Qual a Importância do Sistema Nervoso Autônomo (SNA)?

Qual a Importância do Sistema Nervoso Autônomo (SNA)?

O Sistema Nervoso Autônomo age em conjunto com o sistema endócrino, no controle, coordenação e sincronização da atividade visceral. Portanto, é um dos principais mecanismos do equilíbrio corporal (homeostase).

Este sistema age independente da vontade do indivíduo, é portanto, autônomo: “funciona sozinho”. Seus impulsos nervosos motores terminam em músculo estriado cardíaco, músculo liso ou glândula. Entretanto, as fibras eferentes viscerais (motoras viscerais) são acompanhadas por fibras aferentes viscerais (sensoriais viscerais).

Estas fibras possuem importante papel no controle da função visceral, pois fornecem informações importantes sobre o ambiente interno do corpo. Os reflexos viscerais controlam a pressão arterial e a bioquímica corporal diante de alterações na respiração, função cardíaca e resistência da parede dos vasos.

Devido a isso, alguns autores consideram como parte do Sistema Nervoso Autônomo, tanto as fibras motoras quanto as sensoriais.

Sistema Nervoso Autônomo: Simpático e Parassimpático

As fibras pré ganglionares, tanto simpáticas como parassimpáticas, e as fibras pós ganglionares parassimpáticas liberam o neurotransmissor acetilcolina. Já a maioria das fibras pós ganglionares do sistema simpático liberam o neurotransmissor noradrenalina.

Outras Divisões

De acordo com Houssay e Cingolani, o Sistema Nervoso Autônomo pode ser dividido em:

  1. Sistema Simpático
  2. Sistema Parassimpático 
  3. Sistema Nervoso Entérico

Sistema Nervoso Entérico

O Sistema Nervoso Autônomo Entérico está presente ao longo da parede do tubo gastrointestinal, desde o esôfago até o ânus. Ele é o responsável pela contração da parede do esôfago, estômago e intestinos, no sentido de impulsionar o bolo fecal para fora do corpo, ou seja: “fazer o intestino funcionar”.

Pessoas que têm prisão de ventre, podem ter disfunção deste segmento do SNA, onde a distensão gerada pelo bolo fecal deveria estimular a contração da parede do intestino para “fazê-lo funcionar”, mas isso não ocorre, e o material permanece acumulado.

Esta condição pode gerar uma flacidez da parede intestinal, que terá cada vez menos estímulo para contrair. É importante ressaltar que pessoas que utilizam laxantes por longos períodos, podem desenvolver esta condição. Através de técnicas de terapia manual e da mobilidade visceral recrutada durante os movimentos e respiração do Pilates, alem do método abdominal hipopressivo, podemos estimular o sistema nervoso entérico e a normalização do funcionamento intestinal.

Sistema Simpático

Os gânglios do Sistema Nervoso Autônomo Simpático saem da coluna entre a última vértebra cervical e a segunda lombar. Este sistema inerva todas as vísceras do corpo. Ele prepara o organismo para “lutar ou fugir”:

  • Dilata a Pupila para Aumentar o Campo Visual
  • Aumenta o Batimento Cardíaco e a Pressão Arterial
  • Manda Sangue para os Músculos Esqueléticos
  • Mobiliza e Disponibiliza Energia Extra para os Músculos Efetores
  • Aumenta Frequência Respiratória
  • Faz Broncodilatação
  • Vasoconstrição das Glândulas Lacrimais e Salivares
  • Estimula a Secreção das Glândulas Sudoríparas
  • Ereção dos Pelos
  • Dilata as Artérias Coronárias
  • Diminui o Peristaltismo do Tubo Digestivo
  • Contrai os Esfíncteres
  • Estimula a Secreção de Noradrenalina pelas Glândulas Suprarrenais
  • Faz Vasoconstrição Global dos Vasos do Tronco e das Extremidades

De acordo com Moore e Dalley (2007), a função primária do SNA simpático é controlar os vasos sanguíneos. Esta ação é realizada de diferentes formas: ora estimulando a vasodilatação, ora estimulando a vasoconstrição.

Ele é o responsável por inervar tonicamente todos os vasos do corpo humano, mantendo-os em um estado de repouso de vasoconstrição moderada. De forma geral, quando a estimulação simpática aumenta sobre os vasos gera-se vasoconstrição, e a diminuição dos sinais simpáticos permite a vasodilatação.

Apenas no caso dos vasos coronários e dos vasos dos músculos esqueléticos, é que o simpático resulta em vasodilatação.

A ativação simpática estimula a liberação de adrenalina e noradrenalina pelas glândulas adrenais, através da região medular. Portanto, segundo Guyton (2006), os órgãos são, na verdade, estimulados duas vezes: uma estimulação direta através dos nervos simpáticos e uma estimulação indireta através dos hormônios adrenais.

Em consequência, caso haja lesão da medula adrenal não haverá prejuízo do funcionamento simpático. Outro papel importante da dupla estimulação é que algumas estruturas não são inervadas por fibras simpáticas diretas.

Um exemplo citado por Guyton, é a taxa metabólica de todas as células do corpo: esta taxa aumenta através da ação dos hormônios medulares adrenais, principalmente da adrenalina, pois apenas uma pequena proporção destas células são inervadas por fibras simpáticas.

É possível estimular o funcionamento deste sistema através de terapia manual, utilizando-se mobilizações locais da coluna, ou por exercícios de Pilates, com a movimentação principalmente da coluna torácica em múltiplos planos.

Sistema Parassimpático

O Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático emerge ao nível do crânio e do sacro. A porção craniana origina-se a partir de quatro pares de nervos:

1) Nervo Oculomotor III: Emerge do mesencéfalo, perfura a dura máter lateralmente ao diafragma da sela túrcica, passando superiormente à hipófise para atravessar o teto e a parede lateral do seio cavernoso. Penetra na órbita pela fissura orbital superior, onde se divide para suprir os músculos extrínsecos do olho. Parassimpaticamente inerva a musculatura lisa do olho, mais especificamente o músculo ciliar, que regula a convergência do cristalino, e o músculo esfíncter da pupila.

2) Nervo Facial VII: Este nervo emerge do sulco bulbo pontino através de uma raiz motora e uma raiz autonômica (denominada nervo intermédio). Estes dois componentes penetram no meato acústico interno. Emerge do crânio pelo forame estilomastoideo, atravessa a glândula parótida. As fibras aferentes viscerais que participam do SNA suprem a glândula lacrimal, as glândulas salivares sublingual e submandibular e a mucosa das cavidades nasal, oral e faríngea.

3) Nervo Glossofaríngeo IX: É um nervo misto que sai do crânio pelo forame jugular, na sutura occipitomastoidea. Ele inerva a glândula parótida e glândulas mucosas orais. As fibras pré ganglionares fazem sinapse no gânglio óptico.

4) Nervo Vago X: De maneira geral supre as vísceras torácicas e abdominais. Vamos aprofundar o estudo sobre este nervo de maneira separada, neste texto, mais adiante.

A porção sacral emerge de S2 a S4 e inerva útero, ovários, bexiga, uretra, testículos, porção final do intestino grosso e genitais externos.

Este sistema tem o efeito inverso do sistema simpático, ele age no sentido do relaxamento corporal:

  • Contrai a Pupila
  • Diminui os Batimentos Cardíacos e Pressão Arterial
  • Economiza Energia
  • Diminui a Frequência Respiratória
  • Aumenta a Secreção Lacrimal
  • Faz Vasodilatação das Glândulas Salivares
  • Faz Constrição das Artérias Coronárias
  • Bronquioconstrição
  • Aumenta o Peristaltismo do Tubo Digestivo
  • Relaxa os Esfíncteres
  • Promove o Esvaziamento da Bexiga Através da Contração de sua Parede

É possível estimular o funcionamento deste Sistema Nervoso Autônomo através de técnicas de terapia manual específicas para a estrutura do crânio e do sacro. Os exercícios de Pilates que enfatizam a mobilidade pélvica tem efeito benéfico sobre este sistema, na sua porção sacral.

Exercícios oculares e o estímulo para posicionamento visual durante as sessões de Pilates (o olhar deve acompanhar o sentido do movimento) são estímulos para o SNA parassimpático de origem craniana.

O equilíbrio de funcionamento entre os dois sistemas autônomos faz com que o corpo se encontre em condição ideal de saúde.

Caso haja um desequilíbrio entres eles, e um esteja agindo em detrimento do outro, o funcionamento do corpo como um todo estará prejudicado, resultando em maior esforço para alcançar a homeostase. Com isso, podem surgir dores, lesões e alterações de funcionamento visceral.

O papel do fisioterapeuta está em entender bem a anatomia e fisiologia dos sistemas corporais, para então eleger as técnicas adequadas, que auxiliarão o corpo a reencontrar o seu equilíbrio dinâmico saudável.

Importância do Nervo Vago

                Sistema Nervoso Autônomo S e PS                          Nervo Vago: Trajeto

Agora gostaria de me aprofundar um pouco mais em um elemento específico do sistema parassimpático: o nervo vago.

Antigamente era denominado “nervo pneumogástrico”, devido à ação sobre os pulmões e todo tubo digestivo. É o maior dos nervos cranianos e também o que possui o trajeto mais longo e a distribuição mais extensa de todos os nervos cranianos. É um nervo misto e essencialmente visceral.

Emerge do sulco lateral posterior do bulbo sob a forma de filamentos radiculares que se reúnem para formá-lo. Sai do crânio pelo forame jugular, situado na sutura occipito-mastoidea, segue seu trajeto descendente medialmente ao músculo esternocleidomastoideo, onde os nervos vagos direito e esquerdo entram nas bainhas carótidas e se continuam até a raiz do pescoço.

