Como montar uma ótima aula de Pilates para crianças segundo Piaget

Como montar uma ótima aula de Pilates para crianças segundo Piaget

Você quer aplicar uma boa aula de Pilates para crianças? Então é necessário conhecer o raciocínio lógico infantil. Entenda como a criança pensa e elabora suas construções mentais, seu pensamento e todo o seu universo infantil. Só assim você conseguirá despertar seu interesse.

Esse mundo ao qual me refiro foi muito bem decifrado e elucidado por Jean William Fritz Piaget. Para trabalharmos com o Pilates Kids não basta o conhecimento técnico do método Pilates. Esse nem preciso citar ser imprescindível.

Também se torna obrigatório ao instrutor o conhecimento profundo de como a criança funciona, pensa e administra seus problemas cotidianos.

Quem é Jean Piaget?

Jean Piaget é considerado até hoje um dos mais importantes escritores do século XX. Ele nasceu em Neuchatel (Suíça) em 09 de agosto de 1896, se formando em psicologia, biologia e epistemologia.

Na Universidade de Genebra foi professor de 1929 a 1954. Ele desenvolveu a Epistemologia Genética, teoria do conhecimento baseado no estudo observatório da gênese psicológica do pensamento humano. Tornou-se mundialmente reconhecido por causar reboliço com o desenvolvimento de sua teoria epistemológica.

Piaget é autor de aproximadamente cinquenta livros e diversos artigos científicos.

Em 1919, mudou-se para Paris para começar seu trabalho no Instituto Jean-Jacques Rousseau. Nessa época iniciou seus estudos sobre o universo infantil e começou a publicar artigos voltados para o desenvolvimento neuro-psico-motor infantil.

A partir de 1925 Piaget começou a conviver diariamente com crianças e aguçar sua visão sobre seu desenvolvimento. O motivo dessa inspiração foi o nascimento de seus filhos.

Piaget iniciou de suas observações diárias, as quais deram origem a novas hipóteses sobre as origens da cognição humana. Durante esse período em Paris conheceu Theodore Simon que o convidou a padronizar os “testes de raciocínio de Cyril Burt. Assim, Jean Piaget começou a entender o pensamento infantil e seu raciocínio lógico.

Epistemologia Genética

Epistemologia Genética é o nome que se dá a teoria de Jean Piaget. É o estudo científico que trata dos problemas relacionados com a crença e o conhecimento, sua natureza e limitações.

Piaget queria compreender como um indivíduo evoluiria de um conhecimento primário (menor) para um nível de conhecimento maior (superior) baseado em suas crenças. Tudo isso a partir do conhecimento biológico.

A biologia também influenciou a teoria piagetiana concebendo que a inteligência se desenvolve a partir do meio que o indivíduo convive. O modelo explica como se processa a construção da inteligência humana a partir da:

  • Ação (man

O modelo explica como se processa a construção da inteligência humana. O sujeito interage com os objetos de que dispõe e constrói a partir dessas ações estruturas de inteligência. Com as novas estruturas ele constrói modelos mais elaborados de adaptação e, portanto, inteligência.

Para Jean Piaget, o recém-nascido traz consigo condições genéticas e da espécie para se tornar inteligente. Conforme interage com o meio (ambiente em que vive), torna-se capaz de construir estruturas para se adaptar a novas situações. Ele constrói assim, estágios sucessivos de desenvolvimentos de pensamentos mais elaborados.

Os Estágios Cognitivos Segundo Piaget

Piaget utilizou um enfoque diferente para descrever a aprendizagem. Ele separa o processo cognitivo inteligente em duas palavras:

  • Aprendizagem;
  • Desenvolvimento.

Para o autor, a aprendizagem atribui-se à aquisição de uma resposta pessoal, adquirida através da experiencia individual. Já o desenvolvimento é o responsável pela construção do conhecimento em si, que seria a aprendizagem de fato.

Piaget divide o desenvolvimento neuro-psico-motor da criança em 4 estados, que chama de fases de transição. Essas 4 fases são:

  • Sensório-motor (0 – 2 anos);
  • Pré-operatório (2 – 7,8 anos);
  • Operatório-concreto (8 – 11 anos);
  • Operatório-formal (8 – 14 anos);

Estágios de Jean Piaget:

Período Sensório-motor (0 – 2 anos)

pilates para crianças no período sensório motor

Período de experimentação em que o bebê reage e explora o meio através de seus reflexos inatos. Ele busca desenvolver sua motricidade.

A inteligência nesse período é eminentemente prática, baseada essencialmente na experiência imediata através dos sentidos e do movimento. Ele utiliza as sensações de prazer e desprazer para aprender.

O bebê nesse período é indissociável da mãe. Eles, para o bebê, são um único ser.

A criança parte de reflexos inatos para a resolução de seus problemas, exemplificando: o bebê tem um problema a ser resolvido, a fome, que se resolve a princípio através do seu reflexo de sucção.

A partir da maturação neural desse reflexo a nível central, esse reflexo vai desaparecendo, sendo sobrepujado pelo controle dos músculos da face responsáveis pela sucção.

Nesta fase não existe ainda a linguagem. Como nessa fase o bebê e a mãe são um único ser não faz sentido separa-los para atividades físicas.

Período Pré-operatório (2-7 anos)

pilates para crianças no período pré-operatório

A criança pré-operatória possui pré-conceitos, portanto intui conceitos, por ainda não os possuir verdadeiramente.

Nesta fase os reflexos já desapareceram e a criança não está mais presa ao seu meio sensorial. Ela consegue conduzir dentro de seu meio simbólico seus pensamentos.

A linguagem começa a aparecer nessa fase, sendo o período mais relevante de sua capacidade de aprendizagem e de desenvolvimento. Esse período encontra-se dividido em simbólico e intuitivo:

– Período Simbólico (2 – 4 anos): aparece de fato a linguagem, surgem também o desenho e a imitação, aparecimento do animismo. A criança acredita que qualquer ferramenta ou objeto possui uma vida como a sua. Por isso o peixe fala ou o cachorro tem roupas.

– Período Intuitivo (4 – 7 anos): momento em que as crianças podem começar a praticar o Pilates Kids já que ocorreu a maturação completa. Portanto já têm controle dos seus músculos abdominais, que até então não possuía, a criança até perto dos 4 anos, observem, levantam-se do chão com o apoio das mãos ou viram-se de lado para tal ato motor.

Nesse momento elas entram na fase dos jogos simbólicos e aparecem com seus significados únicos e ilógicos. A criança encontra-se apta para distinguir a realidade da fantasia, é a conhecida fase dos porquês.

Fase caracterizada pelo egocentrismo, não tem capacidade de modificar as regras de um jogo, por exemplo.

Período Operatório-Concreto (7 – 11 anos)

pilates para crianças no período operatório-concreto

Neste momento a criança inicia seu desenvolvimento do raciocínio lógico. A criança gosta de se socializar e de participar de grupos maiores. Ela compreende muito bem as regras, e se permite liderar e ser liderada, desde que concordem com as regras.

Conforme abandonam o pensamento mágico e as fantasias tornam-se exageradamente concretas. A capacidade de compreensão do mundo é neste período tão lógica quanto antes era ilógica.

A criança adora desafios e já tem condições de elaborar experiências concretas como:

  • Tabelas;
  • Esquemas;
  • Objetos.

Porém seu senso de justiça ainda não está muito bem desenvolvido. Se durante algum jogo uma das crianças não possuir condições de competir de igual para igual, as crianças ainda não conseguem ter um entendimento desta diferença. Logo não é capaz de enxergar desigualdades em seu grupo.

Período Operatório-formal(8-14 anos)

Nessa fase o pré-adolescente já é capaz de raciocinar sobre possíveis hipóteses. Ele começa a entender a interpretação das palavras se e então.

