O movimento faz parte da vida do ser humano desde sempre. Quando observamos um recém-nascido, percebemos que existe um contínuo e harmonioso movimento entre braços e pernas.

Expressando o quanto aquele pequeno ser está saudável e pronto para iniciar a vida fora do útero materno.

Crescemos, nos tornamos adultos e a vida moderna nos impõe um estilo de vida que gera bloqueios e limites para essa mobilidade, outrora tão natural.

Permanecemos em posturas estáticas flexoras muitas horas ao longo de nossa existência. Comemos, estudamos, trabalhamos e nos divertimos, na maioria das vezes, sentados. Esse excesso de postura flexora, pode ser uma das causas de dor lombar.

Neste texto você vai encontrar:

  • Relação entre má postura e dores nas costas
  • Como a má postura afeta estruturas do corpo
  • Métodos utilizados como tratamento
  • O que é o Método McKenzie?
  • No que se baseia o Método McKenzie

Que tal saber mais sobre o Método McKenzie? De definição à como utilizar no tratamento? Continue lendo para saber mais!

Relação entre má postura e dores nas costas

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a dor nas costas é uma queixa de aproximadamente 80% da população mundial.

A postura ruim de sentar e a frequência de flexão foram identificados por McKenzie (2016) como fatores do estilo de vida que predispõem a dor lombar.

A posição sentada-relaxada causa um estiramento excessivo das estruturas ligamentares posteriores da coluna.

Quanto mais a coluna lombar se aproxima da cifose, maior é a pressão intradiscal. E, quanto mais se aproxima da lordose, menor é essa pressão.

O segundo fator ocorre devido as pessoas, desde o levantar pela manhã até voltar para a cama à noite, estarem predominantemente nas posturas e atividades fletidas da coluna e raramente estendidas.

Como a má postura afeta estruturas do corpo

Com isso, várias estruturas inervadas podem ser afetadas, podendo se constituir em fontes de dor. Dentre elas podemos citar:

  • As cápsulas das articulações apofisárias e sacro-ilíacas;
  • A parte mais externa dos discos intervertebrais,;
  • Os ligamentos interespinhosos e longitudinais;
  • Os corpos vertebrais;
  • A dura mater;
  • A capa da raiz nervosa;
  • O tecido conectivo dos nervos;
  • Os vasos sanguíneos do canal medular,
  • Os músculos locais.

No momento em que a dor na coluna se instala, todo o processo de compensações e adaptações musculoesqueléticas já aconteceu. Porém, quando a dor chega é que existe a percepção de que algo está errado.

Nesse instante, todos os neurotransmissores do sinal doloroso são acionados e, ao mínimo movimento, a dor pode ser intensificada.

Por muitos anos foi enfatizado que alguém com dor na coluna não podia se mexer, pois se mexesse, pioraria. Foi ensinado pelos pais e avós que o melhor a fazer seria tomar remédio (analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares) e repousar.

Em alguns casos de dor lombar aguda, pode ser necessário algum repouso – que seria reduzir atividades de sobrecarga. Porém, não existe respaldo na literatura que o repouso que se prolongue além de dois dias, traga maiores benefícios.

Através de pesquisas da neurociência e da biomecânica, este procedimento é equivocado. Tirar totalmente o movimento da coluna vertebral em episódios de dor mecânica pode trazer complicações.

Atualmente, o paciente com dor mecânica agudizada pode ser tratado através do movimento. Pois, desta forma, o corpo é estimulado a reencontrar o caminho para liberar os bloqueios fasciais, musculares e articulares.

Nosso corpo é um complexo organismo que integra vários sistemas. A alteração ou desequilíbrio de um único aspecto gera consequências para todo o corpo.

Daí a importância de se tratar esse corpo com Métodos e Técnicas Globais (MAH, Osteopatia, Pilates, McKenzie, etc), para que haja uma reintegração o mais rápido possível.

Métodos utilizados como tratamento

Métodos Abdominal Hipopressivo

O MAH (Método Abdominal Hipopressivo), estimula o indivíduo a enfrentar os desconfortos iniciais de uma postura em isometria e apneias respiratórias.

Isso, para que ele possa liberar a dopamina após alguns minutos de prática do método, e assim, usufruir de todos os aspectos positivos de um equilíbrio das pressões intracavitárias.

Osteopatia

Já a Osteopatia estimula o corpo a buscar sua autocura através do equilíbrio entre estrutura e função.

Pilates

No Pilates, através de exercícios de fortalecimento, alongamento e respiração, o aluno mobiliza todo seu corpo adquirindo tônus e força muscular equilibrado.

Método McKenzie

Outro Método de tratamento, é o Método McKenzie (MDT) que tem como objetivo a autonomia do paciente, para que através de exercícios repetidos, ele encontre o movimento na direção correta para reequilibrar seu corpo.

Nesse artigo quero enfatizar como o Método McKenzie utiliza o movimento para diagnosticar e tratar os desequilíbrios mecânicos.

