Existe algo mais comum que problemas, lesões e patologias da coluna na nossa profissão? São dores lombares, hérnias de disco, escolioses e todo tipo de problemas desenvolvido pelos alunos. Para conseguir tratá-los precisamos entender que esses problemas muitas vezes são desvios das funções da coluna vertebral.

Compreender como ela funciona através da sua anatomia e biomecânica é essencial para elaborar o tratamento.

Aqui não vou apresentar uma solução milagrosa para tais compensações e desvios. O que vou mostrar é como uma coluna com funcionamento normal age para conseguirmos entender o que corrigir num desvio patológico da coluna.

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Funções da Coluna Vertebral

Sabemos que a coluna vertebral é o eixo corporal que realiza a ligação entre cinturas escapular e pélvica. Além dessa ligação, ela realiza três funções essenciais para os movimentos do corpo:

  • Estática
  • Cinética
  • De Proteção

Cada uma dessas funções da coluna vertebral está relacionada a um ou mais sistemas.

A estática é exercida pelos corpos e discos vertebrais, ou seja, as estruturas ósseas da coluna, assim como as fáscias. Já a cinética é feita principalmente pelos músculos. Por último temos a função de proteção, feita pelo canal vertebral, onde se encontram as estruturas nervosas da coluna.

Devemos lembrar aqui que a coluna precisa suportar a força da gravidade e da massa corporal, seja na estática ou no movimento.

Enquanto suporta essas forças também precisa gerar os movimentos de outros segmentos corporais e transmitir as forças para possibilitar a ação. Para isso, precisa de uma boa postura estática e dinâmica, ou o corpo será incapaz de responder às demandas impostas à ele.

Papel da Função Estática

Na sua função estática, a coluna deve ser simétrica e perpendicular às duas cinturas. Pelo menos, essas são as características de uma coluna saudável. Existem diversos desvios posturais como a escoliose que prejudicam as funções da coluna vertebral.

Durante a função estática não existem movimentos e os ligamentos e tensores musculares ficam relaxados. É através deles que é possível manter o equilíbrio estático do tronco diante do movimento oscilatório que ocorre quando estamos em pé.

As estruturas musculares não ficam “paradas” nessa função, mas se contraem e relaxam continuamente para manter o equilíbrio.

Encontramos problemas frequentes quando uma tensão muscular impede que as estruturas voltem a se relaxar, deixando de proporcionar estabilidade e adoecendo.

Qualquer fraqueza, tensão ou encurtamento muscular gera um sistema complexo de compensações posturais. Os desvios, por sua vez, levam a um deslocamento gravitacional que piora todo o movimento do corpo, não só da coluna.

Dilema das Funções da Coluna Vertebral

Boa parte das compensações da coluna vertebral acontecem porque a coluna é incapaz de manter o equilíbrio entre suas funções.

Existe um dilema aqui que deve ser observado por todo o profissional do movimento. Precisamos de uma coluna vertebral rígida e capaz de suportar a compressão axial que acontece no movimento. Porém, ela também precisa ter mobilidade, ou impede os movimentos de acordo com sua própria anatomia e biomecânica.

Durante o tratamento de disfunções da coluna precisamos adquirir estabilidade para evitar lesões, mas também mobilidade. Isso requer um equilíbrio delicado entre os subsistemas da coluna vertebral e uma ótima atividade muscular.

Estabilidade da Coluna Vertebral

Uma das primeiras necessidades da coluna é a estabilidade e o equilíbrio. Podemos definir estabilidade como a habilidade da articulação de retornar ao seu estado original após sofrer uma perturbação. No caso da coluna essa perturbação é o movimento.

Para manter a estabilidade, a coluna faz uso de 3 subsistemas: passivo, ativo e neural.

O sistema neural é o que monitora e regula as forças ao redor da articulação. Ele é organizado a partir do córtex cerebral e pouco trabalhamos com ele nas profissões relacionadas ao movimento. Porém, ele está intimamente relacionado às habilidades proprioceptivas do indivíduo.

Também encontramos o subsistema passivo, formado pelas estruturas ósseas, articulares e ligamentos.

É ele que realiza o controle da articulação próximo ao final da amplitude articular. Suas estruturas são responsáveis por resistir ao movimento, evitando movimentos possivelmente lesivos ou que exerçam pressão exagerada sobre as estruturas locais.

Mesmo sendo muito eficientes, as estruturas passivas são limitadas. Elas só atuam próximas ao fim da amplitude articular e não oferecem suporte na posição neutra.

O subsistema ativo existe para complementar a atuação do subsistema passivo e estabilizar a coluna de maneira mais eficiente. É formado por estruturas musculares quando desempenham sua função contrátil. Esse subsistema atua e oferece estabilidade mesmo com a articulação na posição neutra.

Importância da Musculatura para Coluna Vertebral

O subsistema ativo auxilia, mas não garante toda a estabilidade articular na posição neutra da articulação.

Ela continua sendo um ponto de frouxidão ou baixa rigidez onde os deslocamentos ocorrem com pouca resistência interna das estruturas passivas. Graças ao suporte oferecido pelas estruturas ativas a coluna não é lesionada nessa posição.

Imagino que você, como instrutor de Pilates ou fisioterapeuta, já tenha percebido que o controle muscular de nossos alunos é muito pobre. Quando existe uma lesão em um dos subsistemas da coluna vertebral ou pouca eficiência muscular a zona neutra aumenta de maneira não fisiológica.

O resultado é uma coluna mais suscetível a lesões, processos degenerativos e dores. Ao encontrarmos uma coluna nesse estado precisamos trabalhar com o subsistema passivo. A atividade muscular é capaz de minimizar esse aumento e até restaurar os limites fisiológicos quando é bem feito.

Papel das Estruturas Articulares – As Vértebras

As vértebras são parte do subsistema passivo da coluna e possuem formatos especificamente preparados para suas funções. Elas recebem e distribuem as cargas geradas durante o movimento e também protegem as estruturas nervosas que passam pelo canal vertebral.

Na porção anterior existe um formato cilíndrico com osso compacto. É nela que as vértebras recebem e dissipam cargas. Já na porção posterior a proteção está enfatizada com o arco vertebral, arco em forma de asa de borboleta que protege o canal vertebral.

De acordo com a porção da coluna as vértebras alteram seu formato ligeiramente. Na porção cervical e dorsal o corpo vertebral é levemente cilíndrico. É nessas regiões que a transmissão de força mais acontece. Já a região lombar tem vértebras mais aplanadas com ênfase no suporte da carga.

Conclusão

Uma coluna normal, sem patologias, deve realizar suas funções da coluna vertebral corretamente.

Para isso acontecer todos seus sistemas e subsistemas devem estar em ordem, atuando de maneira sincronizada. Precisamos aprender a trabalhar a coluna de maneira a manter sua estabilidade para prevenir lesões e melhorar sua mobilidade.

É só através do movimento que os problemas podem ser corrigidos!