Inerva laringe e faringe, adentra na cavidade torácica através da abertura superior do tórax, onde o nervo vago esquerdo contribui para o plexo esofágico anterior e o nervo vago direito para o plexo esofágico posterior, formando os troncos anterior e posterior, inervam coração, pulmões e esôfago; então segue seu trajeto posteriormente ao osso esterno e lateralmente ao esôfago.

Ao nível do hiato esofágico, passa por entre as fibras musculares do diafragma, juntamente com o esôfago, e penetra na cavidade abdominal, fazendo conexões com plexos nervosos (como o plexo celíaco) e inervando todas as vísceras e glândulas abdominais:

  1. Estômago
  2. Duodeno
  3. Fígado
  4. Pâncreas
  5. Baço
  6. Adrenais
  7. Rins
  8. Intestino Delgado
  9. Intestino Grosso

Este nervo possui componentes aferentes (componente sensorial) viscerais gerais, que conduzem impulsos originados na faringe, laringe, traqueia, esôfago, vísceras do tórax e abdômen. Assim como fibras eferentes viscerais gerais, que são responsáveis pela inervação parassimpática das vísceras abdominais e torácicas e fibras eferentes viscerais especiais, que inervam os músculos da faringe e da laringe.

Surpreendente, 90% do nervo vago é sensorial, ou seja, leva informações sensitivas das vísceras para serem interpretadas no cérebro (interocepcoes). Ele capta informações viscerais e transmite para o tronco cerebral médio e depois para o tálamo, onde serão organizadas e distribuídas para o córtex cerebral.

É importante lembrar que o tálamo é um centro de integração de impulsos nervosos, sendo responsável também por sono e vigília, sensações dolorosas, regulação do SNA, regulação da consciência e cognição. Portanto, estas funções podem interferir e influenciar umas às outras.

A importância do nervo vago é tão grande que, pesquisadores como Kevin Tracey, tem desenvolvido elementos bioeletrônicos para estimulá-lo.

Em um de seus artigos científicos publicados na revista nature, Tracey mostra que a ativação das fibras aferentes do nervo vago geram respostas anti-inflamatórias, através do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Este tipo de estimulação tem sido pesquisada e utilizada para o tratamento de dor crônica e de patologias, como a artrite reumatóide.

Tracey sugere acrescentar “inibição da resposta inflamatória” e melhora da resposta imunológica à lista de efeitos parassimpáticos do nervo vago.

Conclusão

A fisioterapia pode ser um excelente recurso para realizar a estimulação vagal e melhorar suas aferências no Sistema Nervoso Autônomo.

Exemplos destas possibilidades terapêuticas são as técnicas de liberação miofascial do músculo esternocleidomastoideo, da fáscia e musculatura da garganta, mobilização e liberação miofascial da região do esterno e técnicas para melhorar a mobilidade visceral.

Todas estas ações terapêuticas podem ser realizadas através de terapia manual, exercícios de alongamento e mobilização (Pilates) e também através da estimulação visceral do Método Abdominal Hipopressivo (MAH).


Esse texto foi co-escrito pela Dra. Thaysa Greve

Thaysa é Fisioterapeuta com Pós Graduação em Fisiologia Humana, assim como cursos nas áreas:

  • Certificação em Osteopatia Estrutural e Funcional- EBOM
  • Formação em Osteopatia Estrutural – EOM
  • Formação em Osteopatia Postural e Visceral- Instituto Docusse de Osteopatia e Terapia Manual (Idot)
  • Formação em Manipulação Visceral – Barral Institute (USA)
  • Formação em Cadeias Musculares -Método Busquet
  • Formação em Manipulação das Fáscias – Método Stecco
  • Formação em Terapia Crânio Sacral-TCSI- Upledger Institute.
  • Certificação em Pilates para Reabilitação
  • Curso de Pilates nas Patologias de Joelho, Tornozelo e Pé – I Congresso Brasileiro de Pilates

 

Referências
  • Levine, P., uma voz sem palavras.
  • Tracey, K., Ivanova, S; Borovikova, L.V.; vagus nerve stimulation attenuates the systemic inflammatory response to endotoxins. Nature. 2000.
  • Houssay e Cingolani, fisiologia humana. 7ed. 2004.
  • Tracey, K., the inflammatory reflex. Artigo de revisão. Revista nature. 2002.
  • Machado, A, Neuroanatomia Funcional. Ed edelbra.
  • Moore, K; Dalley, A., Anatomina orientada para a clínica. 2007.
  • Guyton, A; Hall, J., Tratado de fisiologia médica. 11ed. 2006.
Como trabalhar Extensão do Tronco no Pilates?

Como trabalhar Extensão do Tronco no Pilates?

Nos casos de lombalgia, é comum encontrar indivíduos com músculos profundos, e portanto, estabilizadores, que realizam a extensão da coluna hiperativos, seja por excesso de rigidez do tronco, PIA aumentada ou disfunção sacro-ilíaca, o que gerará nesse grupamento muscular um efeito paradoxal de relaxamento nessa camada muscular profunda.

Por isso, o primeiro instinto do profissional do movimento é investir em fortalecimento para diminuir a dor e melhorar a funcionalidade desse indivíduo.

Não está errado, mas talvez seja um raciocínio incompleto, considerando que estamos trabalhando com Pilates, e que precisamos primeiro retirar o campo de interferência causador da inatividade desses músculos. Logo, precisamos considerar as melhores maneiras de realizar esse programa de reativação desse grupo muscular, fundamental para nossa biomecânica.

Aprenda nesse artigo mais informações a respeito dos movimentos de flexão e extensão do tronco e sua relação com a dor lombar. Depois, darei algumas indicações para trabalhar esses movimentos em aula, sem esquecer da mobilização, ganho de flexibilidade da coluna, além de trabalho de controle motor.

Papel da Flexão e Extensão do Tronco na Lombalgia

Vamos voltar a falar de um tema que eu particularmente adoro: dor lombar. É fato que muitos de nossos pacientes sofrem com o problema, por isso é nossa responsabilidade entender o problema e dar o melhor tratamento possível.

Acontece que as musculaturas relacionadas a flexão e extensão do tronco muitas vezes estão desequilibradas em pacientes com lombalgia. Quando as musculaturas extensoras e flexoras estão fracas, tensas por compressão das cadeias de dois pontos de extensão e de flexão ou em desequilíbrio, a estabilidade da coluna lombar torna-se precária.

Mesmo que o paciente ainda não tenha apresentado dor, esse é um indício que ele está próximo de desenvolver o problema. Lembrando sempre, que a dor lombar está ligada a questões mecânicas, mas também a fatores bio-psico-sociais.

Por isso a atividade física continua sendo um dos principais métodos preventivos da dor lombar. Conseguimos combatê-la e preveni-la através do fortalecimento e ativação correta de diversas estruturas do corpo. Isso inclui os músculos relacionados à flexão e extensão do tronco.

Sabendo disso, posso introduzir o Pilates como o método ideal para esse trabalho. O próprio Joseph Pilates já prezava por movimentos perfeitos e controlados.

É exatamente isso que queremos na flexão e extensão do tronco de nossos pacientes com lombalgia. Ouso dizer que sobretudo os exercícios em extensão são fundamentais, porém esquecidos dentro do método pela cinesiofobia de nossos alunos, e acabamos por sucumbir evitando assim, as extensões de tronco, tão fundamentais para os músculos, como o Psoas, por exemplo.

Os exercícios do Pilates envolvem movimentos importantes do tronco e ajudam a adquirir consciência corporal. Conseguimos utilizá-lo para trabalhar simultaneamente fortalecimento de músculos abdominais, flexores e extensores e também mobilização da coluna.

Como acontece a Flexão e Extensão do Tronco?

Os movimentos realizados pelo tronco – mais especificamente pela coluna lombar – envolvem a ativação sinérgica de diversos músculos. Para o bem do estudo, dividiremos as musculaturas nessa seção em flexores e extensores de tronco.

Os flexores incluem:

  • Reto Abdominal
  • Oblíquo Interno
  • Oblíquo Externo
  • Psoas

Já os extensores são:

  • Iterespinais
  • Multífideo
  • Rotadores do Tronco
  • Intertransversários do Tronco

O grupo de músculos extensores da coluna geralmente encontra-se em desequilíbrio funcional perante os flexores. Ao aplicar exercícios na sua aula de Pilates você perceberá que muitos pacientes apresentam dificuldades para realizar exercício com extensão e hiperextensão do tronco.

Além dos músculos envolvidos em movimentos do tronco, a flexão e extensão também envolvem movimentos de outras articulações.

Quando o movimento parte da posição de pé, por exemplo, a flexão também recruta flexores do quadril. Na extensão, partindo da mesma posição encontramos um envolvimento de glúteos e isquiotibiais. Sempre buscando um C profundo e perfeito, descrito por Bezieres em seu livro Coordenação Motora, como movimentos fundamentais do tronco.

Em alguns casos encontramos glúteos também inativos. Nesses pacientes o glúteo máximo encontra-se inibido e incapaz de realizar os movimentos de quadril.

Como resultado temos um exagero dos movimentos de isquiotibiais, o que também gera um aumento da lordose lombar. Essa também pode ser uma dos fatores que somados a tantos outros, poderá desenvolver a lombalgia em seu paciente.

Trabalhando Flexão e Extensão de Tronco na Aula de Pilates

Os movimentos de flexão do tronco geralmente estão facilitados pela hipoativacão dos músculos antagonistas desse movimento, ou ainda pela contração excêntrica desses mesmos músculos para manter nosso equilíbrio.

