O treinamento de tecido conjuntivo deveria ser parte das suas aulas.

Isso porque ele pode trazer incríveis ganhos de desempenho e, em especial, auxiliar na prevenção de lesões. Aprenda nesta matéria como o treinamento da fáscia deve ser feito em aula.

Vamos lá?

O que é o Treinamento da Fáscia?

Em esportes convencionais vemos o treinamento de fibras musculares, condicionamento cardiovascular e coordenação neuromuscular. Apesar de serem treinamentos essenciais, eles não chegam perto de serem o suficiente para prevenirem lesões esportivas. Já mencionei o assunto em outro artigo a respeito do treinamento fascial para atletas.

A maioria das lesões que acontecem no esporte são por sobrecarga. Além disso, elas ocorrem em elementos da rede fascial do corpo. Portanto, durante o treinamento esportivo acabamos sobrecarregando estruturas fasciais que não foram treinadas.

O que chamamos de rede fascial é uma rede tensional de tecido fibroso composta por:

  • Envelopes Musculares
  • Aponeuroses
  • Ligamentos
  • Tendões
  • Outros

Conforme conseguimos estimular esses tecidos, os fibroblastos adaptam sua morfologia continuamente, mas lentamente. Por isso, é necessário utilizar uma abordagem de treinamento que seja direcionada ao trabalho fascial.

Tal metodologia deve incluir a utilização de:

  • Retrocessos Elásticos
  • Contra-Movimentos Preparatórios
  • Alongamento Lento e Dinâmico
  • Práticas de Reidratação
  • Refinamento Proprioceptivo

O treinamento da fáscia precisa ser praticado uma ou duas vezes por semana. Nós queremos produzir um corpo fascial mais resiliente que começará a surtir efeitos em 6 a 24 meses.

Esse corpo facial fortalecido ajudará nossos alunos atletas ou não atletas na prevenção de lesões e problemas musculoesqueléticos.

O que é Fáscia?

Ok, já conseguimos compreender que realizar o treinamento da fáscia auxilia o desempenho e prevenção em nossos alunos. Mas para começar a realizá-lo ainda precisamos entender o sistema fascial.

A fáscia é uma rede de tensão que recobre todo o corpo. Ela é formada pelos tecidos conectivos moles, colágenos e fibrosos. Sua arquitetura fibrosa é predominantemente moldada por tensão ao invés de compressão.

Podemos descrever a fáscia como uma rede contínua que envolve e conecta todos os músculos e órgãos. Apesar de todos os tecidos fibrosos serem parte do sistema fascial, é possível perceber uma distinção local de diferentes elementos de tecidos, como aponeuroses e ligamentos.

Algumas áreas que estão próximas a articulações também possuem transições entre diferentes tipos de tecido.

Anteriormente utilizava-se terminologias anatômicas que restringiam a abrangência do termo “fáscia”. Segundo essa denominação, a fáscia se restringia a folhas densas de tecido conectivo que tinham arquitetura similar a uma rede ou aparentemente irregular.

Congressos internacionais de pesquisa da fáscia mais recentes determinaram uma nova proposta de denominação da fáscia. Eles continuam a honrar essa proposta antiga através do termo “fáscia adequada”.

A nova denominação permite uma orientação perceptual que também inclui outros tecidos fibrosos.

Características dos Tecidos Fasciais

Os tecidos faciais diferem em termos de densidade e alinhamento direcional das fibras de colágeno.

A fáscia superficial, por exemplo, se caracteriza por uma densidade solta e alinhamento multidirecional ou irregular de fibras. Já os tendões ou ligamentos mais densos possuem fibras principalmente unidirecionais.

Os tipos de fáscia intramuscular e sept, perimísio e endomísio podem expressar diferentes graus de direcionalidade e densidade. O mesmo ocorre com a fáscia visceral, incluindo tecidos moles como o omentum majus e folhas mais duras, como o pericárdio.

O arranjo da fáscia também depende do histórico de carregamento local. A fáscia pode se adequar e demonstrar um arranjo bidirecional ou multidirecional.

Aplicações Práticas do Treinamento da Fáscia

Quer aprender a aplicar o treinamento da fáscia em aula?

Ele consegue auxiliar muito nossos alunos, especialmente os praticantes de esportes. Um corpo fascial bem treinamento pode desempenhar movimentos de maneira mais eficiente. Ao mesmo tempo, conseguimos uma excelente prevenção de lesões.

