Como realizar reabilitação após artrodese lombar?

Como realizar reabilitação após artrodese lombar?

A artrodese lombar é um procedimento cirúrgico realizado na fusão óssea de certos segmentos da coluna lombar. Ele pode ser realizado com acesso anterior ou posterior à coluna e a indicação do método cirúrgico depende muito do caso e da patologia.

Após a cirurgia o paciente adquire hipomobilidade ou imobilidade do segmento da coluna operado. O procedimento está tornando-se cada vez mais popular a cada ano que passa. Um revisão da literatura indicou que no período entre 2012 e 2013 foram 6.547 cirurgias realizadas só no Reino Unido.

No Brasil a mesma tendência é percebida. Por isso, profissionais do movimento precisam compreender as compensações geradas pelo procedimento para auxiliar nossos pacientes.

Quando a artrodese lombar é indicada?

A artrodese lombar é indicada principalmente para casos de:

  • Degeneração discal sintomática;
  • Instabilidade segmentar;
  • Espondilolistese;
  • Estenose do canal lombar;
  • Hérnia de disco.

Ela é conhecida como um método minimamente invasivo para consertar patologias da coluna. Por diminuir a mobilidade da coluna, o procedimento é indicada para casos de instabilidade da lombar.

O procedimento envolve a utilização de um enxerto ósseo para realizar a fusão, podendo também envolver o uso de parafusos, barras, pinos e outras ferramentas.

Consequências da artrodese lombar

Apesar da sua popularidade, a cirurgia de artrodese lombar nem sempre possui resultados tão positivos. Cerca de 20% dos operados não apresentam melhora nos sintomas e outros 40% estão insatisfeitos 2 anos após a operação.

Esses pacientes sofrem com o retorno dos sintomas e limitação funcional para as atividades da vida diária. O mesmo problema acontece para cirurgia de estenose do canal lombar.

Possivelmente, a falta de resultados da artrodese lombar é consequência de má reabilitação. Pacientes que passam pelo procedimento precisam recuperar seus movimentos e fortalecer a coluna operada. Portanto, a reabilitação com o profissional do movimento é essencial.

Importância da reabilitação após a operação

Após o procedimento o paciente perde parte de sua mobilidade lombar, mesmo que seja uma perda mínima. Além disso, muitos indivíduos operados ainda passam longos períodos em imobilidade para conseguir alívio da dor e incômodo pós-cirúrgico.

Portanto, ao lidarmos com pacientes que passaram pela operação estamos diante de uma coluna enfraquecida e que perdeu parte de sua mobilidade. Como sabemos, a coluna vertebral precisa de um delicado equilíbrio entre mobilidade e estabilidade para ter seu funcionamento normal.

Assim, nosso paciente deve passar por um processo de reabilitação que permita retorno à atividades diárias. O movimento parece ser uma das melhores soluções, contanto que seja aplicado de forma adequada e no momento correto para o indivíduo operado.

Proposta de reabilitação após artrodese

Sabendo que a reabilitação de pacientes que passaram por artrodese lombar trago para vocês uma proposta de reabilitação para pacientes com artrodese. A proposta foi feita para pacientes que realizariam cirurgia no complex Spine Team do Neurosurgical Department of the National Hospital for Neurology and Neurosurgery.

A proposta foi desenvolvida pelo departamento de fisioterapia da University College London Hospital. A intenção era otimizar a recuperação propondo um tratamento individualizado e progressivo.

Portanto, o paciente conseguiria seguir os princípios da terapia cognitiva comportamental (TCC) para melhorar os sintomas de dor e falta de mobilidade do segmento da coluna lombar.

De acordo com a proposta, os grupos de pacientes (grupo controle e experimental) permaneceriam no hospital por aproximadamente 5 dias para cuidados ambulatoriais.

Ambos também seriam encorajados a aumentar gradativamente seus níveis de atividade, mais especificamente uma caminhada regular diária.

Durante os três primeiros meses, todos os pacientes deveriam seguir o protocolo padrão de reabilitação. Depois desse período, um grupo de indivíduos seria acompanhado com a proposta de reabilitação.

Educação do paciente

O primeiro passo nessa proposta de reabilitação com movimento é a educação. O paciente deveria passar por 5 sessões de aconselhamento com palestras de no máximo 20 minutos.

O objetivo desses momentos era criar oportunidade para o paciente entender a importância de aumentar os níveis de atividade física e como controlar a dor.

Durante as palestras, o paciente ouviria sobre benefícios dos exercícios, atividade gradual e o mecanismo de dor. Além disso, ele também seria educado a respeito das mudanças de crença e atitudes para facilitar a reabilitação.

Após uma breve exposição do tópico, os participantes seriam estimulados a discutir sobre sua situação. Cada sessão seria iniciada com um pequeno resumo da anterior.

Atividade física

Cada paciente no grupo experimental também passaria por um tratamento com atividade física. O programa de reabilitação é constituído de sessões individuais realizadas por fisioterapeutas especialmente treinados para lidar com o protocolo proposto.

Da primeira à terceira semana o paciente passa por uma fase de familiarização. Nesse momento, ele deve familiarizar-se com o ambiente onde as atividades, o profissional, os exercícios e compartilhar suas experiências.

