Antiginástica: Guia Completo sobre a Modalidade

Antiginástica: Guia Completo sobre a Modalidade

Você sabe o que é a Antiginástica?

A antiginástica ou antigym como também é conhecida, é um trabalho corporal feito com movimentos simples, que permitem ao praticante o autoconhecimento do seu corpo.

Fazendo-o entender que todas as partes desse corpo se conectam, buscando então, ativar áreas e estruturas que ao longo do tempo perderam sua mobilidade, sensibilidade ou função.

Quem criou a Antiginástica?

A antiginástica foi criada na década de 70 pela fisioterapeuta francesa Madame Thérèse Bertherat, autora dos livros “O Corpo tem suas Razões” e “O Correio do Corpo”, obras que ficaram mundialmente conhecidas por trazerem em seus capítulos a experiência pessoal e profissional da autora.

Na busca por conhecer ainda mais o funcionamento dessa complexa estrutura que é o nosso corpo, Madame Bertherat passou a enxergá-lo como uma totalidade no qual cada elemento depende do outro.

Seu trabalho com cadeias musculares foi inspirado no trabalho de Madame Françoise Meziérès. Estudou e analisou outras terapias corporais que complementaram seus conhecimentos, contribuindo assim para seus atendimentos e a criação do seu método, a antiginástica.

Madame Thérèse Bertherat, não aceitava que o corpo fosse tratado como uma máquina, para ela não era importante esculpir o corpo, mas sim resgatar a forma natural desse corpo.

No que baseia-se a Antiginástica?

A antiginástica baseia-se no equilíbrio muscular entre a frente e a parte de trás do corpo. Chamamos de cadeia muscular um conjunto de músculos de mesmo sentido e direção que se comportam com um só músculo.

A cadeia muscular posterior é um conjunto de músculos que saem desde a base do crânio até a ponta dos pés. São músculos muito bem organizados e que estão em constante ativação.

Para Madame Bertherat, ao trabalharmos esses músculos hiperativos na forma de alongá-los e relaxá-los, poderemos então, melhorar a ativação dos músculos da cadeia de flexão do corpo.

Uma vez que essa tem a sua ativação mal organizada ou anulada, devido a hiperatividade da cadeia muscular posterior (extensão). “É uma lei fisiológica: uma vez que se relaxa um lado do corpo, o outro se contrai”, explica Thérèse Bertherat.

Com a antiginástica é possível trabalhar a reorganização e o equilíbrio entre essas cadeias musculares, pois uma vez livre de suas tensões, o nosso corpo terá a capacidade de se restabelecer e de se transformar.

Quais os benefícios da Antiginástica?

Em sua obra “O Corpo tem suas Razões” a autora orienta-nos a ouvir o que o nosso corpo tem a dizer, orienta-nos a libertarmos das amarras e tensões que nele colocamos desde o nosso nascimento, para que assim possamos encontrar o equilíbrio e a perfeita harmonia.

Por ser um método que busca o autoconhecimento corporal e seu equilíbrio entre as estruturas, possui inúmeros benefícios para o corpo e a mente, uma vez que a parte emocional também é um fator para a predisposição de dores crônicas ou crenças limitantes.

São inúmeros os benefícios da antiginástica:

  • Diminuição da dor;
  • Melhora nas alterações posturais;
  • Melhora da ansiedade;
  • Sono;
  • Metabolismo;
  • Bem estar físico e mental;
  • Diminuição das tensões relacionadas ao trabalho, esportes ou atividades cotidianas;
  • Melhora das tensões e equilíbrio entres as cadeias musculares;
  • Melhora na mobilidade;
  • Flexibilidade e maior amplitude articular;
  • Entre outros benefícios.

Para as gestante, a antiginástica também pode trazer muitos benefícios para mãe e o bebê.

Como funciona as sessões de Antiginástica?

Por ser um método com movimentos sutis, realizados de acordo com o ritmo de cada aluno, que busca o autoconhecimento corporal e seu equilíbrio, suas sessões podem ser realizadas em qualquer idade.

Diferente das academias ou estúdios de Pilates, uma sessão de antiginástica é realizada em uma sala silenciosa, clara e confortável, sem qualquer tipo de aparelho e com um número pequeno de alunos.

As sessões são realizadas um vez por semana e ministradas por um profissional qualificado e certificado pelo método. Durante a prática da antiginástica, o profissional não toca ou demonstra qualquer movimento, apenas guia seus alunos através de seus comandos.

A proposta do método não é imitar, mas fazer com que o aluno conheça seu corpo, suas limitações, seus movimentos e seus medos, levando a pessoa a refletir por ela mesma.

Etapas de uma sessão de Antiginástica

Para facilitar os movimentos ou ajudar o aluno a perceber e a sentir as diferentes partes do seu corpo, são utilizados acessórios como: bastões de madeira, bolas médias e pequenas, rolos de toalha, almofadas entre outros.

Primeira Etapa

Essa etapa funciona como um teste de realidade. O aluno é colocado em uma situação física precisa e incomum que irá lhe permitir ficar frente a frente com as suas limitações, tensões e seus bloqueios, que até então, poderiam estar passando despercebidos.

A expressão das sensações e emoções desencadeadas por cada movimento, é extremamente importante dentro da antiginástica. A pedagogia do método é parte fundamental para que o aluno comece a conhecer seu corpo.

Segunda Etapa

Nessa etapa serão realizados exercícios com movimentos simples para que o aluno comece a explorar e a conhecer seu corpo. O profissional não irá demonstrar nenhum movimento, apenas guiará seus alunos através de uma comunicação precisa.

São movimentos sutis e que respeitam a fisiologia dos músculos sem forçar sua amplitude, capazes de trabalhar e explorar músculos e estruturas que há tempos permaneciam desativadas ou com pouca função.

Muitas vezes os movimentos são realizados primeiramente apenas de um lado do corpo, permitindo que o aluno observe e sinta a sensação e a diferença do lado que foi trabalho para o outro que ainda não foi.

