O conhecimento das cadeias musculares e da globalidade do corpo é essencial para conseguirmos melhorar nosso atendimento. Ele só foi atingido graças ao trabalho incansável de diversos cadeístas que trouxeram os conceitos que usamos até hoje nos mais variados tipos de tratamentos.

Conheça 5 cadeístas que moldaram a visão atual de cadeias musculares e entenda um pouco mais do seu trabalho!

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1) Tom Myers

Ao estudar as cadeias musculares encontramos os trabalhos de Tom Myers sobre as linhas do braço. O autor expôs seu conceito na obra Trilhos Anatômicos. É nele que Myers descreve as linhas, que ele denomina de trilhos anatômicos.

Apesar de existirem diversos conceitos mostrados na obra, aqui só vamos discutir as linhas do braço. Elas possuem diversas funções no corpo, incluindo postural e de movimento.

Sua principal função é postural por causa do seu peso e diversas ligações com atividades diárias.

A tensão que existe na parte do cotovelo afeta o meio das costas. Já um ombro mal posicionado pode levar a uma resistência significativa sobre:

  • Costelas
  • Pescoço
  • Função Respiratória
  • Outros

Conseguimos compreender melhor as linhas do braço quando entendemos as funções dos membros superiores. Eles estão envolvidos em diversas atividades diárias. Isso inclui movimentos bem simples como puxar uma cadeira para sentar, até levar o alimento à boca e pentear os cabelos, o que envolve muito os membros superiores.

Existem linhas que exercem a função de estabilizar e permitir mobilidade durante esses movimentos. Existem diversas compensações posturais que estão relacionadas às linhas do braço. Elas provocam várias disfunções do ombro e também acontecem no braço e mãos.

Os ombros com compensações costumam estar:

  • Protraídos
  • Retraídos
  • Levantados ou “Curvados”
  • Rotação Medial
  • Inclinação Anterior da Escápula (MYERS, 2016, PAG 175)

Outras falhas posturais e de sustentação na cadeia levam a:

  • Lesões na Região do Túnel do Carpo
  • Lesões no Cotovelo e Ombro
  • Dor Muscular
  • Pontos-Gatilho

2) Madame Mezieres

A segunda dos cadeístas que vou apresentar é Madame Mézières. Sua proposta surgiu em 1947 na França, esse era o nascimento do método das Cadeias Musculares.

O método surgiu de suas observações clínicas e de um insight que ocorreu enquanto atendia uma paciente. O caso era de uma cifose dorsal com uso de colete estabilizador.

Ao tentar mobilizar a região dorsal, os ombros realizaram uma compensação, apesar de não estarem sendo manipulados. Posteriormente, a terapeuta solicitou uma retroversão ativa para diminuir a lordose lombar da paciente. Novamente, aconteceu uma compensação. Dessa vez houve um aumento da lordose cervical.

Para corrigir a posição cervical, solicitou um auto crescimento ativo. Após essa última manobra ocorreu um bloqueio inspiratório na paciente.

Ao observar o caso, Mezières concluiu que sua paciente possuía rigidez muscular com perda de autonomia individual dos segmentos. A correção local de cada parte compensada era impossível comprometer todas as lordoses e gerar encurtamento.

Assim surgiram suas leis.

Primeira Lei de Mézières

Madame Mézières só admitia a existência de lordoses. Para ela, o crédito de comprimento ganhado nessa cadeia era enganoso e podia ser recuperado em alguma das extremidades.

Segunda Lei de Mézières

Existe a cadeia posterior que se comporta como um único músculo. Todos os demais músculos seguem suas ações. Atualmente existem outros cadeístas que discordam dessa visão de uma única cadeia posterior.

Terceira Lei de Mézières

A musculatura da cadeia muscular posterior seria sempre forte demais, curta demais e potente demais. Isso aconteceria por causa de algumas características da cadeia, como:

  • Dominante
  • Estruturalmente Profunda e Multiarticular
  • Funcionalmente Estática (Tônica)
  • De Controle Neurológico Central Inconsciente
  • Estruturada para um Trabalho de Sustentação Antigravitacional

Quarta Lei de Mézières

Para conseguir realizar um tratamento global da cadeia, é necessário conter todas as suas compensações.

Quinta Lei de Mézières

As cadeias devem aceitar a postura excêntrica. Madame Mezières também acreditava na existência de um conjunto de cadeias que eram sinérgicas a cadeia posterior. Ela também acreditava que a cadeia posterior não se cruzava no corpo.

Sexta Lei Mézières

Esforços musculares são capazes de bloquear a respiração.

3) Marcel Bienfait

Madame Françoise Mezières formou diversos seguidores, entre eles estava Marcel Bienfait.

