Já conheceu alguém com lesão de menisco? Então esse paciente talvez estivesse em um dilema importante na sua vida: tentar o tratamento conservador da patologia ou optar pela cirurgia. Muitos que chegam nessa escolha temem a cirurgia, mas também não querem gastar meses de fisioterapia para continuar com a dor.

Será que existe uma opção mais acertada para esses pacientes que nos permite ajudá-los? Queremos entender isso nesse artigo com a ajuda de evidências científicas. Continue lendo para entender qual é a verdadeira eficiência do tratamento conservador e cirúrgico da lesão de menisco.

Anatomia e biomecânica do menisco

Os meniscos são feitos de tecido fibrocartilaginoso que reveste boa parte da superfície articular femorotibial. Eles ficam localizados entre o platô tibial e os côndilos femorais. Cerca de 75% de água constitui essas estruturas. O restante é feito de colágeno tipo 1, além de fibras nervosas localizadas na periferia.

A borda periférica do menisco fica aderida à cápsula articular, já a porção central é livre, dando a essa estrutura um aspecto triangular no corte frontal. Suas principais funções são:

  • Absorção de choque;
  • Transmissão de força.
  • Estabilização articular;
  • Nutrição da cartilagem;
  • Lubrificação da articulação.

Quando o joelho realiza um movimento de extensão, o menisco realiza transmissão de cerca de 50% das forças de sustentação do peso e 85% das forças no movimento de flexão. Ele também absorve o choque durante o movimento através da deformação viscoelástica.

Graças ao formato dos meniscos, o líquido sinovial consegue ser distribuído pela articulação do joelho com maior eficiência. Assim, ele também contribui para a lubrificação e nutrição da cartilagem.

O menisco mais propenso a lesões é o menisco medial. Ele é bem menos móvel e desloca-se poucos milímetros para dentro da articulação. Esse menisco cobre cerca de 64% do platô tibial. Seu principal papel está na estabilização articular.

O lateral é mais móvel, movendo-se entre 9 e 11 mm dentro do joelho. Ele também é mais uniforme e cobre cerca de 84% do platô tibial. Por causa da sua mobilidade e formato, ele é menos agredido nos traumas e com menor chance de lesão.

Os meniscos são inervados de maneira paralela à distribuição vascular periférica, acontecendo principalmente no corno anterior e no posterior do menisco. Sua fixação também acontece principalmente nessas regiões, além de ser feita pelo ligamento transverso ou intermeniscal e ligamentos meniscofemorais.

Como acontece a lesão de menisco

Lesões do menisco são tão comuns, mas como elas acontecem? É normal encontrarmos pacientes que sofreram o problema quando o joelho estava flexionado ou semiflexionado.

Nessa posição, ele foi submetido a uma força rotacional de grande magnitude e o menisco foi comprimido entre as estruturas esqueléticas. Dependendo da pressão exercida sobre ele nessa posição ele pode ser lesionado.

Boa parte dos casos de lesão de menisco que encontramos estão relacionados a um trauma. Jovens que praticam esportes, por exemplo, sofrem com o problema frequentemente. Pacientes mais velhos também podem exibir essas lesões por causa de movimentos torcionais relativamente pequenos que são feitos durante a vida diária.

Para compreender melhor o quadro, podemos classificar a lesão de acordo com sua localização. Elas são divididas por causa de vascularização do menisco e qual foi o padrão lesivo. Encontramos lesões nas regiões:

  • Vermelha-vermelha;
  • Vermelha-branca;
  • Branca-branca.

Os mecanismos de lesão podem ser verticais, horizontais e complexos.

É claro que, para determinar exatamente a classificação do problema, ainda precisamos realizar testes. No teste clínico conseguimos avaliar o joelho através do teste de palpação da interlinha do joelho. Também é possível utilizar exames de imagem, dando preferência àqueles que permitem ver sua vascularização.

Tratamento cirúrgico vs. tratamento conservador

Quando um paciente é diagnosticado com lesão de menisco ele tem duas opções: o tratamento cirúrgico e conservador. A opção cirúrgica é a cirurgia de meniscectomia, um evento tão comum que estima-se que a cada 100.000 pessoas, cerca de 300 passam pelo procedimento no mundo ocidental.