O exercício passa por evolução semanal de carga que deve ser individualmente ajustada de acordo com cada caso. Inicialmente, os exercícios precisam ser simples e de fácil execução para que o paciente possa realizá-los em casa.

Das quarta à décima semana os exercícios progridem gradualmente para conseguirem fortalecer membros inferiores e coluna.

Além disso, os exercícios ajudam a melhorar a amplitude de movimento e incluem exercícios cardiovasculares. O profissional responsável também recomenda exercícios domiciliares de acordo com cada paciente.

Reabilitação convencional

A reabilitação do outro grupo deveria ser mais convencional. Durante os três primeiros meses, ambos os grupos receberiam instruções para realizar uma caminhada diária e aumentar os níveis de atividade gradualmente.

Para controle de dor, esses pacientes receberiam sua auxílio da equipe médica com analgesia e gerenciamento da dor.

Conclusão

O que apresentei nesse artigo foi uma proposta de reabilitação ainda não testada. Como sempre falo, devemos ter sempre uma visão individualizada de cada paciente. Mesmo que todos tenham realizado uma artrodese lombar, eles não desenvolvem os mesmos desequilíbrios.

Evite seguir protocolos idênticos para todos os pacientes. A reabilitação é sempre um processo individualizado que exige uma excelente avaliação para determinar os melhores exercícios.

Quanto ao momento para realizar a reabilitação após artrodese, parte da literatura sugere que o início da fisioterapia deve acontecer 12 semanas depois do procedimento.

No entanto, ainda não existem respostas conclusivas. O melhor é sempre avaliar o paciente com cuidado e respeitar seus limites durante os exercícios.

 

 

Bibliografia
Utilização do Plasma Rico em Plaquetas (PRP) para tratar Túnel do Carpo

Utilização do Plasma Rico em Plaquetas (PRP) para tratar Túnel do Carpo

A compressão do nervo mediano é responsável pelo surgimento de diversas patologias do membro superior, como a síndrome do túnel do carpo (SNC). A síndrome é a neuropatia de maior incidência no membro inferior e ocorre quando existe lesão ou compressão do nervo a nível do punho.

Os sintomas são variados e podem incluir impossibilidade de opor e abduzir o polegar, dor e alterações de sensibilidade. A síndrome é bastante comum, mas seu diagnóstico e tratamento não são tão simples. Os sintomas, por exemplo, são extremamente similares a outras patologias relacionadas ao nervo mediano.

As manifestações iniciais são:

  • Dor;
  • Queimação;
  • Formigamento;
  • Dormência na mão.

Os sintomas geralmente evoluem lentamente e acometem as áreas inervadas pelo nervo mediano. Nos casos clássicos, os sintomas da compressão do nervo acentuam-se no período noturno. Em algumas vezes são tão intensos que despertam o paciente.

Alguns autores consideram que esse é um dos sinais sugestivos para o diagnóstico da doença. Alguns movimentos repetitivos também podem exacerbar os sintomas, como:

  • Costurar;
  • Tricotar;
  • Escrever;
  • Digitar.

Conforme a síndrome do túnel do carpo progride a sensibilidade na distribuição do nervo mediano e diminuição de força do punho. Nesses casos, podem utilizar o exame de sensibilidade para identificar hipoestesia nos três primeiros dedos da mão. No entanto, raramente identificamos hiperestesia por causa da síndrome.

É comum que a disfunção motora causadora da síndrome esteja relacionada aos músculos oponentes e abdutores curtos dos polegares. Quando a doença tem evolução longa, ela é associada a compressão severa do nervo. Nesses casos, pode acontecer a atrofia da eminência tênar, geralmente relacionada à atrofia do músculo abdutor curto do polegar.

Que tal saber mais sobre a utilização do Plasma Rico em Plaquetas no tratamento túnel do carpo? Continue lendo!

Tratamentos possíveis para a síndrome

A síndrome do túnel do carpo pode ser tratada de diversas maneiras, variando de acordo com a causa e o caso individual do paciente. As técnicas de mobilização do sistema nervoso (MSN), são muito utilizadas para melhorar o movimento e a elasticidade perdida do sistema nervoso. O método é usado para auxiliar o paciente a recuperar suas funções normais.

A técnica segue o princípio de que a existência do comprometimento do sistema nervoso leva à disfunções próprias do mesmo ou de estruturas musculoesqueléticas que são inervadas pelos nervos comprometidos. Por isso, síndromes que causam compressão ou tensão neural acontecem.

Na tentativa de tratar e restabelecer a biomecânica ou fisiologia adequada do nervo seria preciso usar a técnica com movimento ou tensão. Assim, o profissional conseguiria recuperar a extensibilidade e função do SN e estruturas comprometidas.

No entanto, o nervo está sofrendo por ser comprimido, algo que pode surgir por causa das próprias fáscias ou tensões musculares. Então, a mobilização do sistema nervoso pode ser um bom método, inclusive para diagnóstico. No entanto, devemos utilizá-las com cuidado para conseguir cumprir sua função de reduzir a tensão neural e contribuir para resolver o quadro de dor e sintomas.