Portanto, o foco costuma ser na recuperação de movimento de extensão do tronco, porém se os extensores estiverem em excentricidade, o problema estará no excesso de tensão dos flexores do tronco. Percebam, não há uma receita pronta, e cada caso deve ser avaliado, precisamente com muita atenção e competência, a fim de que a melhor estratégia de melhora da mobilidade seja adotada.

Precisamos utilizar os exercícios de Pilates para fortalecer musculaturas profundas do tronco, que muitas vezes ficam esquecidas. Só quero lembrar de um detalhe aqui: estamos em busca do equilíbrio.

De nada adianta trabalhar o fortalecimento de um grupo muscular em excesso. Tudo no Pilates preza pelo movimento global e devemos manter isso. O fortalecimento excessivo é, na verdade, um vilão para a coluna. Ele gera rigidez e a rouba do seu movimento fisiológico, que é exatamente o que tentamos recuperar durante o tratamento.

Dessa maneira, os exercícios utilizados numa aula de Pilates precisam equilibrar o fortalecimento de extensores e flexores da coluna.

Outro Detalhe: observe cuidadosamente a mobilidade de toda a coluna vertebral para realizar o exercício. Mesmo que você queira tratar a dor lombar especificamente, não é possível ignorar o restante da estrutura. A coluna atua com movimentos integrados de todas as suas articulações.

Quando existe falta de movimento em qualquer parte da coluna, isso será compensado com excesso de mobilidade em outras partes. Lembra-se que a instabilidade lombar é considerada como uma das causas de dor na região?

Isso pode ser causado porque outra parte da coluna está rígida.

Durante sua avaliação dê atenção a todos os segmentos corporais. Mesmo desvios em quadris e joelhos podem estar envolvidos nas causas da dor e na fraqueza de extensores do tronco. Não queremos sempre perfeição de movimento? É isso que devemos adquirir ao trabalhar com nossos alunos de Pilates.

Conclusão

Sabemos que os movimentos de flexão e extensão do tronco são fisiológicos e essenciais para que um indivíduo tenha bem estar e evite dores na vida cotidiana. Infelizmente, nem sempre esses movimentos estão com seu funcionamento correto.

A falta de movimento é bastante problemática e gera tensões e fraquezas por todo o corpo.

Quando começamos a trabalhar com um aluno sedentário que também apresenta lombalgia, devemos lembrar do movimento de extensão do tronco. Esse movimento está prejudicado por fraquezas musculares que atingem os músculos diretamente relacionados à coluna, e por conseguinte, pelo corpo todo.

O glúteo máximo deve receber atenção especial por estar inibido em muitos casos, mas existem indivíduos que precisam fortalecer adutores, relaxar Psoas, e assim, por diante, o que torna a dor lombar, ainda um tema desconhecido para o mundo cientifico.

O que devemos buscar acima de tudo no tratamento com Pilates é o equilíbrio. Além de fortalecer a coluna e musculaturas extensoras, precisamos de flexibilidade e mobilidade. Isso se aplica a todos seus segmentos, não só à coluna lombar.

Bibliografia
http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbme/v10n6/a05v10n6.pdf
https://www.researchgate.net/publication/15481807_Human_Trunk_Strength_Profile_in_Flexion_and_Extension
https://www.researchgate.net/publication/5638440_Functional_anatomy_of_trunk_flexion extension_in_isokinetic_exercise_Muscle_activity_in_standing_and_seated_positions
https://bdtd.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/660/671
Podemos usar Pilates para Incontinência Urinária?

Podemos usar Pilates para Incontinência Urinária?

O aluno incontinente que não é tratado, provavelmente vai parar com as aulas de Pilates num futuro próximo.

A incontinência urinária é um distúrbio que causa desconfortos e faz com que o indivíduo se limite cada vez mais para evitar a perda involuntária de urina. Porém, podemos usar o Pilates para incontinência urinária e acelerar o tratamento.

Que tal saber mais?

Como ocorre a Incontinência Urinária?

Uma pessoa saudável sequer percebe os complexos mecanismos envolvidos na micção. Para urinar o indivíduo precisa de um bom controle muscular, em especial do assoalho pélvico. Também entram em ação músculos da parede abdominal e respiratórios, como o diafragma.

Existem duas camadas do assoalho pélvico que atuam na continência: a superficial e a profunda. A superficial é o períneo, um tecido muscular que envolve órgãos genitais externos e o ânus. O períneo é formado pelos músculos:

  • Bulboesponjoso
  • Isquicavernoso
  • Transverso Superficial
  • Profundo Períneo
  • Esfíncter Uretral Externo
  • Esfíncter Anal Externo

Suas principais funções são controlar o fluxo da urina e também possibilitar o ato sexual. Em mulheres o períneo também atua durante o parto normal. A camada profunda do assoalho pélvico é formado pelos músculos:

  • Isquioscoccígeos
  • Levantadores do Ânus

Chamamos o conjunto dessas musculaturas de diafragma pélvico. Ele é responsável por sustentar as vísceras e mantê-las no lugar de acordo com as variações da pressão intra-abdominal.

Micção

A urina é produzida pelos rins através da filtragem realizada pelos ureteres. Após sua produção, ela chega à bexiga onde é armazenada. Ao chegar à bexiga, existe um relaxamento do músculo detrusor para acomodar o líquido. Essa é uma musculatura lisa que reveste toda a parede do órgão.

Alguns receptores detectam o estiramento da bexiga, gerando uma contração involuntária do esfíncter interno. Essa ação previne o esvaziamento acidental do órgão.

Os receptores têm sua excitação aumentada conforme a bexiga enche, fazendo com que o músculo gere reflexos de contração. Os reflexos permitem o controle voluntário do esfíncter externo e são eles que permitem resistência voluntária a urinar.

Na hora de realizar a micção, os músculos diafragma e da parede abdominal se contraem e aumentam a pressão intra-abdominal. Como resultado, músculos pubococcígeos passam por um relaxamento, o que desloca o colo da bexiga para baixo. O músculo detrusor se contrai a partir dessa ação.

Enquanto esses movimentos acontecem também existe a contração de fibras na uretra, expelindo a urina.

O indivíduo que tem problemas no sistema urinário é incapaz de realizar a micção de maneira voluntária. Ele também não consegue “segurar o xixi” durante as ações diárias, o que leva ao vazamento de urina.

Como usar o Pilates para Incontinência Urinária

A maioria dos alunos sente vergonha pelo seu estado de continência e evita mencionar ao instrutor. Você perceberá sinais durante a avaliação ou quando essa pessoa se recusar a fazer certos exercícios.

Ao perceber o caso, é importante adaptar sua aula para melhorar a ação do assoalho pélvico e do períneo e incentivar a continência urinária.

Os exercícios de Pilates para incontinência urinária são bastante recomendados como parte do tratamento. Eles possuem baixo impacto, o que diminui o estresse exercido sobre músculos já fadigados no caso da incontinência. Além disso, seu trabalho é harmonioso e auxilia o aluno a superar seus limites e restrições sem passar por um processo doloroso ou humilhante.

Praticar o Método Pilates ajuda a tonificar músculos do períneo e melhorar a sustentação da bexiga. A tendência é que o controle da urina melhore com o tempo de prática. Praticantes que ainda não têm o problema também conseguem realizar um ótimo trabalho preventivo.

Além de auxiliar no fortalecimento pélvico, o Pilates oferece diversos benefícios para o aluno. Ele ajuda a manter uma melhor postura e fortalecimento, além de flexibilizar musculaturas abdominais. Assim, também conseguimos tratar ou prevenir dor causada por instabilidade lombar.

Pilates para Incontinência Urinária em Idosos

Nossos alunos na terceira idade têm maior probabilidade de desenvolver incontinência urinária.

Felizmente, conseguimos trabalhar o assoalho pélvico do idoso através da prática do Pilates para incontinência urinária. Além de controlar melhor a micção, o idoso também consegue melhorar sua consciência corporal, equilíbrio e estabilidade.

Essas são habilidade essenciais para prevenir quedas e melhorar a independência do indivíduo. Devemos lembrar que com o processo de envelhecimento o idoso também passa por mais ocasiões de dores articulares e tendem a perder a autoconfiança.

O Pilates é capaz de recuperar sua funcionalidade e melhorar as atividades do dia a dia.

Devo incluir a Hipopressiva nas Aulas de Pilates?

Podemos deixar o tratamento com Pilates para incontinência urinária ainda mais completo através do uso dos abdominais hipopressivos.

Quando acontece uma contração do diafragma e da musculatura abdominal, o corpo também passa por aumento da pressão intra-abdominal. Numa situação normal ela se eleva para manter o posicionamento correto das vísceras.

Porém, esse aumento de pressão, quando combinado a músculos abdominais mal ativados, faz com que as vísceras sejam empurradas para baixo. Como resultado, os músculos do assoalho pélvico também se contraem.

O aumento da pressão intra-abdominal é um claro fator de risco para desenvolver a incontinência urinária e outros problemas dos órgãos pélvicos. Quando ela aumenta, o períneo tem sua atividade postural comprometida.

Tudo isso pode levar ao desenvolvimento da incontinência.

Ao compreender isso percebemos um grande problema. A vida moderna gera um aumento de pressão naturalmente e isso acontece desde que assumimos a bipedestação. Todo o conforto gerado para as atividades diárias levou a uma vida gerida cada vez mais pelo sistema nervoso parassimpático. Como resultado, surgiram diversas alterações no corpo.

O sedentarismo gerou uma nova distribuição de forças que também leva ao relaxamento da musculatura do assoalho pélvico. Os maus hábitos alimentares geram um aumento pressórico importante que também podem causar a incontinência.

Por isso devemos adotar métodos para diminuir a pressão intra-abdominal em nossas aulas de Pilates para incontinência urinária. Entre todos seus benefícios, a hipopressiva também diminui a PIA e fortalece o assoalho pélvico. Recomendo incluí-la ao final de todas as aulas de Pilates, especialmente ao trabalhar com alunos incontinentes.

 

Referências Bibliográficas
● 3  Balogh Z1, Jones F, D’Amours S, Parr M, Sugrue M. Continuous intra-abdominal pressure measurement technique. Am J Surg. 2004 Dec;188(6):679-84.
● 4 Barbic M, Kralj B, Cör A.Compliance of the bladder neck supporting structures: importance of activity pattern of levator ani muscle and content of elastic fibers of endopelvic fascia. Neurourol Urodyn. 2003;22(4):269-76.
● 5 Beales DJ, O’Sullivan PB, Briffa NK.Motor control patterns during an active straight leg raise in chronic pelvic girdle pain subjects. Spine (Phila Pa 1976). 2009 Apr 20;34(9):861-70.
Como Pilates para Reabilitação pode ajudar seu Aluno?

Como Pilates para Reabilitação pode ajudar seu Aluno?

Quem conhece e trabalha com Pilates jura que ele pode ser usado para tratar quase todas patologias musculoesqueléticas. Não vou tão longe a ponto de indicar a metodologia como uma cura mágica, mas ele é realmente excepcional.

Quando bem usados, seus exercícios de Pilates para reabilitação auxiliam em diversos tipos de alunos, como veremos a seguir.

Características do Método Pilates

Boa parte da eficiência do Pilates se deve às características únicas do método criado por Joseph Pilates. Ele usa uma série de exercícios, equipamentos e movimentos com o objetivo de melhorar o controle muscular. Por isso, sempre mencionamos que na sua prática o aluno não deve prezar pela velocidade ou quantidade de séries realizadas, mas sim pela qualidade do movimento.

Os princípios do Pilates são:

  1. Concentração
  2. Controle
  3. Centralização
  4. Respiração
  5. Fluidez
  6. Precisão

Quero focar um pouco nos princípios de controle, força e precisão. Eles significam que o aluno não deve realizar exercícios em força máxima com contração muscular excessiva como em outras modalidades. Na verdade, a força realizada no Pilates é certeira, feita somente no momento certo e na hora certa.

É por isso que ele é tão indicado para o tratamento de patologias.

Os exercícios envolvem contrações isotônicas concêntricas e excêntricas e contrações isométricas do Power House. Novamente tenho que enfatizar que a contração do Power House no Pilates não é questão de força.

Na verdade, uma boa contração dessas estruturas estabilizadoras está relacionada a tempo. Ativar o Power House no momento certo ajuda a realizar exercícios com segurança e menor compressão nas estruturas da coluna vertebral.

Além disso, os exercícios são realizados juntamente a respiração com uso do diafragma, transverso do abdômen, multifídios e assoalho pélvico. O Método realiza um importante trabalho com musculaturas profundas que são esquecidas ou mal trabalhadas em outras modalidades.

Quando usar o Pilates para Reabilitação?

Sabemos que o Pilates pode ser usado para tratar diversas patologias e lesões. Se você está começando na área e está em dúvida sobre quais tipos de pacientes pode atender, separei algumas ocasiões nas quais sua prática é benéfica.

O Pilates para reabilitação pode ser usado em diversos momentos, e quero adiantar aqui: podemos atender uma variedade enorme de problemas musculoesqueléticos.

Pilates em Gestantes

Para uma gestação saudável a mulher deve manter a prática de atividades físicas, apesar de permanecer sob supervisão médica. O Pilates surge como uma opção ideal para esse período delicado da saúde feminina.

Seus exercícios incluem movimentos de baixo impacto realizados com leveza e controle. Eles também auxiliam na respiração e fortalecem musculaturas profundas do abdômen do assoalho pélvico.

Através desse fortalecimento a mulher consegue prevenir problemas comuns após a gravidez como diástases abdominais e incontinência urinária.

Pilates para Idosos

Já mencionei nesse blog a importância de trabalhar o Pilates com nossos alunos da terceira idade. O processo natural de envelhecimento gera uma série de problemas, que inclui perda de fibras musculares e diminuição da coordenação corporal.

Como resultado, idosos são mais propensos a quedas e sofrem muito mais com seus resultados.

Quem usa Pilates para exercitar alunos idosos já está realizando um trabalho de prevenção a esses problemas. O Método recupera o controle corporal e postural, melhora a estabilidade e evita quedas. Ele também previne a perda muscular comum nessa faixa etária.

Em alguns casos podemos até usar Pilates para conter o desenvolvimento de doenças degenerativas como a artrite reumatoide.

Pilates para Pacientes em Pré e Pós-Operatório

Algumas vezes a patologia ou lesão é grave demais para ser resolvida somente com o tratamento conservador. Por acaso você pensava que o trabalho com Pilates estava terminado porque existe necessidade de cirurgia? Claro que não!

Praticar Pilates é excelente para quem está se preparando para uma cirurgia. O Método previne que o aluno permaneça em repouso absoluto e recupera a força, mobilidade e amplitude de movimento da articulação lesionada e articulações adjacentes.

Assim, o corpo do paciente torna-se mais preparado para a cirurgia.

Após o procedimento, praticar Pilates proporciona uma volta mais rápida às atividades diárias. Ele também é responsável por recuperar os movimentos articulares de maneira segura e sem danos adicionais à articulação.

Pilates para Alterações Posturais

Sabendo que o Pilates busca uma realização de movimentos precisos e corretos, já dá para imaginar que a postura é uma das primeiras características que corrigimos. Usar o Método para tratar desvios posturais é muito eficiente e tem ótimos resultados.

Podemos tratar problemas como escoliose idiopática, hiperlordose e hipercifose, por exemplo.

Através do fortalecimento e melhor mobilidade da coluna vertebral o aluno consegue manter uma postura correta com mais facilidade. Além disso, o método respeita as curvaturas fisiológicas da coluna e possui diversos exercícios para todos os níveis de alunos.

Pilates para Lombalgia

O Pilates já ficou bastante conhecido por auxiliar no tratamento da dor lombar. Considerando que esse é um problema que atinge boa parte da população e uma das principais causas de afastamento do trabalho, o Método é bastante relevante.

O Pilates trabalha musculaturas estabilizadoras da coluna ao mesmo tempo que mantém sua mobilidade. Ele também proporciona um ótimo trabalho respiratório e correção postural que contribuem para os resultados do tratamento.

Pilates para Reabilitação e Prevenção em Atletas

Alguns atletas consideram que seu treinamento competitivo é o suficiente, mas estão muito errados.

Os movimentos esportivos são fontes comuns de lesões por overuse de articulações como o ombro. Além disso, a natureza de cada esporte pode fazer com que o atleta realize a maioria dos movimentos com certos grupos musculares e nem um só plano de movimento.

Trabalhar com Pilates ajuda a prevenir lesões já que ele trata desequilíbrios musculares e fortalece o corpo de maneira global. Seus movimentos também são realizados em diversos planos e eixos, garantindo a saúde das articulações.

Conclusão

Perceba, conseguimos utilizar o Pilates para reabilitação no tratamento de diversas patologias.

O Método é extremamente versátil e benéfico para praticamente qualquer tipo de aluno. É claro que para conseguir o máximo de seus resultados também precisamos investir numa ótima avaliação.

É através dela que você consegue compreender os principais desequilíbrios do aluno, determinar as causas da patologia e adaptar os exercícios.

Como recuperar a Mobilidade de Coluna com Pilates?

Como recuperar a Mobilidade de Coluna com Pilates?

Sua avaliação de um aluno mostrou que a coluna estava bastante instável. Quero que você responda agora: qual seria sua primeira atitude no tratamento desse paciente?

Guarde sua resposta porque ao longo desse artigo veremos se ela estava correta ou não.

Precisamos tratar de um assunto importante aqui, a mobilidade de coluna! Essa é uma característica fundamental da coluna vertebral que muitos alunos simplesmente não têm. Por isso precisamos aprender como trabalhá-la da maneira mais eficiente no Pilates.

Continue lendo para aprender mais sobre as compensações do corpo relacionados à falta de mobilidade e como realizar um bom tratamento do problema.

Importância das Curvaturas Fisiológicas da Coluna

Nossas mães sempre diziam: “Deixa essa coluna reta, coluna curvada não é jeito de manter a postura!”

Na verdade, elas tinham um pequeno erro do que realmente é uma coluna com movimentos fisiológicos. Apesar de muita gente ainda acreditar que manter a coluna retilínea seria a melhor postura, a verdade é bem diferente.

A coluna vertebral possui algumas curvaturas fisiológicas que devem ser mantidas para seu bom funcionamento.

As curvaturas começam a se formar quando ainda somos bebês e definem todo nosso movimento. No corpo existem as cifoses, que têm função de proteção, e as lordoses, que têm função de mobilidade.

Por causa de suas funções, sempre encontramos músculos longos e potentes à frente das lordoses. Alguns exemplos são os flexores do pescoço (presente à frente da lordose cervical) e reto abdominal (à frente da lordose lombar).

Já as cifoses sempre possuem músculos chatos e profundos. Um bom exemplo é o serrátil anterior, que realiza a manutenção postural.

As cifoses são naturalmente menos móveis, portanto são pontos fixos no movimento das cadeias musculares lordóticas. No plano sagital encontramos as seguintes curvaturas da coluna vertebral:

  • Lordose Cervical
  • Cifose Torácica
  • Lordose Lombar

A presença das curvaturas fisiológicas é essencial durante os movimentos. O corpo é exposto à força gravitacional descendente e à força solo ascendente. Sem suas curvaturas da coluna, o eixo raquidiano sofreria muito mais com as pressões axiais gerados por essas forças.

Portanto, percebemos que as curvaturas da coluna precisam existir de maneira fisiológica. Qualquer tipo de desvio ou diferenças nessas curvas é considerado um desvio postural, que deve ser tratado.

Tipos Funcionais de Coluna

A coluna pode possuir um excesso de mobilidade nas suas estruturas ou um excesso de estabilidade. Dependendo da característica predominante ela desenvolve lesões e problemas característicos.

Chamamos as colunas com curvaturas mais apagadas (retificadas) e falta de movimento de tipo funcional estático. Também existem as do tipo funcional dinâmico, que têm suas curvaturas mais acentuadas e móveis.

A coluna do tipo funcional estático possui um equilíbrio bastante prejudicado. Ela pode até aumentar a quantidade de quedas em indivíduos mais propensos a isso, como idosos. Sabendo que as quedas em idosos são uma causa comum de morte nessa população, podemos entender a importância de trabalhar com mobilidade.

Como Tratar Colunas do Tipo Funcional Estático

No início desse texto perguntei como você trabalha quando encontra uma coluna com falta de estabilidade. Apesar de não ter te dado uma informação essencial, o tipo de coluna, já consigo imaginar a resposta.

A maioria do profissionais decide logo começar a trabalhar com mais estabilidade quando vê uma coluna instável. Parece uma decisão completamente lógica, mas no caso das colunas do tipo funcional estático ela está errada.

A falta de estabilidade dessas colunas vem da falta de movimento. Ou seja, trabalhando só com estabilidade você desenvolve resultados insatisfatórios e não consegue prevenir ou tratar lesões e dores.

Quando encontramos esse tipo de coluna, devemos nos preocupar em recuperar os movimentos perdidos em todos os eixos, sentidos e direções. A coluna realiza movimentos articulares em torno dos eixos ântero-posterior, látero-lateral e longitudinal. Também existem movimentos nos planos coronal, sagital e horizontal.

Sabe o que isso quer dizer? Precisamos desenvolver movimentos em todos esses eixos e planos.

Outra informação importante: apesar da coluna ter um movimento bastante amplo, cada vértebra individual possui um mobilidade pequena e limitada. A mobilidade geral da coluna acontece com a soma das mobilidades de cada parte individual.

Quando essa soma gera movimentos abaixo dos graus de normalidade, o corpo tem dificuldade de se equilibrar dentro do polígono de sustentação.

A longo prazo essa falta de equilíbrio é responsável pelo surgimento de dores e perda de funcionalidade do eixo vertebral. Portanto, comece a trabalhar com a melhora do movimento do aluno assim que ele chegar no seu Studio de Pilates.

Cuidados para Trabalhar a Mobilidade de Coluna

Quero afirmar algo aqui que você e seu aluno precisam entender: o movimento não é seu inimigo. Pelo contrário, ele é a solução para todos seus problemas. Não faz sentido querer melhorar uma coluna do tipo funcional estático através da estabilidade e limitar ainda mais seus movimentos.

Apesar de alguns profissionais terem medo de trabalhar mobilidade de coluna, nenhum movimento é lesivo. Só devemos tomar cuidado com alguns deles como a rotação. Não se engane, a rotação também não é lesiva, mas deve ser feita com a devida preparação e cuidado.

Nesse movimento existe a presença de forças de cisalhamento. Essa é uma força gerada pelo deslizamento em rotação da vértebra contra seu disco. Para evitá-lo é preciso realizar o movimento com o afastamento correto das últimas costelas do ilíaco.

Como Usar Mobilidade de Coluna no Pilates

O primeiro passo para começar a desenvolver a mobilidade de coluna na sua aula de Pilates é trabalhar de maneira gradual.

Ok, eu entendo que o aluno chegou todo travado na aula e nem consegue fazer um bom enrolamento de coluna, mas tenha calma. Mesmo que você tenha vontade de realizar manipulações ousadas e liberar essa coluna de vez, isso é imprudente.

O desenvolvimento de mobilidade deve ser gradual e suave. Você precisa da permissão de todo o sistema conjuntivo relacionado à rigidez para recuperar os movimentos dessa coluna. Portanto comece se livrando de tensões que possam impedir o movimento.

O mais importante de tudo é não fazer alongamentos sofridos que gerem dor. Mantenha a soltura dentro dos limites do corpo.

Nas primeiras aulas devemos usar principalmente movimentos que estejam dentro do plano coronário e no eixo ântero-posterior. Sabe o que isso quer dizer? Que as flexões de tronco são essenciais no início desse processo, assim como o enrolamento de tronco.

Seu aluno certamente terá dificuldade nesses movimentos inicialmente. Se quiser dicas para fazer o enrolamento perfeito, confira meu outro artigo sobre o assunto.

No Pilates temos uma grande variedade de movimentos para trabalhar mobilidade de coluna. Sugiro que você aproveite todos eles, dando preferência aos que são mais funcional. Sempre realize os movimentos de enrolamento respeitando a curvatura fundamental do tronco com um C profundo.

Conclusão

Uma coluna do tipo estático exige movimento, mesmo que sua estabilidade esteja perdida.

Na verdade, a falta de estabilidade vem da falta de movimento e sem recuperá-lo o corpo permanece propenso a lesões, dores e até quedas.

Quer realmente ajudar seu aluno a encontrar movimentos fisiológicos da coluna, tratar suas patologias e aliviar dores? Invista no desenvolvimento da mobilidade de coluna vertebral. Aproveite porque o Pilates é a ferramenta ideal para isso!

Espondilolistese – Tudo que você precisa saber! (+9 Exercícios para aplicar)

Espondilolistese – Tudo que você precisa saber! (+9 Exercícios para aplicar)

08A terminologia espondilolistese, derivada do grego (spondylo = coluna/olisthesis = escorregamento), contempla conjunto de doenças que têm como principal característica o escorregamento de um corpo vertebral sobre o corpo vertebral adjacente, ou seja, de uma vértebra sobre a vértebra seguinte.

É a luxação de um corpo vertebral sobre outro, sendo uma das principais causas de instabilidade da coluna, chegando a atingir até 5% da população. Pode ter alguns sintomas, incluindo:

  • Dor Lombar
  • Dor Irradiada (Dor Ciática)
  • Dor nas Pernas ao Caminhar
  • Formigamento
  • Encurtamento dos Músculos Posteriores das Pernas
  • Perda de Força e Coordenação dos Movimentos
  • Incapacidade de Andar

Antes de começarmos o texto, eu recomendo para que você CLIQUE AQUI e participe do meu grupo exclusivo do WhatsApp, onde eu envio conteúdos, como vídeos e textos, todos os dias. PS: Grupo exclusivo para profissionais e estudantes de Fisio e Ed. Física.

Classificação da Espondilolistese

Fonte: www.fisioterapia.com

A mais aceita é a classificação de Wiltse e Bradford que tem como diferencial a etiologia do escorregamento vertebral. As listeses são divididas em 5 grupos da seguinte forma:

  • Displásica – Anomalia da Porção Superior do Sacro ou do Arco de L5
  • Ístmica – Lesão do Istmo Vertebral por Fratura de Fadiga
  • Degenerativa – Secundária a Processo Degenerativo do Disco ou Articulação Intervertebral Posterior
  • Traumática – Fratura Aguda do Arco Posterior da Vértebra
  • Patológica – Enfermidade Óssea que Acomete o Arco Posterior (Tumor Ósseo, etc)

Estes deslizamentos vertebrais foram classificados por Meyerding conforme sua intensidade:

  • Grau I – 0 a 25%
  • Grau II – 25% a 50%
  • Grau III – 50% a 75%
  • Grau IV – 75% a 100%
  • Grau V – seria a pitose vertebral

Causas da Espondilolistese

  • Espondilolistese Degenerativa – ocorre em adultos e idosos, pois é provocada pelo desgaste das articulações facetárias, como parte do quadro de degeneração da coluna.
  • Espondilolistese Ístmica – ocorre por um defeito das articulações facetárias, que pode ser de natureza congênita ou devido a lesões ocorridas na infância. Como pode ser por uma má-formação congênita, a espondilolistese ístmica é comum na infância e adolescência.

Diagnóstico e Exame

Fonte: Adaptado de Netter (2003, p.146)

  • Raio-x
  • Ressonância Magnética

A coluna vertebral estende-se do crânio até o ápice (ponta) do cóccix. Em adultos, a maioria delas mede de 72 a 75 cm de comprimento, dos quais os discos intervertebrais compõem aproximadamente um quarto do comprimento total, separando e mantendo juntas as vértebras.

Composta por 33 vértebras que são divididas estruturalmente em 5 regiões ou segmentos. De cima para baixo, existem:

  • 7 Vértebras Cervicais
  • 12 Vértebras Torácicas
  • 5 Vértebras Lombares
  • 5 Vértebras Sacrais Fundidas Formando o Sacro
  • 4 Pequenas Vértebras Coccígeas Fundidas que Forma o Cóccix.
    • Atribui-se a ela proteger a Medula Espinal e a Saída dos Nervos Espinais;
    • Suportar o Peso do Corpo;
    • Fornecer um Eixo parcialmente Rígido e Flexível para o Corpo;
    • Pivô para a Cabeça;
    • Bem como exercer um Papel importante na Postura e Locomoção.

São possíveis diferentes graus de movimento entre vértebras adjacentes nas regiões cervical, torácica e lombar da coluna, devido à presença de diferenças estruturais e das costelas.

