Pilates ajuda a Aliviar Ansiedade? Entenda os Benefícios do Método

Pilates ajuda a Aliviar Ansiedade? Entenda os Benefícios do Método

Todos sentimos ansiedade em algum momento da vida. Antes de uma prova, por exemplo, o estudante sente aquele acelerar o coração e aumento da pressão arterial característicos da emoção. O mesmo acontece em momentos de estresse excessivo, como numa prova esportiva, ou momentos de perigo. É uma reação normal do corpo preparando-se para ativar o mecanismo de fuga ou luta.

No entanto, a vida moderna criou um estilo de vida tão cheio de ansiedade que ela pode tornar-se uma condição crônica. Algumas pessoas sofrem de ansiedade e medo extremo em situações simples do cotidiano, podendo apresentar sintomas físicos sérios.

Também é possível que aconteçam ataques de pânico, especialmente em pacientes que apresentam síndrome do pânico. Os sintomas, em casos mais graves, são bastante similares a um ataque cardíaco. Deu para perceber a gravidade do problema?

Mas o que nós, como profissionais do movimento podemos fazer? Sozinhos nada. A ansiedade é um problema que precisa de ajuda psicológica especializada para ser tratada. No entanto, praticar modalidades, como o Pilates, pode trazer benefícios interessantes para esses pacientes. Pelo menos quando eles também possuem um acompanhamento psicológico adequado.

Reação do corpo à ansiedade

Antes de começar a explicar os benefícios do Pilates ao corpo de um indivíduo com ansiedade, vale a pena entender um pouco mais seus sintomas. Durante um episódio ansioso o corpo libera hormônios que o permitem fugir ou lutar numa emergência. No entanto, a vida atual não permite simplesmente fugir ou brigar fisicamente com problemas.

Assim, o paciente passa por aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação dos brônquios, menor mobilidade do intestino, dilatação das pupilas e maior liberação de glicose no sangue. É o ideal para quem está se preparando para lutar um round de 4 minutos de boxe ou fugir de um leão na savana. Mas não é perfeito para um trabalhador de escritório que fica sentado 8 horas por dia.

A liberação constante do hormônio cortisol durante esses episódios também pode prejudicar o organismo, causando aumento da massa adiposa, diminuição da produção de muco gástrico e maior fadiga muscular e cerebral.

Como o Pilates pode ajudar a aliviar ansiedade?

Pessoas ansiosas possuem pior qualidade de vida, além de pior desempenho no trabalho e estudo. Portanto, encontrar forma de diminuir a ansiedade, seja ela em níveis patológicos ou controlados, porém maléficos, é importante. O Pilates é uma boa forma graças a sua aplicação dos princípios determinados por Joseph Pilates.

Os exercícios proporcionam melhor condicionamento físico, fortalecimento muscular, flexibilidade, entre muitos outros benefícios que já conhecemos. Como resultado, o indivíduo que pratica o Método de forma regular consegue melhorar sua energia corporal e resistência física.

Além disso, a prática proporciona melhorias no padrão de sono. Considerando que a falta de sono pode ser tanto sintoma quanto causadora da ansiedade, é um benefício importante.

Também considera-se que a forma de trabalhar a respiração no Pilates é uma forma de aliviar a ansiedade. Quando estamos sob estresse o corpo apresenta uma respiração mais forçada e que causa fadiga. Aprender a controlá-la também ajuda a diminuir a liberação de hormônios característicos do quadro.

Por fim, também temos o relaxamento muscular, que é tão importante em indivíduos ansiosos. Pessoas extremamente tensionadas tendem a sentir mais dores, algo que torna-se um ciclo que alimenta o quadro, ao invés de aliviar ansiedade.

Fatores que auxiliam a aliviar ansiedade

Praticar Pilates realmente ajuda a aliviar a ansiedade, estresse e até a melhorar quadros depressivos. No entanto, ele não é o suficiente para que nossos alunos ansiosos consigam melhora completa na sua qualidade de vida. Quando percebermos esse tipo de quadro é importante orientá-los para, primeiramente, buscar ajuda profissional especializada.

Além disso, indivíduos que sofrem com ansiedade extrema devem tentar adotar algumas mudanças simples no estilo de vida. Oriente seus alunos a começar uma dieta balanceada, com quantidade controlada de sal e muita ingestão de água, verduras e legumes. Outra ideia interessante é começar práticas que contribuam para o alívio da mente, como a meditação.

Medicina oriental também pode ter efeitos para aliviar a ansiedade, então podemos recomendar que busquem acupuntura ou massagem para complementar o tratamento. Devemos sempre lembrar que não somos profissionais da saúde mental. Se o aluno realmente precisa de ajuda ele deve buscar um psicólogo ou terapeuta para tratar seu quadro.

Pilates para aliviar ansiedade em estudos

Estudos mostram que Pilates realmente é bastante eficiente para o controle e alívio da ansiedade. Um experimento com 70 trabalhadores do setor bancário mostrou os efeitos que massoterapia e Pilates possuíram no bem-estar, estresse e ansiedade dos profissionais.

O estudo dividiu os indivíduos em três grupos: controle, massoterapia e Pilates. Enquanto o grupo controle só recebeu orientações verbais para aliviar a ansiedade e estresse, os outros dois passaram por tratamento com as respectivas modalidades. Tanto o grupo de massoterapia quanto o de Pilates conseguiram melhora significativa na escola HAD, usada para medir ansiedade e depressão.

Conclusão

A ansiedade é uma condição bastante comum no mundo atual e prejudica muito a vida do seu aluno. Quer proporcionar melhor qualidade de vida? Treino periódico de Pilates pode ajudar e muito na condição, aliviando sintomas e até diminuindo episódios de crises.

No entanto, lembre ao seu aluno que os benefícios proporcionados pela prática são temporários. Aliviar a ansiedade exige treinos semanais para manter os benefícios e relaxamento muscular. Quem treina de vez em quando sequer consegue aproveitar tudo que o Pilates proporciona.

 

 

Bibliografia
Pilates como aliado no Tratamento de Incontinência Urinária em Mulheres

Pilates como aliado no Tratamento de Incontinência Urinária em Mulheres

Incontinência urinária (IU) é uma perda involuntária da urina pela uretra. Conhecido como um dos distúrbios mais frequentes no sexo feminino, se manifesta na quinta ou na sexta década de vida, porém, também pode ter apresentação em mulheres mais jovens.

