Reich, medico austríaco e cientista natural (1897-1957) dedicou-se ao estudo do corpo, da mente e da energia. O autor destacou-se por sua obra psicanalítica e pesquisas pioneiras nas áreas da biologia, física, política e antropologia.

De caráter social e psicológico, a terapia Reichiana atenta simultaneamente aos processos orgânicos e energéticos do corpo humano.

“Amor, trabalho e sabedoria são as fontes da nossa vida. Deviam também governá-la”.


Wilhelm Reich

Os primórdios da pesquisa sobre mente-corpo

Wilhelm Reich, contribuiu no desenvolvimento das ciências da mente-corpo do início do século XX. Ao contrário de Freud, pai da psicanalise, que apoiava-se somente na questão mente.

Quando Reich agregou seus conhecimentos da mente integralizando os estudos do corpo ele se tornou reconhecido como o principal investigador científico no Ocidente até a década de 40.

Reich propôs um modelo da condição humana, que postulou uma teoria da energia como sendo uma componente fundamental de toda a matéria e espaço, um conceito que ele chama de energia “orgone”.

Teoria da Couraça Muscular

Reich afirmou que desenvolvemos uma couraça muscular que bloqueia a nossa energia. Ele afirmou que “Blindagem é a condição que ocorre quando a energia é ligada pela contração muscular e não flui através do corpo” (Reich, 1936).

Método Abdominal Hipopressivo

Conheça um pouco mais sobre os conceitos Hipopressóricos através do método idealizado por Janaína Cintas!

Nesta blindagem existia o carácter que ele definiu como “a soma total das atitudes típicas de caráter, que um indivíduo desenvolve como um bloqueio contra a sua excitação emocional, resultando em rigidez no corpo e falta de contato emocional”.

Ele definiu a couraça muscular como “a soma total de musculares (espasmos musculares crônicos) que um indivíduo desenvolve como um bloco contra a irrupção de emoções e sensações de órgão, particularmente ansiedade, raiva e excitação sexual” (Reich, 1936).

Como recurso de sobrevivência e uma adaptação inteligente, o corpo se contrai até atingir estados crônicos e produzir doenças, por falta de flexibilização do seu condicionamento emocional inconsciente, decorrente ao seu traço de caráter.

Tal destino costuma ser o sistema de couraças musculares, ou seja, contrações em diferentes sistemas do organismo, que com o passar do tempo se cronificam e passam a ser percebidas como a própria identidade ou maneira de ser.

O que é blindagem?

“Blindagem é a condição que ocorre quando a energia é ligada pela contração muscular e não flui através do corpo”.


Wilhelm Reich

Alexander Lowen, resumiu esse efeito global: “O carácter do indivíduo como ele se manifesta no seu padrão típico de comportamento, também é retratado ao nível somático pela forma e o movimento do corpo. A expressão corporal é a visão somática da expressão emocional típica que é vista a nível psíquico como carácter. Defesas aparecem em ambas as dimensões, no corpo como couraça muscular”. (Lowen, 1976).

Na teoria de Reich estabeleceu as sete segmentações da blindagem para explicar como o corpo estabelece o seu equilíbrio psíquico, nestas blindagens muito é visto sobre a história pessoal porque está expresso no corpo.

Onde existem tensões, é justamente a energia retida na musculatura. Se desenvolve a blindagem muscular, é onde as contrações segmentares são perpendiculares ao fluxo de força vital ou energia orgone no corpo.

Os sete segmentos de couraças musculares que foram delineados por Reich no mapeamento do corpo:

  1. Ocular ou visual;
  2. Oral;
  3. Cervical;
  4. Torácica;
  5. Diafragma;
  6. Abdominal;
  7. Pélvica.

MAH e as Couraças Musculares

Podemos observar que as regiões mapeadas por Reich no corpo, utiliza-se da relação entre estes os mesmos seguimentos corporais do Mah.

O acionamento respiratório, a retroalimentação das cavidades, torácica, diafragmática, faixa abdominal e perinear, a melhora dos sistemas que o MAH premia através da normalização e diminuição da PIA com a  modificação cortical (neuroplasticidade).

Além da desativação da série muscular, liberação das tensões musculares e também deste contato com as sensações corporais emocionais através da auto percepção.

O MAH ajuda na liberação das descargas corporais também.  O contato do praticante com a raiva, a tristeza, a melancolia e a euforia até mesmo pela sua via de acesso simpática que é acionado o método, coma concentração da Dopamina.

Estes bloqueios realizam no corpo sinais físicos de manifestação, um dos 7 segmentos em excesso, descarga, tensão e sobrecarga.

Essa interação dos 7 segmentos constitui a etiologia das 5 estruturas de carácter primárias, que não são formadas de forma isolada um segmento, mas sim relacionam-se com a economia de energia e a regulação entre os segmentos.

Por meio da manipulação direta das couraças musculares (tensões corporais), Reich conseguiu alcançar memórias “aprisionadas” nessas couraças de forma a liberá-las.

Os quais cada segmento retém uma história particular decorrente de estresses sofridos durante as etapas do desenvolvimento psicoafetivo pela qual todos os seres humanos passam desde a gestação. A esse trabalho de manipulação das couraças musculares, Reich deu o nome de Vegetoterapia.

