A síndrome do desfiladeiro torácico é uma patologia bastante frequente. Ela afeta a cintura escapular e causa sintomas limitantes no aluno. Ela acontece quando o paciente apresenta compressão de estruturas que passam pelo desfiladeiro cervicotoracobraquial.

Os principais sintomas da síndrome são:

  • Dor;
  • Parestesia principalmente no nível do 4º ou 5º dedo, podendo acontecer também no 2º ou 3º dedo;
  • Alteração da coordenação motora fina;
  • Fraqueza muscular distribuída por toda a mão, especialmente em movimentos de adução/abdução dos dedos;
  • Incapacidade para realizar atividades da vida diária;
  • Isquemia;
  • Palidez;
  • Cianose;
  • Sintomas vasomotores (fenómeno de Raynaud) que acontece por hiperatividade simpática em reação à isquemia;
  • Sensação de peso;
  • Aumento da temperatura e edema;

Muitos pacientes desenvolvem esses sintomas de maneira espontânea, mas eles também podem surgir por causa de algum movimento. Também existe a forma venosa de SDT. Nesse caso, o indivíduo ainda pode desenvolver uma trombose venosa que acontece pelo edema formado na região da compressão.

A síndrome do tipo arterial é bem mais rara e tem sintomas que incluem:

  • Vertigem;
  • Alteração do equilíbrio;
  • Diminuição da pressão do membro afetado.

Para conseguir compreender melhor o caso de síndrome com o qual estamos lidando precisamos realizar um bom diagnóstico. Por isso, durante a avaliação, o profissional do movimento precisa aplicar testes para síndrome do desfiladeiro torácico.

Por ser uma patologia de difícil diagnóstico, separei os principais testes e algumas dicas a respeito de exames complementares. Continue lendo para aprender mais sobre a síndrome e como identificá-la no seu paciente.

Teste de Adson
síndrome do desfiladeiro torácico e teste de adson

Posição: O paciente fica sente ou em pé de frente para o examinador.

Durante o teste de Adson, o terapeuta palpa o pulso radial do paciente e depois realiza cada uam das etapas.

1ª etapa: o paciente realiza uma abdução de 30º e hiperextensão do membro superior. Ainda nessa posição, é preciso verificar o pulso do paciente. Se ele estiver ordiminuído, provavelmente possui um músculo peitoral menor encurtado.

2ª etapa: o terapeuta instrui o paciente a realizar uma inspiração forçada e rodar a cabeça para o lado sendo testado. Nessa posição ele deve verificar o pulso do indivíduo. Caso esteja diminuído podemos estar de frente de um estreitamento por encurtamento ou hipertrofia dos escalenos. O feixe neuromuscular passa entre os músculos escalenos anterior e médio, mais ou menos na altura do pescoço. A inspiração máxima faz com que a pessoa eleve a primeira costela, estreitando ainda mais a passagem do feixe.

Sinais: durante o teste o paciente pode apresentar sensação de formigamento e fraqueza em todo o membro superior. Ele ainda pode ter reações, como sudorese e sensação de peso no membro avaliado.

Teste de Roos
síndrome do desfiladeiro torácico e teste de roos

Posição: o paciente fica em pé, com o s braços abduzidos a 90º e com o cotovelo fletido a 90º .

Para realizar o teste, o terapeuta instrui o indivíduo a realizar um movimento rápido de abrir e fechar os dedos. Ele deve repetir esse movimento por pelo menos 30 segundos.

Sinais: pacientes com a síndrome do desfiladeiro torácico começam o movimento, mas não conseguem continuar por muito tempo. Observe a queda do membro ou a falta de capacidade de continuar realizando a ação. Esse teste demonstra que o feixe neurovascular é comprimido no desfiladeiro torácico.

Teste de Hiperabdução
teste de hiperabdução para síndrome do desfiladeiro torácico

Posição: o paciente precisa estar sentado ou em pé e de costas para o terapeuta. Seus braços ficam em abdução em torno de 30º ou 40º.

Para realizar o teste, o terapeuta palpa os pulsos radiais do paciente e leva seus braços para abdução horizontal máxima.

Sinais: o paciente pode apresentar alterações no pulso radial do lado afetado pela síndrome. Nesse caso, a suspeita de síndrome do desfiladeiro torácico é confirmada e geralmente acontece pela contratura do músculo peitoral menor ou por causa da presença de costela cervical.