Aumentam seu raciocínio lógico, aprendem a coordenar ideias abstratas, caracterizando esta fase pelo auge do desenvolvimento de sua inteligência. O erro deve ser discutido nessa fase com o pré-adolescente.

Como usar a teoria de Piaget em nossas aulas de Pilates para crianças

Montar uma aula de Pilates para crianças tornou-se um desafio. À medida que os pais começam a experimentar os benefícios do Pilates, é natural que queiram estender esses benefícios aos filhos.

Sabemos que Joseph Pilates tinha dois sonhos:

  1. Que seu método se espalhasse pelo mundo para ajudar muitas pessoas.
  2. Que o método pudesse ser praticado pelas crianças para que não perdessem seus movimentos naturais.

Porém, não é tão fácil realizar esse seu segundo sonho. Os fisioterapeutas têm dificuldade em especial por não terem graduação voltada a esportes e jogos infantis. Portanto, antes de montar uma aula de Pilates Kids, devemos entender o universo infantil. É extremamente importante saber identificar em qual fase de desenvolvimento neuro-psico-motor nosso aluno se encontra.

Aulas de Pilates para crianças do período sensório-motor

período operatório motor

Segundo Piaget uma criança no período sensório-motor não está preparada neurologicamente, psicologicamente ou com seu sistema motor para praticar Pilates. Durante esse período a criança se desenvolve baseando-se em sensações de prazer e desprazer.

Ela explora o mundo a partir de reflexos inatos, sem conseguir compreender que seu corpo é uno. Pelo contrário, uma criança nesse período ainda se considera como parte do corpo da mãe.

A sugestão para essa fase são as aulas oferecidas para mães com seus bebês. Aproveite o momento para gerar prazer para a criança em momentos divididos com sua mãe.

A mãe também aproveitará o momento para recuperar sua forma física ao praticar Pilates com maior carga. Como o Pilates com bebês é realizado com a criança no colo (canguru), o instrutor pode otimizar os exercícios. Dá até para realizar um trabalho de fortalecimento dos membros superiores com o bebê nas mãos da mãe.

Aulas de Pilates para crianças no período pré-operatório

aulas para crianças no período pré-operatório

A partir dos 4 anos o corpo está pronto para a prática do Pilates para crianças. Nessa idade eles já conseguem ativar a musculatura do abdômen para realizar rolamentos e outros exercícios exigidos no Pilates.

Qualquer instrutor que dê Pilates para crianças dessa fase precisa de uma grande imaginação. Aulas com exercícios repetidos fazem com que o aluno perca a atenção rapidamente. Esse é o período mais importante para sua aquisição de experimentação motora e cognitiva.

Para que a aula seja um sucesso, o Pilates Kids deve ser um grande jogo. O instrutor faz parte desse mecanismo, utilizando o jogo simbólico descrito por Piaget.

Durante a aula o instrutor deve aproveitar dos jogos para manter a motricidade da criança, com seus agachamentos naturais perfeitos. Também é importante aprimorar seu equilíbrio e propriocepção sem se preocupar com a força do Power House.

O fator mais importante nessa fase é a priorização dos rolamentos para manter esse corpo móvel pelo maior tempo possível. Isso é importante porque na fase seguinte a criança já está interessada na tecnologia, gerando uma fase mais inativa.

Apesar de ser extremamente egocêntrica, a criança já entende que seu corpo não é o mesmo da mãe. Podemos caracterizar essa como a fase do egocentrismo, portanto seria o ideal aplicar aulas individuais. A criança não consegue entender o desejo e a vontade alheia, tornando-se muito difícil adiciona-la a um grupo.

Como deve ser a aula

Cada aula deve ser um novo jogo, fazendo com que a comunicação entre o instrutor e a criança seja baseada no simbolismo e animismo. As regras sempre devem ser bem explicadas para a criança. Lembre-se que durante o jogo elas são inegociáveis. Quando a criança descumpre alguma regra ela deve saber que será sancionada do jogo e ficará no cantinho do silêncio.

De acordo com várias teorias psicológicas, a sanção deve corresponder a um minuto por ano da idade da criança. Quando as regras do jogo do dia forem estabelecidas, a criança deve ser incentivada a contar uma história ou sonho ou o que quiser dividir.

O jogo se baseará nessa história, que será a narrativa da aula. Nesse momento, o animismo deve prevalecer, transformando o instrutor num super-herói, bandido, animal, etc.

O Reformer pode falar e virar uma charrete para o príncipe com a princesa, por exemplo.

Devemos aproveitar esse jogo simbólico para que a criança experimente novas situações e adquira a capacidade de resolver seus problemas. Para Piaget é assim que se construirá a sua aprendizagem.

Papel do instrutor

O instrutor se utiliza de imitações, danças e teatro para construir suas aulas. Essa é uma época em que a criança faz Pilates porque alguém mandou, não por convicções pessoais. O trabalho durante a aula deve ser feito com limites, regras e normas, mas solicitando a participação do aluno a partir de suas representações de realidade.

O instrutor é o líder e a criança a liderada. Em momento algum a criança pode interpretar o instrutor como amigo. Ela tentará, porque essa também é a fase da graça. É importante resistir à criança, sendo sempre o líder.

O trabalho com a criança perde o sentido quando o instrutor perde o controle do jogo. Por isso não podemos esquecer que antes de tudo o aluno veio para praticar Pilates, não para brincar.

Aulas de Pilates para crianças do período operatório-concreto

Chegando nessa idade a criança já está desinteressada em histórias infantis. Ela também já possui pensamento racional, acessando seu conhecimento, classificando e organizando informações.

No Pilates para crianças, o aluno não pode mais imitar, mas sim operar com seus conhecimentos para resolver os problemas. Nesse caso, seria realizar os exercícios.

O objetivo da aula de Pilates já é identificar encurtamentos, fraquezas e desequilíbrios posturais. A vida cada vez mais sedentária do nosso aluno leva ao aparecimento desses problemas mais cedo. É de nossa responsabilidade corrigi-los a partir de nossos conhecimentos biomecânicos.

Na fase anterior queríamos manter seus movimentos naturais. Porém agora temos um aumento na responsabilidade já que precisamos começar a corrigir esses movimentos ou recuperá-los.

Estamos trabalhando com uma idade que a criança é demasiadamente competitiva. Os instrutores podem usar essa competitividade no planejamento das aulas. Também ficara mais interessantes aulas em grupo para que os alunos possam competir entre si.

As regras da competição devem ser muito bem definidas antes da competição começar. Aqui as crianças precisam concordar ou até sugerir novas regras. O importante é que o instrutor fique atento porque o senso de justiça ainda não está bem desenvolvido.

É muito provável que a criança seja incapaz de identificar que outros alunos estão em desvantagem na competição. Portanto, o instrutor deve incluir regras que garantam a inclusão  de todos os alunos.

Uma vez que as regras forem estabelecidas e os alunos concordarem elas não podem ser mudadas.

Nessa fase é importante que a criança entenda que nem sempre se ganha. Às vezes ela pode ficar descontente com esse fato.

Durante essa fase é interessante trabalhar experiências concretas como esquemas, tabelas e objetivos.

A aula deve tornar-se cada vez mais desafiadora porque a aprendizagem se dará pela observação de como a criança e o oponente agiram para solucionar o problema. É importante sabermos lidar com a autonomia dessa criança, que parte dos 7 anos e vai até os 11.

As molas podem ser para ganho de força já que o Pilates não impede o crescimento da musculatura com a fluidez do seu trabalho. Devemos, no entanto, ficar atentos para não gerar rigidez. O corpo infantil está disponível para nossa moldagem e deve ser bem trabalhado.

A partir dos 9 anos podemos trabalhar a força do Power House, porém com muita mobilidade nas aulas de Pilates para crianças.