Dentro de cada região, duas vértebras adjacentes e os tecidos moles dispostos entre elas são conhecidos como um segmento móvel, que são considerados a unidade funcional da coluna vertebral. A coluna vertebral é essencialmente uma coluna composta de uma unidade funcional sobre a outra.

Essas unidades funcionais colocadas umas sobre as outras e equilibradas sobre o sacro mantêm a coluna ereta e em bom equilíbrio contra a gravidade. Sendo um segmento complexo a coluna vertebral é funcionalmente significativa do corpo humano, por proporcionar o elo mecânico entre membros superiores e inferiores, possibilitando os movimentos em todos os três planos.

Vértebra

Fonte: Miranda (2003, p.46)

Uma vértebra típica é constituída posteriormente por um anel oco, conhecido como arco neural ou vertebral, e diversos processos ósseos. Anteriormente encontra-se o corpo vertebral, que atua como principal componente da coluna vertebral, responsáveis pelo suporte do peso.

O corpo vertebral é a porção mais volumosa da vértebra, constituída basicamente de tecido esponjoso, revestido por uma fina camada de osso compacto.

É representado por um segmento cilíndrico irregular apresentando as faces superior e inferior, aplanadas, mas de contorno saliente para a implantação do disco intervertebral.

  • Face anterior, limitada por dois lábios, superior e inferior, que fornece inserção para o ligamento longitudinal anterior.
  • Face posterior, côncava no sentido transverso, provida de orifício, limitando o forame vertebral. Serve de fixação do ligamento longitudinal posterior.
  • O arco vertebral, composto de dois pedículos, duas lâminas, quatro processos articulares, dois processos transversos, um processo espinhoso.

Vértebra Padrão – Visão geral mostrando cada elemento anatômico

Miranda (2007, p.32) 

Unidade Funcional

Unidade funcional é o conjunto de dois corpos vertebrais separados pelo disco intervertebral.

Este disco é o que suporta o peso da coluna vertebral, bem como o do corpo e permite a inclinação e um pouco de rotação e balanceio. Dentro da coluna vertebral possui tecido sensível que, quando lesado, irritado, estressado ou doente faz com que o paciente sinta dor.

As duas vértebras de cada unidade funcional são separadas por um disco intervertebral. As articulações entre corpos vertebrais adjacentes são do tipo sínfise, com discos fibrocartilaginosos intercalados, projetados para suportar peso e resistência.

Os discos intervertebrais proporcionam resistentes fixações entre os corpos vertebrais. Atuam como absorventes de choques e quando o tronco encontra-se ereto, as diferenças entre a espessura anterior e posterior dos discos, produzem as curvaturas lombar, torácica e cervical da coluna vertebral.

Cada disco intervertebral é composto de:

  1. Uma parte fibrosa externa – composta de lamelas concêntricas de fibrocartilagem, denominada de anel fibroso.
  2. Uma massa central e gelatinosa – o núcleo pulposo.

O anel fibroso é composto por cerca de 90 faixas concêntricas de tecido colágeno ligadas entre si. As fibras anulares estão dispostas em camadas, semelhante ao que se observa em uma fatia de cebola. Elas envolvem e incluem a parte central, o âmago do disco, denominado núcleo.

Se observadas lateralmente, essas fibras são dispostas de tal modo que a primeira camada de fibras vai em direção oblíqua de uma vértebra para outra e a camada seguinte vai de uma vértebra à outra em direção oposta, fazendo com que cada camada de fibras dirija-se em direção oposta se cruzando e entrelaçando.

Esse arranjo fortifica o anel do disco, permitindo que a vértebra mova-se em qualquer direção.

O núcleo de um disco jovem e saudável é composto por cerca de 90% de água, o restante é constituído de colágeno e proteoglicanos, materiais especializados que quimicamente atraem água.

Sob o aspecto mecânico, o anel fibroso atua como uma mola em espiral cuja tensão mantém unidos os corpos vertebrais contra a resistência do núcleo pulposo. Já o núcleo pulposo age como um rolamento contendo um gel incompressível.

Disco Intervertebral: Núcleo Pulposo e Anel Fibroso

Fonte: Miranda (2007, p.58)

Sistema Ligamentar

Diversos ligamentos sustentam a coluna, contribuindo para a estabilidade dos segmentos móveis.

O potente ligamento longitudinal anterior é uma forte e larga faixa fibrosa que cobre e conecta as faces ântero-laterais dos corpos 21 vértebras e os discos intervertebrais, nas regiões cervical, torácica e lombar.

A ele cabe o papel de manter a estabilidade das articulações entre os corpos vertebrais e impedir a hiperextensão da coluna vertebral. Juntamente com a musculatura em torno da coluna, fornece um condição pré-carga à coluna, ajudando na estabilização durante o movimento de levantamento de peso.

O ligamento longitudinal posterior é uma faixa mais estreita e mais fraca que o ligamento longitudinal anterior, passa dentro do canal vertebral ao longo da face posterior dos corpos vertebrais de C2 até o sacro, ajudando a impedir, agindo como um “freio” acessório à hiperflexão da coluna vertebral.

O ligamento supra espinal se insere nos processos espinhosos em toda extensão da coluna, tendo um aumento significante na região cervical, onde é referido como ligamento nucal ou do pescoço.

As vértebras tem conexões adicionais entre os processos espinhosos, os processos transversos e as lâminas supridos respectivamente pelos ligamentos interespinais, intertransversais e amarelos.

Curvaturas Vertebrais

A coluna vertebral de um adulto possui quatro curvaturas:

  1. Cervical
  2. Torácica
  3. Lombar
  4. Sacral

As curvaturas fornecem um suporte flexível (resiliência a absorção de choque no corpo).

As curvaturas torácica e sacral (pélvica) são côncavas anteriormente e presentes desde o nascimento, são referidas como curvaturas primárias, se desenvolvem durante o período fetal e são causadas devido à diferença de altura da parte anterior e posterior das vértebras.

As curvaturas cervical e lombar são côncavas posteriormente, desenvolvem-se em decorrências da sustentação do peso em uma posição ereta, depois que a criança começa a sentar e levantar. Como estas curvaturas não estão presentes desde o nascimento, são denominadas curvaturas vertebrais secundárias.

Apesar de as curvaturas cervical e torácica se alterarem muito pouco durante o crescimento, a curvatura lombar aumenta cerca de 10% entre os 7 e os 17 anos de idade. A curvatura vertebral (postura) é influenciada pela hereditariedade, condições patológicas, estado mental do indivíduo e forças as quais a coluna é submetida habitualmente.

Ainda que assim como os ossos passam por processos de modelamento e remodelamento em resposta a magnitude das forças que agem sobre eles, as curvaturas da coluna vertebral podem se alterar devido às forças assimétricas que são habitualmente submetidas.

Diversos fatores podem influenciar para uma anormalidade nas curvaturas da coluna vertebral. Um aumento exagerado da curvatura lombar, ou lordose, em geral é associado à fraqueza dos músculos abdominais e inclinação anterior da pelve.

As causas de lordose incluem deformidade vertebral congênita, fraqueza na musculatura abdominal, maus hábitos posturais e o excesso de treinamento em esportes que exigem a hiperextensão lombar repetitiva, como por exemplo, ginástica, arremesso de dardos, nado borboleta e patinação artística.

Outras anormalidades nas curvaturas da coluna são:

  • Cifose (aumento exagerado da curvatura torácica) dando o aspecto corcunda no indivíduo e a escoliose caracterizada pelo(s) desvio(s) lateral(is) na curvatura vertebral.

Curvaturas Vertebrais Anormais

Fonte: Hall (2009, p.286)

Movimentos da Coluna Vertebral

A flexão é a inclinação da coluna anteriormente, ampla nas regiões cervicais e lombares, porém devido à presença das costelas, esterno e clavículas, é reduzida no segmento torácico, evitando uma compressão dos órgãos toracolombares.

A extensão é a flexão posterior da coluna, denomina-se hiperextensão quando a coluna arqueia-se posteriormente a partir da posição anatômica, apresenta maior amplitude na coluna cervical e lombar, sendo limitada pelos processos espinhosos na coluna torácica.

A flexão lateral ou inclinação lateral é o movimento da coluna no plano frontal, inclinando-se para a direita e para a esquerda, tendo sua maior mobilidade na região cervical. O movimento para a direita e para a esquerda no plano horizontal é denominado rotação, sendo bem livre na coluna cervical e nas porções superiores da coluna torácica e geralmente bem limitada na coluna lombar.

Músculos da Coluna Vertebral

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.86-87)

Os músculos do pescoço e do tronco são designados aos pares, sendo um localizado no lado esquerdo e outro no lado direito do corpo. Quando atuam de maneira unilateral, esses músculos podem ser responsáveis pela flexão lateral e/ou rotação do tronco e pela flexão e extensão quando agem bilateralmente.

Principais músculos atuantes na coluna lombar, tendo como base o estudo funcional (mecânico), dividindo os músculos em três grandes grupos:

  • Anterior
  • Posterior
  • Lateral

Grupo Anterior

No grupo anterior, na região toracolombar, encontram-se os seguintes músculos do abdome:

O músculo reto abdominal é longo, estendendo-se do tórax ao púbis, sendo 3x mais largo superiormente do que inferiormente, estreito e espesso na sua porção inferior e largo e fino na porção superior.

O comprimento, a força, o enduro e a coordenação dos músculos abdominais possuem grande importância para todas as funções do terço inferior da coluna. São quatro os principais músculos da parede abdominal, e antes de tudo, um flexor da coluna lombar, além de provocar um movimento de inclinação da bacia para cima.

