Iliopsoas: anatomia, biomecânica e o Pilates

Iliopsoas: anatomia, biomecânica e o Pilates

Neste artigo vamos discutir a intrigante mecânica do iliopsoas, seus esquemas de compensações mais comuns, e nossos principais equívocos durante a pratica do Pilates ligados a esse apaixonante músculo.

Onde fica o músculo iliopsoas? Entendendo a Anatomia…

O músculo iliopsoas se divide em três importantes porções:

Músculo Ilíaco

É um músculo plano e triangular que está situado na fossa ilíaca e é recoberto parcialmente pelo músculo psoas.

Este músculo origina-se na fossa ilíaca e na espinha ilíaca ântero-inferior, e em seu direcionamento de fibras segue paralelo ao psoas maior, para baixo e para frente, na altura da articulação coxo femoral.

Transmuta sua direção, dirigindo-se obliquamente para baixo, para fora e para trás, para se inserir no trocanter menor e na linha áspera, realizando assim, em sua ação a flexão do quadril e rotação lateral da coxa

Músculo Psoas

Um músculo volumoso e fusiforme.

Está situado ao lado da coluna lombar e na face posterior da cavidade abdominal.

É composto por duas porções, que também podem ser consideradas como músculos individuais.

A maior porção recebe o nome de Psoas Maior, que tem por origem os corpos vertebrais de T12 á L4 e processos costais de L1 á L4.

O trajeto de seus feixes musculares segue para baixo, para fora e para a frente, já o seu tendão curva-se na região anterior da articulação coxofemoral e dirige-se para baixo, para fora e para trás para inserir-se no trocanter menor.

Em sua ação, realiza a flexão e extensão da coluna lombar; flexão e rotação lateral da coxa.

Psoas Menor

A menor porção do psoas recebe o nome de Psoas Menor.

Esta porção menor geralmente está ausente, não sabemos exatamente o porquê.

Biomecânica

Apesar da literatura anatômica classificar o iliopsoas como um potente flexor e adutor do quadril, quero aqui discutir algumas questões únicas e pitorescas desse complexo músculo.

Segundo Philip J. Raschi, o mesmo pode ter uma ação paradoxal.

O paradoxo discutido e a inversão da função do músculo iliopsoas, quando em exercícios abdominais com os membros inferiores estendidos e elevados, as vértebras lombares são tracionadas para frente e para baixo pela contração do psoas.

Porém, se os músculos do abdômen estiverem fortes, eles evitarão a inclinação anterior da pelve.

Sendo assim, as vértebras lombares não serão hiperestendidas.

O mesmo acontecerá quando realizamos um exercício abdominal com os joelhos flexionados e os pés apoiados ao solo: o braço de alavanca do músculo iliopsoas estará bruscamente diminuído.

Para entendermos a ação paradoxal do iliopsoas, faremos uma breve, mas fundamental, revisão anatômica.

Anatomia do Iliopsoas

O músculo iliopsoas tem um formato em leque com suas origens distantes.

Isto nos diz que sua formação tem, por função, direcionar as forças do músculo iliopsoas em seu tendão, fazendo do quadril seu ponto fixo.

Essa disposição é importantíssima para diminuir a forca de contração desse potente músculo em sua origem, na região lombar.

Segundo Vladimir Janda, cadeista polonês descreveu a Síndrome Cruzada Inferior, o aumento da lordose lombar pode ser ativada através de uma inclinação da pelve anteriormente.

Isso ocorre por um desequilíbrio muscular, onde os músculos abdominais e glúteo máximo estarão fracos, em conjunto, com o encurtamento ou aumento de tensão dos músculos extensores lombares e flexores do quadril.

A esse conjunto de alterações mecânicas, Key, em 2008, deu o nome de Síndrome Pélvica Cruzada Posterior (SPCP).

Ou seja, os flexores do quadril estarão: hiperativos, encurtados ou em tensão excessiva; juntamente com o aumento de atividade, encurtamento ou tensão excessiva dos extensores do quadril.

No caso de um apagamento da curvatura lombar, a pelve estará inclinada posteriormente, retificando, portanto, a coluna lombar.

Será gerada por um padrão muscular em oposição onde: os músculos abdominais e glúteo máximo estarão hiperativados, encurtados, ou ainda, em tensão excessiva, em concomitância com a fraqueza ou hipoativacão dos músculos extensores lombares e flexores de quadril, Síndrome Pélvica Cruzada Anterior (SPCA).

Essas alterações mecânicas gerarão desequilíbrios em L4-L5 e L5-S1, além de alterações na sacro ilíaca.

Por isso, sempre oriento meus alunos de formação que, uma vez diante de uma dor lombar, a pelve deverá ser a primeira a ser investigada.

Qual a principal função do iliopsoas?

Na teoria de Leopold Busquet, a ação principal do iliopsoas é a de realizar a cifose lombar.

Isso porque, em cifose lombar, as vértebras lombares formam um arco romano.

Quanto mais a tensão sobre as vértebras forem maiores, mais essa tensão muscular do iliopsoas estará aumentada, alimentando essa tensão.

Dessa forma, aproximará as origens do iliopsoas, igualando o comprimento de suas fibras musculares e aumentando sua forca de contração.

Como ele é um flexor da articulação do quadril, faz parte da cadeia muscular de flexão do tronco (retos abdominais).

Portanto, funcionando em conjunto, a cadeia de flexão do troco será um cifosante lombar.

Essa combinação mecânica será complementada pelas cadeias musculares cruzadas posteriores, já que não podemos esquecer da função também rotatória do músculo iliopsoas.

O músculo grande dorsal também é muito interessante, e realizada de forma oposta, pois pode anular a forte tração em rotação realizada pelo músculo iliopsoas.

Esse padrão muscular conjunto potencializará a estabilidade do tronco, prevenindo lesões na coluna lombar na dinâmica.

A importância do iliopsoas na marcha

Durante o ciclo da marcha, o músculo iliopsoas tem a função de desacelerar a extensão do quadril, atenuando o impacto na fase de balanço da marcha.

Porém, em contrapartida, aumenta a tensão da panturrilha do lado homolateral.

Isso porque os músculos da panturrilha, com esse aumento de tensão, reduz a dorsiflexão do tornozelo, pois, uma vez tenso, o iliopsoas não permitirá uma extensão efetiva do quadril.

Por isso, encurta assim os músculos da panturrilha, alterando a fase de apoio da marcha e o contato de pé ao solo.

A tensão do iliopsoas durante a marcha diminuirá a dissociação das cinturas, reduzindo a rotação do tronco para o lado oposto.

Isso irá gerar tensões, que alimentarão a cadeia muscular cruzada de flexão do tronco do lado em que a rotação gerada na dissociação das cinturas estiver limitada.

Durante a marcha, o iliopsoas tem ainda a função de diminuir a rotação interna do fêmur na fase de apoio.

A relação do iliopsoas com o tronco

Basta analisarmos as origens do iliopsoas para entendermos que sua conexão com o tronco e clara, tem pilares saindo de T12 até L4.

Por seu torque de forca ser muito potente, o músculo iliopsoas pode estender a coluna, podendo gerar padrões disfuncionais e dores lombares.

Porém, devo aqui lembrar que o iliopsoas em excesso de tensão também poderá flexionar a coluna lombar, de acordo com a cadeia muscular que estará em solidariedade de transmissão de contração tensional.

Além desse fator, o iliopsoas em tensão distal e unilateral, também realizará a inclinação da coluna lombar e elevar a asa ilíaca no lado tenso, atuando em solidariedade com os músculos ilíacos, quadrado lombar, ilíaco, obturadores, grande dorsal e diafragma.