Imobilização do membro afetado

A imobilização é indicada como tratamento de acordo com o grau de comprometimento funcional causado pela compressão. Ela pode ser classificada como leve, moderada e grave.

Em casos mais leves é indicado utilizar uma órtese para imobilizar o segmento afetado, mantendo o punho em extensão. Muitos ortopedistas também recomendam o uso de anti-inflamatório associado ao uso da órtese.

A imobilização deve ser mantida por tempo o suficiente para aliviar os sintomas e proporcionar o retorno do paciente às atividades do dia a dia. Durante o retorno, é importante ter o acompanhamento de um fisioterapeuta. Precisamos identificar as tensões e desequilíbrios que causaram a compressão do nervo mediano para ter um tratamento realmente eficaz.

O período de imobilização costuma ser ao redor de 1 mês. Em casos nos quais a imobilização não é eficiente para aliviar a dor é possível utilizar anti-inflamatórios e analgésicos.

No entanto, o uso de medicamentos deve ser feito somente com indicação médica e pelo período indicado. Alguns pacientes tendem a se automedicar, mas devemos aconselhá-los a não fazer isso, já que o hábito pode até atrapalhar o tratamento.

O que é Plasma Rico em Plaquetas (PRP)?

O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é um método de tratamento que vem sendo usado para diversas condições de saúde. Ele é um produto biológico antólogo de plaquetas concentradas.

Sua constituição é de produtos de degradação que incluem múltiplos fatores de crescimento. Essas substâncias são conhecidas por serem eficazes no combate à inflamação e por auxiliar na cicatrização de feridas.

Alguns estudos sugerem que o PRP seria um método eficaz de tratamento para problemas, como a síndrome do túnel do carpo. Um dos motivos seria seus efeitos positivos na regeneração de axônios e recuperação neurológica. No entanto, não podemos indicar um tratamento para nossos pacientes sem antes comprová-lo.

Eficiência do tratamento com PRP

Para ajudá-los a identificar quais tratamentos devem ou não ser indicados para nossos pacientes com a síndrome, trouxe aqui a análise de um estudo feito com 41 mulheres. Todas foram diagnosticadas com os sintomas da STC. Elas também apresentaram perda sensorial e dormência na área da mão inervada pelo nervo mediano durante o exame físico.

As pacientes foram divididas em 2 grupos, o primeiro (grupo 1) receberam aplicação de PRP e a imobilização com órtese. O segundo (grupo 2), era o grupo de controle que recebeu somente a imobilização. As mulheres em ambos os grupos receberam uma órtese de punho pré-fabricada na extensão de 5 graus de punho e foram instruídos a utilizá-la da mesma maneira.

O grupo 1 também recebeu a aplicação de uma injeção local de leukocyte-poor Plasma Rico em Plaquetas com concentração de 1ml de PRP. Após a aplicação de PRP os pacientes foram questionados sobre a intensidade da dor em uma escala de 0 a 10. Também foram observados por 30 minutos antes da alta.

Os pacientes também foram educados a respeito das restrições de atividade, efeitos colaterais e o método de congelamento no local da injeção.

As variáveis medidas foram avaliadas para os dois grupos depois de 10 semanas de tratamento.

Efeitos colaterais durante o tratamento

Somente 6 pacientes que receberam a injeção de Plasma Rico em Plaquetas apresentaram efeitos colaterais. 4 delas relataram plurido, 1 sentiu dor nos dedos e 1 sentiu sensação de queimação.

Resultados do tratamento

Após o fim do tratamento de 10 semanas, os resultados obtidos nos dois grupos foram bastante similares. Portanto, a aplicação da técnica não proporcionou resultados clínicos significativos levando à sua indicação.

Os autores do estudo mencionado (que vou deixa na bibliografia desse artigo), afirmaram que os resultados ainda não são conclusivos. Outros estudos encontraram resultados mais positivos, mas com doses diferentes de Plasma Rico em Plaquetas e com avaliação por mais tempo.

Assim, ainda é possível que o Plasma Rico em Plaquetas apresente bons resultados, mas a ciência ainda deve comprová-los.

Conclusão

Antes de iniciar qualquer tratamento precisamos avaliar cuidadosamente o caso. A avaliação do paciente nos ajuda a determinar as causas da compressão nervosa e qual seria o melhor método aplicado.

É importante estarmos sempre atentos à novidades na nossa área e pesquisar cuidadosamente as pesquisas científicas a seu respeito, por isso escrevi sobre Plasma Rico em Plaqueta.

 

 

Bibliografia
Prevenção de Quedas em Idosos: Como a fisioterapia pode ajudar

Prevenção de Quedas em Idosos: Como a fisioterapia pode ajudar

De acordo com os dados da ONU (Organização das Nações Unidas), a terceira idade é a fase da vida iniciando entre 60 e 65 anos. Para a Constituição Federal Brasileira, essa época começa aos 65 anos, já o Código Penal Brasileiro considera 70 anos como marco inicial.

A Política Nacional do Idoso adota 60 anos. No entanto, para a geriatria, que considera o ponto de vista biológico, a terceira idade realmente começa aos 50 anos.