No decorrer das sessões

Ao longo das sessões da antiginástica, as sensações e experiências descobertas será diferente para cada aluno. Segundo Bertherat “Os músculos têm uma memória, e nesta memória muscular encontra-se toda a história da pessoa, desde o seu nascimento até hoje”.

Progressivamente, nosso corpo vai aprendendo a se libertar das amarras, tensões e bloqueios que ao longo da vida ele se prendeu. Pouco a pouco é possível sentir que os músculos e suas estruturas vão se tornando mais flexíveis, e que seu corpo começa a se reorganizar e se autocurar.

Porque fazer a Antiginástica

Pois é um método que trabalha dentro das leis de um corpo: anatomia, fisiologia e embriologia (músculos, tendões e ligamentos), quanto a parte neurológica, com efeitos sobre o sistema nervoso (parte emocional e novas conexões).

A antiginástica trabalhará na compreensão desse corpo, seu funcionamento e sua capacidade de regeneração e de se autocurar. Com a antiginástica o praticante terá percepção para descobrir músculos que há tempos já não eram ativados.

E aos poucos nosso corpo se adaptará as novas mudanças e reorganizará as conexões desses músculos com o nosso sistema nervoso central, o cérebro.

Conclusão

Encontrada em várias cidades do Brasil e outros países, a antiginástica vem romper alguns padrões da atualidade na busca pelo corpo perfeito. Mas o que é um corpo perfeito?

Para Madame Thérèse Bertherat, a busca por esse corpo “perfeito” inicia-se pela busca em conhece-lo melhor e a respeitar sua fisiologia.

“Sempre nos dizem que é preciso fortificar o corpo, montamos numa bicicleta, nos penduramos num espaldar, corremos até perdemos o fôlego no jogging, empunhamos halteres. Que tristeza! Nossos músculos merecem muito mais do que essa domesticação forçada. O que é preciso fazer é, primeiro abrir os olhos e nos esforçarmos para olhar nosso corpo, a fim de compreendermos como ele funciona.”

Com uma proposta diferente, a antiginástica leva o aluno a conhecer melhor esse corpo que guarda tantos segredos. Conhecê-lo e reequilibrá-lo estruturalmente e emocionalmente é o primeiro passo para qualquer atividade ou exercício físico que leve ao o que é o corpo perfeito para você!


Referências:
Marie Bertherat: A Antiginástica®
Osteopatia Pediátrica: Saiba mais sobre essa especialidade

Osteopatia Pediátrica: Saiba mais sobre essa especialidade

Nos países da Europa, o Osteopata é um dos primeiros profissionais pelo qual um bebê é visto depois de nascer, já no próprio hospital.

Aqui no Brasil, a Osteopatia é uma especialização do profissional de Fisioterapia que vem ganhando cada vez mais credibilidade.

Tornando-se a primeira opção de busca para recuperar lesões e resolver questões de dores. Osteopatas também são procurados para prevenir recidivas ou novos desconfortos.

Com filosofia própria, baseada na anatomia, biomecânica e fisiologia do corpo humano, de maneira extremamente natural. Auxiliando o corpo no processo de cura. Assim, favorecendo a harmonia de suas funções.

Neste artigo você irá encontrar:

  • Osteopatia Pediátrica preventiva;
  • Detalhes do parto são fundamentais;
  • Complicações da má formação do crânio;
  • Sinais e sintomas que a Osteopatia Pediátrica pode ajudar os bebês e crianças.

Que tal aprender mais sobre? Continue lendo!

Osteopatia Pediátrica preventiva

No que diz respeito aos bebês, a Osteopatia Pediátrica pode atuar de maneira preventiva também. É possível realizar ajustes e estímulos para favorecer maior equilíbrio nas funções do organismo de um serzinho que acabou de sair do útero de sua mãe. Antes mesmo de algum problema surgir.

Mas qual tipo de ajuste estou falando? O que pode alterar em um bebê enquanto ele está todo protegido pela placenta e todo líquido lá dentro do útero da mãe?

Fica mais fácil de entender que as estruturas do bebê precisam se ajustar antes mesmo de nascer, quando pensamos em espaço. Sim, o espaço na barriga da mãe vai ficando cada vez menor.

O bebê cresce há cada dia e vai se posicionando para nascer. Mas até isso acontecer, ele vai ficando cada vez mais próximo das estruturas ósseas da pelve da mãe, que podem oferecer certa resistência às estruturas do corpo do bebê.

Também é possível que algumas adaptações e tensões da pelve da mãe, favoreça determinado posicionamento do bebê. Fazendo com que ele fique virado mais para um lado que para o outro, fique sentado, transverso, entre outras posições.

Detalhes do parto são fundamentais

O momento do parto, a forma como o bebê nasceu – se foi um parto normal, se foi cesariana -, se foi necessário ou não o uso de instrumentos como o fórceps, ventosas, tudo isso vai influenciar diretamente o bebê.

Mas como?

Vamos pensar em uma bexiga cheia de água. Onde a apoiamos, ela se molda à superfície. A cabeça do bebê funciona de maneira parecida. Não instantaneamente como ocorre com a bexiga, é claro, mas as pressões realizadas no crânio de um bebê são capazes de moldá-lo.

Então podemos pensar que já ainda dentro do útero da mãe pode ter existido um posicionamento que favoreceu uma pressão em determinada região do crânio.

Somado ao momento do parto e também ao posicionamento que a criança fica ao longo do dia, diferentes tensões podem se instalar e favorecer uma disfunção.

Que tipo de disfunção?

As Plagiocefalias, por exemplo,  podem ter sua origem em algum desses momentos descritos acima. A Plagiocefalia nada mais é do que aquela cabeça amassadinha, não simétrica.

Muitas vezes é possível observar essa alteração através do posicionamento das orelhas, altura dos olhos, orifícios do nariz. E ao medirmos o crânio do bebê, é possível realmente identificar a alteração na forma do crânio.

Mas se o espaço fica pequeno para todos os bebês, então todos vão nascer com essas alterações? Não!