Aulas de Pilates para crianças do período operatório-formal

período operatório motor

Montar uma aula de Pilates para um pré-adolescente é extremamente difícil, ao menos para mim. Nessa fase através da linguagem bem aprimorada ele consegue elaborar suas próprias teorias de explicação. Elas servem para não cumprir o exercício proposto.

Nesse momento da vida também estamos diante das formações das terríveis escolioses idiopáticas. O pré-adolescente também é pura ebulição de hormônios, que inicia aproximadamente aos 12 anos e vai até mais ou menos 20 anos. Aos 20 anos a formação e aquisição do conhecimento devem estar completadas segundo Piaget.

Para trabalhar com um pré-adolescente o instrutor deve tentar virar seu amigo. É necessário contar suas experiências vividas nessa fase para conquistar a confiança do aluno. Ou seja, o instrutor também deve se tornar um adolescente.

A única maneira de convencer esse tipo de aluno a fazer os exercícios e praticar é mostrando as consequências caso ele não faça tudo corretamente. Ele já é capaz dessa compreensão abstrata. Use frases como:

Caso você não faça esse exercício sua escoliose não vai melhorar.

Podemos lidar também com a vaidade adquirida nessa faça e usarmos como nossa aliada. Frases como essa se tornam bons motivadores:

Caso você faça os exercícios propostos vai ficar com melhor postura e mais atraente.

Erros são bem frequentes nessa fase. Eles não devem ser ignorados, sendo discutidos e apontados para o aluno.

Nossa aula deve ter como objetivo tratar o que encontrarmos. Se estivermos diante de uma coluna do tipo funcional estática, bastante mobilidade. Ao contrário, caso estejamos diante de uma coluna do tipo funcional dinâmica priorizaremos a forca de núcleo.

Conclusão

Como vimos não é fácil trabalhar com o Pilates para crianças. A não ser que esta seja a escolha direta do instrutor, para mim, deve-se gostar demais do universo infantil para se dedicar somente a ele.

Trata-se de uma escolha pessoal que deve ser feita com consciência e dom. Espero ter deixado algumas, dicas, de aprendizagem, pedagogia e de psicologia, seguindo a teoria de Jean Piaget que possa acrescentar ao trabalho de cada um, tentei explicitar e deixar algumas dicas comportamentais seguindo os estudos do principal autor desse universo infantil para vocês.

Como os tipos de acrômio causam a síndrome do impacto

Como os tipos de acrômio causam a síndrome do impacto

Os problemas no ombro são muito comuns em nossos Studios de Pilates. Isso acontece porque o ombro é uma articulação com grande liberdade de movimento e pouca estabilidade. Um dos problemas bem presentes é a síndrome do impacto.

Tenho certeza que você conhece essa síndroma, talvez já tenha até tratado alguns pacientes com ela. Mas você sabia que o tipo de acrômio está entre um dos fatores causadores? Nesse artigo entenderemos um pouco mais sobre a relação entre síndrome do impacto e acrômios.

Também observaremos alguns exercícios e manobras para tratar esses pacientes com Pilates.

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Anatomia e biomecânica do ombro

anatomia do ombro e a síndrome do impacto

A cintura escapular é formada por um conjunto complexo de cinco articulações que devem trabalhar sincronicamente para que não comecem a se desequilibrar:

  • A esterno clavicular que liga o esterno a parte medial da clavícula;
  • A articulação acrômio clavicular que une o acrômio a parte lateral da clavícula;
  • A articulação costo vertebral que liga as costelas em sua parte posterior a escápula em sua face interna (na verdade é um apoio que se dá)
  • A articulação gleno umeral que une a cabeça do úmero a escápula.

Essas articulações devem estar em completa harmonia para que o ombro e a caixa torácica funcionem bem.

Sabemos que até 90 graus os movimentos são executados puramente pela gleno umeral. Os problemas começam a aparecer quando elevamos, seja em flexão ou abdução, o úmero além de 90 graus. Podemos afirmar que isso acontece porque a gleno umeral é uma articulação extremamente móvel e muito instável devido a falta de profundidade da glenoide.

Sua mobilidade faz com que seja impossível que esses movimentos acima de 90 graus aconteçam sem uma boa fixação das escápulas, costelas, externo e clavícula. A gleno umeral facilmente luxaria sem esse auxílio por ser uma articulação esférica, e conforme citei extremamente móvel.

Movimentos do ombro

movimentos do ombro

O ombro é capaz de realizar os seguintes movimentos:

  • Flexão;
  • Extensão;
  • Rotação interna;
  • Rotação externa;
  • Circundução da gleno umeral.

Também realiza os seguintes movimentos, que acontecem a partir do tórax:

  • Elevação do ombro;
  • Abaixamento do ombro;
  • Adução da escápula;
  • Abdução da escápula;
  • Rotação medial da escápula;
  • Rotação lateral da escápula.

O principal músculo da articulação costo vertebral é o serrátil e é ele que fixa a escápula às dez primeiras costelas. Sua função é permitir um bom funcionamento das outras articulações.

Para todo movimento que precise de uma boa fixação escapular o serrátil deverá estar acionado. Outro músculo que atua em antagonismo ao conjunto é o trapézio fibras médias, que como já sabemos é potente.

O serrátil e o trapézio fixam a escápula em oposição, enquanto o serrátil abduz, o trapézio, além do romboide, aduz as escápulas. Sabemos que o trapézio, sendo um músculo forte e potente, facilmente vence essa disputa com o serrátil. Isso causa um desequilíbrio de todo esse conjunto. Por isso a importância da ativação do serrátil.

abdução e adução do ombro

Além dessa questão, temos mais uma situação a contornar na articulação costo vertebral, que é a diferença da força dos músculos responsáveis pela elevação e depressão do ombro:

Músculos da elevação:

  • Parte superior do trapézio, extremamente forte;
  • Elevador da escápula, extremamente tenso
  • Romboides, trabalham sempre contra a gravidade por sua linha de tração por isso tornam-se mais potentes.

elevação do ombro

Músculos responsáveis pela depressão do ombro:

  • Parte inferior do trapézio e serrátil.

abaixamento do ombro

Antes do questionamento que o trapézio funciona nas duas ações, tanto na elevação, quanto no abaixamento escapular, logo os digo que não podemos nos esquecer de um pequeno detalhe. As fibras superiores do trapézio, romboides, além de intercostais, escalenos, esternocleidomastoideo, auxiliam o diafragma na inspiração.

Por serem músculos acessórios da respiração eles se tornam mais fortes e tensos. Por essa questão a tendência é a elevação dos ombros.

Além desses movimentos, a articulação costo vertebral ainda é capaz de realizar a rotação lateral das escápulas através dos seguintes músculos:

  • Serrátil que a abduz;
  • Parte superior do trapézio que eleva o acrômio no sentido da cervical,
  • Trapézio inferior que traciona a espinha escapular em direção a coluna torácica.

rotação do ombro

A rotação medial é feita pelos romboides, que por sua distribuição de fibras oblíquas, roda a escápula, e o levantador da escápula que tem sua inserção na borda superior interna da escápula a traciona em direção a cervical.

rotação medial do ombro

Na articulação gleno umeral, o peitoral maior, quando seu ponto fixo está no úmero, as fibras superiores abaixam a clavícula enquanto as fibras inferiores são inspiratórias.

O grande dorsal, com sua porção fibrosa, é o grande elo de ligação entre as duas cinturas. Por ser um músculo que contém fibras em várias direções e poliarticular, devemos estar sempre atentos as suas compensações que podem ser as mais diversas.

Compensações essas que podem ser tanto limitantes da flexão dos ombros em sua completa amplitude de movimento, como para o favorecimento da hiperlordose. Ainda existe a possibilidade de existirem as compensações juntas quando em encurtamento em forma de arco. Sendo um musculo que pertence a porção tendinosa deve estar sempre liberado de suas tensões.

