Nos países da Europa, o Osteopata é um dos primeiros profissionais pelo qual um bebê é visto depois de nascer, já no próprio hospital.

Aqui no Brasil, a Osteopatia é uma especialização do profissional de Fisioterapia que vem ganhando cada vez mais credibilidade.

Tornando-se a primeira opção de busca para recuperar lesões e resolver questões de dores. Osteopatas também são procurados para prevenir recidivas ou novos desconfortos.

Com filosofia própria, baseada na anatomia, biomecânica e fisiologia do corpo humano, de maneira extremamente natural. Auxiliando o corpo no processo de cura. Assim, favorecendo a harmonia de suas funções.

Neste artigo você irá encontrar:

  • Osteopatia Pediátrica preventiva;
  • Detalhes do parto são fundamentais;
  • Complicações da má formação do crânio;
  • Sinais e sintomas que a Osteopatia Pediátrica pode ajudar os bebês e crianças.

Que tal aprender mais sobre? Continue lendo!

Osteopatia Pediátrica preventiva

No que diz respeito aos bebês, a Osteopatia Pediátrica pode atuar de maneira preventiva também. É possível realizar ajustes e estímulos para favorecer maior equilíbrio nas funções do organismo de um serzinho que acabou de sair do útero de sua mãe. Antes mesmo de algum problema surgir.

Mas qual tipo de ajuste estou falando? O que pode alterar em um bebê enquanto ele está todo protegido pela placenta e todo líquido lá dentro do útero da mãe?

Fica mais fácil de entender que as estruturas do bebê precisam se ajustar antes mesmo de nascer, quando pensamos em espaço. Sim, o espaço na barriga da mãe vai ficando cada vez menor.

O bebê cresce há cada dia e vai se posicionando para nascer. Mas até isso acontecer, ele vai ficando cada vez mais próximo das estruturas ósseas da pelve da mãe, que podem oferecer certa resistência às estruturas do corpo do bebê.

Também é possível que algumas adaptações e tensões da pelve da mãe, favoreça determinado posicionamento do bebê. Fazendo com que ele fique virado mais para um lado que para o outro, fique sentado, transverso, entre outras posições.

Detalhes do parto são fundamentais

O momento do parto, a forma como o bebê nasceu – se foi um parto normal, se foi cesariana -, se foi necessário ou não o uso de instrumentos como o fórceps, ventosas, tudo isso vai influenciar diretamente o bebê.

Mas como?

Vamos pensar em uma bexiga cheia de água. Onde a apoiamos, ela se molda à superfície. A cabeça do bebê funciona de maneira parecida. Não instantaneamente como ocorre com a bexiga, é claro, mas as pressões realizadas no crânio de um bebê são capazes de moldá-lo.

Então podemos pensar que já ainda dentro do útero da mãe pode ter existido um posicionamento que favoreceu uma pressão em determinada região do crânio.

Somado ao momento do parto e também ao posicionamento que a criança fica ao longo do dia, diferentes tensões podem se instalar e favorecer uma disfunção.

Que tipo de disfunção?

As Plagiocefalias, por exemplo,  podem ter sua origem em algum desses momentos descritos acima. A Plagiocefalia nada mais é do que aquela cabeça amassadinha, não simétrica.

Muitas vezes é possível observar essa alteração através do posicionamento das orelhas, altura dos olhos, orifícios do nariz. E ao medirmos o crânio do bebê, é possível realmente identificar a alteração na forma do crânio.

Mas se o espaço fica pequeno para todos os bebês, então todos vão nascer com essas alterações? Não!

Temos que lembrar que cada organismo é único e responde de determinada maneira à diferentes estímulos. Então não existem regras e sim possibilidades.

Complicações da má formação do crânio

E aí vamos lembrar que dentro do crânio, passando através dos forames (orifícios dos ossos) encontramos 12 pares de nervos. Cada um com sua função específica e qualquer tensão persistente exercida nos ossos cranianos, podem alterar a qualidade das informações que chegam aos nervos e que são enviadas por eles.

Um exemplo disso é o que pode ocorrer em casos de cólicas e refluxos, por exemplo.

Um dos nervos responsáveis pela função gástrica do nosso corpo, é o nervo Vago, o décimo par de nervo craniano. Ele passa por uma estrutura chamada Forame Jugular que fica localizado entre o osso temporal (osso atrás da nossa orelha) e o osso occiptal (osso da base da nossa cabeça).

Logo, as tensões realizadas no crânio que gerem uma adaptação dos ossos temporais e occiptal, podem afetar a tensão das membranas que recobrem o Forame jugular e consequentemente o funcionamento do nervo Vago.

É importante lembrar que o bebê não deve ficar por muito tempo em uma mesma posição. Isso principalmente na fase em que ele ainda não se vira sozinho, não senta, não muda de posições sozinho.

Lembrando que quanto mais tempo ele sofrer pressão em um determinado ponto do seu crânio, maiores são as chances do crânio alterar suas tensões e forma.

Essas alterações das quais estou falando, não necessariamente são as alterações no formato do crânio do bebê. Muitas vezes o bebê não tem a cabeça mais amassadinha mas apresenta refluxo, por exemplo.

Como saber se há alterações?

É através da palpação que podemos identificar se há ou não disfunção de tensões e mobilidade, instaladas nas estruturas tanto do crânio ou da coluna, quanto todo o restante do corpo do bebê ou da criança.

Uma vez identificada a disfunção, corrigimos através de técnicas extremamente sutis, afinal de contas a estrutura que estamos trabalhando é pequena, mais frágil e também não totalmente desenvolvida. Bastante diferente das estruturas do corpo de um adulto.

Assim como o toque é bastante sutil, costuma ser bastante rápida a correção, pois as adaptações não estão instaladas há tanto tempo, como em um adulto.

Sinais e sintomas que a Osteopatia Pediátrica pode ajudar os bebês e crianças

Refluxo, cólicas, vômitos, irritabilidade, distúrbios de sono, dificuldade para mamar… São alguns problemas que podemos ajudar através do tratamento osteopático.

É possível e bastante comum, realizarmos um trabalho em conjunto com outros profissionais, como os Fonoaudiólogos, consultores de aleitamento.

Tanto nas alterações para mamar (preferência por uma mama, machucar a mama da mãe, dificuldade para sugar, deglutir, entre outros) quanto na fala, é comum buscar um tratamento com um fonoaudiólogo.

E a Osteopatia Pediátrica pode auxiliar bastante, equilibrando as estruturas, proporcionando assim, melhores condições para que outros trabalhos e estímulos sejam realizados.

Em estudo realizado com 59 bebês de até um ano de idade, foi comparado o tratamento medicamentoso associado à Osteopatia com o tratamento exclusivamente medicamentoso.

Foi possível observar que em um mês, 33 bebês tratados com Osteopatia Pediátrica, saíram do diagnóstico de Refluxo, enquanto os outros 26 tratados exclusivamente com medicamentos, continuaram com o mesmo problema.

Além disso foi possível observar também, que sintomas como tosse, soluço, choro por azia e cólica, melhoraram significativamente no grupo que recebeu atendimento de Osteopatia Pediátrica. A cólica piorou e a tosse continuou igual no grupo que só usou medicamentos (GEMELLI e col., 2014).

Conclusão

Tratar um bebê ou uma criança, não é como tratar um mini adulto! As técnicas são bastante diferentes pois a estrutura é muito diferente. Então procure sempre um profissional com uma boa formação.

Nosso organismo é magnífico! Confie nele!


Este artigo foi escrito por: Laís Mori Sério

Fisioterapeuta Osteopata
CREFITO 124205-F