Por acaso você já tratou de lesões ou dores na cintura escapular?

Imagino que sim porque essas lesões são muito presentes na nossa área. A cintura escapular é uma região onde existe um complexo articular bastante instável e propenso a problemas. Além disso, é possível que o paciente desenvolva a síndrome do desfiladeiro torácico, que já descrevi em detalhes em outro artigo.

Quer saber se esse é o problema que aflige seu paciente ou aluno? Trouxe ótimas dicas para você com alguns Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico. Continue lendo para aprender cada um deles para conseguir aplicar na sua atuação profissional!

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O que é a Síndrome do Desfiladeiro Torácico?

Desfiladeiro torácico é o nome que damos para a região do desfiladeiro cervicotoracobraquial.

Nele encontramos a clavícula, peitoral menor, plexo braquial e outras estruturas da cintura escapular e áreas próximas. Existe um ponto muito importante que devemos lembrar sobre essa área: ele é composto por sítios estreitos devido às estruturas musculares, neurovasculares e osteoligamentares.

Assim, é possível que aconteça compressão de estruturas neurovasculares da região. É exatamente isso que chamamos de Síndrome do Desfiladeiro Torácico. Algumas dessas situações acontecem na morfologia das:

  • Primeira Costela
  • Costelas Cervicais
  • Bandas Musculofibróticas
  • Músculos Anômalos

A ação muscular e alterações morfológicas exercem pressão sobre a artéria subclávia, o plexo braquial e a veia subclávia. Um dos principais sintomas é a dor cervicobraquial, porém também podem existir outros sintomas neurogênicos, venosos e arteriais.

Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico

Para identificar a condição, existem alguns Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico que podemos utilizar. Através de seus resultados e da análise cuidadosa dos sintomas, o profissional consegue realizar um diagnóstico bastante claro. Siga os testes abaixo que devem auxiliar no diagnóstico e também a definir um tratamento a ser seguido.

Teste de Adson

Inicie a manobra com o paciente sentado ou em pé em frente ao examinador conforme mostra a figura. O terapeuta deve iniciar apalpando o pulso radial e depois seguir as outras etapas.

  • 1ª Etapa: realize uma abdução de 30º e hiperextensão do membro superior. Mantenha o braço nessa posição e verifique o pulso do paciente. Se estiver diminuído provavelmente o peitoral menor está encurtado.
  • 2ª Etapa: instrua o paciente a realizar uma inspiração forçada e rodar a cabeça para o lado que está sendo testado. Verifique o pulso do paciente nessa posição. Se diminuir pode ser causada por um estreitamento. Sua causa pode ser hipertrofia dos músculos escalenos. O feixe neurovascular passa entre os músculos escalenos anterior e médio, nessa posição a inspiração máxima estreita ainda mais sua passagem.

Fique atento para alguns sinais que são indicativos nos Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico. O aumento da sensação de formigamento e fraqueza em todo o membro superior estão entre os sintomas. O paciente também pode apresentar sudorese e sensação de peso no membro superior sendo analisado.

Teste de Roos

Inicie com o paciente em pé e com abdução de braços a 90º. O cotovelo deve estar fletido também a 90º.

O terapeuta deve instruir seu paciente a realizar um movimento rápido de abrir e fechar os dedos. O paciente realiza o movimento por pelo menos 30 segundos.

Os sinais indicativos de Síndrome do Desfiladeiro Torácico serão principalmente a incapacidade de manter o movimento por muito tempo. Observe se existe queda do membro ou se o paciente é incapaz de continuar realizando a ação. O teste mostra se existe compressão do feixe neurovascular no desfiladeiro torácico.

Teste de Hiperabdução

Inicie com o paciente sentado ou em pé e ficando de costas para o examinador. Os braços devem estar em abdução entre 30º ou 40º.

Durante o segundo desses Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico o terapeuta palpa ambos os pulsos radiais. Depois o paciente leva seus braços a abdução horizontal máxima (daí o nome do teste).

Os principais sinais aos quais devemos estar atentos envolvem alterações no pulso radial do lado afetado por sintomas. Essas alterações confirmam nossa suspeita de Síndrome do Desfiladeiro Torácico. Geralmente a causa é uma contratura do peitoral menor ou a presença de costela cervical.