Tipos de acrômio e biomecânica

Estudos sobre a morfologia do acrômio ganharam importância desde o trabalho de Neer. Com base na análise de cadáveres humanos, Neer entendeu a síndrome do impacto (IS).

Através do estudo chegou a uma associação entre a morfologia do acrômio e a alteração da biomecânica gerada por uma fisiopatologia caracterizada por choques mecânicos repetidos causados pelo manguito rotador no compartimento subacromial.

Posteriormente, outros autores confirmaram a associação entre a forma do acrômio e as lesões do manguito rotador (RCIs).

Há uma grande variedade de formas do acrômio na população. Bigliani et ai., propuseram um sistema de classificação para o acrômio de um estudo em 140 ombros de cadáveres humanos. Identificaram três tipos de acromio: reto (tipo I), curvo (tipo II) e enganchado (tipo III).

Quanto mais curvo for o acrômio, maior será a probabilidade de diminuição do espaço subacromial, com consequentemente desenvolvimento de IS e RCIs.

Embora muito utilizada, a classificação do acrômio em tipos retos, curvos e enganchados é um conceito subjetivo, especialmente no que se refere à distinção dos tipos II e III do acrômio, e há margem para ampla variabilidade diante de quem avalia.

Apesar dessa subjetividade a síndrome de impacto subacromial está diretamente relacionada ao grau de inclinação do acrômio. A este respeito, Bigliani et al. apresentou um esquema para a classificação do acrômio de acordo com a curvatura de sua superfície inferior.

O tipo enganchado foi visto como tendo uma estreita relação com IS e RCIs. Estudos subsequentes confirmaram esta correlação.

Outros autores reconheceram a importância dessa classificação e a utilizaram para estabelecer a freqüência de cada tipo de acrômio em diferentes populações. Na descrição original, Bigliani et al. encontraram as seguintes proporções para cada tipo de acrômio:

  • Reto, 17%;
  • Curvo, 43%;
  • Enganchado, 39%.

Classificação por tipo de acrômio

classificação dos ombros por tipo de acrômio

O sistema de classificação de Bigliani et al. é amplamente utilizado, apesar de sua subjetividade visual, uma vez que a interpretação é guiada apenas pelos significados das palavras flat, curved e hooked.

Assim, vários autores formularam de forma independente modificações diferentes ao esquema original e propuseram análises de maior precisão para a curvatura acromial.

Epstein et ai. Fizeram sua proposta também com base na classificação visual. De acordo com o autor o acrômio deve ser classificado como:

  • Tipo II se a curvatura ocorreu no terço médio;
  • Tipo III se ocorreu no terço anterior.

Toivonen et al. Fizeram uma proposta de forma mais objetiva que esses autores. Eles realizaram uma revisão radiográfica para determinar um método objetivo para classificar a forma do acrômio.

Eles compararam o “ângulo objetivo” (chamado ângulo acromial) com os tipos acromiais da classificação de Bigliani et al. e concluíram que o acrômio tipo I tinha um ângulo acromial de 0 ° a 12 °; Tipo II, 13 ° a 27 °; E tipo III, superior a 27 °.

Vários parâmetros foram propostos por outros autores para analisar a influência da morfologia do acrômio como fator etiológico para RCIs.

Um se destaca dentre eles. A influência da espessura do terço anterior do acrômio foi citada como fator etiológico relacionado às condições patológicas subacromiárias.

De acordo com Edelson e Taitz, um ângulo específico de inclinação do acrômio está relacionado a alterações degenerativas. Portanto, quanto mais horizontal fosse o acrômio maior seria a degeneração.

Na biomecânica um acrômio do tipo II ou III levará a uma diminuição do espaço na articulação gleno umeral em quaisquer dos movimentos que necessitem da articulação costo vertebral, acima de 90 graus.

Independentemente dessa classificação médica, nós, profissionais do movimento, devemos estar atentos. Quaisquer alterações do tipo II ou III nos acrômios gerarão alterações biomecânicas muito grandes.

Alterações biomecânicas do ombro na síndrome do impacto

alterações do ombro na síndrome do impacto

Um estudo analisou as alterações biomecânicas do ombro em participantes com e sem síndrome do impacto do ombro. Dentre os participantes do estudo:

  • 29 participantes com síndrome do Impacto sofreram de dor unilateral do ombro no braço dominante por mais de seis semanas
  • 37 eram do grupo controle saudáveis

A cinemática escapular foi medida através de rastreamento eletromagnético durante a elevação do ombro no plano sagital. Dados para orientação escapular bilateral foram analisados a 30 °, 60 °, 90 ° e 120 ° de elevação e abaixamento umerotorácico. O ângulo de simetria foi calculado para quantificar a assimetria escapular durante a elevação do ombro.

Nas conclusões obtidas com bases em comparações estatísticas o estudo observou algumas características similares em pacientes com a síndrome. Uma delas, as escápulas foram rotacionadas para baixo (p <0,001) e inclinadas para a frente (p = 0,005). Em controles saudáveis essa alteração não fora observada.

Algumas diferenças de lado a lado nos dois grupos existiam, mas o cálculo do ângulo de simetria mostrou algumas revelações. O movimento escapular foi mais assimétrico para a rotação escapular interna e para cima nesses indivíduos (p <0,05).

Os achados deste estudo aumentam nosso conhecimento e compreensão das alterações escapulares em populações sintomáticas e assintomáticas. A partir dele, criam-se considerações biomecânicas para a avaliação, reabilitação e fortalecimento do ombro.

Tais considerações vão de encontro às diferenças mecânicas de força citadas no começo desse texto.

Fica muito claro que acrômios do tipo III são cirúrgicos. Já os acrômios do tipo I e II na Síndrome do Impacto podem ser tratados com Pilates para resultados de níveis satisfatórios.

Cuidados com a síndrome do impacto no Pilates

síndrome do impacto no Pilates

Existem alguns aspectos a serem ressaltados e discutidos antes de falarmos do tratamento da Síndrome do Impacto em si. Vou descrever a seguir a manobra de recentragem da cabeça do úmero dentro da cavidade glenoide.

O que fazer quando o aluno sente dor?

Essa manobra pode ser feita todas as vezes que seu aluno ou paciente apresentar dor na aula.

Atenção! A manobra pode ser um pouco desconfortável no início.

  • Posicione-o em decúbito ventral com o ombro em 180 graus de extensão.
  • Solicite a partir daí uma leve maior extensão do ombro, eu disse com muito pouca força. É somente para ele descolar a mão e o braço da maca.
  • Mantenha essa força por uns 10 segundos aproximadamente e relaxe, tente repetir a manobra no mínimo três vezes.

Algumas vezes o indivíduo relata muita dor no posicionamento que descrevi acima. Nesse caso, podemos adotar essas alterações:

  • Comece com ele em pé de frente para uma parede de forma bem próxima a ela;
  • Posicione o membro superior dele a cento e oitenta graus de flexão de ombro.
  • Se a dor aguda continuar, afaste-o um pouco da parede diminuindo assim sua angulação para a flexão do ombro.
  • Peça da mesma forma para ele solicitar uma pequena força para extensão a ponto de retirar a mão da parede.
  • Mantenha essa leve contração por aproximadamente 10 segundos e tente repetir por 3 vezes.

Conforme a dor for diminuindo aproxime-o mais da parede. Essa manobra pode ser feita sempre que nosso aluno referir dor na articulação do ombro. Ela serve para o reposicionamento da cabeça do úmero, abaixando-a dentro da articulação reduzindo a pressão sobre as partes moles.

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Fatores a serem observados

Vimos anteriormente que os indivíduos com Síndrome do Impacto, apresentam uma tendência a elevação e rotação interna da escápula. Ao combinarmos essa tendência com o tipo de acrômio surge outro agravante.

