Quais são as principais Causas da Hérnia de Disco?

Quais são as principais Causas da Hérnia de Disco?

Conversando com uma pessoa da terceira idade, provavelmente acima dos 70 anos, é possível que ele mencione possuir alguma hérnia de disco. A patologia é muito comum e inúmeros pacientes acabam perdendo sua mobilidade por causa do problema.

Será que podemos ajudá-los? Tudo depende do nosso conhecimento a respeito da patologia. Por isso, proponho estudarmos nesse artigo, um pouco dos seus mecanismos de formação, para conseguir aprimorar nossa técnica de tratamento. Vamos começar? Então continue sua leitura!

Princípio de Pascal na formação da Hérnia de Disco

Sabemos que a coluna vertebral possui os discos intervertebrais entre suas estruturas. Eles são um corpo macio que diminui o atrito entre os corpos vertebrais. É esse disco que desloca-se nos casos de hérnias discais causando dor e compressão nervosa.

A Lei de Pascal nos ajuda a entender bastante as causas da hérnia de disco. De acordo com o físico e matemático francês Blaise Pascal, a alteração de pressão em um fluido que está em equilíbrio transmite-se integralmente à todos os pontos do líquido e às paredes do recipiente.

Esse princípio pode ser aplicado ao corpo humano, contanto que algumas propriedades estejam sadias. Ele é extremamente útil quando aplicado à coluna vertebral.

Portanto, de acordo com o princípio de Pascal teremos:

  • Diferença de pressão: é a força aplicada sobre uma área. Caso a pressão seja muito acima da suportada pelo corpo, os sistemas de contenção do anel fibroso podem se romper;
  • Densidade do fluido: a densidade do fluido interfere na lei. Portanto, um núcleo pulposo que esteja desidratado ou rompido estará mais sensível à lei;
  • Gravidade: quanto maior a altitude maiores os riscos que sofremos;
  • Diferença em metros: a diferença entre as duas colunas do recipiente, ou seja, vértebra suprajacente e vértebra subjacente não podem estar com espaço intervertebral diminuído.

Quando os quatro princípios estão funcionando em plenitude, temos uma coluna mais sadia e com menor probabilidade de lesão. Também diminuem as chances do surgimento de uma hérnia causada pelo movimento.

Como mostra o princípio de Pascal o movimento entre as vértebras gera um aumento de força e pressão, mas ela fica distribuída de forma coesa.

Apesar do núcleo pulposo ser deslocado para um lado, a pressão não fica aumentada naquele lado. O próprio núcleo pulposo sofre mudança de pressão durante os movimentos, mas ela também é distribuída por todo o conjunto.

O que é Hérnia de Disco?

A hérnia de disco é uma patologia que surge com a projeção da parte central do disco intervertebral (o núcleo pulposo) para além dos seus limites normais. Ou seja, ele deixa o anel fibroso. É muito comum que a hérnia surja após traumatismos que lesam a cartilagem, como:

  • Quedas;
  • Acidentes automobilísticos;
  • Esforços ao levantar;
  • Encurtamentos musculares;
  • Outros.  

Esse tipo de lesão também pode comprimir raízes nervosas. Assim, o paciente sofre perda de sensibilidade com parestesia ou anestesia na altura correspondente ao dermátomo. Quem possui herniação também apresenta perda ou falta total de força muscular com alteração de trofismo muscular.

Tipos de hérnia de disco

Dividimos a hérnia de disco em alguns tipos para compreendê-las melhor. Elas são:

  • Hérnia de disco protrusa: é o tipo mais comum, quando o núcleo do disco permanece intacto, mas já há perda da forma oval;
  • Hérnia de disco extrusa: quando o núcleo do disco se encontra deformado, formando uma “gota”;
  • Hérnia de disco sequestrada: quando o núcleo está muito danificado e pode até mesmo se dividir em duas partes.

Falsas hérnias de disco

Nem toda hérnia de disco apresenta os sintomas que mencionei acima. Isso porque, nem sempre o que pensamos serem hérnias realmente são: também existem as falsas hérnias de disco. De acordo com Leopold Busquet, 85% das hérnias que diagnosticamos diariamente são do tipo falso. Podemos afirmar isso porque não apresentam esse quadro completo.

Só as 5% mais graves possuem os sintomas adequados para considerarmos verdadeiras. Quando falamos em hérnias verdadeiras o tratamento é sempre cirúrgico e só estaremos presentes na reabilitação do aluno durante o pós-operatório.

Sintomas de falsas Hérnias de Disco

A hérnia de disco é caracterizada pela dor intensa na altura da herniação. Ela também pode gerar outros sintomas de acordo com seu tipo:

  • Falsa hérnia cervical: dor na região da nuca e do pescoço, gerando dificuldade para fazer movimentos cervicais e de membros superiores. Também pode existir parestesia nos membros superiores;
  • Falsa hérnia lombar: causa dor lombar combinada com dificuldade de movimentos e parestesia no caminho do nervo ciático.

Hérnia também pode ter seus sintomas agravados por movimentos, como tosse, riso e evacuação. Elas são mais raras em curvas cifóticas da coluna, já que possuem menor mobilidade. Colunas muito retificadas, no entanto, podem sofrer com uma hérnia de disco torácica.

Causas da Hérnia de Disco

Apesar de muitas pessoas que possuem uma hérnia de disco estarem plenamente convencidas que a desenvolveram depois de algum movimento, afirmo o contrário. Quanto mais estudo o quadro, mais entendo que é a falta de movimento uma das principais causas da hérnia de disco.

É a falta de movimento que gera limitações articulares e fraquezas musculares. Assim, o sistema musculoesquelético é sobrecarregado por pressões para as quais não foi projetado.

Tudo começa com um episódio de dor lombar: primeiro sinal do problema que está afligindo o corpo. Isso acontece cerca de 10 anos antes do surgimento de uma hérnia lombar.

Esse sinal é um pedido de socorro, indicando que a pessoa precisa de movimento para prevenir uma hérnia. Se soubermos escutá-lo e corrigirmos os problemas atuais do corpo conseguimos prevenção. Mas nós sabemos que a maioria dos pacientes não busca ajuda para dor lombar.

A não ser que o problema seja crônico, o paciente simplesmente toma um relaxante muscular ou analgésico. Depois de algum tempo sofrendo com a dor ela passa e ele simplesmente esquece que ela esteve lá.

Surgimento da hérnia

Apesar dos medicamentos, a alteração mecânica permanece e pressiona ainda mais os discos. Assim, vemos que uma das causas da hérnia de disco começou há muito tempo, bem antes do paciente fazer aquele movimento que ele imaginar ser o culpado da dor.

Cerca de 10 anos depois do primeiro episódio de dor lombar o disco sucumbe às pressão, rompe-se e forma a hérnia. Tudo isso causado por uma coluna rígida e sem mobilidade que sofreu durante anos.

Conclusão

Sabendo das causas da hérnia de disco e como a falta de movimento é uma das principais, podemos começar a trabalhar com nossos alunos. É claro que eles terão medo de se movimentar, o próprio médico solicitou repouso e imobilidade.

