo como o método da barriga negativa.

O argumento é que a prática da hipopressiva fortalece músculos abdominais de maneira mais eficiente, sendo até melhor que as abdominais tradicionais. Já falei em outro artigo sobre a comparação entre hipopressiva e abdominal, então pularemos essa discussão por enquanto.

A resposta para essa dúvida é sim e não. Realmente conseguimos trabalhar musculaturas abdominais profundas de maneira bastante eficiente com o Método Abdominal Hipopressivo.

Porém, precisamos conscientizar o aluno que só a prática do Método Abdominal Hipopressivo não é o suficiente para alcançar a tão sonhada “barriga chapada”.

Para ter um abdômen definido, a pessoa precisa ter uma alimentação correta. Cerca de 80% do processo acontece através de uma dieta com baixa ingestão de gordura. Na verdade, para alcançar a barriga negativa o aluno precisa de um baixo índice de gordura corporal.

O Método Abdominal Hipopressivo atua através do fortalecimento de musculaturas profundas do abdômen e também ao diminuir a pressão intracavitária. Existem casos em que só diminuindo a pressão o aluno conseguirá o resultado que deseja.

Para que você compreenda como a hipopressiva ajuda a chegar ao resultado estético que nossos alunos sonham mostrarei um pouco da atuação das musculaturas do abdômen na pressão intra-abdominal (PIA).

Músculos do Abdômen

Reto Abdominal

Esse músculo fica localizado à frente do tronco.

Ele compõe a camada mais superficial da musculatura abdominal e possui fibras predominantemente vermelhas. Porém, sua área é entrecortada por áreas não contráteis fasciais. Os retos abdominais são recobertos pela bainha do reto do abdômen, que tem a função de manter esses músculos em posição. A bainha é formada pelas aponeuroses do oblíquo externo, interno e transverso do abdômen.

O reto do abdômen é longo e aplanado. Ele recobre a face anterior do abdômen e é intercedido pelas intersecções tendíneas, que são faixas tendinosas. Dependendo da pessoa, os números dessas interseções variam.

Estou falando dessas musculaturas porque são os responsáveis pelo enrolamento da unidade tronco. Também realizam a elevação do púbis em direção ao umbigo e o abaixamento do esterno também em direção ao umbigo. Perceba que essa é uma zona de convergências de forças importantes.

Quando acontece o enrolamento do tronco, a coluna vertebral é mobilizada indiretamente de maneira retificadora nas regiões torácica baixa e lombar. Muitas vezes encontramos alunos que precisam flexibilizar esses músculos.

Sem flexibilidade, os retos abdominais nos puxam para o enrolamento. Tal falta de flexibilidade pode ser causada pelo sedentarismo e até posicionamento inadequado durante o trabalho.

Quer ajudar seu aluno a conseguir a tão sonhada barriga negativa? Fique sabendo que os retos abdominais empurram as vísceras para dentro ao se contrair. Dessa maneira acabam aumentando a pressão intracavitária.

Músculos Largos

Para entender melhor como funciona a pressão intracavitária precisamos compreender também os músculos largos. Eles ficam nas laterais do tronco e se opõe ao reto do abdômen. São eles:

Transverso do Abdômen

Dentro todos os músculos largos esse é o mais profundo. Sua origem fica localizada na:

  • Crista Ilíaca
  • Fáscia Toracolombar
  • Dois Terços Laterais do Ligamento Inguinal

A inserção do transverso do abdômen fica nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e da linha alba. Ele se estende inferiormente sobre o ligamento inguinal e a prega inguinal.

Preste atenção nisso: o transverso é cortado pela linha alba à frente e atrás pela fáscia tóraco lombar. Já mencionei em outros artigos e pesquisas também mencionam a interdependência desses dois transversos há mais de 10 anos.

Precisamos entender esse músculos porque ele tem uma ligação íntima com as questões viscerais. O transverso do abdômen está envolvido em processos como:

  • Fonação
  • Vômito
  • Tosse
  • Espirro
  • Entre Outras

Ele é importantíssimo no Método Abdominal Hipopressivo e também para conseguir a barriga chapada que todos sonhos através da diminuição da pressão abdominal. Ao se contrair, ele diminui o diâmetro da cintura. Como resultado, pode aumentar bastante a PIA.

A cintura fininha é formada pelas fibras médias horizontais do transverso. As fibras inferiores realizam a proteção dos órgãos da pelve menor das diferenças da PIA que ocorrem o tempo todo. Quando essas fibras se contraem ela também alargam as cristas ilíacas.