O espaço subacromial, por onde passa o tendão do bíceps e do supra espinhoso, tem sua aérea de deslize durante a contração muscular diminuída devido a esses dois fatores associados.

Músculos importantes

Portanto devemos ter olhos muito atentos na pratica do Pilates nos trabalhos de fortalecimento dos músculos:

  • Bíceps;
  • Peitoral menor;
  • Trapézio fibras inferiores;
  • Serrátil.

O Bíceps em sua porção longa tem origem no Tubérculo supra glenoidal e em sua porção curta tem origem no processo coracoide. As duas porções seguem pelo sulco biciptal inserindo-se na Tuberosidade do rádio.

Junto ao Supra Espinhal, esses dois músculos têm seus tendões mais acometidos diante do exposto.

O Supra Espinhal origina-se na fossa supra espinhal da escápula e se insere no Tubérculo maior do úmero. Ele é um musculo participante durante a abdução do ombro.

Devemos nos atentar aos músculos que diante de um acrômio do tipo II ou III, podem alterar toda a biomecânica do ombro. Alteração esta que favorece mecanismo de formação da Síndrome do Impacto e rupturas dos tendões bicipitais e do supra espinhal.

Importância do Bíceps

Já o Bíceps é um musculo que realiza a flexão e pronação do cotovelo, movimentos extremamente funcionais. Ele se contrai constantemente em vários exercícios realizados no Pilates e no nosso dia-a-dia, sendo muito claro para nos profissionais do movimento, o quanto esse musculo e importante e funcional.

A biomecânica desse músculo é importante, especialmente estando diante de um indivíduo já sintomatológico. Se o bíceps realizar flexão do cotovelo com seu ponto fixo no úmero ele trará o antebraço em direção ao braço.

O problema é quando ele inverte seu ponto fixo para o cotovelo, quando isso acontece devemos estar atentos. Ele trará o acrômio em direção ao antebraço, enrolando o ombro e diminuindo mais o espaço subacromial.

Esse movimento também aciona a cadeia muscular cruzada de fechamento da unidade tronco.

Tensões musculares

Se o processo descrito anteriormente acontecer no ombro direito, a cadeia muscular seguirá anteriormente pelo tronco até o quadril esquerdo. Um dos resultados possíveis são tensões do ombro até o quadril.

As tensões são muito comuns em nossos alunos ou pacientes que apresentam qualquer alteração em ombros. A médio ou longo prazo é possível apresentarem também alterações biomecânicas no quadril contralateral.

A solução para essa alteração mecânica é relaxarmos a Cadeia Muscular Cruzada Anterior ou de Fechamento na unidade tronco. Sobretudo na porção metade superior do tronco.

Nessa porção encontra-se o músculo peitoral menor. O mesmo tem origem no processo coracóide seguindo até as terceiras, quartas e quinta costelas onde se insere. O músculo realiza a depressão do ombro e rotação inferior da escápula trazendo o processo coracóide mais ainda a frente e para baixo.

Sua ação hiperativada ou o musculo estando em encurtamento, aumenta consideravelmente a chance do Impacto. Ao contrário, em sua ação inspiratória, eleva a terceira, quarta e quinta costela: ação inerente ao ato respiratório sob esforço.

Logo, é imprescindível o relaxamento desse músculo. Podemos fazer isso através de pompagem, crochetagem, liberação miofascial dentre outras técnicas de relaxamento.

Além disso, na nossa estratégia de aula deve estar presente o fortalecimento do Trapézio. O músculo sai da linha nucal e se insere nos processos espinhosos de C7 a T12. Ele pode realizar a elevação ou depressão do ombro, em suas fibras inferiores que deprimem o ombro para objetivarmos a descompressão dos tendões que estão em sofrimento.

Porém nosso musculo principal e alvo de todas as nossas atenções será o Serrátil que se divide em três porções:

  • Em sua porção superior segue o trajeto desde o ângulo superior da Escápula até a face externa das primeiras e segundas costelas.
  • Em sua porção média tem origem na borda medial da escapula até a face externa das segundas, terceiras e quarta costelas.
  • Em sua porção inferior origina-se no ângulo inferior da escapula e segue até as quintas, sextas, sétimas, oitavas e nona costelas.

Quando seu ponto fixo está na escapula sua ação é inspiratória, já quando seu ponto fixo muda para as costelas sua função é de rodar a escapula para cima, abduzi-la e deprimi-la no gradil costal.

Em nossa aula o Serrátil será acionado dentro de um complexo sistema organizacional do ombro. Dessa maneira ele descreve o movimento fundamental dos membros superiores descrito por Madame Piret e Madame Bezieres em seu livro Coordenação Motora.

Fatores agravantes

fatores agravantes na síndrome do impacto

Antes que eu descreva essa organização não posso deixar de falar da falta de mobilidade da coluna torácica.

Essa deficiência e suas alterações, sejam retificações, escolioses, ou hipercifoses, levarão a perda de mobilidade do gradil costal. Este pode tornar-se um ponto importante de fixação escapular, alterando assim, toda a estrutura biomecânica do complexo do ombro.

O trabalho de ombro deve ser precedido por um ganho de mobilidade torácica. Também encontraremos a mobilidade do gradil costal diminuída nos casos de doenças respiratórias e ou pulmonares.

Trabalho de ativação do Serrátil

Podemos realizar o seguinte procedimento para ativar o Serrátil:

  • Mantenha o aluno em pé de frente para uma parede, pés paralelos a linha media da patela que também deve estar em alinhamento com as Espinhas Ilíacas Antero Superiores (EIAS)
  • Deixe os ombros a noventa graus de flexão com as mãos apoiadas na parede.
  • Solicite o acionamento do power house (PH) ou do Core.
  • Solicite que o aluno empurre a parede à frente com uma ligeira forca que deve partir dos seus ombros decoaptando-os
  • Em seguida, peça que os olecranos internos do cotovelo estejam voltados uns para os outros, sem que aja o desalinhamento das mãos.

Todo o conjunto de ações organizadoras partem do ombro. Além disso, nosso aluno ainda deve ser capaz de manter uma contração efetiva nas axilas, parecida com aquela que fazemos para segurar um termômetro.

Evitamos a qualquer custo a hiperextensão dos cotovelos. Para isso, peça a contração do conjunto bíceps e tríceps para que o cotovelo não se encontre relaxado afim de não sobrecarregar as articulações epicondilianas.

Nesse momento solicitamos que ele se projete com essa força que estará circulando de uma mão até a outra, sem que saia do lugar para trás. Ele empurra o seu corpo para trás com as mãos e não mais a parede, permitindo que apareça a sua cifose fisiológica na coluna dorsal.

Devemos insistir para que o nosso aluno entenda bem essa mecânica de forças que envolvem a complexa articulação do ombro. Obviamente estivermos trabalhando com um aluno hipercifotico não permitiremos o aumento dessa cifose dorsal.

Paulatinamente, vamos exigindo essa contração e treinando nosso aluno ou paciente. Faremos isso até podermos retirá-lo da referência da parede e ele seja capaz de manter todas essas forças em qualquer posição espacial.

O cuidado principal desse movimento é justamente com os alunos hipercifoticos dorsais. Não podemos permitir de forma alguma que sua cifose aumente, lembrem-se o movimento parte sempre do ombro.

Movimento de pistão

Outro movimento importante que nosso aluno deve ser capaz de fazer e o que chamamos de movimento de pistão.

Devemos orientá-lo a ser capaz de realizar com o ombro em 90 graus de abdução o abaixamento do ombro. O movimento deve acontecer sem que aja abaixamento da angulação de 90 graus de abdução do membro superior.

Ele é similar ao movimento de pistão de um carro, essa é a origem do nome. Ao realiza-lo, o paciente ativa as fibras inferiores do Trapézio. Ele deve ser capaz de levar os braços longe decoaptando a cabeça do úmero da glenoide.

Tudo deve ser realizado sem elevar os ombros, ou sem abaixar o braço mantendo os 90 graus de abdução do mesmo. Ele deve realizar essa decoaptacao toda vez que estivermos trabalhando em abdução.

Conclusão

Somente depois desse alinhamento mecânico e que pensamos em fortalecer o os Musculos do Manguito Rotador.

Em síntese, devemos relaxar a cadeia muscular cruzada anterior, por conta do peitoral menor, fortalecer as fibras inferiores do Trapézio e ativar o Serrátil Anterior para evitar um possível impacto, ou uma vez já instalado a Síndrome, seguirmos na mesma estratégia para evitar, ou mesmo regredir sua evolução e possíveis sintomatologias.

Janaina Cintas

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Como as alterações dos ilíacos influenciam em patologias do quadril

Como as alterações dos ilíacos influenciam em patologias do quadril

A cintura pélvica, onde se anulam a força de peso normal e solo, é composta pelos dois ilíacos e o sacro. Essas estruturas formam a articulação Sacroilíaca .

A Sacroilíaca transfere a carga dos membros inferiores para:

  • Parte superior do corpo;
  • Sínfise Púbica (púbis de um lado se articulando com o púbis do lado oposto).

Na parte medial do forame obturado, o púbis se junta ao ísquio. Já na parte lateral ele está voltado para os membros inferiores. Nessa região o púbis dá a inserção a diversos músculos mediais da coxa.

Fortes inserções ligamentares e musculares se localizam na face póstero inferior do ísquio, mais precisamente no tubérculo isquiático

O acetábulo é a parte óssea côncava formada pela fusão dos ossos: ilíaco, ísquio e púbis e é aprofundada por um anel de fibrocartilagem, o lábio do acetábulo.

*Força da Gravidade: Força gerada pela massa corporal em kg, quanto pesamos vezes aceleração gravitacional (aproximadamente 9,8)

*A Força de Reação Solo: É uma força que atua do solo para o corpo que está em contato, representando uma resposta às ações musculares e ao peso corporal transmitido por meio dos pés.

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Mobilidade ilíaca

mobilidade dos ilíacos

Embora seja de desconhecimento para alguns, é importante esclarecer que existe sim uma mobilidade desses ossos. Ela é discreta e muito potencial para desequilíbrios musculares, desarranjos posturais bem como afecções dolorosas. A mobilidade ilíaca vai condicionar a estática e a dinâmica dos membros inferiores (MMII).

As asas ilíacas são braços de alavanca importantes para as cadeias musculares do tronco e para as do membro inferior.

As asas ilíacas têm como principais mobilidades:

  • anterioridade e posterioridade
  • abertura e fechamento

O ilíaco é a referência que precisamos para analisar o posicionamento da lesão. Através dele tomamos nota sobre os posicionamentos em que a pelve/ ilíaco podem se encontrar disfuncionalmente.

  • O Sacro é a peça anatômica que sempre acompanha o ilíaco que se apresenta em lesão.

Anterioridade do ilíaco

anterioridade do ilíaco

Essa é a rotação anterior do ilíaco sobre a cabeça do fêmur.

A anterioridade dada de ambos os lados, ou seja, em ambos os ilíacos levará a anteversão da pelve. Outra consequência é a postura da lordose lombar.

Os músculos envolvidos / em tensão/ programados são:

  • Quadrado lombar, tensionando a asa ilíaca em sua parte posterior para o alto
  • Reto femoral, tracionando a parte anterior do ilíaco para baixo.

Sinais clínicos

  • Espinha Ilíaca Antero-Superior (EIAS) baixa
  • Crista Ilíaca mais baixa
  • Espinha Ilíaca Postero-Superior (EIPS) alta
  • Descida do púbis ( anterior)
  • Subida do Ísquio (posterior)
  • Sacro se horizontaliza e fica mais alto

Por tensão do Quadríceps femoral, podemos encontrar alterações patelo-femorais e um recurvato de joelho, um dos processos mecânicos fisiopatológicos de alterações álgicas nos joelhos.

A anterioridade do ilíaco leva o membro inferior em questão em posicionamento de alongamento compensatório (um aumento do comprimento da perna respectiva a lesão)

Posterioridade do Ilíaco

posterioridade do ilíaco

É a rotação posterior do ilíaco sobre a cabeça femoral.

A posterioridade de ambos os iliacos leva a retroversão da pelve; postura de retificação lombar.

Os músculos envolvidos são:

  • Reto Abdominal tracionando a asa ilíaca em sua parte anterior para cima
  • Isquiotibiais tracionando a asa ilíaca em sua parte posterior para baixo

Sinais Clínicos

  • Espinha Ilíaca Antero Superior alta
  • Crista Iliaca mais alta
  • Espinha Ilíaca Postero Superior baixa
  • Subida do púbis
  • Descida do Ísquio
  • Sacro verticaliza-se e fica mais baixo

Por tensão do Isquiotibial, podemos encontrar um flexo de joelho, bem como também dores localizadas na região dos ísquios, a tensão gerada pela posterioridade poderá gerar um aumento da compressão nos discos intervertebrais em até 30 vezes.

A posterioridade do ilíaco leva o membro inferior em questão em posicionamento de encurtamento compensatório (uma diminuição do comprimento da perna respectiva a lesão)

* A anterioridade e a posterioridade dos ilíacos são parâmetros utilizados preferencialmente para a locomoção.

Abertura do Ilíaco

abertura dos ilíacos

Os músculos envolvidos são:

  • Glúteos tracionando a parte superior da asa ilíaca para fora
  • Períneo tracionando a parte inferior da asa ilíaca para dentro, aproximando os ísquios.

Encontraremos, portanto 3 (três) pontos anatômicos altos ao exame clínico

Sinais Clínicos

  • Espinha Ilíaca Antero Superior alta
  • Crista ilíaca mais alta
  • Espinha Ilíaca Postero Superior alta
  • Aumento da distancia entre o umbigo e a Espinha Ilíaca Antero Superior
  • Sacro se inclinara numa verticalização

A ABERTURA do ilíaco leva o membro inferior em questão em posicionamento de VARO de joelho e um aumento da projeção do membro, portanto um alongamento compensatório desta perna.

Fechamento do Ilíaco

Os músculos envolvidos são:

  • Transverso do abdômen tracionando a asa ilíaca superior em direção a linha media.
  • Adutores tracionando a asa ilíaca inferior, inferolateralmente.

Encontraremos portanto 3 (três) pontos anatômicos baixos aos exame clinico.

Sinais Clínicos

  • Espinha Ilíaca Antero Superior baixa
  • Crista ilíaca baixa
  • Espinha Ilíaca Postero Superior baixa
  • Diminuição da distancia entre o umbigo e a Espinha Ilíaca Antero Superior
  • Sacro se inclinara numa horizontalização

O FECHAMENTO do ilíaco levará o membro inferior em questão em posicionamento de VALGO de joelho e uma diminuição da projeção do membro. Portanto um encurtamento compensatório desta perna.

* A abertura e o fechamento dos ilíacos são parâmetros utilizados preferencialmente para a relação visceral.

Como acontecem alterações da pelve

alterações da pelve e patologias do quadril

Estas adaptações da pelve, como por exemplo: metade superior em abertura e metade inferior em fechamento ilíaco se da graças a plasticidade dos ossos (vivos) e á organização das cadeias musculares em relação ao plano visceral.

Quando falamos em abertura e fechamento do iliaco, se torna imprescindível citarmos a condição visceral. Lembremos, somos um corpo viscerado, e as vísceras se tornam prioridade no corpo humano pela função vital.

Se relaxarmos corretamente as cadeias musculares e ainda sim remanescer as alterações de alongamento e encurtamento compensatórias dos membros inferiores respectivamente à abertura e fechamento do ilíaco, podemos estar diante de alterações da pelve a nível visceral.

As TENSÕES viscerais geram uma força CENTRIPETA
As CONGESTÕES viscerais geram uma força CENTRIFUGA
  •  Cavidade abdominal/ pelve maior compreende o mesocólon transverso, o fígado, os rins, o pâncreas, a vesícula, estomago e o baço.
  • Cavidade pelviana/ pelve menor compreende o começo e o final dos intestinos, a bexiga,o útero e ovário para as mulheres e a próstata para os homens.
  • Portanto ao pensarmos nessas questões viscerais podemos dizer que :
  • Quando a cavidade abdominal possui tensões (centrípetas)  instala-se o fechamento ilíaco ( estreitamento superior da pelve – ilíaco/ pelve maior) =  FECHAMENTO ILÍACO
  • Quando a cavidade pelviana possui tensões centrípetas, instala-se o fechamento pelviano
  • Quando a cavidade abdominal possui congestão (centrifuga), entala-se a abertura ilíaca ( pontos fixos trocanterianos) = ABERTURA ILÍACO
  • Quando a cavidade pelviana possui congestão, instala-se a abertura pelviana (pontos fixos nos fêmur).

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Ilíacos no parto e pós-parto

ilíacos no pré e pós-parto

Em relação à abertura e fechamento dos ilíacos, podemos também citar um exemplo que acontece com muitas mulheres e que neste momento de sua vida é absolutamente funcional em relação aos pequenos e potentes movimentos que fazem os ilíacos.

O exemplo de uma mulher após o parto.

O corpo da mulher deverá adaptar-se ao vazio da região abdominal que fica após o nascimento do bebê.

Após o parto, esta cavidade abdominal deve se reduzir para se ajustar ao novo volume e recriar assim as pressões internas necessárias. Isso dá início ao processo de fechamento dos ilíacos.

A partir deste evento do nascimento, podemos nos atentar as informações obtidas por influencias do Método GDS de Cadeias Musculares e Articulares. Sendo um método global de fisioterapia desenvolvido pela fisioterapeuta, biomecanicista e osteopata belga Godelieve Denys Struyf. Método que integra o funcionamento do corpo e suas conexões com o comportamento psicológico.

Analisando por este ponto de vista, podemos notar que durante alguns anos muitas mulheres darão prioridade ao ciclo materno, ao seu lar e seus filhos. Nesse contexto, seu corpo pode evidenciar as cadeias de flexão num comportamento de enrolamento para abraçar esse mundo afetivo.

O tempo desse período varia de mulher para mulher. Depois dele, ela pode decidir voltar para seu mundo exterior, com suas atividades profissionais e físicas.

O novo estado de espírito faz com que entrem em ação as cadeias da comunicação (cadeias de abertura ou para madame Godelieve cadeias PM). Tal atitude sinaliza que ela deseja se relacionar além de sua vida materna.

Desta forma, sua pelve pode começar a se modificar e se reestruturar em abertura.

Esta condição psicológica parece se relacionar bastante com as cadeias de fechamento e abertura, respectivamente. Mas também pode ocorrer desta mulher procurar se equilibrar entre essas duas facetas.

Uma mulher talvez decida enfrentar o mundo externo e este ciclo materno. Porém, se seu corpo apresenta pontos de tensão, pontos de fixação, cicatrizes, aderências; estas questões estruturais acabam vencendo e valorizando as cadeias de fechamento.

Nessa briga de cadeias musculares a vencedora será de fechamento.

O motivo são as tensões internas fazendo com que essa mulher pague por períodos de grande fadiga. Ela despendera muita energia por conta desse conflito de tensionamento das cadeias.

Ilíacos nas patologias do quadril

ilíacos geram alterações no quadril

Visto os movimentos que o ilíaco pode fazer e as inter-relações com as questões viscerais, podemos explicar as principais disfunções biomecânicas no quadril.

Coxoartrose

(mais comum)

Seu mecanismo de formação se dá quando o ilíaco se encontra em fechamento em suas duas pontas. São elas:

  • Asa ilíaca superior /cavidade abdominal;
  • Asa ilíaca inferior/ cavidade pelviana.

Os músculos oblíquos abdominais puxam a asa ilíaca superior para um fechamento. O períneo puxa a asa ilíaca inferior também fechamento.

Uma convexidade se formará no meio da asa ilíaca, expondo o acetábulo lateralmente. Como resultado, teremos maior contato entre a cabeça do fêmur e o acetábulo e um processo de desgaste da coxofemoral.

Nas coxoartroses, podemos encontrar contraturas importantes dos músculos periaticulares à esta afecção. Isto se dá de modo a manter a mobilidade do quadril dentro de um perímetro que o paciente não sinta dor ou a sinta de forma mais amena.

Esta compensação pode parecer confortável para o quadril, mas suas consequências levam a um aumento de forças intra-articulares da coxofemoral. Com isso, a artrose instalada nessa área evolui, levando a mais patologias do quadril.

Subluxação do quadril

Essa é uma das patologias do quadril. Nas subluxações do quadril, o ilíaco se encontra em abertura nas suas duas pontas.

Os músculos com tensão excessiva como os glúteos, tracionam a parte superior do ilíaco para fora e para cima. Os adutores tracionam a parte inferior do ilíaco para fora.

Haverá então uma concavidade na asa ilíaca, diminuindo o contato do acetábulo com o fêmur. O caso de uma luxação do quadril se efetiva de fato, mediante um trauma na altura do joelho ou do quadril em uma força centrípeta.

Desta forma, a prioridade será garantir e equilibrar as tensões/ congestões internas abdominais/pelvianas, para poder então relaxar as cadeias musculares.

Verdades e falsas pernas longas ou curtas

Baseando-se nas explicações supracitadas sobre as compensações ilíacas, podemos encontrar desigualdade no comprimento dos membros inferiores, tais como:

  • Falsas desigualdades/ diferença de membro inferior: quando as compensações iliacas modificam o comprimento do membro.
  • Verdadeiras desigualdades: quando o comprimento dos membros inferiores é que modificam as compensações ilíacas.

Lembrando que as verdadeiras diferenças de comprimento de membro inferior somente poderão ser confirmadas através do exame radiográfico pela escanometria (medida) com carga.

No contexto, para fazermos um diagnóstico puramente clínico, observaremos:

  • Falsa Perna Longa

O ilíaco deste lado se encontrará em Abertura e Anterioridade.

  • Falsa Perna Curta

O ilíaco deste lado se encontrara em Fechamento e Posterioridade.

* Ao corrigirmos estas compensações ilíacas, devolvemos o comprimento “natural” deste membro, desta forma se entende o porque da nomenclatura “falsa”.

  • Verdadeira Perna Longa

O ilíaco deste lado se encontrara de forma compensatória em Posterioridade e Fechamento

  • Verdadeira Perna Curta

O ilíaco deste lado se encontrara de forma compensatória em Anterioridade e Abertura.

* Ou seja, a diferença anatômica verdadeira do comprimento do membro (por exemplo por Poliomielite, deformações congênitas ou acidentes) é que levara o ilíaco numa compensação.

Assim percebemos a grande magnitude do nosso corpo, neste caso, as diferentes mobilidades do ilíaco e as compensações da pelve.

Vimos que as forças musculares amplificam as mobilidades articulares da pelve que pareciam ser tão limitadas. As cadeias musculares acabam moldando a pelve, indo além da articulação até o osso, graças a plasticidade óssea.

Musculaturas importantes no comportamento dos ilíacos

Sabemos que todas as musculaturas agem em conjunto, em cadeias musculares e assim conseguimos a plenitude do movimento.

Neste texto quero abordar duas musculaturas de suma importância em suas funções, mas que passa desconhecida na sua integridade por muitos de nós.