O que é o Método McKenzie?

Este método foi criado nos meados da década de sessenta pelo fisioterapeuta neozelandês Robin McKenzie (criador do Método McKenzie de Diagnóstico e Tratamentol), também conhecido como MDT (Mechanical Diagnosis and Therapy).

Ele afirma que se o movimento for aplicado na direção e intensidade certa pode ser terapêutico no tratamento e controle desse tipo de dor na coluna.

o Método McKenzie ganhou notoriedade mundial exatamente por essa proposta. McKenzie desenvolveu um sistema de classificação que pode ser aplicado a todos os problemas musculoesqueléticos da coluna e extremidades.

O grande diferencial desse Método é gerar a autonomia do paciente. A partir de uma avaliação minuciosa, são prescritos exercícios específicos para que o próprio paciente execute-os diariamente. Visando o reequilíbrio e autocura.

O paciente é ensinado a libertar-se da Cinesiofobia (o medo de se movimentar). Ele é estimulado a assumir o controle do seu corpo e a não ficar na dependência de remédios ou médicos para curar essa dor. Alcançando a tão almejada autonomia.

No que se baseia o Método McKenzie

O Método McKenzie está baseado nas respostas sintomáticas e mecânicas do paciente a vários movimentos repetidos ou forças de cargas estáticas.

Durante a avaliação mecânica, ele permite a classificação dos pacientes em categorias específicas que orientam o tratamento.

Ao invés de procurar fazer um diagnóstico específico do tecido (identificação de uma doença através dos seus sinais e sintomas), o sistema McKenzie concentra-se na identificação de síndromes.

Uma síndrome é um grupo característico de sintomas e um padrão de resposta característico de um problema particular, ou seja, cada pessoa será avaliada e tratada – não de acordo com exames de imagem ou laboratoriais -, mas com o que relata sentir e tudo que o corpo dela falar durante a avaliação.

É fundamental que o paciente saiba o que fazer quando a dor chegar, pois existe uma natureza recorrente na dor lombar.

Um estudo realizado no Reino Unido por Crofit (1998) descobriu que, um ano após a primeira crise de dor lombar aguda, 50% dos pacientes ainda reclamavam de sintomas intermitentes ou persistentes que interferiam em suas atividades rotineiras ou profissionais.

Um outro estudo, publicado por Enthoven, Skargren e Oberg (2004), acompanhou pacientes durante cinco anos após a primeira crise de dor lombar aguda e mostrou, pela primeira vez, que um grande número de pacientes continuou a apresentar problemas significantes: 50% haviam desenvolvido dores crônicas, reduzindo sua qualidade de vida.

Se faz necessário que, o mais rápido possível, seja restaurado o movimento desse corpo, pois quanto maior for o tempo de permanência do bloqueio da mobilidade, as alterações sistêmicas cronificam.

Nosso corpo se mantém em equilíbrio através de todo um complexo sistema de tensegridade (combinação de tensão com integridade). Mantido através da homeostase da rede fascial, das pressões intracavitárias e de toda interação entre os sistemas internos e musculoesquelético (Schleip, 2012).

A fáscia que reveste todos os tecidos do corpo é rica em fibroblastos, que são células com a capacidade de produzir colágeno, citoquinas (células do sistema imune), e carboidratos complexos que vão fazer parte da substância fundamental.

Os fibroblastos respondem a tensão mecânica e são influenciados pela direção do movimento, ou seja, a direção do movimento vai reverberar diretamente na produção desse colágeno, gerando a remodelação tecidual necessária para aquela região do corpo. (Lesondak, 2017).

Conclusão

Portanto, reafirmo a imprescindível necessidade da restauração do movimento em toda sua amplitude, para que o sistema corporal possa resgatar sua homeostase, e o indivíduo sua autonomia.

A ciência mundial se voltou para respaldar a importância do movimento na vida do ser humano, reintegre o movimento ao seu corpo e mude sua vida.

Bibliografia
McKenzie, Robin. Trate você mesmo sua coluna. 4ª Ed. Belo Horizonte: TTMT; 2016. Schleip, R., Findley, T.W., Chaitow, L., Huijing, P. (Eds.), 2012a. Fascia: The
Tensional Network of the Human Body. The Science and Clinical Applications in
Manual and Movement Therapies. Churchill Livingstone, Edinburgh.
Lesondak, David. Fascia: What it is and why it Matters. Ed. Ilustrada. Handspring Publishing Limited; 2017
Croft PR, MacFarlane GJ, Papageorgiou AC, Thomas E, Silman AJ. (1998) Outcome of low back pain em general practice: a prospect study. (Incidência da dor lombar na clínica geral: Estudo prospectivo) BMJ.316.1356-1359.
Enthoven P, Skargren E, Oberg B. (2004) Clinical Course in Patients Seeking Primary Care for Back and neck pain. (Trajetória clínica de pacientes que buscam o primeiro auxilio para dor na coluna e no pescoço) Spine 29.21.