Temos que lembrar que cada organismo é único e responde de determinada maneira à diferentes estímulos. Então não existem regras e sim possibilidades.

Complicações da má formação do crânio

E aí vamos lembrar que dentro do crânio, passando através dos forames (orifícios dos ossos) encontramos 12 pares de nervos. Cada um com sua função específica e qualquer tensão persistente exercida nos ossos cranianos, podem alterar a qualidade das informações que chegam aos nervos e que são enviadas por eles.

Um exemplo disso é o que pode ocorrer em casos de cólicas e refluxos, por exemplo.

Um dos nervos responsáveis pela função gástrica do nosso corpo, é o nervo Vago, o décimo par de nervo craniano. Ele passa por uma estrutura chamada Forame Jugular que fica localizado entre o osso temporal (osso atrás da nossa orelha) e o osso occiptal (osso da base da nossa cabeça).

Logo, as tensões realizadas no crânio que gerem uma adaptação dos ossos temporais e occiptal, podem afetar a tensão das membranas que recobrem o Forame jugular e consequentemente o funcionamento do nervo Vago.

É importante lembrar que o bebê não deve ficar por muito tempo em uma mesma posição. Isso principalmente na fase em que ele ainda não se vira sozinho, não senta, não muda de posições sozinho.

Lembrando que quanto mais tempo ele sofrer pressão em um determinado ponto do seu crânio, maiores são as chances do crânio alterar suas tensões e forma.

Essas alterações das quais estou falando, não necessariamente são as alterações no formato do crânio do bebê. Muitas vezes o bebê não tem a cabeça mais amassadinha mas apresenta refluxo, por exemplo.

Como saber se há alterações?

É através da palpação que podemos identificar se há ou não disfunção de tensões e mobilidade, instaladas nas estruturas tanto do crânio ou da coluna, quanto todo o restante do corpo do bebê ou da criança.

Uma vez identificada a disfunção, corrigimos através de técnicas extremamente sutis, afinal de contas a estrutura que estamos trabalhando é pequena, mais frágil e também não totalmente desenvolvida. Bastante diferente das estruturas do corpo de um adulto.

Assim como o toque é bastante sutil, costuma ser bastante rápida a correção, pois as adaptações não estão instaladas há tanto tempo, como em um adulto.

Sinais e sintomas que a Osteopatia Pediátrica pode ajudar os bebês e crianças

Refluxo, cólicas, vômitos, irritabilidade, distúrbios de sono, dificuldade para mamar… São alguns problemas que podemos ajudar através do tratamento osteopático.

É possível e bastante comum, realizarmos um trabalho em conjunto com outros profissionais, como os Fonoaudiólogos, consultores de aleitamento.

Tanto nas alterações para mamar (preferência por uma mama, machucar a mama da mãe, dificuldade para sugar, deglutir, entre outros) quanto na fala, é comum buscar um tratamento com um fonoaudiólogo.

E a Osteopatia Pediátrica pode auxiliar bastante, equilibrando as estruturas, proporcionando assim, melhores condições para que outros trabalhos e estímulos sejam realizados.

Em estudo realizado com 59 bebês de até um ano de idade, foi comparado o tratamento medicamentoso associado à Osteopatia com o tratamento exclusivamente medicamentoso.

Foi possível observar que em um mês, 33 bebês tratados com Osteopatia Pediátrica, saíram do diagnóstico de Refluxo, enquanto os outros 26 tratados exclusivamente com medicamentos, continuaram com o mesmo problema.

Além disso foi possível observar também, que sintomas como tosse, soluço, choro por azia e cólica, melhoraram significativamente no grupo que recebeu atendimento de Osteopatia Pediátrica. A cólica piorou e a tosse continuou igual no grupo que só usou medicamentos (GEMELLI e col., 2014).

Conclusão

Tratar um bebê ou uma criança, não é como tratar um mini adulto! As técnicas são bastante diferentes pois a estrutura é muito diferente. Então procure sempre um profissional com uma boa formação.

Nosso organismo é magnífico! Confie nele!


Este artigo foi escrito por: Laís Mori Sério

Fisioterapeuta Osteopata
CREFITO 124205-F

Dor Pélvica Crônica: Saiba tudo sobre essa patologia pouco conhecida

Dor Pélvica Crônica: Saiba tudo sobre essa patologia pouco conhecida

A Dor Pélvica Crônica (DPC) não é muito conhecida pela população, principalmente por afetar uma região em que as pessoas ainda tem limitações em falar.

Além disso, o profissional de saúde sente dificuldades em avaliar o assoalho pélvico, tanto em homens como mulheres.

Como em qualquer quadro de dor, a DPC altera a postura, qualidade de vida e até afastamento das atividades pessoais e diárias de quem sofre com ela.

Neste artigo iremos abordar esse assunto, com o objetivo de alertar os profissionais a avaliar a região de assoalho de seus pacientes pois temos que olhar globalmente para eles.

Além de que pode-se achar alterações posturais em que apresenta a dor pélvica crônica e como esses achados são importantes para o processo de reabilitação de nossos pacientes.

Quer saber mais sobre o assunto? Então continue lendo o texto!

Entendendo a Dor Pélvica Crônica (DPC)

A dor pélvica crônica (DPC) é definida como dor pélvica não menstrual ou não cíclica, com duração de pelo menos seis meses, suficientemente intensa para interferir em atividades habituais e que necessita de tratamento clínico ou cirúrgico.

A etiologia não é clara e, usualmente, resulta de uma complexa interação entre os sistemas gastrintestinais, urinário, ginecológico, músculo-esquelético, neurológico, psicológico e endócrino, influenciado ainda por fatores socioculturais. (1)

Nos Estados Unidos a prevalência maior se dá em mulheres na faixa etária de 15 a 73 anos de idade.

Dessas, 60% nunca receberam o diagnóstico de forma correta e 20% não receberam qualquer investigação sobre a causa da dor. Com isso, são gastos cerca de 2 bilhões de dólares por ano para o tratamento – seja clínico ou cirúrgico.

