Incontinência urinária de esforço: como acontece e tratamento conservador

Incontinência urinária de esforço: como acontece e tratamento conservador

A incontinência urinária de esforço é um problema bastante comum, especialmente nas nossas pacientes mulheres. Apesar do que muitos pensam, a incontinência não é “coisa de velho” e pode afetar pessoas de diversas idades. Nesse artigo discutiremos mais sobre a incontinência e seu tratamento.

É claro que antes disso deveremos compreender algo importantíssimo: a anatomia, fisiologia e mecânica do assoalho pélvico. Só através desse conhecimento conseguiremos determinar o melhor caminho para o tratamento. Continue lendo para ter todas essas informações.

Assoalho Pélvico

morfologia do assoalho pélvicoO assoalho pélvico é formado por algumas estruturas que encerram a pelve inferiormente como:

  • Músculos;
  • Ligamentos;
  • Fáscias.

Podemos dividir os músculos do assoalho pélvico (MAP) anatomicamente em duas camadas: superficial e profunda.

Superficial

Essa camada é chamada de períneo. Ela é constituída pelos órgãos genitais externos e o ânus. No homem inicia-se na bolsa escrotal (testículos) seguindo até o ânus. Na mulher segue da vulva até o ânus.

A camada superficial é formada pelos seguintes músculos:

  • Bulboesponjoso;
  • Isquicavernoso;
  • Transverso superficial;
  • Profundo períneo;
  • Esfíncter uretral externo;
  • Esfíncter anal externo.

Esses têm como função manter o fluxo urinário. Também tornam possível o ato sexual (promovem a ereção do pênis e do clitóris, a ejaculação e as contrações da vulva durante o orgasmo), além do parto.

Profunda

A camada profunda é composta pelos músculos:

  • Isquioscoccígeos;
  • Levantadores do ânus (puborretal, pubococcígeo);
  • Levantador da próstata e pubovaginal;
  • Iliococcígeo.

Chamamos a estrutura formada pelo conjunto desses músculos de diafragma pélvico. Eles têm a função fundamental de realizar a sustentação dos órgãos internos. Sabemos também que eles permanecem contraídos durante todo o tempo.

Quando existe um aumento da pressão intra-abdominal repentinamente (como na tosse ou espirro) esses músculos se contraem rapidamente. Assim, a tensão nas musculaturas também aumenta. Isso acontece para manter os órgãos em sua posição normal. Esses músculos possuem esfíncteres que permanecem fechados.

Quando urinamos ou defecamos a musculatura se relaxa e os esfíncteres se abrem para permitir essas ações.

Discussão biomecânica dos músculos do assoalho pélvico

Hoyte & al. em 2001, descreveu o músculo levantador do ânus com uma forma de cúpula dupla. Isso é semelhante ao que Singh & al em 2002-03 e Aukee & al em 2004 encontraram em seus estudos. Eles alegaram que o fascículo iliococcígeo tinha uma forma de cúpula de convexidade superior.

Os resultados do nosso estudo estão inteiramente alinhados com o que recentemente foi publicado em relação a este tópico. Para que possamos afirmar que a maioria da população apresenta no nível da musculatura do assoalho pélvico uma morfologia de duplo cúpula de concavidade inferior, com o que podemos considerar que esta é a morfologia normal que deve apresentar um piso pélvico saudável.

Além disso, a presença dessas duas cúpulas horizontais permitirá distribuir as forças da cavidade torácica do abdome equitativamente entre cada um dos seus quatro pilares:

  • Arco tendino da aponeurose obturante;
  • Núcleo fibroso central;
  • Anococcígeo raphia;
  • Cóccix.

Leve em consideração a função insubstituível do assoalho pélvico e do fascículo iliococcígeo. Por causa deles acreditamos que é importante manter essa morfologia normal das cúpulas pélvicas.

Por um lado, o fascículo iliococcígeo tem o papel de detentor dos órgãos pélvicos (junto com a aponeurose pélvica). Por outro lado, ele também tem a função de amortecedor da pressão exercida pelas vísceras abdominais durante os esforços de hiperpressão abdomino-torácica.

Durante esse tipo de esforço as vísceras da pelve são deslocadas para baixo e para trás. Elas seguem um arco de círculo onde o raio corresponde aos ligamentos útero sacros. É o resultado dessas forças oblíquas para baixo e para trás. Isto é, em uma direção perpendicular às cúpulas pélvicas. Assim explicaria que o elevador do ânus também é côncavo para baixo e para trás, já que nessa posição a divisão de forças em seus pilares torna-se igual.

Assimetria no assoalho pélvico

Esta função de amortecimento permitiria a proteção dos plexos do nervo pudendo e hipogástrico. Nos casos em que há um problema no nível dos pilares do assoalho pélvico para qualquer causa, será quando as cúpulas sejam lesionadas.

Um estudo analisou mulheres para entender mais sobre as disfunções do assoalho pélvico. Mais de 90% das mulheres nulíparas no estudo têm uma cúpula esquerda maior do que a direita, enquanto em 2/3 das mulheres multíparas acontece em sentido inverso.

Além disso, as mulheres nulíparas costumam ter cúpulas significativamente mais côncavas e anteriores do que multíparas.
De Lancey & al em 2003, e Tunn & al em 2003 já mostraram que havia mulheres multíparas com piso pélvico muito assimétrico. Algumas possuíam fascículos pubococcígeos muito finos ou com um volume muscular do ânus muito menos importante de um lado do que o outro.

Segundo eles, essas descobertas podem estar relacionadas a uma remessa traumática no assoalho pélvico.

Outra explicação desta assimetria poderia ser encontrada por analogia com as cúpulas diafragmáticas. Assim podemos imaginar que os órgãos pélvicos também podem modificar a morfologia do assoalho pélvico. Os órgãos pélvicos ocupam um lugar proporcionalmente importante em relação ao tamanho pélvico: o útero descansando na bexiga e o cólon sigmóide que é, de fato, o “reservatório permanente” de fezes.

Períneo

A função do períneo é amortecer os aumentos da pressão intra-abdominal, e o solo para a sustentação das vísceras. Também possui função sexual para o mecanismo de ereção masculina e orgasmo.

É inervado pelo nervo pudendo (S2-S4), que possui ligação com o nervo frênico, e com todos nervos da faixa abdominal. Todos têm como origem centros respiratórios supra espinhais (centro pneumotaxico). Esses nervos se ligam também ao nervo vago (as emoções afetam diretamente o diafragma torácico).

Musculaturas do Assoalho Pélvico

A musculatura do Assoalho Pélvico e a forma do Assoalho Pélvico, ou também chamado de períneo, vem da interação de músculos, nervos e ligamentos que exercem sua ação nos órgãos pélvicos. Na mulher, a vagina e os ligamentos se distendem para alcançar a força necessária para suportar os aumentos de pressão intra-abdominal.

assoalho pélvico na incontinência urinária de esforço

Aqui vemos os músculos do Assoalho Pélvico dentro do quadril. O papel dessa musculatura é suportar os aumentos da pressão intra-abdominal e manter em um posicionamento ideal os órgãos pélvicos, mantendo a continência.

Simplificando, poderíamos dizer que o fundo da pelve óssea (bacia) termina na cavidade pélvica. Ela que contém os órgãos pélvicos (útero, ovários, bexiga, começo e final dos intestinos e para os homens a próstata).

Assoalho pélvico feminino

assoalho pélvico feminino na incontinência urinária de esforço

Esta é uma visão da musculatura do Assoalho Pélvico Feminino de baixo para cima. Tendo o elevador do ânus um dos principais músculos, pois tem a forma de uma alça para suportar os órgãos pélvicos e ajuda a manter as vísceras pélvicas em posição. O isquiocavernoso e o bulboesponjoso participam da resposta sexual e o transverso do períneo atua na sustentação do mesmo.

O tônus postural do Períneo é gerido pelos centros respiratórios supra espinhais localizados no tronco cerebral e pelos reflexos fusais da:

  • Coluna vertebral;
  • Supraprotuberancias (corticais e emocionais);
  • Faixa abdominal.

Uma vez, diminuído o tônus postural, os reflexos miotáticos (lesão da bainha de mielina), ou diminuição de colágeno haverá inibição dos motoneurônios alfa. Podendo ser a origem de:

  • Hérnia vaginal;
  • Prolapso uterino;
  • Cistocele;
  • Retrocele.

Semelhanças entre o assoalho pélvico feminino e masculino

semelhanças entre assoalho pélvico masculino e feminino na incontinência urinária de esforço

Aqui podemos ver as semelhanças de ambos períneos. A região central da musculatura chamada de corpo perineal oferece resistência a esse grupo de músculos e serve de ponto de apoio para todas as camadas do mesmo. Na mulher este é o local onde se necessário se realiza a episiotomia (incisão para aumento do óstio da vagina no parto). Como podemos observar na foto, região de encontro de vários músculos importantes.

Como acontece a continência urinária

como acontece a incontinência urinária de esforço

A Continência se dá pela perfeita função e coordenação da bexiga e da musculatura do períneo na fase de enchimento e de esvaziamento.

O músculo detrusor é um músculo liso, ou seja, sua contração é involuntária. Ele se contrai durante a micção e nos demais momentos permanece relaxado para permitir a continência.

A bexiga está localizada na parte inferior do abdômen, logo atrás da sínfise púbica. Nos homens está logo à frente do reto. Nas mulheres está à frente da vagina e abaixo do útero. É um órgão muscular elástico e oco que faz parte do aparelho urinário, responsável por produzir, armazenar e eliminar a urina.

A bexiga de um adulto é capaz de armazenar cerca de 700 ml a 800 ml. Na saída da bexiga, encontramos o músculo esfíncter interno, que se contrai involuntariamente, e o músculo esfíncter externo, que é voluntário e permite que impeçamos a saída da urina. A bexiga e um órgão regido pelo sistema parassimpático (neurovegetativo) e o sistema nervoso atuara de duas maneiras:

  1. Quando em função simpática há a produção de noradrenalina, o musculo detrusor se relaxara enchendo a bexiga com a uretra em fechamento
  2. Quando em função parassimpática, regido pelo nervo hipogástrico, o musculo detrusor se contrai e a uretra se abre para a micção.

Quando os dois sistemas se encontram desregulados surge a urgência miccional. Ou seja, uma bexiga hiperativa. Essa regulação somente poderá ser realizada melhorando o entorno.

Em sua parte posterior e profunda do períneo possuímos 2 cúpulas de concavidade inferior e mais 4 pilares:

  • Pilar anterior: núcleo fibroso central
  • Pilar posterior: cóccix
  • Pilar externo: obturador interno
  • Pilar interno: fáscia pélvica visceral

Todo esse conjunto e composto de: 80 por cento de tecido conjuntivo e 30 por cento de tecido muscular, sendo no tecido muscular 80 por cento de fibras tipo I. O tônus de base do assoalho pélvico e dado pelo: tecido conjuntivo e pelas fibras do tipo muscular I. Já o tônus de carga pelas fibras musculares do tipo II.

Diferença entre o assolho pélvico feminino e o masculino

A pelve masculina é mais alta e estreita que a feminina se o pavimento pélvico for incompetente e se, no caso, a mulher tiver passado por um ou vários partos. O pavimento pélvico é, como a parede abdominal, um músculo que tem a função de suporte e postural. Tem uma elevada percentagem de tecido conjuntivo e muitas pequenas fibras musculares que mantêm o tônus muscular necessário para cumprir a sua função principal de amortecer o deslocamento das vísceras internas.

De forma geral o pavimento pélvico é formado por:

  • 80% de tecido conjuntivo;
  • 20% por fibras musculares estriadas.
  • De 20% de fibras musculares, 80% são tipo I e apenas 20% são de tipo II.

O músculo elevador do ânus é formado principalmente por fibras lentas (aproximadamente 70%). Biópsias musculares realizadas em mulheres assintomáticas encontraram 67-76% de fibras lentas (Gilpin et al 1989).

Incontinência urinaria

Segundo a filogênese, a pelve vem evoluindo desde que passamos à bipedestação. Sua evolução gerou mudanças importantes numa das suas funções fundamentais, a gestação e o suporte do peso das vísceras abdominais, além das mudanças de pressão (Merí, Moreno & Porta, 2013).

Um sistema de fáscias e ligamentos suportam os órgãos da pelve menor. Porém, toda essa nova distribuição de forças gerada pela bipedestação submeteu a região a cargas frequentes sobre a musculatura perineal que, associada a aumentos frequentes de pressão abdominal, tende a produzir alterações na composição de vários músculos, bem como uma redução do número de fibras tipo II observada no músculo elevador do ânus (Jozwik, 1993).

Assim, a função de força do pavimento pélvico diminui. Essa é uma das causas das patologias como:

  • Prolapsos;
  • Ptoses;
  • Incontinência fecal;
  • Incontinência urinária;
  • Incontinência mista.

No momento da força, a parede abdominal deve mobilizar-se para dentro. As vísceras pélvicas deslocam-se para baixo e para trás em direção ao pavimento pélvico posterior. Ao longo da maturação dos músculos abdominais, por volta dos 8 anos de idade, vamos perdendo a capacidade de gerar uma boa administração entre os músculos citados, e perdemos eficiência destes músculos.

Não raramente geramos durante a contração do Transverso um deslocamento anterior da parede abdominal e um deslocamento para baixo e para a frente da parede anterior da vagina. Pode vir associado a hipotonia do pavimento pélvico numa grande percentagem de indivíduos.

Cavidade abdomino-pélvica

A cavidade abdomino-pélvica está cercada pelo:

  • Diafragma (acima);
  • Coluna vertebral (atrás);
  • Costelas na sua porção superior;
  • Pelve (abaixo).

A pelve possui um encerramento inferior gerido pelo diafragma pélvico (Merí et al.,2013). Em situações em que a pressão intra-abdominal aumenta para realizar ações fisiológicas como:

  • Espirrar;
  • Tossir;
  • Defecar;
  • Vomitar;
  • Realizar um esforço;

Essas ações acabam por aumentar a pressão intra-abdominal. Como consequência diminui a área do abdômen. Isso ocorre pela ação sinérgica da musculatura estabilizadora da coluna vertebral e pela musculatura profunda do abdómen. Todo esse mecanismo distribuirá a pressão por todas as paredes do pavimento de forma integral (Lei Física de Blaise Pascal).

Aumento da pressão intra-bdominal e o assoalho pélvico

A contração do diafragma e da musculatura abdominal aumenta a pressão intra-abdominal que em situação de normalidade elevar-se-á e para conter as vísceras em seu posicionamento correto. Porém, diversos estudos mostram que com o aumento da pressão intra-abdominal, e a falta de competência dos músculos abdominais empurram as vísceras para baixo, gerando uma contração sinérgica dos músculos do pavimento pélvico. Alguns fatores de risco como a gravidez, o parto, as disfunções do pavimento pélvico, do diafragma torácico e a dor lombar podem alterar estes mecanismos (Merí et al., 2013)

Devemos entender claramente que que o aumento de pressão intra-abdominal é um fator de risco importante para o desenvolvimento de um prolapso de órgãos pélvicos (Robles, Muela, Meldaña y Walker, 2006).

A atividade postural do períneo estará fortemente comprometida pelos aumentos súbitos de pressão abdominal. Profissionais do movimento têm um grande desafio a enfrentar:  a vida moderna e hiperpressórica desde quando assumimos a bipedestação.

Dominamos todos os territórios, geramos mais conforto para o nosso dia-a-dia, o que nos gerou uma vida cada vez mais gerida pelo sistema nervoso parassimpático dos quais resultaram diversas alterações relacionadas a todo nosso sistema. Mas aqui estamos discutindo que a nova distribuição de forças, somado ao sedentarismo gerou relaxamento da musculatura do pavimento pélvico. Isso aconteceu pelo constante suporte das vísceras, associados a outros fatores, como constipação (gerada por maus hábitos alimentares). Fatores como esses aumentam a PIA repentinamente.

A mulher é mais afetada devido a existência do hiato urogenital, zona de hérnias e, portanto, de possível descida dos órgãos pélvicos, segundo Caufriez, Pinsach y Fernández (2010).

Incontinência Urinaria de Esforço (IUE)

No âmbito desportivo, as ações repetidas que causam aumentos de pressão afetam a curto, médio ou longo prazo diretamente as estruturas do pavimento pélvico (podendo proporcionar perdas de urina em momentos pontuais de esforço (Robles et al., 2006).

A perda involuntária de urina, está associada ao aumento de pressão abdominal, que ocorre ao:

  • Rir;
  • Espirrar;
  • Tossir;
  • Subir escadas;
  • Saltar;
  • Fazer esforço físico.

O aumento da pressão abdominal observado durante a prática desportiva pode gerar perdas de urina ao produzir uma debilitação ou degradação progressiva da musculatura do pavimento pélvico, com perda da função esfincteriana. As elevações bruscas de pressão intra-abdominal geradas pela prática esportiva, constituem fatores de risco de incontinência urinária por esforço.

A França considera a incontinência urinaria de esforço um problema de saúde pública. Afeta 56% de mulheres das quais, metade têm menos de 40 anos (Dra.Gasquet no seu livro 2011). Portanto, precisamos de prevenção para evitar uma incidência tão elevada de incontinência urinária. Essa prevenção também impede a mulher de abandonar a prática dos exercícios físicos. Sabemos, e muito bem, da sua importância na nossa vida cotidiana e de seus benefícios. (Salvatore et al. 2009).

A perda de sinergia abdomino-pelvica, devido à dor lombar ou à debilitação das estruturas musculares desta zona podem ser também um fator da diminuição da força dos músculos do períneo. Considera-se fundamental incorporar programas de tonificação do pavimento pélvico e prevenir as diferentes lesões que que se podem desencadear pela sua debilitação. Sempre vemos ter em conta a relação existente entre o exercício físico e as lesões do pavimento pélvico (Bo, 2004; Salvatore et al., 2009).

Incontinência urinária em mulheres

Alguns dados importantes sobre a incidência de incontinência urinaria de esforço, em mulheres de até 40 anos de idade, segundo Kari-Bo:

  • Bailarinas 52%;
  • Corredoras de longa distância 72%;
  • Instrutoras de Yoga e Pilates 26%;
  • Salto ornamental 80%;
  • 6 de cada 7 estudantes de Educação Física até 21 anos 62%.

Porém, segundo Kari-Bo estima-se que este número pode ser bem maior. Mais de 95% das mulheres usam absorventes diários como se fosse algo normal, e sentem desconforto em assumir a incontinência urinaria.

Segundo Dr. Jorge Vieira somente a expiração solicitada na pratica do Pilates e capaz de elevar a pressão intra-abdominal em 44 por cento, sem a execução do exercício. Diante do exposto, nos profissionais do movimento temos de encontrar a solução para o bom gerenciamento da pressão intra-abdominal, de forma a exercitar nossos alunos sem riscos.

O problema de pedir a contração do assoalho pélvico em aula

Segundo Eyal Ledderman, 40% das mulheres não conseguem contrair o assoalho pélvico através de um comando verbal. E ainda, pior 30% empurram as vísceras para baixo com essa instrução sobrecarregando ainda mais essa musculatura. O tônus de base do assoalho pélvico é dado pelo: tecido conjuntivo e pelas fibras do tipo muscular I. Já o tônus de carga pelas fibras musculares do tipo II.

Quando solicitamos a contração do assoalho pélvico para fortalecer essa região queremos a contração de fibras tipo II (fadigáveis). É possível conseguir a contração dessas fibras por mais ou menos 6 segundos. Depois desse tempo elas se fadigam, relaxam e as vísceras desabam sobre o assoalho pélvico. Num exercício de enrolamento de tronco, por exemplo, quando as vísceras desabam ocorre aumento de sobrecarga sobre o assoalho pélvico.

Considerando os dados expostos nesse artigo, essa seria uma ótima maneira de antecipar uma incontinência urinária de esforço. Para estimular o assoalho pélvico corretamente temos que ativar e tonificar as fibras do tipo I. Portanto, a solução de estabilização segmentar não é tão simplista. A mesma pode trazer altos custos para o nosso corpo.

Esse programa de fortalecimento do assoalho pélvico é bem complexo e deve ser muito bem entendido. Caso contrário, corremos o risco de prejudicar nossa aluna. Na dúvida, o melhor é encaminharmos nossa aluna para um profissional de fisioterapia especializado em urogineco. A estimulação do períneo deve ser precisa e controlada por aparelhos como o biofeedback.

Como trabalhar o assoalho pélvico

Também podemos nossa aluna a aprender a gerenciar sua pressão intra-abdominal. Os abdominais hipopressivos devem ser aplicados sempre ao final de todas nossas aulas. O método abdominal hipopressivo é todo um conceito que não tem somente como objetivo a melhoria da gestão de pressão intra-abdominal.

Conclusão

Como falamos sobre o assoalho pélvico nesse artigo gostaria de finalizar com uma pesquisa realizada por Scorzza na Espanha. Foram tratadas 100 mulheres com idade média de 46 anos portadoras de hipotonia do assoalho pélvico com incontinência urinária. O tratamento se deu através do método abdominal hipopressivo em duas sessões semanais de 20 minutos por 6 meses.

Após o tratamento tanto o tônus de base quanto o tônus de carga do assoalho pélvico melhoraram. 35% tiveram melhora significativa da incontinência urinária de esforço. Devido à diminuição da pressão intra-abdominal reduziram ainda, em média, 8 cm do seu diâmetro da cintura.

Por que o tratamento da hérnia de disco deve ser feito com movimento?

Por que o tratamento da hérnia de disco deve ser feito com movimento?

A hérnia de disco acontece quando a parte central do disco intervertebral (núcleo pulposo) se desloca para além de seus limites normais. Ou seja, o núcleo passa da parte externa do disco, do anel fibroso.

O disco intervertebral é uma placa de cartilagem que ajuda a amortecer o contato entre os corpos vertebrais. A cartilagem sofre lesões depois de traumatismos, esses eventos podem ser:

  • Quedas;
  • Acidentes de automóvel;
  • Esforços ao levantar;
  • Encurtamento de músculos;
  • Outros.

O trauma exerce uma compressão das raízes nervosas e leva a perda de sensibilidade (parestesia ou anestesia) na altura do dermátomo correspondente. Dependendo da altura da hérnia de disco encontraremos no aluno perda de força muscular e alteração do trofismo muscular. Ou seja, as consequências de uma hérnia de disco são bastante graves e não devem ser ignoradas.

Tipos de hérnia de disco

tipos de tratamento da hérnia de disco

Podemos encontrar os seguintes tipos de hérnia de disco:

  • Hérnia de disco protrusaé o tipo mais comum, quando o núcleo do disco permanece intacto, mas já há perda da forma oval;
  • Hérnia de disco extrusaquando o núcleo do disco se encontra deformado, formando uma ‘gota’;
  • Hérnia de disco sequestradaquando o núcleo está muito danificado e pode até mesmo se dividir em duas partes.

Falsas hérnias de disco

Nem todos os alunos que parecem apresentar uma hérnia de disco realmente as possuem. Se os sintomas não foram fidedignos à descrição que fiz anteriormente ele terá uma falsa hérnia. De acordo com Leopold Busquet, ao redor de 95% dos casos diagnosticados nos consultórios como hérnias de disco na verdade são do tipo falso. Eles apresentam o quadro incompleto de sintomas. Só 5% dos casos são hérnias de disco, eles são mais graves e também precisam de intervenção cirúrgica para o tratamento.

Sintomas de falsas hérnias de disco

sintoma das falsas hérnias de discoA dor intensa no local da hérnia é o principal sintoma da hérnia de disco. Ela também pode gerar sintomas secundários de acordo com o tipo. A hérnia falsa na região cervical causa dor na nuca e no pescoço. O paciente também sente dificuldade para realizar movimentos da cervical e membros superiores. Alguns também apresentam parestesia de membros superiores.

Já uma falsa hérnia lombar gera dor lombar combinada a dificuldades de movimento e parestesia que acontece devido a compressão do nervo ciático.

Pacientes que sofrem com hérnia de disco sentem uma piora na dor durante algumas ações rotineiras, como:

  • Tosse;
  • Riso;
  • Espirro;
  • Evacuação.

Áreas com pouca mobilidade raramente apresentam hérnias de disco. Por isso as curvas cifóticas da coluna pouco são afetadas pelo problema. Em geral, é mais comum encontrar hérnias de disco torácicas em pacientes com colunas muito retificadas.

Causas

causas e tratamento da hérnia de discoAo longo dos meus estudos a respeito do movimento comecei a perceber algo: uma das principais causas da hernia de disco é a própria falta de movimento. Pode parecer um pouco paradoxal considerando que as regiões menos móveis da coluna desenvolvem um número bem menor de hérnias. Porém, vendo tudo com uma visão global faz bastante sentido.

A vida moderna é fácil e incentiva os indivíduos a passar horas e horas sentados, imóveis. Assim, o corpo cria rigidez e falta de movimento, que geram:

  • Limitações articulares;
  • Fraquezas musculares;
  • Sobrecarrego do sistema musculoesquelético por pressões para as quais ele não foi projetado.

O primeiro aviso aviso de que algo está errado vem em um episódio de dor lombar. Ele acontece aproximadamente 10 anos antes do surgimento de uma falsa hérnia. A dor lombar é praticamente o corpo fazendo um pedido de ajuda. Ele quer movimento, correção das disfunções mecânicas que estão causando a dor e eventualmente causarão a hérnia.

Caso a pessoa perceba esse pedido de socorro e busque ajude para corrigir seus movimentos a dor desaparecerá. Mas o mais comum é se automedicar com um relaxante muscular ou analgésico. Ou seja, os desequilíbrios musculares e a falta de movimento continuam presentes.

Essas alterações mecânicas geram pressão sobre os discos intervertebrais constantemente. Mesmo à noite, quando o estado de hidrofilia tenta repor a água perdida pelos discos no dia, a falta de relaxamento das cadeias musculares os impede.

Depois de mais ou menos 10 anos sofrendo com esses desequilíbrios que causaram a dor lombar inicial o disco não resiste. É nessa hora que acontece a hérnia de disco. É exatamente isso que acontece quando impomos a imobilidade a colunas que foram criadas para realizar movimentos.

Tratamento da hérnia de disco

 

Considerando que a falta de mobilidade foi a causa da hérnia de disco só existe uma maneira de tratar: devolvendo a mobilidade perdida.

Sei que logo no início do tratamento o aluno herniado tem muito medo de se mover. É completamente compreensível. Ele passou meses, quando não anos, sentindo dor sempre que realizava certos movimentos. O médico ainda o assustou em relação a sua hérnia de disco, deixando-o temeroso.

Mas não é com falta de movimento que conseguimos resolver um problema que surgiu dessa maneira. Percam o medo de mobilizar seus alunos herniados, mesmo que eles próprio tenham bastante medo. O profissional do movimento tem o papel de orientá-los sobre a reabilitação e quebrar esse paradigma tão comum da hérnia de disco.

Core no tratamento da hérnia de disco

Eyal Lederman diz que o princípio da estabilidade do núcleo ganhou ampla aceitação como reabilitação e prevenção de lesões e condições músculo-esqueléticas.

O autor percebeu que surpreendentemente existem poucas críticas dessa abordagem atualizada. Lederman já indagava sobre a importância de não tornarmos as colunas rígidas demais por excesso de ativação do Core.

Durante muito tempo acreditou-se que um Core forte seria a solução para dores lombares independente da origem. Lederman segue dizendo que o transverso do abdômen tem várias funções na manutenção da postura ereta.

Ele atua no controle da pressão da cavidade abdominal para as funções de fonação, respiração defecação, vômito, etc. Ele também forma a parede posterior do canal inguinal atuando como válvula e impedindo a herniação das vísceras por esse canal.

Na gravidez esse músculo é excessivamente alongado e devido a curva comprimento-tensão perde força. Sua capacidade de estabilização fica dissipada durante esse período.

Mas nem todas as mulheres grávidas apresentam dores lombares, apesar de perder a ação do principal músculo estabilizador. Lederman também faz esse questionamento.

O próprio Paul Hodges, criador do Powerhouse baseado nos estudos de Panjabi, admite em suas pesquisas atuais os efeitos do excesso de contração do Powerhouse. Ele gera um alto custo para o nosso corpo, que não possui somente um músculo estabilizador.

O que existe é um conjunto de músculos que devem trabalhar em sintonia, contraindo-se o músculo certo, na hora certa e com a força certa. No caso de uma sintonia ruim poderemos gerar um aumento importante na pressão intracavitária (PIA).

Outro estudo diz que o treinamento de estabilidade leva a um melhor equilíbrio e controle neuromuscular. Com ele é possível prevenir lesões nas articulações do joelho e do tornozelo, além de servir para tratar dor lombar.

Porém, esse trabalho de estabilidade de núcleo jamais pode deixar nossas colunas vertebrais rígidas demais. Sabemos que as colunas do tipo funcional estático são menos móveis e com um equilíbrio mais precário.

Conclusão

Devemos sim trabalhar a estabilidade do núcleo corporal, porém sem confundi-la com o conceito rigidez, lembrando sempre de um corpo viscerado, e das consequências do aumento da PIA, porem devemos nos lembrar que um corpo saudável, deve ser também móvel e não somente estável, o que geraria desequilíbrios importantes e colocaria nosso processo de reabilitação muito suscetível ao fracasso.

Chegou o guia completo do Método Abdominal Hipopressivo – faça o download gratuito

Chegou o guia completo do Método Abdominal Hipopressivo – faça o download gratuito

A mídia começou a focar muito no Método Abdominal Hipopressivo recentemente. Mas será que você, como profissional está pronto para lidar com esse método e aplicá-lo nas suas sessões?

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O que é o Método Abdominal Hipopressivo

Chamamos de método abdominal hipopressivo (MAH) uma técnica que utiliza algumas sequências de exercícios posturais. Através desses exercícios conseguimos alcançar a diminuição da pressão intra-abdominal e torácica. Eles possuem diversos usos importantes para quem trabalha com movimento. Alguns dos resultados do uso do método abdominal hipopressivo são:

  • Normalização das tensões dos músculos respiratórios;
  • Relaxamento simultâneo de grupos musculares antigravitacionais hipertónicos;
  • Estimulação do sistema neurovegetativo simpático.

No Brasil a hipopressiva vem ganhando espaço rapidamente. Entenderemos nesse e-book algumas características dessa técnica, suas vantagens e por que aplicá-la nas atividades físicas, em especial o Pilates. Quer aprender tudo que precisa saber para começar a usar a hipopressiva? Aqui você encontrará tudo isso e um pouquinho mais.

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Biomecânica da coluna vertebral no Pilates

Biomecânica da coluna vertebral no Pilates

Precisamos admitir uma coisa: boa parte dos alunos de Pilates têm problemas de coluna. Isso pode ser uma escoliose, dor lombar ou qualquer outra patologia. Por isso, devemos aprender como trabalhar com essa região e utilizar a biomecânica da coluna vertebral a nosso favor.

Biomecânica da coluna vertebral

Na Coluna possuímos as cifoses e as lordoses, curvaturas alternadas para funções distintas. As cifoses têm a função de proteção dos nossos principais órgãos. Elas servem como pontos fixos para que os músculos realizem os movimentos. As lordoses estão presentes para distribuir de forma considerável a forca de compressão axial (forca gravitacional).

Existem dois tipos de colunas: a do tipo funcional dinâmica e a do tipo funcional estática. 

Coluna do tipo funcional estática é definida como uma coluna com suas curvaturas menos marcadas, ou seja, retificada. É um tipo muito comum no Brasil

” Esse tipo de coluna tem seu equilíbrio muito precário, este individuo está muito mais susceptível a quedas, pois quanto menor a mobilidade, menor a estabilidade, e menor equilíbrio, como resultante mais quedas. ” 
(Rachel W. Pata, Katrina Senhor, Jamie Lamb) 

A coluna do tipo funcional dinâmica possui curvaturas mais móveis, acentuadas e com maior mobilidade. Portanto, são mais susceptíveis a lesões. Logo temos aqui um dilema: nossa coluna deve ser:

  • Estável o suficiente para suportar as forças gravitacionais;
  • Móvel o suficiente para ser flexível.

Se essas curvaturas forem equilibradas a coluna terá maior energia potencial produz-se e menos chances de lesões. Portanto, em nossas aulas de Pilates devemos observar primeiramente que tipo de coluna tem o nosso paciente. Se ele for mais flexível, temos que priorizar o trabalho de estabilidade. Eu disse priorizar, mas também temos que não perder sua flexibilidade, pois estamos diante de uma coluna do tipo funcional dinâmica. 
Agora se estivermos diante de um paciente com sua coluna do tipo funcional estática, devemos priorizar a mobilidade. 

Estabilidade da Coluna Vertebral

Panjabi foi engenheiro e o primeiro a falar sobre a estabilidade. Ele disse que a instabilidade e o aumento da dor lombar se são pela perda do padrão de movimento funcional. Joseph buscava incansavelmente esse movimento normal com sua observação obstinada e apaixonada pelos animais e crianças. 
Panjabi diz que a estabilização é feita por três subsistemas:

  • Coluna vertebral;
  • Músculos da coluna vertebral;
  • Unidade de controle neural.

Ou seja, precisamos de uma coluna flexível e de músculos fortes. Sobre o papel do sistema de controle neuromuscular ainda pouco sabemos. Quanto maior for a oscilação do corpo, maior probabilidade de aparecimento da dor lombar, indicando um sistema de controle neuromuscular menos eficiente, com uma menor capacidade de proporcionar a estabilidade espinhal necessária. 

Paul Hodges

A partir dos estudos de Panjabi, Paul Hodges propõe que a estratégia mais eficiente para a estabilização da coluna vertebral é frequentemente o movimento. Isso é diferente da rigidez que muitos impõem. A perturbação é menor quando a preparação para o movimento envolve um ajustamento da posição da coluna vertebral. Assim a estabilidade não é somente o impedimento do movimento. Na maioria das vezes envolve pequenos movimentos sutis feitos no momento certo e na quantidade certa. Pessoas com dor lombar crônica, por exemplo tem seus movimentos comprometidos.

Hodges diz ainda que, a optimal stability não se dá sobre a geração máxima de contração, mas sim sobre contrair os músculos certos, na quantidade certa, e no momento certo. Confirma ainda que, as contrações musculares que estabilizam a coluna vertebral têm um alto custo. Elas restringem a respiração, o movimento, exercem maior pressão sobre o assoalho pélvico e compressão sobre a coluna vertebral. 

Uma característica importante da estabilização no núcleo é que a atividade muscular deve preceder a quaisquer forças que possam perturbar a coluna vertebral. Por isso o timing, antecipação e atividade muscular feedforward é o mais importante para Hodges. 

Como sabemos o transverso é o principal músculo de estabilização segundo Paul Hodges. Logo vamos conhecer mais profundamente esse importante músculo.  

Transverso

Como vimos na figura o Transverso é cortado pela frente pela potente linha alba e por trás pela fáscia tóraco lombar. Logo acredito em sua interdependência e ainda na existência de dois músculos transversos. Podemos dividi-lo em Transverso direito e o Transverso esquerdo. Portanto, discordo do comando de levar o umbigo para a coluna, pois isso só seria capaz com a colaboração dos retos abdominais. O Transverso não realiza esse movimento.

Além disso, há um engano no Brasil sobre a contração do Transverso. Olhemos bem a figura do Transverso, suas linhas de tração, origem e inserção, analisemos agora uma contração concêntrica dos Transversos. 

fibras do transverso e mitos da hipopressiva

Todos concordam comigo que as linhas inferiores do Transverso o tracionam para dentro e para baixo, alargando a parte inferior do abdômen como as figuras que criamos de cinturão, espartilho e outras?

Mais um fator anatômico que devemos levar em consideração na contração do Transverso o impedindo de que esse músculo realize sua contração no sentido interno somente. Ele traz sua contração para a crista ilíaca de forma ascendente, formando assim uma cintura fininha na altura de suas fibras médias que são horizontais, mas não nas fibras inferiores e superiores.

Logo o comando a ser dado é de aplanamento do abdômen com a formação de uma cintura fininha. Não devemos empurrar as vísceras para baixo para não fadigarmos o assoalho pélvico. Sim toda a linha osteopática fala em fadiga do assoalho pélvico e não fraqueza, em alguns casos. 

Conceito da Estabilidade segundo a Biomecânica

Como vimos, o Pilates não é uma receita pronta. Não tem comandos prontos, cada aluno deve ser analisado e bem avaliado para traçarmos nossa estratégia de atendimento. 

Vamos analisar agora o conceito da estabilidade segundo a física mecânica. Logo adianto que diante todas as pesquisas apresentadas Joseph Pilates, foi muito feliz e genial ao criar seu método. O que fazemos até hoje proposto por Pilates é a estabilização segmentar ou o fortalecimento do Powerhouse. Fazemos isso acreditando que quanto mais forte for o Powerhouse mais estável estará a coluna vertebral gerando menos lesões. Pela física esse conceito não está errado. Mas ele se encontra mal-entendido, incompleto. Confunde-se estabilidade com rigidez, ignorando-se a mobilidade. 

Pela física, estabilidade e a energia potencial de um corpo, energia esta que pode ser armazenada nesse corpo. Essa energia pode ser transformada em energia cinética (de movimento), se esse corpo estiver equilibrado. Essa energia potencial gravitacional, ou gerada pela força solo pode ser transformada pelos nossos tendões e músculos em energia cinética que gerara estabilidade para nosso corpo em movimento. 

Estabilidade é igual rigidez vezes mobilidade. Logo se fortalecermos muito o Powehouse, teremos muita rigidez e menos mobilidade. Assim, perdemos a energia potencial elástica gerada por nossos músculos. Ao contrário, se formos muito móveis também teremos um problema. Perdemos estabilidade e também não conseguimos gerar energia potencial elástica.

Portanto, um corpo em equilíbrio deve conseguir utilizar de forma econômica, tanto na rigidez quanto na mobilidade, uma fonte de energia cinética para o movimento sem riscos de lesões. 
Então, baseada nos conceitos físicos, posso afirmar que o Método Pilates é um exercício completo. Ele trabalha, tanto na mobilidade, quanto na rigidez (estabilidade). As pesquisas recentes muito agregaram ao conceito estabilidade, alguns ajustes já são aceitos pelo Pilates Clássico. E as pesquisas seguem sugerindo somente um ajuste de menos força para a estabilidade segmentar para não gerar rigidez, aumento da pressão intra cavitária desequilibrando, assim, todo o sistema. 

Diferença da respiração para pacientes hipercifóticos e retificados

Segundo Joseph, a respiração solicitada durante os exercícios de Contrologia deve ser profunda. A intenção é oxigenar todos os átomos de seu corpo. Aqui eu acrescento a respiração tridimensional e com comandos diferentes para hipercifóticos e retificados.

Joseph acreditava que uma coluna deveria ser ereta para ser saudável. Hoje sabemos que as curvaturas de nosso eixo central devem ser respeitadas. O nosso comando respiratório deve ser um para os pacientes retificados, para que eles levem o ar inalado para as costas, e para os cifóticos outro, de que ele tente levar o ar inalado para o peito. 

Joseph dava muita ênfase para o ato respiratório. Dizia ser o primeiro realizado ao nascermos e o ultimo também quando morremos. Dizia ainda, que muitas pessoas passavam uma vida inteira sem respirar direito. E insistia numa respiração profunda que expandisse o peito, e que depois na expiração fosse retirado do pulmão toda última molécula de gás carbônico, como se estivéssemos espremendo o pulmão como se fosse uma toalha. 
Hoje a respiração continua sendo muito enfatizada na prática do Pilates, porem de forma mais sutil e respeitando o ritmo, a fluência e a sequência dos exercícios. 

Posicionamento da Coluna 

Joseph acreditava e buscava por uma coluna ereta. Os praticantes do Pilates Original ainda assim o trabalham. À luz de novas pesquisas sabemos que a retroversão (Imprint) pode aumentar em inúmeras vezes a pressão sobre os discos intervertebrais. Logo, os instrutores do Pilates do Clássico ao Contemporâneo, já há algum tempo buscam a coluna neutra.

Com o tempo porém, percebemos que não faz muito sentido prescrevermos exercícios onde a pelve está neutra, mas as colunas dorsal e cervical em sofrimento. Durante minhas aulas sempre deixo bem claro aos meus alunos que começaremos a realizar os exercícios na pelve neutra ideal do meu paciente. Isso seria o neutro ideal para o conforto do paciente. Aos poucos tentamos trazê-lo a cada nova aula para o que seja o neutro ideal para o meu paciente ditado pelo meu olhar profissional. Evoluímos realizamos exercícios para atingir tal objetivo. 

Esse objetivo é formado pela cervical lordótica neutra, a dorsal cifótica neutra e a lombar lordótica neutra. Para nosso paciente deitado em decúbito dorsal isso significa ter: a base do crânio, a coluna dorsal, as costelas flutuantes e a base do sacro no solo.

A mecânica dos Aparelhos propostos por joseph:

Precisamos entender a genialidade de Joseph Pilates. Primeiro esqueçamos essa ideia antiga que temos de que ele criou suas principais quatro camas aleatoriamente. Cada um dos aparelhos criados por Joseph Pilates são um verdadeiro emaranhado físico, cheios de vetores de forças, forças elásticas, roldanas e nesse texto vou tentar explicar no contexto físico, cada uma dessas suas maquinas.

Faz-se importante que conheçamos com quais forças estamos lidando em cada uma das camas para que possamos otimizar cada exercício de nossa aula, tirando dele o máximo da capacidade física que cada instrumento pode nos oferecer.

 Por questões didáticas modularei este texto, explicitando a mecânica dos exercícios por cada aparelho separadamente.

Mitos da hipopressiva que você precisa entender

Mitos da hipopressiva que você precisa entender

O conceito hipopressivo é como todo método novo, recheado de mitos e com promessas de milagre. Quer conferir? Digite ginástica hipopressiva no Google, você perceberá como existem artigos confusos sobre ela.

Não existe como negar que o Método Abdominal Hipopressivo vem ganhando cada vez mais público. Para que esse público tenha acesso ao método com qualidade e eficiência é preciso desmistificar tais mitos e passar informações claras. Por isso escrevi esse artigo.

Método Abdominal Hipopressivo no Brasil

mitos da hipopressiva no brasil

O método chegou ao Brasil há aproximadamente 2 anos com várias promessas. Neste artigo vamos classificar como mitos e verdades, e do que o Método Abdominal Hipopressivo de fato é capaz.

Por aqui, as pessoas começaram a conhecer o método quando Gisele Bündchen anunciou que a hipopressiva era causa do retorno rápido do corpo após a gravidez. Desde então a busca por profissionais capacitados pelo Método Abdominal Hipopressivo aumentou vertiginosamente. Mas será que todos sabem do que realmente se trata o Método?

O conceito hipopressórico nasceu em Madrid através dos estudos de Marcel Caufriez e busca a melhora:

  • Postural;
  • Respiratória;
  • Sexual;
  • Metabólica.

Isso pode ser obtido através de uma busca por estímulos somático-sensoriais que propiciam a normalização das pressões corporais internas. Assim, eles produzem melhorias corporais para gerar melhor qualidade de vida.

Seus resultados seriam otimizados se realizados de maneira preventiva. Esse conceito transita a nível sistêmico. Todos sistemas são alimentados pelo conjunto de células que cumprem funções específicas, porém estão todos interligados.

Essa interligação é dada pelo tecido conjuntivo, a fáscia. O conceito hipopressórico é mais do que uma técnica para gerar a tão famosa barriga negativa. Ele também é uma técnica de prevenção e reabilitação para a ativação da faixa abdominal.

Após essa conceitualização vou esclarecer explicitando o que há de mito no Método.

O Método Abdominal Hipopressivo gera barriga definida ou negativa?

mitos da hipopressiva sobre barriga definida

Sim e não. Primeiro preciso deixar claro que para se ter um abdômen definido é imprescindível uma alimentação correta. Eu diria que 80% do processo se dá por uma dieta de baixa ingestão de gorduras. Ou seja, o indivíduo deve possuir um baixo índice de massa gorda corporal.

Porém, se esse indivíduo possuir a pressão intracavitária aumentada, se faz necessário normalizar essa pressão a fim de obter o abdômen dos sonhos também. Logo o Método Abdominal Hipopressivo é um conceito que através da normalização da pressão intra-abdominal pode sim ajudar.

Ele precisa ser somado aos fatores já citados para obter a definição do abdômen. Além disso, o método é capaz de diminuir em média cerca de 3 a 5 cm a circunferência abdominal.

A explicação para que isso aconteça é bem simples e segue o princípio físico da Lei da Blaise Pascal. A lei diz que em um componente líquido hermeticamente fechado (o saco visceral) qualquer variação de pressão será distribuída de forma homogênea por todo conjunto. Entendamos melhor a conformação dos músculos do abdômen.

Músculos do Abdômen

Reto abdominal

O reto abdominal são músculos que ficam à frente do tronco e compõem a camada muscular superficial dos músculos abdominais. Suas fibras são predominantemente vermelhas, porém entrecortadas por áreas não contráteis fasciais.

Esses músculos estão recobertos pela bainha do reto do abdome. Sua função é manter os músculos em sua posição. Ela é formada pelas aponeuroses do:

  • Oblíquo externo;
  • Oblíquo interno;
  • Transverso do abdômen.

O músculo reto do abdômen é longo e aplanado, recobre toda a face anterior do abdome. Ele é intercedido por faixas fibrotendinosas chamadas intersecções tendíneas. Os números dessas interseções variam de pessoa para pessoa.

  • Origem: Da 5ª a 7ª cartilagens costais, processos xifóide e ligamento costoxifoide
  • Inserção: Púbis e sínfise púbica
  • Inervação: Sete últimos nervos intercostais
  • Ação: Flexão do tronco, comprime o abdome e auxilia a expiração forçada.

Os retos do abdômen são os responsáveis pelo enrolamento da unidade tronco. Eles realizam a elevação do púbis em direção ao umbigo e abaixam o esterno em direção ao umbigo.

Essa nos parece ser uma zona de convergências de forças importantes. Com esse enrolamento indiretamente mobilizamos a coluna vertebral de forma retificadora em sua região torácica baixa e lombar.

Não raramente, há necessidade de flexibilização desses músculos. A falta de flexibilidade acontece por influências viscerais centrípetas que nos puxam para o enrolamento. Outra opção são nossos atuais hábitos de vida:

  • Sedentarismo;
  • Posicionamento ergonômico errôneo adotado no trabalho, dentre outros

O que precisamos saber é que são os retos abdominais que ao contrair-se empurram as vísceras abdominais para dentro. Portanto, sendo responsáveis por aumentar a pressão intracavitária.

Os músculos largos

São os músculos nas laterais do tronco que se opõe ao longilíneo reto do abdômen são chamados de músculos largos. São três deles dispostos em camadas:

  • Transverso do abdômen
  • Oblíquo interno
  • Oblíquo externo

Transverso do abdômen

músculo transverso do abdomen e mitos da hipopressiva

É o músculo mais profundo dentre todos os músculos largos e tem sua origem na:

  • Crista ilíaca;
  • Fáscia toracolombar;
  • Dois terços laterais do ligamento inguinal.

Sua inserção fica nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba estendendo-se inferiormente sobre o ligamento inguinal acompanhando a prega inguinal.

Como vimos na figura, ele é cortado pela frente pela potente linha alba e por trás pela fáscia tóraco lombar. O periódico JOSPT já fala sobre a interdependência dos Transversos abdominais há cerca de 10 anos.

Não há fibras musculares do Transverso a frente do umbigo, temos somente todo tecido aponeurótico da linha alba não contrátil. Além disso, há um engano sobre a contração do Transverso.

Olhemos bem a figura do Transverso. Em suas linhas de tração, origem e inserção, analisemos agora uma contração concêntrica destes músculos.

O Transverso é dos músculos do abdômen que menos atua sobre o esqueleto. Sua principal ação está relacionada às questões viscerais:

  • Fonação;
  • Vômito;
  • Tosse;
  • Espirro;
  • Entre outras.

Esse músculo tem uma atuação importante sobre as vísceras. Ao se contrair ele diminui o diâmetro da cintura, podendo aumentar consideravelmente a pressão intra-abdominal. Somada a esse aumento de pressão, a ação

Ações do transverso e suas fibras

fibras do transverso e mitos da hipopressiva

Quando em contração forma uma cintura fininha realizada pelas fibras médias do Transverso que são horizontais.

Suas fibras inferiores são responsáveis pela proteção dos órgãos da pelve menor das diferenças pressóricas ocorridas a todo momento. Quando contraídas, essas fibras são responsáveis pelo alargamento das cristas ilíacas.

Suas fibras superiores têm um direcionamento dado para baixo e para fora sendo responsáveis pelo sutil fechamento das costelas. Por terem um ventre e um comprimento muscular pequeno essas fibras não conseguem realizar um grande fechamento das costelas. No caso de um diafragma hipertônico, trabalhando em posição baixa, somado a contração dos músculos do abdômen e a força gravitacional empurraram as vísceras para baixo, aumentando a PIA e fadigando, assim os músculos perineais.

Alguns autores identificaram um aumento da atividade eletroneuromiográfica dos músculos abdominais durante a contração do assoalho pélvico. A contração ocorreu sem qualquer contração da musculatura abdominal.

Existe entre eles uma ação de sincronia, isto é, a contração do músculo abdominal leva a uma contração recíproca do músculo pubococcígeo. Isso estabiliza e mantém o colo vesical na posição retropúbica, facilitando a igualdade das pressões transmitidas da cavidade abdominal ao colo vesical e uretra proximal. Essas ações mantém a continência urinária.

Importância da pressão intra-abdominal

importância da pressão intra-abdominal e mitos da hipopressiva

A atividade sinérgica entre os Músculos do Assoalho Pélvico e os abdominais possibilita o desenvolvimento de uma pressão de fechamento adequada e importante para manter:

  • Continência urinária;
  • Continência fecal;
  • Pressão no abdômen;
  • Suporte aos órgãos pélvicos.

Alguns estudos demonstram que, durante a contração voluntária dos Músculos do Assoalho Pélvico, ocorre uma co-ativação dos músculos:

  • Transversos abdominais;
  • Oblíquo interno;
  • Oblíquo externo;
  • Reto abdominal.

A pressão esfincteriana aumenta com essa ativação.

Um estudo realizado a respeito da sinergia abdomino pélvica diz que aumentos repentinos na pressão intra-abdominal levam a uma rápida atividade reflexa dos músculos do assoalho pélvico (reflexo guardião).

Deve-se considerar, no entanto, que “o aumento repentino da pressão intra-abdominal”, se causada por uma manobra intrínseca (tosse, por exemplo) incluem a ativação via retroalimentação da musculatura do assoalho pélvico como parte de um complexo padrão de ativação muscular.

Acredita-se que a tosse e o espirro são gerados por um padrão individual dentro do tronco cerebral. Assim, a ativação dos Músculos do Assoalho Pélvico é uma co-ativação prévia, e não primariamente uma reação “reflexa” ao aumento da pressão intra-abdominal.

Resposta dos músculos do Assoalho Pélvico devido ao aumento da PIA

Porém pode haver uma resposta reflexa adicional dos Músculos do Assoalho Pélvico em relação ao aumento da pressão abdominal devido à distensão dos fusos musculares dentro dessa musculatura.

Outros autores também afirmaram que o aumento da pressão de fechamento da uretra e do ânus ocorre imediatamente antes do aumento da pressão intra-abdominal. Nos eventos de tossir e espirrar, o diafragma, os músculos abdominais e o assoalho pélvico são ativados de forma pré-programada pelo sistema nervoso central.

Este fato parece sugerir que a ativação dos músculos do períneo não acontece em resposta ao aumento da pressão intra-abdominal. Ela é antes produzida por mecanismos nervosos centrais que podem ser eventualmente regulados pela vontade.

Algumas investigações demonstram que o aumento da PIA precede a contração automática do Assoalho Pélvico. A contração prévia desses músculos antes do aumento intra-abdominal indica que esta resposta é pré-programada.

Oblíquo interno

O oblíquo interno pertence a camada intermediária dos músculos largos e são dois: direito e esquerdo.

Tem sua origem na:

  • Crista ilíaca;
  • Fáscia toracolombar;
  • Dois terços laterais do ligamento inguinal.

Sua inserção é nas Bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba. Sua ação inclui fletir e rodar o tronco para o mesmo lado. Ele também auxilia na expiração forçada.

Seu direcionamento de fibras vermelhas circundam a cintura, numa direção para cima e de trás para a frente da pelve até as costelas. Sua ação mais potente está exatamente acima do umbigo e ao se contrair comprimira as vísceras.

Por fim, também reforça a borda do ligamento inguinal contribuindo para a contenção inferior do abdômen.

Oblíquo externo

É um músculo amplo, plano e quadrangular. Mais extenso em sua parte ventral que na parte dorsal.

Recobre a face lateral do abdome com sua porção muscular e a face anterior com sua porção aponeurótica. Tem a sua origem: da 5° a 12° costelas (bordas inferiores). Sua inserção está na: crista ilíaca, ligamento inguinal e lâmina anterior da bainha do reto abdominal. Suas aponeuroses se unem a linha alba.

Em sua ação: comprime o abdome, flete e roda o tronco para o lado oposto; auxiliando também na expiração forçada. Além disso, os oblíquos externos são capazes de direcionar as vísceras de cima para baixo pelo seu direcionamento de fibras.

Ação dos músculos largos sobre a linha alba

São eles os responsáveis em sua contração simétrica pela diástase pois tracionam a linha alba em sentidos opostos. A contração do Transverso traciona a linha alba num direcionamento horizontal, por sua disposição de fibras.

O oblíquo externo afasta a linha alba obliquamente em sua região superior para baixo. E o oblíquo interno atua na região infra umbilical tracionando a linha alba num direcionamento cefálico.

Os músculos retos do abdômen não realizam a separação da linha alba por serem paralelos a ela.

Solicitar contrações mantidas à pacientes que já possuam pressão intra-cavitária elevada, pode ser muito perigoso. Esta elevação acentuada da pressão intra-abdominal pode gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos. Isso prejudica o funcionamento de todo o sistema visceral.

Esse excesso de pressão intracavitária também acontece sobre o assoalho pélvico. A longo prazo facilita a instalação de mecanismos de fuga, empurrando as vísceras para baixo. Blandine traz da França todo um novo conceito em seus livros sobre Pilates. Ela recomenda solicitar a realização do exercício na fase inspiratória sem o fechamento das costelas.

Essas ações tentam não sobrecarregar as vísceras. Além disso, ele preconiza que os exercícios sejam realizados na fase inspiratória evitando assim o aumento da pressão intra-abdominal durante os enrolamentos no Pilates.

Exercícios na inspiração

Em contrapartida, ao realizarmos os exercícios na inspiração o diafragma estará em posição baixa. Isso diminui a área abdominal, e quanto a essa nova proposta ainda não temos estudos científicos comprobatórios.

Como vimos, vários autores e pesquisadores contemporâneos já se atentaram para as questões das variações pressóricas. Eles vêm buscando novas propostas para o conforto de um corpo viscerado, sem desrespeitar as três leis corporais:

  • Conforto;
  • Equilíbrio;
  • Economia.

Contudo, sabemos também que nos mantemos em bipedestação graças às pressões intracavitárias, e as potentes fáscias posteriores. O problema está quando essa pressão se mantém elevada. Segundo o físico francês Blaise Pascal, já citado anteriormente, essa pressão elevada distribuirá toda essa tensão de forma igualitária pelo saco visceral. Por isso as vísceras estariam sob o risco de não conseguirem realizar seus movimentos que são vitais a nossa sobrevivência. Como a víscera é prioridade ante os músculos, esses se relaxarão.

Sendo assim quanto mais abdominais tradicionais apliquemos a esse corpo, mais pressão no saco visceral geraremos então um abdômen mais globoso. Visto isto, o Método Abdominal Hipopressivo  propõe a normalização dessas pressões. Mais uma vez recorremos a física, sendo a pressão igual a força dividida pela área. Quanto menos pressão no saco visceral, menos área externa teremos na conformação desse abdômen. Logo o Método Abdominal Hipopressivo é capaz sim de diminuir a circunferência abdominal a médio prazo.

O Método Abdominal Hipopressivo emagrece?

emagrecimento e mitos da hipopressiva

De novo a resposta é sim e não. Somente com uma dieta equilibrada o emagrecimento será possível. Porém o Método é capaz de a médio e a longo prazo aumentar o metabolismo basal do indivíduo.

Os exercícios trabalham numa faixa interessante de variabilidade cardíaca gerada pela noradrenalina produzida pelo sistema nervoso simpático. Alguns exercícios da série dinâmica podem chegar a atingir 85% da frequência cardíaca máxima de um indivíduo.

Porém, deve estar acompanhada de exercícios específicos de Treinamento Funcional, Pilates, corrida, musculação, dentre outras atividades. Aqui reitero, o Método Abdominal Hipopressivo vem somar a outras técnicas e formas de atividade física quando falamos das questões estéticas. Além, de ser extremamente eficaz na capacidade de produzir Dopamina.

Conclusão

Como vimos o Método Abdominal Hipopressivo se associados a outros métodos pode somar muitos ganhos estéticos ao praticante. Os benefícios acontecem desde que supervisionado e avaliado por um profissional do movimento. Como todo método ele também possui contraindicações.

Devido ao marketing e a cultura da beleza muito fortes em nossa sociedade, fique atento. O método tem grande procura no mercado fitness. Porém, lembre-se seus benefícios vão muito além da estética somente.