Pode ser o músculo chave para o desencadeamento de uma escoliose de origem ascendente.

Como vimos, mecanicamente o músculo iliopsoas é um músculo ainda intrigante, e sempre tópico de muitas discussões.

Pilates e o iliopsoas

The Hundred

O Hundred é muito utilizado no início da aula de Pilates para aquecimento.

Nele, o aluno/paciente fica em decúbito dorsal, e começa a realizar o enrolamento da cabeça.

Os supra e infra hioideos flexionam a cabeça, sendo que até 35 graus o movimento é puro da cabeça.

Só acima de 35 graus é que se começa o enrolamento da coluna cervical, (cuidado com o auto crescimento).

Esse movimento de flexão da cabeça pode ser auxiliado pelo: ECOM (muita atenção, para a sua vocação rotatória) e Escalenos de forma excepcional, pois sua vocação é respiratória.

O enrolamento segue vértebra por vértebra, até o apoio da coluna estar sobre a borda superior das escápulas.

Caso seu aluno possua frouxidão ligamentar: nos cotovelos, solicitamos o acionamento do conjunto bíceps/tríceps para não sobrecarregar as articulações epicondilianas.

Esses movimentos devem ser realizados concomitantemente com a flexão do MMII.

Promovendo 90 graus de flexão de joelhos ativos até 90 graus, movimento realizado pelos isquiotibiais e flexão de quadril, que será imposto pelo nível do aluno:

Quanto menos graus de flexão de quadril, mais difícil o exercício se torna pela ação do Psoas, tracionando os discos intervertebrais anteriormente, tirando a pelve da posição neutra ideal.

O aluno deve saber seu nível de dificuldade para o trabalho do abdômen inferior e, com o quadríceps, realiza a extensão dos joelhos.

Eu solicito essa extensão com os pés Pilates em V position, para anular a forca dos adutores e a linha adutora do Psoas.

Caso o paciente possua o valgismo dinâmico, solicito a correção que será dada pelo sartório, por sua linha de tração.

Assim como no cotovelo, solicito a contração da dupla: quadríceps e isquiotibiais.

No caso de hiperextensão dos joelhos, já mandando a informação aferente para o Sistema Nervoso Central do posicionamento correto das articulações citadas.

Solicito, ainda, o afastamento das costelas inferiores das asas ilíacas, promovendo um alongamento excêntrico dos quadrados lombares e dos multifideos.

Nos ombros, solicitamos 90 graus de flexão dos MMSS.

Só assim, estaremos na posição inicial do exercício.

Começamos, então, com a ativação da cintura escapular de seu aluno. Ele deve realizar e flexão e extensão dos ombros.

Para a flexão, o Deltoide em sua parte clavicular e o córaco até aproximadamente 60 graus.

Depois disso, ele perde sua ação, devido a seu posicionamento anatômico.

Para a extensão, estarão contraídos o Deltoide parte espinhal, grande Dorsal, Redondo maior, cabeça longa do bíceps e peitoral maior.

Em sua porção ligamentar e muscular, por ser um exercício puro de cadeia de flexão, todos os ligamentos da cadeia de extensão estarão sob tensão.

Observações Mecânicas do Hundred

Costumo brincar nos meus cursos que no dia que o Psoas mandar em você, estará morto.

Portanto, evitemos ao máximo a tração da pelve anteriormente que pode ser efetuada pelo Psoas, ou eleve as duas pernas para diminuir a incidência da forca gravitacional sobre as pernas, facilitando o exercício.

Muitas dúvidas ainda surgem durante a respiração a ser realizada durante o exercício.

Cada ciclo inspiratório corresponde a 5 batidas vigorosas dos braços e, para cada ciclo expiratório, mais 5 batidas de braços.

Com essa respiração peculiar, Joseph acreditava poder ajudar bastante indivíduos com problemas respiratórios. 

Swan Dive

O Swan Dive é um exercício que trabalha muito a cadeia extensora de tronco e também os extensores de quadril.

É um exercício desafiador, requer alta capacidade de mobilização da coluna vertebral, a fim de reduzir ou anular a tensão da região lombar, alongando assim o músculo iliopsoas.

É muito importante construir o movimento fundamental de extensão do tronco* (veremos a seguir), não fazendo a hiperextensao a partir da lombar.

  1. Posição inicial: Decúbito ventral, mãos a frente, paralelas, próximas à cabeça, apoiando-se nos antebraços, portanto cotovelo flexionado.

    A pernas repousam no chão unidas, ativando adutores, com os pés em posição de flexão plantar.

    Imaginemos alguém puxando, tracionado as pernas para longe do quadril.
  2. Para ativar a extensão do tronco, comece com movimento pequeno pela cervical e, ao ativar pela torácica, imagine como se o peito fosse se abrir para o chão. Como se fossem faróis iluminando abaixo e mais ao longe.

    Desta forma, estará trabalhando a mobilidade e extensão torácica adequada*.

    Neste momento, estará subindo o tronco, esticando os cotovelos, apoiando-se pelas mãos.
  3. Solte os braços a frente, fazendo um movimento de balanceio a frente com o corpo. Acione os glúteos para tirar as pernas do chão numa extensão de quadril.
  4. Balanceie o corpo então para frente e para trás, buscando fluidez.

Dicas para o Swan Dive:

Como é um exercício que trabalha toda cadeia extensora, se faz necessário antes da execução deste, flexibilizar a coluna num movimento anterior de tronco.

Isso dará muito mais fluidez e melhor construção e execução do Swan Dive.

Pode ser utilizada uma bola ou no bozu, por exemplo, posicionamento o aluno sobre o acessório em decúbito dorsal, flexibilizando toda região anterior de tronco.

Essa pratica serve para todos, sobretudo para aqueles alunos que sentem muito medo de qualquer exercício de extensão, têm medo de travar como em outra ocasião.

Flexibilizando a coluna, relaxamos toda a cadeia anterior de tronco, possibilitando um movimento mais livre de tensões.

Uma ressalva: precisamos mostrar aos alunos que temem a extensão de tronco que, a falta de movimento se cura com movimento.

Músculos que participam do Swan Dive:

  • Eretores da espinha (espinhal, longuíssimo, ilioscostal), semiespinhal e multífidos enquanto extensores da coluna.
  • Glúteo Maximo, isquiotibiais enquanto extensores de quadril.
  • Transverso do abdômen enquanto estabilizador do tronco.
  • Gastrocnemio e soleo enquanto flexores plantares.
  • Tríceps braquial, fibras anteriores de deltoide enquanto extensores de ombro.

Neck Pull

Neck-Pull iliopsoas

Este exercício nos auxilia bastante a nível diagnóstico.

Ao observarmos o movimento em seu percurso, podemos notar onde há mais fraqueza muscular e diminuição de mobilidade em determinado segmento também.

  1. Posição inicial: Decúbito dorsal, pernas estendidas ao chão, unidas, ativando os adutores, pés em dorsiflexão. Mãos entrelaçadas atrás da cabeça estando os cotovelos flexionados e abduzidos.
  2. Comece afundando o osso esterno a fim de criar mobilidade na região torácica, e suba enrolando o tronco numa flexão de coluna que deverá partir da cabeça.
  3. Continue enrolando até que esteja em uma posição sentada, porém com a parte superior do tronco arredondada para frente em direção aos pés.
  4. Atente-se para que toda a coluna esteja num perfeito “C”, respeitando o movimento fundamental do tronco.

    Imagine que, sob suas costelas, exista uma barra e seu tronco superior deva enrolar-se no movimento final desta flexão, porém passando por cima desta barra
  5. Inspire, expire e comece a retornar o tronco como se fosse em posicionamento de sentar-se, porém novamente respeitando as curvas fisiológicas da coluna em suas lordoses e cifoses.

    Ainda aqui, afaste suas costelas das cristas ilíacas, crescendo seu corpo dessa forma e não pelo sistema antigravitacional onde ao crescer pela cervical, estará de certa forma bloqueando as cadeias cruzadas.
  6. Vá retornando ao solo, mobilizando vértebra a vértebra sem retroverter a pelve.

Dicas para o Neck Pull:

Ao flexionar a coluna subindo para sentar-se e seguir em direção ao enrolamento sobre as pernas, concentre-se nos músculos abdominais, além de focar no afundamento das costelas, maximizando assim a flexão da coluna vertebral ao enrolar-se, mantendo uma curvatura em “C”.

Isso impede que a região lombar se achate ou arqueie-se como num movimento de hiperestender neste momento, tendo maior ativação dos flexores do quadril.

Assim, não deixamos, por exemplo, o músculo psoas comandar o movimento.

Se fechar os cotovelos a frente ao enrolar-se para subir, estará minimizando a ação dos abdominais.

Portanto, tente manter os cotovelos abertos com as mãos atrás da cabeça.

Ao retornar e estar numa posição sentada, verifique se há retificação da coluna, a nível torácico.

Inspire jogando o ar para os pulmões atrás, pensando em cifosar a coluna, porém não enrolando os ombros, curvando o tronco a frente.

Este comando é algo sutil, porém com muita ênfase, ao expirar afunde bem o osso esterno.

Ainda pode-se organizar a cintura escapular de forma a ativar o serratil anterior, fazendo um sutil movimento lembrando o da cifose.

Caso encontre uma hipercifose torácica, a inspiração já se dará na frente, no peito, e a organização da cintura escapular será a de encaixar as escapulas (ativando romboides e depressores da escapula) como se quisesse guardá-las no bolso de trás da calça.

Músculos que participam:

  • Reto do abdômen, oblíquo externo e oblíquo interno enquanto flexores da coluna.
  • Transverso do abdômen enquanto estabilizador da coluna.
  • Eretores da espinha enquanto extensores da coluna.
  • Iliopsoas e reto femoral enquanto flexores de quadril.
  • Tibial anterior enquanto dorsiflexor de tornozelo.

Hip Circles

Exercício muito potente para flexores de quadril, muito desafiador pois requer uma estabilização rotacional complexa.

Trabalha flexibilização dinâmica de isquiotibiais e flexores de quadril, é um exercício bem avançado.

  1. Posição inicial: Sentado apoiado para trás dobre os ísquios, com os braços atrás do tronco, cotovelos esticados e a palma das mãos espalmada com rotação externa, apoiando então os dedos para trás.

    Joelhos flexionados com os pés no chão.

    Verifique se não está caindo o corpo sobre os ombros. Imagine-se empurrado o chão com os cotovelos e abrindo o peito a frente, mantendo costelas fechadas.

    Mantenha seu tronco o mais afastado do chão o possível.
  2. Inspire e, ao expirar, leve uma perna estendida, com os joelhos estendidos e flexão de quadril. Repita com a outra perna, mantendo então um posicionamento em “V”.
  3. Ao expirar, leve as duas pernas ativas e unidas contornando um semicírculo no ar, descendo-as e chegando a posição central da pelve.

    Volte as pernas, subindo-as neste semicírculo até o centro da pelve.

    Repita a descida para o outro lado. Estabilizando o tronco e a pelve.

Dicas para o Hip Circle:

Como este é um exercício muito avançado, pode ser realizado de forma adaptada:

Ao invés de estar com cotovelos esticados, mãos para trás, manter os cotovelos flexionados, apoiando-se então sobre os cotovelos e as mãos e antebraços ao lado do corpo.

Se tiver algum cisto ou dor/limitação que impeça rotação externa de braço com mãos apoiadas e dedos apontados para trás, pode-se então manter o apoio sobre rotação interna de braço.

Atente-se para fazer círculos menores, a fim de estabilizar o tronco e não inclinar a pelve anteriormente.

A cada círculo, realize uma forca de afastamento das pernas do centro do corpo, afim de abrir os flexores do quadril.

Músculos que participam:

  • Reto do abdômen, oblíquo interno e oblíquo externo do abdômen enquanto flexores e rotadores anterior da coluna vertebral.
  • Iliopsoas, sartório, tensor da fáscia lata, reto femoral e pectíneo enquanto flexores do quadril.
  • Transverso do abdômen enquanto estabilizador de tronco.
  • Adutor magno, adutor longo, adutor curto e grácil enquanto adutores de quadril.
  • Quadríceps femoral enquanto extensor de joelho.
  • Gastrocnêmio e soleo enquanto flexores de tornozelo.
  • Grande dorsal, redondo maior, parte média de deltoide enquanto extensores de ombro.
  • Trapézio, serrátil anterior em suas fibras inferiores enquanto depressores da escapula.
  • Tríceps braquial enquanto extensor de cotovelo.

Conclusão

Como vimos, a função do psoas ainda e muito questionada, já que o músculo iliopsoas pode alterar padrões funcionais de movimento, o tornando muito complexo.

Porém, uma dica que vale para todos instrutores de Pilates é que, de maneira alguma podemos, permitir que os flexores de quadril trabalhem em tensão.

O afastamento da cabeça do fêmur, levando os pés ao longe, é comando obrigatório nos exercícios em que os membros inferiores são retirados em conjunto do solo.

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Câncer de Mama e Método Pilates: sexualidade, autoestima e qualidade de vida

Câncer de Mama e Método Pilates: sexualidade, autoestima e qualidade de vida

Com o crescimento do Método Pilates, sua utilização foi além do objetivo de condicionamento físico, há estudos e evidências científicas sobre a sua aplicação e seus benefícios com mulheres que tiveram Câncer de Mama.

O câncer de mama é um dos tipos de câncer que representa maior índice de mortalidade na população feminina mundial e brasileira.

Diante do contexto que engloba o diagnóstico da doença, fases do tratamento e a sua cura, a mastectomia, que consiste na retirada total e/ou parcial do tecido mamário, traz para a mulher, grande incômodo físico e emocional, com experiências de depressão, ansiedade, distúrbios sexuais e limitações para realizar suas atividades diárias.

Portanto, todos estes episódios afetam a sexualidade, a autoestima e a qualidade de vida das mulheres submetidas ao tratamento do câncer.

Continue lendo esta matéria e veja os benefícios e influências do Método Pilates para o tratamento e reabilitação de mulheres com câncer de mama. Confira!

 O Câncer de Mama

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As mamas representam na cultura aspectos fisiológicos e psicológicos femininos. São glândulas formadas por estruturas anatômicas denominadas de lobos, lóbulos e ductos mamários com a principal função de produção e ejeção de leite.

Possuem, inclusive, uma resposta em relação a feminilidade e sexualidade feminina, representam sua condição como mulher.

Uma das diversas doenças que afetam as mamas e que representa a principal causa de mortalidade feminina no Brasil são as neoplasias malignas, ou mais conhecidas como, câncer de mama.

Segundo o Ministério da Saúde, os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama são: sexo feminino, menarca precoce (antes dos 11 anos), menopausa tardia (após os 55 anos), nuliparidade, gestação após os 30 anos, fatores hereditários, dieta rica em gordura e pobre em fibras, obesidade e exposição exagerada a raios ionizantes.

O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de nódulos que na maioria dos casos são indolores, duros e irregulares. Estes possuem mais chances de serem malignos, porém há tumores que são macios e arredondados; portanto, um exame específico e detalhado torna-se essencial para o fechamento do diagnóstico clínico.

Quanto maior o tumor, menores são as chances de cura, logo, a detecção precoce é uma estratégia fundamental, com medidas de prevenção.

As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico das mamas e a mamografia que, complementados pela ultrassonografia, geralmente fornecem dados suficientes para o estadiamento clínico do tumor e as opções entre os tratamentos.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais incidente, representando 25% do total de casos de câncer no mundo em 2012, com aproximadamente 1,7 milhão de casos novos naquele ano.

É a quinta causa de morte por câncer em geral (522.000 óbitos) e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres.

No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama também é o mais incidente em mulheres de todas as regiões, e para o ano de 2017 foram estimados 57.960 casos novos, que representam uma taxa de incidência de 56,2 casos por 100.000 mulheres.

O tratamento inclui abordagem múltipla, que envolve cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia, sendo que o método mais utilizado é a mastectomia- procedimento cirúrgico que consiste na retirada da mama total ou parcial, com ou sem a retirada dos gânglios linfáticos.

As diversas técnicas de cirurgia estão relacionadas com o tipo, localização e diâmetro do tumor que podem ser: conservadora, radical de Halted, radical modificada, radical modificada de Patey, radical modificada de Madden, Mastectomia total, ultraradical e subcutânea, portanto, a escolha da cirurgia dependerá de cada paciente.

Quanto mais precoce o diagnóstico as chances de sobrevivência são de 88% e apesar do aumento das taxas de sobrevida, o tratamento resulta em diversos efeitos como a diminuição da capacidade funcional, fadiga, disfunção do sistema imunológico, diminuição da massa óssea, força muscular e distúrbios em relação aos aspectos emocionais que inclui, depressão, diminuição do desejo sexual, vergonha, ansiedade e imagem corporal alterada.

Estudos demonstram que pacientes mastectomizadas, que realizam cirurgia conservadora ou reconstrução mamária criam alterações da imagem corporal e evitam se olhar no espelho para não se sentirem constrangidas.  

Como o Câncer de Mama afeta na sexualidade e autoestima feminina

Mulheres submetidas à cirurgia de mama tem seu estilo de vida modificado, não apenas mudanças musculoesqueléticas, mas também emocionais, na maioria das relações e interações familiares e sociais que participa.

Aspectos como distorções da autoimagem, autoestima e sexualidade ocorrem nestas mulheres que após uma mastectomia sentem que junto com aquela mama, houve a também a retirada da sua feminilidade e uma parte sua como mulher.

Além da fisioterapia, a abordagem multidisciplinar é de extrema importância no tratamento destas disfunções.

A abordagem fisioterapêutica nas disfunções sexuais e autoimagem, requer conhecimentos anatômicos, fisiológicos, psicológicos e específicos sobre a sexualidade.

Estudos mostram que, alterações emocionais importantes, permanecem por vários anos, naquelas pacientes sobreviventes após o tratamento da doença e um dos problemas que está relacionada aos aspectos emocionais é a resposta sexual.

As alterações sexuais podem ocorrer em qualquer fase da doença e incluem: falta de desejo, dispareunia, vaginismo, anorgasmia.

O ato sexual feminino, depende de estímulos físicos e psíquicos e um dos mecanismos que estão relacionados ao desejo, excitação e orgasmo é a eficiência da musculatura do assoalho pélvico.

A vagina possui poucas fibras nervosas sensoriais e os MAP conferem sensibilidade proprioceptiva que contribui para o prazer sexual e desempenham importante papel no momento da lubrificação e ereção femininas através de estímulos sensoriais e psíquicos, além de possuírem papel fundamental no orgasmo feminino, pois são estes músculos que se contraem ritmicamente auxiliando a contração uterina e favorecendo a motilidade dos espermatozoides até o óvulo.

As disfunções sexuais podem estar relacionadas as disfunções da musculatura do assoalho pélvico (MAP) que devido a alterações nos tônus podem provocar condições que afetem o ato sexual.

De acordo com queixa, a fisioterapia entrará com vários recursos com o objetivo de normalização da mobilidade da pelve e adequação dos tônus do MAP através de vários recursos e um dos recursos que podem ser utilizados para o tratamento é o Método Pilates.

Benefícios do Método Pilates para pacientes com Câncer de Mama

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Com a prática orientada dos exercícios há um aumento da contratilidade, resistência e flexibilidade dos músculos do assoalho pélvico, principalmente exercícios que estimulam o trabalho da região pélvica e consequentemente promove o aumento da lubrificação da região genital, desejo sexual e diminuição da dor.

A prática constante do Método libera vários hormônios e neurotransmissores que são substâncias químicas específicas fabricadas pelo nosso sistema endócrino; dentre elas a endorfina que está associada ao relaxamento, alívio e contentamento.

Quando este hormônio é liberado, aumenta a disposição física e mental e seu estímulo crônico com exercícios frequentes como o Pilates ajuda na mudança da percepção da imagem corporal e qualidade de vida.

Há uma melhora da consciência corporal, da concentração e respiração contribuindo assim para a qualidade das atividades diárias.

Exercícios de Pilates para paciente com Câncer de Mama

1. Bent knee follout

Posição Inicial: Decúbito dorsal com membros superiores estendidos ao lado do corpo e membros inferiores com joelhos em flexão e pés apoiados no chão.

 Execução: Inspirar para preparar e expirar realizando uma abdução da coxa e extensão do joelho (solo). Inspirar para preparar e expirar retornando à posição inicial.

 2. Pelvic clock

Posição Inicial: Decúbito dorsal com membros superiores estendidos ao lado do corpo e membros inferiores com joelhos em flexão e pés apoiados no chão.

Execução: Realizar anteversão, retroversão e lateralização do quadril movimentando no sentido do ponteiro de um relógio (cicatriz umbilical – l12h, espinha ilíaca esquerda – 3h, púbis – 6h; espinha ilíaca direita – 9h) .

3. Dead bugs

Posição Inicial: Decúbito dorsal com os membros inferiores em 90º com joelho em flexão.

Execução: Inspirar para preparar e expirar descendo um membro em direção ao solo e retornar (não estender o joelho).

 4. Aductor squeeze

Posição Inicial: Decúbito dorsal com joelhos em flexão e pés apoiados no solo.

Execução: Colocar o magic circle entre as coxas, inspirar para preparar e expirar apertando o círculo.

5. Abductor squeeze

Posição Inicial: Decúbito dorsal com joelhos em flexão e pés apoiados no solo.

Execução: Colocar o círculo por fora da coxa (na linha da lateral dos joelhos) inspirar para preparar e expirar realizando o movimento de afastar os joelhos.

6. Shoulder bridge

Posição Inicial: Um joelho em flexão com pé apoiado no solo e o outro membro inferior em extensão para o teto.

 Execução: Inspirar para preparar e expirar levantando quadril e coluna do solo. Inspirar e expirar voltando a posição inicial.

 7. Leg circle

Posição Inicial: Um joelho em flexão com pé apoiado no solo e o outro membro inferior em extensão para o teto.

Execução: Inspirar para preparar e expirar realizando um círculo com o membro inferior no sentido horário e anti-horário.

8. Roll up

Posição Inicial: Decúbito dorsal com joelhos em extensão e membros superiores estendidos com os dedos apontando para o teto.

Execução: Inspire para preparar e expire levando membros superiores para frente e realizando a flexão da coluna. Inspire para preparar e expire retornando a posição inicial articulando a coluna.

9. Side kick

Posição Inicial: Decúbito lateral com membro inferior embaixo em flexão e o membro de cima em extensão (pé em dorsiflexão).

 Execução: Realizar a abdução de quadril e a flexão de quadril (com joelho estendido).

