A sacroilíaca possui a localização ideal para dividir o corpo em duas partes: a superior e inferior. Por sua localização, ela também realiza transferência de cargas do tronco para o chão, do chão para o tronco e força igual e contrária devolvida pelo solo durante o apoio dos pés no chão.

Exposta a tantas forças, como a sacroilíaca permanece estável? É exatamente isso que aprenderemos ao longo desse artigo.

A estrutura da sacroilíaca

Os vetores de força que passam por essa articulação são paralelos, mas não na mesma direção e eixo. Eles descem através do peso do tronco e da cabeça, jogando-os de forma vertical até o sacro.

Através dessa atuação geramos também uma força descendente e outra ascendente que são responsáveis pelo cisalhamento da articulação sacroilíaca.

O sacro não é um elemento estável da articulação, por isso ele precisa da presença dos ligamentos sacroilíacos posteriores e anteriores. Para entendermos melhor, podemos ver o sacro como uma ponte suspensa. Os ligamentos seriam cabos de aço responsáveis por sua sustentação e estabilização que precisam ser muito fortes.

Além dos ligamentos sacroilíacos anteriores e posteriores também existem outras estruturas de estabilização do sacro, mais especificamente os ligamentos interósseos. Esse é um ligamento interno, o ligamento posterior mais profundo.

Em geral, danos causados ao ligamento interósseo não prejudica a estabilidade da sacroilíaca. Considerando o papel dos ligamentos na articulação, fica uma questão importante: como então acontece a estabilização considerando as forças na sacroilíaca?

Uma parte importante da estabilização da articulação acontece pela atividade muscular, em especial dos músculos transversais. Eles realizam uma compressão nessa articulação, auxiliando a estabilizá-la. Assim, devemos considerar o papel do transverso abdominal e do assoalho pélvico na articulação.

Como funciona a estabilização da sacroilíaca

Durante o apoio bipodal do corpo o peso é distribuído igualmente em cada perna. Assim, temos uma divisão de 50/50 para cada membro inferior. Ao realizar um apoio monopodálico, transferimos toda a carga para uma única perna.

Ou seja, temos o dobro da carga somente em uma das articulações sacroilíacas. Apesar disso, articulações em seu funcionamento fisiológico não perdem a estabilidade.

Para garantir que a estabilidade permaneça, mesmo com as mudanças de carga, acontece um ajuste postural antecipatório. É uma pré-contração muscular para realizar o aumento da pressão intra-abdominal para manter o ajuste postural.

Durante o apoio monopodal, o corpo realiza a mesma alteração postural para aumentar a pressão intra-abdominal. Essa ativação ocorre com o objetivo de diminuir o cisalhamento e melhorar a estabilização da sacroilíaca.

O aumento da pressão intra-abdominal para ativamento muscular é um tipo de círculo vicioso. Os músculos envolvidos na estabilização da sacroilíaca são ativados e ao mesmo tempo influenciam a pressão intracavitária, aumentando-a.

Esse aumento de pressão aumenta ainda mais a ativação muscular. Esse círculo vicioso é bastante importante para a estabilização.

Aumento da pressão intra abdominal

Calma, não saí completamente do assunto do artigo para falar de pressão intra-abdominal. Ela está completamente relacionada! Acontece uma relação dinâmica entre a contração muscular e o aumento da PIA.

A PIA faz com que as fibras musculares permaneçam estiradas criando um reflexo miotático nos fusos neuromusculares de estiramento, de forma a contrair ininterruptamente esses músculos que são tônicos.

Precisamos entender essa relação porque muitas vezes é a contração muscular que aumenta a pressão intracavitária. Ou seja, o aumento da PIA aumenta a contração que por sua vez aumenta a própria PIA.

Ok, entendemos que os músculos que realizam a estabilização da sacroilíaca se contraem aumentando a PIA. Essa pressão aumentada alimenta o mecanismo, criando uma contração transversal no transverso abdominal e no assoalho pélvico.

Ao comprimir-se, o assoalho pélvico previne o cisalhamento vertical da sacroilíaca, que aconteceria por causa da distribuição de forças nessa articulação. Nessa compressão do transverso e do períneo podemos incluir as seguintes musculaturas:

  • Obturador
  • Piriforme
  • Gêmeo
  • Quadrado Femural

Essas musculaturas também se contraem para coaptar a articulação. O transverso contribui para a estabilização da sacroilíaca com suas fibras transversais. Apesar de não ter fibras que são completamente transversais, o assoalho pélvico tem o mesmo efeito.

Como o transverso e o assoalho pélvico ajudam a regular as forças

Por causa da sua função e posicionamento, a articulação sacroilíaca deveria estar sujeita a importantes forças de cisalhamento. Porém, sabemos que isso não ocorre quando a articulação está em seu funcionamento fisiológico.

Um indivíduo de 70 kg, por exemplo, teria uma carga total de 530N aplicadas sobre a sacroilíaca. Acrescentando a presença do ligamento sacro espinhoso com seu componente transversal, conseguimos reduzir essa carga em 120N.

Considerando a atividade muscular do assoalho pélvico, transverso abdominal e ligamentos conseguimos reduzir a carga sobre a sacroilíaca em 240N. Ou seja, conseguir diminuir a carga em mais ou menos 50%.

Conclusão

Através dessa breve revisão da articulação sacroilíaca, conseguimos compreender quais são as estruturas envolvidas na sua estabilização. Existe um importante componente muscular que garante a estabilização da sacroilíaca.

É importante compreender que essa ação muscular ajuda a diminuir as forças de cisalhamento, mas aumenta a compressão em 4x. Ou seja, 400% da força compressiva é aplicada sobre a articulação sacroilíaca.

Ao mesmo tempo, temos uma diminuição em 50% do cisalhamento vertical. Em indivíduos com a articulação sem seu funcionamento fisiológico, isso seria um grande problema.

Mas para entender mais a respeito disso, você precisa ir para meu artigo sobre a disfunção sacroilíaca e suas causas.

 

Bibliografia
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