No entanto devemos quebrar esse paradigma e mostrar para o paciente que só o movimento pode recuperá-lo. Devemos sim trabalhar a estabilidade do núcleo corporal, porém sem confundi-la com o conceito rigidez, lembrando sempre de um corpo viscerado e das consequências do aumento da PIA.

Porém devemos nos lembrar que um corpo saudável, deve ser também móvel e não somente estável, o que geraria desequilíbrios importantes e colocaria nosso processo de reabilitação muito suscetível ao fracasso.

 

 

Bibliografia
Qual é o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Qual é o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Quem trabalha com alunos com dor no joelho certamente já encontrou um caso de tratamento de dor patelofemoral. Ela é tão comum, mas mesmo assim continuamos confusos a respeito do seu tratamento.

Alguns sugerem que a dor seja causada principalmente por um desequilíbrio de quadríceps. Por isso, seu tratamento deveria ser feito focando nesse grupo muscular. Outros, afirmam que uma fraqueza e falta de ativação de Core e músculos do quadril também está envolvida e eles devem fazer parte do tratamento.

Mas como será que realmente podemos fazer o tratamento da dor patelofemoral? Continue lendo para aprender.

O que é dor patelofemoral?

A dor patelofemoral é uma das causas mais comuns de dor no joelho. Sua principal característica é dor na região anterior do joelho que piora durante as atividades físicas. Pacientes com a patologia frequentemente reclamam da dor ao agachar, subir escadas, pular e correr. Alguns também sentem o sintoma depois de muitas horas sentados.

Estima-se que 20% dos casos de dor no joelho em clínicas de ortopedia correspondam a essa síndrome. Ela também está presente em ao redor de 30% a 33% dos casos nas clínicas de reabilitação esportiva. Ou seja, é fundamental entendermos as melhores opções de tratamento para nossos pacientes.

Os mais afetados pela síndrome da dor patelofemoral são as pessoas ativas. Por isso, corredores, militares e atletas estão entre nossos principais pacientes com o problema.

Fatores de Risco

Os fatores etiológicos da patologia não são completamente conhecidos. O que podemos observar são alguns fatores de risco, que incluem:

  • Diferenças estruturais na pelve feminina;
  • Anterversão femoral;
  • Ângulo Q aumentado;
  • Torção tibial;
  • Fraqueza do quadríceps;
  • Frouxidão ligamentar do joelho.

Tais fatores geram alterações anatômicas e biomecânicas a nível de membros inferiores. Como resultado, o paciente desenvolve a síndrome da dor patelofemoral e toda a limitação de movimentos que a acompanha. Considerando os fatores de risco, podemos destacar aqui dois grupos mais suscetíveis à patologia: mulheres e atletas.

Tratamento tradicional

Tradicionalmente, o tratamento da dor patelofemoral está relacionado ao desequilíbrio entre os músculos vasto medial e vasto lateral. Como resultado desse desequilíbrio, a articulação patelofemoral acabaria sobrecarregada. Portanto, o tratamento mais indicado seria fortalecimento de quadríceps.

Estudos mostram que realmente, indivíduos com síndrome da dor patelofemoral possui padrões de ativação dos vastos diferente daqueles de pessoas saudáveis. Mas isso não significa que o único tratamento possível para a síndrome estaria no quadríceps.

Relação entre dor e fraqueza muscular

Como sabemos, o corpo possui compensações que não ficam contidas somente na região lesionada ou com dor. Portanto, algumas teorias também estimam que exista uma conexão entre fraqueza de musculaturas do quadril e do Core a dor patelofemoral.

No tratamento da dor patelofemoral mais usado, a maioria dos exercícios seriam atividades em cadeia cinética fechada para fortalecer estabilizadores do joelho. Esses movimentos teriam como objetivo proporcionar alívio da dor e retorno às atividades diárias. Por isso, também existe um foco nos exercícios que simulam atividades como corrida e agachamento.

Mas, considerando a possibilidade de também existir fraqueza de quadril e Core, será que devemos complementar esse protocolo de tratamento?

Proposta de tratamento com Core e quadril

Algumas teorias consideram que existe mais que fraqueza muscular de quadríceps por trás dos casos de dor patelofemoral. É possível que desequilíbrio, déficit ou fraqueza dos estabilizadores do quadril e Core também estejam entre as causas.

Portanto, podemos utilizar uma nova proposta de orçamento que envolva essas musculaturas de maneira global. Na tentativa de entender qual seria a melhor maneira de tratar nossos pacientes com a síndrome, um estudo comparou as duas opções de tratamento.

Protocolo de tratamento da dor

No estudo, utilizou-se um protocolo de tratamento da dor patelofemoral focado no fortalecimento de músculos do joelho para um grupo. O segundo grupo recebeu exercícios para fortalecimento de músculos estabilizadores do quadril e Core.

Ambos os protocolos do estudo aconteceram por 6 semanas, avaliando 146 pacientes ao total no fim do experimento. Como esperado, o tratamento para fortalecimento de joelho obteve resultados para alívio da dor e retorno da função nos pacientes com a síndrome. Porém, ele não foi o único. O tratamento utilizando exercícios para Core e quadril conseguiu resultados bastante similares.

Portanto, é possível que realmente exista uma conexão entre fraqueza dessas estruturas e a síndrome da dor patelofemoral. Conforme percebido no estudo, trabalhar com fortalecimento dessas musculaturas é interessante para quem busca o alívio da dor do aluno.

Qual tratamento é mais eficiente?

Ok, deu para entender que o quadril e Core têm alguma relevância no tratamento da dor femoropatelar. Mas existe um deles que é mais eficiente que o outro?

O estudo que mencionei também tentou responder essa pergunta. Para compreendermos melhor, vale a pena conferir os resultados. 80% dos pacientes tratados com protocolo para quadril conseguiram melhora. No grupo de fortalecimento de joelho, 77% conseguiu melhora. A diferença é praticamente insignificante entre os dois grupos.

Quando a questão é dor, os pacientes no grupo de quadril conseguiram alívio dentro de 3 semanas de tratamento. Quem estava se tratando com fortalecimento de joelho teve alívio em 4 semanas de tratamento.

Resultados

Assim, percebemos que o tratamento incluindo músculos do quadril e Core foi um pouco mais eficiente no alívio da dor. Isso não significa que a outra opção não tenha resultados, mas pacientes conseguiram esse resultado com 1 semana de diferença.

Com o avançar do tratamento, os resultados tornaram-se bastante similares. Em 6 semanas os dois programas conseguiram a reabilitação dos pacientes, apesar da porcentagem levemente menor do grupo de joelho.

Considerando a semelhança de resultados, sobre uma dúvida: qual seria o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Conclusão

Quem segue meu blog sabe que falo muito em avaliação. Na verdade, tenho até um curso direcionado especificamente para avaliação postural. Existe um motivo simples para isso: sem avaliação, nosso aluno não conseguirá o tratamento que merece.

Antes de dizer para você usar esse ou outro protocolo de tratamento, quero que você avalie seu aluno. O melhor tratamento da dor patelofemoral é aquele que está melhor adaptado para suas circunstâncias únicas.