A sustentação dos órgãos pélvicos se dá através das estruturas musculares e produzem a contração da uretra para evitar a perda urinária. Esses músculos do Assoalho Pélvico, quando com IU, tornam-se mais frágeis nas mulheres, provocando assim o escape involuntário. Que tal saber mais sobre a Incontinência Urinária em Mulheres? Vamos ler mais!

Causas da Incontinência Urinária em Mulheres

A incontinência pode ocorrer devido às anomalias de posição, como de fixação da uretra e colo vesical. A eliminação da urina é controlada pelo Sistema Nervoso Autônomo, podendo ser comprometida nas seguintes situações:

  • Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico;
  • Gravidez;
  • Parto;
  • Doenças que comprometem a bexiga;
  • Obesidade;
  • tosse crônica;
  • Aumento da pressão intra-abdominal;
  • Hiperatividade da bexiga.

Segundo REIS, pode-se classificar a IU de várias maneiras, entre os tipos mais comuns são:

  1. Incontinência urinária de esforço (IUE), perda de urina quando tosse, ri, movimenta-se e associada com atividades físicas que aumentam a pressão intra-abdominal.
  2. Incontinência urinária de urgência (IUU), mais grave que a de esforço, caracterizada pela vontade súbita de urinar, ocorrendo uma perda involuntária de urina associada a um forte desejo de urinar;
  3. Incontinência urinária mista (IUM), essa associa os dois tipos de incontinência a IUE e a IUU além da impossibilidade de controlar a perda de urina pela uretra.

Para o tratamento das disfunções provocadas na musculatura do assoalho pélvico (MAP) se requer conhecimento. As formas de condicionamento dessa musculatura podem evitar a perda de função, seja por falta de exercícios ou por alterações decorrentes do processo do envelhecimento.

Sabe-se que a Incontinência Urinária em Mulheres, através do treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) tem efeito positivo na melhora da função desse grupo muscular, no qual comumente é treinado isoladamente ( BARBOSA, 2014).

Avaliação do Assoalho Pélvico

Para que haja um tratamento adequado, é essencial a avaliação do assoalho pélvico conciliado com acompanhamento dos resultados. Atualmente, não existe uma ferramenta de avaliação que seja considerada padrão-ouro.

Entretanto, o Comitê Internacional de Continência (ICS) recomenda que avaliação da musculatura do assoalho pélvico (MAP) seja realizada por meio da palpação vaginal e perineometria, dentre outros, com profissionais capacitados em fisioterapia pélvica (KOSIBA, 2011).

Recentemente, como complemento de tratamento ao modelo padrão de tratamento da fisioterapia pélvica na Incontinência Urinária em Mulheres, inclui-se o Método Pilates (MP).

Relação entre o Pilates e a Incontinência Urinária em Mulheres

O Pilates, trás e faz uma abordagem do corpo e da mente, envolvendo movimentos lentos e controlados. Tem como foco a postura e respiração, e vem cada vez mais agregado nos programas de reabilitação na fisioterapia.

Sabe-se que, em geral, não se é realizada previamente uma avaliação funcional do assoalho pélvico para potencializar o treinamento com os exercícios do Método Pilates. O que seria fundamental, caso o objetivo do treinamento incluísse o fortalecimento da musculatura profunda da pelve (KOSIBA, 2011).

O Pilates é uma forma de exercício de baixo impacto, envolvendo uma gama de movimentos que tanto fortalece quanto aumentam a flexibilidade de todo o corpo. Os músculos trabalham em sinergia, em vez de trabalhar apenas um músculo específico (MAZZARINO M., 2017).

A sinergia nessa região são músculos profundos abdomino-pélvica, sabe-se que o sinergismo entre o assoalho pélvico e o Transverso Abdominal tem sido base para estudos recentes.

Fortalecimento do Assoalho Pélvico

Esses, apoiam a ideia de que as MAP são uma parte intrínseca do complexo fisiológico dos músculos abdominais, uma vez que esta sinergia pode ser alterada em mulheres com disfunções do assoalho pélvico (AP).

A associação da contração perineal ao fortalecimento abdominal, tem a função de potencializar e é explicado pelo efeito de fortalecimento entre a MAP e a ação do transverso abdominal. O resultado surge com o aumento da força perineal, em um aumento de força abdominal.

A contração da musculatura abdominal ocorre simultaneamente à contração do AP, demonstrando ação sinérgica abomino-pélvica de maneira voluntária ou não. A maioria das atividades físicas não envolve contração voluntária desses músculos durante a realização de exercícios que aumentem a pressão intra-abdominal (PIA) (FERLA L., 2016).

O transverso do abdômen é o principal músculo abdominal responsável por gerar a PIA. Graças à orientação horizontal de suas fibras, a contração desse músculo resulta em diminuição da circunferência abdominal, o que leva ao aumento da tensão da fáscia tóraco-lombar e, por fim, ao aumento da PIA.

No entanto, alguns autores contradizem esse achado e relatam parecer que uma contração do transverso abdominal pode não elevar o assoalho pélvico (para apoiar os órgãos) em todas as mulheres. Portanto, o papel dos músculos transversos abdominais em um protocolo de fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico ainda não é bem compreendido.

O papel da Pressão-Intra-abdominal na Incontinência Urinária em Mulheres

Para JUNIOR e BRAUNS precede que a resposta mecânica dos músculos abdominais e a atividade dos MAP não é simplesmente uma resposta ou aumento da pressão intra-abdominal, pois antes do aumento da pressão do pavimento pélvico, indica que há uma resposta pré-programada.

Assim os autores acreditam que o treinamento dos músculos abdominais podem ser úteis no tratamento das disfunções dos MAP.

Apesar de ser comprovada a existência do sinergismo abdomino-pélvico, ainda não é possível afirmar como ele poderia ser trabalhado para gerar um melhor ganho de função dos MAP. Baseada em uma revisão sistemática, parece que a contração associada especificamente de transverso do abdômen e MAP possa ser útil para otimizar a função dos músculos do assoalho pélvico.

Há ainda a necessidade de revisões sistemáticas, pois ainda não está bem definida. Conhecer melhor o comportamento dessas musculaturas e do sinergismo abdomino-pélvico pode favorecer a elaboração de estratégias de prevenção e tratamento das disfunções dos MAP feminino.

