Erros na avaliação postural são extremamente problemáticos para você e seu aluno. Quer garantir um trabalho com qualidade e resultados? Então continue lendo para entender esses erros e conseguir preveni-los ao avaliar seu aluno.

Por que não podemos cometer erros na avaliação postural?

Só existe um motivo para seu aluno estar trabalhando com você: ele quer resultados. Pode ser para a recuperação de alguma lesão ou dor, retorno às atividades físicas ou melhorar a qualidade de vida, por exemplo. Para conseguir isso, você precisa entender exatamente o que está acontecendo no seu corpo.

Sem esse conhecimento torna-se impossível realizar um tratamento realmente eficiente. Então por que muitos profissionais tratam a avaliação como parte de um protocolo que precisam fazer rapidamente?

Erros na avaliação postural são extremamente prejudiciais para seu aluno ou paciente. Todo o resultado do tratamento pode ser perdido porque você esqueceu de observar alguns detalhes durante esse processo! Quer evitar isso? Separei alguns erros que ninguém pode cometer durante a avaliação.

1. Não avaliar cadeias musculares do movimento

Se você acompanha meu trabalho sabe a importância que dou para as cadeias musculares no atendimento. Inclusive tenho um curso inteiro sobre esse tema, se você quer detalhes mais aprofundados recomendo conferir.

Um dos erros na avaliação postural que não pode acontecer é deixar de lado a avaliação das cadeias musculares. As cadeias cruzadas são as cadeias do movimento. Portanto, solicitamos que o indivíduo, que está em pé, leve seus membros superiores a noventa graus de flexão em adução complementar. Portanto, as duas mãos ficam na linha média corporal do aluno.

Nesse momento, observe qual mão está à frente. É ela que indica uma tensão na cadeia cruzada anterior do lado oposto. Ela segue do quadril oposto da mão à frente e segue até o ombro do mesmo lado.

Outra possibilidade é que exista uma tensão na cadeia cruzada posterior do mesmo lado. Essa cadeia sai do ombro oposto até o ilíaco do mesmo lado. Ela gera a rotação do tronco para o lado da cadeia muscular cruzada anterior do tronco, movimento de rotação complementado pela cadeia muscular de abertura na unidade tronco.

2. Esquecer o teste renal

Sabemos que questões viscerais regulam o corpo. Toda a estrutura se adapta para corrigir um problema causado pelas vísceras. Por isso, precisamos realizar uma avaliação completa que considere as vísceras, entre elas os rins.

Para evitar os erros na avaliação postural, realize testes específicos. O avaliado deve estar em pé, nós nos posicionamos atrás dele e apoiamos nosso polegar abaixo das últimas costelas flutuantes de um lado, paralelo a coluna vertebral e fora dos processos transversos. É aí que se encontram os rins.

Exercemos uma leve pressão na região, realizando passivamente uma flexão lateral do tronco do aluno para o mesmo lado do polegar. Caso o paciente reclame de dor no local onde o polegar está posicionado, estaremos diante de uma tensão renal que se reflete para os quadrados lombares.

O teste deve ser realizado de ambos os lados, testando assim os dois possíveis pontos de tensão renal. O teste provoca tensão na cadeia muscular de extensão. É importante lembrar que testes viscerais não são um diagnóstico para doenças, mas sim possíveis tensões geradas por questões viscerais de um corpo que guarda tudo em sua memória. O aluno também precisa estar ciente disso para evitar preocupações desnecessárias.

3. Não avaliar a pressão intra cavitária (PIA)

A pressão intra cavitária pode alterar diversos processos no organismo. Muitos alunos possuem problemas relacionados a ela e o profissional não consegue resolvê-los por problemas de avaliação.

Durante a avaliação das cadeias musculares, seguimos o conceito de um corpo viscerado. Portanto, proponho a vocês uma avaliação da pressão intra cavitária (PIA) para identificarmos um possível aumento de pressão interna nas vísceras e órgãos internos.

Para isso, começamos posicionando o avaliado em decúbito dorsal na maca com os membros superiores ao longo do corpo. Os membros inferiores ficam relaxados e, a partir desse posicionamento, apoiamos uma de nossas mãos sobre a região infra umbilical da região abdominal do paciente ou aluno e exercermos uma pressão em direção a maca.

Quando o resultado do teste é normal, a mão penetra sem tensões ou qualquer tipo de restrição bloqueando-a. O paciente também não pode sentir dor para um exame normal.

Também devemos testar a região supra umbilical do avaliado. O resultado normal é caracterizado por um resultado idêntico ao anterior, sem restrição ou dor durante o exame. Se observarmos algum tipo de resistência ou dor na região supra umbilical, estamos diante de tensões dos órgãos da cavidade peritoneal. Caso o teste se apresente positivo para a região infra umbilical, estamos diante de tensões dos órgãos da cavidade pélvica.

Se, durante a avaliação estática, observarmos pregas cutâneas indicativas de um aumento de tensão na cadeia muscular de flexão e o teste de avaliação da PIA for positivo, teremos um pouco de trabalho à frente. Nesse caso, estamos lidando com retrações dos órgãos por causa de forças centrípetas.

Também é possível que as pregas cutâneas não sejam observadas durante a avaliação estática. Nesse caso, se o teste de avaliação da PIA estiver positivo, temos uma tensão de cadeia de extensão. Ela acontece pela congestão abdominal.

Na cadeia de extensão podemos ainda encontrar um ponto de retração visceral, gerado pela tensão dos rins, caso o avaliado tome muitos medicamentos, suplementação protéica, ou simplesmente pelo fato de beber pouca água.

Conclusão

Percebeu como nunca podemos cometer erros na avaliação postural? Eles podem alterar completamente nossa visão sobre o aluno, fazendo com que deixemos de identificar causas musculares ou viscerais para problemas de movimento.

Quer evitar possíveis erros na avaliação postural? Recomendo que você continue estudando a respeito do assunto. Conhecimento nunca é demais e só pode nos tornar profissionais mais completos. Por isso, recomendo meu artigo com mais 4 erros que você talvez esteja cometendo sem perceber.