Sabendo que trabalhar fortalecimento de quadril e Core nos trazem resultados similares ao fortalecimento de joelho, podemos misturar as propostas para conseguir melhores tratamentos.

 

 

Bibliografia
  • Atividade eletromiográfca do vasto medial oblíquo e vasto lateral durante atividades Funcionais em sujeitos com síndrome da dor patelofemural. São Carlos: [s.n.], 2008. Disponível em: <http://www.redalyc.org/html/2350/235016539009/>. Acesso em: 12 nov. 2018.
Cirurgia ou exercícios, qual é o melhor para lesão de menisco?

Cirurgia ou exercícios, qual é o melhor para lesão de menisco?

Já conheceu alguém com lesão de menisco? Então esse paciente talvez estivesse em um dilema importante na sua vida: tentar o tratamento conservador da patologia ou optar pela cirurgia. Muitos que chegam nessa escolha temem a cirurgia, mas também não querem gastar meses de fisioterapia para continuar com a dor.

Será que existe uma opção mais acertada para esses pacientes que nos permite ajudá-los? Queremos entender isso nesse artigo com a ajuda de evidências científicas. Continue lendo para entender qual é a verdadeira eficiência do tratamento conservador e cirúrgico da lesão de menisco.

Anatomia e biomecânica do menisco

Os meniscos são feitos de tecido fibrocartilaginoso que reveste boa parte da superfície articular femorotibial. Eles ficam localizados entre o platô tibial e os côndilos femorais. Cerca de 75% de água constitui essas estruturas. O restante é feito de colágeno tipo 1, além de fibras nervosas localizadas na periferia.

A borda periférica do menisco fica aderida à cápsula articular, já a porção central é livre, dando a essa estrutura um aspecto triangular no corte frontal. Suas principais funções são:

  • Absorção de choque;
  • Transmissão de força.
  • Estabilização articular;
  • Nutrição da cartilagem;
  • Lubrificação da articulação.

Quando o joelho realiza um movimento de extensão, o menisco realiza transmissão de cerca de 50% das forças de sustentação do peso e 85% das forças no movimento de flexão. Ele também absorve o choque durante o movimento através da deformação viscoelástica.

Graças ao formato dos meniscos, o líquido sinovial consegue ser distribuído pela articulação do joelho com maior eficiência. Assim, ele também contribui para a lubrificação e nutrição da cartilagem.

O menisco mais propenso a lesões é o menisco medial. Ele é bem menos móvel e desloca-se poucos milímetros para dentro da articulação. Esse menisco cobre cerca de 64% do platô tibial. Seu principal papel está na estabilização articular.

O lateral é mais móvel, movendo-se entre 9 e 11 mm dentro do joelho. Ele também é mais uniforme e cobre cerca de 84% do platô tibial. Por causa da sua mobilidade e formato, ele é menos agredido nos traumas e com menor chance de lesão.

Os meniscos são inervados de maneira paralela à distribuição vascular periférica, acontecendo principalmente no corno anterior e no posterior do menisco. Sua fixação também acontece principalmente nessas regiões, além de ser feita pelo ligamento transverso ou intermeniscal e ligamentos meniscofemorais.

Como acontece a lesão de menisco

Lesões do menisco são tão comuns, mas como elas acontecem? É normal encontrarmos pacientes que sofreram o problema quando o joelho estava flexionado ou semiflexionado.

Nessa posição, ele foi submetido a uma força rotacional de grande magnitude e o menisco foi comprimido entre as estruturas esqueléticas. Dependendo da pressão exercida sobre ele nessa posição ele pode ser lesionado.

Boa parte dos casos de lesão de menisco que encontramos estão relacionados a um trauma. Jovens que praticam esportes, por exemplo, sofrem com o problema frequentemente. Pacientes mais velhos também podem exibir essas lesões por causa de movimentos torcionais relativamente pequenos que são feitos durante a vida diária.

Para compreender melhor o quadro, podemos classificar a lesão de acordo com sua localização. Elas são divididas por causa de vascularização do menisco e qual foi o padrão lesivo. Encontramos lesões nas regiões:

  • Vermelha-vermelha;
  • Vermelha-branca;
  • Branca-branca.

Os mecanismos de lesão podem ser verticais, horizontais e complexos.

É claro que, para determinar exatamente a classificação do problema, ainda precisamos realizar testes. No teste clínico conseguimos avaliar o joelho através do teste de palpação da interlinha do joelho. Também é possível utilizar exames de imagem, dando preferência àqueles que permitem ver sua vascularização.

Tratamento cirúrgico vs. tratamento conservador

Quando um paciente é diagnosticado com lesão de menisco ele tem duas opções: o tratamento cirúrgico e conservador. A opção cirúrgica é a cirurgia de meniscectomia, um evento tão comum que estima-se que a cada 100.000 pessoas, cerca de 300 passam pelo procedimento no mundo ocidental.

A cirurgia de meniscectomia é mais recomendada para indivíduos que não possuem sinais de osteoartrite de joelho. Portanto, nesse artigo discutiremos o uso de procedimentos conservadores e da operação nessas pessoas.

Dependendo da sua fonte, autores relatam pequeno efeito da artroscopia nos pacientes operados. Outros, mostram que existem resultados satisfatórios a curto e longo prazo em quem possui lesão degenerativa de menisco usando o tratamento com exercícios. Portanto, continuamos com a dúvida: qual seria a melhor maneira de tratar o paciente?

Um estudo com 140 pacientes tentou responder essa pergunta. Os indivíduos estudados foram divididos em dois grupos de 70 participantes, o primeiro realizou a cirurgia e o segundo tratou-se de maneira conservadora.

Os pacientes de ambos os grupos possuíam baixa qualidade de vida por causa da lesão de joelho. Como sabemos, dores nos membros inferiores são bastante limitantes, impedindo a prática de atividades físicas e atrapalhando diversas atividades diárias.

Os indivíduos foram avaliados imediatamente após os tratamentos e continuaram sob análise 2 anos após o procedimento. No grupo de exercícios, 61% dos indivíduos foram capazes de completar o programa de maneira satisfatória.

Em geral, os resultados dos dois tratamentos foram satisfatórios, sem grandes diferenças entre eles. A média de melhora foi de 25 pontos no grupo de exercícios e de 24,4 pontos no grupo operatório.

Existiram complicações relacionadas à cirurgia e ao tratamento?

Um dos grandes medos de quem precisa realizar cirurgia é o risco de complicações. Esses risco existe no tratamento de lesão de menisco, mas é bastante pequeno. No estudo analisado, não foram observadas complicações após a cirurgia, mesmo depois de 2 anos.

Qual é o melhor tratamento de lesão de menisco?

Os pacientes pertencentes aos dois grupos apresentaram melhora clínica. 80% dos indivíduos no grupo de exercícios e 81% daqueles no grupo de meniscectomia conseguiram melhorar por mais de 10.1 pontos na escala utilizada para medir a incapacidade.

A única diferença encontrada entre os tratamentos para lesão de menisco foi no quesito força muscular no grupo de exercícios. Esses indivíduos conseguiram ganhos maiores após 3 a 12 meses seguindo o protocolo.