Conclusão

De qualquer forma, conclui-se que a Incontinência Urinária em Mulheres não é um mal inevitável na vida das mulheres depois dos 50, 60 anos. E por menor que seja o envolvimento da paciente em alguns destes tratamentos mencionados, entende-se que vai haver um ganho com isso, já que muitas vezes a perda de urina nessa faixa de idade é mais um problema social do que físico.

E se o distúrbio for tratado como deve, incluindo exercícios que ajudam a reforçar a musculatura do assoalho pélvico, a qualidade de vida destas mulheres irá melhorar e muito.

 

 

Bibliografia
  • BARBOSA L. J. F; Função dos músculos do Assoalho Pélvico: Comparação entre Mulheres praticante do Método Pilates e sedentárias, 2014.
  • FERLA L., DARSKI C., PAIVA L. L., SBRUZZI G, VIEIRA A.;  SINERGISMO DA MUSCULATURA ABDOMINO-PÉLVICA EM MULHERES HÍGIDAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA. Universidade Brazil, Fisioter. Mov., Curitiba, v. 29, n. 2, p. 399-410, Apr./June 2016.
  • JUNIOR L.G.A, BRAUNS I.S.D.; MODALIDADES TERAPÊUTICAS PARA RECUPERAÇÃO DA MUSCULATURA DO ASSOALHO PÉLVICO DA MULHER. Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 16, nº 90, Jan/Fev de 2013.
  • KOSIBA R. I.A. G., Kosiba C. R., GRECCO. L., MATOS R. A.; INFLUÊNCIA DO FORTALECIMENTO ABDOMINAL NA FUNÇÃO PERINEAL, ASSOCIADO OU NÃO À ORIENTAÇÃO DE CONTRAÇÃO DO ASSOALHO PÉLVICO, EM NULÍPARAS. Fisioter. Mov., Curitiba, v. 24, n. 1, p. 75-85, jan./mar. 2011.
  • LAUSEN A., MARSLAND L., HEAD S., JACKSON J., LAUSEN B.; MODIFIED PILATES AS AN ADJUNCT TO STANDARD PHYSIOTHERAPY CARE FOR URINARY INCONTINENCE: A MIXED METHODS PILOT FOR A RANDOMISED CONTROLLED TRIAL. Lausen et al. BMC Women’s Health, 2018.
  • MAZZARINO M., KERR D., MORRIS M.; PILATES PROGRAM DESIGN AND HEALTH BENEFITS FOR PREGNANT WOMEN: A PRACTITIONERS’ SURVEY. Journal of Bodywork & Movement Therapies 2017.
  • REIS R.B.; COLOGNA A.J.; MARTINS A.C.P.; PASCHOALIN L., TUCCI S., SUAID H.J.; INCONTINÊNCIA URINÁRIA NO IDOSO. Acta Cirúrgica Brasileira – Vol 18 (Supl 5) 2003.

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Este texto foi escrito por Manuele Pimentel Gomes

  • Bacharel em Fisioterapia -Universidade de Cruz Alta
  • Formação em Pilates Equipe Ivanna Henn
  • Formação em Neo Pilates Instituto Amanda Braz
  • Especialização Fase I e II CORE 360º
  • Curso de Pilates Avançado na Gestação
  • Curso de Pilates Avançado Modulo I e II
  • Curso de Formação Pilates Mamy Baby e Sling
  • Pós-Graduação Fisiologia do Exercício – UNINTER
  • Formação no Método Abdominal Hipopressivo – MAH
  • Curso Cadeias Musculares Janaina Cintas
  • Fisioterapia Aplicada á Saúde da Mulher Obstetrícia e Uroginecologia
  • Instrutora Master do MAH
  • Formação em MIT
Pilates para saúde mental? Entenda o que a ciência diz!

Pilates para saúde mental? Entenda o que a ciência diz!

Conhecemos o Pilates por seus vários benefícios físicos, assim como outros exercícios e esportes. No entanto, muitas vezes esquecemos que eles também são importantíssimos para o psicológico de nosso aluno. Felizmente, o Pilates para saúde mental pode ser uma ferramenta poderosa. Quer entender mais sobre? Então continue a leitura!

Separei algumas evidências científicas que mostram o potencial do Pilates para saúde mental. Aproveite para entender melhor como conseguir oferecer bem-estar como parte dos benefícios de suas aulas. Seus alunos certamente vão adorar conseguir melhorar a autoestima e diminuir as chances de desenvolver doenças, como ansiedade e depressão.

Importância da atividade física para saúde mental

Imagino que você e seus alunos já cansaram de ouvir falar a respeito da importância da atividade física para a vida diária. Temos um corpo que foi feito para o movimento, mas que tende a mover-se cada vez menos por causa de hábitos modernos.

Por isso, existem muitos profissionais do movimento – como eu e você – que trabalham diariamente para proporcionar melhor qualidade de vida para alunos e pacientes.

Quando falamos em qualidade de vida relacionada a atividades físicas, geralmente pensamos em fatores físicos. Entre eles, os principais incluem perda de peso, melhora nas dores, aumento da funcionalidade do corpo. Mas a prática de exercícios vai muito além desses benefícios e entra na esfera da saúde mental.

Tudo começa com a importância da atividade física para a liberação de hormônios. As atividades aeróbicas fazem com que o corpo libere endorfina, o hormônio responsável pela sensação de bem-estar.

É a mesma substância liberada quando comemos chocolate ou durante a atividade sexual. Ou seja, nosso aluno consegue melhorar seu humor significativamente depois de uma sessão de treino.

Além disso, a prática de exercícios consegue influenciar fatores importantes, como a autoestima e percepção corporal. Eles são essenciais para a qualidade de vida e recebem cada vez mais foco atualmente. Exercícios também são excelentes para controlar o estresse e prevenir males comuns, como depressão e ansiedade.

Pilates e outras atividades físicas são realmente eficientes?

Deu para entender como o exercício físico é benéfico para a saúde mental, certo? Mas será que eles são realmente tão eficientes assim? Não precisa acreditar somente na minha palavra, estudos indicam que isso é realidade.

Como exemplo, quero citar um estudo realizado na Espanha com 212 participantes. Os integrantes do estudo tinham idade média de 41 anos para as mulheres e 43 anos para os homens e todos trabalhavam no setor terciário ou de serviços. Eles foram divididos em quatro grupos:

  • Praticantes de Pilates, com 57 indivíduos;
  • Praticantes de Pilates e outras atividades físicas, com 68 indivíduos;
  • Praticantes de outras atividades físicas, com 43 indivíduos;
  • Sedentários, com 44 indivíduos.