10. Legwork

Posição Inicial: Em pé

Execução: Colocar o círculo entre os tornozelos e sempre quando expirar apertar o círculo. Realizar com o magig circle entre as coxas e com o mesmo comando.

Conclusão

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Conforme foi visto, mulheres que foram submetidas à cirurgia de mastectomia tem seu estilo de vida modificado tanto por mudanças musculoesqueléticas, quanto por mudanças emocionais.

E fisioterapeutas, quando possui conhecimentos anatômicos, fisiológicos, psicológicos e específicos sobre a sexualidade feminina, pode exercer grande colaboração para a restauração da autoimagem e autoestima.

Isso sem contar que, os exercícios do Método Pilates podem ser aliados para a melhora da qualidade das atividades diárias exercidas por estas mulheres através da consciência corporal, da concentração e respiração.

Referências

ABREU, F. E. A.; NOGUEIRA, V. M.; NOGUEIRA, M. M. Método Pilates na Reeducação Postural de Mulheres Mastectomizadas. CORPVS-Revista dos Cursos de Saúde da Faculdade Integrada do Ceará, Fortaleza, n. 25, p. 13-19, Jan/Mar 2013

CARVALHO, D, M.; MARTINS, C.; REZENDE, L. F. Sexualidade no Pós- Operatório de câncer de mama. Revista científica da UNIFAE, v. 5, n. 2, 2011.

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7 curiosidades que você precisa saber sobre a Jornada Sul-Americana de Pilates

7 curiosidades que você precisa saber sobre a Jornada Sul-Americana de Pilates

Se você já me acompanha, com certeza já deve ter ouvido falar na Jornada Sul-Americana de Pilates. Mas você sabe o que torna esse evento tão especial?

A Jornada Pilates é um evento realizado todos os anos, em um hotel em Gramado no Rio Grande do Sul. Em três dias de pura imersão no Pilates, você adquire conhecimentos dos maiores palestrantes nacionais e internacionais do Método. 

Isso sem contar a oportunidade incrível de conhecer pessoas novas da área e desfrutar todos os encantos de uma das cidades mais charmosas do Sul do país. 

Em 2020, a Jornada Sul-Americana de Pilates estará em sua sétima edição e irá acontecer entre os dias 08 e 10 de maio. 

Por isso, para te deixar ainda mais por dentro do assunto, preparei esse texto com 7 curiosidades que você precisa saber sobre esse evento tão extraordinário! Vamos lá?

1. Mais de 1.500 congressistas

A primeira edição da Jornada Sul-Americana de Pilates aconteceu em  2014 e de lá para cá, mais de 1.500 congressistas já participaram do evento. 

Com instrutores de todas as regiões do Brasil, você tem a oportunidade de realizar um super networking, compartilhando e recebendo muitos conhecimentos sobre o Método Pilates. 

Cada edição possui o número limitado de apenas 320 vagas, proporcionando assim,  um momento exclusivo e com foco total em aprendizados para cada participante.

2. Os maiores nomes do Pilates nacional e mundial como palestrantes

A Jornada Sul-Americana de Pilates sempre traz palestrantes de autoridade para ministrar os workshops. E o mais legal disso tudo, é que eles também se hospedam e circulam no mesmo ambiente que o seu. 

Nomes internacionais e de referência para o Método já passaram pela Jornada, como por exemplo, Lolita San Miguel, Kathy Corey, Elizabeth Larkam e Deborah Lessen. 

Além dos especialistas brasileiros como Adriana Coldebella, Thalyssa Laranjeiras, Keyner Luiz e Marlon Bluner. 

3. Palestras exclusivas

Todos os conteúdos ministrados pelos palestrantes durante a Jornada Sul-Americana de Pilates são inéditos, eles foram pensados e planejados exclusivamente para o evento.

Com o objetivo de proporcionar uma imersão e uma visão 360° do Método, os workshops abordam diversos temas entre princípios, reabilitação e muita prática de exercícios utilizando diferentes acessórios e equipamentos. 

Isso sem contar que você tem o palestrante ao lado executando, auxiliando e corrigindo todos os movimentos.

4. Prêmio Contrology

Prêmio Contrology ou mais conhecido como Oscar do Pilates, é uma Cerimônia de Premiação que acontece em uma noite célebre da Jornada Sul-Americana de Pilates. 

Com o intuito de trazer reconhecimento aos profissionais que trabalham com o Método Pilates na América do Sul, e principalmente no Brasil, o prêmio nomeia através de uma votação aberta, os destaques do ano em seis categorias: Profissional do Ano, Revelação, Destaque Científico, Studio de Sucesso, Destaque Sul-Americano e Influenciador Digital.

Em um jantar memorável, você pode comemorar ao lado dos vencedores do Prêmio e também de todos os palestrantes. A noite termina com uma banda ao vivo em momento de muita emoção e divertimento.

5. Evento mais charmoso

A Jornada Sul-Americana de Pilates  acontece em Gramado, uma das cidades mais elegantes e charmosas da Serra Gaúcha. 

Além de vivenciar dias intensos imerso no Método Pilates, você tem a oportunidade de aproveitar o turismo que conta com belíssimas paisagens, clima europeu, arquitetura encantadora e uma culinária deliciosa.

6. Hotel mais tradicional

A hospedagem e todo o evento é realizado no consagrado Hotel Serra Azul que está localizado no centro da cidade, próximo a mais de 40 atrações a pé, e também possui uma excelente infraestrutura com áreas de piscina, academia, sauna aquecida e ambiente de descanso com lareira.

A diária inclui café da manhã e mimos, como chocolate quente na recepção e bombons oferecidos todos os dias em seu quarto. 

7. Itens Inclusos

Ao aderir a Jornada Sul-Americana de Pilates você garante não só a hospedagem e a participação nos workshops, mas também certificação pelo Grupo VOLL, camiseta exclusiva, Coffee Break, bloco de anotações e acesso aos materiais de todos os palestrantes. 

Ah, e os primeiros inscritos além de tudo isso, pode ganhar condições especiais de valores e brindes diferenciados sem nenhum custo adicional.

Separador Jornada Sul-Americana de Pilates

Você já viu que a Jornada Sul-Americana de Pilates é  um evento imperdível, né? 

As inscrições da Jornada 2020 serão oficialmente abertas no dia 15 de Julho. Então faça parte da lista VIP e receba todas as informações em primeira mão! 

Pilates na Obesidade: Saiba quais os benefícios para alunos acima do peso

Pilates na Obesidade: Saiba quais os benefícios para alunos acima do peso

Já é de conhecimento público que o Método Pilates faz bem para a mente e o corpo, que é uma ótima alternativa no quesito atividade física regular ou reabilitação.

Mas o que poucas pessoas sabem é que o Pilates também pode agir de forma significativa, colaborando com a redução de peso e vários benefícios físicos e mentais.

É por esse motivo que, muitas vezes, utilizar o Método Pilates na Obesidade pode garantir ao seu aluno uma ótima evolução corporal! Que tal saber como isso é possível? Continue lendo o texto!

Características da Obesidade

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta amenizar o maior mal de todos os tempos, a obesidade. Um problema que afeta adultos e crianças que só vem crescendo devido aos maus hábitos como:

  • Sedentarismo;
  • Consumo de alimentos inadequados;
  • Poucas horas de sono;
  • Estresse gerado pela excitação emocional das rotinas;
  • Falta de exercícios regulares.

Que levam o organismo a um processo devastador aumentando a gula e por consequência a obesidade, que nada mais é que uma doença grave que precisa ser tratada.

Nos países mais desenvolvidos cerca de 60% da população está acima do peso ou obesa, fazendo com que a administração pública e hospitalar fique em alerta. Podemos dizer que é o mal do século XXI e mais uma vez o analfabetismo motor se faz presente.