Esse aluno acabou tornando-se um importante estudioso da postura estática e um dos grandes cadeístas. Além de seguir das cadeias propostas por Mezières, ele também defendia que existia necessidade de realizar a reeducação estática local.

Para ele, o uso indiscriminado do conceito de globalidade estava levando a uma negligência da postura estática. Em 1975 ele começou a estudar em Osteopatia Iniziagli, mais tarde juntando seus conceitos a terapia manual. Essa técnica já era ensinada no Brasil, na França e na Itália desde 1980.

Marcel Bienfait não desenvolveu seu próprio método pessoal, mas sim adaptações dos tratamentos de fisioterapia. Elas foram feitas para incorporar avanços da fisiologia moderna e alcançar melhores resultados.

Considerando seus conceitos de fisiologia moderna, Marcel Bienfait escreveu diversas publicações a respeito de terapia manual.

Seu trabalho teve sucesso e foi traduzido para vários idiomas. Desde 1998 suas obras já fazem parte da literatura mais consultada por estudantes universitários de fisioterapia no Brasil.

Apesar de considerar o conceito de globalidade proposto por Madame Mezières brilhante, Marcel Bienfait percebeu que ele vinha sendo usando indiscriminadamente. Seu uso acabava escondendo deficiências anatômicas e fisiológicas dos terapeutas ao invés de revelá-las e tratá-las.

Diferença entre Marcel Bienfait e Mezières

Marcel Bienfait não discordava das posturas de Mezières, porém discordava da origem das deformações. De acordo com seus estudos, elas surgiriam a partir de:

  • Músculos
  • Aponeuroses (foi o primeiro a descrever manobras fasciais)
  • Disfunção Articular

Com o tempo, esses problemas levam a uma cadeia muscular deficitária. Alguns dos problemas gerados só poderiam ser corrigidos através de tratamentos localizados.

Portanto, Marcel Bienfait propôs em usar retrações músculo aponeuróticas. Isso só poderia ser feito quando as retrações ainda estivessem em estágio de não fixação.

Depois que as fixações se transformassem realmente em fixações seria impossível revertê-las. Ele admitia que a terapia manual tem limites.

4) Philippe Souchard

Phillipe Souchard fez uma divisão entre os músculos fásicos em dois tipos de cadeias. Essas são as cadeias musculares dinâmicas e os músculos tônicos, como cadeias musculares estáticas.

Aqui encontramos uma diferença em relação ao trabalho de Madame Mézières, que não valorizava dessa maneira a questão do fortalecimento dos músculos fásicos. Philippe Souchard usou seu conhecimento para desenvolver a Reeducação Postural Global (RPG).

A RPG tem como objetivos:

  • Devolver aos músculos hipertônicos, rígidos e dolorosos a força, comprimento e flexibilidade através de posturas de alongamento ativo;
  • Alongar músculos da estática e músculos suspensores, além de encurtar músculos da dinâmica;
  • Alongar os músculos rígidos e encontrar a retração de origem através de estiramento progressivo.

Para Souchard, não existem alongamentos para grupos musculares isolados. Os músculos estão dispostos em cadeias musculares que são ligadas pelas fáscias. Portanto, não faria sentido tentar alongar músculos de maneira isolada.

Alongar isoladamente tiraria o comprimento de outra musculatura da cadeia. Ou seja, geraria compensações.

5) Madame Godelieve Denys Struyf

A última dos cadeístas que vou apresentar é Madame Godelieve Denys Struyf. Ela foi uma fisioterapeuta e osteopata importante ao estudarmos os cadeístas. Ela nasceu no antigo Congo e viveu em uma fazenda de cacau até os 16 anos. Por ser de uma família belga ela retornou à Bélgica e tornou-se estudante da escola de belas artes de Bruxelas.

Como desenhista, Madame Godelieve tentava mostrar que era necessário aprender a ver. Posteriormente, ela usou essa habilidade em sua carreira como terapeuta para mostrar informações importantes.

As cadeias musculares criadas por ela são musculares e articulares. Denys-Struyf concebeu diversas posturas que mostram estados:

  • Psicofísicos
  • Personalísticos Específicos
  • Idiossincráticos

Para seu desenvolvimento, ela usou pressupostos teóricos de outros métodos, como:

  • Facilitação Neuro Muscular Proprioceptiva
  • Linha Mézièrista
  • Percepção da Coordenação Motora

Todos possuem como ponto em comum acreditar que o tecido muscular é um conjunto indissociável: o tecido fibroso.

Conclusão

Se quisermos continuar a nos aperfeiçoar como profissionais, nunca devemos deixar de estudar conceitos e teorias que podem complementar nossa atividade, através dos estudos desenvolvidos por esses cadeístas.

Esse é o caso das cadeias musculares, que tanto nos auxiliam no planejamento e execução das aulas.