Assim que acontece o diagnóstico do paciente com fibromialgia ele precisa receber um tratamento multidisciplinar para aumentar a qualidade de vida. Ela não possui cura, mas um bom tratamento consegue fornecer ao paciente a possibilidade de uma vida praticamente normal.

Durante esse processo o profissional da educação física e da fisioterapia são essenciais. A atividade física na fibromialgia é parte importante do alívio da dor e do retorno a atividades cotidianas. Por isso, como profissionais do movimento, devemos compreender e aprender a aplicar o tratamento para nossos pacientes.

Perceberemos ao longo desse artigo que o Pilates é uma excelente modalidade para quem sofre de fibromialgia, especialmente se você trabalhar com a doença da forma correta.

Como acontece o tratamento

Para compreender melhor a fibromialgia, realizei uma busca com o tempo e atividade física, exercício, fisioterapia e tratamento. Encontrei 2.531 resultados e selecionei 33 que eram relevantes para essa revisão.

Entre os estudos analisados encontrei diversas atividades aplicadas no tratamento da fibromialgia, como:

Com a aplicação do programa de intervenção, 10% a 44,2% dos pacientes dos estudos apresentaram diminuição da dor. Portanto, podemos perceber a importância de aplicar a atividade física na fibromialgia.

Nos estudos, a doença teve seu impacto reduzido entre 5,3% e 17,9%. O programa de tratamento multidisciplinar realmente é essencial para os pacientes afetados por esse mal. A atividade física é essencial e deve ser aplicar da forma mais eficiente possível para conseguirmos atingir resultados satisfatórios.

Recomendações de atividade física na fibromialgia

Um dos estudos escolhidos avaliou o treinamento de força para pacientes fibromiálgicos. De acordo com seus resultados, era sugerido que pacientes com a condição realizassem treinamento de resistência moderada ou de moderada a alta para conseguir melhora em:

Esse são resultados importantes que podem ajudar o indivíduo afetado a retornar a suas atividades. O estudo também mostrou que após oito semanas de exercícios aeróbicos, as pacientes conseguiram melhores resultados que com o treinamento de resistência em intensidade moderada.

Importância da atividade física no tratamento

Como acontece com diversos tipos de patologias e lesões, o paciente com fibromialgia pode buscar a imobilidade para escapar da dor. No entanto, devemos orientá-los para que saibam os riscos aos quais estão se submetendo para conseguir um alívio a curto prazo. Eles incluem:

  • Piora da condição física;
  • Redução de força e flexibilidade muscular;
  • Menor produção de neurotransmissores;
  • Aumento da debilidade e do cansaço.

É exatamente por esse motivo que a prática de atividades físicas regulares precisa ser incluída no tratamento de pacientes fibromiálgicos. Ela ajuda a reduzir a intensidade da dor e fadiga, dois os sintomas mais incapacitantes da doença.

Ao aplicar a atividade física na fibromialgia conseguimos resultados, como:

  • Diminuição da tensão muscular;
  • Diminuição do estresse e ansiedade;
  • Maior facilidade do sono;
  • Melhor coordenação motora para atividade do dia a dia;
  • Melhor postura;
  • Controle do peso e melhora na autoestima;
  • Melhor qualidade de vida no geral.

Qual é o melhor programa de treinamento?

Pacientes com fibromialgia precisam de um programa de treinamento completamente individualizado. As atividades utilizadas variam de acordo com a condição física e psicológica do indivíduo. Também é importante levar em consideração suas habilidades e preferências por atividades físicas para evitar a desistência durante o programa.

O paciente nunca poderá deixar de praticar a atividade física na fibromialgia para manter seus benefícios. Por isso, é importante que ele escolha algo que seja capaz de realizar com prazer.

Inicialmente os exercícios devem ser feitos com nenhuma ou mínima carga. A progressão desses pacientes é lenta e em pequena quantidade, mas deve ser realizada diariamente. Crie uma sequência programada para conseguir evoluir o aluno de forma planejada.

Movimentos extenuantes devem ser evitados nesse tipo de tratamento. Avise ao seu paciente que, a curto prazo, talvez ele sinta piora na intensidade das dores. Porém esse estado é passageiro e os benefícios mais tarde são grandes. Passando os primeiros dois meses de atividade as dores regridem e seu aluno começará a perceber o bem-estar.

Como dito anteriormente, o ciclo de dor musculoesquelética gerada por imobilidade, só poderá ser quebrado se exercitando. Isso deve estar bem claro, caso contrário será um forte fator desmotivador para nosso paciente.

Passo 1: Correção postural do aluno

Começamos nosso primeiro passo como aconteceria em qualquer tratamento: com uma excelente avaliação. Precisamos descobrir as compensações mecânicas que o corpo em postura antálgica criou e eliminá-los. Para isso usamos técnicas, como terapia manual e fisioterapia clássica.