Teste dos três minutos de estresse com o braço elevado:

Entre os testes para síndrome do desfiladeiro torácico esse é o mais indicado para confirmar o caso.

Durante o processo, o paciente deve realizar a abdução de ambos os braços com rotação externa e flexão de 90º dos cotovelos. Depois de adotar a posição, ele deve abrir e fechar as mãos por três minutos.

Sinais: o paciente pode apresentar sintomas, como entorpecimento, parestesia e incapacidade de continuar o testes. Todas essas são respostas positivas à síndrome. Pessoas normais podem apresentar fadiga no membro superior, mas raramente têm parestesia ou mesmo dor.

Exames complementares aos testes para síndrome do desfiladeiro torácico

A síndrome do desfiladeiro torácico tem um grande número de sinais e sintomas neurológicos e vasculares característicos. Por isso, seu diagnóstico é essencialmente clínico, porém difícil, o que leva ao subdiagnóstico dessa patologia.

Para auxiliar na identificação do problema do paciente podemos utilizar exames auxiliares de diagnóstico (EAD). Eles são especialmente úteis para excluir outras patologias, como:

  • Radiograma simples (RX) torácico e cervical (sinal radiológico: primeira costela com aspeto em foice ou boomerang);
  • Tomografia computorizada (TC) cervical (permite visualizar com maior acuidade estruturas ósseas, envolvidas por exemplo em radiculopatia cervical, calo ósseo em contexto póstraumático);
  • Ressonância magnética nuclear (RM) cervical e de plexo braquial para averiguar a existência de hipertrofia dos músculos escalenos e subclávio ou a existência de bandas musculofibróticas. Também pode ser usado para efetuar medições, seja de distâncias mínimas de lugares típicos de compressão como os espaços interescalenos e retropeitoral, como de distâncias desde as estruturas neurovasculares ao músculo peitoral menor (que, a serem inferiores a determinados valores, traduzem compromisso do feixe vasculonervoso.

Considerando as técnicas de imagem, precisamos realizar os testes com cuidado. Durante a ressonância magnética em especial, é importante realizar o teste junto de manobras que provocam os sintomas da patologia. Para isso, o terapeuta pode combinar testes para síndrome de desfiladeiro torácico, como o teste de Adson. É uma forma de diminuir os falsos negativos do exame.

Estudos eletrofisiológicos não são muito recomendados para esse tipo de caso por serem inespecíficos. Seus resultados apenas demonstram lesão nervosa de longa data e derivada da compressão intensa.

Pacientes que têm uma manobra positiva nem sempre chegam a desenvolver a síndrome do desfiladeiro torácico. Porém, acredita-se que para que a síndrome aconteça o paciente precisa, primeiro, ter estreitamento anatômico e algum grau de trauma repetitivo. São esses fatores que permitem o surgimento da doença.

Os sinais e sintomas característicos da doença podem ocorrer de forma espontânea ou serem provocados por movimentos que diminuem as dimensões dos espaços anatômicos.

Conclusão

A síndrome do desfiladeiro é uma patologia de difícil diagnóstico que causa sérias consequências para nossos pacientes. Como sempre, a avaliação é o ponto inicial do tratamento e, se não for bem realizada, pode acabar com as chances de reabilitação.

Por isso, trouxe aqui alguns testes para síndrome do desfiladeiro torácico que são bastante úteis para sua prática clínica. Aprendendo mais sobre a patologia você consegue melhorar seu tratamento do problema e oferecer resultados mais eficientes ao paciente.

Mas calma, não terminamos de analisar a síndrome ainda! Você pode conferir meu artigo completo sobre o tratamento dessa patologia clicando nesse link.

 

 

Bibliografia
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  •  https://www.auladeanatomia.com/novosite/generalidades/eponimos-anatomicos/
  • Upper limb tension tests as tools in the diagnosis of nerve and plexus lesions. Anatomical and biomechanical aspects. Kleinrensink GJ1, Stoeckart R, Mulder PG, Hoek G, Broek T, Vleeming A, Snijders CJ.
  • Mobilization nervous system: assessment and treatment Herculano Franco de Oliverira Junior Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury – Áktor Hugo Teixeira Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury