Há cerca de quatro anos falei que tudo iria mudar na área de movimento e que quem ficasse de fora iria perder mercado. Agora estamos começando a observar essas mudanças, seja na biomecânica do Pilates ou em outras áreas correlatas.

As pesquisas avançam diariamente e não existe mais opção. Ou começamos a estudar e nos atualizar ou nos preparamos para ficarmos obsoletos, ultrapassados por uma concorrência com cada vez mais conhecimento científico.

Eu prefiro estar no grupo de quem vê as novas pesquisas como uma oportunidade de crescimento, e você?

Hoje quero falar um pouco sobre a mudança de paradigmas que está ocorrente no Pilates e na área de movimento como um todo.

Tais alterações podem mudar drasticamente nosso atendimento e trazer muito mais eficiência para o que fazer. Quer entender mais sobre biomecânica do Pilates? Então continue lendo!

O que precisamos saber para ensinar biomecânica do Pilates?

Primeiramente, quero discutir o que precisamos para sermos reais instrutores de Pilates. Será que só a formação em uma área do movimento e um curso de especialização, como os da VOLL Pilates, são o suficiente?

Considero que a formação é o passo inicial na carreira do instrutor. Ela dá os conhecimentos básicos que você precisa para tratar seus pacientes. No entanto, ela não chega nem perto de ser o suficiente para sermos realmente bons. Vou explicar o motivo.

Quando criei meu curso de Biomecânica do Pilates, há mais ou menos cinco anos, ele era completamente diferente do atual. Simplesmente não existiam pesquisas o suficiente para que eu oferecesse informações de tanta qualidade.

Mas hoje, já existem pesquisas excelentes que nos mostram como o corpo funciona e reage a estímulos. Ou seja, consegui criar um curso muito mais completo e que te ajuda a trabalhar ainda melhor com seu aluno.

Essa revolução de informações também ocorreu com o Pilates. Novas e excelentes pesquisas são lançadas quase semanalmente.

Quem não conseguir entender e manter-se atualizado a respeito de anatomia, biomecânica e questões biopsicossociais vai ficar para trás.

Como a ciência está mudando as áreas do movimento?

Não adianta ficar parado em conceitos antigos e não acompanhar pesquisas e esperar manter-se no mercado. Precisamos compreender muito bem a biomecânica do Pilates para conseguir otimizar o método.

Por acaso você ainda se espanta quando eu falo que não podemos contrair o assoalho pélvico em nossas aulas? Ou que sentar não causa dor lombar?

Então talvez você esteja ultrapassado, mas ainda dá tempo de mudar isso com muito estudo.

Já sabemos que muitas ideias antigas consideradas eficientes nada mais são do que efeito placebo. Alongamento passivo? Já não é considerado eficaz há mais de 12 anos. O transverso abdominal? Não trabalha de forma simétrica como gostaríamos que trabalhasse.

A verdade é que pedimos por conhecimento durante muito tempo. Mas agora que ele está disponível, muita gente prefere ficar presa a ideias antiquadas e ultrapassadas.

A realidade é que conhecimento não deve ser obrigado. Só aprende quem quer, o restante continuará trabalhando com ideias antigas e sem resultados tão positivos.

Efeito placebo e técnicas de movimento

Quando falei a respeito de técnicas antigas ou ultrapassadas que profissionais continuam a usar, não quis dizer que não trazem resultados.

No entanto, hoje já sabemos como o efeito placebo atua na fisioterapia a ponto de ser um de nossos melhores amigos no tratamento.

As dores são multifatorias, ou seja, causadas por fatores biomecânicos, anatômicos e psicossociais. Gosto da teoria do balde que explica o surgimento de uma dor.

De acordo com ela, o corpo é como um balde vazio. Conforme surgem interferências esse balde se enche de água. Uma cicatriz tóxica pode colocar um pouco de água, alterações corticais mais um pouco, assim como um distúrbio mecânico.

O estresse e problemas emocionais também servem para encher esse balde de água.

Eventualmente a água transborda, mesmo que seja por causa de uma gota de água pouco significativa, e a dor surge. É nesse momento que recebemos o aluno cheio de dores na coluna, por exemplo.

Esse problema surgiu por causa de uma série de fatores, não por causa do desvio postural ou por uma disfunção biomecânica.

O que podemos fazer é utilizar técnicas que aos poucos eliminam esses fatores para conseguir o alívio da dor. O efeito placebo também pode ser uma ferramenta.

O que não podemos fazer como profissionais é acreditar que técnicas já provadas como falsas ou pouco eficazes pela ciência possuem efeitos reais no aluno.

Algumas vezes ele precisa daquele alongamento estático para se sentir bem, mas você, o fisioterapeuta, sabe que não ocorreu uma mudança biomecânica para corrigir o problema.

Cinesiofobia

Você tem algum aluno com medo de se mexer? Imagino que sim e isso é muito comum. A cinesiofobia é outro problema que vem sendo combatido através de informações.

Ela é gerada basicamente por falta de informação e mitos que nós, da comunidade médica e do movimento, continuamos espalhando.

O paciente com um abaulamento lombar pode procurar um médico para resolver sua situação. Nesse momento ele orienta que ele pare toda atividade física que está fazendo e fique de repouso por um mês.

Durante o período o paciente deve tomar alguns remédios e até evitar tarefas domésticas que envolvam abaixar ou levantar peso. Será que está certo?

De acordo com as guidelines mais recentes de dor lombar, esse tipo de padrão de atendimento é péssimo. Ele estimula o repouso e o medo de certos movimentos.

Ficar muito tempo parado pode fibrosas a região e criar um corpo rígido e sem movimentos multidirecionais. Portanto, o paciente fica ainda pior do que está.

Conclusão

Não posso recomendar algo fora muito estudo e dedicação à nossa profissão para continuarmos no mercado. Entender a biomecânica do Pilates e os processos biopsicossociais que formam a dor podem mudar muito sua forma de atendimento. Então, invista em você e em seu conhecimento.

Sabemos que muitos mitos do movimento surgem da própria comunidade médica. Basta olhar a quantidade de hérnias que você atende no seu Studio.

Não quer dizer que elas não existem, mas quer dizer que o paciente está sentindo dor e limitando seus movimentos por um problema que não é tão sério assim.

Mas como podemos discutir com alguém que está seguindo a orientação médica? Através do conhecimento e embasamento científico sobre biomecânica do Pilates.

Através deles conseguimos falar com o médico de igual para igual e conseguir a confiança do aluno.