Não podemos ficar reféns de pequenos botões para se conectar com o mundo exterior, temos que ir além!

Precisamos colocar o corpo em movimento para aumentar o gasto calórico, somente desta forma evitaremos o excesso de peso e gozaremos de uma vida mais saudável.

Meu corpo minha casa

Pessoas informadas já sabem que a obesidade é doença e influencia vários tipos de câncer, problemas ortopédicos, diabetes tipo 2, doença do coração, pedra na vesícula, varizes de membros inferiores, artrite, derrame, apneia, refluxo esofágico, tumores de intestino e pressão alta (70% dos obesos possuem pressão alta).

A principal causa desta doença está relacionada a ingestão em excesso de grandes quantidades calóricas. Mais do que é recomendado diariamente para cada indivíduo.

A obesidade nada mais é do que o acumulo de gordura corporal ingerida ao longo de meses/anos sem nenhum tipo de controle ou cuidado com a saúde.

Pessoas que dormem tarde tem a tendência de comer até o horário de deitar. Neste caso é recomendado dormir mais cedo para não ficar assaltando a geladeira a cada 15 ou 30 segundos, comendo coisas com alta concentração calórica e baixa qualidade nutritiva.

Consequências da Obesidade

Com a obesidade o cansaço é mais presente, o metabolismo fica mais lento, o indivíduo perde a vontade de viver a vida e fica refém da comida, do sofá e do sedentarismo. Todos nós precisamos de uma pratica regular de exercícios físicos, principalmente as pessoas obesas.

A pratica do Pilates na Obesidade, como exercício físico nessas condições, é mega recomendado juntamente com uma dieta bem balanceada. Somente desta forma que sua gordura reduzira afastando o fantasma da obesidade.

O ponto crucial para esta pratica regular é tirar o indivíduo da sua zona de conforto e mantê-lo incentivado.

Tipos de Gordura do Corpo Humano

Encontramos 6 tipos de gorduras em nosso corpo, sendo elas:

Gordura essencial

Ela regula a temperatura corporal, faz absorção de vitaminas e ajuda na produção de hormônios, entre outras coisas.

Gordura branca

Transforma calorias em células adiposas. São aqueles pneuzinhos que ficam caindo para fora das nossas calça.

Gordura marrom

Sua principal função é estimular o corpo a usar energia, ela queima calorias para gerar calor, ao contrário da gordura branca. Uma descoberta recente prova que em ambientes mais frios, acelera a atividade da gordura marrom queimando o excesso das gorduras brancas mais rapidamente.

Gordura bege

É bem parecido com a gordura marrom que queima calorias para manter a temperatura corporal. A gordura bege tem a sua origem na gordura branca quando o organismo sofre um estresse saudável com a pratica regular de atividade física.

Gordura subcutânea

Fica localizada sob a pele e não é tão prejudicial como as outras, a atividade física aliada a uma alimentação saudável com baixa caloria, faz com que você mantenha bons níveis dessa gordura.

Gorduras viscerais

É a mais prejudicial para o organismo, fica depositada entre as vísceras (órgãos), está relacionada ao aumento da diabetes, colesterol, infarto, derrame e hipertensão.

O que mais pode levar um indivíduo a obesidade?

  1. Genética – Está relacionada a família;
  2. Costumes – Pais e mães que comem demasiadamente e transfere para seus filhos este vicio de gula;
  3. Ansiedade – Quando a pessoa tem problemas e não consegue resolvê-los, tem mal estar e aflição. Ficam impacientes e acabam descontando na comida;
  4. Depressão – Persiste na perda de interesse por algo, é o mais comum dos transtornos mentais, deixa o indivíduo triste e pessimista. É uma doença tratável;
  5. Síndrome de Cushing – É o aumento de grandes quantidades de cortisol no corpo;
  6. Hipotireoidismo – A glândula não produz quantidade de hormônio suficiente da tireoide (T3 e T4) podendo ganhar peso.

Vantagens de praticar o Pilates na Obesidade

  • Melhora a respiração;
  • Diminui o excesso de gordura;
  • Aumenta a autoestima;
  • Melhora a postura;
  • Melhora o equilíbrio;
  • Força;
  • Flexibilidade;
  • Aumenta o gasto energético;
  • Desenvolve o gosto pela sua pratica regular.

Índice de Massa Corporal (IMC)

Temos um bom parâmetro para diagnosticar a obesidade, o Índice de Massa Corporal (IMC), a Organização Mundial da Saúde (OMS) utiliza uma tabela como referência. Lembrete: esta tabela não é aplicada em crianças. Confira:

  • < 18,5: abaixo do peso
  • 18,5 – 24,9: normal
  • 25 – 29,9: excesso de peso
  • – 34,9: obesidade leve (grau I)
  • 35 – 39,9: obesidade severa (grau II)
  • > 40: obesidade mórbida (grau III).

É uma forma simples de verificar se tem ou não obesidade corporal.

Conclusão

A obesidade é uma doença que precisa ser tratada de forma sistemática. O indivíduo com sobre peso ou obeso, na maioria das vezes precisa de um profissional da saúde para auxiliar nesta tarefa. Acredite, é difícil seguir todos os protocolos para ter uma vida mais saudável, mas é possível.

Pilates é um método de condicionamento físico que visa integrar o corpo de forma eficiente, apresentando grande variedade nos exercícios que podem ser realizados de inúmeras formas:

Deitado, sentado, ajoelhado, de lado, cócoras e em pé que devem sempre ser passados e acompanhados de forma individual, respeitando os limites de cada um, somente desta forma vamos respeitar as dificuldades motoras relacionadas a mobilidade e as articulações.

O praticante do Método Pilates na Obesidade nem sempre chega a exaustão, mas as vezes é preciso.

Pessoas praticando Pilates na Obesidade terão melhores resultados no emagrecimento, qualidade de vida, melhora na mobilidade, descarga de peso, dissociação dos membros superiores e inferiores, melhor ativação do Power House e muito mais.

Pilates ajuda a Aliviar Ansiedade? Entenda os Benefícios do Método

Pilates ajuda a Aliviar Ansiedade? Entenda os Benefícios do Método

Todos sentimos ansiedade em algum momento da vida. Antes de uma prova, por exemplo, o estudante sente aquele acelerar o coração e aumento da pressão arterial característicos da emoção. O mesmo acontece em momentos de estresse excessivo, como numa prova esportiva, ou momentos de perigo. É uma reação normal do corpo preparando-se para ativar o mecanismo de fuga ou luta.

No entanto, a vida moderna criou um estilo de vida tão cheio de ansiedade que ela pode tornar-se uma condição crônica. Algumas pessoas sofrem de ansiedade e medo extremo em situações simples do cotidiano, podendo apresentar sintomas físicos sérios.

Também é possível que aconteçam ataques de pânico, especialmente em pacientes que apresentam síndrome do pânico. Os sintomas, em casos mais graves, são bastante similares a um ataque cardíaco. Deu para perceber a gravidade do problema?

Mas o que nós, como profissionais do movimento podemos fazer? Sozinhos nada. A ansiedade é um problema que precisa de ajuda psicológica especializada para ser tratada. No entanto, praticar modalidades, como o Pilates, pode trazer benefícios interessantes para esses pacientes. Pelo menos quando eles também possuem um acompanhamento psicológico adequado.

Reação do corpo à ansiedade

Antes de começar a explicar os benefícios do Pilates ao corpo de um indivíduo com ansiedade, vale a pena entender um pouco mais seus sintomas. Durante um episódio ansioso o corpo libera hormônios que o permitem fugir ou lutar numa emergência. No entanto, a vida atual não permite simplesmente fugir ou brigar fisicamente com problemas.

