Ativar ou não o Power House durante as aulas? Entenda!

Ativar ou não o Power House durante as aulas? Entenda!

Estabilidade Lombo Pélvica: Pilates é eficiente para trabalhar a habilidade?

Neste texto vamos falar de um tema que eu particularmente gosto e estudo bastante: a estabilização segmentar. Mas antes de mais nada, precisamos compreender exatamente como funciona o conceito de estabilidade para a física.

A estabilidade é definida como:

MOBILIDADE X RIGIDEZ

Estabilização Segmentar

Profissionais de áreas como fisioterapia, educação física, medicina, e outras profissões do movimento, tratam a estabilização segmentar como um princípio útil para a prevenção, reabilitação e treinamento. A estabilidade do núcleo é considerada como processo resolutivo para disfunções na metade inferior do tronco.

Contudo, espantosamente, poucos a questionam cientificamente.

O núcleo, power house ou core, é formado pelo músculo transverso do abdômen, responsável pelo reflexo antecipatório postural do tronco. Paul Hodges, em uma de suas pesquisas observou que o Transverso do Abdômen (TrA) se contrai 5 milissegundos antes de tirarmos os membros superiores da inércia, pesquisa depois repetida com os membros inferiores.

O importante é que por ser o músculo mais profundo do tronco, e por ser responsável pelo Reflexo Antecipatório Postural, ele forma a parte mais profunda do núcleo de estabilização (CS), os músculos profundos posteriores do tronco – mais especificamente o multifideo – o assoalho pélvico fechando o sistema inferiormente, além do diafragma torácico como teto deste sistema.

Este sistema funciona por diferença pressórica, ou seja, quando o diafragma se contrai, abaixando-se, ocorre um aumento de pressão intra-abdominal (PIA), gerando assim, uma alavanca de flexão pré-compensada por uma alavanca de extensão. As duas alavancas no tronco geram uma estabilização do mesmo por compressão.

Simplificadamente está aí a teoria da estabilização proposta por Hodgesm trazida tão fortemente para dentro do Pilates, como do Treinamento Funcional.

Eyal Ledeman foi a primeira a reexaminar o princípio da estabilidade de núcleo em um artigo extremamente importante de 2009. Ledeman utilizou-se de diversas pesquisas de variados autores sobre a proposta objetivando plausíveis explicações para tal questão. Ela reexaminou os princípios da:

  • Estabilidade Segmentar Central
  • Estabilização da Coluna Vertebral

O primeiro cientista a investigar sobre a estabilidade da coluna lombar foi Bergmark, um engenheiro mecânico, em 1989, através de um modelo elasto-estático da coluna. O elasto seriam os músculos do tronco que gerariam rigidez – o que gerariam rigidez, o que estabilizaria a coluna – e o estático indica que o modelo estudado por Bergmark seria a coluna dentro: a estática.

Subsistemas de Estabilização

Panjabi em 1992 incluiu 3 subsistemas:

  1. Subsistema Passivo de Estabilização: ligamentos, tendões, discos intervertebrais e as próprias vértebras. Por ainda precisar garantir movimento, esse subsistema deixa uma área de frouxidão ao redor da vértebra onde ocorrem boa parte das lesões.
  2. Subsistema Ativo da Coluna: para diminuir essa área de frouxidão é preciso utilizar as musculaturas.
  3. Subsistema Neural: é preciso utilizá-lo para o sistema nervoso controlar os movimentos e realizá-los com precisão.

Esses 3 subsistemas para Panjabi deveriam atuar em sinergia. A ativação muscular é especialmente importante para controlar a mecânica articular e impedir uma lesão. Notem que falei em ativação muscular, não força. Falaremos mais a respeito disso à frente.

Esses pacientes têm dificuldades para recrutar os músculos estabilizadores da coluna, que muitas vezes é combinada com fraqueza de musculatura profunda. É claro que o subsistema neural não deixa o corpo parar de se mover por causa disso. Assim, ocorre um processo de substituição compensatória.

O movimento passa então a ser realizado por musculaturas que não tinham essa função a princípio, porém no corpo humano a conta não é tão matemática assim.

Lederman também avaliou como esses princípios se encaixam em um conhecimento mais amplo do controle motor. O princípio da estabilidade de núcleo (CS) foi derivado de estudos de Hodges e Richardson, 1996, 1998 conforme já citado anteriormente, porém mais adiante demonstraram uma mudança no tempo inicial da contração dos músculos do tronco em indivíduos portadores de dor lombar crônica (CLBP), ou seja, os portadores de dor lombar crônica teriam um atraso nessa ativação do núcleo (CS).

Esses achados e crenças gerais sobre a importância dos músculos abdominais, sobretudo o músculo Transverso do Abdômen (TsA), trouxeram fortes influências para o Pilates e o Treinamento Funcional. O TrA tem várias funções na postura vertical e a estabilidade é somente uma. Mas a função está em sinergia com todos os outros músculos que compõem a parede abdominal e além (Hodges et al., 1997, 2003, Sapford et al., 2001).

A musculatura atua no controle da pressão na cavidade abdominal aumentando a rigidez para a estabilidade das vértebras, além do tensionamento da fáscia toraco-lombar. O TrA também atua na vocalização, respiração, defecação, vômitos, etc. (Misuri et al., 1997).

LOGO, SURGE ASSIM A INSTABILIDADE LOMBO PÉLVICA COMO A GRANDE VILÃ CAUSADORA DA DOR LOMBAR!

Instabilidade Lombo Pélvica

Como vimos acima, nem todos os indivíduos possuem a habilidade de ativar musculaturas profundas da coluna para sua estabilização. Isso acontece especialmente no segmento lombar da articulação, gerando instabilidade, lesão e dor.

Precisamos ficar atentos a um detalhe da estabilidade lombar: ela é realizada por musculaturas profundas da coluna. Portanto, dificilmente conseguimos falar para um aluno “ative os multífidos” e ter algum resultado desse comando.

Em primeiro lugar, imagino que seu aluno sequer sabe que musculatura é essa, onde está localizada e sua função. Em segundo lugar, o corpo não trabalha com a ativação muscular isolada.

Além disso, boa parte dos indivíduos que já têm dor lombar possuem uma dificuldade de ativação que não está relacionada à fraqueza diretamente. Sua ativação muscular acontece atrasada, depois do movimento já ter iniciado. É um problema de feedforward que vai além de ter músculos fortes ou fracos.

Pensemos em um movimento importante da coluna lombar, como se inclinar para frente. Nesse movimento de flexão, precisamos de uma combinação de estabilidade e mobilidade que envolve flexão lombar e inclinação da pelve. As duas articulações precisam trabalhar em conjunto para não surgir dor.

Vamos pensar um pouco mais profundamente: Será que não superestimamos a ativação do core ou do power house durante todo esse período?

  1. Será que existe ativação funcional específica para músculos locais e outra para músculos globais?
  2. Será que conseguimos ativar o core isoladamente?
  3. Será que o TrA é o músculo mais importante para a estabilização do tronco?

A dor lombar será tratada com a melhora do tempo de ativação do TrA, ou ainda, se o mantivermos ativados o tempo inteiro.

Mas, quão essencial é o TrA para a Estabilização da Coluna Vertebral?

Uma maneira de avaliarmos a ineficácia da ativação do core, ainda que possível, basta observarmos as condições onde o músculo está danificado ou submetido a um estresse mecânico anormal. Isso fragilizaria o sistema de estabilização submetendo o indivíduo ao desenvolvimento da dor lombar.