Os músculos abdominais são de suma importância para a estabilização do tronco e da coluna, protegendo-a quando a mesma é exigida, comparam-na com um cilindro capaz de “pressurizar” para realizar essa estabilização.

Os músculos da parede abdominal também formam o arcabouço muscular para as paredes anterior e lateral do “cilindro” representado pelo tronco, onde a parede posterior do cilindro é formada pelos músculos extensores da coluna, o teto pelo diafragma e o assoalho pela musculatura do assoalho da pelve.

Durante o preparo para o levantamento de um objeto pesado e durante a manobra de Valsalva, este cilindro deixa a cavidade abdominal temporariamente “pressurizada”, de modo a manter a de modo a manter a coluna relativamente rígida.

Músculo Reto do Abdome

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.116) e Valerius et al. (2005, p.278)

Origem: Face anterior da 5ª a 7ª cartilagens costais e processo xifoide.

Inserção: Crista do púbis

Ação: Estando o ponto de apoio (fixo) no púbis, atua como potente flexor da coluna vertebral torácica. Se o ponto fixo estiver nas costelas e processo xifoide, promove uma retroversão na pelve.

Ação Unilateral: Flexão lateral para mesmo lado. E intervém na micção, na evacuação, na expiração, no vômito e no parto.

Músculo Oblíquo Externo do Abdome 

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.117) e Valerius et al. (2005, p.280)

O músculo oblíquo externo do abdome, é o maior e mais superficial dos músculos da parede abdominal. Situado ântero-lateralmente, com suas fibras orientadas obliquamente no sentido ínfero-medial.

Origem: Margem inferior e face anterior da 5ª à 12ª costela.

Inserção: Tubérculo púbico, crista púbica, lábio externo da crista ilíaca, ligamento inguinal e linha alba.

Ação: Bilateralmente, flexiona a coluna aplicando força na inserção proximal. Estando a pelve fixa, promove rotação do tronco para o lado oposto da contração. Com o tronco fixo, executa rotação da pelve para o mesmo lado da contração. Unilateralmente inclina a pelve do mesmo lado ou flexiona lateralmente a coluna para o mesmo lado.

Auxilia na “compressão abdominal” durante a defecção, micção, vômito e no trabalho de parto. Importante na expiração forçada. E com ponto fixo nas costelas promove a retroversão da pelve. O músculo oblíquo interno do abdome, situa-se logo abaixo do oblíquo externo, formando ângulos quase retos com as fibras do oblíquo externo.

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Músculo Interno do Abdome

Fonte: Adaptado de Valerius et al. (2005, p.282)

Origem: Fáscia toracolombar e margem superior da crista ilíaca.

Inserção: Margem inferior das três ultimas costelas, linha alba e púbis.

Ação: Bilateralmente, resulta na flexão da coluna vertebral. Unilateralmente, promove uma flexão lateral da coluna para o mesmo lado. A pelve estando fixa, executa rotação do tronco para o mesmo lado. Estando o tronco fixo, executa a rotação da pelve para o lado oposto. Auxilia na defecção, micção, expiração e no trabalho de parto.

O músculo transverso do abdome, fica localizado abaixo do oblíquo interno, tem seu nome derivado da direção de suas fibras, que ocorrem horizontalmente. Tem como principal ação comprimir e suportar as vísceras. O músculo transverso do abdome é o músculo de localização mais profunda e forma uma espécie de cinto horizontal entre as suas inserções na fáscia toracolombar

Músculo Transverso do Abdome

Fonte: Adaptado de Valerius et al. (2005, p.285)

Origem: Cartilagens costais de 6ª à 12ª costelas e processos costiformes das vértebras lombares.

Inserção: Linha alba.

Ação: Efetua rotação do tórax em relação à pelve do mesmo lado. Pode estreitar a abertura inferior do tórax, na sua parte superior, em casos de contração bilateral tendo assim ação respiratória. Aumenta a pressão intra-abdominal durante a contração da parede abdominal, em especial durante e o parto, a micção, e defecção, bem como a retração ou encolhimento da parede abdominal.

Grupo Posterior

Os grupos musculares das regiões torácica e lombar são os potentes eretor da espinha (sacroespinal), o semi-espinal (da cabeça, da cervical e do tórax) e os músculos espinais profundos (multífidos, rotadores, interespinais, intertransversários, levantadores de costelas).

Os músculos eretores da espinha são os principais extensores e hiperextensores do tronco. Quando se contraem bilateralmente, todos os músculos da região posterior do tronco contribuem para a extensão e hiperextensão. Já quando se contraem unilateralmente, contribuem para a flexão lateral.

De forma simplificada para apresentar origem, inserção e ação dos músculos citados apresenta-se a quadro a seguir:

Músculos do Grupo Posterior

Fonte: Hall (2009, p.290)

Grupo Muscular dos Eretores da Espinha

Fonte: Hall (2009, p.293)

Grupo Muscular dos Semi-Espinais

Fonte: Hall (2009, p.294)

Grupo Muscular dos Espinais Profundos

Fonte: Hall (2009, p.294)

O grupo lateral é composto por dois músculos, são eles: quadrado do lombo e iliopsoas.

O músculo quadrado do lombo contrai-se fortemente no lado do membro inferior em movimento e auxilia o músculo glúteo mínimo, do lado do membro inferior de apoio, a impedir o abaixamento da pelve do lado do membro inferior em movimento. É um músculo que faz parte da parede abdominal posterior, situado profundamente, estendendo-se da crista ilíaca até a última costela.

O músculo quadrado lombar sendo um músculo fino e chato que atravessa o espaço entre a crista ilíaca e a décima segunda (última) costela e os processos transversais das vértebras lombares.

Graças a sua orientação funciona de forma semelhante aos músculos eretores profundos do tronco, onde se localizam imediatamente abaixo. Juntamente com o ligamento Iliolombar, o músculo quadrado lombar conseguem estabilizar passiva e dinamicamente a coluna lombar no plano frontal.

Músculo Quadrado do Lombo

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.147) e Valerius et al. (2005, p.286)

Origem: Crista ilíaca e ligamento iliolombar.

Inserção: Margem inferior da 12ª costela, face ântero-lateral do processo transverso de todas as vértebras lombares.

Ação: Flexão lateral do tronco para o mesmo lado, elevação da pelve para o mesmo lado da contração, a contração bilateral produz extensão da coluna lombar e báscula anterior na pelve além de atuar na expiração forçada. O conjunto iliopsoas está situado quase totalmente na cavidade abdominal, porém será abordado sua função sobre a coluna vertebral, estando o ponto de apoio no fêmur.

Músculos Psoas Maior, Psoas Menor e Ilíaco (Iliopsoas)

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.145) e Valerius et al. (2005, p.144)

Origem: Face anterior do processo transverso de todas as vértebras lombares e face lateral do corpo vertebral e disco intervertebral da décima segunda vértebra torácica e de todas as vértebras lombares. Dois terços superiores a fossa ilíaca, lábio interno da crista ilíaca, ligamentos sacroilíacos anterior e iliolombar.

Inserção: Trocânter menor do fêmur.

Ação: Executa a inclinação lateral da coluna, para o mesmo lado. Rotação da coluna para o lado oposto da contração, flexão da coluna toracolombar sobre a pelve e flexão e adução do quadril. Dá-se um destaque ao músculo grande psoas, que se insere na face dos processos transversais da coluna lombar, nos corpos vertebrais e nos discos intervertebrais, dirige-se para baixo, onde se junta com o músculo ilíaco, passando a seguir por cima do ramo pubiano até se inserir no trocanter menor do fêmur.

A movimentação dos membros inferiores afeta a coluna lombar. Tanto a rotação interna quanto a hiperextensão do fêmur aumentam a tensão do músculo grande psoas, isto aumenta por sua vez a forçar tangencial anterior sobre a coluna lombar, graças a inserção do músculo grande psoas.

A força de compressão exercida por esse músculo entre dois segmentos durante sua contração, contração essa que aumenta a estabilidade dos segmentos lombares graças a dois mecanismos principais. Primeiro o auxílio na fixação das articulações da coluna lombar, contribuindo portanto, para o mecanismo de bloqueio entre duas vértebras e segundo aumentando a pressão no interior do disco.

A importância do músculo grande psoas como um dos principais estabilizadores da coluna lombar é evidenciada ainda pelo fato de ele apresentar atividade eletromiográfica em praticamente todas as posturas e movimentos da coluna lombar

Espondilolistese

A espondilolistese é geralmente associada a uma progressão da espondilólise, definida como um defeito com descontinuidade óssea do segmento intervertebral, região da lâmina entre os processos articulares superiores e inferiores.

Espondilólise e espondilolistese são duas condições que envolvem mudanças diretamente na vértebra. Esse defeito na parte posterior da vértebra lombar é denominado espondilólise. Essa lesão pode ocorrer por desgaste das articulações responsáveis pela sustentação, ou defeito na parte posterior da vértebra.

Espondilolistese pode ser definida resumidamente como uma deformidade em que uma vértebra desliza sobre a outra e provoca um desalinhamento da coluna.

Espondilólise e Espondilolistese

Fonte: Miranda (2007, p.235) Com Modificações

Espondilolistese é um deslocamento anterógrado da quinta vértebra lombar e da coluna vertebral sobre o sacro ou menos comumente, da quarta vértebra lombar e da coluna vertebral sobre a quinta vértebra lombar.

Em aproximadamente 85% dos casos, a quinta vértebra lombar é deslocada sobre o sacro. Um defeito bilateral na porção interarticular com deslizamento vertebral constitui um distúrbio adquirido que resulta de fraturas por estresse podem ser observados em uma maioria dos casos.

