Incontinência urinária (IU) é uma perda involuntária da urina pela uretra. Conhecido como um dos distúrbios mais frequentes no sexo feminino, se manifesta na quinta ou na sexta década de vida, porém, também pode ter apresentação em mulheres mais jovens.

A sustentação dos órgãos pélvicos se dá através das estruturas musculares e produzem a contração da uretra para evitar a perda urinária. Esses músculos do Assoalho Pélvico, quando com IU, tornam-se mais frágeis nas mulheres, provocando assim o escape involuntário. Que tal saber mais sobre a Incontinência Urinária em Mulheres? Vamos ler mais!

Causas da Incontinência Urinária em Mulheres

A incontinência pode ocorrer devido às anomalias de posição, como de fixação da uretra e colo vesical. A eliminação da urina é controlada pelo Sistema Nervoso Autônomo, podendo ser comprometida nas seguintes situações:

  • Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico;
  • Gravidez;
  • Parto;
  • Doenças que comprometem a bexiga;
  • Obesidade;
  • tosse crônica;
  • Aumento da pressão intra-abdominal;
  • Hiperatividade da bexiga.

Segundo REIS, pode-se classificar a IU de várias maneiras, entre os tipos mais comuns são:

  1. Incontinência urinária de esforço (IUE), perda de urina quando tosse, ri, movimenta-se e associada com atividades físicas que aumentam a pressão intra-abdominal.
  2. Incontinência urinária de urgência (IUU), mais grave que a de esforço, caracterizada pela vontade súbita de urinar, ocorrendo uma perda involuntária de urina associada a um forte desejo de urinar;
  3. Incontinência urinária mista (IUM), essa associa os dois tipos de incontinência a IUE e a IUU além da impossibilidade de controlar a perda de urina pela uretra.

Para o tratamento das disfunções provocadas na musculatura do assoalho pélvico (MAP) se requer conhecimento. As formas de condicionamento dessa musculatura podem evitar a perda de função, seja por falta de exercícios ou por alterações decorrentes do processo do envelhecimento.

Sabe-se que a Incontinência Urinária em Mulheres, através do treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) tem efeito positivo na melhora da função desse grupo muscular, no qual comumente é treinado isoladamente ( BARBOSA, 2014).

Avaliação do Assoalho Pélvico

Para que haja um tratamento adequado, é essencial a avaliação do assoalho pélvico conciliado com acompanhamento dos resultados. Atualmente, não existe uma ferramenta de avaliação que seja considerada padrão-ouro.

Entretanto, o Comitê Internacional de Continência (ICS) recomenda que avaliação da musculatura do assoalho pélvico (MAP) seja realizada por meio da palpação vaginal e perineometria, dentre outros, com profissionais capacitados em fisioterapia pélvica (KOSIBA, 2011).

Recentemente, como complemento de tratamento ao modelo padrão de tratamento da fisioterapia pélvica na Incontinência Urinária em Mulheres, inclui-se o Método Pilates (MP).

Relação entre o Pilates e a Incontinência Urinária em Mulheres

O Pilates, trás e faz uma abordagem do corpo e da mente, envolvendo movimentos lentos e controlados. Tem como foco a postura e respiração, e vem cada vez mais agregado nos programas de reabilitação na fisioterapia.

Sabe-se que, em geral, não se é realizada previamente uma avaliação funcional do assoalho pélvico para potencializar o treinamento com os exercícios do Método Pilates. O que seria fundamental, caso o objetivo do treinamento incluísse o fortalecimento da musculatura profunda da pelve (KOSIBA, 2011).

O Pilates é uma forma de exercício de baixo impacto, envolvendo uma gama de movimentos que tanto fortalece quanto aumentam a flexibilidade de todo o corpo. Os músculos trabalham em sinergia, em vez de trabalhar apenas um músculo específico (MAZZARINO M., 2017).

A sinergia nessa região são músculos profundos abdomino-pélvica, sabe-se que o sinergismo entre o assoalho pélvico e o Transverso Abdominal tem sido base para estudos recentes.

Fortalecimento do Assoalho Pélvico

Esses, apoiam a ideia de que as MAP são uma parte intrínseca do complexo fisiológico dos músculos abdominais, uma vez que esta sinergia pode ser alterada em mulheres com disfunções do assoalho pélvico (AP).

A associação da contração perineal ao fortalecimento abdominal, tem a função de potencializar e é explicado pelo efeito de fortalecimento entre a MAP e a ação do transverso abdominal. O resultado surge com o aumento da força perineal, em um aumento de força abdominal.

A contração da musculatura abdominal ocorre simultaneamente à contração do AP, demonstrando ação sinérgica abomino-pélvica de maneira voluntária ou não. A maioria das atividades físicas não envolve contração voluntária desses músculos durante a realização de exercícios que aumentem a pressão intra-abdominal (PIA) (FERLA L., 2016).

O transverso do abdômen é o principal músculo abdominal responsável por gerar a PIA. Graças à orientação horizontal de suas fibras, a contração desse músculo resulta em diminuição da circunferência abdominal, o que leva ao aumento da tensão da fáscia tóraco-lombar e, por fim, ao aumento da PIA.