A intenção do estudo era confirmar os benefícios das atividades físicas para os fatores psicológicos e se o Pilates para saúde mental era comparável a outras atividades. Os resultados foram bastante positivos.

Como foi o estudo?

A pesquisa utilizou um questionário sociodemográfico e outras ferramentas, como índice de autoeficiência geral, autoestima, escalas psicológicas do questionário de personalidade situacional e revised life orientation test. Eles serviram para medir fatores psicológicos e laborais de cada indivíduo no teste.

Os sedentários tiveram notas mais baixas em todos os itens dos questionários e ferramentas. O grupo de Pilates combinado com outras atividades físicas foi o contrário, com notas mais altas para saúde psicológica, com exceção da autoestima, em relação ao restante.

As diferenças entre notas para os 3 grupos de exercícios físicos não foram significativas. Portanto, o Pilates pode ser comparado a outras atividades quanto ao quesito saúde mental e ajuda a trazer mais bem-estar para a vida de nossos pacientes.

Como o Pilates pode ajudar?

Outro estudo avaliou as diferenças entre pessoas que realizaram um protocolo de Pilates e pessoas que mantiveram seu estilo de vida sedentário. Ele trouxe insights importantes para nós, profissionais que queremos usar o Pilates para saúde mental.

O estudo foi realizado com mulheres voluntárias entre 18 e 25 anos. Ao todo, foram 25 participantes para o grupo de Pilates e 26 participantes para o grupo controle. O grupo de Pilates realizou um protocolo de treinamento de 6 semanas, enquanto o controle manteve seu estilo de vida sedentária durante o período.

Todos os participantes passaram por avaliação física e fatores psicológicos – em especial ansiedade, depressão, fadiga e qualidade de vida. Inicialmente, não existiam diferenças em qualquer um dos fatores nos dois grupos avaliados.

O grupo de Pilates realizou um protocolo de 6 semanas de MAT Pilates com 2 sessões semanais de mais ou menos 40 a 50 minutos. As atividades eram em grupo, algo feito intencionalmente considerando os possíveis benefícios da socialização para a motivação das alunas.

Ao fim do estudo, o grupo de Pilates experimentou redução significativa dos níveis de ansiedade, fadiga e outros fatores psicológicos. O mesmo não aconteceu com o grupo de controle, que não apresentou mudanças nas variáveis de qualidade de vida.

Por que o Pilates para saúde mental é tão eficiente?

Os efeitos de estudos relacionam o Pilates para saúde mental como uma excelente ferramenta. O motivo pode estar nos seus benefícios para vários fatores da vida cotidiana que geram estresse e ansiedade no indivíduo. Alguns deles são a melhora na:

  • Energia;
  • Qualidade do sono;
  • Atenção, concentração;
  • Circulação sanguínea;
  • Oxigenação do cérebro;
  • Relaxamento muscular;
  • Respiração.

Com o organismo funcionando adequadamente, incluindo sono em dia, a pessoa consegue passar por suas atividades diárias mais relaxada e tranquila. Além disso, a prática do Pilates aumenta os níveis de serotonina no corpo.

Esse hormônio é relacionado ao desenvolvimento de depressão quando está em quantidades baixas, portanto seu aumento também ajuda na prevenção da doença.

Quanto tempo de prática o aluno precisa para começar a perceber os efeitos?

No estudo que mencionei mais cedo nesse artigo, realizou na Espanha, os praticantes de Pilates foram divididos em dois grupos: quem praticava o método há 5 anos ou mais e quem praticava há menos que 5 anos. O resultado foi que os praticantes mais antigos do Pilates conseguiram notas maiores para variáveis de saúde mental.

Portanto, é possível imaginar que, quanto mais tempo alguém praticar Pilates, melhores serão os efeitos de bem-estar e isso é verdade. No entanto, existe mais uma variável que precisamos considerar: a regularidade.

Os efeitos que mencionei no tópico anterior são passageiros. Seu aluno consegue melhorar o sono, conseguir mais relaxamento muscular e ter melhor circulação sanguínea. Mas, assim que ficar alguns dias sem praticar esses fatores voltam a ser como eram anteriormente.

Por isso, se quisermos realmente oferecer melhor qualidade de vida para alunos e pacientes, precisamos incentivar a prática regular. Isso não se consegue somente avisando o aluno que ele precisa treinar sempre ou vai perder os benefícios que ganhou. Devemos encontrar formas de desenvolver aulas interessantes e motivadoras, feitas especialmente para nosso aluno.

Assim, o desenvolvimento de uma avaliação eficiente e o conhecimento a respeito do próprio Método são essenciais. Só assim você consegue oferecer uma experiência única e motivadora, que faz a pessoa continuar treinando por anos para conseguir ainda melhores benefícios.

Conclusão

Podemos e devemos aproveitar os efeitos do Pilates para saúde mental. O Método não só faz com que o corpo fique equilibrado, mas também a mente. Isso é importantíssimo, especialmente numa sociedade que é cada vez mais afetada por doenças vindas de fatores psicológicos.

A depressão é um bom exemplo disso. De acordo com a OMS, ela afeta 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros. Isso faz com que o Brasil torne-se o campeão em depressão em toda a América Latina. Não podemos substituir o profissional especializado em saúde mental, mas podemos ajudar na prevenção e tratamento.

Como vimos, através da prática regular é possível conseguir melhora em diversos aspectos da qualidade de vida de um aluno. Então motive seus alunos e pacientes, mostre para eles tudo que o Pilates tem a oferecer.

Bibliografia
Dificuldades de trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates

Dificuldades de trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates

Por acaso você já usou o comando de “segure o xixi” para sua aluna durante a aula? Isso é um problema bastante sério que acontece quando muitos profissionais tentam trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

Recomendo não utilizar esse comando e deixar o assoalho pélvico livre para prevenir sobrecarga. Quer entender por quê? É só continuar lendo e entender os motivos científicos para tantas dificuldades ao trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

Anatomia do Assoalho Pélvico

Quero mostrar algumas das principais dificuldades que profissionais do Pilates têm ao trabalhar o assoalho pélvico. Por isso, vale a pena fazer uma rápida revisão dele, que é formado por estruturas responsáveis por encerrar a pelve anteriormente, como:

As musculaturas do assoalho pélvico (MAP) são organizadas em músculos profundos e superficiais. Na camada superficial encontramos o períneo. Ele é constituído pelos órgãos genitais externos e o ânus. No MAP masculino, o períneo começa na bolsa escrotal e termina no ânus. Já nas mulheres, eles começa na vulva e termina também no ânus.