Além disso, é importante perceber que 19% dos indivíduos no grupo de exercícios ainda precisou passar por cirurgia no período de 2 anos. 23% dos integrantes de cada grupo também apresentaram dor, edema, instabilidade, rigidez e diminuição de amplitude de movimento no período estudado. 21% dos pacientes no grupo de exercícios e 14% daqueles no grupo de cirurgia tiveram tais sintomas no joelho contralateral.

No geral, os resultados foram positivos para os dois procedimentos estudados.

Conclusão

Na verdade, não é papel do fisioterapeuta optar pelo tratamento cirúrgico. Só podemos recomendar que nosso paciente busque um ortopedista que possa ajudá-lo nessa opção. No caso da lesão de menisco, vemos que tanto o tratamento com meniscectomia quanto os exercícios são bastante úteis na melhora.

A fisioterapia pode ser considerada como uma primeira opção de tratamento. Caso os resultados não auxiliem o paciente dentro de certo tempo, a cirurgia pode ajudar esse indivíduo a retomar sua qualidade de vida.

Muitos profissionais da saúde já atuam dessa maneira, sugerindo primeiro o tratamento fisioterapêutico para depois tentar a opção cirúrgica. É importante lembrar que a artroscopia do joelho, técnica utilizada no tratamento, é considerada de baixo risco. Ela também consegue resultados positivos sem grandes diferenças da sua contraparte conservadora.

 

Bibliografia
  • KISE, Nina Jullum et al. Exercise therapy versus arthroscopic partial meniscectomy for degenerative meniscal tear in middle aged patients: randomised controlled trial with two year follow-up. 2016. Disponível em: <https://www.bmj.com/content/354/bmj.i3740>. Acesso em: 29 out. 2018.
Reabilitação do Assoalho Pélvico: Tudo o que você Precisa saber!

Reabilitação do Assoalho Pélvico: Tudo o que você Precisa saber!

Na Reabilitação do Assoalho Pélvico (AP), tratamos desordens ou disfunções do pavimento pélvico melhorando as suas funções, exercendo influência direta na melhora da qualidade de vida de mulheres e homens. É indicado para o tratamento das disfunções do AP como:

  • Incontinência Urinária (primeira linha de tratamento);
  • Incontinência Fecal;
  • Bexiga Hiperativa;
  • Bexiga Neurogênica.

A fisioterapia pélvica também atua no pré e pós-parto e nas diversas disfunções sexuais, ajuda os pacientes que sofrem de constipação e nos pós-operatórios de cirurgias pélvicas com redução de complicações e acelerando a recuperação. Quer entender tudo sobre a Reabilitação do Assoalho Pélvico? Continue lendo esse texto!

Anatomia da Pelve

Vamos começar falando sobre a Anatomia da Pelve que compreende: os ossos do quadril, ilíaco e sacro/cóccix, ossos do tipo plano. Conhecer a anatomia ajuda, e muito, durante a Reabilitação do Assoalho Pélvico. Os ilíacos se unem a sínfise púbica anteriormente e ao sacro posteriormente que se articula com os ilíacos, com poucos movimentos existentes entre eles.

É importante entendermos como funcionam, pois, estão intimamente ligados com os movimentos da coluna vertebral. O sacro articula-se superiormente com a 5ª vértebra lombar e inferiormente com o cóccix, influenciando na postura. Funcionam como uma unidade e o peso corporal é transmitido para os membros inferiores através da pelve.

Como grandes forças atuam em diversos sentidos, é comum o aparecimento de dores e desconfortos. Como exemplo, a dor pélvica que atinge uma grande maioria das mulheres, não é bem definida e refere-se a dor situada na região abaixo do umbigo e acima das pernas, podendo ter diversas causas, entre elas as musculares, as ósseas, as do sistema reprodutor ou as viscerais.

O quadril é formado por três ossos: ílio, ísquio e púbis. O ponto onde se unem as três peças de uma asa do ilíaco, é o acetábulo (fossa que recebe a cabeça do fêmur). Ele faz o suporte de peso acima da linha do quadril e distribui o peso para os membros inferiores, devendo estar devidamente balanceada para a manutenção da capacidade de equilíbrio e de locomoção.

O posicionamento da região lombo pélvica pode influenciar na coordenação com os músculos do tronco, na contração do AP e no controle urinário, fundamental para o esvaziamento da bexiga. Vamos entender mais sobre a Reabilitação do Assoalho Pélvico?

Subdivisões da Pelve

A anatomia da pelve é subdividida em pelve maior (protege as vísceras abdominais) e menor (ossos da cavidade pélvica e períneo). Em formato de losango, o períneo contém os órgãos genitais e o ânus, tanto nos homens como nas mulheres, localizado entre as coxas e nádegas.

O centro tendíneo é onde os músculos que fazem parte do períneo se inserem, sendo este um local de maior resistência. Ainda temos a fáscia endopélvica que envolve as estruturas e mantém as vísceras em posições normais.

O AP é formado por um complexo conjunto de músculos, ligamentos e fáscias, formando uma rede de sustentação que deve interagir entre si para o funcionamento adequado do sistema de continência de urina e fezes e ainda sustentar os nossos órgãos abdominais.

Quando em funcionamento normal, estes músculos devem ter a capacidade de se contrair e relaxar tanto reflexamente como voluntariamente. A Reabilitação do Assoalho Pélvico, a partir dos músculos, quando realizada pelo fisioterapeuta, auxilia nos casos em que esta rede esteja com problemas, seja em resistência, fortalecimento ou relaxamento da musculatura.

A perda urinária ocorre quando há uma deficiência no suporte vesical e uretral que é feito pelos músculos do AP e/ou por uma fraqueza ou lesão.

Precisamos entender também como funciona a bexiga, sendo esta comandada por um sistema de nervos que se concentram no trígono: sistema nervoso central, sistema nervoso periférico e estruturas do trato urinário. A interação equilibrada deste conjunto que institui a continência urinária. A uretra é um canal membranoso por onde passa a urina da bexiga para o meio externo.

Músculos trabalhados na Reabilitação do Assoalho Pélvico

Os músculos que compõem o AP são: esfíncter anal, perineais superficiais, diafragma urogenital (bulbocavernoso, transverso superficial do períneo, isquiocavernoso) e pélvico (músculo coccígeo e elevadores do ânus).

Os músculos elevadores do ânus se dividem em pubococcígeo, ileococcígeo e puborretal. Estes músculos resistem a elevações súbitas da pressão-intra-abdominal e são os responsáveis pelo fechamento do hiato urogenital, quando se contraem.

O AP é constituído por dois tipos de fibras: 70% de contração lenta (tipo 1) e 30% de contração rápida (tipo 2). As fibras do tipo 1 são de resistência, suportando a contração por períodos mais longos, mantendo o tônus muscular até mesmo em repouso, já as do tipo 2 respondem ao aumento súbito da pressão intra-abdominal, realizando o fechamento uretral, sendo assim, fatigáveis.

