Evoluir para movimentar! Movimentar para evoluir!

Evoluir para movimentar! Movimentar para evoluir!

Falar sobre a importância da prática de atividade física regular é algo extremamente batido e antigo. Acredito que todo mundo já recebeu, ou convive com alguma pessoa que já tenha recebido, um “puxão de orelha” por estar sem se exercitar com regularidade.

Muitos têm na ponta da língua a resposta de que está sem tempo, de que não consegue parar nunca para se exercitar. A vida, o trabalho são tão corridos, consomem tanto a energia, que não sobra nada para os exercícios.

Pois bem, que a vida está corrida nós também sabemos e isso também é uma frase “batida” e antiga. Porém esse tempo tem que existir! E vou justificar de maneira bem simples, basta prestarmos um pouco de atenção no nosso corpo. 

Continue lendo para aprender sobre a importância do movimento, confira!

O corpo em movimento

Não é necessário saber sobre anatomia, fisiologia, biomecânica, assim como também não se faz necessário o estudo profundo da evolução da espécie humana para entender o porquê temos que achar o bendito tempo para praticar algum tipo de atividade física, ou melhor dizendo, o tempo para proporcionar uma variedade de movimentos para todo o nosso corpo. 

Em nosso organismo nada está parado. Todas as estruturas se movem o tempo todo. 

O coração bombeia  o sangue que percorre por todo corpo, oxigenando e nutrindo cada estrutura. 

Os pulmões que filtram e renovam o ar. 

Os músculos que estão por todo o corpo, contraindo desde o movimentos dos olhos enquanto estamos “parados” assistindo à televisão, por exemplo, até durante uma corrida ou qualquer outra prática de atividade física.

Enfim, realmente não paramos nunca!

Agora, para trazer ainda mais sentido à ideia de que o movimento deve fazer parte da rotina de todo mundo, podemos voltar a alguns bilhões de anos e lembrar da evolução da nossa espécie.

Sim, hoje somos quem somos e temos nossas habilidades por conta da evolução da espécie humana. 

Passamos pela tal seleção natural! Os fortes sobreviveram, os que melhor se desenvolveram e se adaptaram às diferentes condições (clima, alimentação, reprodução, locomoção, e por aí vai.), procriaram, aumentaram o clã e seguiram evoluindo.

Em todos esses longos anos de evolução, sobrevivemos pois fomos adquirindo mais habilidades, mais capacidade de adaptação, de sobrevivência, desenvolvemos melhores estratégias de movimento tanto para caçar e fugir quanto para nos locomovermos para encontrar o melhor local para nos instalarmos. 

E durante todo esse processo evolutivo não podíamos nos dar ao luxo de sermos inativos. 

Precisávamos caminhar, correr, saltar por muitos quilômetros até encontrar e conseguir caçar a presa e depois carregar para levar o alimento para casa e alimentar o bando. 

Precisávamos fugir dos predadores, subir em locais mais altos, agachar, enfim, precisávamos nos movimentar infinitamente mais do que precisamos nos dias de hoje. 

A distância da geladeira até a mesa de jantar, é bem menor do que os quilômetros que percorremos na Savana.       

Lembrando disso, fica evidente que nosso corpo é preparado para aguentar atividades generalistas e de grande intensidade, apenas temos que favorecer esses movimentos e deixar um pouco de lado toda tecnologia que fez surgir a tendência de sermos inativos cronicamente.

Ser cronicamente inativo é anormal e patológico (Santurbano e Liberman).

Outra questão bastante interessante de pontuarmos é sobre conseguir ou não conseguir mais fazer determinadas posturas e movimentos. 

Não precisamos ir muito longe no passado, vamos pensar em uma criança, um bebê de quase um ano de idade que está aprendendo andar.

Ele agacha e fica de cócoras, ele levanta e senta com grande facilidade, corre, escala, enfim, faz movimentos que evoluímos fazendo e que com o desenvolvimento da tecnologia deixamos de fazer e, muito pior, estamos evitando que as crianças de hoje em dia façam!

E a consequência disso? Estamos criando adultos e idosos medrosos, com medo de movimentar-se. 

Idosos cada vez mais dependentes de adaptações nos espaços físicos, dependentes de dispositivos auxiliares como bengalas e andadores, vasos sanitários mais altos, entre outros recursos.

E olhem só, em 2015, em um artigo publicado por West BA, foi possível afirmar que o que dispositivo auxiliar para marcha pode limitar mobilidade e aumentar o risco de queda.

Nossos idosos têm medo de cair pois não sabem mais como movimentar-se no chão, perderam a habilidade de rolar, ajoelhar, perderam a mobilidade, a força, o equilíbrio.

Tudo isso por causa da idade? Não, pela falta de estímulos! Pela falta de movimento na rotina ao longo da tal vida corrida! 

O exercício diminui o risco de queda em idosos (Tricco, AC, et al. 2017) e também pode diminuir ou prevenir incapacidade em idosos vulneráveis (Pahor M, et al, 2014).

Fica meu alerta para quem convive com crianças: deixem as crianças livres para se movimentar. Deixem que elas encontrem as estratégias para alcançar aquele brinquedo mais alto ou distante. 

Deixem que elas abaixem para procurar o que caiu embaixo do sofá e que o escalem depois para sentar. Claro que sempre de maneira segura.

Deixem as crianças livres! Vamos criar futuros idosos saudáveis, menos dependentes.

Os ganhos na infância preparam o corpo para a vida adulta! As habilidades são aprendidas e acumuladas, por isso devemos começar o quanto antes. Vamos?

OK! Legal! Quero colocar tudo isso em prática! Existe alguma atividade física que seja melhor, mais indicada de praticar?

Não ao meu ver. Para mim, a melhor forma de você se movimentar é aquela a qual você melhor se adapta, a que você mais gosta e a que mais combina com o seu estilo de vida e seus objetivos. 

Seja o Pilates,  Yoga, caminhada, corrida, Crossfit, natação, enfim, em qualquer prática física é importante que seja algo que lhe dê prazer em praticar, que promova bem estar e favoreça a saúde, que não cause dores que te impossibilite de fazer suas atividades diárias ou que provoque a reincidência de dores que já haviam melhorado.

Minha dica é que sempre tome cuidado com o local e profissional que irá orientar sua prática. Pesquise sobre, busquem qualidade!

Respeite sempre seu corpo, seus limites e condições.

Busque equilíbrio, pois um corpo biomecanicamente mais equilibrado deve aguentar à toda e qualquer demanda.

O movimento trata! O movimento cura! Movimente-se.