A tendinopatia patelar é uma patologia de joelho bastante comum em consultórios de fisioterapeutas, studios de Pilates e para qualquer um que trabalhe com movimento. O problema é caracterizado pela dor na parte anterior do joelho.

Um paciente com a patologia sente dor à palpação e déficit funcional, sendo bastante comum em atletas. Boa parte dos indivíduos com o problema são praticantes de atividades físicas com saltos, como basquete e vôlei. Por isso, ele também é conhecido como joelho de saltador ou jumper’s knees.

A parte do tendão mais afetada é a profunda e posterior. Apesar de ser mais comum em atletas, ela não é exclusiva à eles. Ela também pode ocorrer em indivíduos sedentários.

Considerando que essa patologia é bastante comum em todo tipo de público, chegou a hora de entender como tratá-la. Como sempre, não quero te passar um protocolo pronto de tratamento, até porque, ainda não existe consenso científico a respeito da patologia.

Por isso, vamos revisar algumas das teorias científicas a respeito da tendinopatia patelar para entender melhor como dar o melhor tratamento para cada paciente.

Possíveis causas da patologia

Ainda não existe consenso sobre a causa da patologia, porém diversas teorias tentam explicar de onde vem a dor anterior nos pacientes. Antes de começar a falar do que realmente causa o estresse no tendão patelar, é importante perceber os fatores de risco para o surgimento da doença.

Fatores de risco

Alguns grupos de pessoas têm maior tendência para desenvolver a tendinopatia. O primeiro grupo você já sabe, são atletas que praticam atividades com saltos. Além deles, quem realiza esportes com paradas bruscas no movimento, como corredores e jogadores de futebol, também tendem a ter a patologia.

Outros fatores que podem aumentar o risco de ter tendinopatia patelar incluem:

  • IMC (índice de massa corporal) alto;
  • Relação cintura-quadril;
  • Diferença no comprimento de membros;
  • Força de quadríceps;
  • Flexibilidade dos isquiotibiais;
  • Desempenho no salto vertical.

Pessoas com esses fatores têm um estresse mais alto exercido sobre o tendão patelar. Com o tempo, isso leva microlesões no tecido e seu enfraquecimento.

Causas mais aceitas

Um dos motivos mais aceitos atualmente para o surgimento da tendinopatia patelar é a sobrecarga repetida crônica sobre o tendão patelar. Seria por causa dessa sobrecarga que atletas de basquete, vôlei e corrida desenvolvem a patologia com tanta frequência.

Esse aumento de tensão acontece principalmente na porção posterior do tendão e na região inferior da patela. Ele acontece especialmente na aterrissagem do salto com o aumento da flexão no joelho. É o impacto que causa microtraumas que alteram o tendão patelar a nível celular.

Alguns estudos in vitro também mostraram que podem existir causas vasculares. A neovascularização aumenta a quantidade de proteínas e enzimas que podem contribuir para a degeneração do tendão.

Como acontece a dor?

A principal característica da tendinopatia patelar é a dor aguda que o paciente enfrenta. Portanto, é o primeiro sintoma que tentamos combater com o tratamento. Certamente, compreender como essa dor surge nos ajudaria a tornar o tratamento mais eficiente.

Certas teorias afirmam que a inflamação é a principal causadora da dor, mas essa ideia está sendo bastante criticada. Estudos mostram que após cerca de três semanas já não existem células inflamatórias na região afetada. Apesar disso, os pacientes continuam sentindo dor, desconforto e problemas com a funcionalidade do membro.

Em estágios avançados de tendinopatia patelar o tendão apresenta característica degenerativas. Ele tem hipercelularidade com fibroblastos atípicos e proliferação de células endoteliais e neovascularização. Além disso, acontece a alteração na quantidade de colágeno.

Outra teoria indica que i excesso de estresse e cargas aplicados de forma cíclica sobre o tendão causa alterações vasculares e lesões de fibras de colágeno. Conforme essas fibras se rompem elas causam dor. Ela também é questionada porque a maioria dos atletas diagnosticados com a patologia não apresentou alterações das fibras de colágeno em estudos.

Também é possível que aconteça o pinçamento tecidual do tecido. As teorias que suportam essa causa indicam que a flexão do joelho faz com que a face posterior da região proximal do tendão patelar seja comprimida pela patela. Observações clínicas contradizem tal modelo porque a dor costuma ter início após a queda de um salto. Nesse movimento o joelho encontra-se em leve flexão.

Finalmente, chegamos às teorias mais aceitas a respeito da dor na tendinopatia patelar. É possível que exista hipóxia regional, ou seja, falta de células fagocitárias para eliminar substâncias nocivas da atividade celular. A dor causada por fatores químicos pode combinar-se com fatores mecânicos, como a compressão do tendão.

Tratamento da tendinopatia patelar

Considerando que não existe uma causa completamente aceita para o surgimento da patologia ou da dor, só tenho uma dica para dar. Analise cada caso com cuidado para saber qual foi a provável causa e para conseguir resolvê-lo. O tratamento da tendinopatia patelar também é bastante discutido sem chegar a conclusões claras.

Inicialmente, recomenda-se que o tratamento conservador seja aplicado. A cirurgia só deve ser indicada quando o paciente não conseguiu resultados satisfatórios.

O tratamento de tendinopatia patelar conservador sempre foca inicialmente no alívio da dor. Para isso, podemos usar diversas técnicas, como:

  • Crioterapia;
  • Ultrassom terapêutico;
  • Laserterapia.

Apesar dos anti-inflamatórios ainda serem parte comum dos tratamentos conservadores, eles já têm seu uso questionado. Como mencionei anteriormente, alguns estudos mostram que a presença de inflamação nos estágios avançados é muito pequena. Porém, eles não devem ser completamente abolidos.

Parte da bibliografia encontrou benefícios no uso de anti-inflamatórios a curto prazo. Assim, eles podem auxiliar o profissional do movimento a conseguir alívio da dor no início do tratamento para conseguirmos realizar movimentos de forma mais livre.

Alívio de dor

O uso do gelo é bastante indicado, especialmente na fase inflamatória da patologia. A curto prazo, a crioterapia é excelente para aliviar a dor, diminuir o edema e diminuir os leucócitos nas membranas. Em pacientes com a tendinite patelar, a aplicação por 10 minutos de gelo já é o suficiente para conseguir alívio e benefícios significativos.

O ultrassom terapêutico e alguns tipos de massagem também podem e devem ser usados nessa fase de tratamento. Esses tratamentos podem acelerar a cicatrização do tendão afetado e deixam o aluno pronto para movimentar-se posteriormente.

Exercícios excêntricos no tratamento

O tratamento conservador com exercícios vem trazendo alívio e reabilitação para muitos pacientes com tendinopatia patelar. Porém, ainda existe o debate sobre o uso de exercícios excêntricos (em cadeia fechada) ou concêntricos (cadeia aberta) aplicados ao problema.

Durante o tratamento de tendinopatia patelar, os exercícios excêntricos parecem trazer melhora mais significativa. Exercícios, como o agachamento, agachamento unipodal e similares trazem bons resultados tanto no alívio da dor quanto na recuperação de habilidades funcionais.

Portanto, pode apostar nesses movimentos para complementar melhor seu tratamento de tendinopatia patelar. Para quem trabalha com Pilates essa é uma excelente notícia. Existem diversos exercícios do tipo no Método que devem te ajudar a trazer melhora para eu paciente.

Conclusão

A tendinopatia patelar continua sendo uma patologia que causa incapacidade em diversos de nossos alunos. Os atletas são especialmente afetados, precisando parar os treinos competitivos enquanto permanecem assintomáticos.

Para conseguir tratar esses pacientes precisamos de uma excelente avaliação e bom programa de exercícios. A tendência é que o indivíduo busque o repouso já que, a curto prazo, ele realmente alivia a dor. No entanto, precisamos incentivá-los ao movimento, que ajuda na recuperação do tendão afetado quando feito da maneira correta.

Em nossos tratamentos precisamos incluir exercícios excêntricos que também recuperem os movimentos funcionais do joelho. Por isso, muitos profissionais tendem a escolher movimentos como o agachamento. Minha recomendação é avaliar seu aluno e aplicar os exercícios necessários para seu caso específico.

 

 

Bibliografia