A Constipação Intestinal é a queixa digestiva mais comum na população geral, sendo responsável por milhões de visitas médicas aos hospitais no Brasil e no Mundo (COLLETE 2007).

Consiste, portanto, em um distúrbio caracterizado pela diminuição da frequência das evacuações a intervalos maiores que 48 horas, o que permite um aumento da absorção de água pelas paredes do cólon, resultando em fezes duras, pesando menos de 200 gramas (ANDRÉ et al, 2000).

Existem vários fatores epidemiológicos de risco para o desenvolvimento de constipação como:

  • Idade;
  • Sexo Feminino;
  • Baixo nível socioeconômico;
  • Baixo consumo de fibras na dieta alimentar;
  • Mal estilo de vida, no que diz respeito aos países industrializados, bem como o excesso de alimentos industrializados.
  • Aumento crônico da Pressão intra-abdominal (PIA)

A modificação dos hábitos alimentares gerada pela tecnologia tem introduzido o consumo de alimentos refinados desprovidos de fibras vegetais, contidas em maior quantidade nas cascas das frutas e legumes.

Por esse motivo, existem nos países desenvolvidos uma alta incidência de doenças que eram pouco frequentes no passado como o a constipação intestinal, as chamadas doenças da civilização.

Doenças resultantes da Constipação

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), a constipação propriamente dita pode ser um sintoma inicial de doenças graves. Como por exemplo, o câncer colorretal, que é o quinto câncer mais frequente entre os homens e o quarto entre as mulheres no Brasil.

A cronicidade dos sintomas, a falta de orientação terapêutica adequada e o uso abusivo de laxantes podem ter como consequências o surgimento de outros problemas. Entre eles:

  • Doença diverticular do cólon;
  • Hemorroidas;
  • Fissuras Anais;
  • Fecalomas com impactação fecal (AMBROGINI 2001).

Funcionamento do Intestino

O intestino é um órgão de formato tubular que se estende desde o final do estômago até ao ânus, permitindo a passagem dos alimentos digeridos, facilitando a absorção dos nutrientes e a eliminação dos resíduos. Para fazer todo esse processo, o intestino tem cerca de 7 a 9 metros de comprimento.

O intestino é uma das partes mais importantes do sistema digestivo e pode ser dividido em 2 partes principais:

  • Intestino delgado: é a primeira porção do intestino, que liga o estômago ao intestino grosso. É a parte mais comprida do intestino, com cerca de 7 metros, onde ocorre uma parte da absorção de água e grande parte de absorção dos nutrientes como: açúcares e aminoácidos.
  • Intestino grosso: é a segunda porção do intestino, apresenta cerca de 2 metros de comprimento. É a menor parte do intestino, mas a mais importante na absorção de água. Mais de 60% da água que nosso corpo precisa é absorvida no intestino grosso.

Após as refeições podem ocorrer contrações colônicas de grande amplitude, denominadas reflexo gastrocólico, que se propagam a partir do sigmóide proximal em direção a sua porção terminal, empurrando a massa fecal para o interior do reto.

A continência fecal e as evacuações dependem do funcionamento perfeito da musculatura pélvica.

Movimentos pré-evacuatórios

Os esfíncteres interno e externo envolvem o ânus, sendo o primeiro um espessamento da musculatura lisa circular do intestino e o segundo de musculatura estriada sob controle voluntário.

Quando as fezes chegam ao reto, receptores sensíveis ao estiramento determinam o relaxamento reflexo do esfíncter interno do ânus, permitindo que o conteúdo retal, ao atingir a região anodérmica, seja percebido de modo discriminado para gases, líquidos ou fezes pastosas.

Neste momento, o indivíduo pode decidir pela eliminação de flatos ou pela contração voluntária do esfíncter externo até chegar ao local apropriado para ultimar a defecação.

O relaxamento do esfíncter interno do ânus em consequência da distensão retal é denominado reflexo retoanal que é transmitido através do plexo mioentérico. Este reflexo pode ser avaliado por meio da manometria anorretal.