No Brasil não se tem um número exato dessa prevalência, provavelmente pela falta de diagnóstico preciso e também pela falta de tratamento a esse tipo de queixa, mas estima-se que seja superior do que nos países desenvolvidos.

Alguns estudos tentam identificar fatores de risco para a doença, mas os resultados são conflitantes, o que é, em parte, explicado pela particularidade dos dados epidemiológicos de cada localidade e pela falta de qualidade no acesso as informações de estudos. (1)

De etiologia multifatorial, a dor pélvica crônica (DPC) vem sendo associada a várias patologias pela interação de múltiplos sistemas e pelo fato da pelve ser composta de inúmeras vísceras.

A dor pode ser irradiada para toda a pelve, refletindo-se em dor vaginal, perineal ou nas articulações sacroilíacas, o que pode induzir ao desenvolvimento de trigger points e dor miofascial.

Principalmente na musculatura do assoalho pélvico. Além disso, a dor pélvica crônica (DPC) pode receber influência de fatores psicológicos e socioculturais. (2)

Fisiopatologia

Há fortes indícios de que a fisiopatologia da dor pélvica crônica (DPC) e de outras condições dolorosas crônicas envolve a presença de fatores geradores de dor periféricos, muitas vezes não identificados no momento do diagnóstico.

Além da sensibilização do Sistema Nervoso Central (SNC), no qual ocorre uma alteração do processo central da dor.

Observa-se a amplificação da percepção da dor, alodinia, sensibilização de outras estruturas anatômicas, e uma série de respostas emocionais e cognitivas que participam da manutenção da dor. (3)

Vários são os mecanismos que corroboram para a manutenção e/ou evolução da dor pélvica crônica (DPC). Entre eles podemos citar:

  1. Mudanças neuroplásticas que ocorrem no corno posterior da medula espinhal em consequências das mudanças eletrofisiológicas, bioquímicas e metabólicas promovidas pelo estímulo nocivo inicial, o que leva a inflamação neurológica devido a liberação de fator de crescimento neural e substância P na periferia, local de origem do estímulo, exacerbando o mesmo; (1)
  2. Sensibilidade cruzada entre vísceras que compartilham uma mesma inervação ( reflexo víscero-visceral); (1)
  3. Desenvolvimento de um reflexo víscero-muscular que pode culminar não só em repercussões disfuncionais, como dificuldade miccional ou incontinência urinária, mas também no desenvolvimento de síndrome miofascial e geração de novos pontos de dor. (1)

Diagnóstico

Quem sofre com a dor pélvica crônica pode chegar até o profissional do movimento quando indicado pelo médico, ou já é nosso cliente e relata queixas como dor em locais como lombar, cócxix, quadril – por exemplo -, e o profissional, trata e ao reavaliar ver que não houve melhora do quadro.

E isso nos intriga, não é verdade ?

Como falado anteriormente, por ser de etiogenia multifatorial, o diagnóstico fica difícil, mas sabemos que deve ter um diferencial, para retirar doenças e começar a tratar de forma que traga benefício ao paciente.

A seguir, você pode conferir um quadro com essas patologias que inserem a dor pélvica crônica como sintoma.

No caso da dor pélvica crônica, o profissional do movimento deve encaminhar seu paciente ao médico para ter um diagnóstico nosológico mais preciso e trabalhar em equipe. Pois em casos mais graves pode entrar a ajuda do psicólogo quando afeta o dia a dia do paciente.

É de extrema importância que o profissional do movimento faça a consulta que seja composta de:

  1. Entrevista com toda história clínica;
  2. Mensuração do quadro de dor (seja por escala visual de dor ou através de questionários);
  3. Exame físico e avaliação postural – pois devido a dor podemos encontrar alterações posturais por proteção, como também  pode ser a causa da dor em caso da dor miofascial, por exemplo.

Devemos encaminhar se possível ao fisioterapeuta que possua formação em uroginecologia para um exame mais detalhado do assoalho em caso de dúvida (recomendo esse encaminhamento), pois o tratamento será mais bem direcionado.

Tratamento da Dor Pélvica Crônica

Após todas a avaliações, a dor pélvica crônica pode ser tratada, com :

Conclusão

A dor pélvica crônica (DPC) tem que ser levada a sério por todos os profissionais do movimento, ao se fazer uma avaliação adequada e trabalhar em equipe a qualidade de vida de nossos pacientes melhorará, fazendo que realizem suas atividades diárias e profissionais.


Este artigo foi escrito por: Waleska Braga Buarque

  • Formação superior em Fisioterapia – Universidade de Ciências da Saúde (Maceió/AL)
  • Termoscopia e Termografia Clínica – Mundo da Fisioterapia – 2019.
  • Cadeias Musculares e Avaliação Postural – Voll Pilates – 2019.
  • Biomecânica do Pilates – Janaína Cintas – 2018
  • Programa de Educação e Treinamento em Dor – Artur Padão – 2018
  • Congresso Norte Nordeste de Ortopedia e Traumatologia – SBOT – 2018
  • Congresso Voll Pilates – Voll Pilates – 2018
  • Formação em Fisioterapia Uroginecológica – Clinfis – 2018
  • Terapia Psicosomática da Dor – Mundo da Fisioterapia – 2018
  • Formação em Liberação Miofascial por Instrumentos – Mundo da Fisioterapia – 2017
  • Ventosaterapia – Mundo da Fisioterapia – 2017
  • Crochetagem Mioaponeurótica – Mundo da fisioterapia – 2016
  • Dry Needling – Mundo da Fisioterapia – 2016
  • Pilates Kids – Fisiociência Pilates – 2012
  • Pilates na Saúde da Mulher – CECC Cursos – 2011
  • Pilates Clássico Científico – Fisiociência Pilates –  2008
  • Massagem Ayuvérdica – Senac Cursos – 2008
  • Drenagem Linfática manual – Senac Cursos – 2008

Bibliografia

1 – NOGUEIRA, AA; REIS FJC: POLI NETO OB. Abordagem da Dor Pélvica Crônica em mulheres. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2006; 28 (12); p733-740.
2- RIBEIRO, Larissa Loyola Pereira; FORNARI, Cristiane Carbori. A Importância da Fisioterapia na Dor Pélvica Crônica Miofascial : Uma Revisão de Literatura. Revista Biomotriz, v.11, n.3, p.33-50, dez/2017.
3-  BRASIL, Ana Patrícia Avancini; ABDO, Carmita Helena Najjar. Transtornos Sexuais Dolorosos Femininos. Revista Diagnóstico e Tratamento, 2016; 21(2);89-92.
4- MIRANDA, Renata; SCHOR, Eduardo; GIRÃO, Manoel João Batista Castello. Avaliação Postural em mulheres com Dor Pélvica Crônica. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia,2009; 31(7);p.353-360.