A cirurgia de meniscectomia é mais recomendada para indivíduos que não possuem sinais de osteoartrite de joelho. Portanto, nesse artigo discutiremos o uso de procedimentos conservadores e da operação nessas pessoas.

Dependendo da sua fonte, autores relatam pequeno efeito da artroscopia nos pacientes operados. Outros, mostram que existem resultados satisfatórios a curto e longo prazo em quem possui lesão degenerativa de menisco usando o tratamento com exercícios. Portanto, continuamos com a dúvida: qual seria a melhor maneira de tratar o paciente?

Um estudo com 140 pacientes tentou responder essa pergunta. Os indivíduos estudados foram divididos em dois grupos de 70 participantes, o primeiro realizou a cirurgia e o segundo tratou-se de maneira conservadora.

Os pacientes de ambos os grupos possuíam baixa qualidade de vida por causa da lesão de joelho. Como sabemos, dores nos membros inferiores são bastante limitantes, impedindo a prática de atividades físicas e atrapalhando diversas atividades diárias.

Os indivíduos foram avaliados imediatamente após os tratamentos e continuaram sob análise 2 anos após o procedimento. No grupo de exercícios, 61% dos indivíduos foram capazes de completar o programa de maneira satisfatória.

Em geral, os resultados dos dois tratamentos foram satisfatórios, sem grandes diferenças entre eles. A média de melhora foi de 25 pontos no grupo de exercícios e de 24,4 pontos no grupo operatório.

Existiram complicações relacionadas à cirurgia e ao tratamento?

Um dos grandes medos de quem precisa realizar cirurgia é o risco de complicações. Esses risco existe no tratamento de lesão de menisco, mas é bastante pequeno. No estudo analisado, não foram observadas complicações após a cirurgia, mesmo depois de 2 anos.

Qual é o melhor tratamento de lesão de menisco?

Os pacientes pertencentes aos dois grupos apresentaram melhora clínica. 80% dos indivíduos no grupo de exercícios e 81% daqueles no grupo de meniscectomia conseguiram melhorar por mais de 10.1 pontos na escala utilizada para medir a incapacidade.

A única diferença encontrada entre os tratamentos para lesão de menisco foi no quesito força muscular no grupo de exercícios. Esses indivíduos conseguiram ganhos maiores após 3 a 12 meses seguindo o protocolo.

Além disso, é importante perceber que 19% dos indivíduos no grupo de exercícios ainda precisou passar por cirurgia no período de 2 anos. 23% dos integrantes de cada grupo também apresentaram dor, edema, instabilidade, rigidez e diminuição de amplitude de movimento no período estudado. 21% dos pacientes no grupo de exercícios e 14% daqueles no grupo de cirurgia tiveram tais sintomas no joelho contralateral.

No geral, os resultados foram positivos para os dois procedimentos estudados.

Conclusão

Na verdade, não é papel do fisioterapeuta optar pelo tratamento cirúrgico. Só podemos recomendar que nosso paciente busque um ortopedista que possa ajudá-lo nessa opção. No caso da lesão de menisco, vemos que tanto o tratamento com meniscectomia quanto os exercícios são bastante úteis na melhora.

A fisioterapia pode ser considerada como uma primeira opção de tratamento. Caso os resultados não auxiliem o paciente dentro de certo tempo, a cirurgia pode ajudar esse indivíduo a retomar sua qualidade de vida.

Muitos profissionais da saúde já atuam dessa maneira, sugerindo primeiro o tratamento fisioterapêutico para depois tentar a opção cirúrgica. É importante lembrar que a artroscopia do joelho, técnica utilizada no tratamento, é considerada de baixo risco. Ela também consegue resultados positivos sem grandes diferenças da sua contraparte conservadora.

 

Bibliografia
  • KISE, Nina Jullum et al. Exercise therapy versus arthroscopic partial meniscectomy for degenerative meniscal tear in middle aged patients: randomised controlled trial with two year follow-up. 2016. Disponível em: <https://www.bmj.com/content/354/bmj.i3740>. Acesso em: 29 out. 2018.