A gravidez é uma situação fisiológica que nos levarias a fragilidade da estabilização, já que o músculo TrA, além de todos os músculos da faixa abdominal estarão:

  • Com seu alongamento muito além da curva de comprimento x tensão
  • Com perdas de força e incapacidade de estabilizar a pelve contra resistência (Fast et al., 1990; Gilleard e Brown, 1996).

Em estudo de 2006 os efeitos de uma abordagem cognitivo-comportamental foram comparados com fisioterapia clássica na dor pélvica e lombar, imediatamente após o parto por Bastiaenen et al., onde 869 mulheres grávidas participariam da pesquisa. No entanto, 635 mulheres foram excluídas, pois mais da metade de amostrar obteve sua recuperação espontânea e sem qualquer tipo de intervenção após o parto para a dor lombar.

A recuperação dessas mulheres aconteceu em um período em que os músculos abdominais estavam fora da sua curva de comprimento X tensão, ou seja, com pouca capacidade de contração e, portanto, sem estabilização (Gilleard e Brown, 1996). No entanto, esse foi um período em que a dor lombar foi absurdamente reduzida, sem nenhuma intervenção.

Como pode a dor lombar e pélvica ter melhorado durante um período de profunda ineficiência muscular abdominal? Por quê a coluna vertebral não colapsa? A relação entre os músculos abdominais e a estabilidade da coluna foi superestimada?

Este estudo concluiu que há poucas evidências de que os problemas localizados da mecânica musculoesquelética, incluindo a estabilidade da coluna, que desempenha um papel no desenvolvimento da dor lombar durante a gravidez.

Outro período interessante para nós, sobre o papel dos músculos abdominais e estabilização, é imediatamente após o parto. No pós-parto, o músculo abdominal demora cerca de 4 a 6 semanas para retornar das mudanças de comprimento e para o controle motor se reorganizar.

O reto abdominal, por exemplo, leva cerca de 4 semanas após o parto para retomar seu comprimento. A estabilidade pélvica só se normaliza após cerca de 8 semana (Gilleard e Brown, 1996). Espera-se que, durante esse período, não haveria estabilização do núcleo. Talvez, esse fator aumentaria a probabilidade de aparecimento da dor lombar?

Não foi demonstrado no estudo.

Nos estudos originais, diferenças de tempo de início de CS entre indivíduos assintomáticos e pacientes com CLBP (dor lombar crônica) foram cerca de 20ms. Ou seja, uma quinquagésima diferença (Hodges e Richardson, 1996, 1998; Radebold et al., 2000).

Deve-se notar que as questões não se referem a força, mas atrasos no tempo de contração. Tais atrasos estão muito além do controle consciente do paciente e as capacidades clínicas do terapeuta para testar ou alterá-los.

Controle Motor de Movimento

O controle motor do movimento é composto de vários fatores subjacentes que incluem:

  1. Força
  2. Velocidade
  3. Alcance
  4. Resistência – Grupo Paramétrico de Habilidades
  5. Co Contração
  6. Ativação Recíproca

Esses fatores representam o nível de controle sinérgico. E para as habilidades motoras mais complexas, incluem ainda:

  1. Coordenação
  2. Equilíbrio
  3. Tempo de Transição entre Diferentes Atividades
  4. Relaxamento Motor

Todos esses componentes motores atuam durante o movimento. E ao alterar um, todos os outros fatores de controle também mudarão. (Lederman E, Reabilitação neuromuscular em terapia manual e física, 2010. London, Elsevier).

Além disso, nenhum estudo até o momento demonstrou que o exercício de estabilidade de núcleo irá redefinir o tempo de início da contração do núcleo em pacientes com CLBP.

Há mais confusão sobre a questão da força do tronco e sua relação com a dor lombar e prevenção de lesões. O que sabemos é que o controle muscular do tronco deficitário, incluirá perdas de força, consequências na CLBP e não vice-versa.

Os níveis de Co contração no tronco são mantidos em níveis baixos, suficientes para as atividades de vida diária. Um aumento nesta atividade elétrica não parece ser uma boa estratégias pois aumentará a força de compressão no disco, a rigidez do tronco, além de consumir mais energia.

Tanto a produção motora quanto o recrutamento de músculos são extensivos (Hodges et al., 2000; Cholewicki et al., 2002, interferindo em todo o corpo. O treinamento focado em um único músculo é muito difícil. A ativação específica do músculo não existe e a ativação central se dá para a função. Se você traz a mão para a boa, o sistema nervoso “pensa” na mão e não em flexionar o bíceps, depois os peitorais, etc.

Porém, se a mão estiver no bolso, provavelmente outro esquema de ativação central será ativado especificamente para essa função. Os músculos realizam sua ativação de forma dependente da função para qual ele está designada no momento, afim de promover economia energética para todo sistema.

O controle muscular único é relegado na hierarquia dos processos motores para os centros do motor espinhal. É um processo que está distante do controle consciente. Na verdade, demonstrou-se que ao tocar os tendões do reto abdominal, oblíquo externo e oblíquo interno, as respostas reflexas de estiramento evocadas podem ser observadas no músculo, mas também se espalham extensivamente aos músculos da faixa abdominal.

Isso sugere que o feedback sensorial e o controle reflexo dos músculos abdominais estão funcionalmente relacionados. Portanto, seria impossível separá-lo pelo esforço consciente. Isso torna impossível contrair um único músculo ou grupo específico, mesmo com treinamento extensivo (Beith et al., 2001).

De fato, não há apoio da pesquisa de que o TrA pode ser ativado singularmente (Cholewicki et al., 2002).

Sendo assim, em 2007 Garcia, Elvira, Brown, Grenier, além de McGill chegaram a conclusão de que o abdominal ”hollowing” – o abdominal clássico – não ativa, tão pouco estabiliza a coluna. E que para a estabilização da coluna possa acontecer outros fatores, são de extrema importância.

Dessa forma, Lederman em 2010 e Hibbs et al em 2008 concluem que a classificação em músculos profundos (estabilizadores) e superficiais, não possuem critério funcional, e que ainda que fosse possível executar essa contração isoladamente, não estaríamos prevenindo ou tratando a dor lombar, evitando movimentos de compensação na mesma.

Isso é mais uma crença dentre os profissionais do movimento, pois não existe evidência científica para essa afirmação.

A ativação dos músculos do tronco depende da tarefa à qual estão sendo designados no momento. A estabilização do tronco é garantida por atividade sinérgica muscular de direção específica que incluem outros músculos que se encontram fora do power house. Mc Guill 2010, 2013, Tarnanen SP et al 2012, Franca FR et al 2010.

Sobre a ativação dos músculos do tronco, percebam que aqui deixei de falar em estabilização do núcleo (CS) pois já sabemos que o sistema nervoso central ativará os músculos que serão necessários para realizarmos uma tarefa. Portanto, nossos treinos deveriam ser focados nos exercícios que buscam a funcionalidade para o dia-a-dia de cada aluno.

Um exercício de Sit Up (sentar e levantar) em uma simples cadeira, pode ser um ótimo exercício de controle de tronco para uma senhora de 86 anos com histórico de sedentarismo. Por outro lado, esse exercício é completamente ineficaz para uma jovem atleta.

Percebam que a estabilização segmentar é um tema mais profundo que o proposto por Paul Hodges, sendo que o próprio já assumiu que seu conceito do core acaba por gerar troncos rígidos. Quanto maior a rigidez de um tronco, menor a funcionalidade que o corpo terá.

Confira abaixo uma entrevista de Paul Hodges sobre a falta de entendimento do power house:

Mas, e o Power House no Pilates?

Ah, o Método Pilates foi desenvolvido pelo genial Joseph Pilates durante a primeira guerra mundial, e a proposta de estabilização segmentar foi trazida por Hodges.

Será que Joseph chegou a conhecer Hodges? Estudar seus artigos científicos?

Como Joseph Pilates não se encontra mais vivo, cada discípulo de 1ª geração falou sua língua e transmitiu seu conhecimento, e só temos Lolita San Miguel viva. Essa questão do power house tornou-se uma questão de telefone sem fio, sem nenhuma evidência científica. Tão pouco uma citação de Joseph em seus livros…

Estamos falando de ciência, e quero deixar claro aqui que reverencio todos os mestres do maravilhoso Método Pilates, que tanto amamos.

Em um próximo artigo continuaremos a nossa deliciosa viagem pela busca científica, pela busca da verdade, e pela resposta para essa questão.

 

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Qual a Importância do Sistema Nervoso Autônomo (SNA)?

Qual a Importância do Sistema Nervoso Autônomo (SNA)?

O Sistema Nervoso Autônomo age em conjunto com o sistema endócrino, no controle, coordenação e sincronização da atividade visceral. Portanto, é um dos principais mecanismos do equilíbrio corporal (homeostase).

Este sistema age independente da vontade do indivíduo, é portanto, autônomo: “funciona sozinho”. Seus impulsos nervosos motores terminam em músculo estriado cardíaco, músculo liso ou glândula. Entretanto, as fibras eferentes viscerais (motoras viscerais) são acompanhadas por fibras aferentes viscerais (sensoriais viscerais).

Estas fibras possuem importante papel no controle da função visceral, pois fornecem informações importantes sobre o ambiente interno do corpo. Os reflexos viscerais controlam a pressão arterial e a bioquímica corporal diante de alterações na respiração, função cardíaca e resistência da parede dos vasos.

Devido a isso, alguns autores consideram como parte do Sistema Nervoso Autônomo, tanto as fibras motoras quanto as sensoriais.

Sistema Nervoso Autônomo: Simpático e Parassimpático

As fibras pré ganglionares, tanto simpáticas como parassimpáticas, e as fibras pós ganglionares parassimpáticas liberam o neurotransmissor acetilcolina. Já a maioria das fibras pós ganglionares do sistema simpático liberam o neurotransmissor noradrenalina.

Outras Divisões

De acordo com Houssay e Cingolani, o Sistema Nervoso Autônomo pode ser dividido em:

  1. Sistema Simpático
  2. Sistema Parassimpático 
  3. Sistema Nervoso Entérico

Sistema Nervoso Entérico

O Sistema Nervoso Autônomo Entérico está presente ao longo da parede do tubo gastrointestinal, desde o esôfago até o ânus. Ele é o responsável pela contração da parede do esôfago, estômago e intestinos, no sentido de impulsionar o bolo fecal para fora do corpo, ou seja: “fazer o intestino funcionar”.

Pessoas que têm prisão de ventre, podem ter disfunção deste segmento do SNA, onde a distensão gerada pelo bolo fecal deveria estimular a contração da parede do intestino para “fazê-lo funcionar”, mas isso não ocorre, e o material permanece acumulado.

Esta condição pode gerar uma flacidez da parede intestinal, que terá cada vez menos estímulo para contrair. É importante ressaltar que pessoas que utilizam laxantes por longos períodos, podem desenvolver esta condição. Através de técnicas de terapia manual e da mobilidade visceral recrutada durante os movimentos e respiração do Pilates, alem do método abdominal hipopressivo, podemos estimular o sistema nervoso entérico e a normalização do funcionamento intestinal.

Sistema Simpático

Os gânglios do Sistema Nervoso Autônomo Simpático saem da coluna entre a última vértebra cervical e a segunda lombar. Este sistema inerva todas as vísceras do corpo. Ele prepara o organismo para “lutar ou fugir”:

  • Dilata a Pupila para Aumentar o Campo Visual
  • Aumenta o Batimento Cardíaco e a Pressão Arterial
  • Manda Sangue para os Músculos Esqueléticos
  • Mobiliza e Disponibiliza Energia Extra para os Músculos Efetores
  • Aumenta Frequência Respiratória
  • Faz Broncodilatação
  • Vasoconstrição das Glândulas Lacrimais e Salivares
  • Estimula a Secreção das Glândulas Sudoríparas
  • Ereção dos Pelos
  • Dilata as Artérias Coronárias
  • Diminui o Peristaltismo do Tubo Digestivo
  • Contrai os Esfíncteres
  • Estimula a Secreção de Noradrenalina pelas Glândulas Suprarrenais
  • Faz Vasoconstrição Global dos Vasos do Tronco e das Extremidades

De acordo com Moore e Dalley (2007), a função primária do SNA simpático é controlar os vasos sanguíneos. Esta ação é realizada de diferentes formas: ora estimulando a vasodilatação, ora estimulando a vasoconstrição.

Ele é o responsável por inervar tonicamente todos os vasos do corpo humano, mantendo-os em um estado de repouso de vasoconstrição moderada. De forma geral, quando a estimulação simpática aumenta sobre os vasos gera-se vasoconstrição, e a diminuição dos sinais simpáticos permite a vasodilatação.

Apenas no caso dos vasos coronários e dos vasos dos músculos esqueléticos, é que o simpático resulta em vasodilatação.

A ativação simpática estimula a liberação de adrenalina e noradrenalina pelas glândulas adrenais, através da região medular. Portanto, segundo Guyton (2006), os órgãos são, na verdade, estimulados duas vezes: uma estimulação direta através dos nervos simpáticos e uma estimulação indireta através dos hormônios adrenais.

Em consequência, caso haja lesão da medula adrenal não haverá prejuízo do funcionamento simpático. Outro papel importante da dupla estimulação é que algumas estruturas não são inervadas por fibras simpáticas diretas.

Um exemplo citado por Guyton, é a taxa metabólica de todas as células do corpo: esta taxa aumenta através da ação dos hormônios medulares adrenais, principalmente da adrenalina, pois apenas uma pequena proporção destas células são inervadas por fibras simpáticas.

É possível estimular o funcionamento deste sistema através de terapia manual, utilizando-se mobilizações locais da coluna, ou por exercícios de Pilates, com a movimentação principalmente da coluna torácica em múltiplos planos.

Sistema Parassimpático

O Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático emerge ao nível do crânio e do sacro. A porção craniana origina-se a partir de quatro pares de nervos:

1) Nervo Oculomotor III: Emerge do mesencéfalo, perfura a dura máter lateralmente ao diafragma da sela túrcica, passando superiormente à hipófise para atravessar o teto e a parede lateral do seio cavernoso. Penetra na órbita pela fissura orbital superior, onde se divide para suprir os músculos extrínsecos do olho. Parassimpaticamente inerva a musculatura lisa do olho, mais especificamente o músculo ciliar, que regula a convergência do cristalino, e o músculo esfíncter da pupila.

2) Nervo Facial VII: Este nervo emerge do sulco bulbo pontino através de uma raiz motora e uma raiz autonômica (denominada nervo intermédio). Estes dois componentes penetram no meato acústico interno. Emerge do crânio pelo forame estilomastoideo, atravessa a glândula parótida. As fibras aferentes viscerais que participam do SNA suprem a glândula lacrimal, as glândulas salivares sublingual e submandibular e a mucosa das cavidades nasal, oral e faríngea.

3) Nervo Glossofaríngeo IX: É um nervo misto que sai do crânio pelo forame jugular, na sutura occipitomastoidea. Ele inerva a glândula parótida e glândulas mucosas orais. As fibras pré ganglionares fazem sinapse no gânglio óptico.