Quais são as principais Causas da Hérnia de Disco?

Quais são as principais Causas da Hérnia de Disco?

Conversando com uma pessoa da terceira idade, provavelmente acima dos 70 anos, é possível que ele mencione possuir alguma hérnia de disco. A patologia é muito comum e inúmeros pacientes acabam perdendo sua mobilidade por causa do problema.

Será que podemos ajudá-los? Tudo depende do nosso conhecimento a respeito da patologia. Por isso, proponho estudarmos nesse artigo, um pouco dos seus mecanismos de formação, para conseguir aprimorar nossa técnica de tratamento. Vamos começar? Então continue sua leitura!

Princípio de Pascal na formação da Hérnia de Disco

Sabemos que a coluna vertebral possui os discos intervertebrais entre suas estruturas. Eles são um corpo macio que diminui o atrito entre os corpos vertebrais. É esse disco que desloca-se nos casos de hérnias discais causando dor e compressão nervosa.

A Lei de Pascal nos ajuda a entender bastante as causas da hérnia de disco. De acordo com o físico e matemático francês Blaise Pascal, a alteração de pressão em um fluido que está em equilíbrio transmite-se integralmente à todos os pontos do líquido e às paredes do recipiente.

Esse princípio pode ser aplicado ao corpo humano, contanto que algumas propriedades estejam sadias. Ele é extremamente útil quando aplicado à coluna vertebral.

Portanto, de acordo com o princípio de Pascal teremos:

  • Diferença de pressão: é a força aplicada sobre uma área. Caso a pressão seja muito acima da suportada pelo corpo, os sistemas de contenção do anel fibroso podem se romper;
  • Densidade do fluido: a densidade do fluido interfere na lei. Portanto, um núcleo pulposo que esteja desidratado ou rompido estará mais sensível à lei;
  • Gravidade: quanto maior a altitude maiores os riscos que sofremos;
  • Diferença em metros: a diferença entre as duas colunas do recipiente, ou seja, vértebra suprajacente e vértebra subjacente não podem estar com espaço intervertebral diminuído.

Quando os quatro princípios estão funcionando em plenitude, temos uma coluna mais sadia e com menor probabilidade de lesão. Também diminuem as chances do surgimento de uma hérnia causada pelo movimento.

Como mostra o princípio de Pascal o movimento entre as vértebras gera um aumento de força e pressão, mas ela fica distribuída de forma coesa.

Apesar do núcleo pulposo ser deslocado para um lado, a pressão não fica aumentada naquele lado. O próprio núcleo pulposo sofre mudança de pressão durante os movimentos, mas ela também é distribuída por todo o conjunto.

O que é Hérnia de Disco?

A hérnia de disco é uma patologia que surge com a projeção da parte central do disco intervertebral (o núcleo pulposo) para além dos seus limites normais. Ou seja, ele deixa o anel fibroso. É muito comum que a hérnia surja após traumatismos que lesam a cartilagem, como:

  • Quedas;
  • Acidentes automobilísticos;
  • Esforços ao levantar;
  • Encurtamentos musculares;
  • Outros.  

Esse tipo de lesão também pode comprimir raízes nervosas. Assim, o paciente sofre perda de sensibilidade com parestesia ou anestesia na altura correspondente ao dermátomo. Quem possui herniação também apresenta perda ou falta total de força muscular com alteração de trofismo muscular.

Tipos de hérnia de disco

Dividimos a hérnia de disco em alguns tipos para compreendê-las melhor. Elas são:

  • Hérnia de disco protrusa: é o tipo mais comum, quando o núcleo do disco permanece intacto, mas já há perda da forma oval;
  • Hérnia de disco extrusa: quando o núcleo do disco se encontra deformado, formando uma “gota”;
  • Hérnia de disco sequestrada: quando o núcleo está muito danificado e pode até mesmo se dividir em duas partes.

Falsas hérnias de disco

Nem toda hérnia de disco apresenta os sintomas que mencionei acima. Isso porque, nem sempre o que pensamos serem hérnias realmente são: também existem as falsas hérnias de disco. De acordo com Leopold Busquet, 85% das hérnias que diagnosticamos diariamente são do tipo falso. Podemos afirmar isso porque não apresentam esse quadro completo.

Só as 5% mais graves possuem os sintomas adequados para considerarmos verdadeiras. Quando falamos em hérnias verdadeiras o tratamento é sempre cirúrgico e só estaremos presentes na reabilitação do aluno durante o pós-operatório.

Sintomas de falsas Hérnias de Disco

A hérnia de disco é caracterizada pela dor intensa na altura da herniação. Ela também pode gerar outros sintomas de acordo com seu tipo:

  • Falsa hérnia cervical: dor na região da nuca e do pescoço, gerando dificuldade para fazer movimentos cervicais e de membros superiores. Também pode existir parestesia nos membros superiores;
  • Falsa hérnia lombar: causa dor lombar combinada com dificuldade de movimentos e parestesia no caminho do nervo ciático.

Hérnia também pode ter seus sintomas agravados por movimentos, como tosse, riso e evacuação. Elas são mais raras em curvas cifóticas da coluna, já que possuem menor mobilidade. Colunas muito retificadas, no entanto, podem sofrer com uma hérnia de disco torácica.