Incontinência Urinária

A incontinência urinária (IU) é uma condição que pode trazer sérias implicações na vida social, psicológica e econômica das pessoas pelo medo da perda urinária, pela higiene, pela troca mais frequente de roupas e a necessidade de utilizar protetores favorecendo com o passar do tempo o isolamento e consequentemente a depressão.

A presença de noctúria (aumento da frequência urinária durante a noite) atrapalha o sono, levando a quadros de cansaço. Como não coloca diretamente a vida das pessoas em risco, muitas permanecem com o problema por anos acreditando que é normal perder urina, o que muitas vezes acaba prejudicando também a vida sexual das mulheres.

A Sociedade Internacional de Continência (ICS) define a IU como toda perda involuntária de urina. É um problema muito comum entre as mulheres e pode ocorrer em qualquer idade.

Encontram-se diferenças na prevalência conforme as características da população e faixa etária. Uma característica em comum entre elas é que geralmente não procuram amparo profissional. Muitas atletas também apresentam incontinência urinária de esforço (IUE), devido ao desequilíbrio entre as forças do AP e do abdômen.

Fatores de risco da IU

A prevalência e os fatores de risco associados vem sendo bastante estudados. Muitos fatores podem estar correlacionados com o aparecimento de IU ao longo do tempo como:

  • Idade Avançada;
  • Parto Vaginal;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Fraqueza do Tecido Conectivo;
  • Trabalho Fatigante com sustentação de carga;
  • Entre Outros.

Muitas vezes os estudos encontram-se conflitantes em relação aos fatores de risco, mas é essencial que sejam compreendidos, por isso se faz necessário uma boa avaliação para que seja possível traçar um plano de tratamento apropriado para cada paciente.

Tipos de incontinência

Dentre os tipos de IU, a IUE é definida como a perda involuntária de urina que ocorre durante o esforço físico, durante a tosse ou espirro, ou seja, quando existe aumento da pressão intra-abdominal.

A Incontinência Urinária de Urgência (IUU) é caracterizada pela vontade súbita de urinar e a pessoa acaba perdendo urina antes de chegar até o banheiro. Estes são os tipos mais comuns de incontinência entre as mulheres, com maior prevalência a IUE, sendo que os sintomas podem aparecer associados, classificado como Incontinência Urinária Mista (IUM).

Diagnóstico da incontinência

O tratamento fisioterapêutico é determinante para que os sintomas da IU desapareçam o quanto antes. O diagnóstico precoce e a prevenção são cruciais na Reabilitação do Assoalho Pélvico!

A informação a respeito do uso adequado da musculatura do AP e da função miccional, fazem parte da educação acerca do AP. A fisioterapia realiza um tratamento conservador, muitas vezes solucionando o problema sem precisar realizar um procedimento cirúrgico.

A avaliação da fisioterapia pélvica é primordial para saber o que realmente está acontecendo com cada paciente, isto envolve a habilidade de elevar os músculos do AP, a manutenção da força e a coordenação desta contração.

Não é possível fazer um tratamento somente com indicações de exercícios pré-definidos e são necessárias sucessivas reavaliações para acompanhar a evolução do quadro clínico e determinar se precisará de mudanças na conduta durante o tratamento.

O fisioterapeuta deve estar preparado para investigar detalhadamente a história clínica do paciente. Questionar o motivo da procura para começar a entender qual o problema e por quanto tempo está instalado a disfunção.

Se há hábitos que pioram, traumas pélvicos, dor e cirurgias. Utilização de medicamentos, hábitos de vida diária e atividade sexual também são importantes. Após a compreensão dos diversos fatores que podem interferir no tratamento, passamos para a avaliação física.

Inspeção da região pélvica

Primeiramente é realizada a inspeção da região pélvica de forma objetiva e deve ser explicado ao paciente os procedimentos da avaliação. Somente após o consentimento, dá-se seguimento a avaliação. Existem várias maneiras de avaliar a função do AP e as técnicas tem sido cada vez mais aperfeiçoadas.

Atualmente é muito utilizado na avaliação do AP a escala Perfect, proposta por Bo e Larsen em 1990, que consiste na palpação bidigital no canal vaginal, permitindo uma avaliação funcional do AP onde conseguimos quantificar o número de contrações rápidas e lentas, intensidade e o tempo de contração.

A importância do biofeedback

Arnold Kegel, ginecologista, foi o pioneiro no uso do treinamento da musculatura do AP para tratamento da IU, por volta dos anos 50. No seu estudo, 84% das mulheres com IU obtiveram melhora do quadro.

No seu protocolo de Reabilitação do Assoalho Pélvico incluía observação da contração voluntária dos músculos do AP, palpação vaginal e o uso do biofeedback para mensurar a pressão durante a realização dos exercícios vaginais.

O tratamento realizado em consultório é auxiliado pelo uso de equipamentos que ajudam na demonstração da contração do AP. O biofeedback é um aparelho que demonstra através da eletromiografia na tela de um computador o que está acontecendo com a musculatura perineal.

É utilizado na prática clínica para o treinamento do tônus da musculatura pélvica, fazendo com que aja mais precisão, conscientização e controle nos movimentos com intensidade e duração desejados favorecendo também o relaxamento.

Tratamento da Incontinência Urinária
hipopressiva no tratamento de diástase abdominal

Mudanças comportamentais, eletroestimulação neuromuscular e cinesioterapia (exercícios para a normalização do tônus muscular) são utilizados no tratamento clínico.

Outros instrumentos podem ser utilizados para o treinamento, como os cones vaginais (pequenas cápsulas de peso diferente) que se introduz na vagina para fortalecimento muscular proporcionando um feedback tátil e cinestésico e até mesmo o uso da bola suíça com exercícios funcionais.

Diversas técnicas melhoram a eficiência, controle e qualidade dos componentes anatômicos, devolvendo a autoestima e a autoconfiança a estas pacientes que tem o convívio social comprometido na maioria das vezes.

O treinamento baseado nas contrações voluntárias repetidas, favorece o mecanismo de continência, resultando do fechamento uretral ocasionado a elevação e aproximação dos músculos do AP. Este processo também é influenciado pelo fechamento esfincteriano, dependente dos músculos estriado e liso uretral.

Ainda dentre tantas particularidades do tratamento, a maioria das mulheres se mostram incapazes de realizar uma contração dos músculos do AP somente com um comando verbal, por isso o tratamento deve ser acompanhado por um fisioterapeuta especializado. Também é interessante a discussão do caso com os demais profissionais que atendem este paciente.

Exercícios para a Reabilitação do Assoalho Pélvico

Alguns estudos também demonstram que um abdominal hipotônico altera as pressões no AP, ocorrendo o aumento da pressão anterior favorecendo a descida dos órgãos pélvicos e a IU.

Exercícios, posturas e manobras com enfoque no abdominal hipopressivo são benéficos na tonificação da musculatura do AP, normalizando as tensões das estruturas músculo-aponeuróticas antagonistas, realizando a proteção dos órgãos pélvicos.

A Reabilitação do Assoalho Pélvico consiste principalmente na conscientização das partes anatômicas do AP tão pouco conhecido e a forma de controlar os movimentos de maneira consciente, como se trabalha estes músculos e que muitas vezes não depende somente do fortalecimento.