  • ILIOPSOAS

PSOAS:

Origem: de T12, passando por todos os processos transversos das vértebras lombares, discos intervertebrais.

*A origem do arco aponeurotico do Diafragma reveste a porção cranial do Psoas (nota-se forte ligação entre estes dois músculos).

Inserção: Trocanter menor

ILIO/ILIACO:

Origem: Fossa ilíaca e pequena porção lateral da asa do sacro.

Inserção: Através de um tendão comum com as psoas sobre o trocanter menor.

Ao analisarmos melhor as direções das fibras musculares percebemos um músculo em forma de leque.

Este músculo tem suas fibras concentradas em sua parte terminal sobre a cabeça do fêmur. Podemos assim deduzir que sua força potencial, sua ação dinâmica se dá sobre o quadril.

A direção das fibras musculares neste momento faz toda a diferença. As origens são mais afastadas e as inserções mais concentradas.

As fibras descem para fora, para baixo e para frente à cabeça do fêmur (conforme na figura acima), isto lhe confere a ação flexora de quadril. Ao passar pela frente á cabeça femoral, as fibras do iliopsoas seguem o trajeto para baixo, para fora e para trás dessa peça anatômica.

Assim podemos dizer que este músculo participa na adução de quadril, além de poder realizar uma rotação interna.

Basta olharmos para as fibras musculares. Sempre pensarmos na anatomia desta musculatura para entendermos melhor sua ação que por vezes ainda é tão estudada.

Exemplo prático

Vejamos um exemplo sobre um caso de Psoite. Como essa musculatura encontra-se dolorida adota uma posição antálgica, uma contratura em concêntrico, ocasionando um equilíbrio global disfuncional ao individuo.

Pensemos; se o Iliopsoas se encontra em contratura, apresentará, portanto, uma flexão de quadril. Essa flexão fará com que o individuo perca seu apoio máximo ao solo, dificultando assim seu equilíbrio postural.

Com essas alterações, o indivíduo adota ainda uma posição de adução e rotação interna do quadril.

Estando ele em posição de flexão, atuará juntamente com a Cadeia de Flexão com os retos abdominais, adotando então uma postura Cifosante desta região. Esta cifose lombar leva o ilíaco em uma posterioridade.

Caso a posterioridade seja bilateral, apresentará uma retroversão pélvica. A partir de toda essa disfunção podemos pensar num ponto fixo do Psoas a nível lombar em sua origem.

Mas este músculo de tamanha complexidade também pode atuar juntamente `a Cadeia de Extensão. Neste caso o ponto fixo agora se faz a nível de quadril, uma vez que a perna/ pé estão com apoio ao solo.

Nesta parceria junto a cadeia extensora, o indivíduo apresentará uma lordose lombar. Nessa manutenção do apoio ao solo concomitante a flexão de quadril causada pela contratura do Psoas, quem atua como antagonista será o grande dorsal contralateral assumindo então esta postura lordosante.

Isso acontece na tentativa de harmonizar o eixo postural e garantir que não haja lesão por força excessiva rotacional das vértebras.

Este ponto fixo no quadril, mais precisamente periarticular à cabeça do fêmur, poderá nos mostrar um estado de coxoartrose. Uma das causas é o excesso de forças constantes nesta articulação.

Essas contraturas periarticulares desta região se fazem afim de limitar a mobilidade do quadril dentro um perímetro antálgico.

Em resumo

Ponto fixo na lombar = Psoas atuando com cadeia flexora = Cifosante lombar

Ponto fixo no quadril = Psoas atuando com cadeia extensora = Lordosante Lombar

Assim sendo, deduzimos que este músculo em seu trajeto terminal (trocanter menor) onde há maior concentração de suas fibras musculares, responde tanto à estabilidade quanto a mobilidade do quadril.

Ainda sim, existe um grupo muscular que atua em conformidade com o Iliopsoas.

São os obturadores:

– Obturador Interno:

Origem: Face Interna do ilíaco em torno do forame obturador

Inserção: Sobre a face interna do trocanter maior, na fossa trocanteriana, na parte superior do colo do fêmur. Na parte isquiopubiana ele se entremeia com gêmeo superior e gêmeo inferior.

Ação: Dado como um flexor de quadril colaborando com o iliopsoas neste momento e como um abdutor e rotador externo de quadril, também analisado como retroversor de quadril.

– Obturador Externo:

Origem: bordas do forame obturador

Inserção: passa abaixo e atrás da cabeça do fêmur, em torno do colo femoral.

Ação: Este músculo dado como flexor de quadril, abdutor e rotador externo e também considerado um anteversor da pelve, tem como sua principal função dado a sua anatomia e fisiologia, um facilitador da centragem da cabeça do fêmur, quando atua em sinergia com o psoas.

Ora, lembremos, o Psoas passa a frente da cabeça femoral e o obturador externo passa atrás da cabeça femoral, portanto trabalhando juntos em sinergia, centralizam esta peça anatômica.

A ação do obturador externo e do Psoas, além de flexão, resultam em conferirem coerência articular, funcionam como um ligamento ativo para a coxofemoral.

Quando em movimento amplo desta articulação como numa flexão de quadril intensa e rápida, onde a cabeça do fêmur poderia ressaltar, entram em ação esses músculos a fim de estabilizar, centralizar essa porção femoral.

Em extensão de quadril feito de maneira ampla e intensa, este movimento produzido por bailarinos por exemplo, é freado pelo enrolamento dos tendões flexores do iliopsoas e obturador externo em torno do colo e da cabeça do fêmur, a fim de evitar uma lesão.

Esses músculos podem ser considerados verdadeiros ligamentos ativos desta articulação.

SUSPENSORES

Alem de toda essa complexidade e funcionalidade brilhante, os obturadores ainda exercem papel de suspensores da pelve.

Como pode diante da ação da gravidade e o peso corporal (variável a cada individuo), a cabeça do fêmur se apresentar ainda em sua conformação redonda e uniforme?

Se faz necessário um sistema de suspensão que seja capaz de absorver estas forças descendentes (ação da gravidade por exemplo e ação do peso normal) e ainda dividi-la por toda a articulação.

Os obturadores possuem uma bainha mais espessa com grande quantidade de tecido conjuntivo no ventre muscular.

Se analisarmos com cuidado, estes músculos abraçam o forame obturador formando um anel, anéis de suspensão. Através de suas características conjuntivas, estes são músculos que respondem bem as forças estáticas também assegurando qualidade da conformação óssea da cabeça do fêmur (cabeça esférica), caso ao contrario poderíamos verificar um “platô femoral”.

O estudo aprofundado e a compreensão do corpo humano através da anatomia, fisiologia e biomecânica sempre nos dará norte para um bom entendimento da funcionalidade deste corpo e uma boa conduta terapêutica.

Conclusão

Como vimos várias forças atuam na pelve, além das já conhecidas forças musculares, forças essas que em desorganização causarão as mais diversas alterações na mecânica corporal, logo faz-se necessário uma boa avaliação afim de reconhecermos a disfunção mecânica geradora da dor, sem negligenciarmos as questões emocionais descritas por madame Godelieve Denys Struyf. Só então, solucionaremos a alteração mecânica na sua raiz.

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Referências:

Busquet L. As cadeias musculares- membros inferiores. Vol 4. Ed. 2. Belo Horizonte; 2001

Cintas, Janaina. Cadeias Musculares do Tronco: Evolução biomecânica das principais cadeias. Sarvier. São Paulo, 2016.

Zambenedetti, H. W.; Oliveira, G.A.; Tamelini, B.H.M.; Junior, F.S.M. Escanometria dos Membros Inferiores: revisitando Dr. Juan Farill. Colégio Brasileiro de Radiologia e diagnostico por Imagem. Vol 40 n 2. Mar- Abr, 2007.

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