O ombro é uma zona bastante lesionada em todos os tipos de alunos. Por ser muito instável e complexo, esse conjunto articular geralmente acaba com pouca estabilidade ou mobilidade. Além disso, existem diversos tipos de lesões e patologias que podemos encontrar no complexo do ombro.

Por isso é extremamente importante saber realizar uma boa avaliação de ombro e suas musculaturas. É exatamente esse o foco desse artigo. Entenda melhor como realizar alguns testes musculares no ombro e as musculaturas mais importantes na avaliação. Para entender tudo isso é só continuar lendo.

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Testes Musculares para avaliação de ombro

Discutimos a biomecânica do ombro em artigos anteriores, porém agora, nosso objetivo é avaliarmos os seguintes músculos:

  • Bíceps;
  • Peitoral menor;
  • Grande dorsal;
  • Manguito rotador;
  • Trapézio;
  • Serrátil.

Músculos estes que são os principais comprometidos quando a zona primaria da lesão é definida no tórax.

Bíceps

O bíceps tem por característica ser um músculo cilíndrico, fusiforme e de feixe volumoso. Possui duas porções:

  • A longa que se origina no tubérculo supraglenoidal da escápula, possui de um tendão de origem maior e mais fino.
  • A porção curta tem por origem o processo coracóide da escápula e se localiza medialmente a cabeça longa.

As duas porções se unem em um único tendão de inserção na tuberosidade do rádio, tem como ações:

  • Abduzir;
  • Rodar;
  • Aduzir medialmente o membro superior;
  • Flexionar e supinar o antebraço.

A grande falha que predispõe o bíceps a lesões ocorre por sua íntima relação com a ação dos músculos do manguito rotador. E ao fato se sua contração levar a uma elevação da cabeça do úmero.

Teste para o Bíceps

Aluno em decúbito dorsal, com 90* de flexão de cotovelo. O avaliador exerce uma pressão no antebraço do avaliado, e observar o quanto de elevação do ombro ocorrera para que o aluno sustente a contração do Biceps.

Músculos do manguito rotador

Entendendo sobre o manguito rotador. Os músculos que pertencem ao manguito rotador do ombro são:

  • Redondo menor;
  • Infra espinhal;
  • Supra espinhal;
  • Subescapular.

O redondo menor tem sua origem na borda lateral inferior da escápula inserindo-se no sulco inter escapular tendo como ação:

  • Estender;
  • Abduzir;
  • Rodar medialmente o membro superior.

O infra espinhal tem sua origem na fossa infra espinhal da escápula seguindo até o tubérculo maior do úmero e tem como função rodar e abduzir horizontalmente o membro superior. O supra espinhal, origina-se na fossa supra espinhal da escápula para também se inserir no tubérculo maior do úmero abduzindo o membro superior. Por fim o subescapular que se origina na fossa subescapular da escapula para também se inserir no tubérculo maior o úmero, afim de, rodar medialmente o membro superior.

Logo, podemos entender um funcionamento mecânico ruim do manguito rotador fixa a escápula aumentando o impacto do bíceps durante sua contração tirando sua boa centragem para o movimento.

Teste para os redondos maior e menor

Posição do avaliado: em decúbito ventral com flexão do antebraço, adução, extensão e rotação medial do braço, com o dorso da sua mão apoiada na região lombossacral. O avaliador estabiliza o ombro oposto e aplica uma pressão no sentido da flexão e abdução do membro superior avaliado. No caso de fraqueza muscular o avaliado é incapaz de manter a sustentação de seu membro superior.

Peitoral Menor

Normalmente damos pouquíssima importância a esse pequeno músculo de ação peculiar sobre nosso sistema músculo esquelético. Anatomicamente conhecido como o músculo do tórax tem sua origem das 2ª a 5ª costelas e sua inserção no processo coracoide da escápula atua na inspiração forçada. Porém em sua ação músculo esquelética leva o membro superior a anteversão, portanto em contratura, encurtamento ou tensão diminui o espaço da corredeira bicipital.  