A Terapia Reichiana é um processo psicoterapêutico, que analisa a história e o comportamento do paciente, buscando tornar consciente seus conflitos inconscientes por meio de um trabalho verbal.

Associado ao trabalho com o corpo, passando a analisar o caráter do paciente como um todo, o resultado é um trabalho mais rápido, dinâmico e profundo.

Na continuidade de seus trabalhos, Reich também descobriu que a energia que circula dentro do corpo humano é a mesma que se encontra no cosmos, porém, em concentrações e formas diferentes.

Denominou-a de energia orgone. Assim desenvolveu uma nova técnica de trabalho denominada Orgonoterapia,

O que atualmente chamamos de Terapia Reichiana engloba as técnicas da Análise do Caráter, da Vegetoterapia e da Orgonoterapia.

Para nós profissionais do movimento

Antes mesmo de se preocupar com uma análise do caráter, ou seja, do sistema de resistências do cliente, a priorização é  observar as áreas congeladas ou dissociadas no corpo.

Nós profissionais do movimento temos contato com este corpo congelado. Um exemplo diário é  a falta de mobilidade de tronco. Existe uma relação emocional com esta rigidez porque quando tocamos este corpo, tocamos a história deste cliente.

Nas terapias corporais englobam-se as técnicas de respiração, movimentos específicos e toques sutis são utilizados com o objetivo de torná-lo consciente dessas áreas de seu corpo e do seu significado emocional ligado à sua história de vida.

Como o MAH é um método respiratório quando o praticamos, liberamos a tensão por meio da diminuição da pressão (liberação do estresse) há a correlação da liberação do bloqueio corporal e consequentemente do bloqueio emocional.

Dentre os vários seguidores de Reich, chamamos a atenção para os méritos do neuropsiquiatra italiano Dr. Federico Navarro, os quais, com sabedoria e dedicação, deu a sua contribuição.

Que até hoje é de fundamental importância, principalmente pela criação de uma metodologia para o desbloqueio dos sete segmentos de couraça.

A sessão de Análise Reichiana mescla uma parte verbal, buscando sempre aprofundar na queixa e conhecer a história do paciente, e uma parte corporal, por meio de pequenos movimentos sutis propostos ao paciente.

A intenção é buscar os pontos de tensão (couraça) e fazer com que a energia possa circular novamente, restabelecendo dessa forma a saúde física e psíquica da pessoa.

É uma forma de psicoterapia rápida e profunda que busca atuar em conjuntos sobre a mente, o corpo, as emoções e a energia. Portanto, pode ser utilizada tanto a nível de tratamento profilático quanto preventivo.

Como adultos, nós temos muitas inibições quanto a chorar. Nós sentimos que é uma expressão de fraqueza, ou feminilidade ou infantilidade. A pessoa que tem medo de chorar está com medo do prazer. Isto porque a pessoa que tem medo de chorar se mantém conjuntamente rígida para não chorar; ou seja, a pessoa rígida está tão com medo do prazer quanto está com medo de chorar. Em uma situação de prazer ela vai ficar ansiosa. (…) Sua ansiedade nada mais é do que o conflito entre seu desejo de se soltar e seu medo de se soltar. Este conflito surgirá sempre que o prazer é forte o suficiente para ameaçar a sua rigidez.

Desde que a rigidez se desenvolve como um meio para bloquear as sensações dolorosas, a liberação de rigidez ou a restauração da mobilidade natural do corpo vai trazer essas sensações dolorosas à tona.

Em algum lugar em seu inconsciente o indivíduo neurótico está ciente de que o prazer pode evocar os fantasmas reprimidas do passado. Pode ser que tal situação seja responsável pelo ditado. Não há prazer sem dor.


Alexander Lowen, A Voz do Corpo 

Conclusão

Para Reich, uma das descobertas prováveis em terapia é que o ser humano almeja, sobretudo, o amor, não o poder, embora possa usar o poder para alcançar o amor.


Este artigo foi escrito por Sinuê Hendgel

Profissional de Educação Física Bacharel e Licenciatura, pós Graduada como Fisiologista do Exercício e prescrição do exercício, especialista em Pilates, CrossPilates e Professora de Dança desde de 2002. Master Trainer do MAH e integrante da equipe Janaína Cintas em parceria com a VOLL Pilates Group.

Bibliografia
Babayan, A. et al . Um banco de dados mente-cérebro-corpo de MRI, EEG, cognição, emoção e fisiologia periférica em adultos jovens e idosos. Sci. Dados . 6: 180308 https://doi.org/10.1038/sdata.2018.308 (2019).
ttps://minasi.com.br/2017/12/couracas-musculares-como-nossas-emocoes-se-fixam-em-nosso-corpo
CHARACTER ANALYSIS, REICH WILHELM, 1975, 5TH ENLARGED EDITION, NEW YORK, FARRAR PUBLISHING.
BIOENERGETICS, LOWEN ALEXANDER, 1976, PENGUIN BOOKS, NEW YORK.
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WILHELM REICH : THE EVOLUTION OF HIS WORK, BOADELLA DAVID, 1973, VISION PRESS, CHICAGO.
Fonte: BlogDaBiosintese