Existem diversos motivos para o surgimento de uma escoliose idiopática. Como esse é o tipo de escoliose mais comum nos consultórios e nos Studios de Pilates é importante compreendê-las. A causa da Escoliose pode ser por:

  • Déficit do Controle Postural dado pelo Sistema Nervoso Central (SNC)
  • Desregulação de Melatonina (Hormônio de Crescimento)
  • Distúrbios Biomecânicos
  • Déficits de Colágeno

Quando existe uma escoliose, também há uma vértebra ápice de origem. O desvio também acontecerá sempre nos três eixos de movimento, fazendo com que seja uma deformidade tridimensional.

De acordo com o Método de Cobb já podemos considerar o desvio uma escoliose acima de 10º.

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Só tome cuidado para não considerar toda atitude escoliótica como escoliose. Essa atitude é diferente da escoliose e está presente em quase todo mundo. Ela existe quando há diferença real de comprimento de membros inferiores e desaparece quando colocamos o paciente na posição horizontal.

Teste de Flexão Sentado (TFS)

Para determinar se existe ou não a escoliose é preciso fazer o teste de flexão sentado (TFS). Ele é realizado da mesma maneira que o TFP, porém colocamos o aluno sentado para eliminar a interferência de membros inferiores.

A causa da Escoliose e sua origem pode ser:

  • Idiopática – Ligada à Genética
  • Neuromuscular
    • Paralisia Cerebral
    • Poliomielite
    • Síndrome de Down
    • Geradas pela Alteração de Tônus frequentes nas Patologias Neurais
  • Congênitas – Relacionada à Má Formação das Vértebras
    • Fusões
    • Aumento do Número de Vértebras

Quando falamos em escoliose, sempre haverá uma vértebra ápice de origem, e sempre ocorrerá nos três eixos de movimento. É, portanto, uma deformidade tridimensional. Pelo Método de Cobb acima de 10 graus já temos uma escoliose instalada.

Pela lógica das cadeias musculares primeiro teremos o tensionamento das cadeias retas do tronco. Entenderemos agora como funciona essa tensão e sua influência na escoliose.

Tensão das Cadeias Musculares Retas do Tronco

Nesse caso a vértebra ápice está localizada na coluna torácica e inicia a tensão pelas cadeias musculares retas. Se existe tensão da cadeia flexora do tronco teremos uma hipercifose torácica.

Já uma tensão na cadeia extensora do tronco gera um apagamento da cifose torácica e inclinação lateral do corpo para o lado côncavo da escoliose.

Nos casos de escoliose lombar uma cadeia flexora de tronco tensionada diminui a lordose lombar. Quando existir uma tensão na cadeia extensora do tronco a lordose lombar aumenta.

No caso da escoliose a tensão será unilateral, o que gera a inclinação lateral para o lado côncavo.

Tensão das Cadeias Musculares cruzadas do Tronco

Após a tensão das cadeias retas, as cadeias cruzadas também se tensionam. Se existir tensão na cadeia muscular cruzada de flexão à direita na escoliose torácica o tronco roda à direita.

A vértebra ápice segue esse movimento, o que gera uma gibosidade para o lado direito.

Se a tensão estiver na cadeia cruzada de flexão à esquerda a metade superior do tronco também roda à esquerda. A gibosidade criada a partir da rotação da vértebra ápice também surge à esquerda.

O caso muda quando a tensão está nas cadeias musculares cruzadas de extensão. Nesse caso, o esquema de rotação vertebral se inverte.

Se a cadeia muscular cruzada de extensão à direita estiver tensa, teremos um tronco rodando à esquerda com gibosidade do mesmo lado. O mesmo acontece com a cadeia cruzada de extensão à esquerda. O tronco apresenta uma rotação à direita com gibosidade do mesmo lado por causa da rotação da vértebra ápice.

Na escoliose lombar a lógica de rotação inverte. Isso acontece porque a curva fisiológica da lombar é contrária, ou seja, lordótica. Se a cadeia muscular cruzada de flexão à direita estiver tensionada a rotação acontece para a direita.

A tensão da cadeia muscular cruzada de flexão à esquerda gera rotação do tronco à esquerda também.

Causa da Escoliose de Acordo com seu Tipo

Escolioses Ascendentes

Uma escoliose ascendente segue uma lógica de compensações de baixo para cima. Portanto, a causa da escoliose nesse caso começa pelos pés, assim como nossa avaliação. Nessa hora é bom nos atentarmos à classificação de Risser.

O chamado de sinal de Risser é uma medida para avaliar a maturidade esquelética de acordo com a ossificação das epífises ilíacas. A maturação acontece de forma anterolateral para posteromedial.

Quanto menor for a ossificação das estruturas, maior será a imaturidade esquelética. Numa escoliose, a imaturidade esquelética quer dizer alta probabilidade de progressão do desvio da coluna.

A evolução da classificação de Risser I até V costuma demorar cerca de 2 anos. Existem 5 estágios:

  • I – 25% de Ossificação
  • II – 50%
  • III – 75%
  • IV – 100%
  • V – Fusão

Quero fazer uma observação a respeito dos exames de imagem para avaliar e diagnosticar uma escoliose. Eles precisam ser completos e mostrar todas as informações relacionadas à maturação óssea da coluna. Elas são indispensáveis para avaliar o paciente com escoliose e determinar o melhor tratamento.

Quando um paciente apresenta graus de maturidade óssea muito baixos é provável que sua curva escoliótica evolua. Portanto, devemos direcionar o tratamento para conter a evolução da curva durante o período de maturação das estruturas ósseas.

As curvas escolióticas mais preocupantes são aquelas que envolvem cadeias cruzadas do tronco. Elas estão mais ligadas às rotações.

Escolioses Descendentes

As escolioses descendentes seguem uma lógica de compensações que descem.

Portanto, essas escolioses estão bastante relacionadas a disfunções temporomandibulares (DTM). Alguns pacientes podem até desenvolver escoliose por usar aparelhos corretivos ortodônticos nos dentes.

Isso gera uma nova força craniana que altera todo o esquema muscular de maneira descendente.

Conclusão

Sabemos que os desvios posturais causam uma série de alterações biomecânicas no corpo.

A escoliose é um desvio particularmente complexo, que está relacionado a alterações e tensões nas cadeias musculares do tronco. Para conseguir compreendê-lo e tratá-lo precisamos também entender como acontecem essas alterações para conseguir liberar áreas de tensão importante.

Quer aprender mais sobre essa patologia e a causa da escoliose? Confira meu artigo sobre o tratamento desse desvio com as cadeias musculares.

Bibliografia
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  • O sucesso do Brace está relacionado ao tipo de curva em pacientes com escoliose idiopática adolescente.
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