Causas da Hérnia de Disco

Apesar de muitas pessoas que possuem uma hérnia de disco estarem plenamente convencidas que a desenvolveram depois de algum movimento, afirmo o contrário. Quanto mais estudo o quadro, mais entendo que é a falta de movimento uma das principais causas da hérnia de disco.

É a falta de movimento que gera limitações articulares e fraquezas musculares. Assim, o sistema musculoesquelético é sobrecarregado por pressões para as quais não foi projetado.

Tudo começa com um episódio de dor lombar: primeiro sinal do problema que está afligindo o corpo. Isso acontece cerca de 10 anos antes do surgimento de uma hérnia lombar.

Esse sinal é um pedido de socorro, indicando que a pessoa precisa de movimento para prevenir uma hérnia. Se soubermos escutá-lo e corrigirmos os problemas atuais do corpo conseguimos prevenção. Mas nós sabemos que a maioria dos pacientes não busca ajuda para dor lombar.

A não ser que o problema seja crônico, o paciente simplesmente toma um relaxante muscular ou analgésico. Depois de algum tempo sofrendo com a dor ela passa e ele simplesmente esquece que ela esteve lá.

Surgimento da hérnia

Apesar dos medicamentos, a alteração mecânica permanece e pressiona ainda mais os discos. Assim, vemos que uma das causas da hérnia de disco começou há muito tempo, bem antes do paciente fazer aquele movimento que ele imaginar ser o culpado da dor.

Cerca de 10 anos depois do primeiro episódio de dor lombar o disco sucumbe às pressão, rompe-se e forma a hérnia. Tudo isso causado por uma coluna rígida e sem mobilidade que sofreu durante anos.

Conclusão

Sabendo das causas da hérnia de disco e como a falta de movimento é uma das principais, podemos começar a trabalhar com nossos alunos. É claro que eles terão medo de se movimentar, o próprio médico solicitou repouso e imobilidade.

No entanto devemos quebrar esse paradigma e mostrar para o paciente que só o movimento pode recuperá-lo. Devemos sim trabalhar a estabilidade do núcleo corporal, porém sem confundi-la com o conceito rigidez, lembrando sempre de um corpo viscerado e das consequências do aumento da PIA.

Porém devemos nos lembrar que um corpo saudável, deve ser também móvel e não somente estável, o que geraria desequilíbrios importantes e colocaria nosso processo de reabilitação muito suscetível ao fracasso.

 

 

Bibliografia
Qual é o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Qual é o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Quem trabalha com alunos com dor no joelho certamente já encontrou um caso de tratamento de dor patelofemoral. Ela é tão comum, mas mesmo assim continuamos confusos a respeito do seu tratamento.

Alguns sugerem que a dor seja causada principalmente por um desequilíbrio de quadríceps. Por isso, seu tratamento deveria ser feito focando nesse grupo muscular. Outros, afirmam que uma fraqueza e falta de ativação de Core e músculos do quadril também está envolvida e eles devem fazer parte do tratamento.

Mas como será que realmente podemos fazer o tratamento da dor patelofemoral? Continue lendo para aprender.

O que é dor patelofemoral?

A dor patelofemoral é uma das causas mais comuns de dor no joelho. Sua principal característica é dor na região anterior do joelho que piora durante as atividades físicas. Pacientes com a patologia frequentemente reclamam da dor ao agachar, subir escadas, pular e correr. Alguns também sentem o sintoma depois de muitas horas sentados.

Estima-se que 20% dos casos de dor no joelho em clínicas de ortopedia correspondam a essa síndrome. Ela também está presente em ao redor de 30% a 33% dos casos nas clínicas de reabilitação esportiva. Ou seja, é fundamental entendermos as melhores opções de tratamento para nossos pacientes.

Os mais afetados pela síndrome da dor patelofemoral são as pessoas ativas. Por isso, corredores, militares e atletas estão entre nossos principais pacientes com o problema.

Fatores de Risco

Os fatores etiológicos da patologia não são completamente conhecidos. O que podemos observar são alguns fatores de risco, que incluem:

  • Diferenças estruturais na pelve feminina;
  • Anterversão femoral;
  • Ângulo Q aumentado;
  • Torção tibial;
  • Fraqueza do quadríceps;
  • Frouxidão ligamentar do joelho.

Tais fatores geram alterações anatômicas e biomecânicas a nível de membros inferiores. Como resultado, o paciente desenvolve a síndrome da dor patelofemoral e toda a limitação de movimentos que a acompanha. Considerando os fatores de risco, podemos destacar aqui dois grupos mais suscetíveis à patologia: mulheres e atletas.

Tratamento tradicional

Tradicionalmente, o tratamento da dor patelofemoral está relacionado ao desequilíbrio entre os músculos vasto medial e vasto lateral. Como resultado desse desequilíbrio, a articulação patelofemoral acabaria sobrecarregada. Portanto, o tratamento mais indicado seria fortalecimento de quadríceps.

Estudos mostram que realmente, indivíduos com síndrome da dor patelofemoral possui padrões de ativação dos vastos diferente daqueles de pessoas saudáveis. Mas isso não significa que o único tratamento possível para a síndrome estaria no quadríceps.

Relação entre dor e fraqueza muscular

Como sabemos, o corpo possui compensações que não ficam contidas somente na região lesionada ou com dor. Portanto, algumas teorias também estimam que exista uma conexão entre fraqueza de musculaturas do quadril e do Core a dor patelofemoral.

No tratamento da dor patelofemoral mais usado, a maioria dos exercícios seriam atividades em cadeia cinética fechada para fortalecer estabilizadores do joelho. Esses movimentos teriam como objetivo proporcionar alívio da dor e retorno às atividades diárias. Por isso, também existe um foco nos exercícios que simulam atividades como corrida e agachamento.

Mas, considerando a possibilidade de também existir fraqueza de quadril e Core, será que devemos complementar esse protocolo de tratamento?

