Ouvir que tem uma escoliose soa como problema para qualquer paciente. Eles não sabem o que a palavra significa, mas ficam com medo do tratamento e de precisar de cirurgia. Felizmente o Pilates oferece um tratamento conservador que ajuda a manter o funcionamento da coluna vertebral e evitar evoluções da curva.

Mas quero ir além disso e melhorar ainda mais seu atendimento. Para isso precisamos entender a Escoliose e essa nova visão que proponho.

O desvio da coluna vertebral à esquerda ou direita é chamado de escoliose, resultando em um formato de “S” ou “C”. É um desvio da coluna nos três planos de movimento.

A Escoliose é uma deformidade vertebral. As escolioses de um ou outro grupo etiológico podem ter prognósticos muito diferentes pela progressividade e gravidade de suas curvas escolióticas. Para melhor entender a definição de uma escoliose, é preciso antes entendermos a atitude escoliótica.

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Atitude escoliótica

o que é atitude escoliótica

A atitude escoliótica é diferente da escoliose em si, e apresenta-se, em 9 entre 10 casos. Ela existe quando há uma desigualdade de comprimento dos membros inferiores, desaparecendo com o indivíduo na posição horizontal.

Suas origens podem ser:

  • Idiopática (ligada a genética);
  • Neuromuscular (paralisia cerebral, poliomielite, Síndrome de Down) geradas pela alteração de tônus frequentes nas patologias neurais;
  • Congênitas: relacionada a má formação das vértebras (como fusões, aumento do número de vértebras);

Classificação das escolioses idiopáticas

classificação da escoliose

Escoliose idiopática: hereditária na maioria dos casos, atinge três a cada mil mulheres. Provavelmente se trata de uma herança multifatorial (genética). É o grupo mais frequente das escolioses. Segundo a idade de aparição distinguimos três tipos:

  1. Infantil– antes dos três anos de idade: Geralmente são muito graves, pois ao final do crescimento podem vir a apresentar uma angulação superior a 100 graus;
  2. Juvenil– desde os três até os 10 anos;
  3. Adolescente– desde os 10 anos até a maturidade: Após a primeira menstruação nas mulheres. Nos homens é ao final da puberdade antes da maturidade óssea completa, sendo a mais comum;

As escolioses idiopáticas podem ser

tipos de escoliose idiopática

  • Escolioses funcionais: frequentes em adolescentes, as curvas são leves e desaparecem por completo com a flexão da coluna vertebral ou bem com o decúbito, visto que não estão estruturadas.
  • Escolioses estruturais: as diferenças dos membros inferiores levam a um desequilíbrio pélvico e secundariamente a uma curva vertebral para reequilibração corporal. A curva desaparece quando o paciente se senta, logicamente por retirar as influências dos membros inferiores.

Escolioses neuromusculares

Em casos como esse estamos diante de uma alteração do sistema nervoso central, que por sua vez, gerará uma alteração no tônus muscular, confundindo e desestabilizando a coordenação motora, descrita por Piret e Beziérès. Estamos falando de patologias centrais ou Síndromes neuromusculares.

Escolioses congênitas

Essas não são hereditárias, mas sim uma má formação ocorrida no período embrionário, gerando fusões vertebrais, hemivertebras, alterações costais, vértebra em cunha, dentre outros.

No geral as Escolioses são consideradas leves (até 10 graus), moderadas (até 20 graus), ou severas (a partir de 30 graus). A partir de 30 graus, os médicos já prescrevem coletes estabilizadores.

Avaliação da Escoliose

avaliação da escoliose pelo horário

Um erro muito comum ao avaliar o grau das escolioses através do ângulo de Cobb dá-se ao horário em que a radiografia foi realizada.

Vou explicar melhor: se realizarmos o estudo radiográfico pela manhã, devido ao estado de hidrofilia dos núcleos pulposos, a angulação de Cobb será menor. Caso o exame seja feito na final do dia, o núcleo pulposo já perdeu líquido durante o dia, e a angulação de Cobb aumentará substancialmente.

Logo, o exame deve obrigatoriamente ser efetuado no mesmo horário para qualquer dado comparativo de melhora ou piora.

Normalmente, as escolioses são assintomáticas, com exceção das mais severas, e podem ser de origem muscular ascendente ou descendente, devido ao sistema de tensegridade gerado pela fáscia que desorganiza as cadeias musculares.

