Um problema de joelho ou quadril pode surgir por causa de falta de mobilidade de tornozelo. Da mesma forma, lesões que identificamos em membros superiores podem estar relacionadas a uma tensão em outra região da cadeia muscular. É isso que chamamos de zona primária da lesão.

O corpo humano possui um interessante esquema de compensações. Ele possui dois objetivos: garantir o movimento necessário para a vida e o conforto visceral, assim como economizar energia preciosa. Por isso, quando algo atrapalha um desses objetivos, o organismo realizará alterações para continuar se movendo e com as vísceras acomodadas.

Inicialmente essas alterações não costumam causar dor. Mas conforme elas acumulam encontraremos os problemas de movimento tão comuns em nossos espaços de trabalho. Para conseguir desvendá-los de forma a tratar o problema sem chances de retorno, precisamos encontrar a zona primária da lesão.

Conseguimos encontrá-la ainda durante a avaliação estática do paciente na maioria dos casos. Quer entender uma receita excelente para isso? Continue a leitura desse artigo e te darei todas as orientações necessárias.

O que é a zona primária da lesão?

Toda compensação começa a ser gerada num ponto que não é necessariamente o lugar onde ela se manifesta. Isso é o que chamamos de zona primária da lesão. Elas surgem como resultado das três leis que regem o corpo e sempre são obedecidas, não importa o problema:

  • Lei do conforto;
  • Lei do equilíbrio;
  • Lei da economia.

Em um corpo que mantém seu funcionamento fisiológico toda a estrutura consegue obedecer essas leis sem problemas. Ou seja, para isso a musculatura estabilizadora ou produtora de movimento deve funcionar de forma coesa, funcional e estruturada.

Sem esse funcionamento adequado, o organismo cria formas inteligentes para continuar movimentando-se. É o suficiente para gerar mecanismos compensatórios importantes, mas que a princípio são quase imperceptíveis.

No início, elas só servem para que o movimento continue, mas aos poucos exerce carga demais em certas estruturas corporais. Assim, surgem enfraquecimentos ou encurtamentos nos músculos.

Esse mecanismo é prejudicial para o corpo a longo prazo, mesmo que consiga suprir suas necessidades inicialmente. Com o tempo esse corpo desenvolverá diversificadas lesões.

Algumas estruturas começam a apresentar os primeiros sinais de desgaste mecânico. Caso o ajuste mecânico não seja realizado em tempo, essas serão estruturas que a médio prazo apresentarão algum tipo de desgaste articular.

O desgaste articular é inevitável?

Algumas doenças caracterizadas pelo desgaste articular são consideradas como fruto do envelhecimento. Realmente, o processo de envelhecer pelo qual o corpo humano passa causa problemas para o organismo e perda de habilidades, no entanto o desgaste doloroso das patologias e lesões articulares não precisa ser obrigatório.

Conseguimos evitar o desgaste mecânico excessivo e imagino que você já começou a imaginar a resposta: movimento. No entanto, para conseguir resultados, precisamos começar com uma investigação profunda da lesão. Precisamos descobrir onde está localizada a zona primária da lesão.

Como esse é o primeiro ponto de nossa estrutura corporal que desobedeceu algumas das três leites que citei acima. O motivo varia, podendo ser muscular, visceral ou articular. Trabalhando nos princípios da Osteopatia, daremos às alterações o nome de microlesões.

Como identificar a zona primária da lesão?

Encontrar a zona primária da lesão não é um processo tão complexo, especialmente para quem já aprendeu a identificar qual cadeia muscular está tensionada. Para saber mais sobre isso, recomendo consultar outros artigos aqui no blog a respeito de avaliação postural, onde falo mais a respeito.

Para começar a avaliação da zona primária da lesão, o indivíduo deve realizar o teste de flexão lateral (TFL). O lado que encontrar-se mais facilitado nos indica que as cadeias musculares de flexão e extensão do mesmo lado estão mais tensionadas.

A partir desse conhecimento, duas linhas imaginárias corporais: uma no trajeto das cadeias musculares de extensão e flexão do lado tenso e outra na cadeia muscular cruzada anterior que se encontra tensa. É usando essas linhas imaginárias que conseguimos encontrar o local onde iniciou-se o problema.

Avalie o lugar onde as linhas imaginárias se encontram. Se for no tronco superior, ou seja, caixa torácica, na unidade tronco inferior ou lombar, é aí que está localizada a zona primária da lesão.

A zona primária de lesão indica para o profissional onde a lesão teve início. Ela também indica os músculos que começaram a desorganização postural que, mais tarde, evoluiu para dor.

Caso a zona primária da lesão encontra-se no tórax, fazendo exames específicos para identificar quais os músculos que estão encurtados ou fracos. Para conseguir isso, precisamos compreender primeiro o funcionamento dos complexos articulares envolvidos na lesão. Ou seja, mais estudo para conseguir fornecer o melhor tratamento para seu aluno.

Conclusão

Através da avaliação postural conseguimos determinar os primeiros passos para o tratamento. Para isso, precisamos também encontrar a zona primária da lesão, que ajuda a determinar os músculos tensionados e tipos de compensação adotada por esse corpo.

Vale a pena lembrar que, apesar dessa investigação trazer insights importantes sobre o quadro do paciente, ela não é o suficiente sozinha. Invista numa avaliação completa para conseguir os melhores resultados possíveis. Quer saber mais sobre avaliação postural? Recomendo meu curso completo de avaliação postural.