Proposta de tratamento com Core e quadril

Algumas teorias consideram que existe mais que fraqueza muscular de quadríceps por trás dos casos de dor patelofemoral. É possível que desequilíbrio, déficit ou fraqueza dos estabilizadores do quadril e Core também estejam entre as causas.

Portanto, podemos utilizar uma nova proposta de orçamento que envolva essas musculaturas de maneira global. Na tentativa de entender qual seria a melhor maneira de tratar nossos pacientes com a síndrome, um estudo comparou as duas opções de tratamento.

Protocolo de tratamento da dor

No estudo, utilizou-se um protocolo de tratamento da dor patelofemoral focado no fortalecimento de músculos do joelho para um grupo. O segundo grupo recebeu exercícios para fortalecimento de músculos estabilizadores do quadril e Core.

Ambos os protocolos do estudo aconteceram por 6 semanas, avaliando 146 pacientes ao total no fim do experimento. Como esperado, o tratamento para fortalecimento de joelho obteve resultados para alívio da dor e retorno da função nos pacientes com a síndrome. Porém, ele não foi o único. O tratamento utilizando exercícios para Core e quadril conseguiu resultados bastante similares.

Portanto, é possível que realmente exista uma conexão entre fraqueza dessas estruturas e a síndrome da dor patelofemoral. Conforme percebido no estudo, trabalhar com fortalecimento dessas musculaturas é interessante para quem busca o alívio da dor do aluno.

Qual tratamento é mais eficiente?

Ok, deu para entender que o quadril e Core têm alguma relevância no tratamento da dor femoropatelar. Mas existe um deles que é mais eficiente que o outro?

O estudo que mencionei também tentou responder essa pergunta. Para compreendermos melhor, vale a pena conferir os resultados. 80% dos pacientes tratados com protocolo para quadril conseguiram melhora. No grupo de fortalecimento de joelho, 77% conseguiu melhora. A diferença é praticamente insignificante entre os dois grupos.

Quando a questão é dor, os pacientes no grupo de quadril conseguiram alívio dentro de 3 semanas de tratamento. Quem estava se tratando com fortalecimento de joelho teve alívio em 4 semanas de tratamento.

Resultados

Assim, percebemos que o tratamento incluindo músculos do quadril e Core foi um pouco mais eficiente no alívio da dor. Isso não significa que a outra opção não tenha resultados, mas pacientes conseguiram esse resultado com 1 semana de diferença.

Com o avançar do tratamento, os resultados tornaram-se bastante similares. Em 6 semanas os dois programas conseguiram a reabilitação dos pacientes, apesar da porcentagem levemente menor do grupo de joelho.

Considerando a semelhança de resultados, sobre uma dúvida: qual seria o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Conclusão

Quem segue meu blog sabe que falo muito em avaliação. Na verdade, tenho até um curso direcionado especificamente para avaliação postural. Existe um motivo simples para isso: sem avaliação, nosso aluno não conseguirá o tratamento que merece.

Antes de dizer para você usar esse ou outro protocolo de tratamento, quero que você avalie seu aluno. O melhor tratamento da dor patelofemoral é aquele que está melhor adaptado para suas circunstâncias únicas.

Sabendo que trabalhar fortalecimento de quadril e Core nos trazem resultados similares ao fortalecimento de joelho, podemos misturar as propostas para conseguir melhores tratamentos.

 

 

Bibliografia
  • Atividade eletromiográfca do vasto medial oblíquo e vasto lateral durante atividades Funcionais em sujeitos com síndrome da dor patelofemural. São Carlos: [s.n.], 2008. Disponível em: <http://www.redalyc.org/html/2350/235016539009/>. Acesso em: 12 nov. 2018.
Cirurgia ou exercícios, qual é o melhor para lesão de menisco?

Cirurgia ou exercícios, qual é o melhor para lesão de menisco?

Já conheceu alguém com lesão de menisco? Então esse paciente talvez estivesse em um dilema importante na sua vida: tentar o tratamento conservador da patologia ou optar pela cirurgia. Muitos que chegam nessa escolha temem a cirurgia, mas também não querem gastar meses de fisioterapia para continuar com a dor.

Será que existe uma opção mais acertada para esses pacientes que nos permite ajudá-los? Queremos entender isso nesse artigo com a ajuda de evidências científicas. Continue lendo para entender qual é a verdadeira eficiência do tratamento conservador e cirúrgico da lesão de menisco.

Anatomia e biomecânica do menisco

Os meniscos são feitos de tecido fibrocartilaginoso que reveste boa parte da superfície articular femorotibial. Eles ficam localizados entre o platô tibial e os côndilos femorais. Cerca de 75% de água constitui essas estruturas. O restante é feito de colágeno tipo 1, além de fibras nervosas localizadas na periferia.

A borda periférica do menisco fica aderida à cápsula articular, já a porção central é livre, dando a essa estrutura um aspecto triangular no corte frontal. Suas principais funções são:

  • Absorção de choque;
  • Transmissão de força.
  • Estabilização articular;
  • Nutrição da cartilagem;
  • Lubrificação da articulação.

Quando o joelho realiza um movimento de extensão, o menisco realiza transmissão de cerca de 50% das forças de sustentação do peso e 85% das forças no movimento de flexão. Ele também absorve o choque durante o movimento através da deformação viscoelástica.

Graças ao formato dos meniscos, o líquido sinovial consegue ser distribuído pela articulação do joelho com maior eficiência. Assim, ele também contribui para a lubrificação e nutrição da cartilagem.

O menisco mais propenso a lesões é o menisco medial. Ele é bem menos móvel e desloca-se poucos milímetros para dentro da articulação. Esse menisco cobre cerca de 64% do platô tibial. Seu principal papel está na estabilização articular.

O lateral é mais móvel, movendo-se entre 9 e 11 mm dentro do joelho. Ele também é mais uniforme e cobre cerca de 84% do platô tibial. Por causa da sua mobilidade e formato, ele é menos agredido nos traumas e com menor chance de lesão.

Os meniscos são inervados de maneira paralela à distribuição vascular periférica, acontecendo principalmente no corno anterior e no posterior do menisco. Sua fixação também acontece principalmente nessas regiões, além de ser feita pelo ligamento transverso ou intermeniscal e ligamentos meniscofemorais.

Como acontece a lesão de menisco

Lesões do menisco são tão comuns, mas como elas acontecem? É normal encontrarmos pacientes que sofreram o problema quando o joelho estava flexionado ou semiflexionado.

Nessa posição, ele foi submetido a uma força rotacional de grande magnitude e o menisco foi comprimido entre as estruturas esqueléticas. Dependendo da pressão exercida sobre ele nessa posição ele pode ser lesionado.

Boa parte dos casos de lesão de menisco que encontramos estão relacionados a um trauma. Jovens que praticam esportes, por exemplo, sofrem com o problema frequentemente. Pacientes mais velhos também podem exibir essas lesões por causa de movimentos torcionais relativamente pequenos que são feitos durante a vida diária.

Para compreender melhor o quadro, podemos classificar a lesão de acordo com sua localização. Elas são divididas por causa de vascularização do menisco e qual foi o padrão lesivo. Encontramos lesões nas regiões:

  • Vermelha-vermelha;
  • Vermelha-branca;
  • Branca-branca.

Os mecanismos de lesão podem ser verticais, horizontais e complexos.

É claro que, para determinar exatamente a classificação do problema, ainda precisamos realizar testes. No teste clínico conseguimos avaliar o joelho através do teste de palpação da interlinha do joelho. Também é possível utilizar exames de imagem, dando preferência àqueles que permitem ver sua vascularização.

Tratamento cirúrgico vs. tratamento conservador

Quando um paciente é diagnosticado com lesão de menisco ele tem duas opções: o tratamento cirúrgico e conservador. A opção cirúrgica é a cirurgia de meniscectomia, um evento tão comum que estima-se que a cada 100.000 pessoas, cerca de 300 passam pelo procedimento no mundo ocidental.

A cirurgia de meniscectomia é mais recomendada para indivíduos que não possuem sinais de osteoartrite de joelho. Portanto, nesse artigo discutiremos o uso de procedimentos conservadores e da operação nessas pessoas.

Dependendo da sua fonte, autores relatam pequeno efeito da artroscopia nos pacientes operados. Outros, mostram que existem resultados satisfatórios a curto e longo prazo em quem possui lesão degenerativa de menisco usando o tratamento com exercícios. Portanto, continuamos com a dúvida: qual seria a melhor maneira de tratar o paciente?

Um estudo com 140 pacientes tentou responder essa pergunta. Os indivíduos estudados foram divididos em dois grupos de 70 participantes, o primeiro realizou a cirurgia e o segundo tratou-se de maneira conservadora.

Os pacientes de ambos os grupos possuíam baixa qualidade de vida por causa da lesão de joelho. Como sabemos, dores nos membros inferiores são bastante limitantes, impedindo a prática de atividades físicas e atrapalhando diversas atividades diárias.

Os indivíduos foram avaliados imediatamente após os tratamentos e continuaram sob análise 2 anos após o procedimento. No grupo de exercícios, 61% dos indivíduos foram capazes de completar o programa de maneira satisfatória.

Em geral, os resultados dos dois tratamentos foram satisfatórios, sem grandes diferenças entre eles. A média de melhora foi de 25 pontos no grupo de exercícios e de 24,4 pontos no grupo operatório.

Existiram complicações relacionadas à cirurgia e ao tratamento?

Um dos grandes medos de quem precisa realizar cirurgia é o risco de complicações. Esses risco existe no tratamento de lesão de menisco, mas é bastante pequeno. No estudo analisado, não foram observadas complicações após a cirurgia, mesmo depois de 2 anos.

Qual é o melhor tratamento de lesão de menisco?

Os pacientes pertencentes aos dois grupos apresentaram melhora clínica. 80% dos indivíduos no grupo de exercícios e 81% daqueles no grupo de meniscectomia conseguiram melhorar por mais de 10.1 pontos na escala utilizada para medir a incapacidade.

A única diferença encontrada entre os tratamentos para lesão de menisco foi no quesito força muscular no grupo de exercícios. Esses indivíduos conseguiram ganhos maiores após 3 a 12 meses seguindo o protocolo.

Além disso, é importante perceber que 19% dos indivíduos no grupo de exercícios ainda precisou passar por cirurgia no período de 2 anos. 23% dos integrantes de cada grupo também apresentaram dor, edema, instabilidade, rigidez e diminuição de amplitude de movimento no período estudado. 21% dos pacientes no grupo de exercícios e 14% daqueles no grupo de cirurgia tiveram tais sintomas no joelho contralateral.

No geral, os resultados foram positivos para os dois procedimentos estudados.

Conclusão

Na verdade, não é papel do fisioterapeuta optar pelo tratamento cirúrgico. Só podemos recomendar que nosso paciente busque um ortopedista que possa ajudá-lo nessa opção. No caso da lesão de menisco, vemos que tanto o tratamento com meniscectomia quanto os exercícios são bastante úteis na melhora.

A fisioterapia pode ser considerada como uma primeira opção de tratamento. Caso os resultados não auxiliem o paciente dentro de certo tempo, a cirurgia pode ajudar esse indivíduo a retomar sua qualidade de vida.

Muitos profissionais da saúde já atuam dessa maneira, sugerindo primeiro o tratamento fisioterapêutico para depois tentar a opção cirúrgica. É importante lembrar que a artroscopia do joelho, técnica utilizada no tratamento, é considerada de baixo risco. Ela também consegue resultados positivos sem grandes diferenças da sua contraparte conservadora.

 

Bibliografia
  • KISE, Nina Jullum et al. Exercise therapy versus arthroscopic partial meniscectomy for degenerative meniscal tear in middle aged patients: randomised controlled trial with two year follow-up. 2016. Disponível em: <https://www.bmj.com/content/354/bmj.i3740>. Acesso em: 29 out. 2018.