Quando falamos no tecido fascial o grande desafio para o profissional do movimento é sair do movimento mecânico, pois o mesmo não explica o conceito das fáscias.

Entendendo que a resposta é neural, ou seja, a partir do sistema nervoso autônomo, e não pelas propriedades mecânicas do tecido conjuntivo.

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No que consiste o trabalho fascial

O objetivo do trabalho fascial é favorecer a transmissão de tensão e não alongar, isto só poderá ser realizado através do toque mínimo, límbico, gerando resultados mais rápidos, devemos fugir do estímulo viscoelastico.

Porque esse princípio, gerara ganho de flexibilidade momentâneo, porém ele se perderá ao longo de pouco tempo. Quando alongamos algum músculo do corpo, estamos trabalhando na resposta aferência e eferência com as fáscias. Mais profundamente a fáscia profunda e epimisal.

Estudos de anatomia, de Stecco dizem que a maior parte dos tendões do corpo são inseridos para transmitir tensão, 40% do tendão do bíceps não insere na cabeça do rádio, saindo do conceito que tendão somente está ligado ao osso, este tendão está inserido na fáscia antibraquial anterior que é tecido fascial e não ósseo.

Parte dos tendões do corpo seguem este conceito, chamado de bandas fasciais (massetosfibrossos) para transferência de tensão do bíceps para a mão e vice e versa. A fáscia e contínua, ela continua por todo o corpo.

O princípio da fáscia e a Biotensegridade, onde a matriz extracelular a todo momento está em tensão ativa na fáscia e não no músculo, como pensávamos anteriormente, ela se comporta de forma dinâmica e adapta o indivíduo o tempo todo para aumentar as chances de sobrevivência com o máximo de economia energética. A isto damos o nome de tônus miofascial, que é o somatório das forcas ativas, mais passivas do corpo.

Os estudos de Guimbertau

Em estudos um médico francês e osteopata chamado Jean Claude Guimbertau, com indivíduos vivos e anestesiados, observou a fáscia viva e seu comportamento, concluindo que a fáscia não segue um padrão linear, cartesiano, newtoniano, quando colocado no tecido vivo e realiza o movimento, pesquisado em nível microscópico, ela se remodela conforme a necessidade/ tensão do sistema, a biotensegridade.

Após os estudos de Guimbertau uma janela se abriu, perante conceitos que quebram drasticamente vários paradigmas anteriores.

O tecido conjuntivo é composto por células e sua matriz extracelular. Presente em todas as células e tecido fascial do corpo, sendo um tecido de conexão.

O que mantém esta tensão e a manutenção da Biotensegridade é a dinâmica dos líquidos, que são os componentes das células de musculatura lisa soltas na matriz extracelular e água, esta matriz liga todo o corpo a maioria dos receptores neurais do corpo, células modificadas que mandam informações por axônios, as aferências sobem informando o corpo como ele está.

Nas células existem dois pontos os fibroblastos, miofibroblastos, osteoblastos, condroblastos, condroclastos. Separadas por células fixas e células móveis.

As células móveis têm liberdade de transitar neste rio que é o tecido conjuntivo. Estes líquidos vão para todo o corpo, são células do sistema imunológico. Havendo um bom fluxo da matriz extracelular em especial os líquidos do tecido linfático e do tecido conjuntivo, temos uma boa chegada das células de defesa do corpo.

Já na matriz extra celular, não temos células, temos água, a famosa substancia fundamental Amorfa (não tem forma é líquido), em conjunto com o ácido hialurônico que é um, glicosamino, proteoglicano e glicosaminoglicano não sulfatado.

Ele tem a propriedade de atrair água para o tecido fascial, porém com a aglomeração de várias de moléculas de acido hialurônico, formando várias macromoléculas, acontecendo a diminuição dos fluidos e tensão do todo sistema (densificação).

Manobra de Creeping

Stecco e colaboradores, em seu método diante uma densificação no tecido, geramos um processo inflamatório local, quebrando assim, as grandes moléculas de ácido hialurônico, melhorando a transmissão de tensão da matriz extracelular.

A esta manobra dá-se o nome de Creeping que age na matriz extracelular, quebrando assim, as grandes moléculas. Este processo inflamatório será tratado pelo movimento.

Na matriz temos ainda proteínas estruturais que são o colágeno, em maior abundância, além da reticulina e a elastina.

Para dor aguda tem que se mexer, subaguda mexer ainda mais e para dor crônica movimentar é fundamental, a dor é multifatorial e o movimento é essencial para esta questão multifatorial.

OS riscos da falta de mobilidade

A falta de mobilidade deixa o corpo doente. Quem remodela colágeno no corpo é o movimento. A célula que produz o colágeno são os fibroblastos, o colágeno tem uma vida útil, em média de 300 dias no corpo, o movimento, a tensão ou não produz o colágeno. Automaticamente ele é destruído ou renovado.

O fibroblasto produz tudo o que a matriz extra celular precisa.

O Colágeno, a proteína mais importante do corpo representa 60% a 70 % da massa total do tecido conjuntivo, cerca de 25% a 30% de massa total de proteínas dos mamíferos, eles são remodelados e são produzidos através de tensão e quem os produz são os fibroblastos.

O colágeno se dispõe na matriz extracelular de forma ondulada e na prática é preciso realizar a pré tensão (leve estiramento) para ativar a fáscia, ativar os mecanorreceptores. 30% das fibras se renovam com 6 meses e 75% das fibras tem uma renovação total em 2 anos.

A Dor Lombar

Paul Hodges, criador da estabilização segmentar, visão mecânica e rotulador, hoje já se respeita a visão multisistemica. Em um dos estudos verificou a alteração no córtex frontal, quem tem dor lombar e alteração no padrão do movimento.

Pessoas com dor lombar não acontece a antecipação do movimento, ativação do transverso e do multifídeo. Existe a reprogramação do córtex frontal, o principal responsável pelo movimento.

Constatou se em pesquisa que o corpo precisa de movimento e não bloqueio ou isolamento muscular. Entendendo que o corpo é uma unidade. Pessoas com alteração crônica, tem problemas em mais de um sistema.

Quando os fibroblastos são tensionados/esticados, eles são multiplicados por mitoses e quando comprimidos sofrem apoptoses, eles morrem, estudos em vivos comprovam este achado.

Parte Citológica

Na parte citológica, nós temos os microtúbulos rígidos que não tem contato, um com outro e que são ligados por cadeias flexíveis que geram tensão, são filamentos proteicos contráteis, são os microfilamentos, proteínas com poder de contração com comunicação com os microtúbulos que transmitem um campo eletromagnético dentro da célula, também existem os filamentos intermediários e os miofilamentos de actina. Este conjunto é o citoesqueleto celular. O comportamento celular se dá de forma igual ao meio extracelular.

Temos uma célula, um meio extracelular onde estão os colágenos e na membrana celular, temos uma proteína chamada Integrina, ela capta tensão do meio extracelular, dos fibroblastos, miofibroblastos e células de musculatura lisa, que ficam soltas na matriz extracelular, contrai e tensiona o colágeno.

Este colágeno chega na integrina, quando ela recebe o estímulo de aumentar tensão ela abre a membrana e deixa entrar cálcio dentro da célula.

Este mecanismo chamado de mecanotransdução, e gerado por uma tensão mecânica é alterado o componente químico por conta da entrada de cálcio, logo os miofilamenos contrateis dentro da célula, atingindo o núcleo celular e está tensão celular que faz o DNA produzir tudo que o meio extra celular está precisando, como por exemplo, colágeno para o movimento.

Se for alterado a tensão extracelular, tensão passiva de repouso (tônus miofascial), altera-se a tensão que chega dentro do núcleo, alterando toda a programação do DNA da célula. Esta ciência chama-se epigenética.

Alterações comportamentais as formas das tensões do corpo que vão alterar a tensão que chegam ano núcleo celular remodelando todo o meu sistema.

Conclusão

A cada dia, novas pesquisas, destroem antigos conceitos e nos comprova que a importância do tecido fascial e muito maior do que imaginávamos.