  • Escolioses Ascendentes: a causa originária da escoliose segue uma lógica de compensação de baixo para cima.
  • Escolioses Descendentes: seguirá uma lógica de compensações que descem. Logo, nas Escolioses descendentes devemos ficar muito atentos às Disfunções Temporo Mandibulares (DTM), ou ainda a colocação de aparelhos corretivos ortodônticos nos dentes, que vai imprimir uma nova força craniana, podendo mudar todo o esquema muscular.

A visão Osteopática das Escolioses

como funciona a escoliose

A Osteopatia de Andrew Taylor Still acreditava que todos os sistemas do corpo estavam interligados, e dessa forma a doença de um sistema afetaria todos os demais. Para Still, se a estrutura está em harmonia, não pode haver doença. Toda doença se origina de um distúrbio na harmonia da estrutura.

O corpo humano tem a capacidade de se autorregular, reencontrando a harmonia e o equilíbrio em suas estruturas. Para se referir a essa capacidade, Still usava o termo homeostasia, situando-a no que ele chama de sistema miofascioesquelético.

Still acreditava ainda que a estrutura (pele, pulmões, sistema digestório e outros) determina a função (respiração, digestão, eliminação de dejetos e outros).

Baseada nisso, voltemos a falar das Escolioses que são classificadas perante a Osteopatia quanto a sua origem:

  1. De origens viscerais: visto que nossos órgãos não são simétricos e vários deles não são medianos, as escolioses são respostas a problemas viscerais, onde as forças de inclinação e de rotação têm por objetivo aliviar a compressão sobre esses órgãos chaves.
  2. De origens neurológicas: nesses casos pouco podemos intervir, já que existe um comprometimento tônico que alterará toda as lógicas compensatórias corporais das cadeias musculares.
  3. De origens musculares: geradas na estrutura m esquelética, trata-se somente de uma auto regulação muscular perante algum distúrbio normalmente externo. Se o tratamento for no início, são as escolioses mais fáceis de se tratar, com seus pequenos desvios segmentares.
  4. De origens cranianas: referem-se às deformações cranianas geradas muitas das vezes durante o parto, através de algum trauma craniano, ou ainda, no momento da correção dentária, pelas forças impostas a esse crânio.

Escolioses de origens viscerais

escoliose visceral

Lembram-se que nossos músculos têm memória?

“Nesse instante, esteja onde estiver, há uma casa com seu nome. Você é o único proprietário, mas faz tempo que perdeu as chaves. Por isso, fica de fora, só vendo a fachada. Não chega a morar nela. Essa casa, teto que abriga suas mais recônditas e reprimidas lembranças, é o seu corpo.

Se as paredes ouvissem: na casa que é o seu corpo, elas ouvem. As paredes que tudo ouviram e nada esqueceram são os músculos. Na rigidez, crispação, fraqueza, dores dos músculos e das costas, pescoço, diafragma, coração e também do rosto e do sexo está escrita toda a sua história desde o nascimento até hoje. ”

Trecho extraído do livro de Madame Thérèse Bertherat o Corpo tem suas razões

Já Madame Godelieve Denys Struyf a criadora do método de cadeias musculares, que leva as iniciais de seu nome (GDS) também descreve essa capacidade corporal de tudo memorizar.

Ela acredita no conceito de que nossa atitude postural e a forma de nosso corpo deriva de uma multiplicidade de fatores: desde a genética até o psiquismo e o comportamento.

Há seis famílias de músculos que dão ao corpo a possibilidade de se expressar. A cada uma dessas famílias corresponde uma tipologia psico comportamental. Entretanto, elas podem, em consequência de uma constância de tensão, aprisionar o corpo em uma determinada tipologia, dificultando sua adaptabilidade biomecânica e comportamental tornando-se, então, fonte de sofrimento. Neste momento, configuram-se no corpo cadeias de tensão musculares.

Baseada nessa memoria descrita por Bertherat e por essa multiplicidade de fatores, desde genéticos até comportamentais do GDS é que vamos discutir de agora em diante as escolioses de origens viscerais.

Num corpo que tem memória qualquer patologia visceral gera um esquema adaptativo corporal visto que a víscera tem sempre a prioridade de conforto sobre o sistema musculo esquelético. Sempre!

Veremos então como esse sistema musculoesquelético se comporta diante dessas patologias viscerais.

Escoliose de origem hepática

escoliose hepática

fígado é a maior glândula do corpo humano e pode executar mais de 500 funções. Encontra-se na região abdominal, do lado direito, logo abaixo da hemicupula diafragmática, e logo acima do mesocolon transverso.

Ele pode ter uma massa de até 1,5 kg. É um órgão extremamente sensível. Diante do fato de estarmos diante de um aumento do fígado (hepatomegalia), o sistema musculo esquelético se adaptará diante desse aumento de volume para aliviar a pressão sobre a glândula.

A primeira medida inteligente adotada pelo corpo será a de elevar a hemicupula diafragmática direita, posicionando-a à direita em posição alta e em expiração. Esta medida levará à elevação do hemitorax direito que será realizada na região torácica baixa, gerando uma lordose nesse segmento vertebral.

A lordose estará associada a uma inclinação à esquerda pelo relaxamento dos músculos abdominais a direita. A concavidade gerada à esquerda, elevará mais ainda o hemitorax direito e o afastará para a direita levando-o para longe das costelas inferiores, rodando também o tórax para a direita criando uma gibosidade posteriormente a esquerda.

Os pontos fixos para este esquema adaptativo serão: a escápula que é um dos pontos fixos através do processo coracóide que colocará em ação o peitoral menor para ajudar a elevar o hemitorax direito.

Pode ser afetado nesse esquema o ombro, pois a musculatura suspensória do ombro direito estará em sofrimento para toda essa adaptação.

Além disso o serrátil anterior que perdeu sua continuidade de força dos abdominais à direita poderá gerar nas escápulas a asa de Sigaud, uma vez que a escápula perdeu sua fixação anterior;

O outro ponto de fixação para todo esse esquema adaptativo será a base do occipto direito, gerando o aumento da tensão do trapézio direito até a base do occipto.

A escoliose de origem hepática apresentará uma lordose diafragmática levando o tronco em extensão com uma inclinação à esquerda e uma rotação de tronco à direita, podendo gerar curvas adaptativas inferiores a fim de reequilibrar o corpo.

Após resolvido o problema hepático, as adaptações musculares continuam presentes sendo necessária a intervenção de um profissional do movimento.

Escoliose de origem renal

escoliose renal

Os rins (normalmente dois) estão localizados na porção posterior do abdômen e suas extremidades superiores estão localizadas na altura dos arcos costais mais inferiores (10ª a 12ª costelas torácicas).

O rim direito quase sempre é menor e está situado um pouco abaixo do rim esquerdo. Os rins se movimentam (para baixo e para cima) de acordo como ato da respiração.

Cada rim tem a forma de um grande grão de feijão, medindo em um adulto de 10 a 13 cm, com peso aproximado de 120 a 180g.

Anomalias renais não reconhecidas podem estar presentes entre 25% e 33% dos doentes e incluem:

  • Rim em ferradura;
  • Agenesia renal;
  • Duplicação renal ou dos ureteres;
  • Hipospádias.

Todos os doentes com escoliose congénita devem ser avaliados por ecografia, pielografia endovenosa ou RM.

Uma escoliose renal é caracterizada como congênita. Um indivíduo sem um rim (Agenesia Renal) vai compor no seu sistema musculo esquelético um esquema adaptativo para tal falta de simetria visceral. Para minha elucidação usarei como exemplo uma agenesia do rim direito.

Quando não temos um órgão, seja porque nascemos sem ele ou porque tivemos que o retirar, nosso organismo gerará um tecido cicatricial para suprir esse espaço vago, esse tecido cicatricial terá uma formatação confusa gerando fibrose.

As medidas compensatórias musculo esqueléticas para a falta desse órgão do lado direito serão as descritas a seguir.

Primeiro criaremos uma lordose na altura do rim direito com aumento da tensão dos paravertebrais à direita. Percebam que aqui o esquema adaptativo se faz diante de uma força centrípeta cicatricial, e não para o conforto do órgão.

A partir daí nosso tronco inclinar-se-á também à direita, gerando a concavidade à direita pela tensão dos paravertebrais direitos.

Percebam que diferentemente da escoliose de origem hepática, a escoliose de origem renal rodará o tronco para a esquerda pela ativação da cadeia cruzada posterior esquerda. Lembre-se que nesse caso toda a compensação corporal se formará na direção dessa força centrípeta.

Toda a força está sendo direcionada para o quadril esquerdo, que será o ponto fixo nesse esquema adaptativo. O músculo quadrado lombar do lado esquerdo encontrar-se-á em máxima tensão podendo trazer a asa ilíaca esquerda para cima, acionando dessa maneira o reto femoral que também se tensionará. É possível que a patela seja direcionada para o alto e ser a causa de várias patologias musculoesqueléticas no joelho esquerdo.

A tensão excessiva do quadrado lombar também atraíra as últimas costelas do hemicorpo esquerdo para baixo, aumentando inúmeras vezes a força de cisalhamento nessa região.

A hemicupula do diafragma direito estará em posição baixa, ou em inspiração, gerando uma tensão excessiva em seus músculos acessórios e com esse aumento de tensão e aumento de força inspiratória no hemicorpo direito gerando dores na região cervical, sobretudo nos músculos: esternocleidomastoideo (ECOM), escalenos, infrahioideos e trapézio ao lado direito. A giba nesse tipo de esquema biomecânico corporal aparecerá à direita na parte posterior do tronco.

Como nesse caso, a patologia médica nunca será resolvida este indivíduo deverá estar em constante cuidado de um profissional do movimento.

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Escoliose de origem cardíaca

escoliose cardíaca

O coração é um órgão oco de tecido muscular estriado cardíaco com uma massa entre 250 e 350 gramas e aproximadamente o tamanho de um punho. Está localizado na parte anterior à coluna vertebral e posterior ao esterno.

Se estivermos diante de um sofrimento cardíaco, o coração será prioridade absoluta para que possa funcionar sem qualquer intervenção de forças externas, sejam elas musculares ou ósseas. Nosso corpo imediatamente eliminará todas essas forças priorizando o conforto do funcionamento cardíaco. O corpo instalará um esquema de conforto anterior e lateralizado a esquerda.

A primeira medida assumida para esse conforto cardíaco será o abaixamento do hemitórax direito formando uma cifose na altura do nível cardíaco à esquerda, seguida de uma rotação de tronco à esquerda, com elevação da hemicúpula diafragmática à esquerda.

O indivíduo estará diante de uma respiração expiratória com a hemicúpula do diafragma esquerdo trabalhando na posição alta. Essa elevação completa o relaxamento para o pericárdio.

Em casos severos a respiração pela hemicúpula diafragmática à esquerda poderá estar bloqueada de forma permanente ou intermitente (tosse cardíaca). O fechamento do hemitorax direito e à elevação da cúpula diafragmática à esquerda levará ao aumento da PIA.

Essa interrupção do funcionamento do diafragma à esquerda irá interferir no trânsito do mesocolón transverso, podendo associar ao quadro clinico como uma aerocolia (distensão do colón transverso por aumento de gases), o que aumentará a tensão dos músculos da região do abdômen à esquerda.

Como os intercostais não podem se relaxar pelo fato de terem função inspiratória e expiratória sendo prioridade também, esse enrolamento do tórax pode levar à compressão dos feixes vasculo nervosos costais gerando parestesias desde a região do tórax.

A compressão pode irradiar para o membro superior esquerdo e chegar ainda até o pescoço. O ombro esquerdo entrará em sofrimento, pois sofrerá pressões mais ou menos intermitentes das cadeias musculares de flexão e anteriores de enrolamento.

Para não desmanchar esse esquema de adaptação para a proteção, o pericárdio diminuirá substancialmente sua mobilidade.

Por fim, para mantermos a horizontalidade do olhar e nossa orientação espacial através de nossas orelhas internas, onde encontra-se o labirinto. Nossos ossos do crânio se torcerão para absorver todas essas forças deformando-se dentro de sua plasticidade óssea.

A escoliose cardíaca orientará nosso tronco na sua porção superior em: flexão, rotação e inclinação à esquerda, notaremos o aparecimento de uma gibosidade posterior à esquerda.

Após o desaparecimento do problema no pericárdio, o corpo não entende que não precisa mais desse esquema adaptativo, nós temos que liberta-lo das tensões com que ele se acostumou a viver.

Dois músculos chaves para tratamento

psoas no tratamento da escoliose

1.Psoas: é o músculo mais profundo e estabilizador no corpo humano, afetando o equilíbrio estrutural, a amplitude dos movimentos, a mobilidade articular e o funcionamento dos órgãos do abdômen.

Ele é um grande gerador de força e tem um papel fundamental durante os movimentos posturais e esportivos.
O músculo iliopsoas é originado à partir de três músculos, o psoas maior, o psoasmenor e o ilíaco. Os músculos psoas maior e menor se originam das vértebras torácicas (T12) e lombares (L1 a L5), enquanto o músculo ilíaco se origina da fossa ilíaca na pelve. Ambos se inserem no trocanter menor do fêmur.