Mas não confunda terceira idade com envelhecimento! O próprio Joseph Pilates mostra que, mesmo na terceira idade, ninguém precisa ser “velho”, como disse na seguinte frase:

“Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem.”

Realmente, é possível chegar aos 60 anos de idade sem sofrer tanto com os efeitos de envelhecimento. Por isso, muitas pessoas mais velhas buscam o Pilates e a fisioterapia como alternativas para envelhecer com saúde sem perder seu condicionamento físico ou independência.

Como acontece o envelhecimento

Envelhecer é inevitável. Esse é um processo fisiológico, inerente e involuntário que causa:

  • Perda da estrutura e função do organismo;
  • Perda de massa muscular;
  • Perda de força muscular (sarcopenia);
  • Diminuição de massa óssea (osteoporose);
  • Queda na produção hormonal;
  • Lentidão no tempo de reação muscular frente aos desequilíbrios posturais;
  • Aumento do risco de queda.

Preste atenção nesse último item: aumento no risco de queda. As quedas são uma das principais causas de morte de idosos no Brasil. Por isso é bom pensar na prevenção de quedas em idosos. Considerando que essa população têm maior risco a queda, é essencial conseguirmos realizar uma boa prevenção.

Para conseguir entender melhor por que prevenir idosos estão mais sujeitos a esses acontecimentos, precisamos primeiro discutir a sarcopenia.

Sarcopenia

A sarcopenia faz parte do processo de envelhecimento biológico e caracteriza-se pela diminuição dos tecidos conjuntivos. Como resultado, o idoso sofre um desequilíbrio no processo de formação e reposição muscular. Mesmo que seu corpo continue produzindo massa muscular, sua qualidade diminui.

Esse processo aumenta bastante a partir dos 40 anos e é um resultado multifatorial. Entre os fatores que podem influenciar no seu desenvolvimento mais ou menos rápido encontramos:

  • Deficiência hormonais;
  • Falta de atividade física;
  • Deficiência alimentar.

Quando associada a doenças da Tireoide ou doenças do metabolismo em geral a sarcopenia é exacerbada.

Em geral, a perda muscular acontece progressivamente, entre 1 a 2% ao ano. Dessa forma, ao atingir os 80 anos, um idoso tem cerca de 50% do total da massa muscular que tinha quando jovem. A perda de massa muscular, força e função acontece de forma progressiva.

Recentemente, outro fator surgiu para influenciar nesse processo: a determinação genética. Existem 2 fenótipos de risco que são os mais estudados e reconhecidos para a sarcopenia. A herdabilidade esses fenótipos pode variar de 30% a 85% para força muscular e de 45% a 90% para massa muscular.

Mas nem tudo está perdido, mesmo para pessoas com histórico familiar de maior risco. Desenvolver massa muscular no início da idade adulta ajuda a diminuir muito o risco de desenvolver sarcopenia e ter um envelhecimento mais saudável.

Como acontecem as quedas?

As quedas são consideradas como uma síndrome geriátrica que pode ser causada por fatores extrínsecos e intrínsecos. Os extrínsecos estão relacionados ao ambiente e situações que podem provocar a queda e muitas vezes podem ser evitados pelo indivíduo ou pela família. Entre eles encontramos:

  • Ambiente;
  • Tapetes;
  • Escadas;
  • Pouca iluminação;
  • Irregularidades no pavimento;
  • Piso escorregadio ou molhado;
  • Obstáculos.

Já os fatores intrínsecos são aqueles relacionados às mudanças causadas pela idade e que estão fora do controle do idoso. Entre eles podemos citar:

  • Mudanças de força muscular;
  • Problemas na marcha e equilíbrio;
  • Diminuição da flexibilidade;
  • Déficits cognitivos;
  • Déficits vestibulares;
  • Déficits visuais;
  • Depressão.

As alterações, como a sarcopenia, fazem com que o idoso perca boa parte da sua força muscular e capacidade de equilíbrio e estabilização postural. Como resultado, situações que não seriam problema para uma pessoa mais jovem tornam-se um verdadeiro desafio para a pessoa na terceira idade.

Um tapete na sala, por exemplo, pode provocar um pequeno tropeção. O idoso, sem o mesmo tempo de reação e incapaz de equilibrar-se, não consegue encontrar apoio e cai. O mesmo acontece em muitas outras situações, como subindo escadas e andando em lugares com obstáculos no chão.

Consequências da queda

Em algumas situações, a queda causa danos graves, fraturas ou lesões que diminuem consideravelmente a mobilidade do idoso. Mesmo depois que esses problemas são curados, algo que demora a acontecer, a pessoa ainda pode manter o trauma da queda, que a impede de andar livremente. Assim, o idoso que sofreu queda perde parte da independência, deixa de socializar e perde muita qualidade de vida.

Portanto, a prevenção de quedas nessa população pode reduzir a mortalidade e ainda melhorar a qualidade do envelhecimento. Mas para conseguir isso precisamos de atividades adequadas. Entre elas, a fisioterapia se destaca.

A fisioterapia pode ajudar na prevenção de quedas?

