Algum dos seus alunos tem dor lombar crônica? Provavelmente todos nós temos isso em comum, a lombalgia é algo extremamente comum que aparece em qualquer Studio. Nesse artigo quero te ajudar a tratar esses pacientes através de uma relação bastante esquecida: da dor lombar crônica inespecífica com a amnésia glútea.

Já parou para pensar na importância dos glúteos para nosso movimento?

A fraqueza ou inibição do glúteo tem sido associado por pesquisas a dor lombar crônica inespecífica. Logo entenderemos porque, é só continuar lendo.

Nesse artigo explicarei as ações do glúteo, compensações que o corpo realiza quando ele está mal ativado e como isso pode gerar dor.

Mas antes de qualquer coisa, precisamos saber sua origem, inserção e ação. Assim entenderemos o que tem acontecido ao longo da evolução com nossos glúteos.

Glúteo máximo

síndrome da amnésia glutea gluteo máximo

É um músculo plano, quadrangular e robusto. Ele é o mais volumoso e mais potente da região, e o grande responsável pela manutenção da postura ereta.

  • Origem: face glútea da asa do ílio, face posterior do sacro, aponeuroses adjacentes.
  • Inserção: tuberosidade glútea.

Ações:

  • Extensão;
  • Rotação lateral;
  • Abdução do quadril;
  • Extensão do joelho.

Notemos que o Glúteo Máximo é o mais superficial e consequentemente estético da região glútea. O Glúteo Máximo produz os movimentos de Abdução do quadril, quando você afasta o Fêmur da região central do corpo.

Porém o principal movimento produzido pelo Glúteo Máximo é a extensão do quadril. Ao fazer o movimento com o membro inferior para trás, você realiza uma extensão do Quadril.

O Glúteo Máximo é o motor primário da extensão do quadril. O glúteo máximo é um dos principais músculos a realizar o movimento juntamente com os Isquiotibiais.

Glúteo máximo vs. Isquiotibiais

Juntos, os isquiotibiais e o glúteo máximo formam os dois grandes grupos musculares extensores do Quadril. E aí que começam muitos problemas com relação a ativação do glúteo máximo.

Dependendo do posicionamento espacial e da postura da pessoa, os potentes isquiotibiais também podem realizar a extensão do quadril. Os posicionamentos das fibras de cada grupo muscular também influenciam nisso.

As fibras do glúteo ficam em diagonal para conseguir cumprir todas as suas ações. Já os ísquios têm fibras dispostas transversalmente, o que parece mecanicamente mais favorável para a realização da extensão do quadril.

Os isquiotibiais podem facilmente realizar o movimento de extensão do quadril, apesar da função ser primariamente do glúteo máximo. Isso resolveria a questão no caso de os glúteos estarem inibidos e ajudaria na manutenção da nossa estática. A resposta é deficitária, porém é capaz dessa manutenção.

Porém isso aumenta os graus de extensão lombar consideravelmente, nos gerando um problema mecânico. Essa pode ser um dos mecanismos fisiopatológicos de formação da dor lombar inespecífica.

Logo deduzimos, que o papel principal dos glúteos é empurrar o solo durante a marcha, corrida, ou simplesmente para a manutenção da estática em nossos movimentos oscilatórios do tronco, produzindo assim a forca motriz do corpo.

A extensão de quadril desejada para uma boa mecânica corporal durante a corrida é de 30 graus de extensão de quadril. Quando essa amplitude de movimento não é satisfatória, o tronco vai se estender para manter o centro gravitacional. Dessa maneira gera-se o que chamamos de dor lombar pós corrida. Muito comum entre corredores amadores.

Como citado acima o Glúteo máximo tem sua origem em sua face posterior junto as aponeuroses.

A principal aponeurose a qual o glúteo máximo esta interligado é a fáscia toracolombar. Ela é uma estrutura contínua de tecido conjuntivo que se estende desde o sacro chegando até a região cervical.

Logo, podemos dizer que a fáscia toracolombar é um elemento do núcleo porque muitos músculos têm continuidade de tensão presentes ao glúteo máximo. Alguns deles são:

  • Grande dorsal;
  • Serrátil;
  • Trapézio fibras inferiores;
  • Isquiotibiais;
  • Bíceps femoral.

A contração ou relaxamento desses músculos aumenta ou diminui a tensão sobre o glúteo máximo por sua tensigridade corporal. Essa tensão fascial junto ao glúteo máximo, e nosso sistema hidropneumático são os grandes responsáveis pela manutenção da nossa postura.

Ou seja, qualquer alteração ou desestabilização de tronco pode ativar ou inibir o glúteo máximo. Ao mesmo tempo, a hiperativação ou inibição dos glúteos máximos poderá gerar desequilíbrios e dores em qualquer região do tórax, pelo qual está interligado pela fáscia toracolombar.

Vida Moderna

Vamos conferir alguns fatos:

  • A Terra existe há aproximadamente 13 bilhões de anos;
  • A primeira forma de vida encontrada em nosso planeta foi há aproximadamente 4,8 bilhões de anos;
  • Os primeiros relatos da nossa bipedestação ocorreram há somente 120 mil anos.

fatos sobre a bipedestação humana

Podemos perceber que nosso corpo ainda está se adaptando a bipedestação.

Desde o início da bipedestação o estilo de vida mudou muito com o surgimento de facilidades como:

  • Nossa alimentação;
  • Nossa locomoção;
  • Nossa necessidade de habilidades motoras.

Devido a essas mudanças, as habilidades motoras estão sendo perdidas ao longo dos anos. Com o advento da tecnologia nos movimentamos menos, caminhamos menos, subimos ou descemos menos escadas.

Além disso, permanecermos muito tempo sentados. Como resultado realizamos nossas atividades de vida diária com menos força e com menor recrutamento de fibras motoras.

A importância do glúteo máximo em nossa evolução é de vital importância. Só caminhamos ou andamos sobre duas pernas para deixarmos os braços livres para executarmos outras tarefas.

Com o desenvolvimento da vida humana, os primeiros hominídeos se tornaram ativos numa vida cheia de migrações, caça e coleta.

Essa rotina mudou abruptamente, e hoje nossa realidade é: da cama para a cadeira, cadeira para carro, carro para cadeira de escritório. Trabalhamos sentados muito tempo, em seguida, repetimos a rotina em sentido inverso. Da cadeira para o carro, do carro para a cadeira, da cadeira para a cama.

Se o edifício tiver um elevador, a falta de subirmos ou descermos escadas pode ser introduzida nessa história. Esta rotina humana é mantida por longos períodos. Por vezes, ao longo de uma vida inteira o ser humano se mantém com os músculos glúteos inativos e que conduz a uma disfunção conhecida como amnésia glútea.

Síndrome da Amnesia Glútea

A síndrome da amnesia glútea nada mais é do que a perda dos movimentos naturais do glúteo máximo ao longo dos anos. Isso determina a perda da capacidade funcional do quadril, com perda de tônus e força na musculatura.

Como o glúteo máximo é o nosso grande cíngulo de anulação das forças que percorrem nosso corpo, perdemos a capacidade de ativação dentro do padrão motor correto. Encontramos:

  • Inibição das conexões neuromusculares naturais;
  • Uma fonte de compensações corporais inadequadas;
  • Ativações musculares errôneas.

Quando existe a síndrome da amnesia glútea movimentos naturais do dia-a-dia como agachar, andar e correr ficam prejudicados.

Nascemos com essas habilidades basta ver como as crianças brincam em posição de agachamento perfeito sem que ninguém as tenha ensinado a realizar o agachamento no padrão motor correto, pois esse aprendizado nos e inato, mas com nossa inatividade perdemos essa capacidade ao longo da vida.

O termo amnesia glútea refere-se à inibição e ou atraso na ativação dos músculos glúteos. Frequentemente, isso leva ao enfraquecimento do músculo. A inibição glútea afeta negativamente o desempenho e a força dos membros inferiores, o que exporá nosso corpo a uma série de lesões e dor crônica.

Lesões associadas com a amnésia glúteador lombar e amnésia glútea

  • Disfunção patelo-femural
  • Síndrome da banda ou do trato ílio-tibial
  • Herniações ou dores lombares
  • Síndrome do piriforme
  • Desalinhamento extremidades inferiores
  • A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA).
  • Instabilidade crônica do tornozelo.

Compensações mecânicas

Os quadris não param de se mover, a menos que eles estejam tentando fazer com que você fique estável, dentro de nosso movimento oscilatório do tronco durante a tentativa de nos manter na estática. Se os glúteos estão inibidos, então não estaremos estáveis.

Compensações na lombar

compensações da amnésia glútea na lombar

Quando perdemos a mobilidade do quadril, geramos mais movimentos e mais instabilidade na parte inferior das costas. Perder o movimento em algum segmento corporal, exige que nos movamos mais em outro segmento corporal, de forma compensatória.

Já que o quadril está sem movimento a coluna lombar ganha mais mobilidade. Assim surge dor na lombar por excesso de mobilidade e movimento.

A co-contração do glúteo máximo com o Psoas contribui para a estabilização lombo-sacral. O glúteo máximo proporciona estabilidade à articulação sacroilíaca por meio de apoio e compressão.

O excesso de movimento na articulação sacro ilíaca compromete as articulações intervertebrais L5-S1 e o disco intervertebral gerando disfunção. O glúteo máximo também proporciona menor estabilidade de volta através de sua conexão com os espinhais e a fascia toracolombar.

Algumas de suas fibras são contínuas com as fibras dos espinhais. Uma contração do glúteo máximo irá gerar tensão nos eretores no mesmo lado, proporcionando rigidez à coluna vertebral

A contração de Glúteo máximo também exerce uma força na extremidade inferior da fáscia toracolombar. A fáscia é uma camada espessa de tecido conjuntivo ligamentar cuja tensão estabiliza as vértebras.

Compensações no joelho

compensações no joelho

Os glúteos inibidos também levam a um mau controle do fêmur. Lembrem-se dos movimentos de rotação automática realizados pelos joelhos para uma boa dinâmica da articulação do joelho.

Com glúteos inibidos perdemos a capacidade de adaptação do joelho, pela imobilidade da rotação externa realizada pelo glúteo máximo. Claro que temos outros músculos que são rotadores externos do quadril, mas nenhuma é capaz de suprir a falta de potência do glúteo máximo. Mesmo quando essas musculaturas trabalham em conjunto o glúteo máximo faz falta.

Compensações no ombro

compensações no ombro

O indivíduo com inibição de glúteo também apresenta diminuição na amplitude de movimento do ombro com consequência dor. Os glúteos se conectam via fáscia, como vimos anteriormente, ao longo do quadril para o ombro oposto.

A conexão acontece através da fáscia das cadeias cruzadas de extensão ou abertura da unidade funcional do tronco.

Quando os glúteos estão inibidos, a fáscia torna-se mais rígida e a amplitude de movimento do ombro torna-se diminuída. Sem conseguir gerar força a partir do chão para o ombro, você sobrecarregara membros superiores para gerar energia cinética e realizar movimentos.

O ombro é uma articulação mais complexa e frágil em relação a quantidade de unidades motoras se comparado ao glúteo máximo. Mesmo assim ele terá de gerar a energia potencial do glúteo.

Além disso temos a correlação com o grande dorsal, que não raramente encontra-se encurtado, portanto fraco. O encurtamento gera mais dor lombar e por perda de conectividade, dor em ombro também.

Outras compensações

extensão cervical e glúteo

Para continuar a mecânica compensatória da inibição glútea, o grande músculo opositor de forças é o musculo Psoas. O Psoas flexiona o quadril lordosando-o, enquanto os glúteos o estendem retificando-o. O Psoas traciona a pelve anteriormente enquanto os glúteos o tracionam posteriormente.

Se os glúteos estão inibidos, a parte inferior das costas torna-se mais instável e o Psoas aumenta sua tensão. As compensações são feitas para estabilizar a parte inferior das costas aumentando a lordose lombar de forma considerável por causa da potência do músculo.

Além disso, enquanto os glúteos rodam o fêmur externamente, o Psoas por sua linha de tração, roda o fêmur internamente. O movimento gera o valgismo dinâmico, como consequência mais dores lombares e nos joelhos.

Os isquiotibiais assumem o trabalho principal dos glúteos para estender o quadril. Essa compensação é muito comum em atletas. Encontramos nesse caso uma tração dos joelhos para hiperextensão pelo seu excesso de tensão, chamado comumente de falso varo do esportista.

Porém os isquiotibiais só realizam a extensão do quadril, não possuem nenhuma função no plano latero-lateral. Os adutores ficam completamente desgovernados realizando seu papel de adução, sem nenhum musculo em contraposição de forças, reforçando o valgismo dinâmico.

Com os glúteos inibidos perderemos a tensão da fáscia em torno da força motriz de quadril necessária para a propulsão para a frente. Essa tensão percorrerá toda a fáscia toracolombar. Ela pode gerar dentre todas as compensações já citadas um aumento da extensão cervical. Assim podemos encontrar um aumento da tensão sobre os músculos da cintura escapular, dentre eles o Trapézio em suas fibras Superiores.

Já que a fáscia toracolombar segue até a linha nucal, a tensão sobre esses músculos citados estará aumentada. Cervicalgias e cefaleias cervogenicas podem estar relacionadas à inibição do glúteo.

Entendendo melhor a amnesia glútea e a dor lombar

A dor lombar tem sido associada à inibição do glúteo máximo.

Quando comparamos pessoas com dor lombar a pessoas saudáveis percebemos que o glúteo máximo se atrasa na ativação nas pessoas com dor. A ativação do glúteo máximo durante a extensão do quadril está atrasada em pessoas com história de dor lombar em comparação com pessoas sem dor lombar. Em pessoas com dor lombar, a extensão do quadril é iniciada pelos isquiotibiais e eretores espinhais em vez do glúteo máximo. Mesmo após o episódio de dor lombar ter sido resolvido, os padrões de disparo alterado no glúteo máximo permanecem.

Janda descreveu um padrão semelhante de ativação retardada do glúteo médio durante a abdução do quadril em pacientes com dor lombar.

As pessoas que sofrem de lesões de entorse de tornozelo também têm demonstrado ter reduzido níveis de ativação do glúteo máximo.

O glúteo máximo desempenha um papel importante na manutenção de uma posição vertical na posição em bípede. Musculatura glútea fraca ou inibida, como resultado de nosso estilo de vida sentado leva a uma diminuição da função estabilizadora no glúteo máximo.

A inibição e a ativação retardada do glúteo máximo comprometem a estabilidade pélvica. Isso pode resultar em compensação pela parte inferior da coluna lombar e alterações em padrões de disparo muscular e função.

No caso de dor lombar, tornozelo e, provavelmente, todas as lesões do corpo nos membros inferiores. A ativação fraca ou retardada do glúteo máximo pode ser a causa inicial de muitas lesões e dor crônica.

Tratamento da amnésia glútea

Existem dois fatores essenciais para solucionar todas as compensações e comprometimentos acima citados:

  • Efetuar a ativação dos glúteos;
  • Melhorar a estabilidade do núcleo.

Ativar e fortalecer os glúteos precisa formar uma parte importante de sua rotina de treino.

Antes, portanto, faz-se necessário a retirada da hiperexcitação do Psoas. Podemos fazer isso através do seu relaxamento num alongamento ou na liberação manual do Psoas.

Essa manobra é muito fácil de fazer, basta medirmos o ponto médio entre a Espinha Ilíaca Antero Superior e o umbigo. Depois penetramos a 90 graus com nossos dedos paralelos a bainha do reto abdominal, exercendo uma pressão para a maca até encontrarmos um ponto de tensão.

Estaremos no Psoas maior, a partir daí basta mantermos a pressão até seu relaxamento. Após o relaxamento do Psoas ficará mais fácil ativarmos os glúteos. A facilitação da ativação do glúteo máximo se dará pela ausência de uma força opositora criada pelo Psoas, músculo potente e antagonista ao Glúteo máximo

O objetivo dos exercícios devem ser:

  • Fortalecer o núcleo (Power House ou Core);
  • Ativar o glúteo;
  • Anular a ação dos isquiotibiais quando possível.

Os melhores exercícios para ativarmos os glúteos sem a ação dos isquiotibiais são os exercícios realizados em cadeia cinética aberta. Também podemos incluir os exercícios realizados com o uso da Miniband para exacerbar a ação glútea.

Sugestões de exercícios de Pilates

The Hundred com uso da mini band

the hundred para dor lombar

O Hundred é muito utilizado no início da aula para aquecimento. Nele, o Powerhouse se encontra ativo desde o início do movimento através do Transverso do Abdômen e fechamento das costelas.

Dando sequência, o enrolamento pela respiração sequencial aos poucos diminui a cintura através da maior contração do Transverso. O aluno deve saber seu nível de dificuldade para o trabalho do abdômen inferior.

Com o quadríceps ele realiza a extensão dos joelhos. Solicitamos essa extensão com os pés em V position (lembrando que a V position sai da rotação externa da cabeça do fêmur), para anular a forca dos adutores e a linha adutora do Psoas.

Caso o paciente possua o valgismo dinâmico ou amnesia glútea, solicito a correção que será dada pelo sartório, por sua linha de tração.

Com o uso da mini band nos tornozelos ativamos o glúteo, solicitando que o aluno não perca a tensão da mini band, mantendo os pês afastados, com ação glútea..

Assim como no cotovelo, solicito a contração da dupla: quadríceps e isquiotibiais, no caso de hiperextensão dos joelhos, já mandando a informação aferente para o Sistema Nervoso Central do posicionamento correto das articulações citadas.

Solicito ainda o afastamento das costelas inferiores das asas ilíacas, promovendo um alongamento excêntrico dos quadrados lombares e dos multifídeos.

Roll Over

O movimento se inicia com a ação do quadríceps, reto abdominal e do Psoas. Tome cuidado porque o Psoas traciona a pelve para uma ante versão, que não poderá ser permitida.

Lembrando que o Psoas quando acionado com a CF é um anteversor pélvico e deve ser relaxado antes do início do exercicio.

Colocaremos a mini band nos tornozelos e solicitaremos a manutenção da postura dos membros inferiores afastados, ativação de gluteos. Esse é um ótimo exercício de estabilização de pelve, pois trabalham em sincronismo músculos que tracionam a pelve e anteversão (Psoas e quadríceps), retroversão (Isquiotibiais), e ainda o glúteo máximo que pode levar o ilíaco em abertura.

Se realizarmos o Roll Over com uma única perna ativaremos também os oblíquos, responsável pelo fechamento do ilíaco. Não se esqueça de retornar vertebra a vertebra da coluna vertebral sem perder a pelve neutra ideal.

Swan Dive

swan dive para dor lombar

O Swan Dive é um exercício que trabalha muito a cadeia extensora de tronco e também os extensores de quadril.

É um exercício desafiador, requer alta capacidade de recrutar o Powerhouse a fim de reduzir ou anular a tensão da região lombar. Além do Power house acionado, é muito importante construir o movimento fundamental de extensão do tronco* (veremos a seguir), não fazendo a hiperextensão a partir da lombar.

Posição inicial do aluno:

  • Decúbito ventral;
  • Mãos a frente, paralelas e próximas à cabeça;
  • Apoiando-se nos antebraços;
  • Cotovelo flexionado com ativação da musculatura acessória dos membros superiores;
  • Membros inferiores repousam no chão unidos com a utilização do mini band objetivando aumentar a ação dos glúteos durante a execução do exercício com os pés em posição de flexão plantar. I

Imaginemos alguém puxando, tracionado os membros inferiores para longe do quadril, com a manutenção dos pés afastados.

Antes de executar o exercício, contraia o Power house, aplanando o abdômen numa tentativa de desencostá-lo do chão, afinando a cintura.

Para ativar a extensão do tronco, comece com movimento pequeno pela cervical seguido da ativação dos multifideos e eretores da coluna torácica em continuidade, imagine como se o peito fosse se abrir para o chão, como se fossem faróis iluminando abaixo e mais ao longe em cada ciclo expiratório esse farol deve iluminar mais acima, desta forma estará trabalhando a mobilidade e extensão torácica adequada *, neste momento estará então subindo o tronco, esticando os cotovelos, apoiando-se pelas mãos.

Solte os braços a frente, fazendo um movimento de balanceio a frente com o corpo. Acione os glúteos para tirar as pernas do chão numa extensão de quadril, balanceie o corpo então para frente e para trás, buscando fluidez.

Os agachamentos são muito bem-vindos também, desde que efetuados com a mini band, ou seja, mecanicamente para ativarmos um músculo adormecido, se faz a necessidade de um estimulo externo, no caso propus a miniband, não há necessidade de uma carga inicialmente muito forte, já que só queremos a ativação do glúteo, só queremos um estimulo externo para que essa musculatura acorde, não faz sentido uma carga muito alta para um grupo muscular inibido.

Conclusão

Vimos que a inibição do glúteo máximo pode levar a uma série de desequilíbrios. A dor lombar está entre as patologias que podem ter uma amnésia glútea como causa.

Na hora de tratar seu aluno, seja de um problema no ombro, quadril ou joelho, avalie seu glúteo máximo. É possível que ele apresente problemas. Depois de identificar a falta de ativação, você precisará inserir exercícios para melhorar a ativação glútea na aula de Pilates.

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