Quando falamos em escoliose estamos falando de um desvio postural cheio de compensações para o corpo.

De acordo com Andrew Taylor Still, os sistemas corporais estão interligados, portanto, a doença não ocorre de maneira isolada. Ela afeta todos os demais sistemas. Ainda de acordo com a concepção de Still, uma estrutura em harmonia não possui doença. Portanto, qualquer problema ou doença tem origem no distúrbio da harmonia da estrutura, no caso, o corpo.

O corpo humano é auto regulável e está sempre em busca do equilíbrio e harmonia das suas estruturas. Still chamava essa habilidade de homeostasia, considerando que é realizada pelo sistema miofascioesquelético.

Esses conceitos se encaixam perfeitamente com as escolioses e suas compensações para o corpo. Existem diversas origens para as escolioses de acordo com a visão osteopática.

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Origens da Escoliose na Osteopatia

As escolioses podem ser de origens:

  1. Viscerais
  2. Neurológicas
  3. Musculares
  4. Cranianas

As de origem visceral podem ser compreendidas ao observar as estruturas dos órgãos. Eles não são simétricos ou medianos e muitas vezes podem acabar comprimidos. Como resposta, o corpo realizaria inclinação e rotação da coluna vertebral para aliviar a compressão.

As de origem musculares têm um nome bastante autoexplicativo. Elas surgiriam na estrutura esquelética, geralmente em resposta a um distúrbio externo. Elas podem ser as mais fáceis de tratar, especialmente no início.

Escolioses de origem craniana se referem às deformações cranianas. Muitas vezes elas são geradas durante o parto, através de algum trauma craniano. Outra opção é a correção dentária, que impõem forças diferentes a esse crânio e pode gerar alterações posturais.

Como são as Escolioses de Origem Visceral?

Ao estudar cadeias musculares encontramos a ideia de que os músculos têm memória. Madama Godelieve Denys Struyf, que criou o método das cadeias musculares descreveu essa capacidade do corpo. De acordo com ela, a postura e forma do corpo vem de diversos fatores.

Eles incluem genética, psiquismo e comportamento.

O corpo utiliza suas famílias musculares para se expressar, porém em algumas situações os músculos aprisionam o corpo em uma determinada tipologia. Isso deixa sua adaptabilidade biomecânica e comportamental comprometida e se torna fonte de sofrimento.

É assim que surgem as cadeias de tensão musculares.

Através dessa ideia de memória muscular conseguimos compreender melhor as escolioses de origem visceral. Como o corpo tem memória, qualquer patologia visceral gera um esquema de adaptação. Lembremos que a víscera sempre tem prioridade de conforto.

Portanto, o corpo gera adaptações escolióticas em resposta a problemas viscerais que podem ser:

  • Renais
  • Cardíacos
  • Hepáticos
  • Muitos Outros

Compensações Musculares em Pacientes com Escoliose

Os pacientes com escoliose têm uma série de camadas de compensações que precisamos desvendar aos poucos. Aqui falarei sobre duas musculaturas em especial que estão envolvidas com a atitude escoliótica do corpo.

Psoas e Iliopsoas

Precisamos prestar muita atenção no Psoas nesse tipo de paciente. Ele é uma musculatura profunda que realiza a estabilização do corpo humano. Suas alterações afetam:

Seu papel inclui gerar força para movimentos posturais e esportivos.

Considerando o iliopsoas, precisamos lembrar que ele é formado a partir de três músculos. Eles são:

  1. Psoas Maior
  2. Psoas Menor
  3. Ilíaco

O psoas maior e menor têm como origem as vértebras torácicas e lombares. Já o ilíaco tem origem na fossa ilíaca da pelve. Os três músculos têm inserção no trocanter menor do fêmur.

O iliopsoas é um flexor de quadril que move a coxa para a cima. Quando a coxa está fixa, ele realiza a tração do tronco em direção à coxa. Um exemplo de sua ação é num movimento de flexão abdominal completo.

Por causa da sua origem e trajeto ele também estabiliza a coluna e a pelve.

Tensões no músculo iliopsoas tracionam o quadril para a frente de maneira anormal. Como resultado, a lordose lombar aumenta gerando um quadro de hiperlordose. Quando a tensão do Psoas é unilateral a tração também acontece de forma unilateral e torce os ilíacos. Assim surgem escolioses musculares.

Para o tratamento deveremos trabalhar esse músculo e suas tensões.

Diafragma

A função respiratória também fica afetada em casos de escoliose, mostrando uma conexão direta com o diafragma. Boa parte dos pacientes com escoliose possuem a região torácica afetada, piorando o posicionamento dos pulmões.

O diafragma tem inserção nas costelas, no esterno e vértebras lombares. Se existir alguma alteração nessas regiões de inserção seu funcionamento fica alterado. Para o tratamento, devemos realizar liberação do diafragma.

Tratamento de Pacientes com Escoliose

Percebemos que a escoliose gera uma série de compensações complexas em todo o corpo. Então, como é possível desvendá-las e realizar um tratamento desse desvio na coluna? Minha solução vai parecer simplista, mas é eficiente.

Realizo uma avaliação inicial para encontrar desequilíbrios e tensões e começo a corrigi-las uma por uma. Relaxo as musculaturas tensionadas e, ao terminar, realizo uma nova avaliação.

Dessa vez encontro novas compensações, tensões e conflitos musculares e os resolvo. Realizo mais uma avaliação e libero as musculaturas tensionadas. O processo continue nesse ciclo até conseguir liberar o corpo do seu esquema adaptativo e compensatório.

Podemos realizar a liberação das tensões de diversas maneiras, como:

  • Relaxamentos Musculares Simples
  • Pompagens de Marcel Bienfait
  • Liberação Miofascial

Conforme soltamos, liberamos e relaxamos as tensões o corpo volta à homeostasia. O próprio corpo percebe que a patologia foi solucionada e que pode se libertar do esquema compensatório adotado anteriormente.

É claro que em escolioses de origens neuromusculares ou viscerais a causa principal também deve ser tratada.

De nada adianta adotar protocolos de tratamento mirabolantes ou milagrosos. A maioria deles só complica a disfunção musculoesquelética e dá pouca atenção à sua origem biomecânica, que é a parte que deveria nos interessar mais.

Conclusão

Tratar um corpo com escoliose talvez pareça um desafio quase impossível. São tantas compensações musculares que ficamos em dúvida.

Na verdade, o tratamento pode ser bem mais simples do que você imaginava. Precisamos avaliar nosso aluno constantemente e liberar seu corpo aos poucos da tensão exercida pelo desequilíbrio muscular.

Dessa maneira o corpo consegue retornar ao equilíbrio que havia sido perdido por algum motivo. Nunca deixe de avaliar seus pacientes com escoliose e corrigir todas as compensações que surgirem.