4) Nervo Vago X: De maneira geral supre as vísceras torácicas e abdominais. Vamos aprofundar o estudo sobre este nervo de maneira separada, neste texto, mais adiante.

A porção sacral emerge de S2 a S4 e inerva útero, ovários, bexiga, uretra, testículos, porção final do intestino grosso e genitais externos.

Este sistema tem o efeito inverso do sistema simpático, ele age no sentido do relaxamento corporal:

  • Contrai a Pupila
  • Diminui os Batimentos Cardíacos e Pressão Arterial
  • Economiza Energia
  • Diminui a Frequência Respiratória
  • Aumenta a Secreção Lacrimal
  • Faz Vasodilatação das Glândulas Salivares
  • Faz Constrição das Artérias Coronárias
  • Bronquioconstrição
  • Aumenta o Peristaltismo do Tubo Digestivo
  • Relaxa os Esfíncteres
  • Promove o Esvaziamento da Bexiga Através da Contração de sua Parede

É possível estimular o funcionamento deste Sistema Nervoso Autônomo através de técnicas de terapia manual específicas para a estrutura do crânio e do sacro. Os exercícios de Pilates que enfatizam a mobilidade pélvica tem efeito benéfico sobre este sistema, na sua porção sacral.

Exercícios oculares e o estímulo para posicionamento visual durante as sessões de Pilates (o olhar deve acompanhar o sentido do movimento) são estímulos para o SNA parassimpático de origem craniana.

O equilíbrio de funcionamento entre os dois sistemas autônomos faz com que o corpo se encontre em condição ideal de saúde.

Caso haja um desequilíbrio entres eles, e um esteja agindo em detrimento do outro, o funcionamento do corpo como um todo estará prejudicado, resultando em maior esforço para alcançar a homeostase. Com isso, podem surgir dores, lesões e alterações de funcionamento visceral.

O papel do fisioterapeuta está em entender bem a anatomia e fisiologia dos sistemas corporais, para então eleger as técnicas adequadas, que auxiliarão o corpo a reencontrar o seu equilíbrio dinâmico saudável.

Importância do Nervo Vago

                Sistema Nervoso Autônomo S e PS                          Nervo Vago: Trajeto

Agora gostaria de me aprofundar um pouco mais em um elemento específico do sistema parassimpático: o nervo vago.

Antigamente era denominado “nervo pneumogástrico”, devido à ação sobre os pulmões e todo tubo digestivo. É o maior dos nervos cranianos e também o que possui o trajeto mais longo e a distribuição mais extensa de todos os nervos cranianos. É um nervo misto e essencialmente visceral.

Emerge do sulco lateral posterior do bulbo sob a forma de filamentos radiculares que se reúnem para formá-lo. Sai do crânio pelo forame jugular, situado na sutura occipito-mastoidea, segue seu trajeto descendente medialmente ao músculo esternocleidomastoideo, onde os nervos vagos direito e esquerdo entram nas bainhas carótidas e se continuam até a raiz do pescoço.

Inerva laringe e faringe, adentra na cavidade torácica através da abertura superior do tórax, onde o nervo vago esquerdo contribui para o plexo esofágico anterior e o nervo vago direito para o plexo esofágico posterior, formando os troncos anterior e posterior, inervam coração, pulmões e esôfago; então segue seu trajeto posteriormente ao osso esterno e lateralmente ao esôfago.

Ao nível do hiato esofágico, passa por entre as fibras musculares do diafragma, juntamente com o esôfago, e penetra na cavidade abdominal, fazendo conexões com plexos nervosos (como o plexo celíaco) e inervando todas as vísceras e glândulas abdominais:

  1. Estômago
  2. Duodeno
  3. Fígado
  4. Pâncreas
  5. Baço
  6. Adrenais
  7. Rins
  8. Intestino Delgado
  9. Intestino Grosso

Este nervo possui componentes aferentes (componente sensorial) viscerais gerais, que conduzem impulsos originados na faringe, laringe, traqueia, esôfago, vísceras do tórax e abdômen. Assim como fibras eferentes viscerais gerais, que são responsáveis pela inervação parassimpática das vísceras abdominais e torácicas e fibras eferentes viscerais especiais, que inervam os músculos da faringe e da laringe.

Surpreendente, 90% do nervo vago é sensorial, ou seja, leva informações sensitivas das vísceras para serem interpretadas no cérebro (interocepcoes). Ele capta informações viscerais e transmite para o tronco cerebral médio e depois para o tálamo, onde serão organizadas e distribuídas para o córtex cerebral.

É importante lembrar que o tálamo é um centro de integração de impulsos nervosos, sendo responsável também por sono e vigília, sensações dolorosas, regulação do SNA, regulação da consciência e cognição. Portanto, estas funções podem interferir e influenciar umas às outras.

A importância do nervo vago é tão grande que, pesquisadores como Kevin Tracey, tem desenvolvido elementos bioeletrônicos para estimulá-lo.

Em um de seus artigos científicos publicados na revista nature, Tracey mostra que a ativação das fibras aferentes do nervo vago geram respostas anti-inflamatórias, através do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Este tipo de estimulação tem sido pesquisada e utilizada para o tratamento de dor crônica e de patologias, como a artrite reumatóide.

Tracey sugere acrescentar “inibição da resposta inflamatória” e melhora da resposta imunológica à lista de efeitos parassimpáticos do nervo vago.

Conclusão

A fisioterapia pode ser um excelente recurso para realizar a estimulação vagal e melhorar suas aferências no Sistema Nervoso Autônomo.

Exemplos destas possibilidades terapêuticas são as técnicas de liberação miofascial do músculo esternocleidomastoideo, da fáscia e musculatura da garganta, mobilização e liberação miofascial da região do esterno e técnicas para melhorar a mobilidade visceral.

Todas estas ações terapêuticas podem ser realizadas através de terapia manual, exercícios de alongamento e mobilização (Pilates) e também através da estimulação visceral do Método Abdominal Hipopressivo (MAH).


Esse texto foi co-escrito pela Dra. Thaysa Greve

Thaysa é Fisioterapeuta com Pós Graduação em Fisiologia Humana, assim como cursos nas áreas:

  • Certificação em Osteopatia Estrutural e Funcional- EBOM
  • Formação em Osteopatia Estrutural – EOM
  • Formação em Osteopatia Postural e Visceral- Instituto Docusse de Osteopatia e Terapia Manual (Idot)
  • Formação em Manipulação Visceral – Barral Institute (USA)
  • Formação em Cadeias Musculares -Método Busquet
  • Formação em Manipulação das Fáscias – Método Stecco
  • Formação em Terapia Crânio Sacral-TCSI- Upledger Institute.
  • Certificação em Pilates para Reabilitação
  • Curso de Pilates nas Patologias de Joelho, Tornozelo e Pé – I Congresso Brasileiro de Pilates

 

Referências
  • Levine, P., uma voz sem palavras.
  • Tracey, K., Ivanova, S; Borovikova, L.V.; vagus nerve stimulation attenuates the systemic inflammatory response to endotoxins. Nature. 2000.
  • Houssay e Cingolani, fisiologia humana. 7ed. 2004.
  • Tracey, K., the inflammatory reflex. Artigo de revisão. Revista nature. 2002.
  • Machado, A, Neuroanatomia Funcional. Ed edelbra.
  • Moore, K; Dalley, A., Anatomina orientada para a clínica. 2007.
  • Guyton, A; Hall, J., Tratado de fisiologia médica. 11ed. 2006.
Como trabalhar Extensão do Tronco no Pilates?