Deve-se entender também que a utilização de musculaturas acessórias como glúteos, abdominais e adutores não trabalham o AP, que são musculaturas distintas.

A fisioterapia pélvica apresenta vantagens pelo baixo custo, ser minimamente invasiva, sem efeitos colaterais e morbidades, melhorando significativamente os sintomas com uma elevada taxa de cura, sendo reconhecida e valorizada cada vez mais. A paciente precisa ter um bom relacionamento com o profissional, respeitável, para que se sinta segura e confiante para obter resultados clínicos positivos.

Conclusão

Condescender ao tratamento significa aceitar e seguir as orientações do fisioterapeuta, incorporando e comprometendo-se a realizar os exercícios junto ao seu cotidiano.

Fatores como baixa aderência, desmotivação, indisciplina, gravidade do quadro clínico e falta de compreensão da importância do seguimento da terapia podem ser limitantes ao tratamento conservador. Além de que se faz necessário um acompanhamento nutricional e psicológico muitas vezes, pois o comportamento do paciente interfere diretamente nos resultados.

Em resumo, a Reabilitação do Assoalho Pélvico engloba além da IU e seus diferentes tipos, uma variedade de disfunções, sintomas e ocorrências, que devem ser investigados e esclarecidos para que o tratamento combinado com exercícios e eletroterapia, possa ser adequado à rotina do paciente.

 


Esse texto foi co-escrito pela Dra. Larissa Ribeiro

Larissa é Fisioterapeuta com Pós Graduação em Fisioterapia Pélvica e Mestranda em Ginecologia e Obstetrícia. Assim como possui formação em:

  • Pilates
  • Water Pilates
  • Hidroterapia
  • MIT – Movimento Inteligente
  • Treinamento Funcional
  • Método Abdominal Hipopressivo (MAH)
  • Treinadora do Grupo VOLL
  • Ministra cursos no Espaço Vida Pilates e Pilates avançado

 

Referências
  • BARACHO, Elza. Fisioterapia Aplicada à Saúde da Mulher. 5ª ed. Guanabara Koogan, 2014.
  • DRIUSSO, Patrícia; BELEZA, Ana Carolina S. Avaliação Fisioterapêutica da Musculatura do Assoalho Pélvico Feminino. 1ª ed. Manole, 2018.
  • FELICÍSSIMO, Mônica F.; CARNEIRO, Márcia M.; SOUZA, Elza Lúcia B. L. S.; ALIPIO, Vitória G.; FRANCO, Márcia R. C.; SILVA, Rafaela G. O.; FILHO, Agnaldo L. S. Fatores Limitadores à Reabilitação da Musculatura do Assoalho Pélvico em Pacientes com Incontinência Urinária de Esforço. Acta Fisiatr 2007; 14(4): 233 – 236.
  • FILHO, Agnaldo L. S.; FONSECA, Andrea M. R. M.; CAMILLATO, Elaine S.; CANGUSSU, Renata O. Análise dos Recursos para Reabilitação da Musculatura do Assoalho Pélvico em Mulheres com Prolapso e Incontinência Urinária. Fisioter Pesq. 2013;20(1):90-96.
  • GOUVEIA; Priscila Fernandes; AMBROGINI, Carolina Carvalho; HAIDDAR, Mauro Abi; SILVA, Ivaldo. Métodos de Avaliação do Assoalho Pélvico. Moreira Jr. Editora, 2012.
  • MOREIRA, Eliane Cristina H.; ARRUDA, Paula B. Força Muscular do Assoalho Pélvico entre Mulheres Continentes Jovens e Climatéricas. Semina: Ciências Biológicas da Saúde, v. 31, n. 1, p. 53-61 jan./jun. 2010.
  • MORENO, Adriana L. Fisioterapia em Uroginecologia. – 2ª ed. rev. Manole, 2009.
  • NOLASCO, Juliana; MARTINS, Letícia; BERQUO, Marcela; SANDOVAL, Renato A. Atuação da Cinesioterapia no Fortalecimento Muscular do Assoalho Pélvico Feminino: Revisão Bibliográfica. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital, 2008.
  • OLIVEIRA, Emerson; ZULIANI, Lucia Maria M.; ISHICAVA, Juliana; SILVA, Soraya Vilela; ALBUQUERQUE, Samuel S. R.; SOUZA, Angela Mara B.; BARBOSA, Caio P. Avaliação Dos Fatores Relacionados à Ocorrência Da Incontinência Urinária Feminina. Rev Assoc Med Bras 2010; 56(6): 688-90.
  • OLIVEIRA, Jaqueline R.; GARCIA, Rosamaria R. Cinesioterapia no Tratamento da Incontinência Urinária em Mulheres Idosas. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol, 2011; 14(2):343-351.
  • OLIVEIRA, Kátia Adriana C.; RODRIGUES, Ana Beatriz C.; PAULA, Alfredo B. Técnicas Fisioterapêuticas No Tratamento e Prevenção da Incontinência Urinária de Esforço Na Mulher. Revista Eletrônica [email protected]ência, v.1, n.1, 31-40, 2007.
  • PALMA, Paulo César R. Urofisioterapia – Aplicações Clínicas das Técnicas Fisioterapêuticas nas Disfunções Miccionais e do Assoalho Pélvico. 1ª ed. Andreoli, 2009.
  • PIASSAROLLI, Virginia P.; HARDY, Ellen; ANDRADE, Nilva F.; FERREIRA, Néville O.; OSIS, Maria José D. Treinamento dos Músculos do Assoalho Pélvico Nas Disfunções Sexuais Femininas. Rev Bras Ginecol Obstet. 2010; 32(5):234-40.
  • RETT, Mariana T.; SIMÕES, José Antonio; HERRMANN, Viviane; GURGEL, Maria Salete C.; MORAIS, Sirlei S. Qualidade de Vida em Mulheres Após Tratamento da Incontinência Urinária de Esforço com Fisioterapia. Rev Bras Ginecol Obstet. 2007; 29(3):134-40.
  • STEPHENSON, Rebecca G.; O’CONNOR, Linda J. Fisioterapia Aplicada à Ginecologia e Obstetrícia. 2ª ed. Manole, 2004.
Como realizar tratamento do ombro com Pilates?

Como realizar tratamento do ombro com Pilates?

Quer saber como realizar um tratamento de ombro, utilizando o Método Pilates? Preparei esse texto especial para você entender como funciona!

Biomecânica e anatomia do ombro

O ombro é, na verdade, um conjunto de articulações que cria uma estrutura com mobilidade e liberdade de movimento extrema. Suas estruturas estão intimamente ligadas ao funcionamento da caixa torácica e, portanto, da coluna torácica.

O membro superior é formado principalmente pelas seguintes articulações:

  • Glenoumeral: consiste na ligação da “cabeça” do úmero a cavidade glenoide.
  • Acromioclavicular: une a clavícula ao acrômio escapular, a esternoclavicular, ligando a clavícula ao esterno.
  • Escapulo costais: ligações da escápula com as costelas.
  • Articulação úmero ulnar.
  • Articulação úmero radia.
  • Articulação rádio ulnar proximal.
  • Rádio ulnar distal.
  • Articulação rádio cárpica;
  • Articulações cárpicas;
  • Articulações carpometacárpicas;
  • Articulações metacarpofalângicas;
  • Articulações interfalângicas.

