Nesse artigo quero dar algumas dicas de tratamento para Síndrome do Desfiladeiro Torácico.

Isso porque ao encontrar um caso de Síndrome do Desfiladeiro Torácico o profissional talvez fique um pouco perdido. Preste atenção em algumas características dessa patologia:

  • Pode ter diversas causas;
  • Sintomas variam bastante;
  • É muito limitante para os movimentos do membro superior.

Se você já teve dificuldades com essa síndrome antes ou se simplesmente quer tornar-se um profissional mais completo, continue lendo. Aprenderemos algumas características da síndrome, seus principais tipos e como realizar o tratamento conservador. Vamos lá?

O que é Síndrome do Desfiladeiro Torácico?

A Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT) é um problema frequente que afeta a cintura escapular e causa diversos sintomas limitantes nos alunos. Ela acontece quando existe a compressão de estruturas que passam pelo desfiladeiro cervicotoracobraquial.

Alguns sintomas podem indicar a presença da síndrome, como:

  • Dor;
  • Parestesia principalmente no nível do 4º ou 5º dedo, podendo acontecer também no 2º ou 3º dedo;
  • Alteração da coordenação motora fina;
  • Fraqueza muscular distribuída por toda a mão, especialmente em movimentos de adução/abdução dos dedos;
  • Incapacidade para realizar atividades da vida diária;
  • Isquemia;
  • Palidez;
  • Cianose;
  • Sintomas vasomotores (fenómeno de Raynaud) que acontece por hiperatividade simpática em reação à isquemia;
  • Sensação de peso;
  • Aumento da temperatura e edema;

Os sintomas podem aparecer de maneira espontânea no paciente ou acontecerem devido a algum movimento. Devemos estar atentos aos sintomas para conseguir entender qual tipo de Síndrome do Desfiladeiro Torácico estamos tratamento.

Uma outra possibilidade é que ocorra a forma venosa de SDT. Nesse caso existe risco de desenvolver-se uma trombose venosa. Isso acontece devido à formação do edema na região da compressão.

Já a síndrome arterial (que é bem rara) apresenta sintomas como vertigem, alterações de equilíbrio e diminuição da pressão no membro afetado. Para que ela aconteça e seja sintomática é preciso uma compressão significativa, algo que raramente acontece em nossos pacientes.

Tipos de Síndrome do Desfiladeiro Torácico

Para determinar o melhor tratamento para Síndrome do Desfiladeiro Torácico precisamos entender também os tipos mais comuns de síndrome. Elas são bastante parecidas e possuem sintomas musculares, mas a região de compressão se altera. É possível usar alguns testes para diagnóstico da síndrome, como já mencionei nesse artigo.

Síndrome do Escaleno Anterior

Podemos diagnosticar a síndrome do escaleno anterior através do teste de Adson. Ele é considerado positivo quando existe a obliteração do pulso radial e reprodução das queixas durante o teste.

Geralmente o paciente sente formigamento e entorpecimento no braço, mãos e dedos. Os sintomas são mais comuns nas primeiras horas do dia e podem levar a pessoa a acordar. A dor é profunda e ainda é possível que existe debilidade dos dedos.

Síndrome Costoclavicular

A síndrome costoclavicular possui sintomas parecidos com os da síndrome do escaleno anterior. O paciente também pode apresentar fadiga, estafa e alguns traumas.

Os melhores testes para diagnóstico são o teste costoclavicular ou teste de halsted. Nesse tipo de síndrome é possível que o feixe neurovascular esteja comprimido. Geralmente a compressão acontece entre a primeira costela e a clavícula.

Síndrome da Hiperabdução (ou Peitoral Menor)

O principal teste para diagnóstico na síndrome da hiperabdução é o Teste de Ross.

A principal característica dessa patologia é a queixa de formigamento e entorpecimento da mão. Isso acontece porque o feixe neurovascular entre o peitoral menor e a primeira costela encontra-se comprimido.

Tratamento para Síndrome do Desfiladeiro Torácico

A maioria dos pacientes com Síndrome do Desfiladeiro Torácico pode ser tratado através do tratamento conservador. Como profissionais do movimento precisamos orientar nossos alunos para atingirem uma mudança no estilo de vida para complementar o tratamento.

Também são usados medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar os sintomas da patologia. A fisioterapia terá como objetivo ajudar no alívio dos sintomas e melhorar a função motora. Quem conhece a área sabe: o movimento também é capaz de auxiliar no alívio da dor, inflamação e outros problemas que esse paciente apresenta.

Devemos buscar uma redução da pressão biomecânica e melhorar a mobilidade da região afetada. Para isso também realizaremos um importante trabalho de fortalecimento muscular.