Como trabalhar Extensão do Tronco no Pilates?

Nos casos de lombalgia, é comum encontrar indivíduos com músculos profundos, e portanto, estabilizadores, que realizam a extensão da coluna hiperativos, seja por excesso de rigidez do tronco, PIA aumentada ou disfunção sacro-ilíaca, o que gerará nesse grupamento muscular um efeito paradoxal de relaxamento nessa camada muscular profunda.

Por isso, o primeiro instinto do profissional do movimento é investir em fortalecimento para diminuir a dor e melhorar a funcionalidade desse indivíduo.

Não está errado, mas talvez seja um raciocínio incompleto, considerando que estamos trabalhando com Pilates, e que precisamos primeiro retirar o campo de interferência causador da inatividade desses músculos. Logo, precisamos considerar as melhores maneiras de realizar esse programa de reativação desse grupo muscular, fundamental para nossa biomecânica.

Aprenda nesse artigo mais informações a respeito dos movimentos de flexão e extensão do tronco e sua relação com a dor lombar. Depois, darei algumas indicações para trabalhar esses movimentos em aula, sem esquecer da mobilização, ganho de flexibilidade da coluna, além de trabalho de controle motor.

Papel da Flexão e Extensão do Tronco na Lombalgia

Vamos voltar a falar de um tema que eu particularmente adoro: dor lombar. É fato que muitos de nossos pacientes sofrem com o problema, por isso é nossa responsabilidade entender o problema e dar o melhor tratamento possível.

Acontece que as musculaturas relacionadas a flexão e extensão do tronco muitas vezes estão desequilibradas em pacientes com lombalgia. Quando as musculaturas extensoras e flexoras estão fracas, tensas por compressão das cadeias de dois pontos de extensão e de flexão ou em desequilíbrio, a estabilidade da coluna lombar torna-se precária.

Mesmo que o paciente ainda não tenha apresentado dor, esse é um indício que ele está próximo de desenvolver o problema. Lembrando sempre, que a dor lombar está ligada a questões mecânicas, mas também a fatores bio-psico-sociais.

Por isso a atividade física continua sendo um dos principais métodos preventivos da dor lombar. Conseguimos combatê-la e preveni-la através do fortalecimento e ativação correta de diversas estruturas do corpo. Isso inclui os músculos relacionados à flexão e extensão do tronco.

Sabendo disso, posso introduzir o Pilates como o método ideal para esse trabalho. O próprio Joseph Pilates já prezava por movimentos perfeitos e controlados.

É exatamente isso que queremos na flexão e extensão do tronco de nossos pacientes com lombalgia. Ouso dizer que sobretudo os exercícios em extensão são fundamentais, porém esquecidos dentro do método pela cinesiofobia de nossos alunos, e acabamos por sucumbir evitando assim, as extensões de tronco, tão fundamentais para os músculos, como o Psoas, por exemplo.

Os exercícios do Pilates envolvem movimentos importantes do tronco e ajudam a adquirir consciência corporal. Conseguimos utilizá-lo para trabalhar simultaneamente fortalecimento de músculos abdominais, flexores e extensores e também mobilização da coluna.

Como acontece a Flexão e Extensão do Tronco?

Os movimentos realizados pelo tronco – mais especificamente pela coluna lombar – envolvem a ativação sinérgica de diversos músculos. Para o bem do estudo, dividiremos as musculaturas nessa seção em flexores e extensores de tronco.

Os flexores incluem:

  • Reto Abdominal
  • Oblíquo Interno
  • Oblíquo Externo
  • Psoas

Já os extensores são:

  • Iterespinais
  • Multífideo
  • Rotadores do Tronco
  • Intertransversários do Tronco

O grupo de músculos extensores da coluna geralmente encontra-se em desequilíbrio funcional perante os flexores. Ao aplicar exercícios na sua aula de Pilates você perceberá que muitos pacientes apresentam dificuldades para realizar exercício com extensão e hiperextensão do tronco.

Além dos músculos envolvidos em movimentos do tronco, a flexão e extensão também envolvem movimentos de outras articulações.

Quando o movimento parte da posição de pé, por exemplo, a flexão também recruta flexores do quadril. Na extensão, partindo da mesma posição encontramos um envolvimento de glúteos e isquiotibiais. Sempre buscando um C profundo e perfeito, descrito por Bezieres em seu livro Coordenação Motora, como movimentos fundamentais do tronco.

Em alguns casos encontramos glúteos também inativos. Nesses pacientes o glúteo máximo encontra-se inibido e incapaz de realizar os movimentos de quadril.

Como resultado temos um exagero dos movimentos de isquiotibiais, o que também gera um aumento da lordose lombar. Essa também pode ser uma dos fatores que somados a tantos outros, poderá desenvolver a lombalgia em seu paciente.

Trabalhando Flexão e Extensão de Tronco na Aula de Pilates

Os movimentos de flexão do tronco geralmente estão facilitados pela hipoativacão dos músculos antagonistas desse movimento, ou ainda pela contração excêntrica desses mesmos músculos para manter nosso equilíbrio.

Portanto, o foco costuma ser na recuperação de movimento de extensão do tronco, porém se os extensores estiverem em excentricidade, o problema estará no excesso de tensão dos flexores do tronco. Percebam, não há uma receita pronta, e cada caso deve ser avaliado, precisamente com muita atenção e competência, a fim de que a melhor estratégia de melhora da mobilidade seja adotada.

Precisamos utilizar os exercícios de Pilates para fortalecer musculaturas profundas do tronco, que muitas vezes ficam esquecidas. Só quero lembrar de um detalhe aqui: estamos em busca do equilíbrio.

De nada adianta trabalhar o fortalecimento de um grupo muscular em excesso. Tudo no Pilates preza pelo movimento global e devemos manter isso. O fortalecimento excessivo é, na verdade, um vilão para a coluna. Ele gera rigidez e a rouba do seu movimento fisiológico, que é exatamente o que tentamos recuperar durante o tratamento.

Dessa maneira, os exercícios utilizados numa aula de Pilates precisam equilibrar o fortalecimento de extensores e flexores da coluna.

Outro Detalhe: observe cuidadosamente a mobilidade de toda a coluna vertebral para realizar o exercício. Mesmo que você queira tratar a dor lombar especificamente, não é possível ignorar o restante da estrutura. A coluna atua com movimentos integrados de todas as suas articulações.

Quando existe falta de movimento em qualquer parte da coluna, isso será compensado com excesso de mobilidade em outras partes. Lembra-se que a instabilidade lombar é considerada como uma das causas de dor na região?

Isso pode ser causado porque outra parte da coluna está rígida.

Durante sua avaliação dê atenção a todos os segmentos corporais. Mesmo desvios em quadris e joelhos podem estar envolvidos nas causas da dor e na fraqueza de extensores do tronco. Não queremos sempre perfeição de movimento? É isso que devemos adquirir ao trabalhar com nossos alunos de Pilates.

Conclusão

Sabemos que os movimentos de flexão e extensão do tronco são fisiológicos e essenciais para que um indivíduo tenha bem estar e evite dores na vida cotidiana. Infelizmente, nem sempre esses movimentos estão com seu funcionamento correto.

A falta de movimento é bastante problemática e gera tensões e fraquezas por todo o corpo.

Quando começamos a trabalhar com um aluno sedentário que também apresenta lombalgia, devemos lembrar do movimento de extensão do tronco. Esse movimento está prejudicado por fraquezas musculares que atingem os músculos diretamente relacionados à coluna, e por conseguinte, pelo corpo todo.

O glúteo máximo deve receber atenção especial por estar inibido em muitos casos, mas existem indivíduos que precisam fortalecer adutores, relaxar Psoas, e assim, por diante, o que torna a dor lombar, ainda um tema desconhecido para o mundo cientifico.

O que devemos buscar acima de tudo no tratamento com Pilates é o equilíbrio. Além de fortalecer a coluna e musculaturas extensoras, precisamos de flexibilidade e mobilidade. Isso se aplica a todos seus segmentos, não só à coluna lombar.

Bibliografia
http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbme/v10n6/a05v10n6.pdf
https://www.researchgate.net/publication/15481807_Human_Trunk_Strength_Profile_in_Flexion_and_Extension
https://www.researchgate.net/publication/5638440_Functional_anatomy_of_trunk_flexion extension_in_isokinetic_exercise_Muscle_activity_in_standing_and_seated_positions
https://bdtd.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/660/671
Podemos usar Pilates para Incontinência Urinária?

Podemos usar Pilates para Incontinência Urinária?

O aluno incontinente que não é tratado, provavelmente vai parar com as aulas de Pilates num futuro próximo.

A incontinência urinária é um distúrbio que causa desconfortos e faz com que o indivíduo se limite cada vez mais para evitar a perda involuntária de urina. Porém, podemos usar o Pilates para incontinência urinária e acelerar o tratamento.

Que tal saber mais?

Como ocorre a Incontinência Urinária?

Uma pessoa saudável sequer percebe os complexos mecanismos envolvidos na micção. Para urinar o indivíduo precisa de um bom controle muscular, em especial do assoalho pélvico. Também entram em ação músculos da parede abdominal e respiratórios, como o diafragma.

Existem duas camadas do assoalho pélvico que atuam na continência: a superficial e a profunda. A superficial é o períneo, um tecido muscular que envolve órgãos genitais externos e o ânus. O períneo é formado pelos músculos:

  • Bulboesponjoso
  • Isquicavernoso
  • Transverso Superficial
  • Profundo Períneo
  • Esfíncter Uretral Externo
  • Esfíncter Anal Externo

Suas principais funções são controlar o fluxo da urina e também possibilitar o ato sexual. Em mulheres o períneo também atua durante o parto normal. A camada profunda do assoalho pélvico é formado pelos músculos:

  • Isquioscoccígeos
  • Levantadores do Ânus

Chamamos o conjunto dessas musculaturas de diafragma pélvico. Ele é responsável por sustentar as vísceras e mantê-las no lugar de acordo com as variações da pressão intra-abdominal.

Micção

A urina é produzida pelos rins através da filtragem realizada pelos ureteres. Após sua produção, ela chega à bexiga onde é armazenada. Ao chegar à bexiga, existe um relaxamento do músculo detrusor para acomodar o líquido. Essa é uma musculatura lisa que reveste toda a parede do órgão.

Alguns receptores detectam o estiramento da bexiga, gerando uma contração involuntária do esfíncter interno. Essa ação previne o esvaziamento acidental do órgão.

Os receptores têm sua excitação aumentada conforme a bexiga enche, fazendo com que o músculo gere reflexos de contração. Os reflexos permitem o controle voluntário do esfíncter externo e são eles que permitem resistência voluntária a urinar.

Na hora de realizar a micção, os músculos diafragma e da parede abdominal se contraem e aumentam a pressão intra-abdominal. Como resultado, músculos pubococcígeos passam por um relaxamento, o que desloca o colo da bexiga para baixo. O músculo detrusor se contrai a partir dessa ação.

Enquanto esses movimentos acontecem também existe a contração de fibras na uretra, expelindo a urina.

O indivíduo que tem problemas no sistema urinário é incapaz de realizar a micção de maneira voluntária. Ele também não consegue “segurar o xixi” durante as ações diárias, o que leva ao vazamento de urina.

Como usar o Pilates para Incontinência Urinária

A maioria dos alunos sente vergonha pelo seu estado de continência e evita mencionar ao instrutor. Você perceberá sinais durante a avaliação ou quando essa pessoa se recusar a fazer certos exercícios.

Ao perceber o caso, é importante adaptar sua aula para melhorar a ação do assoalho pélvico e do períneo e incentivar a continência urinária.

Os exercícios de Pilates para incontinência urinária são bastante recomendados como parte do tratamento. Eles possuem baixo impacto, o que diminui o estresse exercido sobre músculos já fadigados no caso da incontinência. Além disso, seu trabalho é harmonioso e auxilia o aluno a superar seus limites e restrições sem passar por um processo doloroso ou humilhante.

Praticar o Método Pilates ajuda a tonificar músculos do períneo e melhorar a sustentação da bexiga. A tendência é que o controle da urina melhore com o tempo de prática. Praticantes que ainda não têm o problema também conseguem realizar um ótimo trabalho preventivo.

Além de auxiliar no fortalecimento pélvico, o Pilates oferece diversos benefícios para o aluno. Ele ajuda a manter uma melhor postura e fortalecimento, além de flexibilizar musculaturas abdominais. Assim, também conseguimos tratar ou prevenir dor causada por instabilidade lombar.

Pilates para Incontinência Urinária em Idosos

Nossos alunos na terceira idade têm maior probabilidade de desenvolver incontinência urinária.

Felizmente, conseguimos trabalhar o assoalho pélvico do idoso através da prática do Pilates para incontinência urinária. Além de controlar melhor a micção, o idoso também consegue melhorar sua consciência corporal, equilíbrio e estabilidade.

Essas são habilidade essenciais para prevenir quedas e melhorar a independência do indivíduo. Devemos lembrar que com o processo de envelhecimento o idoso também passa por mais ocasiões de dores articulares e tendem a perder a autoconfiança.

O Pilates é capaz de recuperar sua funcionalidade e melhorar as atividades do dia a dia.

Devo incluir a Hipopressiva nas Aulas de Pilates?

Podemos deixar o tratamento com Pilates para incontinência urinária ainda mais completo através do uso dos abdominais hipopressivos.

Quando acontece uma contração do diafragma e da musculatura abdominal, o corpo também passa por aumento da pressão intra-abdominal. Numa situação normal ela se eleva para manter o posicionamento correto das vísceras.

Porém, esse aumento de pressão, quando combinado a músculos abdominais mal ativados, faz com que as vísceras sejam empurradas para baixo. Como resultado, os músculos do assoalho pélvico também se contraem.

O aumento da pressão intra-abdominal é um claro fator de risco para desenvolver a incontinência urinária e outros problemas dos órgãos pélvicos. Quando ela aumenta, o períneo tem sua atividade postural comprometida.

Tudo isso pode levar ao desenvolvimento da incontinência.

Ao compreender isso percebemos um grande problema. A vida moderna gera um aumento de pressão naturalmente e isso acontece desde que assumimos a bipedestação. Todo o conforto gerado para as atividades diárias levou a uma vida gerida cada vez mais pelo sistema nervoso parassimpático. Como resultado, surgiram diversas alterações no corpo.

O sedentarismo gerou uma nova distribuição de forças que também leva ao relaxamento da musculatura do assoalho pélvico. Os maus hábitos alimentares geram um aumento pressórico importante que também podem causar a incontinência.

Por isso devemos adotar métodos para diminuir a pressão intra-abdominal em nossas aulas de Pilates para incontinência urinária. Entre todos seus benefícios, a hipopressiva também diminui a PIA e fortalece o assoalho pélvico. Recomendo incluí-la ao final de todas as aulas de Pilates, especialmente ao trabalhar com alunos incontinentes.

 

Referências Bibliográficas
● 3  Balogh Z1, Jones F, D’Amours S, Parr M, Sugrue M. Continuous intra-abdominal pressure measurement technique. Am J Surg. 2004 Dec;188(6):679-84.
● 4 Barbic M, Kralj B, Cör A.Compliance of the bladder neck supporting structures: importance of activity pattern of levator ani muscle and content of elastic fibers of endopelvic fascia. Neurourol Urodyn. 2003;22(4):269-76.
● 5 Beales DJ, O’Sullivan PB, Briffa NK.Motor control patterns during an active straight leg raise in chronic pelvic girdle pain subjects. Spine (Phila Pa 1976). 2009 Apr 20;34(9):861-70.
Como Pilates para Reabilitação pode ajudar seu Aluno?

Como Pilates para Reabilitação pode ajudar seu Aluno?

Quem conhece e trabalha com Pilates jura que ele pode ser usado para tratar quase todas patologias musculoesqueléticas. Não vou tão longe a ponto de indicar a metodologia como uma cura mágica, mas ele é realmente excepcional.

Quando bem usados, seus exercícios de Pilates para reabilitação auxiliam em diversos tipos de alunos, como veremos a seguir.

Características do Método Pilates

Boa parte da eficiência do Pilates se deve às características únicas do método criado por Joseph Pilates. Ele usa uma série de exercícios, equipamentos e movimentos com o objetivo de melhorar o controle muscular. Por isso, sempre mencionamos que na sua prática o aluno não deve prezar pela velocidade ou quantidade de séries realizadas, mas sim pela qualidade do movimento.

Os princípios do Pilates são:

  1. Concentração
  2. Controle
  3. Centralização
  4. Respiração
  5. Fluidez
  6. Precisão

Quero focar um pouco nos princípios de controle, força e precisão. Eles significam que o aluno não deve realizar exercícios em força máxima com contração muscular excessiva como em outras modalidades. Na verdade, a força realizada no Pilates é certeira, feita somente no momento certo e na hora certa.

É por isso que ele é tão indicado para o tratamento de patologias.

Os exercícios envolvem contrações isotônicas concêntricas e excêntricas e contrações isométricas do Power House. Novamente tenho que enfatizar que a contração do Power House no Pilates não é questão de força.

Na verdade, uma boa contração dessas estruturas estabilizadoras está relacionada a tempo. Ativar o Power House no momento certo ajuda a realizar exercícios com segurança e menor compressão nas estruturas da coluna vertebral.

Além disso, os exercícios são realizados juntamente a respiração com uso do diafragma, transverso do abdômen, multifídios e assoalho pélvico. O Método realiza um importante trabalho com musculaturas profundas que são esquecidas ou mal trabalhadas em outras modalidades.

Quando usar o Pilates para Reabilitação?

Sabemos que o Pilates pode ser usado para tratar diversas patologias e lesões. Se você está começando na área e está em dúvida sobre quais tipos de pacientes pode atender, separei algumas ocasiões nas quais sua prática é benéfica.

O Pilates para reabilitação pode ser usado em diversos momentos, e quero adiantar aqui: podemos atender uma variedade enorme de problemas musculoesqueléticos.

Pilates em Gestantes

Para uma gestação saudável a mulher deve manter a prática de atividades físicas, apesar de permanecer sob supervisão médica. O Pilates surge como uma opção ideal para esse período delicado da saúde feminina.

Seus exercícios incluem movimentos de baixo impacto realizados com leveza e controle. Eles também auxiliam na respiração e fortalecem musculaturas profundas do abdômen do assoalho pélvico.

Através desse fortalecimento a mulher consegue prevenir problemas comuns após a gravidez como diástases abdominais e incontinência urinária.

Pilates para Idosos

Já mencionei nesse blog a importância de trabalhar o Pilates com nossos alunos da terceira idade. O processo natural de envelhecimento gera uma série de problemas, que inclui perda de fibras musculares e diminuição da coordenação corporal.

Como resultado, idosos são mais propensos a quedas e sofrem muito mais com seus resultados.

Quem usa Pilates para exercitar alunos idosos já está realizando um trabalho de prevenção a esses problemas. O Método recupera o controle corporal e postural, melhora a estabilidade e evita quedas. Ele também previne a perda muscular comum nessa faixa etária.

Em alguns casos podemos até usar Pilates para conter o desenvolvimento de doenças degenerativas como a artrite reumatoide.

Pilates para Pacientes em Pré e Pós-Operatório

Algumas vezes a patologia ou lesão é grave demais para ser resolvida somente com o tratamento conservador. Por acaso você pensava que o trabalho com Pilates estava terminado porque existe necessidade de cirurgia? Claro que não!

Praticar Pilates é excelente para quem está se preparando para uma cirurgia. O Método previne que o aluno permaneça em repouso absoluto e recupera a força, mobilidade e amplitude de movimento da articulação lesionada e articulações adjacentes.

Assim, o corpo do paciente torna-se mais preparado para a cirurgia.

Após o procedimento, praticar Pilates proporciona uma volta mais rápida às atividades diárias. Ele também é responsável por recuperar os movimentos articulares de maneira segura e sem danos adicionais à articulação.

Pilates para Alterações Posturais

Sabendo que o Pilates busca uma realização de movimentos precisos e corretos, já dá para imaginar que a postura é uma das primeiras características que corrigimos. Usar o Método para tratar desvios posturais é muito eficiente e tem ótimos resultados.

Podemos tratar problemas como escoliose idiopática, hiperlordose e hipercifose, por exemplo.

Através do fortalecimento e melhor mobilidade da coluna vertebral o aluno consegue manter uma postura correta com mais facilidade. Além disso, o método respeita as curvaturas fisiológicas da coluna e possui diversos exercícios para todos os níveis de alunos.

Pilates para Lombalgia

O Pilates já ficou bastante conhecido por auxiliar no tratamento da dor lombar. Considerando que esse é um problema que atinge boa parte da população e uma das principais causas de afastamento do trabalho, o Método é bastante relevante.

O Pilates trabalha musculaturas estabilizadoras da coluna ao mesmo tempo que mantém sua mobilidade. Ele também proporciona um ótimo trabalho respiratório e correção postural que contribuem para os resultados do tratamento.

Pilates para Reabilitação e Prevenção em Atletas

Alguns atletas consideram que seu treinamento competitivo é o suficiente, mas estão muito errados.

Os movimentos esportivos são fontes comuns de lesões por overuse de articulações como o ombro. Além disso, a natureza de cada esporte pode fazer com que o atleta realize a maioria dos movimentos com certos grupos musculares e nem um só plano de movimento.

Trabalhar com Pilates ajuda a prevenir lesões já que ele trata desequilíbrios musculares e fortalece o corpo de maneira global. Seus movimentos também são realizados em diversos planos e eixos, garantindo a saúde das articulações.

Conclusão

Perceba, conseguimos utilizar o Pilates para reabilitação no tratamento de diversas patologias.

O Método é extremamente versátil e benéfico para praticamente qualquer tipo de aluno. É claro que para conseguir o máximo de seus resultados também precisamos investir numa ótima avaliação.

É através dela que você consegue compreender os principais desequilíbrios do aluno, determinar as causas da patologia e adaptar os exercícios.

Como recuperar a Mobilidade de Coluna com Pilates?

Como recuperar a Mobilidade de Coluna com Pilates?

Sua avaliação de um aluno mostrou que a coluna estava bastante instável. Quero que você responda agora: qual seria sua primeira atitude no tratamento desse paciente?

