A Dor Pélvica Crônica (DPC) não é muito conhecida pela população, principalmente por afetar uma região em que as pessoas ainda tem limitações em falar.

Além disso, o profissional de saúde sente dificuldades em avaliar o assoalho pélvico, tanto em homens como mulheres.

Como em qualquer quadro de dor, a DPC altera a postura, qualidade de vida e até afastamento das atividades pessoais e diárias de quem sofre com ela.

Neste artigo iremos abordar esse assunto, com o objetivo de alertar os profissionais a avaliar a região de assoalho de seus pacientes pois temos que olhar globalmente para eles.

Além de que pode-se achar alterações posturais em que apresenta a dor pélvica crônica e como esses achados são importantes para o processo de reabilitação de nossos pacientes.

Quer saber mais sobre o assunto? Então continue lendo o texto!

Entendendo a Dor Pélvica Crônica (DPC)

A dor pélvica crônica (DPC) é definida como dor pélvica não menstrual ou não cíclica, com duração de pelo menos seis meses, suficientemente intensa para interferir em atividades habituais e que necessita de tratamento clínico ou cirúrgico.

A etiologia não é clara e, usualmente, resulta de uma complexa interação entre os sistemas gastrintestinais, urinário, ginecológico, músculo-esquelético, neurológico, psicológico e endócrino, influenciado ainda por fatores socioculturais. (1)

Nos Estados Unidos a prevalência maior se dá em mulheres na faixa etária de 15 a 73 anos de idade.

Dessas, 60% nunca receberam o diagnóstico de forma correta e 20% não receberam qualquer investigação sobre a causa da dor. Com isso, são gastos cerca de 2 bilhões de dólares por ano para o tratamento – seja clínico ou cirúrgico.

No Brasil não se tem um número exato dessa prevalência, provavelmente pela falta de diagnóstico preciso e também pela falta de tratamento a esse tipo de queixa, mas estima-se que seja superior do que nos países desenvolvidos.

Alguns estudos tentam identificar fatores de risco para a doença, mas os resultados são conflitantes, o que é, em parte, explicado pela particularidade dos dados epidemiológicos de cada localidade e pela falta de qualidade no acesso as informações de estudos. (1)

De etiologia multifatorial, a dor pélvica crônica (DPC) vem sendo associada a várias patologias pela interação de múltiplos sistemas e pelo fato da pelve ser composta de inúmeras vísceras.

A dor pode ser irradiada para toda a pelve, refletindo-se em dor vaginal, perineal ou nas articulações sacroilíacas, o que pode induzir ao desenvolvimento de trigger points e dor miofascial.

Principalmente na musculatura do assoalho pélvico. Além disso, a dor pélvica crônica (DPC) pode receber influência de fatores psicológicos e socioculturais. (2)

Fisiopatologia

Há fortes indícios de que a fisiopatologia da dor pélvica crônica (DPC) e de outras condições dolorosas crônicas envolve a presença de fatores geradores de dor periféricos, muitas vezes não identificados no momento do diagnóstico.

Além da sensibilização do Sistema Nervoso Central (SNC), no qual ocorre uma alteração do processo central da dor.

Observa-se a amplificação da percepção da dor, alodinia, sensibilização de outras estruturas anatômicas, e uma série de respostas emocionais e cognitivas que participam da manutenção da dor. (3)

Vários são os mecanismos que corroboram para a manutenção e/ou evolução da dor pélvica crônica (DPC). Entre eles podemos citar:

  1. Mudanças neuroplásticas que ocorrem no corno posterior da medula espinhal em consequências das mudanças eletrofisiológicas, bioquímicas e metabólicas promovidas pelo estímulo nocivo inicial, o que leva a inflamação neurológica devido a liberação de fator de crescimento neural e substância P na periferia, local de origem do estímulo, exacerbando o mesmo; (1)
  2. Sensibilidade cruzada entre vísceras que compartilham uma mesma inervação ( reflexo víscero-visceral); (1)
  3. Desenvolvimento de um reflexo víscero-muscular que pode culminar não só em repercussões disfuncionais, como dificuldade miccional ou incontinência urinária, mas também no desenvolvimento de síndrome miofascial e geração de novos pontos de dor. (1)

Diagnóstico

Quem sofre com a dor pélvica crônica pode chegar até o profissional do movimento quando indicado pelo médico, ou já é nosso cliente e relata queixas como dor em locais como lombar, cócxix, quadril – por exemplo -, e o profissional, trata e ao reavaliar ver que não houve melhora do quadro.

E isso nos intriga, não é verdade ?

Como falado anteriormente, por ser de etiogenia multifatorial, o diagnóstico fica difícil, mas sabemos que deve ter um diferencial, para retirar doenças e começar a tratar de forma que traga benefício ao paciente.

A seguir, você pode conferir um quadro com essas patologias que inserem a dor pélvica crônica como sintoma.

No caso da dor pélvica crônica, o profissional do movimento deve encaminhar seu paciente ao médico para ter um diagnóstico nosológico mais preciso e trabalhar em equipe. Pois em casos mais graves pode entrar a ajuda do psicólogo quando afeta o dia a dia do paciente.

É de extrema importância que o profissional do movimento faça a consulta que seja composta de:

  1. Entrevista com toda história clínica;
  2. Mensuração do quadro de dor (seja por escala visual de dor ou através de questionários);
  3. Exame físico e avaliação postural – pois devido a dor podemos encontrar alterações posturais por proteção, como também  pode ser a causa da dor em caso da dor miofascial, por exemplo.

Devemos encaminhar se possível ao fisioterapeuta que possua formação em uroginecologia para um exame mais detalhado do assoalho em caso de dúvida (recomendo esse encaminhamento), pois o tratamento será mais bem direcionado.

Tratamento da Dor Pélvica Crônica

Após todas a avaliações, a dor pélvica crônica pode ser tratada, com :

Conclusão

A dor pélvica crônica (DPC) tem que ser levada a sério por todos os profissionais do movimento, ao se fazer uma avaliação adequada e trabalhar em equipe a qualidade de vida de nossos pacientes melhorará, fazendo que realizem suas atividades diárias e profissionais.


Este artigo foi escrito por: Waleska Braga Buarque

  • Formação superior em Fisioterapia – Universidade de Ciências da Saúde (Maceió/AL)
  • Termoscopia e Termografia Clínica – Mundo da Fisioterapia – 2019.
  • Cadeias Musculares e Avaliação Postural – Voll Pilates – 2019.
  • Biomecânica do Pilates – Janaína Cintas – 2018
  • Programa de Educação e Treinamento em Dor – Artur Padão – 2018
  • Congresso Norte Nordeste de Ortopedia e Traumatologia – SBOT – 2018
  • Congresso Voll Pilates – Voll Pilates – 2018
  • Formação em Fisioterapia Uroginecológica – Clinfis – 2018
  • Terapia Psicosomática da Dor – Mundo da Fisioterapia – 2018
  • Formação em Liberação Miofascial por Instrumentos – Mundo da Fisioterapia – 2017
  • Ventosaterapia – Mundo da Fisioterapia – 2017
  • Crochetagem Mioaponeurótica – Mundo da fisioterapia – 2016
  • Dry Needling – Mundo da Fisioterapia – 2016
  • Pilates Kids – Fisiociência Pilates – 2012
  • Pilates na Saúde da Mulher – CECC Cursos – 2011
  • Pilates Clássico Científico – Fisiociência Pilates –  2008
  • Massagem Ayuvérdica – Senac Cursos – 2008
  • Drenagem Linfática manual – Senac Cursos – 2008

Bibliografia

1 – NOGUEIRA, AA; REIS FJC: POLI NETO OB. Abordagem da Dor Pélvica Crônica em mulheres. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2006; 28 (12); p733-740.
2- RIBEIRO, Larissa Loyola Pereira; FORNARI, Cristiane Carbori. A Importância da Fisioterapia na Dor Pélvica Crônica Miofascial : Uma Revisão de Literatura. Revista Biomotriz, v.11, n.3, p.33-50, dez/2017.
3-  BRASIL, Ana Patrícia Avancini; ABDO, Carmita Helena Najjar. Transtornos Sexuais Dolorosos Femininos. Revista Diagnóstico e Tratamento, 2016; 21(2);89-92.
4- MIRANDA, Renata; SCHOR, Eduardo; GIRÃO, Manoel João Batista Castello. Avaliação Postural em mulheres com Dor Pélvica Crônica. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia,2009; 31(7);p.353-360.