Encontramos os seguintes músculos na camada superficial do MAP:

  • Bulboesponjoso;
  • Isquicavernoso;
  • Transverso superficial;
  • Profundo períneo;
  • Esfíncter uretral externo;
  • Esfíncter anal externo.

Função das Musculaturas do Assoalho Pélvico (MAP)

A principal função das estruturas dessa camada é manter o fluxo urinário. Eles também promovem a ereção do clitóris e do pênis, além de proporcionar a ejaculação e as contrações da vulva durante o organismo. Outra importante função é proporcionar o parto.

A camada profunda do MAP é formada pelas seguintes musculaturas:

  • Isquioscoccígeos;
  • Levantadores do ânus (puborretal, pubococcígeo);
  • Levantador da próstata e pubovaginal;
  • Iliococcígeo.

Nessa cama encontramos as estruturas que formam o diafragma pélvico. Elas sustentam os órgãos internos, permanecendo contraídos durante todo o tempo.

Em eventos que causam aumento da PIA, como a tosse ou espirro, essas musculaturas realizam uma contração rápida. É esse reflexo que mantém os órgãos na posição normal. Sua atuação também controla a defecação e a micção. Os músculos possuem esfíncteres que permanecem fechados, só abrem quando a musculatura se relaxa.

Biomecânica do Assoalho Pélvico

Pesquisas corroboram com a descrição do músculos levantador do ânus como uma forma de cúpula dupla. Estima-se que o fascículo iliococcígeo tem uma forma de cúpula de convexidade superior.

Considerando que a maioria da população apresenta a nível de musculatura do assoalho pélvico uma morfologia de duplo cúpula de concavidade inferior, é possível imaginar que essa seria a morfologia normal para um MAP saudável.

Com a presença de duas cúpulas horizontais, é possível distribuir as forças exercidas pela cavidade torácica do abdômen em quatro pilares. Eles são:

  • Arco tendíneo da aponeurose obturante;
  • Núcleo fibroso central;
  • Anococcígeo raphia;
  • Cóccix.

Manter essa morfologia normal das cúpulas pélvicas é essencial para conseguir manter também a função insubstituível do assoalho pélvico. O fascículo iliococcígeo tem uma função especialmente importante que precisamos preservar ao trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

O que é o Fascículo Iliococcígeo?

Ele é o detentor dos órgãos pélvicos, a mesma função exercida pela aponeurose pélvica. Além disso, ele realiza o amortecimento da pressão exercida pelas vísceras no local durante esforços que causam hiperpressão na região abdominotorácica.

Durante tais esforços, as vísceras da pelve sofrem um deslocamento para baixo e para trás. Durante esse deslocamento, eles seguem a rota de um arco de círculo com um raio correspondente aos ligamentos útero sacros. Assim, forças oblíquas para baixo e para trás são aplicadas nas estruturas do MAP.

A força acontece em direção perpendicular às cúpulas pélvicas. Portanto, temos uma boa explicação para a forma do elevador do ânus sendo côncava para baixo e para trás. Ele auxilia na divisão de forças, deixando-as iguais em seus pilares.

A função de amortecimento do elevador do ânus permite também proteção dos plexos nervosos pudendo e hipogástrico. Se existe um problema nos pilares do MAP, as cúpulas provavelmente estarão lesionadas.

Como podemos trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates?

As dificuldades encontradas no trabalho de assoalho pélvico no Pilates são completamente justificáveis. Para entender isso, precisamos compreender também como o MAP é formado.

Ele tem uma elevada quantidade de tecido conjuntivo em sua formação. O tônus muscular necessário para todas suas funções e para amortecer o deslocamento das vísceras acontece com o uso de fibras musculares muito pequenas.

Assim, temos um pavimento pélvico formado por 80% de tecido conjuntivo e 20% de fibras musculares estriadas. Além disso, 80% dessas fibras musculares são de tipo I e 20% são de tipo II.

O músculo elevador do ânus é um excelente exemplo do funcionamento do assoalho pélvico. Ele é formado especialmente por fibras lentas, que são 70% da sua composição.

Musculatura Perineal

A filogênese nos indica que a pelve vem evoluindo para que consigamos nos adaptar à bipedestação. Assim, ela sofreu mudanças nas suas funções fundamentais de gestação e suporte das vísceras.

As mudanças de pressão também tiveram um efeito importante na pelve e no assoalho pélvico. Atualmente, um sistema complexo de fáscias e ligamentos são responsáveis pelo suporte dos órgãos da pelve menor. Com a nova distribuição de forças, a região passou a ser submetida a cargas diferentes.

A musculatura perineal sofre em especial com os frequentes aumentos da PIA. As alterações pressóricas podem gerar alterações na composição muscular na região, podendo até diminuir o número de fibras tipo II no elevador do ânus.

Caso o assoalho pélvico passe por essa alteração de composição muscular ele perde boa parte da sua função. Assim, os pacientes sofrem com o surgimento de diversas patologias, como:

Capacidade de controle da parede abdominal

Outro problema que encontramos ao tentar trabalhar o assoalho pélvico no Pilates é o controle da parede abdominal. Durante a força, ela deve mobilizar-se para dentro. Assim, as vísceras deslocam-se para baixo e para trás em direção ao pavimento, que realiza seu suporte.

Só existe um probleminha: ao longo da maturação dos músculos abdominais nós perdemos boa parte da nossa capacidade de controlar a parede abdominal. Ao redor dos 8 anos de idade já começamos a perder a eficiência dessa musculatura

Como resultado, a parede abdominal sofre um deslocamento anterior e a parede anterior da vagina se desloca para baixo e para a frente durante a contração do transverso do abdômen. Isso pode ou não estar relacionado à hipotonia do assoalho pélvico que existe em boa parte dos indivíduos.

A cavidade abdomino-pélvica está cercada pelo:

  • Diafragma (acima);
  • Coluna vertebral (atrás);
  • Costelas (na porção superior);
  • Pelve (abaixo).
  • Diafragma pélvico (encerramento inferior).