Aqui estamos separando não somente as articulações do ombro, mas também do cotovelo, mãos e punhos. Podemos considerar toda essa estrutura como parte da unidade funcional membro superior.

“Ajuntá-las” dessa forma ajuda a compreender como todo desequilíbrio em uma das partes pode gerar dor e desequilíbrio em outra, mesmo que ela esteja aparentemente distante.

Articulação esternoclavicular

Quanto às articulações do ombro propriamente ditas, comecemos analisando a esternoclavicular. Ela é uma articulação o tipo sinovial selar. Para que o movimento ocorra nessa região, é preciso que aconteça o deslizamento de superfícies ósseas. Portanto, existe o líquido sinovial para facilitar o processo.

Todas as articulações sinoviais possuem três características básicas, que são:

  • Cartilagem articular;
  • Cápsula articular;
  • Cavidade articular.

Essa articulação é responsável por ligar a face medial da clavícula à face lateral do esterno. Ela é o único ponto de união entre o membro superior e o tronco e é responsável pela elevação e depressão do tronco.

Cartilagem articular

Ao estudar o complexo do ombro percebemos a prevalência de articulações sinoviais. Nada mais natural, portanto, que estudar suas características. A cápsula articular encontrada na maioria das articulações do ombro é do tipo hialina. Ela é responsável por recobrir as superfícies articulares em contato e facilitar seu deslizamento. Por não ser vascularizada ela é de difícil regeneração quando ocorrem lesões.

Cápsula articular

A cápsula articular possui uma membrana conjuntiva que envolve a articulação sinovial de maneira similar a um manguito. Ela possui duas camadas:

  • Membrana fibrosa;
  • Membrana sinovial.

Cavidade articular

É o espaço que existe entre as superfícies articulares. Quando o ombro está em seu estado fisiológico, todas as cavidades articulares são banhadas por líquido sinovial.

Articulação acromioclavicular

Essa é uma articulação sinovial plana. Sua principal característica é ser uma articulação uniaxial que permite deslizamentos entre a face articular acromial da clavícula e a borda medial do acrômio. Seus movimentos são bastante limitados, sendo somente o deslizamento da clavícula na escápula.

Articulação escapulo umeral

A escapulo umeral é uma articulação sinovial esferoide. Ela é multiaxial e possui uma cabeça globosa rasa. A cavidade é em forma de cálice e realiza a união entre a cabeça do úmero e a cavidade glenoide da escápulas.

A cavidade é rasa exatamente para permitir a ampla movimentação pela qual essa articulação é caracterizada. A escapulo umeral é responsável pelos seguintes movimentos:

  • Rotação;
  • Flexão;
  • Extensão;
  • Adução;
  • Abdução;
  • Circundução.

Estabilização articular

Como acabamos de ver, a escapulo umeral é extremamente móvel. Quando não existe estabilização adequada, ela sofre lesões, patologias e dor. Para realizar o tratamento de dor no ombro, é essencial limitar a amplitude desses movimentos através da estabilização.

Os ligamentos no ombro têm importante função estabilizadora e limitam a amplitude de movimento das suas articulações. O lábio glenoidal realiza um reforço, sendo formado por um rebordo de fibrocartilagem ao redor da cavidade glenoidal. Assim, o ombro consegue maior estabilidade em seus movimentos.

Também temos a bursa, um saco contínuo à cápsula articular preenchido por líquido sinovial. Ela tem a importante função de diminuir o impacto entre os ossos da glenoide, úmero e cavidade glenoidal da escápula.

Por último, temos as estruturas estabilizadoras dinâmicas do ombro: os músculos. Eles geram o movimento e também são responsável pela estabilização das articulações, em especial da escapuloumeral.

Por que entender todo o funcionamento do ombro?

Os exercícios de Pilates são, inegavelmente, uma excelente maneira de realizar o tratamento do ombro. Além disso, conforme avançamos com o método encontramos movimentos que trabalham mais e mais essas articulações de maneira completa.

Portanto, quem não compreende o funcionamento do complexo do ombro é incapaz de tratá-lo ou de proporcionar um tratamento do ombro adequado.

O Pilates nos ajuda a trabalhar os movimentos do ombro e recuperar seu funcionamento fisiológico. Para isso, utilizamos principalmente exercícios em cadeia cinética fechada, sendo alguns deles unilaterais.

Os exercícios escolhidos proporcionam melhor mobilidade e estabilidade do complexo do ombro. Também conseguimos trabalhar a coluna e caixa torácica que, quando rígidas, impedem os movimentos adequados desse complexo.

Exercícios de Pilates mais recomendados

Durante o tratamento do ombro conseguimos utilizar diversos exercícios de Pilates. Eles podem ser realizados na Chair, Reformer, Cadillac e até no Mat. Lembrando que não existem receitas prontas, os exercícios devem ser aplicados de acordo com a patologia e necessidades específicas do paciente.

Alguns dos exercícios que podem ser aplicados incluem:

  • Reformer: footwork, arms supine series, hundred e variações, single arm coordination, hip work series, remadas, chest expansion;
  • Cadillac: pelvic curl, standing arm-work series, agachamentos assistidos;
  • Chair: pelvic curl, triceps press sit, swan;
  • Mat: pelvic curl, hundred, single leg stretch, pontes.

O que fiz acima foi um rápido resumo de exercícios que podemos usar em casos para tratamento do ombro. Eles não são uma regra, em alguns pacientes você precisará de exercícios completamente diferentes. Precisamos entender que existem diversas patologias de variadas complexidades que atingem esse complexo.

Conclusão

Perceba que o Pilates é um método bastante completo que oferece exercícios para tratamento do ombro em todos seus equipamentos. Pacientes com patologias que atingem suas articulações conseguem melhora significativa para dor e funcionalidade, conseguindo recuperar também sua amplitude de movimento.

Quem deseja fornecer um melhor tratamento de ombro usando o método precisa de um excelente conhecimento do próprio Pilates. É através dele que conseguimos saber quais exercícios são melhores aplicados, podendo melhorar ainda mais os resultados.

Por isso, recomendo meu curso de biomecânica do Pilates. Nele você aprende cada detalhe desse maravilhoso método e maneiras de utilizá-lo para reabilitação e preparo físico.

 

Bibliografia
3 dicas para trabalhar a fáscia na reabilitação

3 dicas para trabalhar a fáscia na reabilitação

Sabemos que a fáscia é uma parte do tecido conjuntivo que realiza a conexão entre diversas partes do corpo. É ela a responsável por transferir tensões musculares e desequilíbrios através das cadeias musculares e, portanto, está bastante relacionada com nossos pacientes em reabilitação. Trabalhar a fáscia na reabilitação nem sempre é tão intuitivo quanto parece. Por isso, selecionei 3 dicas essenciais que te ajudarão nesse trabalho. Continue lendo para conferir todas.