Assim, o paciente passa por aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação dos brônquios, menor mobilidade do intestino, dilatação das pupilas e maior liberação de glicose no sangue. É o ideal para quem está se preparando para lutar um round de 4 minutos de boxe ou fugir de um leão na savana. Mas não é perfeito para um trabalhador de escritório que fica sentado 8 horas por dia.

A liberação constante do hormônio cortisol durante esses episódios também pode prejudicar o organismo, causando aumento da massa adiposa, diminuição da produção de muco gástrico e maior fadiga muscular e cerebral.

Como o Pilates pode ajudar a aliviar ansiedade?

Pessoas ansiosas possuem pior qualidade de vida, além de pior desempenho no trabalho e estudo. Portanto, encontrar forma de diminuir a ansiedade, seja ela em níveis patológicos ou controlados, porém maléficos, é importante. O Pilates é uma boa forma graças a sua aplicação dos princípios determinados por Joseph Pilates.

Os exercícios proporcionam melhor condicionamento físico, fortalecimento muscular, flexibilidade, entre muitos outros benefícios que já conhecemos. Como resultado, o indivíduo que pratica o Método de forma regular consegue melhorar sua energia corporal e resistência física.

Além disso, a prática proporciona melhorias no padrão de sono. Considerando que a falta de sono pode ser tanto sintoma quanto causadora da ansiedade, é um benefício importante.

Também considera-se que a forma de trabalhar a respiração no Pilates é uma forma de aliviar a ansiedade. Quando estamos sob estresse o corpo apresenta uma respiração mais forçada e que causa fadiga. Aprender a controlá-la também ajuda a diminuir a liberação de hormônios característicos do quadro.

Por fim, também temos o relaxamento muscular, que é tão importante em indivíduos ansiosos. Pessoas extremamente tensionadas tendem a sentir mais dores, algo que torna-se um ciclo que alimenta o quadro, ao invés de aliviar ansiedade.

Fatores que auxiliam a aliviar ansiedade

Praticar Pilates realmente ajuda a aliviar a ansiedade, estresse e até a melhorar quadros depressivos. No entanto, ele não é o suficiente para que nossos alunos ansiosos consigam melhora completa na sua qualidade de vida. Quando percebermos esse tipo de quadro é importante orientá-los para, primeiramente, buscar ajuda profissional especializada.

Além disso, indivíduos que sofrem com ansiedade extrema devem tentar adotar algumas mudanças simples no estilo de vida. Oriente seus alunos a começar uma dieta balanceada, com quantidade controlada de sal e muita ingestão de água, verduras e legumes. Outra ideia interessante é começar práticas que contribuam para o alívio da mente, como a meditação.

Medicina oriental também pode ter efeitos para aliviar a ansiedade, então podemos recomendar que busquem acupuntura ou massagem para complementar o tratamento. Devemos sempre lembrar que não somos profissionais da saúde mental. Se o aluno realmente precisa de ajuda ele deve buscar um psicólogo ou terapeuta para tratar seu quadro.

Pilates para aliviar ansiedade em estudos

Estudos mostram que Pilates realmente é bastante eficiente para o controle e alívio da ansiedade. Um experimento com 70 trabalhadores do setor bancário mostrou os efeitos que massoterapia e Pilates possuíram no bem-estar, estresse e ansiedade dos profissionais.

O estudo dividiu os indivíduos em três grupos: controle, massoterapia e Pilates. Enquanto o grupo controle só recebeu orientações verbais para aliviar a ansiedade e estresse, os outros dois passaram por tratamento com as respectivas modalidades. Tanto o grupo de massoterapia quanto o de Pilates conseguiram melhora significativa na escola HAD, usada para medir ansiedade e depressão.

Conclusão

A ansiedade é uma condição bastante comum no mundo atual e prejudica muito a vida do seu aluno. Quer proporcionar melhor qualidade de vida? Treino periódico de Pilates pode ajudar e muito na condição, aliviando sintomas e até diminuindo episódios de crises.

No entanto, lembre ao seu aluno que os benefícios proporcionados pela prática são temporários. Aliviar a ansiedade exige treinos semanais para manter os benefícios e relaxamento muscular. Quem treina de vez em quando sequer consegue aproveitar tudo que o Pilates proporciona.

 

 

Bibliografia
Dificuldades de trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates

Dificuldades de trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates

Por acaso você já usou o comando de “segure o xixi” para sua aluna durante a aula? Isso é um problema bastante sério que acontece quando muitos profissionais tentam trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

Recomendo não utilizar esse comando e deixar o assoalho pélvico livre para prevenir sobrecarga. Quer entender por quê? É só continuar lendo e entender os motivos científicos para tantas dificuldades ao trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

Anatomia do Assoalho Pélvico

Quero mostrar algumas das principais dificuldades que profissionais do Pilates têm ao trabalhar o assoalho pélvico. Por isso, vale a pena fazer uma rápida revisão dele, que é formado por estruturas responsáveis por encerrar a pelve anteriormente, como:

As musculaturas do assoalho pélvico (MAP) são organizadas em músculos profundos e superficiais. Na camada superficial encontramos o períneo. Ele é constituído pelos órgãos genitais externos e o ânus. No MAP masculino, o períneo começa na bolsa escrotal e termina no ânus. Já nas mulheres, eles começa na vulva e termina também no ânus.

Encontramos os seguintes músculos na camada superficial do MAP:

  • Bulboesponjoso;
  • Isquicavernoso;
  • Transverso superficial;
  • Profundo períneo;
  • Esfíncter uretral externo;
  • Esfíncter anal externo.

Função das Musculaturas do Assoalho Pélvico (MAP)

A principal função das estruturas dessa camada é manter o fluxo urinário. Eles também promovem a ereção do clitóris e do pênis, além de proporcionar a ejaculação e as contrações da vulva durante o organismo. Outra importante função é proporcionar o parto.

A camada profunda do MAP é formada pelas seguintes musculaturas:

  • Isquioscoccígeos;
  • Levantadores do ânus (puborretal, pubococcígeo);
  • Levantador da próstata e pubovaginal;
  • Iliococcígeo.

Nessa cama encontramos as estruturas que formam o diafragma pélvico. Elas sustentam os órgãos internos, permanecendo contraídos durante todo o tempo.

Em eventos que causam aumento da PIA, como a tosse ou espirro, essas musculaturas realizam uma contração rápida. É esse reflexo que mantém os órgãos na posição normal. Sua atuação também controla a defecação e a micção. Os músculos possuem esfíncteres que permanecem fechados, só abrem quando a musculatura se relaxa.

Biomecânica do Assoalho Pélvico

Pesquisas corroboram com a descrição do músculos levantador do ânus como uma forma de cúpula dupla. Estima-se que o fascículo iliococcígeo tem uma forma de cúpula de convexidade superior.

Considerando que a maioria da população apresenta a nível de musculatura do assoalho pélvico uma morfologia de duplo cúpula de concavidade inferior, é possível imaginar que essa seria a morfologia normal para um MAP saudável.

Com a presença de duas cúpulas horizontais, é possível distribuir as forças exercidas pela cavidade torácica do abdômen em quatro pilares. Eles são:

  • Arco tendíneo da aponeurose obturante;
  • Núcleo fibroso central;
  • Anococcígeo raphia;
  • Cóccix.

Manter essa morfologia normal das cúpulas pélvicas é essencial para conseguir manter também a função insubstituível do assoalho pélvico. O fascículo iliococcígeo tem uma função especialmente importante que precisamos preservar ao trabalhar o assoalho pélvico no Pilates.

