Biomecânica do diafragma

O diafragma é um músculo essencial para as funções vitais do indivíduo, sendo responsável por 70% de sua capacidade vital. Ele precisa de contração contínua para vencer os componentes elásticos e resistivos do sistema respiratório. Tudo isso acontece para garantir uma boa ventilação pulmonar.

Esse músculo é dividido em dois segmentos, os pilares diafragmáticos e o centro tendíneo. Os pilares estão inseridos firmemente nas últimas vértebras torácicas (T11 e T12), assim como nas primeiras lombares (L1 e L3). Sua inserção também está localizada nas últimas costelas, sendo responsável por realizar o movimento de abertura das costelas que facilita a entrada de ar.

A parte ântero-central do diafragma é o centro tendíneo. Durante as excursões respiratórias ele é o único a realizar movimentos. Seu aspecto é semelhante a um trevo de três folhas, com o forame da veia cava inferior onde passa a veia de mesmo nome e o nervo frênico. A veia desemboca no coração e é responsável por drenar o sangue de toda a parte inferior do corpo.

O diafragma é inervado pelos nervos frênicos direito e esquerdo. Sua origem é nos ramos anteriores dos 3º, 4º e 5º segmentos cervicais (C3 e C5). Os nervos frênicos são responsáveis por enviar ramos aferentes e eferentes, dando ordens para o diafragma contrair-se. As informações dolorosas e proprioceptivas desse músculo também chegam ao sistema nervoso através desses nervos.

Durante sua contração o diafragma desloca o tendão central no sentido caudal, assim ele aumenta a pressão intra-abdominal (PIA). A pressão é transmitida ao tórax pela zona de aposição, expandindo a caixa torácica inferior.

Essa zona está diretamente relacionada ao grau de insuflação pulmonar. portanto, a contração diafragmática expande a caixa torácica, insufla os pulmões e força o abdômen para fora.

Diafragma e sua função postural

Além de atuar durante a respiração, o diafragma também trabalha na manutenção da postura. Ele é um estabilizador do tronco e atua em sinergia com outros músculos estabilizadores. Além disso, ele possui importante ligações, sejam elas diretas ou indiretas, através de cadeias miofasciais.

Durante nossa vida diária realizamos ativações do diafragma em diversas situações além da respiração. Ao carregar peso, por exemplo, toda a musculatura estabilizadora do tronco, incluindo músculos abdominais e profundos da coluna, se contraem para diminuir a sobrecarga sobre a lombar.

Quando o diafragma é exigido em demasia por uma frequência respiratória alta ou por estabilizar a coluna por tempo prolongado suas fibras tornam-se fadigadas. Como resultado, ele afeta a mecânica da coluna lombar, podendo causar lombalgia.

Estudos afirmam que a fadiga do diafragma é mais acentuada em pessoas que apresentavam lombalgia (Janssens et al, 2013). Por isso, também devemos avaliar cuidadosamente esse músculo em casos de pacientes com esse tipo de dor.

Por que devemos avaliar o diafragma antes de começar?

Como percebemos, o diafragma é um músculo essencial no corpo humano e pode estar sofrendo com compensações. Existem três padrões respiratórios em nossos alunos, o diafragmático, costal e misto. Quando o diafragma está sendo usado incorretamente para a respiração pode acabar com fadiga e prejudicar outros processos que exigem a atuação de suas fibras.

Atualmente é bastante comum encontrar indivíduos com padrões respiratórios alterados e com tensões ou desequilíbrios que afetam o diafragma. Através de uma boa avaliação você consegue identificá-los para conseguir aplicar o melhor tratamento ao seu paciente.

Durante uma sessão para um paciente que já possui o diafragma tensionado, por exemplo, devemos evitar aumentar ainda mais a PIA, que exige sua ativação. O ideal seria liberar as tensões do músculo e trabalhar o problema respiratório para conseguir normalizar a pressão intra-abdominal.

No momento da liberação encontramos um problema: as manobras tradicionais simplesmente são pouco eficientes.

Como é a manobra tradicional de liberação do diafragma

Até pouco tempo atrás eu utilizava essas manobras com meus pacientes e sequer chegava a pensar que existia algo de estranho nisso. Quero lembrar algumas características do diafragma que fazem a força que fazemos no abdômen ou nas costas do paciente seriam praticamente inúteis.

Primeiramente, esse músculo está espalhado pela região, tendo inserções que chegam até L2 e L3. Em segundo lugar, ele realiza uma excursão de 10cm na inspiração, que é bastante espaço. Para complementar o quadro, esse músculo é profundo, localizado abaixo mesmo do transverso abdominal.

Sabemos que não conseguimos palpar o transverso abdominal adequadamente por causa da sua profundidade. Agora pense bem, será que realmente conseguimos liberar o diafragma através de tensão no abdômen?

Na parte de trás do corpo, nas costas, isso também é impossível. Não importa a pressão que colocarmos em nossos dedos, não conseguiremos ultrapassar os fortes músculos paravertebrais e o quadrado lombar.

Ou seja, precisamos abolir essas manobras de nossas aulas, especialmente se buscamos eficiência nos tratamentos.

Maneiras modernas de fazer liberação do diafragma

Felizmente existem melhores formas de fazer liberação do diafragma. No meu curso sobre o Método Abdominal Hipopressivo (MAH) falo a respeito das questões pressóricas, inclusive as torácicas. Explico que não adianta trabalhar a faixa abdominal se o pulmão ainda não estiver normalizado.

Portanto, fazer a liberação do diafragma é importante, mas não deve acontecer da forma como estamos acostumados. Imagine um paciente que possui a respiração limitada e é hiperinsuflado.

Suas costelas são abertas, mas queremos usar o conceito de abertura das costelas empurrando as mãos na coxa para trabalhar sua faixa abdominal. Será uma manobra eficiente? Certamente não.

Primeiro precisamos normalizar a respiração para depois conseguir aplicar o método adequadamente. Lembre-se que cada vez que o assoalho pélvico entra em contração uma sinergia de músculos se ativa junto.

Eles incluem o assoalho pélvico, transverso do abdômen, diafragma, intercostais, escaleno, entre outros. Portanto, não devemos ativar a faixa abdominal sem primeiro tirar a programação dos músculos respiratórios. Caso contrário ela se retroalimentará cronicamente.

Uma das melhores formas de aplicar a liberação do diafragma é através da fáscia. O curso MAH é o primeiro que fala a respeito das liberações fasciais. Não trabalhamos nas linhas miofasciais, mas sim com a pura liberação fascial.

É ela que ajuda a liberar o músculo e tudo isso sem precisar realizar tensão excessiva sobre seu aluno. Quem tenta fazer liberação nos músculos abdominais pode ficar muito tempo liberando sempre conseguir um resultado efetivo. O mesmo não acontece com a liberação fascial, que é muito mais assertiva.

Também devemos utilizar a liberação do diafragma através do centro frênico. O diafragma precisa ser liberado em todas as suas porções para voltar ao seu funcionamento normal.

Conclusão

Espero que este artigo tenha clareado algumas dúvidas à respeito da Liberação do Diafragma! Até a próxima!