Quem trabalha com alunos com dor no joelho certamente já encontrou um caso de tratamento de dor patelofemoral. Ela é tão comum, mas mesmo assim continuamos confusos a respeito do seu tratamento.

Alguns sugerem que a dor seja causada principalmente por um desequilíbrio de quadríceps. Por isso, seu tratamento deveria ser feito focando nesse grupo muscular. Outros, afirmam que uma fraqueza e falta de ativação de Core e músculos do quadril também está envolvida e eles devem fazer parte do tratamento.

Mas como será que realmente podemos fazer o tratamento da dor patelofemoral? Continue lendo para aprender.

O que é dor patelofemoral?

A dor patelofemoral é uma das causas mais comuns de dor no joelho. Sua principal característica é dor na região anterior do joelho que piora durante as atividades físicas. Pacientes com a patologia frequentemente reclamam da dor ao agachar, subir escadas, pular e correr. Alguns também sentem o sintoma depois de muitas horas sentados.

Estima-se que 20% dos casos de dor no joelho em clínicas de ortopedia correspondam a essa síndrome. Ela também está presente em ao redor de 30% a 33% dos casos nas clínicas de reabilitação esportiva. Ou seja, é fundamental entendermos as melhores opções de tratamento para nossos pacientes.

Os mais afetados pela síndrome da dor patelofemoral são as pessoas ativas. Por isso, corredores, militares e atletas estão entre nossos principais pacientes com o problema.

Fatores de Risco

Os fatores etiológicos da patologia não são completamente conhecidos. O que podemos observar são alguns fatores de risco, que incluem:

  • Diferenças estruturais na pelve feminina;
  • Anterversão femoral;
  • Ângulo Q aumentado;
  • Torção tibial;
  • Fraqueza do quadríceps;
  • Frouxidão ligamentar do joelho.

Tais fatores geram alterações anatômicas e biomecânicas a nível de membros inferiores. Como resultado, o paciente desenvolve a síndrome da dor patelofemoral e toda a limitação de movimentos que a acompanha. Considerando os fatores de risco, podemos destacar aqui dois grupos mais suscetíveis à patologia: mulheres e atletas.

Tratamento tradicional

Tradicionalmente, o tratamento da dor patelofemoral está relacionado ao desequilíbrio entre os músculos vasto medial e vasto lateral. Como resultado desse desequilíbrio, a articulação patelofemoral acabaria sobrecarregada. Portanto, o tratamento mais indicado seria fortalecimento de quadríceps.

Estudos mostram que realmente, indivíduos com síndrome da dor patelofemoral possui padrões de ativação dos vastos diferente daqueles de pessoas saudáveis. Mas isso não significa que o único tratamento possível para a síndrome estaria no quadríceps.

Relação entre dor e fraqueza muscular

Como sabemos, o corpo possui compensações que não ficam contidas somente na região lesionada ou com dor. Portanto, algumas teorias também estimam que exista uma conexão entre fraqueza de musculaturas do quadril e do Core a dor patelofemoral.

No tratamento da dor patelofemoral mais usado, a maioria dos exercícios seriam atividades em cadeia cinética fechada para fortalecer estabilizadores do joelho. Esses movimentos teriam como objetivo proporcionar alívio da dor e retorno às atividades diárias. Por isso, também existe um foco nos exercícios que simulam atividades como corrida e agachamento.

Mas, considerando a possibilidade de também existir fraqueza de quadril e Core, será que devemos complementar esse protocolo de tratamento?

Proposta de tratamento com Core e quadril

Algumas teorias consideram que existe mais que fraqueza muscular de quadríceps por trás dos casos de dor patelofemoral. É possível que desequilíbrio, déficit ou fraqueza dos estabilizadores do quadril e Core também estejam entre as causas.

Portanto, podemos utilizar uma nova proposta de orçamento que envolva essas musculaturas de maneira global. Na tentativa de entender qual seria a melhor maneira de tratar nossos pacientes com a síndrome, um estudo comparou as duas opções de tratamento.

Protocolo de tratamento da dor

No estudo, utilizou-se um protocolo de tratamento da dor patelofemoral focado no fortalecimento de músculos do joelho para um grupo. O segundo grupo recebeu exercícios para fortalecimento de músculos estabilizadores do quadril e Core.

Ambos os protocolos do estudo aconteceram por 6 semanas, avaliando 146 pacientes ao total no fim do experimento. Como esperado, o tratamento para fortalecimento de joelho obteve resultados para alívio da dor e retorno da função nos pacientes com a síndrome. Porém, ele não foi o único. O tratamento utilizando exercícios para Core e quadril conseguiu resultados bastante similares.

Portanto, é possível que realmente exista uma conexão entre fraqueza dessas estruturas e a síndrome da dor patelofemoral. Conforme percebido no estudo, trabalhar com fortalecimento dessas musculaturas é interessante para quem busca o alívio da dor do aluno.

Qual tratamento é mais eficiente?

Ok, deu para entender que o quadril e Core têm alguma relevância no tratamento da dor femoropatelar. Mas existe um deles que é mais eficiente que o outro?

O estudo que mencionei também tentou responder essa pergunta. Para compreendermos melhor, vale a pena conferir os resultados. 80% dos pacientes tratados com protocolo para quadril conseguiram melhora. No grupo de fortalecimento de joelho, 77% conseguiu melhora. A diferença é praticamente insignificante entre os dois grupos.

Quando a questão é dor, os pacientes no grupo de quadril conseguiram alívio dentro de 3 semanas de tratamento. Quem estava se tratando com fortalecimento de joelho teve alívio em 4 semanas de tratamento.

Resultados

Assim, percebemos que o tratamento incluindo músculos do quadril e Core foi um pouco mais eficiente no alívio da dor. Isso não significa que a outra opção não tenha resultados, mas pacientes conseguiram esse resultado com 1 semana de diferença.

Com o avançar do tratamento, os resultados tornaram-se bastante similares. Em 6 semanas os dois programas conseguiram a reabilitação dos pacientes, apesar da porcentagem levemente menor do grupo de joelho.

Considerando a semelhança de resultados, sobre uma dúvida: qual seria o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Conclusão

Quem segue meu blog sabe que falo muito em avaliação. Na verdade, tenho até um curso direcionado especificamente para avaliação postural. Existe um motivo simples para isso: sem avaliação, nosso aluno não conseguirá o tratamento que merece.

Antes de dizer para você usar esse ou outro protocolo de tratamento, quero que você avalie seu aluno. O melhor tratamento da dor patelofemoral é aquele que está melhor adaptado para suas circunstâncias únicas.

Sabendo que trabalhar fortalecimento de quadril e Core nos trazem resultados similares ao fortalecimento de joelho, podemos misturar as propostas para conseguir melhores tratamentos.

 

 

Bibliografia
  • Atividade eletromiográfca do vasto medial oblíquo e vasto lateral durante atividades Funcionais em sujeitos com síndrome da dor patelofemural. São Carlos: [s.n.], 2008. Disponível em: <http://www.redalyc.org/html/2350/235016539009/>. Acesso em: 12 nov. 2018.