Bactérias presentes no Intestino

Embora o tubo digestivo inteiro seja amplamente colonizado por bactérias, existe entre seus diversos segmentos uma grande variedade na concentração destas. (PINHO, 2008)

A presença de secreções ácidas e biliares no estômago e intestino delgado proximal, e a presença de um trânsito mais acelerado contribui para uma redução da quantidade de bactérias nestes segmentos. (PINHO, 2008)

A colonização bacteriana aumenta de forma exponencial no intestino delgado distal devido à ausência das referidas secreções e pelo retardo de trânsito pela ação da válvula ileocecal. No cólon iremos observar um aumento acentuado da flora bacteriana.

Portanto, ao longo de todo o intestino, existe uma flora de bactérias que ajudam no processo digestivo, assim como a manter o intestino saudável e livre de outras bactérias patogênicas que podem ser ingeridas com os alimentos.

Para manter uma flora intestinal saudável, deve-se apostar no consumo de probióticos, tanto através dos alimentos como de suplementação.

Qual a relação do MAH com a Constipação Intestinal?

As posturas propostas no Método Abdominal Hipopressivo (MAH) têm como objetivo trabalhar a mobilidade diafragmática.

O diafragma é o musculo primário da respiração e tem ligação intima com os intestinos. Ligações essas através de cadeias musculares, fáscias e biomecânica.

Quando esse músculo trabalha com menor esforço e com a pressão intra-abdominal normalizada ele potencializa a sua ação de massagear o mesocólon transverso e assim melhora a mobilidade visceral. Esse aumento da mobilidade facilitará o fluxo fecal prevenindo e/ou tratando da constipação intestinal.

Além disso a técnica (MAH) trabalha na reprogramação do córtex cerebral onde proporcionará um estimulo das cadeias miofasciais e das vias do sistema neurovegetativo. Onde acontecerá uma perfeita sincronia entre acetil colina (colinérgicos) e noradrenalina (adrenérgicos).

Essas substâncias irão fazer ajustes neurodinâmicos afim de melhorar o funcionamento intestinal. Um estudo recente mostra que cerca de 90% da serotonina existente no corpo humano é produzido no intestino (OLIVEIRA 2013).

A serotonina é um neurotransmissor que atua diretamente no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções intelectuais e por isso, quando este hormônio se encontra numa baixa concentração, pode causar mau humor, dificuldade para dormir, ansiedade ou mesmo depressão.

O MAH como visto acima, ajudará no funcionamento dos intestinos. O mesmo estudo proposto por Oliveira 2013, mostra que: quando o intestino funciona bem, temos menores riscos de ocorrências de ansiedade e de depressão.

Conclusão

Uma das formas de aumentar a concentração de serotonina na corrente sanguínea é consumindo alimentos ricos em triptofano, praticar exercícios físicos com regularidade e em casos mais severos, tomar remédios.

Portanto, além da técnica MAH ser de extrema importância no tratamento da constipação intestinal é muito importante orientar o consumo de água.

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Escrito por Marlon Bluner

Fisioterapeuta com formação completa no Método Pilates, Pilates Avançado, Pilates aplicado ás Patologias da Coluna e Método Pilates em Suspensão. É palestrante recorrente dos eventos do Grupo VOLL, assim como treinador do Curso de Formação Completa em Pilates e Método Abdominal Hipopressivo.

 

 

Bibliografia
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  • Collete VL; Araújo CL; Madruga SW. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal: um estudo de base populacional em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 2007
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  • Mauro Batista de Morais1, Helga Verena L. Maffei, Constipação intestinal, Revisão, 0021-7557/00/76-Supl.2/S147 Jornal de Pediatria
  • Pinho, Mauro. Rev bras Coloproct, 2008;28(1): 119-123. A Biologia Molecular das Doenças Inflamatórias Intestinais, 120 Vol. 28 Nº 1 Rev bras Coloproct Janeiro/Março, 2008
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  • Vanessa Louise Collete; Cora Luiza Araújo; Samanta Winck Madruga. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal: um estudo de base populacional em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 2007