Mecanismo de Catapulta: Recuo Elástico de Tecidos Fasciais

Cangurus são capazes de pular muito mais alto do que conseguimos explicar através da contração dos músculos das pernas. Ao realizar um exame mais minucioso, cientistas descobriram o chamado “mecanismo de catapulta”.

De acordo com esse mecanismo, os tendões e a fáscia de membros inferiores serviriam como o elásticos de borracha. Para realizar os saltos surpreendentes eles fariam o lançamento dessa energia armazenada.

O mesmo ocorre em outros animais, como as gazelas. Elas também são capazes de saltar impressionantemente e correr, apesar de não terem musculaturas especialmente poderosas. Na verdade, elas geralmente são consideradas bastante delicadas, o que torna o mecanismo de catapulta ainda mais interessante.

O tecido fascial possui uma grande capacidade de armazenamento elástico. Exercícios oscilatórios regulares, como a corrida rápida diária, induzem a maior capacidade de armazenamento nos tecidos tendinosos de ratos, por exemplo.

Exames de ultrassom de alta resolução descobriram uma orquestração semelhante de carga entre músculo e fáscia no movimento humano. As fáscias humanas têm uma capacidade de armazenamento cinética semelhante a de cangurus e gazelas.

Isso não é usado somente para pular ou correr. Na verdade, até uma caminhada simples envolve parte significativa da energia do movimento da elasticidade que descrevi acima. Tal descoberta exige uma revisão ativa de princípios longamente aceitos no campo da ciência do movimento.

Anteriormente, imaginava-se que em movimentos articulares musculares ocorria uma diminuição dos músculos envolvidos. Assim, essa energia passava por tensões passivos levando ao movimento articular.

Essa forma clássica de transferência de energia permanece verdadeira. Ela se aplica a movimentos estáveis, como aqueles presentes no ciclismo. Neles, as fibras musculares alteram ativamente de comprimento. Os tendões e aponeuroses pouco crescem e os elementos fasciais permanecem bastante passivos.

Isso é um contraste com o movimento oscilatório que possui uma qualidade de mola elástica. Nele, o comprimento das fibras musculares pouco muda.

As fibras se contraem de forma quase isométrica, endurecendo temporariamente sem alterar significativamente seu comprimento. Nesses casos os elementos fasciais funcionam de forma elástica sem movimento. O alongamento e encurtamento de elementos fasciais é o principal responsável por produzir o movimento real.

Estiramento de Variações para a Saúde Miofascial

Normalmente, os métodos de alongamento estático lento são distinguidos dos alongamentos dinâmicos rápidos. O alongamento dinâmico pode ser familiar para muitas pessoas, pois fazia parte do treinamento físico no início e meio do século passado.

Durante as últimas duas ou três décadas, esse tipo de alongamento passou a ser considerado menos benéfico por educadores. Porém, pesquisas recentes confirmam os méritos do mérito e eles estão envolvidos com o treinamento da fáscia.

Esticar imediatamente antes da competição pode ser contraproducente.

Mas o uso de tais alongamentos prolongada e regularmente pode influenciar de maneira positiva a arquitetura do tecido conjuntivo. Quando usamos o alongamento dinâmico corretamente ele se torna mais elástico. Se forem usados regularmente, alongamentos dinâmicos e estáticos podem melhorar vigor, altura de salto e velocidade a longo prazo.

Devemos usar diferentes estilos de alongamento para atingir diferentes componentes de tecido fascial.

Temos, por exemplo, o treinamento clássico de peso, que carrega o músculo em sua amplitude de movimento normal. Assim conseguimos fortalecer tecidos fasciais dispostos em série com as fibras musculares ativas. Também treinamos as fibras transversais em todo o envelope muscular.

Porém, esse tipo de treinamento apresenta pouco efeito sobre as fáscias extramusculares e fibras intramusculares dispostas em paralelo com fibras musculares ativas.

Conclusão

A fáscia é uma estrutura do corpo que realiza a transferência de tensões e forças pelo sistema musculoesquelético.

Ao contrário do que se imaginava anteriormente, boa parte das lesões esportivas estão realizadas ao sistema fascial. Portanto, devemos começar a introduzir esse tipo de treinamento em aula.