A PIA aumenta para realizar algumas ações fisiológicas, como espirrar, tossir, defecar, vomitar e fazer outros tipos de esforços. Para diminuir a PIA, a área do abdômen diminui através da ação sinérgica de estabilizadores da coluna e músculos profundos do abdômen.

Esse mecanismo é o responsável por distribuir a pressão aumentada pelas paredes do assoalho pélvico. Com a contração do diafragma e dos músculos do abdômen a PIA também aumenta. Em situações normais e com o MAP em seu funcionamento fisiológico, a PIA sofre elevação para conter as vísceras no seu posicionamento.

Porém nem todos têm músculos abdominais com força e controle o suficiente para gerar o movimento para baixo das vísceras e uma contração sinérgica do assoalho pélvico. Alguns fatores de risco alteram esse mecanismo, incluindo:

  • Gravidez;
  • Parto;
  • Disfunções do pavimento pélvico;
  • Disfunções do diafragma torácico;
  • Dor lombar.

Desafios para o Pilates

Quem trabalha com movimento tem um grande desafio pela frente. A vida moderna proporciona a hiperpressão no corpo por causa da bipedestação e diversos outros fatores. Além disso, o conforto trazido pela tecnologia aplicada à vida diária criou uma vida que é gerida pelo sistema nervoso parassimpático. Portanto, existem diversas alterações no sistema corporal.

O sedentarismo fez com que as musculaturas do assoalho pélvico se tornassem mais relachadas. Para resolver esse problema, muitos usam o comando de “segure o xixi” durante as aulas de Pilates. Mas isso é um erro que pode causar ainda mais dificuldades no futuro.

Comecemos entendendo que Joseph ou Clara Pilates nunca utilizaram esse comando no seu método original. Foi Paul Hodges que trouxe esse conceito para nossas aulas e, atualmente, ele mesmo admite que errou e que muitos também erraram na sua interpretação.

A pesquisa de Paul Hodges sobre o reflexo antecipatório postural ficou conhecida e recebeu poucas críticas. Ele mostrou que o transverso abdominal se contra cerca de 20 milissegundos antes de outras atividades musculares. Portanto, imaginava que seria necessário fortalecer todas as musculaturas que realizam suporte da coluna para protegê-la.

Como parte das musculaturas de suporte da coluna, o assoalho pélvico precisaria de um trabalho de fortalecimento nas aulas de Pilates. Mas lembra da composição muscular do MAP que mencionei anteriormente? Essas musculaturas só conseguem ficar contraídas por cerca de 6 segundos, talvez até menos na maioria dos indivíduos.

Passado esse tempo, elas ficam fadigadas e relaxam, deixando que as vísceras e o aumento da PIA desabem sobre o assoalho pélvico. Assim, sua contração por tempo elevado só causa mais carga, o que pode levar a incontinência urinária de esforço.

Para conseguir uma boa estimulação do MAP, precisamos ativar e tonificar as fibras do tipo I. Não é tão simples conseguir essa estabilização segmentar e, se ela for feita da forma errada, pode trazer problemas sérios.

Conclusão

O fortalecimento de assoalho pélvico no Pilates que alguns profissionais buscam é bastante problemático. Caso seja mal compreendido ou aplicado, nossa aluna será prejudicada e pode até desenvolver incontinência urinária. Além disso, boa parte das mulheres não consegue contrair o assoalho pélvico somente com comando verbal. Cerca de 80% delas empurram as vísceras para baixo quando recebem o comando, o que aumenta a sobrecarga do MAP.

Algumas vezes, pedir para a aluna “segurar o xixi” só vai prejudicar ainda mais seu assoalho pélvico e aumentar a sobrecarga. Na dúvida, é melhor abolir esse comando das nossas aulas e deixar o trabalho de MAP para profissionais da fisioterapia especializados em uro-gineco. Nesse método, é possível controlar a estimulação do períneo com o biofeedback.

 

 

Bibliografia
  • Marcel Caufriez1, 2, 3, 4, Juan Carlos Fernández Domínguez5, Benjamin Bouchant4, Marc Lemort6 y Thyl Snoeck1, 4, 7.
  • Université Libre de Bruxelles1. Bruxelles. Belgique. Universidad Castilla-la-Mancha2. Toledo. España. Universitat Gimbernat3. Barcelona. España. Laboratoire de Physiologie environnementale et occupationnelle4. Bruxelles. Belgique. Universitat Illes Balears5. Palma de Mallorca. España. Institut Jules Bordet6. Bruxelles. Belgique. Vrije Universiteit Brussel7. Bruxelles. Belgique.
Utilidade de Exercícios de Pilates para Reeducação Postural

Utilidade de Exercícios de Pilates para Reeducação Postural

Meu amor pelo Pilates vai bem além da prática e muita gente sabe disso. Estudar os exercícios de Pilates é a melhor maneira de investir na sua formação profissional e conseguir melhores resultados para seu aluno.

Por isso, separei aqui algumas análises cinesiológicas e biomecânicas de exercícios do Pilates. Em especial, foquei em movimentos usados na reeducação postural para conseguir melhorar a reabilitação de nossos pacientes. Falarei em especial do Hamstring Stretch, Spine Stretch, Torso Press Sit, Teaser, Short Box e variações do Hundred.

Por que devo conhecer os exercícios de Pilates?

Sabia que a biomecânica do Pilates pode melhorar muito sua aula? Dominando esse assunto, te garanto que sua aula deve melhorar muito! Além de conseguir melhores resultados para seus pacientes e alunos, você ainda consegue melhorar sua autoridade diante os alunos.

Quando eles reclamarem ou perguntarem por que precisam fazer esse exercício que não gostam, você terá a resposta! Nada impõe mais confiança do que um instrutor que sabe o que está fazendo e a única forma de conseguir isso é através do conhecimento.

Muita gente que, hoje em dia, trabalha com Pilates não conhece o método e suas nuances biomecânicas. Seu crescimento rápido e acelerado deixou furos no entendimento de boa parte dos praticantes. Por isso, não podemos deixar de estudar os exercícios de Pilates.

Hoje em dia temos métodos mais avançados para estudar o movimento. Por isso, conseguimos compreender ainda melhor a genialidade de Joseph Pilates.

Para complementar ainda mais a necessidade de estudo, é ele que cria pensamento crítico e analítico. Conhecendo como cada exercício funciona, você consegue escolher o protocolo de aula mais certo para seu aluno específico.