Para obter resultados através do tratamento conservador é preciso realizá-lo por pelo menos seis meses. Caso após esse período a pessoa não tenha melhora é possível optar por cirurgia.

O tratamento cirúrgico é indicado em 15% dos casos, mostrando a eficiência do tratamento para Síndrome do Desfiladeiro Torácico através de meios conservadores.

Durante a cirurgia acontece a descompressão dos pontos anatômicos. Pode ser através da ressecção do músculo escaleno, da primeira costela, da costela cervical, da clavícula e bandas fibrosas. Caso exista mais de um local de compressão no desfiladeiro torácico é possível que os sintomas retorne no período pós-operatório.

Tratamento Fisioterápico

Ao tratarmos pacientes com Síndrome do Desfiladeiro Torácico temos algumas finalidades: diminuir os sintomas e retorno às atividades diárias. Portanto devemos trabalhar para:

  • Aliviar o quadro álgico;
  • Relaxar tensões e contraturas musculares;
  • Diminuir a inflamação no local;
  • Melhorar a postura;
  • Aumentar força muscular;
  • Melhorar amplitude de movimento;
  • Normalizar circulação;
  • Reequilibrar as musculaturas da cintura escapular.

O tratamento pode envolver cinesioterapia, técnicas manuais e técnica fascial direta. Os exercícios ativos, alongamento e exercícios resistidos, por exemplo, devem sempre estar no tratamento para síndrome do desfiladeiro torácico.

Podemos aliar outras técnicas ao tratamento, como:

  • Reeducação postural (RPG);
  • Eletroterapia (como laser, ultra-som, TENS, entre outros);

O fisioterapeuta também deve orientar o paciente para adotar uma melhor postura durante o trabalho e outras atividades. Precisamos promover uma reeducação dos padrões respiratórios diafragmáticos e propor exercícios de relaxamento.

O paciente provavelmente já tem uma ideia das atividades e movimentos que provocam sintomas. Deveremos ajudá-lo a identificar essas atividades para conseguirmos propor exercícios para melhora. Durante o tratamento para Síndrome do Desfiladeiro Torácico é importante que o paciente adquira uma melhor percepção corporal para conseguir se mover corretamente.

Conclusão

O tratamento para Síndrome do Desfiladeiro Torácico pode ser confuso e difícil de definir.

Como é uma síndrome com variadas causas nem sempre sabemos por onde começar. Aliando a isso aos diversos desequilíbrios musculares que acontecem devido às limitações impostas pela dor teremos um tratamento ainda mais complexo. Por isso é importante uma boa avaliação do aluno para ter um diagnóstico preciso.

Através dessa avaliação conseguimos determinar as causas mais prováveis e também o tipo de SDT com o qual estamos lidando. Também conseguimos eliminar a possibilidade de outras patologias com sintomas parecidos.

O principal objetivo do tratamento para Síndrome do Desfiladeiro Torácico é melhorar a qualidade de vida do aluno. Para isso precisaremos aliviar o quadro álgico, aumentar a amplitude de movimento e fortalecer musculaturas.

Percebe-se que o tratamento conservador é bastante eficiente e ajuda numa melhora significativa dos sintomas. Um bom tratamento leva o aluno a retornar a suas atividades cotidianas. Ele também deve apresentar alívio dos sintomas e diminuição das restrições a suas atividades.

 

Referências
  • Classificação neurofisiológica da Síndrome do Túnel do Carpo Neurophysiological classification of the Carpal Tunnel Syndrome Fabrício Nunes Carvalho; Armando Pereira Carneiro; Régis Resende Paulinelli; Tanise Nunes Carvalho
  • LIGAMENTO DE STRUTHERS E PROCESSO SUPRACONDILAR DO ÚMERO: ESTUDO ANATÔMICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS Edie Benedito Caetano, João José Sabongi Neto, Luiz Angelo Vieira, Maurício Ferreira Caetano, José Eduardo de Bona, Thais Mayor Simonatto 3 – MOBILIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO: avaliação e tratamento Herculano Franco de Oliverira Junior, Áktor Hugo Teixeira
  •  https://www.auladeanatomia.com/novosite/generalidades/eponimos-anatomicos/
  • Upper limb tension tests as tools in the diagnosis of nerve and plexus lesions. Anatomical and biomechanical aspects. Kleinrensink GJ1, Stoeckart R, Mulder PG, Hoek G, Broek T, Vleeming A, Snijders CJ.
  • Mobilization nervous system: assessment and treatment Herculano Franco de Oliverira Junior Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury – Áktor Hugo Teixeira Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury