Será que você comete esse erro fatal no tratamento de hérnia de disco?

Muitos profissionais ainda erram por acreditarem no mito da estabilização do núcleo, mas nossos pacientes herniados não precisam de ainda mais rigidez. Entenda porque trabalhar com contração excessiva do Core pode ser ruim para seu paciente herniado e como melhorar o tratamento.

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O que é Hérnia de Disco?

A hérnia acontece quando existe a projeção do núcleo pulposo do disco intervertebral para além do anel fibroso.

Originalmente, o disco intervertebral tem como papel amortecer o atrito entre os corpos vertebrais durante o movimento. Com anos de uso e diversos traumas a cartilagem pode sofrer lesões, como:

  • Quedas
  • Acidentes Automobilísticos
  • Esforços ao Levantar
  • Encurtamentos Musculares
  • Outros

Uma lesão na região vertebral pode gerar compressões nervosas. Como resultado, o paciente terá perda de sensibilidade na altura do dermátomo correspondente. Também podemos perceber fraqueza muscular e alteração de trofismo muscular na altura da herniação.

Podemos dividir as hérnais nos seguintes tipos:

  1. Hérnia de Disco Protrusa: ocorre quando o núcleo do disco permanece intacto, mas a cartilagem perde seu formato oval;
  2. Hérnia de Disco Extrusa: ocorre deformação do núcleo, formando uma gota;
  3. Hérnia de Disco Sequestrada: é quando existe muito dano no núcleo, que pode até ser dividido em duas partes.

Falsas Hérnias de Disco

Alguns casos de hérnia de disco são, na verdade, o que chamamos de falsas hérnias de disco.

Você pode identificá-las facilmente através dos sintomas. Elas são muito parecidas com o da hérnia, mas não correspondem fidedignamente a elas.

Leopold Busquet indica que 95% das hérnias podem ser consideradas falsas. Elas não apresentam o quadro completo, como é o caso com as 5% mais graves. As hérnias discais verdadeiras só podem ser tratadas através de métodos cirúrgicos.

Uma hérnia de disco falsa causa dor intensa na região da herniação. Quando está na região cervical pode diminui a mobilidade cervical e de membros superiores. Em alguns casos também existe parestesia dos membros superiores.

Uma hérnia de disco lombar falsa também causa dor e dificuldade para os movimentos. Sua parestesia, no entanto, acontece pela compressão do ciático. Ações como tossir e evacuar podem agravar bastante as dores.

As herniações são bem mais comuns nas curvaturas lordóticas da coluna. As cifoses são mais estáveis e menos móveis. Mas encontramos hérnias de disco torácicas em indivíduos retificados.

Como acontecem as Hérnias

Alguns médicos indicam seus pacientes a não realizarem certos movimentos porque podem causar hérnias vertebrais. Na verdade, estou cada vez mais convencida de que o verdadeiro problema está na falta de movimento.

Falta de movimento gera alterações nos padrões de movimento fisiológico. Ela também leva a limitações articulares e fraqueza muscular. No fim das contas, o sistema musculoesquelético fica sobrecarregado e desenvolve patologias.

Antes mesmo da hérnia ocorrer o corpo envia um sinal de socorro, uma dor lombar que ocorre cerca de 10 anos antes da herniação. Quando o indivíduo busca corrigir a lombalgia através de exercícios e modalidades como o Pilates, os sintomas desaparecem e a possibilidade de desenvolver hérnia diminuem muito.

Mas sabemos o que quase todo mundo faz quando sente uma “simples” dor lombar, certo? Toma um analgésico e um relaxante muscular e fica uns dias em casa descansando. Se o indivíduo visitar um médico já é mais do que a maioria faz.

Por não tomar atitudes para corrigir a alteração mecânica ela permanece e pressiona constantemente os discos. As cadeias musculares ficam tensionadas e, mesmo à noite, o estado de hidrofilia não acontece. Os discos intervertebrais deixam de repor corretamente a água que gastou durante o dia e se tornam mais frágeis.

Depois de cerca de 10 anos o disco sucumbe e forma a hérnia de disco. Por isso sempre digo, precisamos mobilizar nossos alunos herniados. É claro que eles têm medo no início, mas entenderão os benefícios.

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O Erro que todos cometem: Não trabalhar mobilidade!

Quando trabalhamos com um aluno que sofre de hérnia de disco falsa ou qualquer outro problema, logo resolvemos estabilizar essa coluna. Na verdade, o que deveríamos fazer é mobilizar a região e não incentivar contração excessiva de Core para estabilidade.

De acordo com Eyal Lederman, o princípio de estabilidade do núcleo tornou-se amplamente aceito na reabilitação de lesões musculoesqueléticas. Mas o autor percebeu que as críticas da abordagem eram raras e passou a pesquisar mais a fundo.

Lederman se perguntava se realmente deveríamos tornar as colunas lesionadas ou com patologias mais rígidas através da ativação em excesso do Core. Por muito tempo a crença era de que o Core forte forneceria sustentação para a coluna e resolveria dores lombares. Realmente, o transverso do abdômen, uma das musculaturas do Core, ajuda a manter a postura ereta.

Ele também possui a função de controlar a pressão intra-abdominal (PIA) para realizar funções de fonação. Outra importante função é formar a parede posterior do canal inguinal e impedir a formação de hérnias viscerais na região.

Mesmo sendo aparentemente tão importante para a estabilização e prevenção de dor, ele perde forças durante a gravidez. As alterações no corpo da mulher causam seu alongamento e enfraquecimento, diminuindo a capacidade de estabilização.

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Então todas as mulheres grávidas teriam dor lombar, certo? Errado.

Nem todas as gestantes sentem dor lombar, mesmo sem contar com o apoio do principal estabilizador da coluna. Os efeitos adversos da contração excessiva do powerhouse é admitido até pelo próprio Paul Hodges, criador do conceito.

Contrair esse conjunto muscular é custoso para o corpo, que, ao contrário do que muitos imaginaram, não possui só um estabilizador. Na verdade, existe um conjunto de estabilizadores que precisam trabalhar corretamente e em sintonia.

A estabilização acontece através da ativação do músculo correto na hora certa e com a quantidade de força certa. Só contrair com força máxima é uma ótima maneira de aumentar a PIA e gerar todos seus efeitos prejudiciais.

Conclusão

Apesar do treinamento de estabilidade ajudar na manutenção do equilíbrio e controle neuromuscular, ele não é o único foco do tratamento. Um bom tratamento de hérnia de disco inclui o uso de estabilização e também mobilidade.

Um trabalho excessivo de estabilidade de núcleo não deve acontecer de maneira que deixe as colunas rígidas. A hérnia de disco surgiu exatamente porque não existia movimento o suficiente para manter suas estruturas saudáveis.

 

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