Te convenci a continuar estudando esse maravilhoso método? Então continue lendo para entender melhor alguns exercícios de Pilates.

Como comparar exercícios de Pilates?

Não vou comparar exercícios de forma a dizer que X exercício é melhor que Y para sua aula. Isso seria até impossível, porque todos eles são extremamente úteis em momentos específicos. O que podemos fazer é entender como cada movimento afeta as cadeias musculares, vetores articulares e outras estruturas do corpo.

É uma forma de compreender melhor os recursos praticamente infinitos que temos no Pilates e como aplicá-los. Para isso, usarei um estudo clínico aplicado em duas instrutoras de Pilates que realizou análises cinesiológicas qualitativas do movimento. Os observadores também calcularam ângulos de movimento, curvaturas e torques de resistência durante o exercício.

Hamstring Stretch na Chair e Spine Stretch no Cadillac

A primeira comparação que realizamos é entre o Hamstring Stretch na Chair e Spine Stretch no Cadillac. Ambos os movimentos são alongamentos direcionados à cadeia muscular posterior. Portanto, eles têm um uso importante nas correções posturais.

Durante o Hamstring Stretch o alongamento de cadeia posterior é um pouco mais limitado. Isso acontece por causa da posição inicial, com o corpo em bipedestação. Nessa posição os músculos da cadeia posterior trabalham para estabilizar a pelve e sustentar o peso do corpo. Portanto, encontram-se mais tensos e com menos potencial para alongamento.

Na posição em sedestação do Spine Stretch conseguimos um alongamento mais completo. Nela, os membros inferiores estão relaxados e são mais passíveis de alongamento. Isso significa que devemos escolher um no lugar do outro? Certamente não, só é importante conhecer seus principais usos.

Além do alongamento, esses exercícios de Pilates realizam um fortalecimento de músculos extensores de cotovelo. Isso acontece ao empurrar os pedais da Chair para baixo no Hamstring Stretch quando a flexão de tronco está completa. No Spine Stretch isso acontece no movimento de extensão do cotovelo que acontece junto da flexão de tronco para levar a barra para a frente.

Torso Press Sit na Chair, Teaser no Mat e Short Box no Reformer

Esses três exercícios de Pilates são conhecidos por seu excelente trabalho de fortalecimento, estabilidade e consciência corporal. Alunos iniciantes que ainda não têm força nas musculaturas trabalhadas dificilmente conseguem realizar as posições por muito tempo.

Durante os movimentos, o torque de resistência aplicado sobre as musculaturas é máximo. Portanto, os músculos precisam aplicar seu maior torque de potência para conseguir igualar ou vencer o torque de resistência. Nesse momento, conseguimos o melhor trabalho de musculatura abdominal.

Durante os exercícios Torso Press Sit e Teaser os membros inferiores oferecem o torque de resistência. Isso acontece por causa de sua posição que trabalha contra a gravidade. Para mantê-los estendidos no ar, o aluno precisa fortalecer as estruturas do tronco.

O Short Box exige um pouco menos da musculatura abdominal porque mantém os membros inferiores permanecem apoiados no Reformer.

O exercício Torso Press Sit ainda possui um trabalho de fortalecimento de extensores de ombro. No início do movimento o aluno deve realizar uma extensão contra a resistência da barra da Chair.

Hundred no Mat, Reformer e Cadillac

O Hundred no Mat pode ser considerado o mais simples de realizar. Nele o aluno possui apoio fixo para todo o corpo e só precisa realizar o movimento. No Cadillac o apoio é igualmente fixo, porém ainda existe a necessidade de segurar a barra, o que deixa o exercício um pouco mais difícil.

Além disso, no Cadillac o exercício começa a partir da posição neutra dos ombros, o que não ocorre nas outras duas variações.

O Reformer apresenta maior dificuldade por causa da resistência das molas. Nesse movimento o aluno começa com a cabeça apoiada no equipamento (algo que não ocorre no Cadillac e no Reformer) para depois entrar na posição do Hundred. Por causa da maior resistência, a amplitude de movimento também tende a ser menor.

Conclusão

O Método Pilates é uma ótima forma de proporcionar ao seu aluno a melhor Reeducação Postural possível. Espero que você tenha gostado dos exercícios que separei levando em consideração algumas análises cinesiológicas e biomecânicas de exercícios do Pilates.

Quadril e tornozelo: como trabalhar essas articulações no Pilates?

Quadril e tornozelo: como trabalhar essas articulações no Pilates?

Você sabia que podemos utilizar o Método Pilates para trabalhar as articulações do quadril e tornozelo? As duas são importantíssimas para o nosso corpo pois são responsáveis por garantir mobilidade, flexibilidade e sustentação ao tronco. Quer saber como trabalhar essas duas articulações? Então continue lendo para entender!

Mobilidade de quadril

Temos na pelve uma importante articulação para o controle das forças durante o movimento. É nela que se anulam as forças solo e da gravidade, fazendo com que ela também tenha um importante papel de redistribuição para o restante do corpo.

É o quadril que realiza a conexão entre membro inferior e tronco. Para isso, ele possui uma articulação sinovial em formato de esfera capaz de realizar os seguintes movimentos:

  • Flexo-extensão;
  • Abdução-adução;
  • Circundação;
  • Rotação medial lateral.

Parece que o quadril é capaz de se mover muito considerando a quantidade de ações que realiza, mas esse não é exatamente o caso. A articulação possui excelentes ferramentas de estabilização estática. Isso inclui sua cápsula articular, uma das estruturas ligamentares mais fortes do corpo.

O quadril também possui diversos ligamentos que mantém seus movimentos contidos e estáveis. Entre eles temos:

  • Ligamento iliofemoral;
  • Ligamento pubofemoral;
  • Ligamento isquiofemoral;
  • Ligamento transverso do acetábulo;
  • Ligamento redondo (intra-articular).

É claro que também existem estruturas estabilizadoras dinâmicas, os músculos. São eles também responsáveis por manter a delicada mobilidade do quadril. Podemos dividir as musculaturas que atuam na região em dois grandes grupos: extensores, flexores, adutores, abdutores e rotadores.

As musculaturas extensoras do quadril são compostas principalmente pelo glúteo máximo e o isquiocondilar do adutor magno. Os isquiotibiais também são capazes de realizar a extensão de quadril, porém se o fizerem no lugar do glúteo teremos desvios posturais possivelmente lesivos no paciente.