A hiperlordose pode ser revelada através de exame da coluna vertebral. Nos casos mais graves, observa-se ainda um degrau palpável entre os processos espinhosos L4 e L5 quando a vértebra L5 desliza para frente sobre o caso.

Levando-se em conta que o defeito ocorre na porção interarticular, os arcos posteriores, que inclui o processo espinhoso de L5, permanece no local enquanto os ligamentos anteriores deslizam para frente. A espondilólise é uma condição que afeta a vértebra na qual ocorre, primeiro uma fratura por tensão.

Essa fratura ocorre na área da porção interarticular (parte entre o processo articular inferior e superior em um lado da vértebra). A ocorrência da espondilolistese é maior na coluna lombar, em especial entre as vértebras L5-S1, predispondo a lombalgia, sobretudo em crianças e adolescentes.

Estudos epidemiológicos apontam que sua incidência está relacionada com idade, herança genética, gênero, raça e nível de atividade, manifestando-se frequentemente durante o crescimento entre os 8 e 20 anos. Tem o risco declinado na meia idade e um ligeiro aumento entre os 60 e 80 anos.

Atividades que requerem hiperextensão ou hiperflexão da coluna lombar aumentam o risco de espondilólise/listese.

Embora essa condição muitas vezes se desenvolva cedo na adolescência, normalmente não é detectada até a idade adulta. Crianças e adolescentes geralmente suportam a dor lombar por muitos anos antes de serem avaliadas por um médico.

Em seu estudo de revisão Jassi et al. (2010), apontam que a espondilolistese é classificada em cinco categorias baseadas na sua etiologia:

  1. Displástica
  2. Ístimica
  3. Degenerativa
  4. Traumática
  5. Patológica Conforme

Fonte: Dickson, 1998; Earl, 2002; apud JASSI et al. 2010)

O diagnóstico definitivo é feito pelo exame radiológico, com o defeito visualizado nas radiografias de perfil e oblíqua, tiradas na posição ortostática, pois os deslizamentos podem ser corrigidos e deixam de ser percebidos em decúbito dorsal.

Sintomas

Quanto aos sintomas, geralmente espondilolistese é assintomática, porém dor lombar e ciática bilateral até as nádegas ou face posterior das coxas podem se manifestar. A dor é leve ou moderada inicialmente e se agrava com movimentos de extensão e rotação.

A progressão da patologia resulta em tensão dos isquiotibiais, retroversão da pelve, fraqueza dos músculos abdominais e postura flexionada dos quadris e joelhos. Graus mais severos de espondilolistese podem ser acompanhados de sintomas neurológicos, normalmente do tipo displástico, no qual as raízes do nervo lombosssacro podem ser comprimidas atrás da face póstero-superior do sacro.

Além disso, algum grau de dor radicular não é incomum na espondilolistese ístmica de longa data. Denota-se que em torno de 50% a 90% de indivíduos adultos apresentam quadros de dor na coluna vertebral em especial na região lombar (lombalgia) em algum momento de suas vidas, sendo a principal causa de incapacidade em sujeitos com menos de 45 anos de idade.

O principal sintoma que acomete os indivíduos com espondilolistese é a lombalgia.

Tratamento

Deve iniciar com um tratamento conservador antes de uma indicação cirúrgica.

Onde esse tratamento deve visar uma educação do paciente, orientando-o com relação aos medicamentos para controle da dor, os exercícios de alongamento e à estabilização da musculatura lombar em conjunto com um trabalho cognitivo.

Estudos que acompanham sujeitos com lombalgia durante seis meses a dois anos demonstraram que 40% a 44% apresentam cronificação da dor e que 1% a 3% requer tratamento operatório (IMAMURA; KAZIYAMA; IMAMURA, 2001). O tratamento conservador tem sido a escolha inicial na maioria dos casos de espondilolistese, a fim de tratar as dores lombares, restaurar a amplitude de movimento e a função, além de fortalecer e estabilizar os músculos espinhais.

O tratamento não-cirúrgico é a escolha inicial na maioria dos casos de espondilolistese, com ou sem sintomas neurológicos, além de ser a principal forma de tratamento das dores lombares. Não há, entretanto, estudos prospectivos randomizados que estabeleçam um protocolo ideal de tratamento.

Na maioria dos casos sintomáticos de espondilólise e espondilolistese o tratamento conservador é recomendado para reduzir a dor, restaurar a amplitude de movimento e a função, e para fortalecer e estabilizar os músculos espinhais.

Exercícios para Espondilolistese Lombo Sacral e Sintomas

O exercício físico como forma terapêutica é altamente desejável e realístico para a restauração da área afetada, essa afirmativa implica que o exercício é dirigido principalmente para a deficiência funcional do trauma. O exercício físico é uma forma poderosa para recuperar a força, a resistência, a flexibilidade, além da mobilidade.

Um importante fator de proteção à coluna é a prática dos exercícios resistidos associados a alongamentos específicos.

A prática da musculação torna a pessoa mais forte, mas a probabilidade de lesões na sua prática existem, portanto, a seleção dos exercícios, o volume e intensidade destes exercícios podem, se não prescritos adequadamente, contribuir para desordens da coluna.

Um exemplo é a realização de retroversão da pelve durante exercícios para a coluna lombar, que aumenta o risco de lesão por comprimir as articulações e aumentar a carga nas estruturas passivas.

Exercícios adequados para indivíduos portadores de espondilolistese lombo sacral e seus sintomas, em especial seu principal sintoma, a lombalgia. É necessário observar o padrão de controle correto e o recrutamento tônico das fibras, sem que se note fadiga. O paciente não deve sentir dor e a respiração deve ser normal. A contração deve se manter por 10 segundos e ser repetida 10 vezes.

Exercício 1

Posição de Quatro Apoios sem Contração

Posição de Quatro Apoios com Contração

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar e reto do abdome.

Descrição: Posição quatro apoios, distribuir o peso do corpo nos quatro membros, manter a pelve em posição neutra, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído e respiração calma.

O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos. Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Há posições que se consegue isolar músculos específicos em isometria e simultaneamente relaxar os globais mantendo a coluna em posição neutra. Sugere-se este exercício como ideal para o aprendizado da contração da parede abdominal e da manutenção da posição em isometria de forma mais fácil.

Exercício 2

Contração do Transverso do Abdome em Decúbito Dorsal

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome e multifido lombar.

Descrição: Em decúbito dorsal, o paciente deve fletir os joelhos e apoiar os pés, a partir desta posição levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar, mantendo o abdome contraído e uma respiração calma. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 3

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e glúteo máximo.

Descrição: Em decúbito dorsal, fletir os membros inferiores e apoiar os pés, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e elevar a pelve no momento da expiração. Manter a posição com o abdome contraído e respirar tranquilamente. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 4

Decúbito Dorsal com Elevação dos Membros Inferiores

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome, reto da coxa e iliopsoas.

Descrição: Em decúbito dorsal, fletir os membros inferiores, apoiar os pés, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído enquanto os membros inferiores são retirados do chão. Manter a flexão dos quadris e joelhos a 90º  e respirar tranquilamente. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 5

Quatro Apoio com Elevação dos Membros Inferiores Alternadamente

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e glúteo máximo.

Descrição: Posição quatro apoios, distribuir o peso do corpo nos quatro membros, manter a pelve em posição neutra, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído. A partir desta posição, retirar alternadamente os membros inferiores do apoio e mantê-los em extensão. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios para cada membro inferior

Exercício 6

Prancha Frontal

Objetivo: Recrutar os músculos abdominais superficiais, profundos e multifido lombar.

Descrição: Em decúbito ventral deve-se realizar uma “ponte”, onde o apoio superior são os antebraços e o apoio inferior é a ponta dos pés, devendo-se deixar a coluna bem alinhada e o os músculos do abdome bem contraídos.

Deve-se manter a postura por 30 segundos e repeti-la por 3 vezes com intervalo de 15 segundos.

Exercício 7

Prancha Lateral

Objetivo: Recrutar os músculos estabilizadores laterais, em especial o quadrado lombar, otimizando a ativação lateral e minimizando a sobrecarga na coluna lombar.

Descrição: O paciente deve se colocar lateralmente ao solo, realizar apoio com um dos braços e inicialmente com os joelhos, deixando o corpo todo alongado, em um nível mais avançado deve estabelecer o ponto de apoio nos pés, mantendo sempre sua coluna alinhada e a musculatura abdominal bem contraída.

Deve-se manter a postura por 30 segundos e repeti-la por 3 vezes com intervalo de 15 segundos.

Exercício 8

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e iliopsoas.

Descrição: Paciente mantem em decúbito dorsal com joelhos fletidos e bola entre as coxas, solicita-se ao paciente que durante a inspiração a coxa mantém-se parada e durante a expiração ocorrem os movimentos de adução e abdução de coxo femoral, apertando a bola, mantendo a contração infra umbilical.

Exercício 9

Alongamento dos Paravertebrais Lombares

Objetivo: Promover alongamento dos músculos eretores lombares, músculos dos glúteos e isquiotibiais.

Descrição: Em decúbito dorsal com os joelhos fletidos e pés apoiados, o paciente deve abraçar os joelhos de modo que a porção anterior da coxa se apoie no peito e fazendo elevação do sacro do ponto de apoio.

Deve-se manter na posição entre 30 e 60 segundos e repeti-la por 3 vezes.


Este artigo foi co-escrito por Tayna Bortone, Fisioterapeuta e integrante da Equipe Janaína Cintas.

  • Pilates
  • Treinamento Funcional
  • Massoterapia

 

Referências
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