A principal ação motora do iliopsoas é flexionar o quadril (mover a coxa para cima) e nos casos que a coxa se encontra fixa, sua função é tracionar o tronco em direção à coxa, como no movimento de flexão abdominal completa. Devido à sua origem e trajeto, ele também é um importante estabilizador da coluna e pelve.

A tensão do músculo iliopsoas gera uma tração frontal anormal do quadril o que leva consequentemente ao aumento da curvatura lombar, conhecida como hiperlordose lombar. Já a tensão do Psoas unilateral vai realizar essa tração de forma unilateral torcendo os ilíacos, gerando escolioses de origem muscular. Libere esse músculo de suas tensões.

  1. Diafragma: Para liberar o corpo de suas tensões, o primeiro passo é melhorar a função respiratória. A maioria das escolioses afetam a região torácica e o posicionamento dos pulmões. O principal musculo respiratório, o diafragma, está inserido nas costelas, no esterno e nas vertebras lombares e, portanto, quaisquer alterações em alguma dessas regiões citadas podem modificar seu funcionamento, como já vimos acima. Libere o diafragma de suas tensões.

Tratamento das Escolioses

como tratar escoliose

Diante do exposto, você deve estar se perguntando como tratar essa série de complexas compensações apresentadas? Sei que muitos estudiosos e especialistas em escoliose vão torcer o nariz para o meu método de tratamento das escolioses.

É bem simples, eu trato o que eu encontro, vou relaxando a musculatura tensionada, reavalio, libero uma outra camada de compensação de suas tensões e conflitos, reavalio novamente e libero novamente.

Continuo assim até o corpo entender que não necessita mais desse esquema adaptativo de compensações. Libero essas tensões das mais diversificadas maneiras através de relaxamentos musculares simples, como as pompagens de Marcel Bienfait e através de liberações miofasciais, já que sabemos ser a fáscia a grande responsável pelo sistema de tensigridade corporal.

Solto, libero e relaxo as tensões. Simplesmente permitindo que esse corpo volte à homeostasia, uma vez que a patologia médica esteja solucionada. E posso afirmar que os resultados são excelentes.

Sou bem rebelde em relação aos protocolos e os métodos hoje em dia, que tendem a ser mirabolantes. Por vezes eles complicam tanto a disfunção musculo esquelética que o método acaba perdendo sua lógica biomecânica. Por isso, sou fiel a ela que nunca me traiu.

Para tratar a patologia temos que descomplicar e a biomecânica faz isso lindamente. Trate o que encontrar, libere o corpo de suas tensões.

Com relação às crianças estas têm músculos bons segundo Leopold Busquet, somente a liberação miofascial realizada após a solução das questões patológicas médicas se faz eficaz para lidarmos com os músculos delas.

Pós-tratamento da escoliose

Após me certificar de que o corpo está livre de suas tensões, reativo todos os músculos que durante um período ficaram inativos, através do Método Pilates ou do Treinamento Funcional. Ensino novamente esse corpo a realizar seus movimentos naturais perdidos, e reconstituo sua amplitude de movimento (ADM) normal.

Em seguida mobilizo, em todos os sentidos e planos de movimento de forma simétrica, devolvo a mobilidade a esse corpo, força de núcleo de forma sutil. Através dos diversos exercícios deixados por Joseph Pilates, não lhes parece logico e simples?

Conclusão

Antes de encerrar, após ler este texto, quero que você mesmo me responda: uma bolsa carregada por uma mulher ou uma mochila que a criança leva para a escola de forma assimétrica é capaz de gerar uma escoliose? Obvio que não, se nosso corpo é capaz de suprir inteligentemente todas as nossas necessidades, inclusive viscerais, para viver dentro das três leis que o regem: conforto, equilíbrio e economia.

Acha que esse mesmo corpo não é capaz de se reequilibrar para transportar uma carga assimétrica? Isso é mito!

Gostou dessas dicas e de entender como a Escoliose é muito mais complexa do que aparece? Espero que elas te ajudem a deixar seu atendimento e tratamento da patologia cada vez mais completo. Se quiser ainda mais informações sobre patologias da coluna continue estudando no meu artigo sobre Avaliação Postural.

Janaina Cintas

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