Uma revisão bibliográfica avaliou a possibilidade de usar fisioterapia na prevenção de quedas em idosos. Os estudos avaliados totalizaram 645 participantes e mostraram resultados favoráveis para os métodos fisioterapêuticos.

De acordo com a revisão bibliográfica, os protocolos fisioterapêuticos utilizados foram eficientes na prevenção de quedas. Eles ainda conseguiram ajudar na melhora do equilíbrio, recuperação de movimentos fisiológicos e da independência do indivíduo.

Para conseguir a prevenção adequada, o fisioterapeuta precisa controlar fatores intrínsecos e extrínsecos. Quanto aos intrínsecos, devemos utilizar exercícios de fortalecimento de membros inferiores, treino de marcha e equilíbrio, assim como movimentos funcionais. Eles são capazes de melhorar os movimentos e até ajudar o idoso a superar seu medo de cair e melhorar a independência.

Além dos exercícios, é essencial realizar uma investigação a respeito dos fatores intrínsecos. É importante educar o idoso e sua família para melhorar seu ambiente e evitar situações de perigo, especialmente em casos de que já sofreram quedas e têm mobilidade limitada.

Conclusão

A população idosa do país está aumentando, mas isso não significa que sua qualidade de vida ficou melhor. Por isso, precisamos trabalhar para conseguir fornecer melhor qualidade de vida para esses indivíduos e independência. A fisioterapia é uma excelente ferramenta para isso e pode ser auxiliada em muitas ocasiões pelo Pilates.

Exercícios de fortalecimento e melhora de equilíbrio são o foco durante o tratamento de um paciente idoso. Ele precisa também recuperar mobilidade e flexibilidade para conseguir realizar os movimentos adequadamente. Quanto mais móvel for seu corpo, menor será a chance de sofrer uma queda e melhor sua habilidade para estabilizar-se.

Aconselho trabalhar de forma paciente e cuidadosa com idosos. Tudo isso para que a prevenção de quedas em idosos seja efetiva. Eles podem já ter traumas anteriores que os impedem de realizar muitos movimentos, em especial nos equipamentos ou acessórios. Apoiar-se na Fitball, por exemplo, talvez seja um grande desafio.

Para evitar acidentes em aulas e passar mais confiança para o aluno, sempre ajude-o a subir e descer de acessórios e equipamentos. Quem trabalha com equipamentos de Pilates precisa de ainda mais atenção, já que uma queda do Cadillac, por exemplo, seria bastante danosa.

Além disso, faça uma avaliação cuidadosa do seu aluno para entender qual é o problema que realmente afeta seu equilíbrio e corrigi-lo. Muitas vezes esquecemos de fatores importantes que influenciam a marcha do aluno e aumentam as chances de queda, como a mobilidade de tornozelo.

Falando em mobilidade, deixo uma recomendação de um exercício bastante interessante abaixo. Ele pode ser realizado em qualquer ambiente, inclusive em atendimentos a domicílio e ajuda a recuperar a mobilidade de tornozelo.

Bibliografia
Dicas para trabalhar corretamente a Fáscia durante Reabilitação

Dicas para trabalhar corretamente a Fáscia durante Reabilitação

Sabemos que a fáscia é uma parte do tecido conjuntivo que realiza a conexão entre diversas partes do corpo. É ela a responsável por transferir tensões musculares e desequilíbrios através das cadeias musculares e, portanto, está bastante relacionada com nossos pacientes em reabilitação.

Trabalhar a Fáscia durante Reabilitação o nem sempre é tão intuitivo quanto parece. Por isso, selecionei 3 dicas essenciais que te ajudarão nesse trabalho. Veja abaixo!

Conclusão

Trabalhar com a Fáscia durante Reabilitação te dá diversas vantagens. A primeira é uma melhora nos resultados obtidos com o aluno ou paciente. Muitas vezes a liberação de tensões fasciais e o uso de alongamentos apropriados também auxilia a melhorar os movimentos e aliviar parcialmente a dor.

Também conseguimos livrar alguns dos esquemas adaptativos adotados pelo corpo por causa do problema musculoesquelético.

Passo a passo para usar atividade física na fibromialgia

Passo a passo para usar atividade física na fibromialgia

Assim que acontece o diagnóstico do paciente com fibromialgia ele precisa receber um tratamento multidisciplinar para aumentar a qualidade de vida. Ela não possui cura, mas um bom tratamento consegue fornecer ao paciente a possibilidade de uma vida praticamente normal.

Durante esse processo o profissional da educação física e da fisioterapia são essenciais. A atividade física na fibromialgia é parte importante do alívio da dor e do retorno a atividades cotidianas. Por isso, como profissionais do movimento, devemos compreender e aprender a aplicar o tratamento para nossos pacientes.

Perceberemos ao longo desse artigo que o Pilates é uma excelente modalidade para quem sofre de fibromialgia, especialmente se você trabalhar com a doença da forma correta.

Como acontece o tratamento

Para compreender melhor a fibromialgia, realizei uma busca com o tempo e atividade física, exercício, fisioterapia e tratamento. Encontrei 2.531 resultados e selecionei 33 que eram relevantes para essa revisão.

Entre os estudos analisados encontrei diversas atividades aplicadas no tratamento da fibromialgia, como:

Com a aplicação do programa de intervenção, 10% a 44,2% dos pacientes dos estudos apresentaram diminuição da dor. Portanto, podemos perceber a importância de aplicar a atividade física na fibromialgia.

Nos estudos, a doença teve seu impacto reduzido entre 5,3% e 17,9%. O programa de tratamento multidisciplinar realmente é essencial para os pacientes afetados por esse mal. A atividade física é essencial e deve ser aplicar da forma mais eficiente possível para conseguirmos atingir resultados satisfatórios.

Recomendações de atividade física na fibromialgia

Um dos estudos escolhidos avaliou o treinamento de força para pacientes fibromiálgicos. De acordo com seus resultados, era sugerido que pacientes com a condição realizassem treinamento de resistência moderada ou de moderada a alta para conseguir melhora em:

Esse são resultados importantes que podem ajudar o indivíduo afetado a retornar a suas atividades. O estudo também mostrou que após oito semanas de exercícios aeróbicos, as pacientes conseguiram melhores resultados que com o treinamento de resistência em intensidade moderada.

Importância da atividade física no tratamento

Como acontece com diversos tipos de patologias e lesões, o paciente com fibromialgia pode buscar a imobilidade para escapar da dor. No entanto, devemos orientá-los para que saibam os riscos aos quais estão se submetendo para conseguir um alívio a curto prazo. Eles incluem:

  • Piora da condição física;
  • Redução de força e flexibilidade muscular;
  • Menor produção de neurotransmissores;
  • Aumento da debilidade e do cansaço.

É exatamente por esse motivo que a prática de atividades físicas regulares precisa ser incluída no tratamento de pacientes fibromiálgicos. Ela ajuda a reduzir a intensidade da dor e fadiga, dois os sintomas mais incapacitantes da doença.

Ao aplicar a atividade física na fibromialgia conseguimos resultados, como:

  • Diminuição da tensão muscular;
  • Diminuição do estresse e ansiedade;
  • Maior facilidade do sono;
  • Melhor coordenação motora para atividade do dia a dia;
  • Melhor postura;
  • Controle do peso e melhora na autoestima;
  • Melhor qualidade de vida no geral.

Qual é o melhor programa de treinamento?

Pacientes com fibromialgia precisam de um programa de treinamento completamente individualizado. As atividades utilizadas variam de acordo com a condição física e psicológica do indivíduo. Também é importante levar em consideração suas habilidades e preferências por atividades físicas para evitar a desistência durante o programa.

O paciente nunca poderá deixar de praticar a atividade física na fibromialgia para manter seus benefícios. Por isso, é importante que ele escolha algo que seja capaz de realizar com prazer.

Inicialmente os exercícios devem ser feitos com nenhuma ou mínima carga. A progressão desses pacientes é lenta e em pequena quantidade, mas deve ser realizada diariamente. Crie uma sequência programada para conseguir evoluir o aluno de forma planejada.

Movimentos extenuantes devem ser evitados nesse tipo de tratamento. Avise ao seu paciente que, a curto prazo, talvez ele sinta piora na intensidade das dores. Porém esse estado é passageiro e os benefícios mais tarde são grandes. Passando os primeiros dois meses de atividade as dores regridem e seu aluno começará a perceber o bem-estar.

Como dito anteriormente, o ciclo de dor musculoesquelética gerada por imobilidade, só poderá ser quebrado se exercitando. Isso deve estar bem claro, caso contrário será um forte fator desmotivador para nosso paciente.

Passo 1: Correção postural do aluno

Começamos nosso primeiro passo como aconteceria em qualquer tratamento: com uma excelente avaliação. Precisamos descobrir as compensações mecânicas que o corpo em postura antálgica criou e eliminá-los. Para isso usamos técnicas, como terapia manual e fisioterapia clássica.

Utilize a técnica que preferir para conseguir alcançar o alinhamento corporal do paciente. Quanto menos alterações posturais ele tiver, menores as chances de desenvolver dores mecânicas com o início do treinamento.

Nessa fase as dores mecânicas já começaram a aparecer e podemos aproveitar para eliminá-las em parte e melhorar o quadro do indivíduo. Antes mesmo de terminar as correções posturais, podemos começar a introduzir também a atividade física na fibromialgia, mas de forma gradual.

Passo 2: Início da atividade física

O paciente é sempre quem deve escolher a modalidade de atividade física que deseja praticar. Ele também precisa passar por uma reeducação de hábitos para conseguir inseri-la na rotina. Se o exercício não o agradar existem grandes chances do paciente desistir da prática com o tempo.

Os exercícios podem começar com uma frequência de 3 vezes por semana. No entanto, as sessões de treinamento são especiais, precisando ser mais curtas e com poucas repetições.

Ao contrário do que ocorre em treinamentos convencionais, não queremos fadigar grupos musculares específicos. Ou seja, não devemos separar aulas específicas para certos grupos musculares. O ideal é que todas as aulas sejam globais para facilitar o movimento fisiológico.