Utilize a técnica que preferir para conseguir alcançar o alinhamento corporal do paciente. Quanto menos alterações posturais ele tiver, menores as chances de desenvolver dores mecânicas com o início do treinamento.

Nessa fase as dores mecânicas já começaram a aparecer e podemos aproveitar para eliminá-las em parte e melhorar o quadro do indivíduo. Antes mesmo de terminar as correções posturais, podemos começar a introduzir também a atividade física na fibromialgia, mas de forma gradual.

Passo 2: Início da atividade física

O paciente é sempre quem deve escolher a modalidade de atividade física que deseja praticar. Ele também precisa passar por uma reeducação de hábitos para conseguir inseri-la na rotina. Se o exercício não o agradar existem grandes chances do paciente desistir da prática com o tempo.

Os exercícios podem começar com uma frequência de 3 vezes por semana. No entanto, as sessões de treinamento são especiais, precisando ser mais curtas e com poucas repetições.

Ao contrário do que ocorre em treinamentos convencionais, não queremos fadigar grupos musculares específicos. Ou seja, não devemos separar aulas específicas para certos grupos musculares. O ideal é que todas as aulas sejam globais para facilitar o movimento fisiológico.

Podemos começar a trabalhar mobilidade articular, por exemplo. É uma forma de treinamento que não fadiga os músculos e ajuda o paciente a melhorar sua movimentação.

Fases da aula inicial

Sugiro que quem está trabalhando com pacientes em fase inicial de tratamento escolha aulas com uma primeira parte de meia hora. O restante da aula pode ser usada para aliviar as dores mecânicas trazidas pelo treinamento. Lembrando que isso só é aplicável para os casos de fibromialgia.

Você pode realizar, por exemplo, meia hora de Pilates seguido de meia hora de fisioterapia. A segunda parte da aula não seria “relaxamento”, mas sim a aplicação de técnicas para o alívio da dor. Esse aluno precisa de um trabalho mais delicado e minucioso para evitarmos piorar seu quadro. Por isso considero essa divisão da aula ideal.

No início do tratamento o paciente também precisa começar as atividade aeróbicas. Vimos no estudo citado anteriormente que o aeróbico é o que mais traz benefícios para o indivíduo com fibromialgia. No entanto, na primeira fase do tratamento o paciente pode experimentar um pouco de dor causada pelo treinamento. Ele precisa ser muito bem educado para ter a disciplina de perseverar e colher os benefícios da atividade física.

O exercício aeróbico deve ser escolhido pelo paciente e ser praticado pelo menos 3 vezes por semana. Observem que nesse momento, nosso paciente terá 6 sessões semanais de treino, com somente um dia de descanso semanal.

Passo 3: Diminuindo a fisioterapia

Passada a primeira fase de treinamento e atividade física na fibromialgia nosso aluno está com um condicionamento muito melhor. Nesse momento ele já observa os resultados através de melhor em:

  • Circulação;
  • Sono;
  • Estresse;
  • Capacidade de oxigenação.

Através dessa melhora o aluno torna-se capaz de realizar mais exercícios de força e com um desempenho muito melhor. Ele também começa a retornar às atividades da vida diária.

A próxima fase do treinamento começa depois de 8 semanas de tratamento inicial. Lembra que dividimos a aula em duas partes, uma com treinamento e outra com fisioterapia para aliviar a dor? Agora precisamos realizar um tipo de “desmame” no paciente diminuindo gradualmente a fisioterapia.

Depois da oitava semana de tratamento começamos a aumentar a cada sessão o tempo dedicado a exercícios de força, flexibilidade e mobilidade. O tempo dedicado a manipulações, terapia manual e fisioterapia diminui.

Passo 4: Transição no tratamento

No fim de doze semanas conseguimos finalmente evoluir o tratamento para treinamento. Nesse momento a fisioterapia já não deve mais fazer parte das aulas e realmente temos um aluno de Pilates, funcional ou qualquer outra modalidade.

É nessa fase do tratamento que podemos começar a alterar seu programa. Sugiro o seguinte protocolo (que deve ser alterado de acordo com as especificidades do seu paciente):

  • Exercícios aeróbicos 3 vezes por semana
  • Trabalho de força 2 vezes por semana
  • Sessão fisioterápica 1 vez por semana

Conclusão

O mais importante para os profissionais que assumirão o caso é não se desmotivarem diante das recaídas de dor ou quadros de depressão do doente. Devemos quebrar esse ciclo de retroalimentação devido à falta de neurotransmissores ligados ao prazer.  Para isso, temos que estar atentos a essas recaídas e sabermos que farão parte de nosso trajeto.

 

 

Bibliografia