Ouvimos falar muito sobre a fáscia na nossa área de atuação. E você sabia que as fáscias também têm tudo a ver com as cadeias musculares? É impossível tratar um aluno sem levar em consideração tanto as cadeias quanto as fáscias. Logo veremos o motivo.

“O termo “fáscia” representa o tecido conjuntivo membranoso, um verdadeiro esqueleto fibroso que inclui o tecido muscular e funciona como peça única”. Marcel Bienfait

O que é fáscia?

A fáscia é uma estrutura passiva que transmite tensões mecânicas geradas pela atividade muscular. Uma de suas funções é diminuir o atrito entre músculos, vasos, tendões, nervos e ossos. Além disso, a fáscia é a única que recobre todo o corpo. Por fim, ela é econômica, pois requer baixo custo energético para sua manutenção.

Você vê o corpo como uma única estrutura que deve ser trabalhada em globalidade? Esse conceito só surgiu graças à fáscia.

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Foi a descoberta da fáscia que permitiu essa visão de totalidade e globalidade corporal que temos hoje em dia. Nela estão baseadas as técnicas e métodos que discutimos aqui no blog.

Tecido conjuntivo

O tecido conjuntivo é formado logicamente por células conjuntivas, os blastos.  Segundo Marcel Bienfait (1995), os blastos em sua fisiologia produzem a secreção de duas proteínas de constituição: o colágeno e a elastina.

Como em todas as proteínas as duas se renovam, o colágeno é uma proteína de curta duração. Já a elastina é a proteína de longa duração.

O colágeno sendo uma proteína de curta duração se renova durante toda a vida. É nela que conseguiremos atuar com efetividade, porque o que estimula a produção de colágeno é o tensionamento do tecido. De acordo com o estímulo, ou seja, a forma do tensionamento, o resultado é a secreção do colágeno.

Fáscias nas compensações

relação entre fáscias e cadeias musculares

Se o tecido suporta tensões curtas e repetidas observamos o conjuntivo se alongar (músculos sadios). Já sabemos que os músculos tônicos devem trabalhar em rajadas, somente para reequilibrar o conjunto corporal. Contrai-se, reequilibra, e logo em seguida relaxa.

Em contrapartida, pode existir algum desarranjo biomecânico que esteja contribuindo para possíveis compensações. Ele forçando outros músculos a cumprirem as funções desses músculos que não se relaxam. Os músculos necessitam assim realizar uma contração longa, sem o relaxamento. Em sequência o tecido se tornará mais denso, o que leva a perda da sua elasticidade.

Pesquisas recentes apontam para uma nova propriedade da fáscia que é a de se contrair sozinha, sem ação muscular. O terapeuta Robert Schliep, licenciado em psicologia, juntou-se ao neurofisiologista Heike Jaeger e desde 2003 na Universidade de Ulm montaram um laboratório de estudo fascial. Lá descobriram que o estresse pode contrair a fáscia sem os músculos. Os pesquisadores estudam ainda a possibilidade de a fáscia possuir seus próprios receptores.

Fáscia nas cadeias musculares

fáscia nas cadeias musculares

Novas descobertas sobre a fáscia, parte do tecido mais abundante e menos conhecido do corpo humano.
Dr Robert Schleip, PhD em biologia humana e de anatomia da fáscia. Ele é certificado em Rolfing® desde 1978.

Além do seu trabalho clínico como rolfista e dos cursos que ministra, ele dirige o Projeto de Pesquisa da Fáscia na Universidade de Ulm, na Alemanha, a mais avançada neste assunto atualmente (www.fasciaresearch.de). Ele recebeu um prêmio por seu trabalho em Medicina Musculoesquelética que relaciona a fáscia ao tecido que recobre todo o corpo humano, além das estruturas musculoesqueléticas, a fáscia se engendra por todo sistema visceral, ligando diretamente a fáscia aos tecidos viscerais, nervosos e musculoesqueléticos gerando assim, o sistema de tensigridade corporal.

Tensigridade corporal e o termo que designa a explicar que qualquer força externa que atue sobre o corpo, sendo este um sistema único de tensão pode alterar, como uma rede única de tensão, qualquer estrutura corporal como se fosse uma rede mesmo à distância. E a fáscia que permite a continuidade de forças existentes nas Cadeias Musculares.

Conclusão

Vemos que as fáscias são estruturas essenciais para o movimento. Seu conhecimento nos ajuda a compreender os mecanismos de compensações que o corpo realiza.

Elas também afetam as cadeias musculares, permitindo a continuidade de forças nelas existentes. Ou seja, não podemos estudar cadeias musculares sem antes compreendermos as fáscias.