Podemos começar a trabalhar mobilidade articular, por exemplo. É uma forma de treinamento que não fadiga os músculos e ajuda o paciente a melhorar sua movimentação.

Fases da aula inicial

Sugiro que quem está trabalhando com pacientes em fase inicial de tratamento escolha aulas com uma primeira parte de meia hora. O restante da aula pode ser usada para aliviar as dores mecânicas trazidas pelo treinamento. Lembrando que isso só é aplicável para os casos de fibromialgia.

Você pode realizar, por exemplo, meia hora de Pilates seguido de meia hora de fisioterapia. A segunda parte da aula não seria “relaxamento”, mas sim a aplicação de técnicas para o alívio da dor. Esse aluno precisa de um trabalho mais delicado e minucioso para evitarmos piorar seu quadro. Por isso considero essa divisão da aula ideal.

No início do tratamento o paciente também precisa começar as atividade aeróbicas. Vimos no estudo citado anteriormente que o aeróbico é o que mais traz benefícios para o indivíduo com fibromialgia. No entanto, na primeira fase do tratamento o paciente pode experimentar um pouco de dor causada pelo treinamento. Ele precisa ser muito bem educado para ter a disciplina de perseverar e colher os benefícios da atividade física.

O exercício aeróbico deve ser escolhido pelo paciente e ser praticado pelo menos 3 vezes por semana. Observem que nesse momento, nosso paciente terá 6 sessões semanais de treino, com somente um dia de descanso semanal.

Passo 3: Diminuindo a fisioterapia

Passada a primeira fase de treinamento e atividade física na fibromialgia nosso aluno está com um condicionamento muito melhor. Nesse momento ele já observa os resultados através de melhor em:

  • Circulação;
  • Sono;
  • Estresse;
  • Capacidade de oxigenação.

Através dessa melhora o aluno torna-se capaz de realizar mais exercícios de força e com um desempenho muito melhor. Ele também começa a retornar às atividades da vida diária.

A próxima fase do treinamento começa depois de 8 semanas de tratamento inicial. Lembra que dividimos a aula em duas partes, uma com treinamento e outra com fisioterapia para aliviar a dor? Agora precisamos realizar um tipo de “desmame” no paciente diminuindo gradualmente a fisioterapia.

Depois da oitava semana de tratamento começamos a aumentar a cada sessão o tempo dedicado a exercícios de força, flexibilidade e mobilidade. O tempo dedicado a manipulações, terapia manual e fisioterapia diminui.

Passo 4: Transição no tratamento

No fim de doze semanas conseguimos finalmente evoluir o tratamento para treinamento. Nesse momento a fisioterapia já não deve mais fazer parte das aulas e realmente temos um aluno de Pilates, funcional ou qualquer outra modalidade.

É nessa fase do tratamento que podemos começar a alterar seu programa. Sugiro o seguinte protocolo (que deve ser alterado de acordo com as especificidades do seu paciente):

  • Exercícios aeróbicos 3 vezes por semana
  • Trabalho de força 2 vezes por semana
  • Sessão fisioterápica 1 vez por semana

Conclusão

O mais importante para os profissionais que assumirão o caso é não se desmotivarem diante das recaídas de dor ou quadros de depressão do doente. Devemos quebrar esse ciclo de retroalimentação devido à falta de neurotransmissores ligados ao prazer.  Para isso, temos que estar atentos a essas recaídas e sabermos que farão parte de nosso trajeto.

 

 

Bibliografia
Resultados a longo prazo do tratamento conservador para dor subacromial

Resultados a longo prazo do tratamento conservador para dor subacromial

A dor no ombro é algo extremamente comum na prática de quem trabalha com fisioterapia e ortopedia. Entre as causas, podemos encontrar lesões e disfunções do manguito rotador (MR), um complexo estabilizador do ombro. Os problemas do manguito, por sua vez, são causados com frequência pela síndrome do impacto ou da dor subacromial.

Essa síndrome é multifatorial e pode combinar problemas de:

  • Vascularização;
  • Degeneração;
  • Trauma;
  • Anatomia do ombro.

Pacientes com o problema sofrem de inflamação, irritação e degeneração do tendão supraespinhal. Existe um importante aspecto de degeneração nos casos de dor subacromial que pode levar à ruptura do tendão e necessidade de intervenção cirúrgica.

Porém, o tratamento conservador permanece sendo a primeira opção de tratamento para os pacientes com a patologia.

Causas da síndrome da dor subacromial

Atualmente, estudos indicam que a morfologia do acrômio pode estar envolvida na causa da síndrome da dor subacromial. Um estudo associou a morfologia do acrômio e a alteração da biomecânica gerada por uma fisiopatologia causada por choques mecânicos do manguito rotador no comportamento subacromial.

Outros estudos posteriores associaram a forma do acrômio e as lesões do manguito.

Nossos pacientes podem ter diversas formas de acrômio. Bigliani et al, propuseram um sistema de classificação para acrômios após um estudo com 140 ombros de cadáveres humanos. Essa classificação é em:

  • Acrômio reto – tipo I;
  • Acrômio curvo – tipo II;
  • Acrômio enganchado – tipo III.