No entanto, alguns autores contradizem esse achado e relatam parecer que uma contração do transverso abdominal pode não elevar o assoalho pélvico (para apoiar os órgãos) em todas as mulheres. Portanto, o papel dos músculos transversos abdominais em um protocolo de fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico ainda não é bem compreendido.

O papel da Pressão-Intra-abdominal na Incontinência Urinária em Mulheres

Para JUNIOR e BRAUNS precede que a resposta mecânica dos músculos abdominais e a atividade dos MAP não é simplesmente uma resposta ou aumento da pressão intra-abdominal, pois antes do aumento da pressão do pavimento pélvico, indica que há uma resposta pré-programada.

Assim os autores acreditam que o treinamento dos músculos abdominais podem ser úteis no tratamento das disfunções dos MAP.

Apesar de ser comprovada a existência do sinergismo abdomino-pélvico, ainda não é possível afirmar como ele poderia ser trabalhado para gerar um melhor ganho de função dos MAP. Baseada em uma revisão sistemática, parece que a contração associada especificamente de transverso do abdômen e MAP possa ser útil para otimizar a função dos músculos do assoalho pélvico.

Há ainda a necessidade de revisões sistemáticas, pois ainda não está bem definida. Conhecer melhor o comportamento dessas musculaturas e do sinergismo abdomino-pélvico pode favorecer a elaboração de estratégias de prevenção e tratamento das disfunções dos MAP feminino.

Conclusão

De qualquer forma, conclui-se que a Incontinência Urinária em Mulheres não é um mal inevitável na vida das mulheres depois dos 50, 60 anos. E por menor que seja o envolvimento da paciente em alguns destes tratamentos mencionados, entende-se que vai haver um ganho com isso, já que muitas vezes a perda de urina nessa faixa de idade é mais um problema social do que físico.

E se o distúrbio for tratado como deve, incluindo exercícios que ajudam a reforçar a musculatura do assoalho pélvico, a qualidade de vida destas mulheres irá melhorar e muito.

 

 

Bibliografia
  • BARBOSA L. J. F; Função dos músculos do Assoalho Pélvico: Comparação entre Mulheres praticante do Método Pilates e sedentárias, 2014.
  • FERLA L., DARSKI C., PAIVA L. L., SBRUZZI G, VIEIRA A.;  SINERGISMO DA MUSCULATURA ABDOMINO-PÉLVICA EM MULHERES HÍGIDAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA. Universidade Brazil, Fisioter. Mov., Curitiba, v. 29, n. 2, p. 399-410, Apr./June 2016.
  • JUNIOR L.G.A, BRAUNS I.S.D.; MODALIDADES TERAPÊUTICAS PARA RECUPERAÇÃO DA MUSCULATURA DO ASSOALHO PÉLVICO DA MULHER. Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 16, nº 90, Jan/Fev de 2013.
  • KOSIBA R. I.A. G., Kosiba C. R., GRECCO. L., MATOS R. A.; INFLUÊNCIA DO FORTALECIMENTO ABDOMINAL NA FUNÇÃO PERINEAL, ASSOCIADO OU NÃO À ORIENTAÇÃO DE CONTRAÇÃO DO ASSOALHO PÉLVICO, EM NULÍPARAS. Fisioter. Mov., Curitiba, v. 24, n. 1, p. 75-85, jan./mar. 2011.
  • LAUSEN A., MARSLAND L., HEAD S., JACKSON J., LAUSEN B.; MODIFIED PILATES AS AN ADJUNCT TO STANDARD PHYSIOTHERAPY CARE FOR URINARY INCONTINENCE: A MIXED METHODS PILOT FOR A RANDOMISED CONTROLLED TRIAL. Lausen et al. BMC Women’s Health, 2018.
  • MAZZARINO M., KERR D., MORRIS M.; PILATES PROGRAM DESIGN AND HEALTH BENEFITS FOR PREGNANT WOMEN: A PRACTITIONERS’ SURVEY. Journal of Bodywork & Movement Therapies 2017.
  • REIS R.B.; COLOGNA A.J.; MARTINS A.C.P.; PASCHOALIN L., TUCCI S., SUAID H.J.; INCONTINÊNCIA URINÁRIA NO IDOSO. Acta Cirúrgica Brasileira – Vol 18 (Supl 5) 2003.

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Este texto foi escrito por Manuele Pimentel Gomes

  • Bacharel em Fisioterapia -Universidade de Cruz Alta
  • Formação em Pilates Equipe Ivanna Henn
  • Formação em Neo Pilates Instituto Amanda Braz
  • Especialização Fase I e II CORE 360º
  • Curso de Pilates Avançado na Gestação
  • Curso de Pilates Avançado Modulo I e II
  • Curso de Formação Pilates Mamy Baby e Sling
  • Pós-Graduação Fisiologia do Exercício – UNINTER
  • Formação no Método Abdominal Hipopressivo – MAH
  • Curso Cadeias Musculares Janaina Cintas
  • Fisioterapia Aplicada á Saúde da Mulher Obstetrícia e Uroginecologia
  • Instrutora Master do MAH
  • Formação em MIT