Teste dos 3 Minutos de Estresse com Braço Elevado

Consideramos esse o mais acurado entre os Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico. Ele acontece com a abdução dos dois braços do paciente em rotação externa e com flexão de 90º nos cotovelos. Peça para seu paciente abrir e fechar as mãos por três minutos. Respostas positivas são:

  • Reprodução dos Sintomas
  • Entorpecimento
  • Parestesia
  • Incapacidade de continuar o teste

Alguns indivíduos normais chegam a apresentar fadiga no membro, porém é raro apresentar parestesia e dor.

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Complementos do Diagnóstico

Apesar de todos os Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico que descrevi aqui, o diagnóstico puramente clínico é bastante difícil. Os sintomas da síndrome são bastante variados e podem levar a um subdiagnóstico da patologia.

Para complementá-lo é preciso usar alguns exames auxiliares para excluir a possibilidade de outras patologias, entre eles estão:

  • Radiograma Simples (RX) Torácico e Cervical – O principal sinal da patologia é a primeira costela com aspeto em foice ou boomerang);
  • Tomografia Computorizada (TC) Cervical – Através dele conseguimos ver com maior acuidade as estruturas ósseas envolvidas em casos como radiculopatia cervical, contexto pós-traumático ou calo ósseo. É um ótimo exame para excluir outras possibilidades de lesões e patologias.
  • Ressonância Magnética Nuclear (RM) Cervical e de Plexo Braquial – O exame confere a existência de hipertrofia dos músculos escalos e subclávio. Também é possível identificar se existem bandas musculofibróticas, realizar medições dos lugares típicos de compressão e outros.

As técnicas de imagem auxiliam ainda mais no diagnóstico quando a ressonância magnética é feita com manobras que provocam os sintomas. Entre essas manobras encontramos os Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico descritas aqui como o teste de Adson. Utilizar testes como esse ajuda a diminuir o número de falsos negativos que obtemos através do exame.

Não recomenda-se o uso de estudos eletrofisiológicos para o diagnóstico da síndrome. Eles são inespecíficos e demonstram somente lesão nervosa que seja derivada de compressão intensa e de longa data.

Só fique atento já que alguns pacientes com manobra positiva nem sempre desenvolvem a síndrome. Geralmente é necessário combinar o estreitamento anatômico do paciente a um trauma repetitivo. Só depois disso ele desenvolve os sintomas típicos da síndrome do desfiladeiro torácico.

Também é possível que os sintomas surjam espontaneamente ou sejam provocados por movimentos específicos.

Conclusão

Por ser uma síndrome com sintomas variados precisamos de testes específicos para diagnosticá-la. Nesse artigo você aprendeu a realizar 4 Testes para Síndrome do Desfiladeiro Torácico para o diagnóstico clínico.

Só nunca esqueça que precisará de exames complementares para realmente confirmar a patologia. Use os exames como uma maneira de eliminar outras possibilidades e também de compreender o que realmente está acontecendo com um paciente.

Lembre-se que a avaliação é parte essencial de um atendimento. Através dela conseguimos planejar o tratamento de maneira precisa e oferecer mais resultados ao paciente.

Quer aprender ainda mais sobre avaliação? Recomendo continuar sua leitura com meu artigo completo sobre avaliação postural. Aprenda a avaliar ainda melhor seu aluno e monte sessões mais eficientes, continue estudando!

 

Referências
  • Classificação neurofisiológica da Síndrome do Túnel do Carpo Neurophysiological classification of the Carpal Tunnel Syndrome Fabrício Nunes Carvalho; Armando Pereira Carneiro; Régis Resende Paulinelli; Tanise Nunes Carvalho
  • LIGAMENTO DE STRUTHERS E PROCESSO SUPRACONDILAR DO ÚMERO: ESTUDO ANATÔMICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS Edie Benedito Caetano, João José Sabongi Neto, Luiz Angelo Vieira, Maurício Ferreira Caetano, José Eduardo de Bona, Thais Mayor Simonatto 3 – MOBILIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO: avaliação e tratamento Herculano Franco de Oliverira Junior, Áktor Hugo Teixeira
  •  https://www.auladeanatomia.com/novosite/generalidades/eponimos-anatomicos/
  • Upper limb tension tests as tools in the diagnosis of nerve and plexus lesions. Anatomical and biomechanical aspects. Kleinrensink GJ1, Stoeckart R, Mulder PG, Hoek G, Broek T, Vleeming A, Snijders CJ.
  • Mobilization nervous system: assessment and treatment Herculano Franco de Oliverira Junior Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury – Áktor Hugo Teixeira Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury

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