A artrodese lombar é um procedimento cirúrgico realizado na fusão óssea de certos segmentos da coluna lombar. Ele pode ser realizado com acesso anterior ou posterior à coluna e a indicação do método cirúrgico depende muito do caso e da patologia.

Após a cirurgia o paciente adquire hipomobilidade ou imobilidade do segmento da coluna operado. O procedimento está tornando-se cada vez mais popular a cada ano que passa. Um revisão da literatura indicou que no período entre 2012 e 2013 foram 6.547 cirurgias realizadas só no Reino Unido.

No Brasil a mesma tendência é percebida. Por isso, profissionais do movimento precisam compreender as compensações geradas pelo procedimento para auxiliar nossos pacientes.

Quando a artrodese lombar é indicada?

A artrodese lombar é indicada principalmente para casos de:

  • Degeneração discal sintomática;
  • Instabilidade segmentar;
  • Espondilolistese;
  • Estenose do canal lombar;
  • Hérnia de disco.

Ela é conhecida como um método minimamente invasivo para consertar patologias da coluna. Por diminuir a mobilidade da coluna, o procedimento é indicada para casos de instabilidade da lombar.

O procedimento envolve a utilização de um enxerto ósseo para realizar a fusão, podendo também envolver o uso de parafusos, barras, pinos e outras ferramentas.

Consequências da artrodese lombar

Apesar da sua popularidade, a cirurgia de artrodese lombar nem sempre possui resultados tão positivos. Cerca de 20% dos operados não apresentam melhora nos sintomas e outros 40% estão insatisfeitos 2 anos após a operação.

Esses pacientes sofrem com o retorno dos sintomas e limitação funcional para as atividades da vida diária. O mesmo problema acontece para cirurgia de estenose do canal lombar.

Possivelmente, a falta de resultados da artrodese lombar é consequência de má reabilitação. Pacientes que passam pelo procedimento precisam recuperar seus movimentos e fortalecer a coluna operada. Portanto, a reabilitação com o profissional do movimento é essencial.

Importância da reabilitação após a operação

Após o procedimento o paciente perde parte de sua mobilidade lombar, mesmo que seja uma perda mínima. Além disso, muitos indivíduos operados ainda passam longos períodos em imobilidade para conseguir alívio da dor e incômodo pós-cirúrgico.

Portanto, ao lidarmos com pacientes que passaram pela operação estamos diante de uma coluna enfraquecida e que perdeu parte de sua mobilidade. Como sabemos, a coluna vertebral precisa de um delicado equilíbrio entre mobilidade e estabilidade para ter seu funcionamento normal.

Assim, nosso paciente deve passar por um processo de reabilitação que permita retorno à atividades diárias. O movimento parece ser uma das melhores soluções, contanto que seja aplicado de forma adequada e no momento correto para o indivíduo operado.

Proposta de reabilitação após artrodese

Sabendo que a reabilitação de pacientes que passaram por artrodese lombar trago para vocês uma proposta de reabilitação para pacientes com artrodese. A proposta foi feita para pacientes que realizariam cirurgia no complex Spine Team do Neurosurgical Department of the National Hospital for Neurology and Neurosurgery.

A proposta foi desenvolvida pelo departamento de fisioterapia da University College London Hospital. A intenção era otimizar a recuperação propondo um tratamento individualizado e progressivo.

Portanto, o paciente conseguiria seguir os princípios da terapia cognitiva comportamental (TCC) para melhorar os sintomas de dor e falta de mobilidade do segmento da coluna lombar.

De acordo com a proposta, os grupos de pacientes (grupo controle e experimental) permaneceriam no hospital por aproximadamente 5 dias para cuidados ambulatoriais.

Ambos também seriam encorajados a aumentar gradativamente seus níveis de atividade, mais especificamente uma caminhada regular diária.

Durante os três primeiros meses, todos os pacientes deveriam seguir o protocolo padrão de reabilitação. Depois desse período, um grupo de indivíduos seria acompanhado com a proposta de reabilitação.

Educação do paciente

O primeiro passo nessa proposta de reabilitação com movimento é a educação. O paciente deveria passar por 5 sessões de aconselhamento com palestras de no máximo 20 minutos.

O objetivo desses momentos era criar oportunidade para o paciente entender a importância de aumentar os níveis de atividade física e como controlar a dor.

Durante as palestras, o paciente ouviria sobre benefícios dos exercícios, atividade gradual e o mecanismo de dor. Além disso, ele também seria educado a respeito das mudanças de crença e atitudes para facilitar a reabilitação.

Após uma breve exposição do tópico, os participantes seriam estimulados a discutir sobre sua situação. Cada sessão seria iniciada com um pequeno resumo da anterior.

Atividade física

Cada paciente no grupo experimental também passaria por um tratamento com atividade física. O programa de reabilitação é constituído de sessões individuais realizadas por fisioterapeutas especialmente treinados para lidar com o protocolo proposto.

Da primeira à terceira semana o paciente passa por uma fase de familiarização. Nesse momento, ele deve familiarizar-se com o ambiente onde as atividades, o profissional, os exercícios e compartilhar suas experiências.

O exercício passa por evolução semanal de carga que deve ser individualmente ajustada de acordo com cada caso. Inicialmente, os exercícios precisam ser simples e de fácil execução para que o paciente possa realizá-los em casa.

Das quarta à décima semana os exercícios progridem gradualmente para conseguirem fortalecer membros inferiores e coluna.

Além disso, os exercícios ajudam a melhorar a amplitude de movimento e incluem exercícios cardiovasculares. O profissional responsável também recomenda exercícios domiciliares de acordo com cada paciente.

Reabilitação convencional

A reabilitação do outro grupo deveria ser mais convencional. Durante os três primeiros meses, ambos os grupos receberiam instruções para realizar uma caminhada diária e aumentar os níveis de atividade gradualmente.

Para controle de dor, esses pacientes receberiam sua auxílio da equipe médica com analgesia e gerenciamento da dor.

Conclusão

O que apresentei nesse artigo foi uma proposta de reabilitação ainda não testada. Como sempre falo, devemos ter sempre uma visão individualizada de cada paciente. Mesmo que todos tenham realizado uma artrodese lombar, eles não desenvolvem os mesmos desequilíbrios.

Evite seguir protocolos idênticos para todos os pacientes. A reabilitação é sempre um processo individualizado que exige uma excelente avaliação para determinar os melhores exercícios.

Quanto ao momento para realizar a reabilitação após artrodese, parte da literatura sugere que o início da fisioterapia deve acontecer 12 semanas depois do procedimento.

No entanto, ainda não existem respostas conclusivas. O melhor é sempre avaliar o paciente com cuidado e respeitar seus limites durante os exercícios.

 

 

Bibliografia