Quando o acrômio for mais curvo, existe maior probabilidade de diminuição do espaço subacromial e desenvolvimento da dor subacromial. Porém precisamos entender que essa classificação é bastante subjetiva. Dependendo do avaliador, a distinção entre acrômios do tipo II e III é variável.

De qualquer forma, a dor subacromial está bastante relacionada ao grau de inclinação do acrômio.Os acrômios de tipo curvo e enganchado, em especial o último, são mais relacionados com a síndrome do impacto subacromial.

Quais são as opções de tratamento mais utilizadas?

Apesar de existirem alterações anatômicas cuja única solução é cirurgia, a primeira indicação de tratamento para esses pacientes é clínico. Recomenda-se o tratamento conservador mesmo para pacientes com dor subacromial que apresentam esporão subacromial ou acrômio de tipo III. A maior parte da literatura recomenda tratamento conservador por 6 meses antes de recomendar a cirurgia.

Inicialmente, aplicamos o tratamento conservador para controlar a dor no ombro do paciente. Com o tempo podemos aplicar exercícios para recuperar a amplitude de movimento do indivíduo. Caso o paciente permaneça realizando os protocolos por meses sem resultados, a cirurgia é recomendada. Ela deve ser realizada para evitar a maior degeneração do tendão afetado.

O tratamento conservador é eficiente?

A literatura a respeito do tema ainda não atingiu um consenso a respeito do resultado de tratamento conservador e cirúrgico da dor subacromial. Alguns acreditam que o paciente deve permanecer no protocolo fisioterápico por até 9 meses antes de optar pela cirurgia, enquanto outros prescrevem cirurgia mais rapidamente para evitar degeneração do tendão.

Alguns estudos mostram que programas de exercícios têm sido bastante efetivos no tratamento da dor subacromial, podendo até reduzir o número de cirurgias. Para comprovar essa afirmação, trago os resultados de um estudo que acompanhou 91 pacientes com o problema durante 5 anos.

No estudo, os indivíduos foram diagnosticados com dor crônica subacromial sem sinais clínicos de disfunção no manguito rotador. Eles também não tinham fraqueza significativa nos rotadores internos e externos. Todos os indivíduos realizam fisioterapia na atenção primária, mas tiveram resultados insatisfatórios.

Os pacientes foram divididos em um grupo que realizou exercícios focados no ombro. O protocolo incluía exercícios excêntricos e concêntricos para estabilizadores de escápula e manguito rotador. O grupo de controle não realizou exercícios focados, mas sim gerais. Entre eles incluiu-se movimentos exercícios sem progressão para ganhar mobilidade de cervical e ombro.

Após 3 meses de tratamento cirúrgico foi realizada uma reavaliação na qual o cirurgião oferecia a possibilidade de cirurgia de descompressão. O cirurgião não era informado sobre qual paciente estava em qual grupo.

Após a reavaliação de 3 meses, os pacientes foram divididos em 4 grupos:

  • Exercícios específicos sem cirugia;
  • Exercícios específicos com cirurgia;
  • Grupo controle não operado;
  • Grupo controle operado.

Resultados do tratamento conservador vs. cirúrgico

Os pacientes foram acompanhados durante 5 anos após o início do estudo. A quantidade de pacientes que não desejavam cirurgia e estavam satisfeitos com o tratamento conservador era maior após 5 anos de acompanhamento para os pacientes no grupo de exercícios específicos.

Depois de 5 anos, 7 dos 49 indivíduos não operados tiveram que continuar com tratamento. 5 pacientes utilizaram injeção de corticosteroide subacromial e 2 receberam instruções adicionais de fisioterapia.

No grupo operado 4 dos 42 pacientes receberam tratamento adicional. 3 foram reoperados e 1 continuou na fisioterapia após o procedimento. Os pacientes reoperados obtiveram resultados semelhantes quando comparados aos que não realizaram um novo procedimento.

No grupo operado 31 pacientes relataram não observar qualquer disfunção no ombro, contra 44 no grupo não operado. Em exame de imagem 16 pacientes do grupo operado tiveram progressão de lesão no tendão afetado ou nova lesão, no grupo não operado foram 9 pacientes.

Exercícios específicos vs. exercícios generalizados

Durante o estudo, os indivíduos que utilizaram exercícios específicos para ombro tiveram menor necessidade de realizar cirurgia quando comparados aos indivíduos do grupo de exercícios não-específico.

No primeiro grupo, o protocolo de tratamento incluiu exercícios excêntricos e concêntricos para o manguito rotador e estabilizadores da escápula. Portanto, observou-se certa vantagem na aplicação de movimentos específicos para os pacientes com dor subacromial.

Conclusão

Apesar de ainda não existir consenso sobre o tratamento da dor subacromial, podemos considerar que os exercícios são uma boa solução. Quando realizados com um protocolo de movimentos específicos para o caso podemos conseguir resultados ainda mais satisfatórios.

O mais recomendado é realizar um tratamento focado na melhora da amplitude de movimento, força e endurance muscular. Assim, o paciente consegue recuperar a cinemática escapuloumeral no movimento. Também devemos observar com cuidado a dor e utilizá-la como métrica para avaliar quando evoluir o tratamento.

 

 

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