As fibras superiores são responsáveis pelo fechamento sutil das costelas. Elas não realizam um grande fechamento porque tem pouco comprimento muscular.

Existem casos em que a combinação do diafragma hipertônico (que trabalha em posição baixa), contração dos músculos abdominais e força gravitacional empurram as vísceras para baixo. Assim, a PIA aumenta e os músculos do períneo ficam fadigados.

Oblíquo Interno

Esse músculos está na camada intermediária dos músculos largos e na verdade são dois: o direito e o esquerdo. Sua origem fica localizada na:

  • Crista Ilíaca
  • Fáscia Toracolombar
  • Dois Terços Laterais do Ligamento Inguinal

Ele tem a inserção nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba. Os oblíquos internos realizam a ação de fletir e rodar o tronco para o mesmo lado. Ao realizar experição forçada ele também está presente.

As fibras vermelhas desse músculos circundam a cintura indo para cima e também da pelve até as costelas. Por ter sua ação mais potente acima do umbigo ele comprimi as vísceras quando é contraído.

Por fim, também reforça a borda do ligamento inguinal contribuindo para a contenção inferior do abdômen.

Oblíquo Externo

O oblíquo externo é amplo, quadrangular e plano. Sua parte ventral é mais extensa que sua parte dorsal. O músculo recobre toda a face lateral do abdômen com sua porção muscular e também a face anterior aponeurótica.

Suas origens estão localizadas nas bordas inferiores da 5ª a 12ª costela. A inserção fica na:

  • Crista Ilíaca
  • Ligamento Inguinal
  • Lâmina Anterior da Bainha do Reto Abdominal

As aponeuroses se unem a linha alba.

Sua ação inclui comprimir o abdômen, fletir e rodar o tronco para o lado oposto. Assim como o oblíquo externo, ele também está presente na expiração forçada.

Os oblíquos internos também consegue direcionar as vísceras de cima para baixo graças ao direcionamento de suas fibras.

Ação dos Músculos Largos sobre a Linha Alba

Fonte: http://fisiar.com.br/diastase-abdominal/

São eles os responsáveis em sua contração simétrica pela diástase pois tracionam a linha alba em sentidos opostos. A contração do Transverso traciona a linha alba num direcionamento horizontal, por sua disposição de fibras.

O oblíquo externo afasta a linha alba obliquamente em sua região superior para baixo. E o oblíquo interno atua na região infra umbilical tracionando a linha alba num direcionamento cefálico.

Os músculos retos do abdômen não realizam a separação da linha alba por serem paralelos a ela.

Solicitar contrações mantidas à pacientes que já possuam pressão intra-cavitária elevada, pode ser muito perigoso. Esta elevação acentuada da pressão intra-abdominal pode gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos. Isso prejudica o funcionamento de todo o sistema visceral.

Esse excesso de pressão intracavitária também acontece sobre o assoalho pélvico. A longo prazo facilita a instalação de mecanismos de fuga, empurrando as vísceras para baixo. Blandine traz da França todo um novo conceito em seus livros sobre Pilates. Ela recomenda solicitar a realização do exercício na fase inspiratória sem o fechamento das costelas.

Essas ações tentam não sobrecarregar as vísceras. Além disso, ele preconiza que os exercícios sejam realizados na fase inspiratória evitando assim o aumento da pressão intra-abdominal durante os enrolamentos no Pilates.

Conclusão

Não existe uma fórmula mágica para conseguir um corpo que adere aos padrões de beleza. Não adianta o aluno achar que fazendo o Método Abdominal Hipopressivo, seja na aula de Pilates ou numa aula específica, vai ficar com a “barriga negativa”.

Ele precisa aliar atividades físicas, boa alimentação e o auxílio da hipopressiva para conseguir isso. Como instrutor, você precisa conscientizá-lo e mostrar o papel do Método Abdominal Hipopressivo nisso.

Conseguimos atuar principalmente diminuindo a pressão intracavitária, o que ajuda a deixar os resultados estéticos mais visíveis. Também proporcionamos uma série de benefícios para nosso aluno através da hipopressiva que vão muito além do estético.

E isso é mais um dos fatores que você deve mostrar a ele. Atividades físicas, na verdade, são sinônimo de saúde. A definição do corpo é um resultado da melhora nas condições de vida.

 

Referências Bibliográficas
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Links Sections of Health Services Research and Gastroenterology, Houston Veterans Affairs Medical Center and Baylor College of Medicine, Houston, Texas 77030, USA.