Guarde sua resposta porque ao longo desse artigo veremos se ela estava correta ou não.

Precisamos tratar de um assunto importante aqui, a mobilidade de coluna! Essa é uma característica fundamental da coluna vertebral que muitos alunos simplesmente não têm. Por isso precisamos aprender como trabalhá-la da maneira mais eficiente no Pilates.

Continue lendo para aprender mais sobre as compensações do corpo relacionados à falta de mobilidade e como realizar um bom tratamento do problema.

Importância das Curvaturas Fisiológicas da Coluna

Nossas mães sempre diziam: “Deixa essa coluna reta, coluna curvada não é jeito de manter a postura!”

Na verdade, elas tinham um pequeno erro do que realmente é uma coluna com movimentos fisiológicos. Apesar de muita gente ainda acreditar que manter a coluna retilínea seria a melhor postura, a verdade é bem diferente.

A coluna vertebral possui algumas curvaturas fisiológicas que devem ser mantidas para seu bom funcionamento.

As curvaturas começam a se formar quando ainda somos bebês e definem todo nosso movimento. No corpo existem as cifoses, que têm função de proteção, e as lordoses, que têm função de mobilidade.

Por causa de suas funções, sempre encontramos músculos longos e potentes à frente das lordoses. Alguns exemplos são os flexores do pescoço (presente à frente da lordose cervical) e reto abdominal (à frente da lordose lombar).

Já as cifoses sempre possuem músculos chatos e profundos. Um bom exemplo é o serrátil anterior, que realiza a manutenção postural.

As cifoses são naturalmente menos móveis, portanto são pontos fixos no movimento das cadeias musculares lordóticas. No plano sagital encontramos as seguintes curvaturas da coluna vertebral:

  • Lordose Cervical
  • Cifose Torácica
  • Lordose Lombar

A presença das curvaturas fisiológicas é essencial durante os movimentos. O corpo é exposto à força gravitacional descendente e à força solo ascendente. Sem suas curvaturas da coluna, o eixo raquidiano sofreria muito mais com as pressões axiais gerados por essas forças.

Portanto, percebemos que as curvaturas da coluna precisam existir de maneira fisiológica. Qualquer tipo de desvio ou diferenças nessas curvas é considerado um desvio postural, que deve ser tratado.

Tipos Funcionais de Coluna

A coluna pode possuir um excesso de mobilidade nas suas estruturas ou um excesso de estabilidade. Dependendo da característica predominante ela desenvolve lesões e problemas característicos.

Chamamos as colunas com curvaturas mais apagadas (retificadas) e falta de movimento de tipo funcional estático. Também existem as do tipo funcional dinâmico, que têm suas curvaturas mais acentuadas e móveis.

A coluna do tipo funcional estático possui um equilíbrio bastante prejudicado. Ela pode até aumentar a quantidade de quedas em indivíduos mais propensos a isso, como idosos. Sabendo que as quedas em idosos são uma causa comum de morte nessa população, podemos entender a importância de trabalhar com mobilidade.

Como Tratar Colunas do Tipo Funcional Estático

No início desse texto perguntei como você trabalha quando encontra uma coluna com falta de estabilidade. Apesar de não ter te dado uma informação essencial, o tipo de coluna, já consigo imaginar a resposta.

A maioria do profissionais decide logo começar a trabalhar com mais estabilidade quando vê uma coluna instável. Parece uma decisão completamente lógica, mas no caso das colunas do tipo funcional estático ela está errada.

A falta de estabilidade dessas colunas vem da falta de movimento. Ou seja, trabalhando só com estabilidade você desenvolve resultados insatisfatórios e não consegue prevenir ou tratar lesões e dores.

Quando encontramos esse tipo de coluna, devemos nos preocupar em recuperar os movimentos perdidos em todos os eixos, sentidos e direções. A coluna realiza movimentos articulares em torno dos eixos ântero-posterior, látero-lateral e longitudinal. Também existem movimentos nos planos coronal, sagital e horizontal.

Sabe o que isso quer dizer? Precisamos desenvolver movimentos em todos esses eixos e planos.

Outra informação importante: apesar da coluna ter um movimento bastante amplo, cada vértebra individual possui um mobilidade pequena e limitada. A mobilidade geral da coluna acontece com a soma das mobilidades de cada parte individual.

Quando essa soma gera movimentos abaixo dos graus de normalidade, o corpo tem dificuldade de se equilibrar dentro do polígono de sustentação.

A longo prazo essa falta de equilíbrio é responsável pelo surgimento de dores e perda de funcionalidade do eixo vertebral. Portanto, comece a trabalhar com a melhora do movimento do aluno assim que ele chegar no seu Studio de Pilates.

Cuidados para Trabalhar a Mobilidade de Coluna

Quero afirmar algo aqui que você e seu aluno precisam entender: o movimento não é seu inimigo. Pelo contrário, ele é a solução para todos seus problemas. Não faz sentido querer melhorar uma coluna do tipo funcional estático através da estabilidade e limitar ainda mais seus movimentos.

Apesar de alguns profissionais terem medo de trabalhar mobilidade de coluna, nenhum movimento é lesivo. Só devemos tomar cuidado com alguns deles como a rotação. Não se engane, a rotação também não é lesiva, mas deve ser feita com a devida preparação e cuidado.

Nesse movimento existe a presença de forças de cisalhamento. Essa é uma força gerada pelo deslizamento em rotação da vértebra contra seu disco. Para evitá-lo é preciso realizar o movimento com o afastamento correto das últimas costelas do ilíaco.

Como Usar Mobilidade de Coluna no Pilates

O primeiro passo para começar a desenvolver a mobilidade de coluna na sua aula de Pilates é trabalhar de maneira gradual.

Ok, eu entendo que o aluno chegou todo travado na aula e nem consegue fazer um bom enrolamento de coluna, mas tenha calma. Mesmo que você tenha vontade de realizar manipulações ousadas e liberar essa coluna de vez, isso é imprudente.

O desenvolvimento de mobilidade deve ser gradual e suave. Você precisa da permissão de todo o sistema conjuntivo relacionado à rigidez para recuperar os movimentos dessa coluna. Portanto comece se livrando de tensões que possam impedir o movimento.

O mais importante de tudo é não fazer alongamentos sofridos que gerem dor. Mantenha a soltura dentro dos limites do corpo.

Nas primeiras aulas devemos usar principalmente movimentos que estejam dentro do plano coronário e no eixo ântero-posterior. Sabe o que isso quer dizer? Que as flexões de tronco são essenciais no início desse processo, assim como o enrolamento de tronco.

Seu aluno certamente terá dificuldade nesses movimentos inicialmente. Se quiser dicas para fazer o enrolamento perfeito, confira meu outro artigo sobre o assunto.

No Pilates temos uma grande variedade de movimentos para trabalhar mobilidade de coluna. Sugiro que você aproveite todos eles, dando preferência aos que são mais funcional. Sempre realize os movimentos de enrolamento respeitando a curvatura fundamental do tronco com um C profundo.

Conclusão

Uma coluna do tipo estático exige movimento, mesmo que sua estabilidade esteja perdida.

Na verdade, a falta de estabilidade vem da falta de movimento e sem recuperá-lo o corpo permanece propenso a lesões, dores e até quedas.

Quer realmente ajudar seu aluno a encontrar movimentos fisiológicos da coluna, tratar suas patologias e aliviar dores? Invista no desenvolvimento da mobilidade de coluna vertebral. Aproveite porque o Pilates é a ferramenta ideal para isso!