O que é o Fascículo Iliococcígeo?

Ele é o detentor dos órgãos pélvicos, a mesma função exercida pela aponeurose pélvica. Além disso, ele realiza o amortecimento da pressão exercida pelas vísceras no local durante esforços que causam hiperpressão na região abdominotorácica.

Durante tais esforços, as vísceras da pelve sofrem um deslocamento para baixo e para trás. Durante esse deslocamento, eles seguem a rota de um arco de círculo com um raio correspondente aos ligamentos útero sacros. Assim, forças oblíquas para baixo e para trás são aplicadas nas estruturas do MAP.

A força acontece em direção perpendicular às cúpulas pélvicas. Portanto, temos uma boa explicação para a forma do elevador do ânus sendo côncava para baixo e para trás. Ele auxilia na divisão de forças, deixando-as iguais em seus pilares.

A função de amortecimento do elevador do ânus permite também proteção dos plexos nervosos pudendo e hipogástrico. Se existe um problema nos pilares do MAP, as cúpulas provavelmente estarão lesionadas.

Como podemos trabalhar o Assoalho Pélvico no Pilates?

As dificuldades encontradas no trabalho de assoalho pélvico no Pilates são completamente justificáveis. Para entender isso, precisamos compreender também como o MAP é formado.

Ele tem uma elevada quantidade de tecido conjuntivo em sua formação. O tônus muscular necessário para todas suas funções e para amortecer o deslocamento das vísceras acontece com o uso de fibras musculares muito pequenas.

Assim, temos um pavimento pélvico formado por 80% de tecido conjuntivo e 20% de fibras musculares estriadas. Além disso, 80% dessas fibras musculares são de tipo I e 20% são de tipo II.

O músculo elevador do ânus é um excelente exemplo do funcionamento do assoalho pélvico. Ele é formado especialmente por fibras lentas, que são 70% da sua composição.

Musculatura Perineal

A filogênese nos indica que a pelve vem evoluindo para que consigamos nos adaptar à bipedestação. Assim, ela sofreu mudanças nas suas funções fundamentais de gestação e suporte das vísceras.

As mudanças de pressão também tiveram um efeito importante na pelve e no assoalho pélvico. Atualmente, um sistema complexo de fáscias e ligamentos são responsáveis pelo suporte dos órgãos da pelve menor. Com a nova distribuição de forças, a região passou a ser submetida a cargas diferentes.

A musculatura perineal sofre em especial com os frequentes aumentos da PIA. As alterações pressóricas podem gerar alterações na composição muscular na região, podendo até diminuir o número de fibras tipo II no elevador do ânus.

Caso o assoalho pélvico passe por essa alteração de composição muscular ele perde boa parte da sua função. Assim, os pacientes sofrem com o surgimento de diversas patologias, como:

Capacidade de controle da parede abdominal

Outro problema que encontramos ao tentar trabalhar o assoalho pélvico no Pilates é o controle da parede abdominal. Durante a força, ela deve mobilizar-se para dentro. Assim, as vísceras deslocam-se para baixo e para trás em direção ao pavimento, que realiza seu suporte.

Só existe um probleminha: ao longo da maturação dos músculos abdominais nós perdemos boa parte da nossa capacidade de controlar a parede abdominal. Ao redor dos 8 anos de idade já começamos a perder a eficiência dessa musculatura

Como resultado, a parede abdominal sofre um deslocamento anterior e a parede anterior da vagina se desloca para baixo e para a frente durante a contração do transverso do abdômen. Isso pode ou não estar relacionado à hipotonia do assoalho pélvico que existe em boa parte dos indivíduos.

A cavidade abdomino-pélvica está cercada pelo:

  • Diafragma (acima);
  • Coluna vertebral (atrás);
  • Costelas (na porção superior);
  • Pelve (abaixo).
  • Diafragma pélvico (encerramento inferior).

A PIA aumenta para realizar algumas ações fisiológicas, como espirrar, tossir, defecar, vomitar e fazer outros tipos de esforços. Para diminuir a PIA, a área do abdômen diminui através da ação sinérgica de estabilizadores da coluna e músculos profundos do abdômen.

Esse mecanismo é o responsável por distribuir a pressão aumentada pelas paredes do assoalho pélvico. Com a contração do diafragma e dos músculos do abdômen a PIA também aumenta. Em situações normais e com o MAP em seu funcionamento fisiológico, a PIA sofre elevação para conter as vísceras no seu posicionamento.

Porém nem todos têm músculos abdominais com força e controle o suficiente para gerar o movimento para baixo das vísceras e uma contração sinérgica do assoalho pélvico. Alguns fatores de risco alteram esse mecanismo, incluindo:

  • Gravidez;
  • Parto;
  • Disfunções do pavimento pélvico;
  • Disfunções do diafragma torácico;
  • Dor lombar.

Desafios para o Pilates

Quem trabalha com movimento tem um grande desafio pela frente. A vida moderna proporciona a hiperpressão no corpo por causa da bipedestação e diversos outros fatores. Além disso, o conforto trazido pela tecnologia aplicada à vida diária criou uma vida que é gerida pelo sistema nervoso parassimpático. Portanto, existem diversas alterações no sistema corporal.

O sedentarismo fez com que as musculaturas do assoalho pélvico se tornassem mais relachadas. Para resolver esse problema, muitos usam o comando de “segure o xixi” durante as aulas de Pilates. Mas isso é um erro que pode causar ainda mais dificuldades no futuro.

Comecemos entendendo que Joseph ou Clara Pilates nunca utilizaram esse comando no seu método original. Foi Paul Hodges que trouxe esse conceito para nossas aulas e, atualmente, ele mesmo admite que errou e que muitos também erraram na sua interpretação.

A pesquisa de Paul Hodges sobre o reflexo antecipatório postural ficou conhecida e recebeu poucas críticas. Ele mostrou que o transverso abdominal se contra cerca de 20 milissegundos antes de outras atividades musculares. Portanto, imaginava que seria necessário fortalecer todas as musculaturas que realizam suporte da coluna para protegê-la.

Como parte das musculaturas de suporte da coluna, o assoalho pélvico precisaria de um trabalho de fortalecimento nas aulas de Pilates. Mas lembra da composição muscular do MAP que mencionei anteriormente? Essas musculaturas só conseguem ficar contraídas por cerca de 6 segundos, talvez até menos na maioria dos indivíduos.

Passado esse tempo, elas ficam fadigadas e relaxam, deixando que as vísceras e o aumento da PIA desabem sobre o assoalho pélvico. Assim, sua contração por tempo elevado só causa mais carga, o que pode levar a incontinência urinária de esforço.

Para conseguir uma boa estimulação do MAP, precisamos ativar e tonificar as fibras do tipo I. Não é tão simples conseguir essa estabilização segmentar e, se ela for feita da forma errada, pode trazer problemas sérios.

Conclusão

O fortalecimento de assoalho pélvico no Pilates que alguns profissionais buscam é bastante problemático. Caso seja mal compreendido ou aplicado, nossa aluna será prejudicada e pode até desenvolver incontinência urinária. Além disso, boa parte das mulheres não consegue contrair o assoalho pélvico somente com comando verbal. Cerca de 80% delas empurram as vísceras para baixo quando recebem o comando, o que aumenta a sobrecarga do MAP.

Algumas vezes, pedir para a aluna “segurar o xixi” só vai prejudicar ainda mais seu assoalho pélvico e aumentar a sobrecarga. Na dúvida, é melhor abolir esse comando das nossas aulas e deixar o trabalho de MAP para profissionais da fisioterapia especializados em uro-gineco. Nesse método, é possível controlar a estimulação do períneo com o biofeedback.

 

 

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