Como flexores temos o músculo iliopsoas, pectíneo e tensor da fáscia lata. Esses músculos precisam agir em sincronia com os abdutores (glúteos médio e mínimo) para realizar movimentos com toda a amplitude possível para o quadril.

Agora que você viu toda a estabilidade do quadril, sobra uma pergunta: e a mobilidade? O quadril é móvel, mas tem uma forte tendência à rigidez, especialmente em indivíduos com desequilíbrios musculares.

Mobilidade de tornozelo

Os membros inferiores são a base do equilíbrio e do movimento no corpo humano em bipedestação. O tornozelo é composto pela tíbia e pela fíbula, dois ossos que circundam em se encaixam numa polia chamada de tálus. Esse encaixe em forma de polia é responsável pela formação dos dois maléolos dos pés. Eles são:

  • Interno: composto pelo encaixe da tíbia com o tálus.
  • Externo: composto pelo apoio da fíbula ao tálus.

É graças aos maléolos que o tornozelo consegue realizar seus dois movimentos: a flexão dorsal, que acontece anteriormente, e flexão plantar, que acontece posteriormente. Assim como o quadril, o tornozelo tem uma importante função de sustentação e precisa de excelente estabilidade. Ela diminui na flexão plantar porque diminuir substancialmente a base de equilíbrio.

Acabei de falar nos dois únicos movimentos do tornozelo, porém existem ainda movimentos laterais. Eles não são realizados pelo tornozelo em si, mas sim pelo que chamamos de subtornozelo. Ele é formado pelo encaixe do tálus e os ossos do metatarso do pé. É essa articulação que realiza os movimentos de inversão e eversão.

Também existe a região anterior do pé, formada pela articulação tarsometatartsial com os cinco metatarsos. Seus movimentos possuem mobilidade diminuta, mas ainda são essenciais para o equilíbrio do tornozelo e de todo o corpo que ele sustenta.

Relação entre quadril e tornozelo

Já falei muito a respeito do quadril e tornozelo isoladamente, mas não é assim que eles funcionam. Toda a unidade de membros inferiores (indo desde o quadril, passando pelo joelho e chegando nos pés) é influenciada pelas duas articulações. Combinando-as, temos um movimento fisiológico no pé que garante a estabilidade.

Quando os pés e o tornozelo em especial estão equilibrados, teremos uma manutenção de bom:

  • Equilíbrio estático;
  • Marcha.

Lembre-se que a tíbia leva sozinha o peso do corpo até o pé e não possui musculaturas para estabilizá-la. A fíbula, por sua parte, é responsável por conduzir boa parte das musculaturas do pé, incluindo os fibulares que passam atrás dos maléolos.

Essas musculaturas são responsáveis por direcionar trações para trás e para fora, fazendo com que elas não gerem o deslocamento gravitacional para fora. O retropé se bascula em direção ao hálux e contribui para a formação do arco anterior do pé.

Além disso, as trações da cabeça do fêmur acionam o polígono de sustentação, fazendo com que o quadril seja capaz de realizar:

  • Flexão;
  • Extensão;
  • Tração de inversão de rotação externa dada pelos glúteos.

O sartório é uma musculatura bastante importante nessa conexão entre quadril e tornozelo. Ele gira a tíbia em rotação interna, ativando os tibiais. Portanto, esse movimento faz com que o pé vá para a abdução ao mesmo tempo que o quadril gira para fora.

Temos assim essa sincronia mecânica muscular:

  • Sartório;
  • Tibiais.

Essas estruturas são consideradas condutoras de movimento e fazem com que todo o membro inferior se tensione. São eles que mantém a forma articular e organizam a flexão e extensão de joelho, quadril e tornozelo.

Porém, sua função não para por aí. Tais musculaturas também criam o arco longitudinal do pé.

Como trabalhar quadril e tornozelo no Pilates?

Acredito que todos nós cometemos o grande erro de negligenciar os pés em algumas aulas. Parece algo tão simples que sequer precisamos pensar nisso. Porém, uma boa organização corporal depende do alinhamento dos membros inferiores.

Também precisamos trabalhar mobilidade de quadril, mas essa é mais lembrada pelos profissionais. Através da boa organização dos pés e outros componentes dos membros inferiores, conseguimos corrigir lesões ascendentes e diversas outras compensações.

De acordo com Bandine, os exercícios a seguir devem ser realizados com bastante cuidado para o alinhamento e organização dos tornozelos:

  • Footwork;
  • Running;
  • Stomach massage;
  • Long stretch;
  • Up stretch;
  • Arabesque;
  • Frontsplits;
  • Semicircle;
  • Leg pull front;
  • Push up series.

Perceba que todos eles são realizados no Reformer e existe um motivo para isso. Essa cama foi criada por Pilates para proporcionar uma boa organização dos pés.

Para realizar os exercícios no Reformer precisamos começar a partir da boa organização dos pés. Nunca permita que seus alunos realizem movimentos compensatórios iniciados pela base nesses exercícios. Essas compensações se traduzem como desequilíbrios para outros movimentos, como a marcha.

Numa boa aula de Pilates, precisamos corrigir as compensações que surgem partindo do tornozelo para cima. É exatamente por isso que Joseph Pilates começava suas aulas com o aluno deitado. Ele seguia a lógica dos movimentos que realizados durante o dia e aproveitava para a correção de desequilíbrios.

Conclusão

Tradicionalmente, existem mais de 100 movimentos criados para o Reformer. O Reformer é a peça central e primeiro aparelho desenvolvido por Joseph Pilates.

Segundo Pilates, ao treinar com uma carga externa (molas do Reformer), o movimento humano tornar-se-ia mais eficiente e harmonioso. Preparamos assim o corpo para quando retirarmos a carga, ou seja, na sua condição habitual.

Além disso, a resistência oferecida incentiva uma adaptação mais rápida do sistema neuromuscular. Lembrando sempre que os aparelhos podem facilitar ou dificultar os exercícios.

Originalmente, Pilates chamou a máquina Universal Reformer. Reformer porque “reformava” todo o corpo e “universal” pois poderiam ser feitos movimentos em todos os planos de movimento.

A história também conta que a inspiração para o equipamento foi uma cama. Essa cama especial tinha recebido molas com o intuito de reabilitar soldados feridos na guerra.

Bibliografia