Teste do Peitoral Menor

Avaliado em decúbito dorsal. Nos posicionamos na região cranial do nosso aluno e observamos qual ombro encontra-se descolado da maca em enrolamento.

Grande Dorsal

Em contrapartida ao pequeno peitoral menor encontramos um músculo plano e amplo de formato triangular que percorre a região lombar e posterior da parte inferior do tórax em direção ao úmero. Tem sua origem na fáscia tóraco lombar ao longo dos processos espinhosos de T12 a L5. Região dorsal do sacro e crista ilíaca vindo inserir-se no tubérculo menor do úmero sendo responsável pela:

  • Extensão;
  • Adução;
  • Rotação medial do membro superior.

Portanto em seu encurtamento roda internamente o úmero, que em ação conjunta ao peitoral menor aproximara mais a cabeça do úmero ao processo coracoide.

Teste do Grande Dorsal

Aluno em decúbito ventral com extensão de ombro e adução. A avaliação consiste em aplicarmos uma pressão no sentido oposto no terço distal do antebraço de nosso aluno para a extensão e abdução e notarmos as compensações que podem apresentar-se até o quadril, dada a origem de músculo.

Trapézio

Potente músculo amplo e plano que realiza a elevação e adução da escápula, tem um formato triangular. Origina-se no osso occipital seguindo pelas vértebras de C4 a C7 até T12 para se inserir no terço externo superior da clavícula, borda medial da espinha escapular e acrômio. Tendo como sua ação a elevação e adução da escapula. Testamos a forca do trapézio, bem como a qualidade do movimento gerado da seguinte forma.

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Teste de força do trapézio

O avaliado deverá estar sentado solicitamos que o mesmo rode e estenda a cabeça para o lado contrário ao hemicorpo que será avaliado. O profissional do movimento posiciona uma de suas mãos no ombro a ser testado exercendo uma estabilização. Não deve permitir que o ombro suba durante o teste, a outra mão do profissional avaliador estará posicionada na nuca aplicando uma pressão para a flexão da cabeça sem perder a rotação. 

Dessa maneira o avaliador deverá ser capaz de observar se o aluno é capaz de suportar essa pressão. Caso isso não ocorra encontraremos o trapézio fraco. Já adianto que dificilmente estaremos diante de um trapézio fraco. Faremos também o teste para as fibras transversais onde aplicaremos a pressão no terço distal do antebraço no sentido da adução horizontal.  Devemos observar as compensações no ombro que nosso avaliado possa tentar realizar para realizar o movimento. Dessa forma detectaremos se o músculo encontra-se em tensão.

Serrátil anterior

Origina-se entre as nove primeiras costelas para se inserir no ângulo: superior, inferior e na borda medial da escapula. É um músculo delgado de formato quadrangular, situado na parede latero-posterior da caixa torácica, recobrindo as costelas e em sua parte posterior e sendo recoberto pela escápula. Em sua ação abduz a escapula e a fixa junto ao gradil costal, auxilia também na inspiração ajudando a realizar o movimento de elevação das costelas em alça de balde.  Normalmente encontra-se fraco.

Teste para o Serrátil anterior

Avaliado deverá estar deitado em decúbito dorsal com os ombros flexionados a 90* e punhos fechados, o profissional avaliador exercera uma pressão vertical sobre os punhos do aluno que deverá ser capaz de ativar o Serrátil anterior, não permitindo que seus ombros encostem na maca.

Porém quando a zona primaria da lesão encontra-se na fossa ilíaca, deveremos estar atentos ao músculo chave desencadeante para as alterações posturais se iniciarem, o nosso apaixonante Psoas.

Conforme já dito, esses testes visam corroborar as compensações de cada músculo em tensão zerando a zona primaria da lesão no tórax.

Conclusão

Para uma boa reabilitação de ombro precisamos começar com uma avaliação eficiente. Inicialmente precisamos descobrir quais são as compensações realizadas pelas musculaturas do ombro para começar a corrigi-las em aula. Você poderá usar os testes apresentados nesse artigo para complementar sua avaliação e compreender melhor o corpo do aluno.

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