Alongamento lento e dinâmico

Como você alonga seu aluno? A maioria dos alunos só conhece um tipo de alongamento: o estático. Ele é realizado mantendo uma posição que leva ao estiramento do músculo por certo período de tempo. Minha sugestão para trabalhar a fáscia de maneira mais eficiente é adotar o alongamento dinâmico, que é mais fluido.

Um alongamento eficiente para trabalhar a fáscia na reabilitação é rápido, mas com movimentos fluidos. Porém, devemos lembrar que os tecidos miofasciais podem ser danificados quando passam por movimentos bruscos ou repentinos. Por isso, o aquecimento é essencial nas suas aulas.

Os alongamentos dinâmicos lentos devem ser utilizados para as cadeias miofasciais longas. Nada de alongar grupos isolados. Nós queremos é envolver as cadeias miofasciais mais longas sempre que possível nos movimentos.

Não conseguimos esse tipo de alongamento através dos métodos passivos, como acontece em um alongamento clássico, a Hatha Yoga Pose ou mesmo em um alongamento convencional. Para utilizar a fáscia na reabilitação ou treinamento esportivo é preciso utilizar movimentos multidirecionais com mudanças de ângulo pequenas.

É possível usar variações de movimento lateral, diagonal e até variações como rotações em espiral. Através desse tipo de alongamento é possível envolver grandes áreas da rede fascial simultaneamente.

O estímulo de tecidos tendinosos e aponeuróticos pode acontecer através de uma mistura de movimentos de estiramento e dinâmicos. Eles são semelhantes aos movimentos extensivos que ginastas rítmicos utilizam.

O alongamento dinâmico e rápido pode ser combinado com um contra-movimento preparatório, conforme descrito anteriormente. Por exemplo, ao esticar os flexores do quadril, um breve movimento para trás pode ser introduzido antes de alongar e alongar dinamicamente para a frente.

Refinamento proprioceptivo

No treinamento da fáscia na reabilitação é importante destacar a importância da propriocepção fascial. O próprio aluno deve compreendê-la e, para explicá-la, precisamos utilizar explicações racionais e componentes afetivos límbicos.

Um exemplo é o caso de Ian Waterman, que é bastante mencionado na literatura científica. Aos 19 anos eles contraiu uma infecção viral, fazendo com que desenvolvesse uma “neuropatia sensorial” abaixo da região do pescoço.

Essa é uma patologia rara na qual os nervos periféricos sensoriais são destruídos, mantendo os nervos motores completamente intactos. Os nervos periféricos sensoriais são responsáveis por fornecer o córtex somatomotor com informações sobre os movimentos do corpo.

Por causa de sua condição, o sr. Waterman conseguia se mover, mas era incapaz de sentir seus movimentos. Depois de algum tempo ele ficou virtualmente sem vida. Somente com uma vontade de ferro e anos de prática, ele finalmente conseguiu compensar essas sensações físicas normais, uma capacidade comumente aceita.

Refinamento e sua relação com Alongamentos

Ele o fez com um controle consciente que depende principalmente do feedback visual. Ele é atualmente a única pessoa conhecida com essa aflição, que é capaz de ficar de pé sem ajuda, além de poder caminhar (Cole, 1995).

Mas a forma como o sr. Waterman se move não é completamente inusitada. Encontramos mecanismos compensatórios similares em pacientes com dor crônica nas costas. Se estiver fazendo um programa de alongamento “clássico” com alongamentos estáticos ou ativos, ele pareceria normal.

Quanto ao alongamento dinâmico que faz parte do nosso treinamento fascial, ele claramente não é capaz, pois ele não tem a propriocepção necessária para uma boa coordenação.

Congruentemente, no treinamento de fascia proposto, um refinamento perceptivo dos movimentos de cisalhamento, deslizamento e tensão em membranas fasciais superficiais é encorajado. Para evitar um amortecimento tão sensorial, a idéia de experiências variadas e criativas torna-se importante.

Além dos alongamentos dinâmicos lentos e rápidos observados acima, além de utilizar propriedades de retrocesso elásticas, recomenda-se a inclusão de elementos de “refinamento fascial”. Neles são experimentadas diferentes qualidades de movimento, por exemplo, moção de demora extrema e micro-movimentos que podem até não ser visíveis para um observador, bem como grandes macromovimentos envolvendo todo o corpo.

Para este fim, pode não ser incomum colocar o corpo em posições desconhecidas enquanto trabalha com a consciência da gravidade, ou possivelmente através da exploração do peso de um parceiro de treinamento.

Trabalho com foam roller para fáscia na reabilitação

Já conhece os rolos de espuma especiais, como o foam roller, ou materiais similares para usar nas suas aulas? Tais materiais são úteis para induzir desidratação temporária do tecido esponjoso localizado. Como resultado, você consegue estimular hidratação renovada.

Não posso indicar uma receita padrão para aplicar com todos seus alunos. É necessário monitorar individualmente a firmeza do rolo e a aplicação do peso corporal.

Se aplicado corretamente e incluindo mudanças direcionais muito lentas e finamente sintonizadas, as forças do tecido e os benefícios potenciais podem ser semelhantes aos dos tratamentos de liberação miofascial manual (Chaudhry et al., 2008).

É possível que exista tecido fascial inibido ou dessensibilizado em locais mais escondidos do corpo. Esse tipo de estimulação para fáscia na reabilitação é ótima para estimular e os proprioceptores fasciais dessas regiões.

Outro fator importante que deve ser considerado no treinamento é a duração das fases de carregamento e liberação individuais. Atualmente, recomenda-se incluir no treinamento de corrida uma redução do ritmo através de intervalos curtos de caminhada.

Treinamento seguro

Existem motivos simples para essa recomendação. Sob tensão, o fluido é pressionado para fora dos tecidos fasciais. Assim, estes começam a funcionar de forma menor otimizada e perdem sua resistência elástica aos poucos.

Para manter o treinamento seguro é possível utilizar pequenas pausas de caminhada com uma duração aproximada de 3 minutos. Dessa maneira o tecido consegue reidratar-se parcialmente. Dependendo do nível de experiência do corredor, as quebras de reidratação podem ser mais espaçadas.

Os mais iniciantes podem realizá-las a cada 10 minutos, já os mais avançados com melhor consciência corporal conseguem ajustar os intervalos.

Para saber quando é o momento ideal de fazer a pausa, o corredor deve ficar atento ao movimento. Quando ele percebe um movimento mais amortecido e menos elástico é provável que está na hora de descansar.

Após o período de caminhada é possível perceber uma recuperação do movimento, indicando que o período de descanso foi adequado.

Conclusão

Trabalhar com a fáscia na reabilitação te dá diversas vantagens. A primeira é uma melhora nos resultados obtidos com o aluno ou paciente. Muitas vezes a liberação de tensões fasciais e o uso de alongamentos apropriados também auxilia a melhorar os movimentos e aliviar parcialmente a dor. Também conseguimos livrar alguns dos esquemas adaptativos adotados pelo corpo por causa do problema musculoesquelético.